domingo, dezembro 03, 2023

You Can’t Save Yourself - Bishop Barron's Sunday Sermon

Ontem, ouvi uns pais dizer que a missa era chata e que os filhos não tinham interesse em participar, e que era muito cedo ou muito tarde.

Entretanto, hoje depois da missa fui ao escritório deixar umas pastas de arquivo e ... estranhei tantos carros no estacionamento que ao Domingo costuma estar vazio. Percebi que muito cedo, talvez por volta das 8h da manhã, tinha começado um evento num andar debaixo, onde um dos vizinhos tem uma escola de dança para crianças.

As pessoas estão habituadas à campanha dos políticos que prometem carne à mesa todos os dias. Sorry, ser cristão não é para levar a vida fácil, ser cristão é para levar uma vida diferente.

Queremos Deus na nossa vida, sim ou não? Precisamos dele, sim ou não? 

Come on, estamos em 2023, quase em 2024, alguém obriga os pais a darem vida religiosa aos filhos?

Não podemos querer ter Sol na eira e chuva no nabal.

Outcomes, not deliverables

"As a leader, you want to keep your team focused on critical outcomes and problems. To do this, you first need to identify where scope creep usually happens and cut it off quickly. In practice, this means shifting your entire team's mindset from "what" you're building to "why" you're building it, ensuring a project's outcomes are clearly defined. This will keep the team's narrative focused on the problem being solved.

...

Driving projects by outcomes means defining success based on problem resolution, and measuring progress by how effectively you solve the problem. Therefore, an outcome is a problem that an audience has that isn't addressed or is insufficiently addressed — not the individual project deliverables or features. Defining outcomes means setting aside assumptions on audience wants and desires, and shifting attention to what pain points exist and what is required to eliminate them.

...

Emphasizing outcomes also helps you to align your team around a common purpose and shared goals. By providing clarity on what needs to be achieved, you're motivating your team and empowering them to work together to apply creative approaches to problem solving. Without knowing the outcomes, it is presumptive to say whether any specific tactic or deliverable is needed or necessary. In short, only when problem-based outcomes are determined can a useful scope of features and deliverables be defined."

Recordar:

Trechos retirados de "Project Managers, Focus on Outcomes - Not Deliverables

sábado, dezembro 02, 2023

Um paralelismo?

Em Junho passado em Evoluir na paisagem económica escrevi:

"No final desta leitura recordo que procurei mentalmente fazer um paralelismo com a deslocalização do têxtil alemão para Portugal nos anos 60."

Nas últimas semanas mão amiga tem-me enviado alguns "recortes" sobre a economia alemã. O último foi este:

"companies' investment shifts are becoming more established: more than one in three companies (35 percent) are now planning to shift investments abroad (May 2023: 27 percent, February 2023: 27 percent, September 2022: 22 percent). Another 14 percent are planning to cut investments. Only 1 percent of companies stated that they wanted to increase their investments in Germany given the current situation. Relocation destinations are: other EU countries, Asia and North America (in that order)."

Também recebi este:

"Orders received by the German machine tool industry in the third quarter of 2023 were nine percent down in nominal terms on the same period last year. Orders from Germany declined by 8 percent whereas those from abroad fell by nine percent."

Entretanto por cá:

  • Metal perde vendas mas acredita em recorde anual
  • "Nem a metalurgia e metalomecânica, a indústria campeã das exportações, é imune ao arrefecimento das economias europeias, em especial, da alemã. Em setembro, as vendas ao exterior caíram 8,6% para 1859 milhões de euros, menos 175 milhões do que no mesmo mês de 2022. No entanto, no acumulado do ano, as notícias mantêm-se positivas, com as exportações a crescerem 7,1% para 18 173 milhões de euros, fazendo acreditar num novo máximo histórico em 2023." 

     

    sexta-feira, dezembro 01, 2023

    Brace for impact


    Quando o PS abandona o governo ...
    • "A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em baixa as previsões para a economia nacional, apontando agora para um crescimento de 2,2% para este ano, de 1,2% para 2024 e de 2% para 2025." (Fonte)
    • "Em setembro de 2023, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de -8,2% e -13,0%, respetivamente" (Fonte)
    • Taxa Euribor sobe a três e a seis meses e desce a 12 meses para menos de 4% (Fonte)
    • "O total de desempregados registados no País foi superior ao verificado no mesmo mês de 2022 (+14 231; +4,9% ) e no mês anterior. (+3 243;+1,1%)." (Fonte)
    Números do crescimento homólogo do desemprego em Outubro último:
    • Fabricação de têxteis: + 11,3%
    • Indústria do vestuário: + 15,8%
    • Indústria do couro e dos produtos do couro: + 66,6%
    • Fabricação de outros produtos minerais não metálicos: + 21,5%
    • Fab. equipamento informático, elétrico, máquinas e equipamentos n.e.. + 10,7%
    • Atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio: + 11,8%
    • Atividades de informação e de comunicação: + 16,6%
     (Fonte)



              Foi um parágrafo, foi. Esperto!



              quinta-feira, novembro 30, 2023

              Não há acasos!

              À atenção da câmara municipal de Viseu:

              "Any problem of real consequence is too complicated to solve without breaking it down into logical parts that help us understand the drivers or causes of the situation. So this is the most important step in problem-solving: taking the problem apart in a way that helps us see the potential pathways to solve it. At the same time, when we can see all the parts clearly, we can determine what not to work on, the bits that are either too difficult to change or that don't impact the problem much. When you get good at cleaving problems apart, insights come quickly."

              Claro que nem todos são iguais. Por exemplo, na semana passada uma empresa olhou para os seus objectivos da qualidade e verificou que uma das suas prioridades não estava a ser cumprida. A taxa de atraso nas entregas tinha crescido face ao ano anterior. Em vez do "vamos passar a ter mais cuidado", olharam para os dados e perceberam que havia um padrão. Os atrasos eram gerados pela recepção de repetições, encomendas recebidas sem planeamento e com prazos de entrega curtos que disrupcionam o planeamento normal. O que é que eles decidiram? Criar "pulmões" de capacidade não ocupada, livres para uso futuro em repetições se necessário, e facilmente usados na produção normal, se não vierem repetições.

              Não há acasos, se não gostamos dos resultados, temos de mudar o sistema.

              Trecho retirado de "Bulletproof Problem Solving" de Charles Conn

              quarta-feira, novembro 29, 2023

              Desenhar futuros alternativos

              Estava no meio de uma reunião via Teams quando um e-mail chegou com o video abaixo:

              Vi-o ainda nessa manhã.

              Achei esta análise muito interessante. Subir na escala de abstracção e olhar para os fluxos de factores que podem criar futuros alternativos. Como não recordar as três setas de Subsídios para um primeiro-ministro.

              O que Zeihan faz é olhar para as três setas e numa primeira rodada lançar um cenário possível, para depois pensar nas alternativas de resposta, ou de antecipação de alguém com locus de controlo no interior.


              terça-feira, novembro 28, 2023

              Este cura sabia!

              "Monseigneur, vos prêtres de village savent-ils ce qu'ils font à chaque messe?"

              "Monsenhor, acredita que os seus curas de aldeia têm consciência do milagre que realizam em cada missa?"

              Frase atribuída a Antoine de Saint-Exupéry.

              Eu tinha um tio, que sempre me tratou por Carlitos, quando o conheci era cura de uma aldeia nos arrabaldes de Coimbra no final dos anos sessenta do século passado.


              Nos últimos vinte e tal anos desenvolvi uma relação especial com ele. Talvez por ser o irmão mais velho do meu pai, que perdi há vinte anos, talvez por ser um idoso interessante que me deixava muitas vezes com a ideia de que dizia menos do que sabia, talvez por ser alguém que sempre perguntava pelo nosso trabalho, alguém que fazia perguntas fora da caixa, “O que é isso da nuvem?”


              O meu tio deixou este mundo com mais de 95 anos numa data fácil de recordar, 10 do 10 de 2020. Herdei alguns bens pessoais como o seu terço, como alguns livros e coisas simples como um pequeno globo terrestre que quando eu era miúdo me parecia enorme.


              No último mês, ando numa fase muito feminina na minha organização do trabalho. Planeio trabalhar em 3 ou 4 projectos distintos por dia, um bocado de cada vez. Permite-me trabalhar a fundo num projecto e quando a mente começa a cansar-se do tema e a querer fazer batota mudamos para outro. Ontem, dediquei cerca de uma hora a fazer algo que estava prometido há muito tempo, integrar algures no escritório uma quantidade de livros e revistas que estavam guardados nos arrumos da garagem de casa. Isso levou-me a mexer noutras coisas, e dei comigo a abrir uma caixa com um pequeno tesouro de coisas simples do meu tio, um terço, duas lupas, duas máquinas de calcular, algumas bugigangas e três livros: "A 25ª hora", "A rebelião das massas" (este fui eu que lhe ofereci, ainda tem os meus sublinhados a laranja benetton), e um livro que me lembro de ler duas vezes. À primeira não percebi e à segunda adorei. É o livro da foto, “Ortodoxia” de Chesterton.



              Sentei-me e agarrei-o como se fosse uma relíquia e folheei-o … os meus livros têm sempre a minha marca, os sublinhados benetton, os do meu tio têm sublinhados a lápis e comentários breves. 


              Quando o meu tio morreu tive o privilégio de escolher alguns livros de entre a sua biblioteca: de filosofia, de psicologia, de história, de religião e algo mais. Entretanto, descobri que o cura da aldeia dos anos sessenta era um ávido leitor que sublinhava e comentava o que lia, um homem organizado que registava todas as entradas e saídas de dinheiro, até encontrei um pequeno diário onde regista o dia de Março de 62 onde levou o meu pai de carro para Lisboa para ir apanhar o avião para Luanda onde, como regente agrícola, iria trabalhar no algodão de Malange e estar perto da namorada.


              Tenho saudades do meu tio… e sim, acredito que ele tinha consciência do milagre que realizava em todas as missas.

              Nash Equilibrium and Mongo


              Oiço a explicação de Nash e visualizo a minha descrição de Mongo!

              Acerca de Mongo:

              segunda-feira, novembro 27, 2023

              "vai passar a ter mais cuidado"

              Já por várias vezes escrevi aqui que os governantes não são mais nem menos que os governados, são uma emanação directa, são iguais.

              Ao ver isto:


              Pensei na minha experiência em tantas PME.

              Perante um problema, resolvem "vamos passar a ter mais cuidado".

              O que é que este sintoma nos revela sobre o processo de pagamento nesta câmara? Acham que passar a ter mais cuidado vai resolver o problema? 

              Isto é como o caso das gémeas brasileiras, por que o número é grande, chega ao público. Quantos casos de trocos não ocorrem todos os meses?

              E decidir olhar para o processo existente e perceber o que é que falhou? E decidir actuar nesse ponto onde a falha ocorreu?

              Come on: "vai passar a ter mais cuidado" é a melhor resposta para que a coisa volte a acontecer.



              domingo, novembro 26, 2023

              Ciência podre

              Nos tempos do Covid tinhamos nos extremos os críticos acéfalos e os apoaintes acéfalos da ciência.

              Ainda me lembro de me venderem que os vacinados não apanhavam Covid...

              Adiante!

              "However, my advisor had a different view: The paper had been published in a top management journal by three prominent scholars… To her, it was inconceivable to simply disregard this paper.

              I felt trapped: She kept insisting, for more than a year, that I had to build upon the paper… but I had serious doubts about the trustworthiness of the results. I didn’t suspect fraud: I simply thought that the results had been “cherry picked”. At the end of my third year into the program (i.e., in 2018), I finally decided to openly share with her my concerns about the paper. I also insisted that given how little we knew about networking discomfort, and given my doubts about the soundness of CGK 2014, it would be better to start from scratch and launch an exploratory study on the topic.

              Her reaction was to vehemently dismiss my concerns, and to imply that I was making very serious accusations. I was stunned: Either she was unaware of the “replication crisis” in psychology (showing how easy it is to obtain false-positive results from questionable research practices), or she was aware of it but decided to ignore it. In both cases, it was a clear signal that it was time for me to distance myself from this supervisor.

              ...

              The story so far is very banal. I, a (very) early-career researcher, took a deep dive into a famous paper and discovered inconsistencies. These stories always start with “that’s odd…”, “it doesn’t make any sense…”, or “there is something off here…”. Then, I second-guessed myself, a lot. After all, the authors are famous, serious people; and the paper is published in a prestigious peer-reviewed journal. So I thought “I must have misunderstood,” “I must be missing a part of the puzzle,” “it was probably addressed during the peer review process”… Then, as I finally grew more confident that the issues were real and substantial, I decided to write about them.

              What should happen then (if science were, as many people like to say, “self-correcting”) is that, after a peer-review of some form, my criticism would get printed somewhere, and the field would welcome my analysis the same way it welcomes any other paper: Another brick in the wall of scientific knowledge.

              As revealed in the New Yorker piece, this is not at all what happened. The three members of my committee (who oversaw the content of my dissertation) were very upset by this criticism. They never engaged with the content: Instead, they repeatedly suggested that a scientific criticism of a published paper had no place in a dissertation."

               O artigo impressiona e faz pensar na quantidade de professores e investigadores em Economia que publicam artigos científicos enquanto louvam a economia da Venezuela, a Coreia do Norte e Cuba.

              Trechos retirados de "A Post Mortem on the Gino Case".


              Recordar "Sou um cândido ingénuo"

              sábado, novembro 25, 2023

              Nó Górdio - farmácias, falta o resto

              Desfazer o Nó Górdio era um puzzle que derrotou muitos até que Alexandre o cortou com um golpe de espada.

              Em 2008 - Um caminho para a farmácia do futuro?

              Em 2023 - Por que engonhamos tanto? Sim, sobre a farmácia do futuro.

              Ontem no semanário Expresso, "As farmácias como extensão dos cuidados primários":

              "Aliviar a sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e aumentar o acesso dos doentes são objetivos centrais de Fernando Araújo, o homem que segura o leme de um SNS que há muito navega em águas agitadas. O plano do diretor-executivo para recuperar o sistema inclui a reorganização dos serviços, mas também a inclusão das farmácias como uma extensão dos cuidados de saúde primários.

              ...

              "Se pudermos ter um farmacêutico comunitário que esteja habilitado a fazer o diagnóstico e a prescrever o antibiótico para uma infeção urinária, resolve 90% dos casos", exemplifica.

              ...

              A "revolução" que os profissionais consideram estar em curso não é uma ideia original portuguesa, mas inspirada em modelos que têm sido aplicados em países como a Escócia."

              Passo seguinte serão os hospitais privados ao serviço do SNS. 

              sexta-feira, novembro 24, 2023

              A esperteza do feitor

              Lucas 16, 1-13


              Recordo


              quinta-feira, novembro 23, 2023

              Canários na mina

              Há dias citei:

              "A boa notícia é que vamos assistir à morte das empresas zombie dependentes de taxas de juro artificialmente baixas"

              Agora, começo a reparar outros canários na mina.

              Por exemplo, no FT de ontem em "The looming threat of fiscal crises" Martin Wolf escreve:

              "It is unquestionable that public debt has reached high levels by past standards.

              ...

              So, is public debt disaster looming? If so, will there be defaults, inflation, financial repression (forcible attempts to keep debt cheap), or some combination of all three? If none of these is to happen, what must be done?

              ...

              If governments are going to avoid the risks of a debt explosion and are also not going to resort to surprise inflation or financial repression, they will have to tighten what are mostly still ultra-loose fiscal policies. But will they dare to do so in ageing societies, with slowly growing economies and expanding defence burdens?"

              Por exemplo, no WSJ de ontem em "Interest Payments Are Walloping Government Budgets":



              "The world spent the past decade-plus taking advantage of rock-bottom interest rates to binge on debt. An unprecedented bill is coming due.

              Governments are expected to spend a net $2 trillion paying interest on their debt this year as higher interest rates make borrowing more expensive, up more than 10% from 2022, according to an analysis of International Monetary Fund data by research consulting firm Teal Insights and a separate analysis by Fitch Ratings. By 2027, it could top $3 trillion, Teal Insights says. The surge in interest costs leaves governments with difficult choices."

              Como li há dias no Twitter, sempre que o PS "foge" do governo... é um sinal de que tempos negros se avizinham.

               

              quarta-feira, novembro 22, 2023

              After "Pinto da Costa"

               "Having a CEO around for a long time is often thought to provide a company with consistency. But it can also store up problems, according to new research.

              Academics looking into the fall-out from a CEO with a long tenure find that it can "harm" performance, even after they are replaced.

              Statistical analysis by a team of academics finds that it appears hard to maintain performance after a long-standing CEO has moved on. There are also higher costs involved with the "clean-up"— restructuring and write offs-after veteran chief executives have departed."

              Trecho retirado de "Long-standing CEOs can leave a legacy of trouble for boards

              terça-feira, novembro 21, 2023

              "Why People Resist Change"

              Por que aquilo a que chamamos resistência à mudança acontece como um comportamento perfeitamente normal.


              segunda-feira, novembro 20, 2023

              "Por isso mesmo, não andemos a dormir como os outros, mas estejamos vigilantes e sóbrios."

              Recordar 1Ts 5, 1-6 

              "The autumn picture is both clear and gloomy. Europe's CFOs see a challenging winter ahead. Inflation is still elevated and interest rates at levels that are, historically, normal rather than particularly high, but from the rock bottom, near-zero rates of the previous decade and a half. Consumers are struggling with spiralling costs, and CFOs face the same problem: they too are now focusing on major efforts to reduce costs - rather than planning to invest, hire staff and expand. As was the case last autumn, when the Ukraine conflict brought Europe the threat of energy shortages, CFOs are uneasy about the winter that lies ahead and about the risks to economic growth. Their mindset is therefore cautious.

              With generative Al, many see the potential to help them reduce costs and improve their business performance in general. Yet, most are still in preparation mode. If competitors find benefits in using generative Al and steal a march on them, they will be swift to join the new trend - provided they can find staff with the knowledge required. If generative Al expands rapidly, competition for the respective skills will become intense.
              ...
              But the worsening in Europe’s current economic picture and its prospects is reflected in a reinforcement of the shift in CFOs’ strategic priorities that began to be evident a year ago—they are focusing on cost reduction. This shift to a defensive strategy is easy to understand: Europe’s CFOs, just like its consumers, are responding to the cost-of-living crisis by tightening their belts."

              Acerca do valor do trabalho

              A propósito da 1ª leitura da liturgia de ontem, retirada do Livro dos Provérbios, capítulo 31.

              A importância do trabalho

              domingo, novembro 19, 2023

              Por artes mágicas...

               Sexta-feira à noite num canal de TV durante o noticiário vi o relato deste tema aqui registado no JN de ontem

              O jornal não refere algo dito na peça televisiva, vários participantes na marcha referiram ter o sector perdido centenas de explorações leiteiras nos últimos anos.

              Os políticos criaram uma geração de adultos-crianças...

              Factos:
              • Bebe-se menos leite: As mudanças nos padrões de consumo, como a redução do consumo de leite em certas faixas etárias ou a preferência por alternativas ao leite, influenciam a procura.
              • Bebe-se menos leite: Há cada vez menos crianças!
              • Concentração em busca de eficiência: A modernização e a busca por eficiência levam à consolidação da produção em grandes instalações, enquanto as pequenas propriedades podem não ser economicamente viáveis.
              • Regulação e exigências ambientais: Normas ambientais mais rigorosas e exigências de conformidade podem aumentar os custos de conformidade para pequenos produtores. Aqui é interessante, nunca ouvi um político português dizer aos produtores de leite, o que dizem às empresas industriais ou aos condutores de automóveis.
              Por artes mágicas, terceiros têm de suportar as explorações leiteiras... por alma de quem?

              Sinto tanta falta desta clareza e pragmatismo na comunicação:
              "Para o BCE, a situação é mais difícil. "A zona euro encontra-se numa espiral de inflação salarial e a tendência deverá manter-se em 2024", afirma Dixmier. O problema dos aumentos salariais na Europa é que não são motivados pelo aumento de produtividade e, consequentemente, aumentam diretamente os custos das empresas. E as empresas vão querer manter as suas margens, o que irá traduzir-se diretamente em aumentos de preços. Por este motivo, o especialista prevê que o BCE terá de continuar a aumentar as taxas para combater a inflação. "A boa notícia é que vamos assistir à morte das empresas zombie dependentes de taxas de juro artificialmente baixas", acrescenta Virginie Maisonneuve, diretora de Investimento em Ações."

              sábado, novembro 18, 2023

              Ah! Esquecia-me!!!

              Ontem no Twitter fiquei apanhado por esta foto.

              Acham que o valor gerado numa actividade como esta é capaz de pagar 820 euros por mês a estes trabalhadores? 

              Ah! Esquecia-me! Esquecia-me que estes trabalhadores, muito provavelmente, são dos tais que estão por cá a prestar serviço, mas são pagos por um empregador no Bangladesh, de acordo com as regras do Bangladesh, tal como as empresas de construção portuguesas que vão prestar serviço na Alemanha e pagam salário português aos seus trabalhadores.

              sexta-feira, novembro 17, 2023

              Depois não se venham queixar das empresas zombies (parte II)

              Ontem publicamos aqui no blogue: "Depois não se venham queixar das empresas zombies". 

              Volta e meia escrevo aqui sobre o país do absurdo. Querem mais um exemplo? O novo aeroporto de Lisboa. Às segundas, terças e quartas, empertigam-se porque já deveria estar construído e em operação, para às quintas, sextas e sábados protestarem contra o excesso de turismo e contra as alterações climáticas.

              Às segundas, terças e quartas, empertigam-se porque temos demasiadas empresas zombies...

              para às quintas, sextas e sábados, quando lhes começam a tremer as pernas, protestarem por causa da falta de apoios para elas.

              Voltemos ao tema da parte I, a falta de mão-de-obra. Vai ser o novo normal.

              Entretanto no NYT de quarta-feira passada encontro "Signs of a Lasting Labor Crunch"

              "At Lake Champlain Chocolates, the owners take shifts stacking boxes in the warehouse. At Burlington Bagel Bakery, a sign in the window advertises wages starting at $25 an hour. Central Vermont Medical Center is training administrative employees to become nurses. Cabot Creamery is bringing workers from out of state to package its signature blocks of Cheddar cheese.

              The root of the staffing challenge is simple: Vermont's population is rapidly aging. More than a fifth of Vermonters are 65 or older, and more than 35 percent are over 54, the age at which Americans typically begin to exit the work force. No state has a smaller share of its residents in their prime working years.

              Vermont offers an early look at where the rest of the country could be headed

              ...

              "All of these things point in the direction of prolonged labor scarcity," 

              ...

              Employers are fighting over scarce workers, offering wage increases, signing bonuses and child care subsidies, alongside enticements such as free ski passes. [Moi ici:a diferença para a parte I é notória] When those tactics fail, many are limiting operating hours and scaling back product offerings.

              ...

              Long-run labor scarcity will look different from the acute shortages of the pandemic era. Businesses will find ways to adapt, either by paying workers more or by adapting their operations to require fewer of them. Those that can't adapt will lose ground to those that can.

              "It's just going to be a new equilibrium," said Jacob Vigdor, an economist at the University of Washington, adding that businesses that built their operations on the availability of relatively cheap labor may struggle. [Moi ici: A quem caberá a carapuça?]

              ...

              "You may discover that that business model doesn't work for you anymore," he said. "There are going to be disruptions. There are going to be winners and losers." [Moi ici: Sinto tanta falta deste pragmatismo adulto carregado de bom senso... faz-me voltar ao piquenine e às formigas de 2006

              ...

              The winners are the workers. When workers are scarce, employers have an incentive to broaden their searches - considering people with less formal education, or those with disabilities and to give existing employees opportunities for advancement.

              ...

              Other businesses are finding their own ways to accommodate workers. Lake Champlain Chocolates, a high-end chocolate maker outside Burlington, has revamped its production schedule to reduce its reliance on seasonal help. It has also begun bringing former employees out of retirement, hiring them part-time during the holiday season.

              ...

              "We've adapted," said Allyson Myers, the company's marketing director. "Prepandemic we never would have said, oh, come and work in the fulfillment department one day a week or two days a week. We wouldn't have offered that as an option."

              Then there is the most straightforward way to attract workers: paying them more. Lake Champlain has raised starting wages for its factory and retail workers 20 to 35 percent over the past two years.

              ...

              "We need to start looking at immigrants as a strategic resource, incredibly valuable parts of the economy,;" said Ron Hetrick, senior labor economist at Lightcast, a labor market data firm."

              Na parte I temos o típico comportamento tuga em que o locus de controlo está no exterior (nós somos uns desgraçados, uns Calimeros, não temos agência, tem de ser alguém no exterior a resolver o nosso problema). Na parte II temos um discurso em que o locus de controlo está no interior.

              quinta-feira, novembro 16, 2023

              Depois não se venham queixar das empresas zombies

               "Seis em cada dez empresas portuguesas teve dificuldade em contratar pessoas com as competências adequadas às suas necessidades, uma questão que é transversal a todos os setores económicos. Este é mesmo o maior problema identificado pelas PME nacionais nas respostas a um inquérito da União Europeia, no qual reclamam incentivos fiscais, designadamente através da redução da TSU à Segurança Social, e ações de requalificação profissional. Subsídio diretos são também bem acolhidos."

              Tendo em conta os sublinhados pergunto: É um problema de falta de mão de obra, ou um problema de incapacidade de pagar o nível salarial para atrair as pessoas?

              Será que incentivos fiscais, acções de requalificação profissional e subsídios directos têm a ver com falta de mão de obra, ou são soro para manter empresas em coma?

              Depois não se venham queixar das empresas zombies. Deixem as empresas morrer!

              Trecho retirado de "PME querem incentivos fiscais para ajudar a combater a falta de mão-de-obra"

              quarta-feira, novembro 15, 2023

              "However, if surprises happen"

              "When the environment is stable, AI can surpass humans. If the future is like the past, large amounts of data are useful. However, if surprises happen, big data - which are always data from the past - may mislead us about the future. Big data algorithms missed the financial crisis of 2008 and in 2016 predicted Hillary Clinton's victory by a large margin.

              In fact, many problems we face are not well-defined games but situations in which uncertainty abounds: finding true love, predicting who will commit a crime and reacting in unforeseen emergency situations are examples. Here, more computing power and bigger data are of limited help. Humans are the key source of uncertainty. Imagine how much more difficult chess would be if the king could violate the rules at a whim and the queen could stomp off the board in protest after setting the rooks on fire. With people involved, trust in complex algorithms can lead to illusions of certainty that become a recipe for disaster."

              Trecho retirado de "How to Stay Smart in a Smart World: Why Human Intelligence Still Beats Algorithms" de Gerd Gigerenzer 

              terça-feira, novembro 14, 2023

              A possibilidade do optimismo

              Ontem, no postal "Espero que não vos tremam as pernas quando as empresas começarem a cair como tordos" (Parte III) mostrei esta tabela:
              Fiquei satisfeito com a evolução dos produtos farmacêuticos. Recordo da semana passada, Menos dor na transição, este trecho:
              "É uma boa notícia e um exemplo concreto da teoria dos Flying Geese."
              Sobre a instalação de uma empresa farmacêutica no reino do calçado.

              O calçado, o têxtil e vestuário estão em queda? Sim, mas isso terá de ser a tendência para criar o nível de produtividade desejado no futuro. 

              O que é que o JdN de ontem escolheu para abordar?

              Na capa:

              Pena que não tenha salientado o lado positivo. Em 10 anos as exportações de produtos farmacêuticos cresceram quase 270%, as de calçado cresceram 10%.


              BTW, na mesma capa, ao lado, outro título:








              segunda-feira, novembro 13, 2023

              "Espero que não vos tremam as pernas quando as empresas começarem a cair como tordos" (Parte III)

              Parte II.

              Impressionante a radiografia das exportações usando o template tradicional aqui do blogue.

              Recordar de Agosto passado: Tudo vai depender do tal jogo de forças (parte VI)


              Uma pergunta

              Este postal não é uma promoção da guerra, mas o relato breve de uma reflexão superficial que há anos tenho guardada na prateleira.

              Há quantos anos Portugal não entra numa guerra a sério? Não falo de guerras lá longe, falo de guerras que podem pôr em causa a existência do estado como o conhecemos?

              O que acontece quando uma guerra que pode pôr o estado em causa sucede?

              Tudo é posto em causa em nome da sobrevivência do estado.

              Durante a guerra as instituições são obrigadas a reformar-se em nome da eficácia. Direitos adquiridos são suspensos e tudo se foca no objectivo de ganhar a guerra. A guerra funciona como uma purga sobre as ineficiências e desvarios que foram introduzidos ao longo do tempo de paz.

              Uma vez terminada a guerra o que acontece? Há de certa forma um reset, e um recomeço. Novas personagens, novas instituições, novas leis. 

              E quando não há guerras destas? As purgas não acontecem. Os desvarios e ineficiências multiplicam-se e ampliam-se numa espécie de reacção auto-catalítica.

              Dois exemplos, um nacional:


              Outro internacional, retirado da revista MIT Technology Review de Setembro/Outubro passado, "What happened to Kiva?":
              "The Kiva users noticed that the changes happened as compensation to Kiva's top employees increased dramatically. In 2020, the CEO took home over $800,000. Combined, Kiva's top 10 executives made nearly $3.5 million in 2020. In 2021, nearly half of Kiva's revenue went to staff salaries."
              Pergunta: como se criam instituições que não degeneram e se focam nos seus membros, em vez de manterem o foco na razão para o qual foram criadas, alguém no exterior?

              domingo, novembro 12, 2023

              Uma tristeza...

              No JN da passada sexta-feira:

              • página 19 - Queda de vigas mata operário em fábrica na Maia
              • página 22 - Quedas de árvores matam dois trabalhadores - Estavam a proceder ao corte quando foram atingidos em Viseu e em Penafiel
              Nos últimos 30 dias quantas mortes durante o trabalho foram registadas?

              Por que continuam a acontecer estes casos? Não têm notado um crescimento destes casos mortais?

              O que é que isto nos diz sobre quem devia prevenir estes resultados? Isto faz-me recuar a 2007 e aos monumentos à treta.

               

              sábado, novembro 11, 2023

              Curiosidade do dia

              Este postal foi inspirado neste tweet:

              O processo Influencer leva-nos a ver o que se passa atrás do pano, nos bastidores.


              Em Abril de 2011 escrevi aqui no blogue:
              "Os investimentos estrangeiros que se têm feito nos últimos anos têm sido à custa de um tratamento preferencial negociado nos corredores, carpetes e biombos do poder, com a atribuição de benesses e redução nos impostos para os compadres (os PINs do Pinho)."
              Recordo:
              Claro que se um governo cria muitas regras, muitas dificuldades aos negócios, cria um mercado para cunhas e by-passes para os amigos por trás de biombos e no reino das carpetes:

              Menos dor na transição

              Esta semana apanhei nas notícias:

              • Fábrica que fazia casacos de luxo fecha da noite para o dia (Têxtil de Penafiel despede 120 funcionárias por email na véspera do regresso ao trabalho. Encerramento justificado com falta de serviço) - JN de quinta-feira passada.
              • Sapatos aclamados por Paulo Portas nas mãos da banca - JdN de quinta-feira passada.

              "A Coloplast, cuja atividade inclui cuidados em ostomia, em continência e urologia, vai investir 100 milhões de euros em Portugal naquela que será a sua maior unidade industrial.
              Na nova fábrica, que irá erguer em Felgueiras, conta vir a empregar mais de mil pessoas."

              Já por várias vezes referi a Coloplast aqui no blogue, um praticante de Mongo na indústria farmacêutica. É uma boa notícia e um exemplo concreto da teoria dos Flying Geese. 

              Alguns vão dizer:

              - Não há pessoas para trabalhar, ainda para mais em Felgueiras, um concelho com pleno-emprego. 

              A rentabilidade de uma empresa como a Coloplast permite-lhe pagar salários que os incumbentes em Felgueiras nunca conseguirão. 

              Conseguem imaginar o aumento da produtividade de um trabalhador que sai da costura ou montagem de sapatos, para uma linha de montagem da Coloplast? Sem formação (lerolero ou caridadezinha) que não a dada pela empresa. Recordo daqui

              "Há uma forma rápida de aumentar a produtividade de uma costureira! Basta despedi-la de uma fábrica subcontratada por uma marca para costurar T-shirts e, adimiti-la numa outra fábrica, na mesma rua, que tem marca própria e fabrica T-shirts para vender com essa marca"

              Sabem o que isto faz? Contribui para diminuir a dor na transição referida em Falta a parte dolorosa da transição (Parte VI)

              sexta-feira, novembro 10, 2023

              Acerca da análise SWOT

              Ontem li "It's Time to Toss SWOT Analysis into the Ashbin of Strategy History" e fiquei com uma sensação estranha. 

              Concordo e não concordo com o autor. Julgo que é outra vez a estória da culpa ser da caneta e não de quem a usa também referida aqui.

              Concordo quando ele refere:

              "I am tired of reading SWOT analyses. [Moi ici: Eu também, o meu detector da treta está sempre a apitar]

              ...

              Who can tell me a blinding insight that came out of any such SWOT analysis? [Moi ici: O que levanta a questão sobre para que fim é a SWOT usada?]

              ...

              Consider the strengths analysis. To be able to analyze one’s strengths, one has to have a definition of what is contained in the category ‘strengths’ and a way of measuring whatever is included. But a strength is only a strength in the context of a particular Where-to-Play/How-to-Win (WTP/HTW) choice. [Moi ici: O mesmo se pode dizer das fraquezas, o que me leva a este postal "Assim, partem já derrotados" de 2015. Usar uma SWOT para desenvolver uma estratégia, é pôr o carro à frente dos bois. Primeiro é preciso ter uma estratégia que contextualize o que são forças, fraquezas, oportunidades e ameaças]

              ...

              The superior approach is to perform an analysis only when you are clear on the specific purpose so that you can go a mile deep and an inch wide. That means you don’t do it up front as with the SWOT and you don’t attempt to make it excessively broad like the four-pronged SWOT. [Moi ici: Confesso que só cheguei a isto depois de desesperar com tantas análises de contexto, de acordo com a ISO 9001 e a ISO 14001, que não passam de pura perda de tempo. Por que é que se há-de competir por criar a maior lista possível de factores interos e externos? Recordo Running away from a plain and hard brainstorming (part Il)]

              ...

              Start by defining the strategy problem you are seeking to solve. That is, what is the gap between your aspirations and the outcomes you are seeking. Then specify the form of the solution by way of a ‘how might we’ question. That is, how might we eliminate the identified gap that we currently face. Then imagine possibilities of WTP/HTW choices that have the potential of answering the how might we question to eliminate the gap between aspirations and outcomes."

              Quando eu era criança usava a SWOT como criança. Agora que sou mais velho uso-a mas de forma muito diferente.

              1. Formular uma estratégia.
              2. Traduzir a estratégia num conjunto de objectivos.
              3. Determinar que factores do contexto interno e externo são relevantes para o cumprimento dos objectivos (daí o título Running away from a plain and hard brainstorming (part Il) não se trata de um brainstorming livre, mas condicionado ao que pode afectar cada um dos objectivos.
              4. Classificar os factores internos e externos em vectores positivos ou negativos e traduzi-los para Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças.
              5. Usar a SWOT para criar uma TOWS
              6. Usar a TOWS para identificar riscos e oportunidades no caminho para cumprir os objectivos.


              quinta-feira, novembro 09, 2023

              "the four top villains of decision-making"

              "If you think about a normal decision process, it usually proceeds in four steps:

              • You encounter a choice.
              • You analyze your options.
              • You make a choice.
              • Then you live with it.

              And what we've seen is that there is a villain that afflicts each of these stages:

              • You encounter a choice. But narrow framing makes you miss options.
              • You analyze your options. But the confirmation bias leads you to gather self-serving information.
              • You make a choice. But short-term emotion will often tempt you to make the wrong one.
              • Then you live with it. But you'll often be overconfident about how the future will unfold.

              So, at this point, we know what we're up against. We know the four top villains of decision-making. We also know that the classic pros-and-cons approach is not well suited to fighting these villains; in fact, it doesn't meaningfully counteract any of them."

              Trecho retirado de "DECISIVE - How to Make Better Choices in Life and Work" de Chip Heath and Dan Heath.

              quarta-feira, novembro 08, 2023

              Hidrogénio e outras apostas

              A propósito de:

              Recordei logo Wardley-Martin. Sem qualquer relação com o tema destes dias, esta é a principal razão para ver com receio a aposta em grande do governo em tecnologias na fase do Mistério ou dos Pioneiros, como se estivéssemos na fase dos Algoritmos ou dos Town Settlers. Quem sabe o tempo que demora a passar-se de uma para a outra? Cada vez menos tempo. Esta manhã, sem fazer a relação com este tweet, pensei na quantidade de AI apps para sumarizar textos, todas numa luta implacável para ver qual a solução que vai triunfar e mandar no terreno como um eucalipto solitário. Acredito que vai ser muito rápido.

              Como não recordar Baltimore e as conserveiras na bacia do rio Arade:

              "só na cidade de Baltimore, antes de 1920 existiam 19 marcas fabricantes de automóveis" ou "Na bacia do Arade, deste lado do Parchal e Ferragudo e em Portimão, chegou a haver 23 fábricas de conservas."

              Noutros tempos, de pioneers a settlers demorava mais de uma década. Agora, ... 

              Um regabofe

              “One of the reasons why you may pay too much into health insurance is a form of fraud practised by corrupt doctors and pharmacies. Here is how it works. If a drug costs £100 and the reimbursement rate is 90 per cent, then the pharmacy gets £90 back from the insurer. If the pharmacy presents prescriptions written by a doctor without actually having sold the medication, it can make an illegal profit. In Portugal, for instance, one doctor wrote 32,000 prescriptions for expensive drugs in one year – which boils down to one fake prescription every three minutes. The prescriptions bore the names of deceased patients or the faked signatures of deceased doctors. These doctors and pharmacies caused some 40 per cent of all public expenditure fraud in the country. To put a stop to this, the Portuguese National Health Service introduced an electronic prescription programme requiring doctors to complete the prescription and send it to their patients by text message or email, and reported that the system could reduce fraud by 80 per cent. In this case, the surveillance potential of software has been clearly used for the benefit of the health system.”

              Lembro-me de colega consultora contar-me cenas deste tipo nos anos 90.

              Excerto de "How to Stay Smart in a Smart World" de Gerd Gigerenzer

              terça-feira, novembro 07, 2023

              Cuidado com as generalizações

              No JdN de ontem o patrão do jornal, alguém com experiência numa empresa de pasta de papel, uma commodity em que o custo é que manda, disse:

              "Para o presidente da Cofina as empresas portuguesas enfrentam dois desafios. 0 primeiro é o da otimização e eficiência. A escalada de preços tornou os "custos de produção muito mais elevados, alguns deles não voltarão a níveis que tínhamos no passado, obrigando as empresas a otimização dos processos, tornando-se mais eficientes", aponta Paulo Fernandes."

              Para as empresas que competem no quadrante do empobrecimento:

              Esse é o desafio de sempre, não por causa da escalada de preços, mas por causa da redução de preços praticados por concorrentes em países ainda mais baratos que Portugal.


               

              Para reflexão

              "Felix Lange, a Swedish software designer, currently head of product at a Portuguese housing start-up, also arrived in Lisbon in 2016 looking for a change.

              After the 10-year period he is still not sure of what he is going to do. "I think if I'm going to move it's not going to be because of the end of my NHR statute. That won't be the decisive factor."

              "However, I did calculate the tax rate I would have if I didn't have the NHR statute and it would feel weird for me to pay more taxes in Portugal than those I used to pay in Sweden," he adds."

              Trecho retirado de "Portugal's tech boom challenged by tax change"


              segunda-feira, novembro 06, 2023

              Pequenos produtores e a importância de uma estratégia que foge da competição pelo custo

              Lembram-se da Raporal? Eu ajudo:

              Já agora, recordo a mensagem deste postal de 2021: Que mais exemplos são precisos? 

              Recordo também "Fazer o by-pass à distribuição" de 2013.


              "This small meat-processing facility, which a group of ranchers started under the name Old Salt Co-op, is one of many that have appeared across the country recently. "Small" is an understatement: Old Salt can process the equivalent of 20 cattle per week, while major meatpackers butcher thousands per day.

              Just four companies process 85% of American beef, according to the U.S. Department of Agriculture.
              ...
              Since most independent ranchers and processors lack the volume to supply major grocery chains, their survival rides not only on how much brisket they produce, but on how many people buy it.
              Without a strong customer base, Rebecca Thistlethwaite, director of the Niche Meat Processor Assistance Network at Oregon State University, fears that many small processors will fail. She cited a University of Illinois study. that suggested success is contingent upon local demand. "It's not a field of dreams situation; it's not an 'If you build it, they will come," Thistlethwaite said. "You can't build supply chains without having that end consumer."
              ...
              Data on net profits is difficult to find, but gross profits are certainly down. Fifty years ago, ranchers got 60 cents of every dollar that consumers spent on beef; today, it's 39 cents, according to the White House,
              ...
              For independent ranchers, major chains - like Walmart, where 26% of America's food dollars go are basically out of the question. "To get into a chain grocery store, you have to have volume," explained Bill Jones, general manager of the Montana Premium Processing Cooperative, which opened in January. And since it takes two years and roughly $2,500 to raise a single head of cattle, Jones said it's "a heck of a challenge" for ranchers to establish enough volume to interest a grocery chain.
              Jones said the ranchers in his cooperative sell their meat online, at farmers markets or to local grocers and restaurants. "And then some are doing all three," he added.
              ...
              "So we decided to try to consolidate that into one kind of regional effort." Old Salt has also gone beyond selling meat online: opening a buzzy burger stand in the heart of Helena, organizing a festival and cookouts and ranch tours, and launching a butcher-shop-slash-grill that will showcase its products and host community events.
              ...
              Whether Old Salt can find more people like Barnard is an open question - and a critical one. As Mannix put it: "If customers don't change their buying habits, local meat really doesn't have a chance."
              Thistlethwaite, of Oregon State University, agrees. "I don't think (local meat processors) are going to survive unless we see consumers step up more seriously," she said."

              Produtores pequenos têm de:

              • focar-se em nichos e canais de venda direta ao consumidor (online, feiras, restaurantes locais), pois a distribuição tradicional exige volumes muito altos,
              • investir em marketing e branding para criar uma identidade local e um ligação emocional com os consumidores. Eventos e tours ajudam a fugir ao Red Queen effect. Desenvolver uma storytelling sobre a origem do produto.
              • cooperar com outros produtores/processadores pequenos para ganhar escala e eficiência em áreas como a logística e as compras,
              • diversificar os canais de venda para minorar riscos e não depender só de um nicho de consumidores,
              • apostar na qualidade e sustentabilidade para se diferenciar dos grandes players,

              BTW, recordar a lição da Purdue em Se há coisa que não suporto é misturar catequese com negócios (2010)

              domingo, novembro 05, 2023

              Dois economistas, três opiniões

              "Economists at the Bank of International Settlements looked at data from more than 25,000 companies and found supply chains lengthening as other countries, especially in Asia, became additional stops in trade between China and the US. Companies shifting supply chains away from China are often moving production to countries whose economies are already highly integrated with China, such as Vietnam. Mexico, where investment by Chinese manufacturers has ticked up noticeably in recent years, is also becoming an important link in US-China trade. So it's not so much that the US and Chinese economies are decoupling-they're just coupling in different places.

              ...

              Still, the connectors are proof that talk of the end of globalization is overwrought. Goods and capital still move across borders - even more of them, in fact."

              Estes trechos foram retirados de "These Five Countries Are Key Economic; 'Connectors' in a Fragmenting World" publicado pela revista Bloomberg Business Week.

              Interessante o que encontramos no WSJ de ontem:

              "China passed a significant milestone last fall: For the first time since its economic opening more than four decades ago, it traded more with developing countries than the U.S., Europe and Japan combined. It was one of the clearest signs yet that China and the West are going in different directions as tensions increase over trade, technology, security and other thorny issues.

              ...

              Benefits for the U.S. and Europe include less reliance on Chinese supply chains and more jobs for Americans and Europeans that otherwise might go to China. But there are major risks, such as slower global growth - and many economists worry the costs will outweigh the advantages."

              Trechos retirados de "Global Economy Splits Into U.S. vs. China"

              "This is a column about two numbers that seem to tell contradictory stories about globalization.

              Over the past 15 years, a consensus has developed that globalization has run its course and gone into decline. One popular number supporting this argument: Trade as a share of global output peaked in 2008 at the cusp of the global financial crisis and has never recovered.

              But a new metric from a pair of economists, Sharat Ganapati of Georgetown University and Woan Foong Wong at the University of Oregon, tells the opposite story: More goods are traveling greater distances than ever before.

              That seems impossible if globalization has truly swung into reverse. So which is right?"

              Trechos retirados de "Is Globalization Over? A New Metrie Says No"

              sábado, novembro 04, 2023

              Fluxo e reservatório

              O FT de ontem trazia um artigo sobre a evolução dos chips de computador. Por coincidência, também ontem, durante a caminhada matinal vi este video no Youtube sobre o mesmo tema, "The end of Apple Silicon's reign".

              O artigo do FT, intitulado "Chip wars set to change the landscape of personal computing":

              "One sign that something is stirring has been the flurry of news around CPUsthe general-purpose processors that power PCs and servers. This week, as Apple unveiled its latest high-end Macs, its new M3 chips were very much the focus.

              ...

              Last week, mobile chipmaker Qualcomm unveiled an Arm-based PC chip of its own. It is the first chip based on designs from Nuvia, a start-up founded by some of Apple's top chip engineers that Qualcomm acquired two years ago, and a sign that a real technology race is breaking out in PC chips.

              ...

              Intel, which dominates the market for PC chips, is doing its best not to sound rattled by all of this. Given the high barriers to entry, it has good reason. 

              ...

              All of this sets up a race in the normally staid world of personal computing, with Intel trying to pull off a rapid series of manufacturing upgrades over the next two years to get back in the lead, Apple digging in to protect the clear lead it has established with its Mac chips, and a new wave of Arm-based PCs hitting the market."

              E comecei a pensar na impermanência das empresas grandes; as empresas grandes podem reinar por algum tempo, mas há sempre um momento em que falham. Empresas grandes, mais tarde ou mais cedo resvalam para o foco na eficiência, e isso dita a sua queda. E qualquer coisa neste pensamento fez-me pesquisar no blogue e encontrar, de Setembro de 2012, Contrarian, sempre!!!

              E ao ler esse postal ... comecei a fazer ligações para o que tenho escrito aqui recentemente, ou tenho lido recentemente:

              "Por isso, enquanto muitos continuam a acreditar na vantagem de ser grande, cada vez mais acredito nas vantagens de se ser pequeno, na paciência com a quota de mercado ou com o volume de vendas.

              Ser pequeno pode significar: decidir rapidamente; agir ainda mais rapidamente;    experimentar em escala reduzida; estar mais próximo da tribo; corrigir o tiro inicial muito mais rapidamente; ter mais  paciência e não se amesquinhar por causa do próximo relatório de contas; ter mais paixão.

              O que mais me entristece e ver empresas pequenas a pensarem como empresas grandes... uma empresa pequena nunca poderá competir de igual para igual com uma empresa grande. Uma empresa pequena devia concentrar-se em tornar-se uma grande empresa.

              Uma empresa pequena pode ser uma grande empresa, assim como uma empresa grande pode nunca ser uma grande empresa.

              Uma empresa pequena a caminho de ser uma grande empresa é a empresa que reconhece que o seu campeonato não é o da eficiência, mas o da arte, o da originalidade, o da rapidez, o da flexibilidade, o da proximidade, o da autenticidade, o da tradição, o da diferença... o caminho menos percorrido."

              Quando era miúdo muito miúdo, ainda nem andava na escola primária, ouvi a minha mãe a comentar com alguém que "somos um fogo", ou seria "somos uma chama". E nunca me esqueci disso, não sei porquê.

              Também as empresas são chamas, são transição, são fluxo até que passam a comportar-se como um reservatório, e em vez de aspirarem ao futuro e à novidade, focam-se na defesa do presente. E o futuro morre, mais depressa ou mais devagar, mas morre. E estas empresas não precisam de ser grandes, também podem ser pequenas. 

              sexta-feira, novembro 03, 2023

              Análise do contexto (parte VIII)

              (Parte VII)


              Há tempos li What Fast-Moving Companies Do Differently:

              "The Two Dimensions of Speed

              When we talk about speed, we consider the two key dimensions that determine how fast a company can move:

              • Speed of insights is a company's ability to quickly sense an emerging market need that it can meet. This includes both 1) identifying the external indicators most relevant to the firm's industry and business to spot trends that suggest latent or emerging demand for a particular type of offering, and 2) being able to quickly see impending developments that could challenge the business in some way.
              • Speed of action is the ability to equally quickly marshal a company's operations to capitalize on the identified trend or need. This means digesting the insights generated, deciding what the company should do in response, and setting the organization in motion to implement those decisions."

              Recordo de 2020 - Ter ou não ter fogo no rabo.

              Recordo de 2019 - A falta de fogo no rabo.

              Interessante ter conversado com pelo menos duas PME nos últimos 30 dias que posso incluir no pequeno grupo de empresas que apostam na velocidade. Acumularam capital, têm graus de liberdade, têm gente que está atenta ao contexto e age!

              "Lives of quiet desperation" (parte IV)

              Depois de torrados cerca de 400 milhões de euros ... continuam a achar a EFACEC estratégica?

              Recordar "Deixem as empresas morrer" ao vivo e a cores.

              "A oficialização da privatização da Efacec, ontem, foi um "dia feliz" para o ministro da Economia, António Costa Silva, mas o Estado ainda vai injetar mais 160 milhões de euros na empresa após a venda ao fundo Mutares, além de libertar uma garantia de 72 milhões de euros relacionada com financiamentos da banca." No Correio da Manhã de ontem.


              Parte III, Parte II e Parte I.