Entretanto, na UE https://t.co/lETtcxoegu pic.twitter.com/T20UJU5RnA
— J. 🍺 (@Abduljabbardo7) August 13, 2026
Não sei se é verdade ou não, mas fez-me recuar a 2007 e a "O elefante, o dragão e os asilados."
Entretanto, na UE https://t.co/lETtcxoegu pic.twitter.com/T20UJU5RnA
— J. 🍺 (@Abduljabbardo7) August 13, 2026
Não sei se é verdade ou não, mas fez-me recuar a 2007 e a "O elefante, o dragão e os asilados."
"For centuries British farmhouses turned leftover milk into nutritious, non-perishable cheese. Each era left its mould....But wartime milk-rationing consolidated a lot of local production, and wiped out the ecosystem of specialist schools. Over the two world wars, the number of farmhouse cheesemakers dropped from roughly 3,500 to around 100. Industrialisation whittled that down to just 62 in the late 1970s, according to Patrick Rance's "The Great British Cheese Book", published in 1982. When artisans began reviving old recipes in the 1980s, they were, in effect, reinventing the wheel.They have done so with gusto. An extra impetus came with the abolition of the Milk Marketing Board in 1994 [Moi ici: A abolição do Milk Marketing Board (MMB), em 1994, foi essencialmente a liberalização do mercado britânico do leite. Em Inglaterra e no País de Gales, os produtores eram, em regra, obrigados a vender o leite ao MMB. Por sua vez, o MMB tinha a obrigação de o comprar e encontrar-lhe um destino]. That ended guaranteed prices for milk and gave dairy farmers an incentive to find higher-value uses for surplus output. [Moi ici: Sem apoios socialistas, a única alternativa é subir na escala de valor, apostar na diferenciação e criar as condições de concorrência imperfeita]....the number of British cheese varieties has risen to around 1,400—well over double the total in France, by some counts—and more than 300 cheesemakers....As more consumers want cheeses with a clear provenance, often linked with a nice craft story and better farming practices, sales of speciality brands have been outgrowing the general market, according to IMARC, a research firm. The reputation of British cheeses is rising....It helps that, with fewer cheeses subject to Protected Designation of Origin (PDO) laws, and less pressure than in France to produce particular varieties in certain regions, British cheesemakers have more freedom to innovate."
"Cheese tourism seems to be a growing part of the marketing mix. For serious foodies Cheese Journeys, a travel company based in America, offers a week-long "British Cheese Odyssey" from $6,200 (£4,600). Back in Nettlebed on a summer Sunday, families tuck into cheese toasties in a converted barn called The Cheese Shed. The farm shop draws lunching cyclists and horse riders in the Chilterns. Visitors peer into the glass-walled creamery. "It's like a cheese-zoo enclosure," says Ms Grimond cheerfully."
Trechos retirados de "Britain has more cheeses than France. The whey ahead may be harder" publicado na revista The Economist desta semana.
O queijo britânico não cresce por ser mais barato, mas pela combinação de qualidade, proveniência, identidade do produtor, práticas agrícolas, inovação e narrativa. As vendas das marcas especializadas crescem mais depressa do que o mercado geral e esse é um ponto a sublinhar.
Interessante: enquanto os produtores receberam um preço garantido pelo leite, havia menos incentivo para buscar alternativas. Quando essa protecção desapareceu, alguns deixaram de vender apenas uma matéria-prima indiferenciada e passaram a transformá-la num produto especializado, com identidade e margens potencialmente superiores.
A lição não é que retirar protecção produz automaticamente inovação. Produz pressão, produz stress e stress é informação. A inovação surge quando há produtores com conhecimento, iniciativa, capital e acesso ao mercado, capazes de responder a essa pressão. Caso contrário, obtém-se apenas o desaparecimento das empresas.
"It's not that we don't want to employ British people any longer, far from it. It's not just a skills gap. There's also a serious attitude gap. We have employed numerous Irish youngsters over the years and it is noticeable that they are not just better educated but also better motivated than their British counterparts, who lack basic skills like turning up on time."
Como não ficar surpreendido quando alguém inclui "chegar a horas" entre as competências básicas que faltam a uma parte dos jovens candidatos a emprego. Não estamos a falar de programação, de línguas estrangeiras ou de conhecimentos técnicos especializados. Estamos só a falar de pontualidade... uma regra elementar da vida em sociedade e uma das formas mais simples de respeito pelo tempo dos outros.
É algo inquietante; muitas vezes explicamos as dificuldades de recrutamento com a falta de qualificações, com o desajustamento entre a escola e o trabalho ou com os salários oferecidos. Tudo isso pode ser verdade, mas, neste caso, o empregador distingue claramente um skills gap de um attitude gap: o problema não é apenas não saber fazer; é não demonstrar a disciplina mínima necessária para que seja possível aprender, colaborar e assumir responsabilidades.
Chegar a horas dificilmente poderá ser considerado uma competência rara. No entanto, quando deixa de ser um comportamento normal, transforma-se numa vantagem competitiva. E talvez esta seja a conclusão mais surpreendente: num mercado de trabalho cada vez mais obcecado com competências avançadas, alguém pode começar por se distinguir fazendo uma coisa extraordinariamente simples, aparecer quando disse que apareceria... olha, isto fez-me lembrar a Construbarcelos e um comentário de Camilo Lourenço, supostamente para "enterrar" Luís Neves, mas que na verdade faz o contrário: quando se descobre uma empresa de construção que cumpre, não se deixa fugir.
Ontem, ao ler no The New York Times, "A Maine Town, Once Dependent on a Paper Mill, Tries to Move On", sobre a história de Madison, uma pequena localidade do estado do Maine nos EUA, a minha mente voou para Portugal... Durante décadas, Madison viveu à sombra de uma fábrica de papel. A fábrica empregava mais de 200 pessoas (numa localidade com cerca de 4700 habitantes), representava 46% das receitas fiscais da vila e ajudava a definir a identidade da comunidade. Depois, em 2016, fechou. Não desapareceram apenas os empregos, desapareceu também uma parte importante da razão de ser daquela terra.
Mais tarde, surgiu a TimberHP, com um projecto cheio de promessas: aproveitar a antiga fábrica e os resíduos da indústria florestal para produzir isolamento em fibra de madeira. Foram angariados 122 milhões de dólares, chegaram os apoios públicos e regressou a esperança. Contudo, a pandemia, os atrasos, a inflação e as dificuldades de industrialização consumiram o dinheiro. A empresa acabou por pedir protecção contra credores. Entretanto, retomou a produção e emprega cerca de 80 pessoas. É melhor do que uma fábrica abandonada, mas está muito longe de substituir aquilo que Madison perdeu.
Agora, salto para Portugal e para o turismo... Segundo estimativas de âmbito alargado divulgadas pelo Turismo de Portugal, em 2025 o sector terá representado cerca de 21,5% do PIB e sustentado aproximadamente 1,2 milhões de empregos. Hotéis, restaurantes, companhias aéreas, transportes, comércio, imobiliário e muitos serviços vivem, directa ou indirectamente, da chegada contínua de visitantes. Enquanto os aviões aterram e os recordes se sucedem, tudo parece correr bem. Também em Madison tudo parecia correr bem enquanto a fábrica comprava madeira, pagava salários e entregava quase metade das receitas fiscais da vila.
Quantos julgam que o turismo continuará sempre a crescer? Quantos confundem o sucesso actual com segurança futura? Uma recessão nos países de origem, uma nova pandemia, uma crise energética, alterações climáticas ou uma perturbação prolongada no transporte aéreo podem reduzir rapidamente a procura. Nessa altura, poderemos descobrir que orientámos demasiado investimento, trabalho, formação e território para uma actividade que não controlamos. A lição de Madison é simples: a melhor altura para criar alternativas é quando a actividade dominante ainda prospera. Depois da fábrica fechar, ou dos turistas deixarem de chegar, já pode ser tarde.
A propósito de "Swisscom abre unidade em Lisboa com 40 pessoas em 2027"
Durante anos, lamentámos que as fábricas portuguesas fechassem e que os empregos partissem para a China. As empresas procuravam salários mais baixos, dizíamos, sacrificando trabalhadores, conhecimento e capacidade produtiva em nome do lucro. Agora, a Swisscom transfere para Lisboa postos qualificados nas áreas de informática, desenvolvimento de software e finanças. Na Suíça, os sindicatos recorrem exactamente aos mesmos argumentos: a empresa aproveita salários inferiores, elimina empregos nacionais e coloca o lucro acima da sua responsabilidade perante o país.
Em Portugal, porém, a operação recebe outro nome. Já não é deslocalização, é investimento estrangeiro. Já não é arbitragem salarial, é reconhecimento do talento português. Já não estamos a competir através de salários mais baixos; estamos a subir na cadeia de valor. Tudo depende, afinal, do lugar onde nos sentamos: quando o emprego parte, o capital é ganancioso; quando chega, o país é competitivo.
Quantos conseguem ver-se ao espelho? Quantos conseguem calçar os sapatos do outro?
Uma prática que funcionou num determinado contexto pode tornar-se prejudicial quando mudam a procura, a tecnologia e a concorrência. Por isso, uma organização deve avaliar periodicamente se os seus compromissos continuam a produzir os resultados pretendidos. Preservar uma solução depois de desaparecerem as condições que a tornavam eficaz é confundir o instrumento com o objectivo.
Perante uma crise, quaisquer medidas de emergência devem comprar tempo para a transformação. Se o tempo ganho não for utilizado para digitalizar, simplificar processos, desenvolver competências e/ou melhorar a oferta, a organização apenas adia a crise. A distinção estratégica é entre uma concessão que financia a mudança e um sacrifício que prolonga a estagnação.
A discussão sobre distribuição deve, por isso, ser acompanhada por uma discussão sobre criação de valor: produtividade, qualidade, inovação, investimento e posicionamento competitivo.
"In the end, the hard left will always pair a conceivably popular economic programme with a provably hated cultural one. The mystery is why....In 2026, the rich are lucky in their enemies. If a politician could decouple socialism from the set of cultural ideas known as "woke", he or she would be difficult to stop....One day, a political entrepreneur will notice the unmet demand for a culturally moderate-to-conservative socialism. At that point, the game will be on.[Moi ici: Come on, Ganesh, está à tua frente, não vês?]"
Ganesh parte do crescimento da esquerda socialista nos Estados Unidos, exemplificado por Mamdani e pelos Democratic Socialists of America. Na sua opinião, a principal fragilidade eleitoral deste movimento não está nas propostas económicas, que podem ser populares, mas na agenda cultural que as acompanha. Muitos trabalhadores favoráveis a políticas redistributivas mantêm posições conservadoras em matéria de criminalidade, imigração, identidade nacional e costumes.
Ganesh pergunta por que razão um socialista também tem de ser woke. O Chega, em Portugal, e o Rassemblement National de Marine Le Pen, em França, por exemplo, descobriram a resposta: não tem. Ambos combinam um discurso culturalmente conservador, sobre imigração, segurança, identidade nacional e costumes, com políticas económicas que, se fossem apresentadas pela esquerda, seriam facilmente classificadas como socialistas. O Chega quer manter a TAP nas mãos do Estado, reduzir a idade da reforma, aumentar as pensões e eliminar as portagens. Em França, Le Pen defende o proteccionismo, a intervenção do Estado, a redução da idade da reforma e a protecção do poder de compra.
Estes partidos podem proclamar-se de direita, mas uma parte crescente da sua proposta económica assenta na intervenção pública, na redistribuição e na protecção dos cidadãos contra o mercado. O que os distingue da esquerda já não é necessariamente o papel atribuído ao Estado. É a delimitação da comunidade à qual essa protecção se destina.
Durante décadas, a esquerda tratou a protecção económica e o progressismo cultural como componentes inseparáveis da mesma proposta. O Chega e Le Pen perceberam que uma parcela significativa das classes populares deseja o primeiro e rejeita o segundo. Apropriaram-se, por isso, de instrumentos económicos tradicionalmente associados à esquerda e combinaram-nos com fronteiras, autoridade e identidade nacional. Talvez não seja a direita que se tenha tornado socialista em tudo; mas aprendeu a oferecer socialismo económico sem exigir progressismo cultural, e essa combinação está a transformar o mapa eleitoral europeu.
A ISO 9001:2026, a publicar em Setembro próximo, mas já visível na versão FDIS, fala em cultura da qualidade e comportamento ético. Aposto que não tardarão a aparecer procedimentos de cultura da qualidade (ou pior, de cultura de qualidade), políticas de comportamento ético e, talvez, um formulário para registar evidências de integridade.
Mas a cultura não vive nos documentos. Torna-se visível quando surge uma tensão e alguém tem de escolher.
A expedição está atrasada e há dúvidas sobre a conformidade do produto. A equipa pára para verificar ou envia e espera que tudo corra bem?
Um comercial descobre que o prazo prometido ao cliente é impossível de cumprir. Comunica o problema ou mantém o silêncio até já não haver solução?
Um trabalhador detecta uma falha cometida pelo seu superior. Sente-se seguro para falar? Quem comunica um erro ajuda a organização a aprender ou arrisca-se a ficar marcado?
Um indicador está abaixo da meta. A gestão procura compreender o que se passa ou começa a pressionar as pessoas até os números ficarem mais bonitos?
É nestas situações que se encontra a evidência da cultura da qualidade. Nas decisões tomadas sob pressão. Na forma como se reage às más notícias. Nos comportamentos que a liderança recompensa, tolera ou pune. Na distância entre aquilo que se proclama e aquilo que se faz quando entregar, facturar ou cumprir o indicador entra em conflito com proteger o cliente.
Um auditor não precisa de pedir o “procedimento da cultura”. Pode seguir situações reais: reclamações, produtos bloqueados, prazos renegociados, erros comunicados, decisões de libertação e problemas repetidos. Depois, pode perguntar quem decidiu, com que informação e quais foram as consequências para quem levantou o problema.
A cultura da qualidade revela-se quando fazer o que está certo tem um custo. O resto pode ser apenas decoração.
Vou disponibilizar cinco sessões individuais de trabalho, gratuitas e com a duração de uma hora, destinadas a pessoas que estejam a implementar, rever ou repensar um Sistema de Gestão da Qualidade.
A ideia é simples: Uma pessoa. Uma organização. Um problema real. Uma hora.
Em cada sessão, trabalharemos sobre uma situação concreta relacionada com um dos seguintes temas:
Não será uma sessão genérica de formação sobre a ISO 9001, nem uma apresentação comercial. O propósito é analisar uma situação real e verificar em que medida a abordagem BlueRiver pode ajudar a clarificar uma decisão concreta de gestão.
Seleccionarei cinco casos em que considere que uma hora de trabalho conjunto poderá acrescentar valor real.
Tem interesse? Apresente a sua candidatura aqui: https://tally.so/r/LZxYAy
"While the origins of individual wildfires are not always clear, in the U.S., utilities are known to have caused 2.4 percent of the blazes between 2010 and 2024, according to the U.S. Department of Energy. Other sources say it's closer to 10 percent. In California, the state auditor found that power companies were responsible for 19 percent of acreage burned from 2016 to 2020. Most often, the culprit is vegetation. It's widely agreed that a key driver of the increasing number of wildfires is higher temperatures that suck moisture from ecosystems, sometimes alternating in a whiplash of extreme wet weather that causes vegetation to overgrow, ready to catch on a falling spark."
Em Portugal não temos nada disto.
Na semana passada publiquei o terceiro episódio da série BlueRiver — ISO 9001:2026 in Real Life.
No episódio anterior, a BlueRiver fez uma escolha: decidiu concentrar-se nos retalhistas regionais e em determinados clientes de marca própria que valorizam a fiabilidade das entregas, a personalização controlada, a rastreabilidade e a capacidade de resposta.
Mas uma escolha destas levanta imediatamente outra pergunta:
Onde deve começar e acabar o sistema de gestão da qualidade?
À primeira vista, a resposta parece simples. Existe uma fábrica, existem produtos, existem processos e escreve-se uma frase para colocar no certificado. Mas determinar o âmbito de um sistema de gestão da qualidade não deveria ser um exercício destinado a descobrir qual é o perímetro mais conveniente para a certificação. Deveria começar por outra pergunta: o que tem de estar sob controlo para que a organização consiga cumprir, de forma consistente, as promessas que decidiu fazer?
Se a BlueRiver promete aos retalhistas disponibilidade e entregas fiáveis, o sistema não pode começar na linha de enchimento. Muito antes de uma garrafa entrar em produção, houve uma encomenda, uma revisão dos requisitos, uma avaliação da capacidade, planeamento, compras e disponibilidade de materiais. E também não pode terminar à saída da fábrica: transporte, informação sobre atrasos, tratamento de reclamações e feedback dos clientes fazem parte da experiência que os clientes têm da empresa.
O cliente não vê departamentos. Não experimenta separadamente Comercial, Planeamento, Compras, Produção, Laboratório ou Expedição. Experimenta o resultado da forma como todas essas actividades funcionaram em conjunto. Recebe, ou não recebe, o produto certo, na quantidade certa, com a embalagem correcta e no momento acordado.
O mesmo acontece com actividades realizadas por terceiros. Um fornecedor de embalagens pode estar juridicamente fora da BlueRiver, mas um erro no código de barras ou numa versão de rótulo chega ao cliente como um erro da BlueRiver. Um transportador externo pode estar fora do organigrama, mas um atraso na entrega afecta directamente a promessa feita ao retalhista. Outsourcing não significa retirar o risco para fora do sistema.
É também por isso que determinar o âmbito não chega. Depois é necessário perceber como funciona o sistema dentro desse âmbito. É aqui que entra o mapa de processos.
E novamente há uma tentação perigosa: transformar o organigrama num mapa de processos. Comercial, Compras, Produção, Qualidade e Logística são estruturas organizacionais; não descrevem necessariamente o fluxo através do qual se cria valor. No episódio, a BlueRiver é vista como um conjunto de acções interligadas: ganhar uma encomenda, planear a produção, preparar a produção, fabricar a encomenda, verificar o produto, libertar a encomenda e entregá-la. Outros processos permitem que esse fluxo funcione: desenvolver produtos e embalagens, gerir fornecedores, encomendar materiais, manter equipamentos ou desenvolver competências.
Há ainda outra ideia que considero importante: nem todos os processos têm o mesmo peso estratégico.
Para os retalhistas regionais, o planeamento da capacidade, a disponibilidade de materiais e a fiabilidade da entrega podem ser decisivos. Para clientes de marca própria, o controlo de especificações, versões de artwork, alterações, rastreabilidade e libertação do produto podem ser muito mais críticos. Alguns processos têm de criar vantagem; outros talvez apenas não possam falhar.
É esta ligação que me interessa nesta série:
resultados pretendidos → clientes-alvo → promessas → âmbito → processos necessários para tornar essas promessas fiáveis.
O Episódio 3 é precisamente sobre isto. Não sobre escrever uma frase para o certificado ou desenhar caixas numa folha, mas sobre desenhar a fronteira e a arquitectura do sistema que a estratégia exige.
Aqui fica o convite para ver o Episódio 3 — "Where Does the QMS Begin and End?"
Há dias li a tradução do Google de um artigo no Handelsblatt do passado dia 6 de Agosto, "Rebuy kauft Momox wichtigen Partner weg" ("Rebuy adquire parceiro importante da Momox").
O crescimento do mercado de artigos em segunda mão não resulta apenas de uma maior consciência ambiental ou da procura de preços mais baixos. Tem também uma dimensão demográfica. Segundo o Handelsblatt, o comércio electrónico de produtos usados na Alemanha cresceu 84% entre 2019 e 2025, atingindo 10,5 mil milhões de euros. O artigo é sobre a aquisição da Zeercle pela Rebuy e mostra que já se está a construir a infra-estrutura necessária para recolher, seleccionar e recolocar no mercado quantidades crescentes de bens usados — neste caso, através das próprias livrarias.
O Japão permite antever o que esta evolução demográfica poderá significar. Mais de 10% da sua população já tem 80 anos ou mais e quase um terço ultrapassou os 65 anos. As pessoas podem viver muito depois dos 90 anos, ou mesmo dos 100, mas não são eternas. Quando morrem, cada vez mais frequentemente sozinhas ou sem descendentes próximos, alguém tem de esvaziar as casas, avaliar os objectos e decidir o que pode ser vendido, reutilizado, exportado ou eliminado. Desenvolveu-se, por isso, uma verdadeira indústria em torno dos kodokushi, as "mortes solitárias", e da organização dos bens deixados pelos falecidos, realidade que a revista Time já descrevia, em 2010, como uma oportunidade de negócio. "Japan’s “Lonely Deaths”: A Business Opportunity"
Parte desses bens encontra uma segunda vida noutros países. Roupa, móveis, electrodomésticos e outros objectos recolhidos em casas japonesas são, por exemplo, enviados para as Filipinas, onde voltam a ser vendidos e utilizados. Aquilo que, visto apenas do Japão, poderia parecer um problema de resíduos transforma-se, através de redes de recolha, triagem, logística e comercialização, numa cadeia internacional de criação de valor.
A Europa irá confrontar-se cada vez mais com a mesma realidade: populações envelhecidas, famílias mais pequenas, mais pessoas sem filhos e uma enorme acumulação de bens ao longo de vidas cada vez mais longas. O mercado de segunda mão não crescerá apenas porque os consumidores gostam de comprar usado, mas também porque será necessário encontrar um destino para tudo aquilo que uma geração envelhecida deixa para trás. A oportunidade estratégica estará em construir, antecipadamente, os sistemas de confiança, avaliação e logística capazes de transformar essa abundância de bens dispersos numa nova oferta organizada.
"Guy Pearson is the fifth generation of his family to run its namesake bike firm in south London; his great-grandfather was a blacksmith who started making bicycles just in time to catch that penny-farthing explosion in the late 19th century - they renamed their flagship shop Forge 1860, in tribute to their origins."
"Perhaps Guy Pearson's pivot offers an idea of the best way forward amid such uncertainty. After the nadir of 2023, he decided on an operational change, splitting the company's factory and retail arms into separate entities for the first time.He sold the former, while he and his brother remained as consultants and on its board. Meanwhile, he steered the nine-strong workforce in the store to focus on maintenance, as well as bike fitting, where components of a high-end model such as handlebars and saddles are fine tuned to optimise them for a given rider's comfort and performance.A focus on services is lucrative and doesn't lock up capital in the same way as focusing on either selling or manufacturing. "Most bicycle companies are sitting on the best [part of] half a million quid of stock," he adds, "and ours is just over £200,000."
"Marcus Vaughan and his childhood friends still want their new investment in Mercian to help it remain a UK-based maker. They have just moved their workshop to new, larger premises outside Derby on the edge of the countryside and closer to where cyclists might head for a day out in the Peak District, much easier, then, to drop by.He will encourage visitors via a small planned heritage centre, which will display memorabilia such as a Mercian model used by Team GB in the 1950s."We want them to come see us, hang out and have a coffee before they start their bike ride, and be part of the community," he says.""
Esta reacção do mundo das bicicletas contrasta com a dos viticultores do Douro; perante a queda da procura e o excesso de existências, não tentaram convencer o mercado a absorver mais bicicletas nem pediram que alguém preservasse o modelo existente. Por exemplo, Pearson separou a fábrica da loja, vendeu a actividade que exigia mais capital e concentrou-se em serviços de manutenção e adaptação de bicicletas, mais rentáveis e com menor necessidade de stocks. No Douro, apesar de se reconhecer que existe vinho a mais face à procura disponível, continua a resistir à redução da capacidade produtiva e a procurar no Governo nos contribuintes uma forma de sustentar preços, escoar excedentes e prolongar o modelo actual. Naturalmente, abandonar uma vinha não é tão simples como vender uma fábrica, mas a diferença de atitude permanece: Pearson perguntou como poderia criar valor num mercado que mudou; grande parte do Douro continua a perguntar como poderá continuar a produzir como antes.
Será que Pearson e a Mercian vão sobreviver? Ninguém sabe, enquanto a senhora gorda não cantar a estória não acaba, mas ao menos tentam.
Imaginemos uma indústria em que os fabricantes de um componente continuam a aumentar a produção, apesar de já existirem componentes acumulados nos armazéns e das vendas dos produtos que os incorporam estarem em queda há vários anos. Quando os fabricantes desses produtos reduzem as encomendas, os fornecedores recusam-se a aceitar que o mercado mudou: acusam os clientes de não comprarem o suficiente e pedem ao Governo que compre os excedentes, garanta os preços e os ajude a manter inalterada a capacidade instalada.
Cada fornecedor espera que sejam os outros a reduzir a produção. Todos querem continuar a fabricar o mesmo volume e acreditam que mais promoção convencerá o mercado a absorvê-lo. Mas nenhum subsídio consegue revogar a realidade fundamental: se o produto final vende menos, a cadeia não pode continuar, indefinidamente, a produzir a mesma quantidade de componentes.
O apoio público pode ser necessário para evitar um colapso desordenado e ajudar os produtores mais vulneráveis. Mas ajudá-los a fazer o quê? A esperar, sentados, que a realidade volte ao que era? Isso é voltar a um episódio de 2006, relatado aqui em 2007.
Qualquer apoio deveria servir para financiar uma transição, reduzir capacidade, reconverter a produção, diferenciar a oferta e encontrar utilizações de maior valor, e não para adiar eternamente a mudança que o mercado já tornou inevitável.
Como julgam o comportamento dos produtores de componentes?
Em Portugal, país socialista até ao tutano, poucos se atrevem a criticar os produtores de uvas de componentes, o que querem é aumentar apoios e subsídios, ao mesmo tempo que querem que os impostos baixem, e que a produtividade suba.
Entretanto, um artigo publicado ontem no Público, "Arranque de vinha embaraça acordo para travar crise no Douro", fez-me lembrar o sentimento com que fico ao ler os jornais ingleses sobre a situação da economia inglesa.
A crise não resulta da ausência de avisos. Os sinais eram conhecidos: consumo insuficiente, existências crescentes, preços em queda e empresas a reduzir as compras (BTW, o aquecimento global parece que ajuda ao crescimento das uvas, a campanha de 2026 deverá crescer mais de 12% face à média dos últimos 5 anos). Ainda assim, continuou a autorizar-se mais produção de vinho do Porto. O problema do Douro não é, portanto, apenas o excesso de vinho; é também a incapacidade colectiva de transformar sinais negativos em decisões difíceis antes da realidade as impor.
Já imagino o Chega e o PS a unirem-se para bloquear o ajustamento.
Em 2010 escrevi:
"Uma noite de temporal convida os anfíbios a um comportamento exuberante.
Mesmo nessa altura, é preciso estar alerta.
Quando se confia demasiado na boleia da maré... pode-se acabar atropelado pelos acontecimentos."
Estas palavras são uma chamada de atenção para uma tentação muito forte. Ontem, o FT publicou um pequeno artigo que ilustra o trecho sublinhado, "Bikemaker Accell files for insolvency four years after €1.8bn KKR-led buyout":
"Bikemaker Accell Group has filed for insolvency just months after private equity group KKR and its backers lost their investment following a €1.8bn pandemic-era bet on the Dutch company."
Durante a pandemia, a procura de bicicletas e, sobretudo, de bicicletas eléctricas disparou. A KKR (uma private equity) comprou a Accell em 2022, precisamente perto do pico deste entusiasmo. A operação avaliou o grupo em cerca de 1,8 mil milhões de euros e assentava na expectativa de que o crescimento das bicicletas eléctricas continuaria após a pandemia.
Durante o boom, componentes essenciais tornaram-se difíceis de obter. Os prazos de entrega aumentaram, e os fabricantes começaram a encomendar mais cedo e em maiores quantidades para garantir o abastecimento.
No final de 2023, a empresa tinha aproximadamente 340 000 bicicletas acabadas em inventário, cerca do dobro do nível normal. Bicicletas paradas não são apenas um activo à espera de comprador. São dinheiro imobilizado e perdem valor rapidamente,
Para libertar existências, a Accell teve de reduzir preços, mas os descontos atingiram simultaneamente as receitas, as margens, o valor contabilístico das existências e o posicionamento das marcas.
A Accell não caiu porque as bicicletas eléctricas deixaram de ter futuro; caiu porque uma verdadeira tendência estrutural foi utilizada para justificar previsões de curto prazo excessivamente optimistas.
"In the UK, this is happening more frequently with education. The standard explanation for the declining graduate wage premium is that higher education expanded too fast and too far, and too many people now go to university. But similar expansions elsewhere have not produced the same outcome. Instead, the evidence points primarily to problems in the economy, not the education system: weak productivity growth and an unusually low number of genuinely graduate-worthy, well-paid professional and managerial jobs."
O artigo e o gráfico geraram muita discussão no Twitter... talvez porque a comparação seja entre a economia americana e a do Reino Unido. No entanto, a explicação é tão simples...
Em todos os níveis de literacia e numeracia, os trabalhadores norte-americanos recebem salários superiores aos britânicos, após ajuste pelas diferenças de custo de vida. Um trabalhador americano com nível funcional de literacia inferior ganha aproximadamente o mesmo por hora que o trabalhador britânico médio. É o mesmo que escrevi aqui:
"Por que é que um motorista de autocarro em Oslo ganha muito mais do que no Porto a fazer exactamente o mesmo? Porque, se não ganhasse mais, ninguém quereria ser motorista"
A diferença salarial surge antes de compararmos qualificações. Está na economia em que cada pessoa trabalha. O salário de uma pessoa depende também da produtividade do sistema que a rodeia. É por essa razão que um canalizador americano ganha mais do que um britânico, e que um motorista português aumenta o salário quando passa a conduzir um autocarro na Suíça. A pessoa conserva grande parte das suas competências. Muda a economia em que essas competências são utilizadas.
"La falta de capacidad de la red eléctrica se ha convertido en un nuevo cuello de botella para el desarrollo de vivienda en España. Las grandes promotoras alertan de que la escasez de potencia disponible y los retrasos en las infraestructuras de distribución ya están retrasando entre uno y tres años la tramitación de nuevos desarrollos urbanísticos y dificultando incluso la entrega de promociones ya terminadas. Todo ello en un momento en el que el país arrastra un histórico déficit de oferta residencial y necesita acelerar la construcción de viviendas....Pérez de Leza señala que la creciente electrificación de los edificios está disparando las necesidades de potencia. "Los proyectos actualmente requieren más potencia que antaño. Los edificios de oficinas también requieren más potencia y, además, han aparecido nuevos consumidores, como los centros de datos, que son una gran aspiradora de esa capacidad", explica. Como consecuencia, "en varios ámbitos no hay potencia suficiente o no existe distribución de alta tensión para llegar y, por lo tanto, se nos va retrasado el planeamiento entre uno y tres años, en un momento en el que tenemos este drama de acceso a la vivienda"....El impacto no se limita a los nuevos desarrollos urbanísticos. Según los promotores la falta de capacidad eléctrica también está afectando a promociones que ya cuentan con suelo finalista e incluso han concluido las obras. "Cuando un suelo ya es finalista, asumes que la distribuidora ejecutará a tiempo el centro de transformación y todas las actuaciones necesarias para conectar la promoción. Sin embargo, lo que estamos viendo es que los plazos de ejecución de esas obras y de los trámites administrativos para poder conectarte se alargan cada vez más. No puedes entregar una casa sin electricidad y esto, en un momento de drama para el acceso a la vivienda, lo agudiza todavía más", afirma Pérez de Leza, quien reclama agilizar estos procedimientos."
Em Espanha, cerca de 80 mil habitações dependem da construção de novas infra-estruturas eléctricas. A falta de capacidade da rede já atrasa empreendimentos entre um e três anos. Há promotores que chegam ao fim da obra sem saber quando poderão entregar as casas, porque a ligação eléctrica continua por resolver.
A electrificação dos edifícios aumentou a potência necessária por habitação. Bombas de calor, climatização e carregamento de automóveis eléctricos exercem uma pressão que os planos antigos raramente previam. Entretanto, a indústria e os centros de dados disputam a mesma capacidade. Em muitos locais, as subestações e as redes de distribuição ficaram pequenas para a procura que agora recebem.
Construir uma urbanização demora menos do que reforçar uma rede eléctrica. Uma nova subestação exige estudos, licenças, terrenos, equipamentos e obras que se prolongam ao longo de vários anos. Quando os promotores pedem a ligação numa fase avançada, podem descobrir que a rede mais próxima já atingiu o seu limite. O edifício fica pronto antes da infra-estrutura que o torna habitável.
Poderá o mesmo acontecer em Portugal? Perguntei ao ChatGPT. Esta foi a resposta:
"O consumo de eletricidade em Portugal atingiu um máximo histórico em 2025. Nos próximos anos, o país quer eletrificar os edifícios e os transportes, enquanto procura atrair indústria eletrointensiva. A esta procura juntam-se os centros de dados, cujos projetos anunciados representam cargas enormes e concentradas em poucos locais.
Portugal tem produção de energia renovável e anuncia novos investimentos na rede elétrica. O problema pode surgir na capacidade disponível de cada subestação e no tempo necessário para reforçá-la. A eletricidade pode existir no sistema e permanecer inacessível no local onde uma urbanização precisa dela.
A situação de Sines já evidencia a dimensão desta pressão. Foram atribuídos quase 4 900 MVA de capacidade de ligação a grandes consumidores. Cada parcela da rede reservada a estes projectos condiciona as restantes escolhas e exige novos investimentos a montante. O planeamento de habitação passa, assim, a competir com decisões de política industrial e energética tomadas noutros gabinetes.
Em agosto de 2026, foi aprovado um investimento de cerca de 1,6 mil milhões de euros na rede de distribuição até 2030. O montante revela a escala da adaptação necessária. Também mostra quanto depende da execução das obras dentro dos prazos previstos.
O risco cresce quando o município aprova habitação com base num plano urbano antigo e a capacidade elétrica é verificada apenas perto do início da construção. Nessa altura, o solo já foi comprado, o projeto está licenciado e as casas já foram vendidas. O calendário da rede então começa a mandar para o calendário da habitação.
Portugal pode acabar com casas concluídas à espera de eletricidade. Para o evitar, cada nova área urbana terá de nascer com capacidade de rede identificada, financiamento previsto e responsabilidades atribuídas desde o primeiro momento."
Bom, Portugal tem uma vantagem relativamente a Espanha: ainda pode observar o problema espanhol e antecipá-lo, mas está a tentar promover simultaneamente:
Todas estas opções podem ser defensáveis isoladamente. O problema surge quando são prometidas como se não competissem por capacidade de rede, equipamento, investimento e tempo de execução.
Por isso, considero provável que ocorram em Portugal bloqueios locais e atrasos em projectos específicos.
Nos Países Baixos a situação é ainda pior do que em Espanha:
"In Utrecht, Gelderland and Flevoland, some 200,000 new homes could be under threat because of an impending freeze on new connections"
Vocês vêem algum político preocupado com isto? Rinocerontes cinzentos:
Como não recuar a 2007 e a “Nós não estudámos até ao fim todas as consequências das medidas que sugerimos”.
BTW, não fiquem por respostas superficiais sobre autoconsumo:
Pergunta sincera: a Start Campus tem/vai ter autoconsumo? Estima-se que vão consumir 20% da electricidade do resto do país. Será autoconsumo?
— Carlos P da Cruz 🇺🇦🚜🇳🇱🇬🇪🇮🇱 (@ccz1) July 29, 2026
Portugal prepara-se para concentrar grandes consumos em poucos lugares enquanto tenta resolver uma crise habitacional. A infra-estrutura eléctrica terá de entrar na decisão antes de se aprovarem os projectos.
Esta semana, nesta Curiosidade do dia, voltei ao tema de um possível "plano inclinado" relacionado com a doação de órgãos, e a facilidade das pessoas passarem a ser vistas como um recurso.
Entretanto, ontem no NYT li "I Told My Patient She'd Never Go Home. I Was Wrong." O artigo é escrito por uma médica que disse a uma sua doente que provavelmente nunca melhoraria o suficiente para sair do hospital. A doente enfrentaria uma de duas possibilidades: morrer quando os pulmões deixassem de responder ao oxigénio disponível ou decidir que uma vida permanentemente presa ao oxigénio hospitalar já não valia a pena. Contudo, a doente melhorou, regressou a casa e viveu ainda algum tempo com a família e os seus gatos.
Há uma passagem particularmente importante: depois de regressar a casa, a doente morreu pouco tempo depois. A médica pergunta-se se apenas terá prolongado o inevitável. A filha da doente responde que o tempo em casa teve significado: a sua mãe voltou a ver os gatos, esteve no seu espaço e passou tempo com as suas coisas.
Ou seja, o valor da recuperação não deve ser medido apenas pela duração da sobrevivência. Algumas semanas ou meses podem parecer estatisticamente insignificantes, mas ser humanamente imensos para a pessoa e para a família.
Sinto no artigo algo que aprecio, o medo das certezas. O artigo ilumina o ponto exacto em que os casos de recolha de órgãos se tornam perturbadores, sobretudo com a tal inversão: a previsão de que uma pessoa provavelmente não recuperará pode deslizar para a convicção de que essa pessoa já não recuperará. Este artigo mostra que isto não exige, necessariamente, má-fé. Pode começar com algo muito humano: o desejo dos profissionais de oferecer clareza, evitar sofrimento inútil e não criar falsas esperanças. Mas a certeza também pode ser uma forma de conforto para o médico e para o sistema, ambos preferem uma resposta e um plano à espera desconfortável.
Quando uma decisão é irreversível, reconhecer que podemos estar errados não é fraqueza nem falta de competência. É uma forma essencial de respeito pela pessoa que ainda está viva.
A partir do minuto 24 deste podcast podemos ouvir:
"There’s a wonderful story I always tell, which is about Richard Thaler, the Nobel Prize-winning behavioral economist and author of Nudge. He once spoke to a board of about ten people at a very large company. He went to the eight heads of the largest divisions of this company and asked them all, simultaneously, a question:
"Would you take a decision if it had a 50% chance of increasing your profits next year by 50%, and a 20% chance of reducing your profits by 30%?"
Six out of the eight of them said no.
And Thaler goes back and says, "Well, you’re all good enough mathematicians, I assume, to realize these are highly favorable odds. To a gambling man, this is a very, very good bet, and yet you declined to take part. Why is that?"
And six out of the eight of them reply, "Because 20% of the time, I’d lose my job."
And then the interesting thing happens, which is that the chief executive is sitting at the end of the table, looks aghast at the eight people and goes, "But I want all of you to take those odds because, net-net, in aggregate, we’d almost certainly end up massively better off. Yes, two divisions—one division—might have a slightly disappointing year, but four of them would perform spectacularly."
And you realize that the way businesses are structured, as you push responsibility and accountability further and further down the organization, they become more and more risk-averse, and they become more and more uncertainty-averse. So, they would prefer a definite 5% to 10% to a probabilistic 50% chance of 50%.
And what happens then is that, fundamentally, you become highly conservative. You’re more worried about downside avoidance than you are about upside opportunity. And as a result, obviously, both innovation and marketing, I would argue, are fat-tailed activities, where 10% of what you do is probably more valuable than everything else. You can’t tell in advance which 10% it’s going to be. They are processes of exploration and discovery.
And what you do is get rid of the discovery layer in the pursuit of efficiency. In the short term, it looks like a great idea, but in the longer term it proves fatal, I think, because you’ve lost the capacity to adapt, to reinvent, to reposition, in pursuit of the occasional breakthrough."
Relaciono logo esta mensagem com a fraca produtividade da inovação nas organizações incumbentes.
Muitas empresas dizem querer inovação enquanto avaliam cada unidade, cada projecto e cada gestor como se todos tivessem de produzir resultados positivos todos os anos. Descentralizam a responsabilidade, mas não a tolerância ao insucesso. O resultado é previsível: pequenas melhorias seguras vencem oportunidades potencialmente transformadoras.
Há dias, julgo que no dia 3 de Agosto, o The Times publicou o artigo "Experience economy can boost UK growth" onde sublinhei:
"New research has suggested that 40 per cent of people in the UK prioritise spending on experiences over material things. This figure rises to 54 per cent among 18 to 34-year-olds."
Entretanto, ontem no Twitter encontrei este exemplo da experience economy:
😳 CLARKSON LAUNCHES “ONLY FARMERS” AND IT’S ABSOLUTELY GENIUS! 🔥
— J Stewart (@triffic_stuff_) August 6, 2026
Forget everything you thought you knew… Jeremy Clarkson (and the Diddly Squat crew) just dropped the most cheeky, brilliant, countryside-saving platform of the year!
Welcome to Only Farmers – the wholesome… pic.twitter.com/IOGdOE4s0e
Uma ideia interessante.
"Tal como David Autor, David Dorn e Gordon Hanson demonstraram há uma década, o primeiro "choque chinês" acelerou a desindustrialização (sem ser a única causa) em regiões politicamente decisivas dos Estados Unidos. E agora, um segundo "choque chinês" está a devastar o setor automóvel alemão, do qual depende o ecossistema industrial mais vasto do país, composto por pequenas e médias empresas - o Mittelstand.Além disso, um terceiro "choque chinês" - ou, mais precisamente, aquilo que poderíamos qualificar de "estrangulamento" - teve, sem dúvida, consequências ainda maiores ao travar a industrialização e as possibilidades de desenvolvimento de um vasto leque de países de baixo e médio rendimento,"
O "estrangulamento" não se mede apenas através das fábricas encerradas ou dos empregos perdidos. Inclui também os investimentos que não foram realizados, as empresas que não chegaram a nascer ou a crescer, os mercados que nunca foram conquistados, as tecnologias que não foram desenvolvidas, e as competências que nunca foram adquiridas.
"The federal government is firing the nonprofit group that coordinates organ donations in Kentucky after finding that it tried to pursue organs from critically ill people who were recovering from their injuries....In Kentucky, scrutiny began when a congressional committee heard testimony about the case of Anthony Thomas Hoover II, who had an overdose in 2021. After family members were told that he would not recover, they authorized donation.As coordinators arranged for the surgery, Mr. Hoover began to stir, at one point "thrashing on the bed," according to records reviewed by The Times. Still, Network for Hope, then called Kentucky Organ Donor Affiliates, tried to move forward. Finally, on the way to the operation, Mr. Hoover cried, pulled his knees to his head and shook his head, and a hospital doctor refused to withdraw life support.Mr. Hoover eventually recovered, although he has lingering neurological injuries."
A transplantação tem um propósito indiscutivelmente positivo: salvar vidas. É precisamente por isso que o caso é tão instrutivo. Uma causa moralmente valiosa pode produzir comportamentos perversos quando o resultado pretendido se torna absoluto.
O raciocínio começa com: há milhares de pessoas que morrerão sem um órgão, mas pode evoluir silenciosamente para algo como: não devemos desperdiçar um órgão utilizável. E terminar em: este doente provavelmente não vai recuperar; é velho, vive sozinho; avançar é do interesse de várias outras pessoas.
A pessoa deixa então de ser um doente cuja vida continua a merecer protecção e passa a ser vista como um conjunto de órgãos escassos.
"Overall, more than 100 cases had "concerning features," the investigators said"
Amanhã pode ser a sua vez.
"Fundador da Casa Mendes Gonçalves diz que fundos perderam apetite pela produtora de molhos, vinagres e condimentos quando entregou parte do capital à fundação, que criou para a "eternizar"."
O trecho é um caso português a ilustrar a solução institucional que Eric Ries começa a explorar no capítulo inicial de Incorruptible: como impedir que uma empresa com uma identidade, uma missão e relações construídas ao longo de décadas seja desviada para a extracção de valor financeiro de curto prazo.
No primeiro capítulo, Ries conta a história de Sol Price, fundador da FedMart. Price entendia que a empresa tinha uma espécie de dever fiduciário para com o cliente: clientes primeiro, trabalhadores depois e accionistas em último lugar. Todavia, acabou afastado pelo próprio board, que pretendia extrair mais valor financeiro da empresa. O ponto de Ries é que não bastam um fundador íntegro, valores fortes ou boas intenções. Se a estrutura de propriedade, a governação e os incentivos apontarem noutra direcção, mais cedo ou mais tarde a organização cede àquilo a que chama “financial gravity”.
É precisamente essa vulnerabilidade que Carlos Gonçalves procura eliminar ao transferir parte do capital da Casa Mendes Gonçalves para uma fundação. Ao retirar a empresa do circuito habitual, comprar, aumentar a rentabilidade de curto prazo e voltar a vender, está a tentar construir uma estrutura capaz de sobreviver ao fundador e de proteger a independência da organização.
Há, contudo, uma diferença importante. No artigo, a justificação central parece ser:
"Esta empresa não pode deixar de existir. Este rendimento da terra e da região não pode deixar de existir. É importante para muita gente."
Em Ries, a continuidade da empresa não constitui um fim em si mesma. Aquilo que merece ser preservado é a missão, a confiança dos clientes e a capacidade de continuar a criar valor. Uma empresa não se torna "incorruptível" apenas por ficar protegida contra uma aquisição; também pode tornar-se fechada, complacente, burocrática ou mais preocupada com a sua perpetuação do que com aqueles que serve.
Durante décadas, o ciclismo ensinou-nos que tudo conta: o peso da bicicleta, a posição dos cotovelos, a textura do fato, a inclinação do capacete e até a altura das meias. Faltava descobrir que uma Volta a França também pode ser ganha por uma subida de copa. Afinal, nem todo o aumento de desempenho exige mais potência nas pernas; por vezes, basta um pouco mais de "engenharia no soutien".
A UCI enfrenta agora um problema regulamentar que nenhum manual parecia prever: distinguir entre anatomia, preferência pessoal e aerodinâmica clandestina. Depois dos motores escondidos nas bicicletas, chegam os enchimentos aerodinâmicos escondidos nos soutiens. No ciclismo moderno, já não basta controlar a bicicleta, pesar o equipamento e procurar substâncias proibidas. Talvez seja necessário acrescentar à equipa de comissários um especialista da Victoria’s Secret.
"Riders at the Tour de France Femmes faced more stringent checks before the stage four time-trial yesterday after reports that riders may be padding their bras to make themselves more aerodynamic.
...
Increasing the size and changing the shape of the chest area for both men and women can provide an advantage for competitors because it redirects the airflow around the body."
Trechos retirados de "Storm in a D cup over bra cheating claims at Tour de Femmes" publicado no The Times de hoje.
"When challenges arise, be they inflation, supply chain disruptions, or pressure from Wall Street, company leadership doesn't complain that it's too hard to stick to their values. They "figure it out." This is what it means to be a fiduciary to the customer."
Precisamos que esta mentalidade seja a pedra de toque na bolha mediática, e não o constante choradinho de mão estendida a pedir protecção do Estado para não ter de mudar, para não ter de fazer mudanças difíceis.
É precisamente quando as circunstâncias se tornam adversas que se distingue uma empresa genuinamente orientada para o cliente de uma organização apenas orientada para a sua própria conservação.
Trecho retirado de "Incorruptible" de Eric Ries.
A disposição escolhida produzia uma assimetria difícil de ignorar: a líder da IL aparecia afundada num sofá, enquanto o presidente estava sentado numa cadeira mais alta e numa posição visualmente dominante. Numa das fotografias, fica-se até com a impressão, reconheço que é apenas uma interpretação, de que ela procurava contrariar esse efeito, tentando não parecer tão afundada como surgira nas imagens televisivas.
Talvez esteja a atribuir demasiada importância à linguagem corporal e à disposição do mobiliário. Mas, em encontros institucionais, a cenografia também comunica. A altura dos assentos, a distância entre os interlocutores e a postura que o mobiliário impõe podem reforçar ou contrariar a ideia de uma relação entre iguais. Mesmo que a assimetria não tenha sido intencional, o resultado visual permanece.
"Since the beginning of 2024 an average of 466,000 new-business applications have been filed each month in America, according to data from the Census Bureau. This June saw 531,000 applications, nearly double the average monthly figure in 2019....More than half of sales supported by Shopify, a provider of e-commerce tools, now come from "niche" categories outside the 100 most common; entrepreneurs can mint money selling trading cards and custom pill cases, avoiding crowded categories."
A paisagem enruga-se porque pequenos grupos de clientes, anteriormente dispersos e economicamente invisíveis, podem agora ser reunidos num mercado acessível.
Reduzir as barreiras à entrada também significa aumentar o número de concorrentes. A IA democratiza a capacidade de criar uma oferta, mas não democratiza automaticamente a atenção dos clientes, a reputação, o discernimento ou a capacidade de conceber algo distintivo. Quando todos conseguem produzir, o recurso escasso desloca-se da produção para a diferenciação, a confiança, a curadoria e o acesso à procura.
Mão amiga mandou-me um recorte de um texto publicado no El Economista de 30 de Julho passado. O artigo intitula-se "La venganza del cruasán y la palmera de chocolate".
O artigo começa assim:
"Si uno hiciera caso a las redes sociales, los supermercados deberían estar llenos de semillas de chía, kéfir, bebidas de avena y panes elaborados con harinas ancestrales molidas por monjes tibetanos. Sin embargo, los datos cuentan otra historia. Mientras la alimentación saludable parece haberse convertido en una religión moderna, la bollería industrial sigue creciendo. Y no precisamente a escondidas. Las cifras hablan por sí solas. El sector español de panificación y pastelería industrial facturó 6.150 millones de euros en 2025, un 3,7% más que el año anterior. Solo el segmento de pastelería y bollería movió 1.160 millones de euros, con un crecimiento cercano al 3%. Todo ello en una época en la que casi cualquier nutricionista recomienda reducir el consumo de productos ultraprocesados. La pregunta es inevitable: ¿cómo consigue crecer un sector que, sobre el papel, parece tener a medio mundo en contra?"E fez-me pensar naquilo a que se chama a bolha. As páginas das redes sociais e as páginas da comunicação social clássica dizem uma coisa, valorizam uma coisa, endeusam uma coisa, perdem a cabeça e o juízo com uma coisa, e as pessoas anónimas fazem, valorizam, seguem outra.
Confundimos, demasiadas vezes, a intensidade do ruído com a dimensão da realidade. Jornalistas, comentadores, influenciadores e respectivas audiências passam o dia a falar uns com os outros e acabam por imaginar que o país, ou o mundo, cabe naquele círculo iluminado. Depois, chegam os dados das vendas e cometem a indelicadeza de revelar que, enquanto a bolha discutia as virtudes das farinhas ancestrais moídas por monges tibetanos, milhões de pessoas continuavam tranquilamente a comprar croissants e palmeiras de chocolate. A realidade tem este péssimo hábito: não seguir quem tem mais tempo de antena.
"It is widely believed that restructuring has boosted productivity by displacing low-skilled workers and creating jobs for the high skilled."Mas, e como isto é profundo:"In essence, creative destruction means that low productivity plants are displaced by high productivity plants." Por favor voltar a trás e reler esta última afirmação.
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"Lovaglia’s Law: The more important the outcome of a decision, the more people will resist using evidence to make it."
"If an organisation is too stable it can ossify, but if it is too unstable it can disintegrate. Successful organisations work between these two conditions or states, in what Stacey called ‘the chaos zone’."
"If the customer doesn't care about the price, then the retailer shouldn't care about the cost,"
“It's not enough that we do our best; sometimes we have to do what's required”.
"Das Leben, das uns gegeben ist, ist uns nicht als etwas Fertiges gegeben, sondern wir müssen es uns gestalten, und zwar jeder sein eigenes."
"Eine Regierung, die nichts wert ist, kostet am meisten."
"Forget trying to persuade them; light their pants on fire."
"O futuro é o que importa. O futuro é a base do significado, é de onde vem o projecto que alguém tem para si próprio"
"The single biggest problem in communication is the illusion that it has taken place."
“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent; it is the one that is most adaptable to change.”
"o Marketing só existe a partir do pensamento estratégico, caso contrário "não resulta""
"It is difficult to get a man to understand something, when his salary depends upon his not understanding it"
"Perder diversidade é como arrancar páginas de um livro. Quantas páginas poderemos arrancar até deixar de compreender o enredo?"
The great enemy of the truth is very often not the lie – deliberate, contrived and dishonest – but the myth, persistent, persuasive, and unrealistic. Belief in myths allows the comfort of opinion without the discomfort of thought."
"By strategy, I mean a cohesive response to a challenge. A real strategy is neither a document nor a forecast but rather an overall approach based on a diagnosis of a challenge. The most important element of a strategy is a coherent viewpoint about the forces at work, not a plan."
"Un desastre està punt de succeir a Espanya. El malentès de la gravetat de la crisi costarà car als inversors, ja que tindrà profundes conseqüències per a tot el sistema bancari europeu", afirma.
Entre d'altres coses, Mauldin diu que "els inversors estan fumant crack si creuen que els bancs espanyols són entre els més forts d'Europa, ja que estan amagant les seves pèrdues".
“… there are no “sunset” industries condemned to disappear in high wage economies, although there are certainly sunset and condemned strategies, among them building a business on the advantages to be gained by cheap labor”
"o vencedor da vida, o optimista que vive em incesto com o próprio ego, é o traço mais frágil do líder"
"We shall not grow wiser before we learn that much
that we have done was very foolish."
You may not be able to change the world but can at least get some entertainment & make a living out of the epistemic arrogance of the human race.
"I wanted you to see what real courage is, instead of getting the idea that courage is a man with a gun in his hand. It's when you know you're licked before you begin but you begin anyway and you see it through no matter what. You rarely win, but sometimes you do."
“Trust your guts. But not too much!”
"Customers will try 'low-cost providers,' because the majors have not given them any clear reason not to." "
"Natal é quando as Crianças pedem e os Pais pagam. Défices é quando os Pais pedem e as Crianças pagam."
"A imprevidência dos povos é infinita, a dos governos é legal"
"What a man sees depends both upon what he looks at and also upon what his previous visual-conceptual experience has taught him to see"
“The leaders first task is to be the trumpet that sounds a clear sound”
"lamented the lack of any systematic data on the scale of unfunded IOUs that care-free politicians have handed out like confetti."
"Let them call me rebel and welcome, I feel no concern from it; but I should suffer the misery of devils, were I to make a whore of my soul..."
O problema não é o consumo. O problema é o consumo assente em endividamento."
"There are designations, like "economist", "prostitute", or "consultant" for which additional characterization doesn't add information."
When it becomes more difficult to suffer than change, you will change"
"Hope is not a strategy and a crisis is a terrible thing to waste"
The more you can see of the present, the more you can see of the future"
Yes, You can change the future, but only changing the present"
"Entrepreneurship is 'Having aspirations greater than your resources'"
“The single biggest reason companies fail is they overinvest in what is, as opposed to what might be."
"The first principle is that you must not fool yourself - and you are the easiest person to fool. So you have to be very careful about that"
"A estabilidade é uma ilusão"
"When we create the conditions of possibility, the universe becomes our co-conspirator"
Thinking about doing is not doing. Talking about doing is not doing. Doing is doing."
"'God has created me to do him some definite service. He has committed some work to me which he has not committed to another'.
...
"Each of us has a mission, each of us is called to change the world, to work for a culture of life, a culture forged by love and respect for the dignity of each human person.
"As our Lord tells us in the Gospel we have just heard, our light must shine in the sight of all, so that, seeing our good works, they may give praise to our heavenly Father."
"The future is not there waiting for us. We create it by the power of imagination."
"confusing testosterone with strategy is a bad idea"
"Much consulting involves the application of models to a system, as opposed to getting involved in the system as a positive change agent""
"O Portugal que pára sem orçamento é precisamente aquele que vive dele e que há todo o interesse em parar."
"credibilidade da política financeira e dos seus executores está ao nível da credibilidade de uma barraca das farturas"
"The role of the manager is thought to be reduction of uncertainty rather than the capacity to live creatively in it"
"today an entrepreneur is closer to artists than managers"
"A business without a path to profit isn’t a business, it’s a hobby"
"If no one’s upset by what you’re saying, you’re probably not pushing hard enough. (And you’re probably boring, too.)"
"Storytelling isn’t just how we construct our identities, stories are our identities"
"'He who has a why to live can bear almost any how' "
"They can because they think they can"
"Se há coisa que não suporto é misturar catequese com negócios, é a incapacidade para calçar os sapatos do outro e só pensar na nossa posição de coitadinhos, pobres vítimas indefesas dos maus e que por isso precisamos do Estado todo poderoso para nos proteger e, nem percebem na volta, os juros que o Estado cobra por esse serviço mafioso de protecção que, ainda por cima não resolve nada."
"Empathy is like a universal solvent. Any problem immersed in empathy becomes soluble."
"In victory, do not brag; in defeat, do not weep"
"Value it's a feeling not a calculation"
"An economist is someone who has had a human being described to him, but has never actually seen one."
"Don't finish first--it's not about running a rat race. Start with a better ending in mind."
"If you sit in on a poker game and don’t see a sucker, get up. You’re the sucker.”
"The 'value added' for most any company, tiny or enormous, comes from the Quality of Experience provided."
"Crediting government with the success of entrepreneurs is like crediting the guy who built Bill Gates’ garage with the success of Microsoft."
"I have found that assuming social scientists understand the difference between correlation and causality is not generally a good one."
"Promising never to raise taxes, without reaching a deal on spending, really means a high and rising commitment to future taxes."
"Some things are so foolish that only an intellectual could believe them, for no ordinary man could be such a fool"
"os bancos não financiam a economia, a poupança sim"
"I do not know the key to success, but the key to failure is trying to please everybody"
"Never be afraid to try, remember... Amateurs built the ark. Professionals built the Titanic."
"terms such as 'experiment' and 'observation' cover complex processes containing many strands. 'Facts' come from negotiations between different parties and the final product - the published report - is influenced by physical events, dataprocessors, compromises, exhaustion, lack of money, national pride and so on."
"'science in the making' is 'the consequence of [a] settlement' of 'controversies'."
"If the state wishes to spend more, it can do so only by borrowing your savings or taxing you more. And it's no good thinking someone else will pay, that someone else is you."
"All failures of strategy are rooted in the assumption that outcomes are predictable."
"Doing things like your bigger competitors is how to get killed in the wars out there"
“Uma moeda boa e forte é como a saúde. Só lhe damos verdadeiramente valor quando não a temos.”
"Life’s tough. It’s tougher if you’re stupid"
"O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros"
"Change is a threat when done to me, but an opportunity when done by me."
"As elites foram deixando de falar das exportações à medida que se foi percebendo que o país consegue exportar sem elas"
"Your toughest competition is the little voice inside your head telling you to stop"
"Pain is just weakness leaving your body"
"Built to last" is bad economics. Built to do something great" is the better idea. Think: "Creative destruction."
"the world is an uncertain place no matter how many Greek letter equations you affix to a problem."
"You never change things by fighting existing reality. To change s.th., build a new model making the existing model obsolete"
“No, no, you're not thinking; you're just being logical.”
"Success is not a destination. It's the trail you leave behind you."
"Winners make a habit of manufacturing their own positive expectations in advance of the event."
“You’ve got to start with the customer experience and work back toward the technology – not the other way around”
"Strategy as the "smallest set of - intended or actual - choices and decisions sufficient to guide all other choices and decisions sufficient to guide all other choices and decisions."
"When something is commoditized, an adjacent market becomes valuable"
"nature evolves away from constraints, not toward goals"
"There aren't any textbooks on what to stop doing!"
"With great power comes great irresponsibility "
"Weird things happen when you take price out of the equation for consumers"
"‘It’s so damn complex. If you ever think you have the solution to this, you’re wrong and you’re dangerous.’"
"Saruman believes it is only great power that can hold evil in check, but that is not what I have found. I found it is the small everyday deeds of ordinary folk that keep the darkness at bay. Small acts of kindness and love."
"Increasing stuff that doesn't add value dilutes existing value."
"O federalismo não é a alternativa à troika, é a troika para sempre."
"Never underestimate the difficulty of changing false beliefs by facts"
"Stressors are information"
“If you hear a “prominent” economist using the word ‘equilibrium,’ or ‘normal distribution,’ do not argue with him; just ignore him, or try to put a rat down his shirt.”
"The advantage of experiences over things for most of us is that we can make them seem unique, which = scarce, which = value"
"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo"
"Without risk, faith is an impossibility."
"Não posso com quem vive a achar que os outros lhe devem sempre alguma coisa."
"In a world of increasing automation, our ability to perform tasks is not nearly as important as our ability to dream. The questions we need to ask are not ones of action, but ones of meaning"
"Me arrancam tudo a força e depois me chamam de contribuinte."
"Letting people vote for expensive programs that “somebody else” will finance is a good recipe for getting people to vote irresponsibly"
"what's fairness gotta do with pricing based in value?"
"The epic battle of our generation is between the status quo of mass and the never-ceasing tide of weird."
“Price is emotional”
"There will always be a reason why you can't pursue it, until competitors create a reason why you must."
"The most important thing to study is opening theory"
"The greater the contrast, the greater the potential"
“Customers don't care about your solution, they care about their problems.”
"Todos querem conhecer a verdade, mas o que desejam é que lhes contem uma mentira em que não sejam protagonistas."
"Execution efficiency strangles innovation in the crib, but not with malice, by default.”
"Our obsession with scalability is getting in the way of unleashing the potential of the 21st century."
"The system is optimized to mitigate risk, not create value"
"Champions are made when no one is looking"
"Don't bargain on value. Half as expensive is often twice as cheap."
"Customers care about outcomes, not effort, technology, or originality."
"
"You don't have to pick between 1) playing the game and 2) not playing the game. You can *change* the game."
""The first principle is that you must not fool yourself and you are the easiest person to fool." "