quarta-feira, dezembro 08, 2021

A tradução

"Many people think of strategy as a small set of big decisions. In reality, the success or failure of any strategy hinges on thousands of executional decisions. To ensure that daily decisions align well with the company’s strategic direction, leaders must translate long-term objectives into short-term ones, manipulating levers like communication, process, and incentives. Often, their efforts go awry."

Trecho retirado de "Open Strategy" de Christian Stadler.

terça-feira, dezembro 07, 2021

O presente envenenado

Ontem, ao divulgar o postal "Emprego, preços e desglobalização" nas redes sociais acrescentei o comentário: "Um presente envenenado".

Esta figura descreve o que poderia ser um ciclo virtuoso que poderia elevar os padrões de vida em Portugal:

Com o aumento da desglobalização, aumenta a procura por produtos fabricados em Portugal, o que significa mais procura de mão de obra, o que significa mais emprego. Porque a mão de obra é escassa (demografia, salários, educação, escolaridade, emigração …) têm de se pagar melhores salários. Ora, produtos básicos não suportam de forma sustentável salários elevados. A competitividade baseada no custo não teria futuro. Assim, as empresas teriam de trabalhar o nuimerador da equação da produtividade. Num mundo anterior teríamos montadas as condições para uma eventual destruição criativa. As empresas incapazes de pagar melhores salários fechariam e o capital, o know-how, e as pessoas seriam empregues em actividades com maior valor acrescentado.

Além disto, podia-se fazer batota e aliciar capital, know-how e empreendedorismo externo a entrar e acelerar o ciclo virtuoso:


Contudo, no mundo actual, basta ver o discurso dos empresários têxteis ou este exemplo da Construção no jornal i de ontem:
"Sindicato diz que setor precisa de 80 mil trabalhadores e face à escassez da mão-de-obra há quem recorra a trabalhadores estrangeiros que chegam ao país através de redes ilegais.
Estes trabalhadores recebem metade do salário ou nem recebem nada."[Moi ici: E vocês perguntam e não é ilegal? Como é possível? É o modelo dos trabalhadores agrícolas de Odemira. Não esquecer as bofetadas!!!]
Assim, o que teremos será este ciclo, o presente envenenado:



Voltar a ser a china da Europa, como antes de haver China. Como tantas vezes repete Seth Godin, o pior que pode acontecer a quem está numa race to the bottom é ... ganhá-la.

segunda-feira, dezembro 06, 2021

Emprego, preços e desglobalização

Com o progresso da globalização veio o encerramento de muitas empresas em todo o mundo Ocidental, a chamada desindustrialização, por incapacidade de competir pelo preço com a China primeiro e a Ásia depois. Assim, com o progresso da globalização veio o aumento do desemprego no Ocidente por um lado, e a redução generalizada dos preços por outro.

Com a crise de 2008 começou a desglobalização, o aumento da importância do factor proximidade produção-consumo. Agora, com os confinamentos, com as quarentenas, com as cadeias de fornecimento pouco ágeis num mundo de incerteza... façamos uma inversão daquelas setas:
Os impactes da desglobalização serão:
  • mais emprego; (falta de mão de obra) e
  • preços mais altos (inflação)
Será que isto pode durar? Neste artigo da revista The Economist, "China’s economy looks especially vulnerable to the spread of Omicron" li:
"Since the end of May, China has recorded 7,728 covid-19 infections. America has recorded 15.2m. And yet China’s curbs on movement and gathering have been tighter, especially near outbreaks (see chart 1). Its policy of “zero tolerance” towards covid-19 also entails limited tolerance for international travel. It requires visitors to endure a quarantine of at least 14 days in an assigned hotel. The number of mainlanders crossing the border has dropped by 99%, according to Wind, a data provider.
...
Businesspeople in Shanghai have started talking about travel restrictions persisting until 2024. The virus is highly mutable. China’s policy towards it, however, is strikingly invariant."

 Acerca do emprego este exemplo "Desemprego do passado dá lugar a falta de mão-de-obra no têxtil no Vale do Ave".

Acerca dos preços este exemplo "Retreat From Globalization Adds to Inflation Risks":

"While supply-chain disruptions, labor shortages and fiscal stimulus have all been blamed for the rise in short-term inflation, another long-term force could also be at work: “deglobalization.”

Economists and policy makers have long argued that globalization helped to lower prices. As trade barriers fell, domestic companies were forced to compete with cheaper imports. Technology and trade liberalization encouraged  businesses to outsource production to low-wage countries.

...

“The reorganization and shortening of supply chains…will have a cost that will be passed down to the vendors and ultimately to consumers,”"

domingo, dezembro 05, 2021

Uma transição por fazer ...

"The new management innovation are very different. Instead of an industrial-era focus on internal efficiency and outputs, the primary preoccupation in the new age is external: an obsession with creating value and outcomes for customers and users. Instead of starting from what the firm can produce that might be sold to customers, digital firms work backwards from what customers need and then figure out how that might be delivered in a sustainable way. Instead of limiting themselves to what the firm itself can provide, the firm often mobilizes other firms to help meet user needs."

Quem acompanha este blog desde 2004 pode facilmente recordar o quanto estes temas fazem parte da narrativa desde o início.

O que escrevo acerca do eficientismo, da lição de Marn e Rosiello (o burro era eu), do Evangelho do Valor. O que escrevo acerca de começar pelo fim e isso é olhar para a menina do olho dos clientes-alvo e, a partir do que procuram e valorizam, andar para trás e preparar a organização para entrega sistemática desses inputs (recordar input, não output). E o que escrevo sobre os ecossistemas da procura depois da experiência de 2004 em que o tema emergiu naturalmente de um desafio profissional em mãos, antes de começar a ler sobre o tema.

Quantas empresas ainda precisam de fazer esta transição...

Trecho retirado de "Why Management Innovation Is Hiding In Plain Sight

sábado, dezembro 04, 2021

A quarta salvação vem a caminho

Hoje é para mexer num ninho de vespas. A propósito disto no DN de ontem:


Primeiro a surpresa: Então Vieira da Silva já não tinha salvo a Segurança Social 3 vezes?

Depois, este tweet e as respostas que se seguem, de onde retiro esta imagem:

Portugal deve ter uma distribuição aproximada à de França.
Parece duro, parece demagogia, mas é a realidade relatada pelos números. Acham que isto promove sociedades dinâmicas? Acham que isto é justiça social? Acham que isto gera bons resultados no médio-longo prazo?

Voltemos à ministra "SUSTENTABILIDADE DA SEGURANCA SOCIAL EXIGE NOVAS FONTES DE FINANCIAMENTO". Quais são as fontes de financiamento? Mais impostos! Passar o IVA para 24%? Dupla tributação em mais artigos? Aumentar a TSU para trabalhadores e empresas? 

Lembrem-se da nossa distribuição etária, a maioria dos eleitores está reformada ou a 4 ou 5 anos de o ser... os políticos precisam da maioria dos votos.


sexta-feira, dezembro 03, 2021

Há inovação e inovação

Mais um trecho retirado de "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor" de Erik S. Reinert.

"Recently, innovation has been reintroduced as an economic factor, but this is not sufficient. [Moi ici: Isto é mesmo importante!!!] While learning and innovation are key elements in development, they may also be passed on in the economy as falling prices to foreign consumers. The key insight by Schumpeter's student Hans Singer was that learning and technological change in the production of raw materials, particularly in the absence of a manufacturing sector, tend to lower export prices, rather than increase the standard of living in the raw material producing nation. Learning tends to create wealth for producers only when they are part of a close network once called 'industrialism' - a dynamic system of economic activities subject to increasing productivity through technical change and a complex division of labour. The absence of increasing returns, dynamic imperfect competition and synergies in raw material-producing countries are all part of the mechanisms that perpetuate poverty."

Recordemos esta equação retirada do Evangelho do Valor:

A minha explicação das palavras de Reinert é baseada nesta equação. Se a inovação é usada para baixar custos, não cria diferenciação, não torna a concorrência imperfeita. Assim, o que se retira dessa inovação são preços mais baixos. Se a inovação é usada para criar diferenciação, permite aumentar a concorrência imperfeita e isso permite aumentar preços porque os clientes percepcionam mais valor.

Recordar neste postal a diferença entre a fase "war" e a fase "wonder".




quinta-feira, dezembro 02, 2021

Two types of cronyism

 Na sequência de "Promotor da concorrência imperfeita, dos monopólios informais e das rendas excessivas" Erik Reinert traz um tema importante que me deixa arrepios:

"rent-seeking is the basic driving force of capitalism. [Moi ici: De acordo desde que seja através daquilo a que chamo monopólios informais] The question is whether this rent spreads through society in general - in the form of higher profits, higher wages and higher taxable income - or not. The theoretical goal of `perfect competition' is a situation that does not create wealth for the producers. To this rent-seeking argument is now added the related argument that industrial policy creates `cronyism', that money is being made through favouritism shown to friends and associates.

With reference to the two types of economic activities - Malthusian and Schumpeterian ... we also need to separate the two types of cronyism. Consider these examples:

2005: A Filipino sugar producer uses his political influence to get import protection for his products.

2000: Major Daley in Chicago (ignoring the advice of University of Chicago economists) provides subsidies to already wealthy high-tech investors through an incubator.

1950s and 1960s: Swedish industrialist Marcus Wallenberg uses his close contacts with Labour Party Minister of Finance Gunnar Strang, to win political support to carry out his plans for Swedish companies, Volvo and Electrolux.

1877: Steel producers in the United States use their political clout to impose 100 per cent duty on steel rails.17

1485: Woolworkers use their connections to King Henry VII to influence the state to give them subsidies and to impose an export duty on raw wool to increase raw material prices for their competitors on the Continent, slowly strangulating the wool industry elsewhere, for example in Florence.

The above examples all involve crony capitalism and rent-seeking behaviour which mainstream economic theory tends to abhor. However, a crucial difference separates the first example from the rest. The Filipino crony differs from the other cronies in that he gets subsidies for a raw material with diminishing returns that competes in a world market-facing perfect competition. In other words, he is a Malthusian crony, leading his country down the path of diminishing returns (in spite of technological change which counteracts this) in an activity where technical change fails to raise real wages. The others are Schumpeterian cronies, producing under what Schumpeter called historical increasing returns (a combination of both increasing returns and fast technological change). If we couple this with new trade theory, we see that the tilted playing fields of Schumpeterian cronyism produce vastly different results from those of the Filipino crony."

Trecho retirado de "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor" de Erik S. Reinert.

quarta-feira, dezembro 01, 2021

Promotor da concorrência imperfeita, dos monopólios informais e das rendas excessivas

"The neo-classical economists' poor understanding of how businesses operate also contributes to the problem. At the core of their economic theory of capitalism is perfect competition and equilibrium, a situation which produces very little profit. Any successful and profitable business enterprise rests, almost by definition, on some kind of rent-seeking. The poverty-stricken Third World corresponds most closely to conditions of diminishing returns and perfect competition, while the rich countries, whose exports are produced under conditions of Schumpeterian-dynamic imperfect competition, are `rent-seekers' whose rents lead to higher wages and a higher tax base. This failure to understand development as Schumpeterian imperfect competition is at the heart of the arguments against industrial policy. Anything that causes imperfect competition tends to be seen as contributing to `cronyism'.

Keynes saw investments resulting from what he called `animal spirits'. Without `animal spirits' - the will to invest in uncertain conditions - capital is sterile, both in the worlds of Joseph Schumpeter and Karl Marx. The motivating force behind `animal spirits' is the desire to maximize profits, thus upsetting the equilibrium of perfect competition."
Ontem, depois de ler isto fiquei a pensar no lema deste blogue, apregoado lá em cima no título e na sua forma mais completa aqui:
"Promotor da concorrência imperfeita, dos monopólios informais e das rendas excessivas"

Algo que descobri algures na primeira década do século XXI e que é considerado um sacrilégio pela Economia. Contudo, a solução para uma economia saudável, competitiva, produtiva, capaz de pagar bons salários e gerar lucros atraentes é por aqui.


Trecho retirado de "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor" de Erik S. Reinert,

terça-feira, novembro 30, 2021

Uma saudade enorme ...

Ontem, ao rever o capítulo 8 de "ISO 9000 Quality System Handbook" de David Hoyle – Seventh Edition - 2018, encontrei esta imagem:

Imagem baseada na Soft Systems Methodology de Peter Checkland.

E foi uma saudade enorme do início do século onde aprendi tanto sobre o pensamento sitémico com esse autor. Por exemplo:

segunda-feira, novembro 29, 2021

"As you develop strategy ..."

"As you develop strategy, consider these questions:

  • What are the compelling reasons for making a change in the direction of the organization, and why make it now? What might happen if we continued with our current trajectory?
  • What weak signals of change in customer sentiment, competitor activity, or internal performance should people be aware of?
  • What are the most exciting opportunities ahead of us, and why is this organization best placed to pursue them?
  • What are our differentiated capabilities, and what are we doing to invest in them?"

domingo, novembro 28, 2021

O momento...

O Miguel Pires recomendou-me a leitura de "The software engineer will fix your car now".

Numa primeira leitura, o que me chamou a atenção, foi o momento de oportunidade ou ameaça para os muitos intervenientes no ecossistema do automóvel à base de combustíveis fósseis:
  • fabricantes de componentes;
  • fabricantes de bateris;
  • fabricantes de interiores;
  • oficinas;
  • postos de abastecimento;
  • software,
  • ...
Seria interessante ver as análises de contexto nas empresas deste ecossistema.

Quantas se focam nas oportunidades? Quantas se focam nas ameaças? Quantas estão distraídas?

sábado, novembro 27, 2021

Competitividade, absurdo, lerolero e contranatura

"The term `competitiveness' is also a product of end-of-history economics, coming into fashion in the early 1990s. At first the term was highly contested. `National competitiveness', wrote Robert Reich in 1990, `is one of those rare terms of public discourse to have gone directly from obscurity to meaninglessness without any intervening period of coherence.' Later Reich, a professor at Harvard's John F. Kennedy School of Government, was to become US Secretary of Labor under President Bill Clinton. Here he championed the idea that the United States should move into high-value sectors of the economy (a view consistent with our quality index of economic activities). In a paper published a couple of years later, MIT's Paul Krugman twice referred to Reich as a `pop internationalist' and somewhat unacademically condemned his Harvard colleague's notion of `high-value sectors' as `a silly concept'. But in the same paper Krugman also had a go at the term `competitiveness': `if we can teach undergrads to wince when they hear someone talk about "competitiveness", we will have done our nation a great service'. To Krugman the key insights were still those of David Ricardo.

...

Competitiveness may be defined as the degree to which, under open market conditions, a country can produce goods and services that meet the test of foreign competition while simultaneously maintaining and expanding domestic real income.

By this definition, competitiveness can be seen as a process where real wages and national income are jacked up by a system of imperfect competition, producing a `rent' to the nation. This is probably the reason why neo-classical economists opposed the term. This perspective, however, is compatible with our Other Canon view of how the rich countries got rich. Traditionally, when this development was not possible under market conditions, tariffs were established to protect the areas that experienced the most technological change, while competition was maintained. The more backward the nation, the higher the tariffs had to be in order to produce the desired effects.

...

Competitiveness, then, denotes a process that makes people and nations richer by increasing real wages and income. And yet, while visiting Uganda a few years ago, I experienced at first-hand how the term was used in order to argue for the opposite, for lower wages. The textile plants attracted to Uganda by the African Growth and Opportunity Act (AGOA) - a maquila-type set-up between the USA and Africa - could no longer compete internationally, and President Museveni argued that in order for Uganda to achieve 'competitiveness', workers' wages had to come down.

So competitiveness is a wonderfully flexible term, fitting a confused age of muddy thoughts and a need to explain away the utter failure of key economic theories. It can be used to describe a mechanism which makes everyone richer (the OECD definition), but it can also be used as a term describing the opposite, to convince workers that they must accept more poverty (Museveni's definition). The sad thing in Europe is that the term competitiveness is increasingly used in the Ugandan sense, coupled with `labour market flexibility' (which invariable means flexibility downwards). In order to be `competitive' we must lower our standards of living."

Em Portugal estamos com outra via, a via do absurdo.


Ou seja, "Governo volta a dar apoio aos patrões para compensar subida do salário mínimo". Vivemos no mundo do lerolero no poder

Pensam que os saltos de produtividade vão ser obtidos pelo grosso das empresas portuguesas? Num mundo de fronteiras abertas? Pensem outra vez:


Imagem retirada de artigo "A Tale of Two Clusters: The Evolution of Ireland’s Economic Complexity since 1995". Reparem nesta comparação entre as empresas de capital estrangeiro e as empresas de capital irlandês a operar na Irlanda (número de trabalhadores, facturação e número de empresas por sector). Imagem publicada inicialmente no blogue aqui.

Quem nasceu, quem se moldou a competir pelo denominador, dificilmente abraça o mindset de competir pelo numerador. Não é impossível, mas é contranatura. 

Trechos retirados de "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor" de Erik S. Reinert   

sexta-feira, novembro 26, 2021

Para reflexão

"To give an example: you observe a poor part of town inhabited by people making their living by washing dishes in restaurants and shining shoes, and a rich part of the same town inhabited by stockbrokers and lawyers. Your task is to explain the differences in income, within the logic of international trade theory, which means that you are not allowed to make reference to the fact that the source of the income gap between the two parts of the city is a direct result of the differences in earnings potential of the professions involved. The toolbox of that theory hardly contains any instruments with which you can observe qualitative differences between economic activities. Barred from saying that differences in earning between shoe-shiners and stockbrokers are a direct result of inherent differences between the two professions economists therefore come up with explanations that tend to be secondary effects of the main cause: the poor do not have enough education (ignoring the fact that you cannot profitably invest in education that improves your income as shoe-shiner or dish-washer), the poor have not saved enough (without seeing that their low income prevents them from saving), the poor have not innovated enough (without noticing that the opportunities for innovation in shoeshining are more limited than in other fields), etc. etc.

As was so obvious to American economists around 1820, a nation - just as a person - still cannot break such vicious circles without changing professions. In the case of a nation, that meant the industrialization project that for a century was referred to as the American System of Manufactures. However, having unlearned the successful strategies of the past, the economics profession at present shows a singular ability to focus on and attack the symptoms of poverty rather than its root causes. Experiments with the loosening of assumptions are usually done by letting go of one at a time, and have so far failed to influence our policies towards the poor.”

Trecho retirado de "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor" de Erik S. Reinert  

Acerca do capitalismo

Reinert outra vez:

"Once capitalism has been understood as a system of imperfect competition and unintended consequences rather than as a system of perfect markets, it is then possible to use this insight to craft wise economic policies."

Trecho retirado de “How Rich Countries Got Rich . . . and Why Poor Countries Stay Poor”

quinta-feira, novembro 25, 2021

Trabalhar com ecossistemas

Um excelente webinar sobre o tema dos ecossistemas. Ouvi-lo, e recordar projectos bons que deram resultados fantásticos, mas também os projectos que nunca ganharam luz verde para arrancar ... como o da imagem daqui.


Se não tiver muito tempo, veja pelo menos o trecho entre os 23 e os 33 minutos. Ás tantas o autor diz algo que há muito tempo penso: desenvolver um ecossistema é sobretudo desenvolver uma estratégia de alinhamento.

quarta-feira, novembro 24, 2021

Lerolero

"A aposta deverá manter-se no aumento das qualificações para "melhorar a empregabilidade dos trabalhadores e a competitividade das empresas"."

Vamos lá traduzir isto num desenho:

Eu não sou primeiro-ministro, eu não tenho carradas de assessores, sou apenas um anónimo da província. Por isso, gostava que me explicassem esta relação de causalidade... a mim, pobre ignorante da província, parece-me magia.

"Os motores de recuperação e desenvolvimento do país devem estar assentes nas qualificações e na inovação. A garantia é dada por António Costa, justificando, por isso, que é necessário continuar a investir nas qualificações. "Hoje já há um enorme consenso, uma total unanimidade, em reconhecer que o país não será mais competitivo num modelo de baixos salários e que os motores da recuperação e desenvolvimento do país assentarão, necessariamente, nas qualificações e na inovação", disse"

Então, parece que há um enorme consenso, uma total unanimidade, em reconhecer que o país não será mais competitivo num modelo de baixos salários... só se esqueceram de avisar a realidade.



E continua:

""aposta nas qualificações tem, por isso, que prosseguir".

...

a "melhor forma" de translação do conhecimento para o tecido empresarial é o "emprego das pessoas qualificadas", acrescentando que "a aposta que está a ser feita no ensino e formação profissional está a ter um impacto profundo no nosso país."

Translacção do conhecimento para o tecido empresarial ... ele só pode estar a gozar.  

Desde 2007 ou 2008 que uso o código caridadezinha para sinalizar o discurso que acredita piamente nesta relação:

Há dias, durante a leitura de "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor" de Erik S. Reinert sublinhei estes trechos:
"Education is increasingly regarded as the key to expanding wealth in the Third World. In countries like Haiti, which specialize in non-mechanized production - in technological dead-ends - raising the level of education of the population will not help to increase the level of wealth in the population. In such countries the demand for educated personnel is minimal. [Moi ici: A conversa do primeiro-ministro de turno, se fosse do PSD dizia o mesmo, é lerolero, conversa para encher chouriços, conversa para adormecer boi. Sabem o que é passar por uma linha de embalagem de um produto acabado e ver uma pessoa que passa o dia a aplicar etiquetas, outra que monta caixas e uma terceira que mete o produto em caixa. Por mais formação que as pessoas tenham em que é que isso vai afectar a sua empregabilidade ou a competitividade das empresas? Só afecta a sua empregabilidade se houver procura por essas qualificações. Se a pessoa for muito qualificada até pode ser rejeitada com o argumento de que é demasiado qualificada para o lugar] Education is more likely to increase the propensity to emigrate. A strategy based on education succeeds only when combined with an industrial policy that also provides work for educated people, as happened in East Asia.
...
By emphasizing the importance of education without simultaneously allowing for an industrial policy that creates demand for educated people - as Europe has over the last 500 years - the Washington institutions are just adding to the financial burdens of poor countries by letting them finance the education of people who will eventually find employment only in the wealthy countries. An education policy must be matched by an industrial policy that creates demand for the graduates.
...
In my experience, well-educated Haitians are very easy to find as taxi drivers in the French-speaking part of Canada. An estimated 82 per cent of Jamaican medical doctors practise abroad. Seventy per cent of all inhabitants of Guyana with a university education work outside the country. North American hospitals vacuum up poor English-speaking countries like Trinidad for nurses, while in many places in the Caribbean Cuban nurses are the ones that keep the health sector functioning. Indirectly, the USA's absorption of Caribbean nurses helps solve Fidel Castro's balance of payment problems."

Se não há procura para gente com mais qualificações ...   A sério, procurem "caridadezinha" aqui no blogue.

Quando o quotidiano assume o comando ... (parte III)

Parte I e parte II.

"Big company CEOs get paid ridiculous amounts of money, but the good ones also do something that most of us avoid.

They make decisions.

In fact, that’s pretty much the core of the job. Whether to shut a plant, open a store, create a division, invest in a new technology…

That’s the part that creates the most value.

When we go to work, most of us simply go to work. We do our jobs, respond to the incoming, hone our craft, make some sales.

The decisions get put off or ignored altogether.

And yet it’s the strategic decisions that can change the arc of our career and our job satisfaction as well.

Here’s a simple list of questions: What are the five big decisions on your desk right now? Would others in your position have a different list? How much of your day is spent learning what you need to know to make those decisions? And can you make them all by Tuesday?"

Trecho retirado de "The CEO of you"

terça-feira, novembro 23, 2021

Coerência e ambiente (parte III)

Parte I e parte II.

Na parte I escrevi:

"Outra incoerência é a de muitas empresas com grandes tiradas sobre o ambiente, mas que não vêem o quanto essas tiradas minam o modelo de negócio em que assentam. Recordo do Verão de 2019 a conversa da Inditex... Como é que o fast-fashion pode ser amigo do ambiente?

Curiosidade do dia

Are you prepared to walk the talk?"

Conjugar com "Why Fast Fashion Has to Slow Down":

"Speed was a big part of the revolution, but so too was low cost and expendability. As quickly as fashionistas acquired new looks fed in part by Zara's production of a new collection every week, or 20,000 new designs each year they were also tossing out the old. Why launder clothes when they're so cheap to replace? On average, fast fashion customers discarded inexpensive dresses, shirts, and pants after wearing them as few as seven times. A limited shelf life was part of the allure.

...

The Take, Make, and Waste of Fast Fashion

Not surprisingly, the fast fashion model takes a heavy toll on the planet and its people. The textile industry is responsible for 20% of all industrial water pollution and 10% of carbon emissions. Extracting the needed resources comes at tremendous cost.

...

Zara appears to have recognized the downside of fast fashion and is trying to jump on the sustainability bandwagon: In 2019, it announced that by 2025, 100% of its fabrics would be organic, sustainable, or recycled.

While admirable, this won’t fix the problem. Even if Zara’s textiles are made from “sustainable” sources, the company is catering to an insatiable market searching for the newest trends. The sources of supply aren’t the problem. It’s the waste created in the constant extraction, manufacture, and disposal of materials that are suffocating the planet."

segunda-feira, novembro 22, 2021

"Competition is for Losers"

Enquanto uso a terminologia "concorrência imperfeita" Peter Thiel usa a palavra "monopólio". A palavra monopólio está muito associada a protecção legal do governo de turno ou a cronyismo. No entanto, lá em cima no título do blogue uso "Promotor da concorrência imperfeita e dos monopólios informais", e ao longo dos anos tenho usado a palavra. Por exemplo, "Construir monopólios informais".

Neste vídeo Peter Thiel tem várias expressões que merecem reflexão:

domingo, novembro 21, 2021

"também eu sou vítima de ideologias" (parte II)

Parte I.

O que escrevi aqui no blogue em Novembro de 2009:

"Há anos, fiz uns trabalhos para empresas produtoras de materiais para a construção situadas no centro do país. Assim que abriu a A24 abriu-se, naturalmente um novo campo de combate, um novo mercado... Vila real e Chaves. Como os produtos de que estamos a falar eram/são commodities o efeito da escala tornava as pequenas fábricas dessa zona presas fáceis para os predadores habituados a mercados mais competitivos e com uma dimensão várias vezes superior.

Portanto, os autarcas que se regozijam com a abertura de auto-estradas em Trás-os-montes e Alto Douro são como os jogadores de bilhar amador, só vêem a próxima jogada, não vêem as consequências das jogadas seguintes... mais desemprego na indústria local e mais desertificação."

O que escreve Reinert?

"One key feature of technological change during the last century has been the decrease of this transport resistance - sometimes called `the death of distance'. This has clearly made catching up - getting the national economies into increasing return activities - in peripheral countries more difficult."

Na semana passada escrevi em "Cínico":

"Quando me vierem falar de inovação e Indústria 4.0, por favor, foquem-se numa coisa apenas: a margem cresce, sim ou não? E se cresce, como ou porque cresce? E claro, quanto cresce?

...

Há aqui alguma coisa que ajude a aumentar preços?"

O que escreve Reinert?

"Innovations are generally divided into two categories. Microsoft products provide product innovations, produced under huge increasing returns, huge barriers to entry, huge profits, and an ability to pay very high wages. This same innovation hits the hotel industry in Venice as a process innovation, affecting how people book hotels. More perfect information available on the net increases price competition among hotels in Venice and puts pressure on profit margins and the ability to pay high wages. The same process innovation in the airline industry produces similar results. While IT increases wages around Microsoft's headquarters, the same technology puts downward pressures on the wages of air hostesses in Europe.[Moi ici: É a diferença entre trabalhar o numerador ou o denominador, seguir o Evangelho do Valor. É a diferença entre a treta e a realidade]

Although it is well known in innovation economics that product innovations and process innovations often have different effects on employment, not enough emphasis has been given to the fact that innovations may actually reduce value added in certain industries and geographic areas."


sábado, novembro 20, 2021

Quando o quotidiano assume o comando ... (parte II)

Uma forma colorida de descrever "Quando o quotidiano assume o comando ...

"Swinging into action without doing a proper, disciplined analysis is like starting to cook without knowing who is coming to your dinner party or without planning the menu. That’s how many companies do strategy: They start doing without analyzing, thinking, and planning. When you do that, you lack discipline and focus, which usually means that you go after any opportunity that presents itself.

I call that “chasing after squirrels”: Ah, there’s a squirrel! Let’s go after it! Oops, there’s another that looks better. Let’s go after that one! Wait, look over there, that one looks even better!

Another common trap with the “just do it” approach is that business leaders can get so focused on improving “what is” (the current business model), that they fail to take action to “create what will be” (to address industry changes and build capabilities for the future)."

Trecho retirado de "Strategic Projects | How to Choose Your Big Rocks

sexta-feira, novembro 19, 2021

"também eu sou vítima de ideologias"

Ontem, enquanto regressava de Felgueiras ouvia o podcast do programa “E o Resto é História” 

Rui Ramos falava sobre Dostoyevsky. Na A11, a começar a subida para a saída de Caíde, reparo num ninho de vespas asiáticas e começo a recordar algo que supostamente Dostoyevsky terá escrito numa carta a uma benfeitora. 

"Entre Cristo e a verdade, eu prefiro Cristo."

O meu eu cristão com 20 anos teria ficado horrorizado com esta frase. O meu eu cristão com mais de 50 anos quando leu a frase sorriu e solidarizou-se com ela. Os dias que correm são dias que ilustram o quanto Dostoyevsky tinha razão. Basta recordar o discurso sobre as vacinas anti-covid há 2 meses e o mesmo discurso agora. Ou recordar a frase de Joaquim Aguiar sobre Mário Soares: "Ele não mentia, tinha era verdades sucessivas."

Tanta gente cheia de certezas, tão célere a classificar como negacionista quem tem dúvidas, quem sabe que a ciência tem o erro alfa e o erro beta, que a ciência é feita por humanos.

Como refiro aqui também eu sou vítima de ideologias. Sei o que proclama o lado onde me incluo, mas algo a medo, nos diálogos comigo mesmo sempre aflorou o que agora vejo escarrapachado por Reinert em em "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor".

Reparem, há quanto anos escrevi aqui no blogue sobre a decapitação da nata da indústria tuga. Por exemplo em Junho de 2013:

"A economia de bens transaccionáveis portuguesa foi decapitada a dois tempos. Primeiro, com a entrada na CEE, as empresas que mais sofreram foram as que pertenciam à nossa "nata", as que não competiam pelo preço mais baixo e tinham algumas preocupações de qualidade e design, incapazes de competir de rajada com o choque europeu. Segundo, a entrada da China, veio dar um golpe às que competiam pelo preço mais baixo."

Reparem o que Reinert escreve:

"An extension of this is what I have referred to as the Vanek-Reinert effect, or the winner-killing effect of international trade. When, following a situation of relative autarky, free trade suddenly opens up between a relatively advanced and a relatively backward nation, the most advanced and knowledge-intensive industry in the least advanced country will tend to die out. The most advanced sectors are the ones most subject to increasing returns and consequently the most sensitive to the drop in volume caused by sudden competition from abroad"

Depois, sobre o sucesso do low-cost, escrevi em Novembro de 2019:

"num mundo como o nosso, o que é verdade hoje, é mentira amanhã. Lembram-se do dinheiro que entrou na indústria no tempo de Cavaco Silva e fez de Portugal a china da Europa antes de haver China? Foi mal aplicado? Não! Foi aplicado no que fazia sentido naquele tempo, chegamos a menos de 4% de desemprego em Janeiro de 1992. Quando a verdadeira China entrou em jogo... tudo o que foi construído ruiu como um baralho de cartas."

Reparem o que Reinert escreve:

"As international value chains become `chopped up' through outsourcing, the most advanced nations specialize in capital- and innovation-intensive goods, where scale and increasing returns are key elements. The less advanced countries come to specialize in maquila-type (assembly plant) low-technology goods, bereft of scale effects at the assembly stage. A frequent effect of this is that free trade destroys more than it contributes in terms of national wealth. As an example, Mexican real wages dropped drastically as the NAFTA agreement slowly decimated traditional `complete industries' while increasing the simple assembly (maquila) activities. The increasing returns industries died out in order to give birth to constant return activities, thus `primitivizing' the national production system. Thus we experience cases of `destructive destruction' - destruction where no regenerative activities take place."

É interessante ler Reinert a descrever factos sobre a evolução económica do México com o acordo NAFTA, ou da Mongólia com a liberalização das fronteiras.

quinta-feira, novembro 18, 2021

Se não fosse triste, era cómico!!!

Imaginem estar a falar com um patrão do século XX, do mais reaccionário que consigam imaginar, pode mesmo ser um patrão mitológico que só existe nos livros de contos de terror de uma qualquer central sindical.

E vocês perguntam:
- Então, como vai a produtividade da empresa?

E vem a resposta, um rosário de queixas:
- Não me fale disso!!! Malandros dos meus trabalhadores, são uns molengas! Perdem tanto tempo no café, trabalham devagar, faltam muito. Enfim!!!

O que é que você, leitor, pensa de um discurso destes? Concorda? Discorda?

Guarde a resposta para si e leia este título "Precisamos de produzir mais? É hora de trabalharmos menos". Ui! Este artigo é um espectáculo!!!
"Acredito que pequenas mudanças nas rotinas do tecido empresarial português seriam importantes para aumentar a produtividade (e, por inerência, os salários e os lucros), mas sejamos sinceros e deixemo-nos de visões utópicas. Alguém acredita que, sem incentivos, um trabalhador diminuísse o tempo e frequência da pausa do café e/ou para fumar? Ou que, durante o período normal de trabalho, passe a resistir às interrupções a que as redes sociais “obrigam” com as constantes notificações? 

Portanto, das duas, uma: ou o incentivo para melhorar os níveis de produtividade é monetário ou é ao nível do “salário emocional”." [Moi ici: A minha interpretação do que o autor está a comunicar é - a produtividade é baixa porque os trabalhadores perdem tempo na pausa do café e/ou para fumar, ou a escrever no FB. E mais, são uns autênticos mercenários, só melhoram a produtividade se forem incentivados a isso. Pode não ser numa linguagem à bruta, ao estilo do patrão mitológico, mas é o mesmo racional]

"...

Não restam dúvidas que um aumento retributivo (v.g. em função da produtividade) seria um incentivo decisivo para um trabalhador produzir mais.

...

Bom, falemos agora do “elefante na sala”. Já há muito tempo que múltiplos diagnósticos de uma miríade de especialistas identificaram o principal problema do nosso país: a produtividade.

Os dados da OCDE mostram que o país está entre os que têm uma média de horas trabalhadas por ano mais elevada, mas fica no fundo da tabela no que toca ao valor do produto interno bruto (PIB) por hora trabalhada. [Moi ici: Verdade. Mas agora preparem-se para a solução do autor]

Verifiquemos, portanto, os números, porque, esses, não mentem!

Por cada hora que trabalhamos em Portugal produzimos, em média, cerca de trinta euros. No Luxemburgo, por cada hora que se trabalha — e trabalha-se bem menos horas do que por cá — produz-se mais de oitenta euros (logo, mais do dobro e quase o triplo…). E se dúvidas ainda restam, a diferença de produtividade entre os mais e os menos “trabalhadores” é tão notória que um trabalhador luxemburguês que pare de trabalhar à quinta-feira à hora de almoço já produziu mais que um trabalhador português que cumpre uma semana inteira de trabalho. [Moi ici: Faz lembrar as contas de Vasconcellos em 2007 - "Se os nossos compatriotas viessem a Portugal fazer o nosso trabalho, entravam em fim-de-semana às 17 horas de terça-feira ou em férias anuais a 15 de Maio até 2 de Janeiro." Se as pessoas percebessem o absurdo do que escrevem... Vasconcellos dizia que os portugueses no Luxemburgo se viessem a Portugal fazer o trabalho dos portugueses em Portugal entravam em fim de semana às 17h de terça-feira. Este autor não expõe o seu erro de forma tão clara quanto Vasconcellos, mas comete o mesmo erro. Falaremos dele adiante]"

...

O facto de trabalhar menos horas permitir, em tese, aumentar a produtividade é, para mim, a pedra de toque. É uma relação direta e que não levanta dúvidas aos especialistas. Nessa sequência, só posso acreditar que testar a redução dos horários de trabalho, seja através da semana de quatro dias ou da diminuição de horas de trabalho diárias, poderia realmente mostrar-se um remédio eficaz para a produtividade. [Moi ici: Aqui é o momento em que eu perco o controlo e escrevo - quem é este tótó? Acham mesmo que trabalhar menos horas é um remédio eficaz para a produtividade? Vamos a números. Olhando para esta tabela e para este gráfico o autor acha que o remédio eficaz para a produtividade é trabalhar menos horas? Isto é tão absurdo, tão absurdo... eu se fosse empresário ou gestor e tivesse um caramelo de um escritório de advogados a fazer-me uma proposta destas... contaria até 10. Sorriria com educação e diria que surgiu um imprevisto e tinha de terminar a reunião por causa de uma urgência. Depois, trataria de nunca mais receber a pessoa ou o seu empregador]"

Qual o erro do autor e de Vasconcellos?


O autor compara maçãs com laranjas. O autor comete o erro de trabalhar abstractamente com euros por hora e assumir que o que cada um produz é indiferente. Engraçado, Reinert, acha que esse é o pecado capital de David Ricardo. Um trabalhador português-tipo não produz o mesmo que um trabalhador luxemburguês-tipo. O que as nossas unidades produtivas aqui e as do Luxemburgo produzem são diferentes.

Um trabalhador numa fábrica de medicamentos genéricos muito maduros, mesmo que trabalhe mais horas, não tem a mesma produtividade de um trabalhador numa fábrica de medicamentos patenteados.

Um "mechanical turk" a trabalhar na tradução de folhas por X cêntimos, mesmo que trabalhe mais horas, não tem a mesma produtividade que um escritor de crónicas pagas.

E volto ao artigo de 2011 que citei ontem:

"Quando as pessoas falam da produtividade partem sempre do princípio que o que se produz se mantém constante ao longo do tempo... a produtividade é vista como uma medida de eficiência porque:

Porque se assume que a qualidade das saídas se mantém constante ao longo do tempo... mas o que é que acontece, num mundo em que a oferta é maior do que a procura, se a qualidade (qualidade aqui não é ausência de defeitos, é muito mais do que isso) se mantém constante? O preço baixa por causa da concorrência. Os clientes migram para concorrentes mais baratos ou para concorrentes com uma oferta superior em qualidade."

O problema de Vasconcellos e deste autor é focar a artilharia para aumentar a produtividade no trabalhador... trabalhador não decide o que produzir. Se o trabalhador for menos preguiçoso, ou estiver mais motivado consegue passar aquela produtividade de 30 para 30,5 €/hora. Peaners!!! Tenho de ser cínico outra vez

Esforço de produtividade que não se traduza em aumento do preço de venda é ... peaners!!!


Querem saber qual é o artigo e onde foi publicado? Já não sei se vale a pena renovar a assinatura do ECO...

Muito blahblahblah acerca da produtividade

Muito blahblahblah acerca da produtividade.

Olhemos para os números (fonte):
Talvez um gráfico, do qual retirei a Bulgária, seja mais comunicativo:


Impressionante, uma Premiere Ligue lá em cima. Depois, o país que estava à frente na liga II já foi ultrapassado por 5 países e prepara-se para ser ultrapassado por mais 2. Impressionante o desempenho da Roménia.

Actualmente estamos toldados pela ideologia. Reinert em "The Visionary Realism of German Economics: From the Thirty Years' War to the Cold War" conta como os economistas do século XVI e XVII operavam, como eram empíricos, como eram colectores de impostos, punham os resultados à frente das ideias pré-concebidas. Iam a Veneza, iam a Delft e viam a riqueza e lançavam ideias do porquê.

Esqueçam a ideologia, olhem para o desempenho da Roménia... o que ocorreu, o que está a ocorrer?

quarta-feira, novembro 17, 2021

Por alguma razão Cortez queimou os barcos...

Ontem de manhã, enquanto conduzia a caminho de Guimarães, ouvia nas rádios falar-se da produtividade e do salário mínimo. Tantas generalidades... até me arrepiei. Até me lembrei de uma das cenas mais anedóticas deste blogue, a superior produtividade portuguesa no Luxemburgo, segundo um embaixador do Luxemburgo em Portugal é motivada pela saudade. A sério, não estou a brincar.

Uma das perguntas que não obteve resposta foi: porque é que o salário mínimo e o salário médio estão a convergir?

Primeiro, um exemplo do calçado. O preço médio do calçado exportado em 2020 foi de 27,80 USD. Conheço algumas empresas com um preço médio do calçado que produzem e exportam na casa dos 52 USD. As empresas que vendem a 52 USD pagam salários mais ou menos iguais às que exportam a 27,80 USD. As empresas pagam o que o mercado está a pedir e o que o mercado pede é o que a média das empresas do sector consegue pagar. É uma espécie de lei inversa da que se passa quando um nigeriano, motorista de autocarro, emigra para a Noruega para conduzir autocarros. faz exactamente a mesmo coisa, mas por causa do contexto diferente, passa a ganhar cerca de 16 vezes mais do que na Nigéria. Enquanto não se deixarem morrer as empresas menos produtivas não sairemos da cepa torta.

Toda a gente pensa que a diferença de produtividades entre Portugal e a Europa Ocidental tem a ver com eficiência ... come on!!! A diferença resulta de se produzirem coisas diferentes. Recordar "Acerca da produtividade, mais uma vez (parte I)"

Em The "flying geese" model, ou deixem as empresas morrer!!! apresentei a figura:

Reparem como a evolução em cada país se dá quando o grosso do capital e dos trabalhadores avança para outro sector, capaz de suportar margens superiores. Reparem como a evolução não é de vestuário low-cost para vestuário high-price. Ela existe, mas é marginal (recordar a não-bruxaria de ontem). Eu, como consultor, a trabalhar com uma empresa individual que não tem de salvar o país, que tem de fazer pela sua vida, posso apoiar o processo de descoberta e construção que permite que uma empresa tradicional continue num sector tradicional, como o denim japonês, o mais caro do mundo, com margens superiores. No entanto, isso não é escalável para todo um sector. 

Verdade, algumas empresas conseguem fazê-lo, a fabricante de botas de borracha acabou a fazer telemóveis da marca Nokia, ou a Wartsila que começou como uma serração, mas são as excepções à regra. Pela enésima vez vou colocar aqui o que aprendi com Maliranta talvez em 2007, é a primeira citação na coluna de citações à direita do blogue:
""It is widely believed that restructuring has boosted productivity by displacing low-skilled workers and creating jobs for the high skilled."Mas, e como isto é profundo: "In essence, creative destruction means that low productivity plants are displaced by high productivity plants." Por favor voltar a trás e reler esta última afirmação."
Moisés disse ao faraó: Deixa o meu povo partir!
Eu prego no deserto: Deixem as empresas morrer!

Ontem, neste artigo "To Understand The Future Of Diversification, Compare Microsoft And IBM" sublinhei o seguinte trecho:
"IBM is shedding IT services, once a cornerstone of its 1990s recovery.
...
IBM’s IT service business is labor intensive. It has 90,000 employees generating sales of $19 billion, which translates into just over $200,000 per employee. On average even Wal-Mart staff bring in more money. Once the spin-off is completed, IBM can concentrate on higher margin cloud software and solutions.
...
The value creation lens makes it obvious that the IBM spin-off—similar to the other headline grabbing announcements—is fundamentally a decision to move out of an unattractive position. In 2016 Microsoft actually did the same when shutting down the phone hardware business it previously bought from Nokia."
O mesmo artigo refere que a Johnson & Johnson também pretende avançar com um spin-off. Interessante, este blogue tem registado uma década nada abonatória nessa empresa. Recordo "Dá que pensar..." como o exemplo das empresas que abandonam a inovação e se concentram na eficiência operacional, o tal fenómeno do hollowing.

Quando não se tem tempo, nem massa cinzenta para pensar o futuro, e o quotidiano manda ... não se fazem spin-offs, não se fazem escolhas mais ou menos dolorosas ... Ah! Recuar 20 anos e ouvir este, hoje "angolano", director técnico perguntar: "Qual é o truque, qual é o segredo?"



Recordar Terry Hill e o Verão de 2008:
"the most important orders are the ones to which a company says 'no'."

 Como é que está lá em cima?

"Once the spin-off is completed, IBM can concentrate on higher margin cloud software and solutions."

Quando não se corta com os produtos do passado, não há foco suficiente no futuro. Por alguma razão Cortez queimou os barcos... 

Querer aumentar a produtividade, ao mesmo tempo que se apoiam as empresas com baixa produtividade... não vai dar em nada.

Agora imaginem a empresa que estando bem, resolve fazer o que a IBM vai fazer, concentrar-se em produtos de margens mais elevadas. Como não existe mercado para comprar a parte "clássica" da empresa, a empresa teria de encolher. Imaginem as manifestações contra uma malvada empresa que estando bem, resolve cortar postos de trabalho e abandonar bons clientes para poder aumentar a produtividade...

terça-feira, novembro 16, 2021

Bruxaria? Não!

Ler Reinert, percebo-o agora como um promotor da concorrência imperfeita, é encontrar em cada página ligações para o que aqui fui escrevendo ao longo dos anos. Por exemplo, acerca da Fase IV no calçado, ou no têxtil, ou no mobiliário, escrevi:

"Vamos entrar numa Fase 4

O número de empresas vai voltar a diminuir

A quantidade de pares produzidos vai voltar a diminuir

O número de trabalhadores vai voltar a diminuir

O preço médio por par vai novamente dar um salto importante."

Bruxaria? Não, é a única hipótese do sector sobreviver no médio prazo. Entretanto, Reinert em "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor" escreve:

"Innovations, rather than savings and capital per se, drive welfare forwards. From both sides of the political spectrum, Karl Marx and Joseph Schumpeter agree on the sterility of capital alone as a source of wealth. The world economy functions a bit like Alice in Wonderland, where one of the strange characters tells Alice: `This is how fast you have to run here in order to stand still.' In the global economy only constant innovations sustain welfare. Resting on their laurels as the world's leading constructors of sailing ships could only last until the steamship took over, when wages and employment would inevitably collapse. Schumpeter's metaphor is that capitalism is like a hotel where there is always someone living on the luxury floors, but these occupants are always changing. [Moi ici: Num país de zombies esta rotação é pequena e tem consequências em termos de produtividade] The world's best producer of kerosene lamps soon became poor with the advent of electricity. The status quo leads inevitably to poverty. This is precisely what makes the capitalist system so dynamic, but this mechanism also contributes to creating huge differences between rich and poor countries. The more one understands these dynamics, however, the more one can do to help developing nations out of their poverty.”

Agora esta série de gráficos:


segunda-feira, novembro 15, 2021

The "flying geese" model, ou deixem as empresas morrer!!!

No início deste ano ao ler "Windows of Opportunity: How Nations Make Wealth" vi este esquema que reproduzi neste postal:

Há dias, ao continuar a leitura de "How Rich Countries Got Rich and Why Poor Countries Stay Poor" de Erik S. Reinert voltei a encontrar a mesma imagem.

Tudo começa com:

"Figure 8 shows productivity development for a standard pair of men's shoes in the United States between 1850 and 1936. In 1850 15.5 work hours were required to produce a pair of standard men's shoes. Then a productivity explosion took place in shoe production, and rapid mechanization made it possible to employ only 1.7 labour hours to produce an identical pair of shoes fifty years later, in 1900. St Louis, Missouri, in this period became one of the wealthiest cities in the USA, based on production of shoes and beer: `First in shoes and beer, last in baseball' was the saying about the city that showed the world its wealth when hosting both the Olympic Games and a world fair in 1904. After 1900 the learning curve for shoes flattened out. In 1923 1.1 working hours were needed to produce the same pair of men's shoes. In 1936 0.9 hours were needed. As the learning curves flattened out, pressure on wages increased, and gradually shoe production was moved to poorer regions. The USA was an exporter of shoes for a long time, now the country imports practically all its shoes. This phenomenon - that rich countries export where there is great technological development, and import where there is little technological development - is related to what in the 1970s was dubbed the product life cycle in international trade by two Harvard business school professors who described the phenomenon, Raymond Vernon (1913-99) and Louis T. Wells.

...

When a poor country gradually takes over shoe production, it will be close to impossible to increase the standard of living. This production is left to the poor countries, essentially because there is no more learning to be squeezed from the production process.

...

Only when the learning curves and the experience curves flatten out and knowledge gets into the public domain can poor countries compete, and then competition is based on their low wages and relative poverty.

...

Situations exist, however, where the dynamics described in the learning curves can be used for making poor countries rich, by upgrading them technologically in sequence. This model was named flying geese by the Japanese economist Kaname Akamatsu in the 1930s (see Figure 9) [Moi ici: A figura lá de cima]. Another Japanese economist and later Minister of Foreign Affairs in the 1980s, Saburo Okita, followed the `flying geese' model and theorized that a poor country is able to upgrade its technology by jumping from one product to another with increasing knowledge content. The first flying goose, in this case Japan, breaks the air resistance for the next ones, so gradually all of them can sequentially benefit from the same technological change. For example, many years ago Japan produced inexpensive garments, [Moi ici: Recordo sempre um filme de 1944, "A pricesa e o pirata" com Bob Hope. O filme passa-se no século XVIII, Bob Hope era um pirata a lutar contra outros piratas. Defendia-se com um gancho. Um pirata com um simples toque da espada deu cabo do gancho. A cena como que pára, Bob Hope olha para o gancho e lê "Made in Japan". Então exclama algo como, "não se pode confiar nestes produtos"] achieving productivity increases which boosted the standard of living ('collusive mode') so much that a relatively unsophisticated product like a garment could no longer be produced profitably there. [Mo ici: Percebem o significado deste último sublinhado? E volto ao Maliranta, a Taleb e ao exemplo do Jorge Marrão e à entrevista de Paulo Rangel referida aqui. Acham que um político de direita ou de esquerda tem a coragem de enunciar o meu conselho de Dezembro de 2018, "Deixem as empresas morrer!". Acreditar que a empresa média consegue dar o salto na escala de produtividade... só uma minoria o faz, a maioria aproveita os apoios para prolongar o modelo de negócio actual. Como não recordar Spender] Production was taken over by South Korea, while Japan gradually upgraded its manufacturing to something more sophisticated, like TV production. When South Korea upgraded, garments were then for a while produced in Taiwan, until the same thing happened there; production costs grew too high. Production then moved to Thailand and Malaysia, and history repeated itself. Finally, production of garments was moved to Vietnam. In the meantime, however, a whole row of countries had used garment production to raise their standard of living; they had all surfed sequentially down the same learning curve, and all had become richer. Of course, this game requires that the head goose continuously gets involved in new technologies."

É o velho tema do primeiro princípio de Deming, "Constância de propósito" e volto a 2009 e a Maio passado. Hoje, no JdN Francisco Assis discorre naturalmente sobre a necessidade de aumentar o salário mínimo e de ... apoiar as empresas que não o possam pagar. Acham isto normal?

domingo, novembro 14, 2021

Iludir com retórica

Trechos de entrevista de Paulo Rangel no semanário Expresso deste Sábado.

"P - O salário mínimo deve subir? Faz-lhe sentido o que está previsto por António Costa de subida até €850 em 2025?

R - Eu sou favorável a uma subida sensível do salário mínimo.

P - Sensível é quanto?

R - Uma subida significativa. Não por uma razão puramente social. O modelo de crescimento e desenvolvimento das empress portuguesas não pode assentar nos salários baixos. Já experimentámos isso e fomos ultrapassados por cinco países que tinham economias muito abaixo das nossas há 15 anos e agora deram saltos enormes. Isso pode implicar, aqui ou ali, acertos em alguns sectores onde isto pode ser mais problemático. Claro que não pode ser uma subida abrupta, sob pena de se criarem ruturas na economia. Sabemos que o nosso grande problema não será o salário mínimo, será depois a proximidade cada vez maior entre salário médio e salário mínimo, [Moi ici: sensível = significativa = não abrupta. Conversa de gente de Direito. Iludir com retórica. Fugir da transparência e clareza. Tem de perceber a mensagem de Maliranta e de Jorge Marrão. Só que isso tem um custo doloroso. Mais desemprego. Só uma fracção das empresas consegue subir na escala de valor, a maioria desaparece ou segue a via de Odemira, cá ou como em Itália]

P - Como é que se aumenta o salário médio?

R - Só se aumenta o salário com aumento da produtividade, e só se aumenta a produtividade com a mudança das condições da economia. E isso significa, em primeiro lugar, um alívio fiscal. [Moi ici: Alívio fiscal para quem? Para todos ou para o investimento estrangeiro, ao estilo do governo actual com inferno fiscal para os portugueses e paraíso fiscal para quem vem de fora? Sim, eu concordo com qualquer alívio fiscal, igual para todos, mas para captar investimento estrangeiro. Mais alivio fiscal para quem já cá está significa mais rendimento, e mais rendimento significa a validação do modelo actual e um sinal para a não necessidade de mudar. Again, nature evolves from constraints, not towards goals]

P - Reduzir impostos?

R - Significa reduzir impostos. Mas claro que sabemos que, com a dívida que temos, não pode haver um choque fiscal como seria talvez necessário para dar um grande impulso à economia. Mas pode ser uma política sustentada de redução fiscal. Vou dar o exemplo do IRC: foi António Costa quem, ainda na oposição, acabou com o acordo que existia para baixar o IRC até aos 17%. E hoje até temos uma ajuda, há um acordo internacional para que o IRC fique em termos globais num patamar mínimo de 15%. Podemos ser bastante competitivos para atrairmos investimento." [Moi ici: O meu lado optimista interpreta isto como - tornar o país atractivo para o investimento estrangeiro]

 

sábado, novembro 13, 2021

O cínico

Um daqueles postais que custam clientes...

Não consigo segurar-me, o cinismo toma conta de mim e não consigo pará-lo.

Inovação, Indústria 4.0, fábrica do futuro, plataformas colaborativas, workflow, soluções inteligentes, ...

Cut the chase, vamos ao essencial:

Quando me vierem falar de inovação e Indústria 4.0, por favor, foquem-se numa coisa apenas: a margem cresce, sim ou não? E se cresce, como ou porque cresce? E claro, quanto cresce?

A margem cresce quando:
  • o cliente está disposto a pagar mais pelo produto, aumento do preço de venda (Marn e Rosiello mostraram o quão poderoso é este aumento)
  • o custo final baixa, a inovação permite reduzir os custos de fabrico, sem pôr em causa a qualidade, sem prejudicar o desempenho do produto final (Marn e Rosiello mostraram a limitação deste tipo de poupança, embora seja benvinda)
O que li:
"Sempre na linha da frente da produção de calçado, a XXXX com a força do digital e da tecnologia desenvolveu um projecto onde casou a manufactura tradicional com o conhecimento tornando-se exemplo de aplicação do conceito de indústria 4.0.
...
YYYY revelou que sentia “uma certa vaidade” por mostrar soluções que eram o resultado prático dos problemas do dia-a-dia que uma empresa industrial e de manufactura encontram.

Uma dessa soluções foi encontrada, em plena pandemia, em que o processo de consultar e mudar fichas, em papel, de instruções de fabrico, foi substituída por um tablet, eliminando um potencial foco de contaminação e infecção pela utilização do dedo e da saliva, dos trabalhadores envolvidos. 
...
Todas estas novidades, foram reformas assumidas no sector o que aumentou a produtividade das empresas
...
No que toca ao digital, o ZZZ permitiu uma maior utilização de tecnologias que serviram o processo de fabrico, ajudaram à desburocratização de processos, e ajudaram ao desenvolvimento de plataformas de e-commerce.

Também, uma aplicação – IIOT – que permite ligar sensores a máquinas e a sistemas de informação e o armazenamento de dados na nuvem, fez com que se construísse um sistema ciber-físico com vantagens em todo o processo de fabrico do calçado."

Já chega...

Há aqui alguma coisa que ajude a aumentar preços?

"o que aumentou a produtividade das empresas" em quanto, fizeram contas? Apresentaram números? Por que é que o jornal não os publicou?

Como não recordar a minha última conversa oxigenadora...

Seria interessante daqui a seis meses uma visita para confirmar que este tipo de "inovações" continuam a ser utilizadas.

"uma aplicação – IIOT – que permite ligar sensores a máquinas e a sistemas de informação e o armazenamento de dados na nuvem" e depois, quem analisa e trabalha esses dados? 

Ainda esta semana comentava numa empresa de calçado que há 30 anos, quando comecei a trabalhar como consultor, as empresas contratavam alguém para a função da qualidade quando decidiam avançar para a implementação de um sistema da qualidade. Agora, quase nenhuma o faz. Resposta: temos de ter estruturas leves porque sofremos muito na primeira década deste século e não queremos voltar a cometer o mesmo erro. Sorri, lembrei-me do engenheiro H. perdido numa linha de montagem, porque quem não trabalhava na linha era malandro.

Para terminar com um tom mais optimista. Quando me vierem falar em inovação no calçado, falem-me em "é meter código nisso".



sexta-feira, novembro 12, 2021

The empty hospital - Yes Minister - BBC comedy