A geração do Maio de 68 a trucidar os novos em nome dos direitos adquiridos.
Bison threw the young member of its herd to the wolves so he could escape 😭 pic.twitter.com/kF8s28tIzj
— Redd (@ReddCinema) July 6, 2026
A geração do Maio de 68 a trucidar os novos em nome dos direitos adquiridos.
Bison threw the young member of its herd to the wolves so he could escape 😭 pic.twitter.com/kF8s28tIzj
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A propósito desta frase:
"China fue probablemente la mayor fuerza desinflacionaria de la economía mundial en las dos primeras décadas del siglo XXI."
Normalmente, pensamos em China e relacionamos com preços baixos. O que poucos fazem é pensar em China e relacionar com duas décadas de salários industriais estagnados na Europa e não só.
A força desinflacionária da China não se limitou aos preços. Actuou também no poder de negociação dos trabalhadores industriais europeus.
A entrada da China na economia mundial trouxe milhões de trabalhadores para o mercado global da manufactura. O efeito imediato foi simples: bens industriais mais baratos. Roupa, electrónica, brinquedos, componentes, máquinas, produtos intermédios. Isto ajudou a manter a inflação baixa no Ocidente. Para o consumidor europeu, parecia uma boa notícia: mais produtos, preços mais baixos, maior variedade. No entanto, havia o outro lado.
A mesma pressão que baixava os preços também dizia às fábricas europeias: "ou reduzes custos, ou alguém produz mais barato noutro sítio". E "custos" significava muitas vezes salários, emprego, condições, margens industriais e investimento local. Assim, a China não foi apenas uma força desinflacionária no cabaz de compras. Foi também uma força disciplinadora dos salários industriais.
O mecanismo foi este:
Interessante como isto foi feito a 2 níveis. Primeiro, foi no segmento industrial mais baixo onde operavam, por exemplo, as fábricas portuguesas. Agora, temos exactamente o mesmo a acontecer no segmento médio-alto onde operam as fábricas alemãs.
1. Concorrência de produtos mais baratos
As empresas europeias passaram a competir com importações chinesas de baixo custo. Muitas perderam quota de mercado. Outras sobreviveram comprimindo as margens, automatizando, despedindo ou deslocando a produção.
2. Deslocalização e ameaça de deslocalização
Mesmo quando a fábrica não fechava, a ameaça ficava sobre a mesa. O trabalhador ou o sindicato que pedia aumentos ouvia, explicitamente ou não, "os nossos clientes têm alternativas". A China tornou-se uma espécie de “concorrente invisível” nas negociações salariais europeias.
3. Enfraquecimento do trabalhador industrial
O operário industrial europeu do pós-guerra tinha força porque trabalhava em sectores centrais, produtivos, sindicalizados e territorialmente enraizados. Com a globalização, essa posição enfraqueceu. O capital ganhou mobilidade; o trabalhador ficou preso ao território.
4. Substituição do emprego industrial por emprego de menor poder salarial
Quando se perde emprego industrial, nem sempre se fica sem trabalho para sempre. Muitas vezes há transição para serviços, logística, comércio, segurança, plataformas, restauração ou trabalho administrativo de menor produtividade e menor poder negocial. O desemprego industrial é apenas a parte visível; a degradação salarial é a parte mais silenciosa.
5. Inflação baixa como anestesia social
Durante anos, a estagnação dos salários foi parcialmente disfarçada por bens importados baratos. O salário não subia muito, mas a televisão, a roupa ou o telemóvel ficavam mais acessíveis. Só que isto não resolvia a habitação, a saúde, a energia, a educação, a mobilidade ou a poupança. Ou seja: a China ajudou a baixar o preço de muitos bens transaccionáveis, mas não compensou a perda de segurança económica e de trajectória profissional.
Não foi a única causa. Houve também automação, euro, alargamento a Leste, políticas de austeridade, financeirização, enfraquecimento sindical e erros estratégicos europeus. Mas a China foi uma peça central porque aumentou brutalmente a oferta mundial de capacidade industrial barata.
Por isso, a desinflação chinesa teve uma dupla face. Para o consumidor europeu, foi uma bênção de curto prazo. Para muitas comunidades industriais, foi uma erosão lenta: menos fábricas, menos carreiras industriais, menos sindicatos fortes, menos salários de classe média, menos orgulho produtivo.
Enquanto o fogo de Verão alastra como manteiga em focinho de cão, os burocratas continuam a fazer o que melhor sabem, alimentar o monstro: "Alemania exige un recorte de 400.000 millones en el próximo presupuesto de la UE".
A Alemanha tem razão em desconfiar de mais impostos e de uma política industrial europeia demasiado dirigista; mas não basta cortar o orçamento da UE. É preciso libertar investimento, baixar custos de contexto, simplificar regulação, reduzir energia cara, facilitar capital de risco, permitir encerramentos quando são necessários e deixar nascer empresas novas.
A alternativa é uma Europa que tenta fabricar competitividade por despacho. E isso costuma produzir campeões de PowerPoint, não campeões industriais.
O funil de Deming mostra uma lição muito simples para qualquer PME: nem todos os desvios exigem uma intervenção.
Imagine uma pessoa a deixar cair uma bola através de um funil, tentando acertar num alvo. Mesmo quando o funil está bem posicionado, a bola não cai sempre no mesmo sítio. Há sempre alguma variação natural. O erro começa quando, após cada queda, alguém mexe no funil para "corrigir" o resultado anterior. Em vez de melhorar, o sistema fica mais instável.
Nas empresas acontece o mesmo. Um dia as vendas baixam, outro dia a produtividade sobe, outro dia há mais reclamações, outro dia há menos. Se a gestão reage a cada número isolado (muda o plano, pressiona equipas, altera regras, troca prioridades), pode estar apenas a aumentar o ruído. Deming chamou isto de "tampering": mexer no processo sem perceber se houve realmente uma mudança relevante.
A conclusão é importante: gerir bem não é reagir a tudo; é saber distinguir a variação normal dos sinais reais de mudança. Quando o processo está estável, a melhoria vem de trabalhar no sistema: método, formação, equipamentos, fornecedores, planeamento, informação, organização do trabalho. Não vem de culpar pessoas ou de corrigir cada resultado pontual.
Para uma PME, a mensagem prática é esta: antes de dar ordens, mudar procedimentos ou apertar com a equipa, olhe para os dados em contexto. Veja a tendência, compare vários períodos, procure padrões. Um ponto isolado pode ser apenas ruído. Um padrão consistente pode ser um sinal. A gestão melhora quando deixa de perseguir cada oscilação e passa a aprimorar o processo que gera os resultados.
"Last week it was revealed that the Treasury had scrapped numeracy tests from its graduate recruitment process in 2020, as there was "evidence of the test having an adverse impact on candidate diversity"....But Young need not have worried.His way of thinking - that cognitive elites are no more desirable than those based on birth, that inequality based on ability is no more desirable than that based on inheritance - is sadly deeply entrenched in Labour and indeed wider progressive thought. And the war on testing, in the name of widening opportunity, goes on relentlessly."
Será que, em nome da inclusão, estão a substituir critérios imperfeitos, mas visíveis, por mecanismos menos transparentes, que acabam por favorecer os mesmos de sempre?
Uma sociedade séria não escolhe entre mérito e inclusão; tenta preparar mais crianças para competir com mérito, mas nós gostamos de atalhos morais: se o exame é imperfeito, elimina-se o exame; se a exigência produz diferenças, suspeita-se da exigência; se a selecção formal incomoda, transfere-se a selecção para mecanismos invisíveis. O resultado é triste: em nome dos desfavorecidos, retiram-se critérios públicos e reforçam-se privilégios privados. A escada era imperfeita. Em vez de a alargar, desmonta-se. E depois admiram-se que continuem a subir os que já conheciam as traseiras do edifício.
Quando a selecção formal é abolida sem que se reduza a desigualdade real de preparação, a selecção tende a reaparecer por canais informais.
Trechos retirados de "British meritocracy is dead - killed in the name of inclusion" publicado no Sunday Telegraph de ontem.
Este artigo de EY merece reflexão, "Job cuts in industry continue despite slight increase in sales".
O desemprego industrial na Alemanha alastra como fogo de Verão:
E ainda:A Alemanha não está apenas a perder empregos industriais. Está a descobrir, dolorosamente, que uma parte do seu velho modelo deixou de funcionar. Energia barata vinda da Rússia, China como grande cliente, automóvel premium como locomotiva, Mittelstand exportador e segurança garantida pelos Estados Unidos. Durante décadas, isto pareceu uma máquina perfeita. Agora, a máquina range.
Um possível cenário será o de uma reindustrialização selectiva. A Alemanha aceita que nem toda a indústria merece ser salva. Fecha capacidade antiga, corta emprego em actividades maduras, desloca produção intensiva em energia ou mão-de-obra, e concentra recursos no que ainda pode dar vantagem: automação, engenharia avançada, química especializada, farmacêutica, equipamento eléctrico, defesa, software industrial e tecnologias críticas.
Isto não é decadência pura. É uma cura sem anestesia. Menos volume, talvez menos fábricas como as conhecemos, mas mais produtividade, mais capital por trabalhador, mais conhecimento incorporado. A Alemanha deixa de tentar defender cada posto de trabalho industrial e passa a tentar defender a sua posição nas partes nobres da cadeia de valor.
Portugal pode ganhar com isto, mas só se perceber que a oportunidade não está em ser barato. Está em ser fiável, rápido, competente, capaz de executar, capaz de receber produção deslocada, fornecedores industriais, centros de engenharia, automação, componentes eléctricos, metalomecânica fina e serviços industriais de maior valor. Pensando melhor, ... isto só se houvesse capital nacional. Assim, temos de esperar que o IDE possa escolher o país.
Quando o centro industrial europeu se reorganiza, há sempre trabalho que muda de sítio. A questão é saber se Portugal quer apanhar as sobras ou disputar uma posição na nova arquitectura. Porque a reindustrialização alemã, se acontecer, não será apenas alemã. Será uma recomposição da cadeia de valor europeia.
Eu penso que uma nação não é apenas um contrato administrativo. Não nasce do nada no dia em que alguém recebe um cartão de cidadão. Há língua, memória histórica, hábitos, referências comuns, instituições, símbolos, formas de confiança e expectativas partilhadas. A cultura nacional nunca é pura nem imóvel, mas também não é irrelevante.
Uma nação não é uma etnia fechada, nem uma sala de espera administrativa.
Recomendo a leitura de Mateus 22, 1-14. Foco nos versículos 11-14.
Uma nação liberal não é uma tribo étnica, nem uma religião colectiva, nem uma cultura congelada. Mas também não é apenas uma repartição pública que distribui direitos. A cidadania inclui direitos e deveres, mas precisa de uma veste nupcial: língua comum, lealdade às instituições, respeito pelas regras, memória partilhada e vontade real de pertencer. O convite pode ser amplo; a pertença não pode ser indiferente.
"The practice of strategy is the opposite of benchmarking. It is not analysis heavy. It is not linear. Hence it is unattractive for business bureaucrats who can’t be assured that they will produce an answer that they like."
Roger Martin in "Benchmarking is for Losers".
A estratégia obriga a escolher sem rede, a imaginar uma posição própria, a aceitar incerteza, a dizer "não" a caminhos plausíveis e a avançar antes de todas as provas estarem disponíveis. É por isso que assusta os burocratas empresariais. Eles gostam da navegação por cabotagem: costa à vista, referências conhecidas, mapas herdados, decisões reversíveis, linguagem prudente.
A estratégia pede outra coisa: largar a costa, perder momentaneamente o pé, admitir que a resposta certa pode não ser a resposta confortável. Para quem precisa garantir, à partida, que o processo produzirá uma conclusão aceitável, a estratégia é quase uma ameaça. Não porque seja irracional, mas porque exige julgamento. E o julgamento é precisamente aquilo que nenhuma grelha de benchmarking consegue substituir.
No The Times de hoje em "'The taxman makes more money from a £3.30 croissant than I do".
Uma pequena padaria ilustra a voracidade fiscal contemporânea: antes do empresário ganhar dinheiro, o Estado já passou pela caixa várias vezes. Passa pelo IVA cobrado ao cliente, pelos encargos sobre o trabalho, pelos impostos sobre lucros, pelas taxas sobre o imóvel, pela energia, pelas contribuições obrigatórias e pela máquina burocrática que transforma cada croissant numa pequena declaração fiscal com massa folhada.
Num croissant de £3,30, o fisco leva mais do que a própria margem do negócio. O Estado já não aparece como o parceiro silencioso da actividade económica, mas como o sócio privilegiado, sem risco, sem noites mal dormidas, sem salários para pagar, sem rendas em atraso e sem clientes a conquistar.
A propósito de "Subir na escala de valor é deixar de vender filetes" pesquisei a internet e encontrei "100% Fish movement gathering momentum, with projects underway in Alaska, Canada, and the Pacific".
A verdadeira oportunidade não está em pescar mais, mas em densificar a cadeia de valor. O salto estratégico não é aumentar capturas. É extrair mais valor de cada unidade de matéria-prima. Isto aproxima a pesca de sectores industriais mais sofisticados: materiais, cosmética, nutrição, biotecnologia, saúde e design.
O que de repente me veio à memória foram as ideias de Erik Reinert. A ideia central dele é que há uma diferença estrutural entre actividades baseadas em recursos naturais - agricultura, pesca, minas - e actividades industriais. As primeiras tendem a encontrar limites naturais: terra, mar, stocks, estações, clima, produtividade biológica. Por isso estão mais expostas a rendimentos decrescentes. Já a indústria permite rendimentos crescentes: aprendizagem, escala, especialização, divisão do trabalho, inovação, máquinas melhores, conhecimento acumulado e efeitos de rede. Reinert formula esta oposição entre actividades sujeitas a rendimentos decrescentes, ligadas à natureza, e actividades industriais com rendimentos crescentes.
Aplicado ao peixe, isto é muito interessante. Enquanto o peixe é apenas “captura” ou “filete”, continuamos presos ao mundo do sector primário. O limite é a quantidade capturada, o preço internacional, a pressão sobre o recurso e a concorrência de outros produtores. Mas quando a pele, a espinha, o óleo, as vísceras, a cabeça e os subprodutos passam a alimentar cadeias de cosmética, biomateriais, nutracêuticos, alimentação animal, biomedicina ou design, o peixe deixa de ser apenas peixe. Passa a ser uma plataforma industrial.
É exactamente isso que aparece no movimento 100% Fish: usar mais de 90% do peixe, em vez de ficar apenas pelos 45% associados ao filete, criando produtos em sectores como alimentação, rações, cosmética, nutracêuticos, têxteis e biomedicina.
A diferença pode começar nas pessoas que estão no terreno: pescadores, processadores, técnicos, investigadores, empresários, designers, responsáveis da qualidade, gente que conhece o peixe, os desperdícios, os processos e os clientes. Não é preciso esperar por mais uma grande estratégia. É preciso olhar para aquilo que hoje sobra e perguntar: que produto, que aplicação, que cliente, que conhecimento e que margem podem nascer daqui? A verdadeira Economia do Mar começa quando alguém, no chão da fábrica, no laboratório, na lota ou numa pequena empresa, deixa de ver desperdício e passa a ver futuro.
A propósito de "Fórum BCE: imigração traz mais produtividade às economias, conclui estudo".
Olhando para a situação portuguesa, é fácil desconfiar do título e do conteúdo do artigo do Público. A manchete transforma uma análise econométrica prudente numa conclusão quase política: "imigração traz mais produtividade". O próprio estudo é mais cauteloso do que o artigo do Público deixa transparecer.
Economias que crescem, investem e criam emprego atraem mais imigrantes. Logo, parte do efeito pode ser: a produtividade atrai imigração, e não apenas a imigração cria produtividade. O estudo tenta lidar com isto usando choques, políticas e variação regional, mas não elimina totalmente o problema. Os próprios autores admitem limitações empíricas e que não têm uma estratégia de identificação ideal.
Este é um ponto essencial que a leitura jornalística tende a diluir. O estudo afirma que os coeficientes positivos vêm sobretudo da imigração altamente qualificada; já a imigração menos qualificada aparece como neutra, com coeficientes próximos de zero e sem significância estatística para a produtividade, a TFP e o capital por trabalhador. Isto torna abusivo usar o estudo para defender, genericamente, “mais imigração”, sem discutir a composição, as qualificações, os sectores e a integração. (European Central Bank - página 26)
O autor pode defender politicamente uma combinação de imigração qualificada e não qualificada. Mas o próprio estudo mostra que a produtividade está mais claramente associada à imigração qualificada. A imigração menos qualificada pode ser necessária para a agricultura, a construção, a hotelaria, os cuidados ou a demografia, mas isso é outro argumento. Não é a mesma coisa que provar o aumento da produtividade.
O artigo transporta a discussão para Portugal, mas o estudo não prova que a imigração recente em Portugal esteja a aumentar a produtividade portuguesa. Portugal tem um problema específico: muita imigração recente entrou em sectores de baixos salários, baixa produtividade e elevada intensidade de trabalho. Se a imigração permite adiar automação, reorganização produtiva e subida na escala de valor, pode até aliviar empresas no curto prazo e atrasar a produtividade no médio prazo.
A imigração pode contribuir para a produtividade quando é bem seleccionada, bem integrada, ligada a investimento, competências, empreendedorismo e capacidade institucional. Mas imigração em massa, mal planeada, concentrada em sectores pouco produtivos e sem habitação, fiscalização laboral e integração não é uma estratégia de produtividade. É apenas aumento de mão-de-obra disponível.
Há cerca de 11 anos, escrevi aqui no blogue este postal, "Acerca de sectores estáveis e demasiado homogéneos na oferta (parte V)", onde contei a estória das habilidades do J. na criação de obras de arte sob a forma de aquários plantados.
Entretanto, há uns 2 anos - não tenho a certeza do tempo - na nossa tradicional francesinha no Feirense, seguida de caminhada nocturna, o J. contou-me sobre um novo hobby: aquilo a que os americanos chamam "car detailing". Com o pormenor habitual, explicou-me por que uma limpeza de carro pode custar 200 euros quando é feita por ele no seu carro.
Lembrei-me disto porque o WSJ da passada quarta-feira publicou "Gen 'Zers Ride Car Detailing to Big Bucks"
O caso de Benjamin Scheets ilustra a tendência: deixou a universidade, trabalha a partir da garagem dos pais, cobra entre 180 e 2.000 dólares por serviço e já factura cerca de 5.000 dólares por mês em lucro. Outros jovens, como Erick Ortiz, em Miami, escalaram de lavagens a 20 dólares para uma operação com empregados, vans, localização física, serviços especializados e lucros mensais de cerca de 18.500 dólares.
O motor da tendência é uma combinação de factores: carros mais antigos que precisam de manutenção estética, vídeos hipnóticos nas redes sociais, desejo de independência profissional, baixos custos iniciais e clientes dispostos a pagar por limpeza e protecção detalhadas.
"started detailing cars for spare cash in high school and now charges $180 on the low end to detail a sedan and as much as $2,000 to add full protective coating. He has booked out two months in advance and is looking to hire an assistant.
...
A December Intuit QuickBooks survey showed 43% of Gen Z workers say they are considering starting a business this year, more than any other generation and up from Gen Z's 27% survey in the year before."
O caso permite concluir algo mais geral: a produtividade e o rendimento não dependem apenas de "sectores sofisticados"; dependem da capacidade de transformar uma actividade banal num serviço diferenciado, visível, confiável e escalável. Lavar carros é uma commodity. Fazer detailing, corrigir pintura, aplicar revestimentos cerâmicos, proteger acabamentos, criar uma experiência visual de "antes e depois" já é outro patamar. A lição geral é: muitas actividades tradicionais têm valor escondido quando se acrescentam especialização, processo, prova visual e confiança.
O artigo não é apenas sobre jovens a lavar carros. É sobre a redescoberta de uma velha verdade económica: há valor em actividades simples quando alguém lhes acrescenta método, diferenciação, visibilidade e ambição comercial. O futuro do trabalho não será apenas programar algoritmos; também será pegar em ofícios comuns e reconstruí-los como serviços premium, locais, intensivos em confiança e difíceis de automatizar.
Ontem, o Telegraph publicou "Queen and Rowling spell out the importance of reading for children". Lembrei-me logo de um tweet a que cheguei há dias, via @mattwridley:
They should slap VAT on children's books as parents who read to their kids are creating inequality. It's outrageous. pic.twitter.com/4q8ssbxf00
— Anthony Cox (@Cox_A_R) June 27, 2026
O texto citado no tweet é mesmo verídico.
Quem me garante que o próximo estudo de um universitário, supostamente científico, não está a fazer algo do mesmo género?
No jornal, a rainha e J. K. Rowling defendem que as crianças devem ter acesso a livros e que a leitura abre portas às gerações futuras. No outro, aparece a grande subtileza académica contemporânea: pais que lêem histórias aos filhos talvez devam sentir-se ligeiramente culpados por estarem a "desfavorecer" os filhos dos outros.
É extraordinário. Antigamente, quando uma prática fazia bem às crianças, tentava-se alargá-la. Hoje, há sempre alguém disponível para transformar uma virtude familiar numa suspeita moral. Ler aos filhos deixa de ser amor, cuidado e transmissão cultural; passa a ser uma espécie de doping parental clandestino.
A rainha diz: leiam mais às crianças. Rowling diz: os livros abrem mundos. A academia responde: cuidado, isso pode criar desigualdade.
A igualdade já não quer levantar os que estão em baixo; prefere lançar uma sombra sobre quem ainda acende a luz antes de dormir.
E sim: excelência operacional não é estratégia. Pelo menos não no sentido forte de Porter. Fazer melhor o que os outros também fazem não basta, por si só, para criar uma posição estratégica distinta. Só se a empresa conseguir estar sistematicamente na fronteira, no alto do pico da paisagem competitiva, com desempenho superior e custos realmente mais baixos, é que essa excelência operacional se aproxima de uma vantagem difícil de replicar.
Mas há aqui uma nuance importante.
Não é preciso adoptar IA apenas quando há uma "nova estratégia". A IA pode ser extremamente valiosa mesmo quando o objectivo é muito mais terreno: reduzir falhas, eliminar atrasos, melhorar a rastreabilidade, diminuir retrabalho, evitar não conformidades e libertar pessoas de tarefas repetitivas ou ingratas.
Recentemente, estive envolvido em projectos de melhoria de desempenho em empresas industriais onde se percebe facilmente o potencial futuro dos agentes de IA. Em ambientes com muitos regulamentos, muitos requisitos, pressão permanente sobre os custos e necessidade de resposta rápida ao cliente, é normal que algo falhe. Os humanos não são máquinas. Há esquecimentos, atrasos, trocas, falhas de seguimento, evidências incompletas, desvios mal tratados e problemas que só aparecem tarde demais.
Reduzir tudo isto talvez não seja, por si só, uma nova estratégia, mas é seguramente uma forma de baixar custos, reduzir insatisfação de clientes, aumentar a fiabilidade operacional e proteger a margem.
E, em muitas empresas, antes de sonhar com grandes disrupções estratégicas, há uma oportunidade enorme e muito concreta: fazer com que o sistema funcione melhor, falhe menos e aprenda mais depressa.
Já escrevi sobre a Oração do Abandono. Recordo de Maio passado:
"Treat everything as learningFailures and explosions are data for the next iteration, not disasters to be concealed."
"in time you learn that feedback is fuel rather than failure...it's not failure, it's feedback...Like you lost. What will we learn? What will we do next time? Great. Do it again next. It feels like resilience....failures and explosions are data for the next iteration".
"you lost. What will we learn? What will we do next time?"
Isto liga-se directamente à frase atribuída a Musk: as explosões não são apenas desastres; são dados. Ou seja, a realidade respondeu ao nosso modelo. O foguete explodiu; o cliente não comprou; a equipa falhou; o plano não resultou. A pergunta madura não é "quem escondemos?" ou "como salvamos a narrativa?", mas: que hipótese ficou destruída, que variável ignorámos, que comportamento temos de mudar?
Musk/Hormozi dizem: age, testa, falha, aprende, corrige, volta a tentar.
A Oração do Abandono diz: age, cumpre a tua parte, mas não faças do resultado um ídolo.
O ponto comum é a humildade perante a realidade.
Musk olha para a realidade como engenheiro: "que dados recolhemos?"
Hormozi olha para a realidade como empreendedor: "que comportamento deve mudar?"
A Oração do Abandono olha para a realidade como alma: "que parte me cabe, e que parte não controlo?"
Tenho de procurar um vídeo de Jordan Peterson e outro de Marc Andreessen que julgo abordarem o mesmo tópico.
O tema não é apenas "aprender com o erro" no sentido empresarial ou técnico. É também uma questão de higiene mental: não deixar que um acontecimento negativo se transforme numa prisão interior. A explosão, o erro, o fracasso, a perda ou a humilhação não são a nossa identidade. São factos. São dados. São episódios. Podem ensinar-nos, mas não devem definir-nos. Ficar preso ao acontecimento negativo é deixar que ele continue a mandar em nós muito depois de ter acabado.
Hormozi não diz "faz de conta que não doeu". Pelo contrário: perder dói, a rejeição dói, o feedback dói, mas essa dor deve ser lida como um sinal, não como uma sentença. E, sobretudo, não deve estar ao volante da vida.
Em 2018 escrevi um postal intitulado "Blahblah economia do mar blahblah". Um texto que atacava a "Economia do Mar" como retórica de gabinete: muita conferência, muito cluster desenhado em PowerPoint, muito fundo comunitário à vista.
O alvo era a ilusão de que a economia cresce porque o Estado baptiza sectores, convoca jornadas, distribui fundos e inventa clusters "em laboratório". O postal incluía um texto sobre a abordagem na Islândia, que mostrava o contraste: menos captura de bacalhau, mas mais valor exportado, porque se deixou de vender apenas o filete e passou-se a aproveitar a carne, a pele, o óleo, as espinhas e as vísceras.
Entretanto, no FT de ontem encontrei "Head to tail: business grapples with 100 per cent fish initiative", um texto que refere a experiência islandesa e a tentativa, na região do Midwest, nos Estados Unidos, de fazer algo semelhante.
"The modern "100 per cent fish" idea may have originated in Iceland, but it resonates with the US Midwest culture of thrift.
...
But the idea of commercialising fish waste has caught on in the Midwest, where companies representing over 90 per cent of the region's commercial fish production have signed the 100 per cent Great Lakes Fish Pledge.
...
Sceptics might say "100 per cent fish" - at least in the Great Lakessounds more green than it is. "It's not like we're taking 5mn cars off the road, but a lot of the development comes in impoverished rural areas where fishermen are working on insanely thin margins," Schmidt tells me. Iceland's Leeper says this is "an example of the circular economy in action". Still, she says, "it has to be done with a good business model in place in order for it to be successful"."
O interessante no artigo do FT é que a conversa não fica na "sustentabilidade" como um adorno moral. A lógica é muito mais dura: produtividade, margem, inovação e subida na escala de valor. O peixe deixa de ser apenas filete. Passa a ser matéria-prima para alimentos para animais, fertilizantes, couro de peixe, bebidas de colagénio, aplicações médicas e outros produtos de maior valor acrescentado.
É aqui que o artigo conversa com o meu postal de 2018. O problema da "Economia do Mar" portuguesa nunca foi falta de mar, de costa, de história ou de discursos inflamados. O problema é a facilidade com que confundimos a vocação geográfica com a capacidade industrial. Dizer que Portugal tem mar não gera produtividade. Criar produtividade é pegar num recurso e multiplicar os seus usos, as competências envolvidas, os clientes possíveis e a margem capturada. Em suma, densificar.
O postal de 2018 irritava-se com a economia baptizada por decreto, com clusters inventados em mesas de almoço e com a velha tentação portuguesa de transformar uma palavra bonita numa torneira de fundos públicos. O artigo do FT mostra o contrário: começa-se por desperdício real, empresas reais, compradores reais, subprodutos reais e modelos de negócio reais. Só depois vem o nome bonito.
Talvez esta seja a diferença entre "economia do mar" e "economia a sério". A primeira gosta de fóruns, painéis e fotografias de encasacados. A segunda pergunta: que parte do peixe ainda estamos a deitar fora? Quem sabe transformá-la? Quem compra? Que tecnologia falta? Que certificação é necessária? Que margem podemos capturar?
A produtividade portuguesa não subirá porque repetimos a palavra "mar" mais vezes. Subirá quando deixarmos de vender apenas o equivalente ao filete e começarmos a construir cadeias de valor à volta daquilo que hoje tratamos como sobra. O resto é blahblah, com cheiro a maresia, a PowerPoint e a fundos comunitários.
A propósito deste texto
O @pedronorton resume com a elegância habitual da sua escrita o mau caminho por onde todos vamos pic.twitter.com/DEtaw6g55w
— Αntonio Nogueira Leite (@al_antdp) June 30, 2026
Recordo de Junho de 2025:
"O que acontece a uma sociedade onde sectores competitivos não têm produtividade elevada?
Aquele quadrante inferior direito, o empobrecimento."
No passado Domingo escrevi "… deixa-se de ver o carro."
Entretanto, ontem foi um fartote:
O artigo do FT mostra a fase defensiva da indústria alemã: despedimentos, encerramentos, redução de bónus, reestruturações, corte de capacidade. É a resposta clássica de uma indústria madura quando perde volume, margem e confiança.
Mas isto confirma a minha tese: a análise fica presa ao custo por trabalhador, à fábrica excedentária, à poupança por automóvel. Tudo importante, claro, mas insuficiente. No meu texto já escrevia que os cortes podem reduzir parte da desvantagem, mas não resolvem o problema central: os chineses produzem mais barato e, sobretudo, aprendem mais depressa, integrando baterias, software, electrónica, escala e ciclos curtos de desenvolvimento.
O artigo do El Economista acrescenta uma segunda camada: as marcas chinesas podem chegar a 16% do mercado europeu em 2030. Isto altera a natureza da ameaça.
Durante anos, a indústria europeia habituou-se a ver a China como fábrica, como mercado distante ou como ameaça abstracta. Agora, a China aparece como marca, produto, preço, tecnologia e distribuição na Europa.
Isto liga-se directamente à minha frase:
"se o automóvel europeu quiser sobreviver apenas como commodity, então ganha quem produzir mais barato."
Quando as marcas chinesas entram em força, o carro europeu deixa de poder viver apenas de estatuto histórico, rede de concessionários e memória de marca. Tem de voltar a justificar-se como produto.
Duas notas:
Primeiro, uma pergunta sincera: há uma cartilha (linguagem do futebol) por trás disto?
"Se não tivessem estes imigrantes vindo todos para Portugal, nós teríamos tido uma das piores crises económicas de que nos lembraríamos."@pedroml#governo #chega #andreventura #imigração #portugal pic.twitter.com/BxqFuFDsM0
— VERDADE (@Verdade240) June 27, 2026
E esta outra aqui.
Segundo, vamos ver um exemplo, só um, mas posso mostrar mais, um exemplo do que pode acontecer a um país em que a população está a encolher. Lembram-se da Lituânia? Recordo:
A Lituânia ilustra uma versão europeia de uma lógica compatível com a Flying Geese Theory. Não é só "subir da agricultura para a fábrica". É subir da fábrica simples para serviços exportáveis, conhecimento aplicado, digitalização e nichos industriais de maior valor.
A Lituânia perdeu gente, mas comprou tempo com produtividade, salários mais altos e uma mudança estrutural para actividades mais sofisticadas.
O que pretendo com este postal é apenas ilustrar que os raciocínios simples dos comentadores não se baseiam totalmente na realidade. São especulações.
Estranho, a esquerda de há 20 ou 30 anos estaria a dizer que a imigração é um favor ao patronato, que assim não tem de aumentar salários, nem de queimar pestanas a tentar descobrir como subir na escala de valor.
No primeiro texto, defendia que, perante o entusiasmo actual com a inteligência artificial, a pior resposta das empresas é começar logo por "automatizar". Partia do chamado algoritmo de Elon Musk: questionar requisitos, eliminar, simplificar e optimizar, acelerar e só depois automatizar.
No segundo texto, reforçava a mesma tese com a visão de Arvind Krishna, CEO da IBM: o retorno da IA exige uma reestruturação fundamental dos workflows, não apenas a compra de tecnologia. A pergunta importante não é "onde podemos usar IA?". A pergunta importante é: onde é que temos pontos de contacto escondidos, esperas inúteis, passagens manuais, decisões sem dono e trabalho repetitivo que consome tempo sem acrescentar valor?
Entretanto, na semana passada, estive numa empresa a fazer o levantamento de dois processos repetitivos, com vista à sua melhoria e ao possível uso de agentes de IA. E a experiência confirmou, uma vez mais, a mesma intuição: antes de pensar em agentes, é preciso perceber o trabalho.
Quando se segue um processo real, com as pessoas que o executam, a tecnologia deixa de ser uma abstracção. Começam a aparecer os pequenos atritos: informação pedida mais do que uma vez, decisões que sobem sem necessidade, documentos preparados manualmente, validações feitas por hábito, ficheiros paralelos, mensagens dispersas, esperas entre departamentos, excepções tratadas de memória, critérios que todos usam mas ninguém escreveu.
É aí que a IA começa a fazer sentido. Não como varinha mágica. Não como moda. Não como "temos de ter agentes porque toda a gente fala disso". Mas como instrumento para reduzir a fricção no trabalho concreto. Um agente pode preparar informação, estruturar dados, sugerir uma resposta, preencher um documento, verificar consistência, avisar sobre excepções ou apoiar uma decisão. Mas só o deve fazer depois de sabermos que aquele passo deve existir, quem deve decidir, com que critérios, com que informação e com que controlo humano.
Ontem, o The Times publicou um texto interessante de Rishi Sunak, “From my family pharmacy to a dairy farm, AI can lift fledgling firms”. O ponto central é muito próximo desta conversa: as manchetes falam de AGI, mas o impacte mais imediato virá da "everyday AI", a IA aplicada ao trabalho comum das empresas:
"The headlines are all about the race to so-called AGI (artificial general intelligence). But what will have more impact on our lives in the foreseeable future is everyday AI.One danger is that small businesses are traditionally slower to adopt new technologies. If that's the pattern here, it could put them at a compounding disadvantage against larger firms. This would be a tragedy for us as a country, particularly as Al could so help smaller firms....In the past few months, I have been talking to small businesses about how they are using Al. Their enthusiasm, cando spirit and desire to share their knowledge are such an inspiring contrast to our tired and fractious politics. What has stood out for me from these conversations is that the boss has to drive AI adoption. It just won't happen otherwise.Don't start by declaring you must use AI but by thinking through your business's pain points. What are the tasks that eat up time, frustrate staff and create bottlenecks? Once you have done that, work out which of those are most repetitive and rules based. That is what you want to use AI to target first."
Sunak chama a atenção para um risco evidente: as pequenas empresas costumam adoptar as novas tecnologias mais tarde do que as grandes. Se isso também acontecer com a IA, a desvantagem pode tornar-se cumulativa. As empresas grandes ganham escala, dados, eficiência e velocidade; as pequenas ficam presas a tarefas administrativas, repetitivas e dispersas.
Mas o artigo também traz uma mensagem optimista. A IA pode ajudar as pequenas empresas em quase todos os sectores. Pode apoiar uma farmácia familiar, uma exploração leiteira, uma empresa de logística, uma loja online ou uma oficina. Pode ajudar a organizar informação, responder mais depressa, analisar dados, preparar documentos, acompanhar clientes, antecipar problemas e libertar tempo para gestão.
A recomendação mais importante de Sunak é simples: não começar por declarar que a empresa tem de usar IA. Começar pelos pontos de dor do negócio. Que tarefas comem tempo? Que actividades frustram a equipa? Onde há bloqueios? Que trabalho é repetitivo, baseado em regras e suficientemente estruturado para ser assistido por tecnologia?
Isto é particularmente relevante para as PME. As pequenas e médias empresas têm menos pessoas, menos departamentos especializados e menos folga de gestão. Por isso, sofrem mais com tarefas administrativas e com trabalho disperso. Uma empresa grande pode absorver alguma ineficiência através de departamentos, sistemas e especialistas. Uma PME sente logo o peso da fricção: no atraso de uma proposta, na resposta tardia a um cliente, na reclamação que anda de mão em mão, no documento técnico que demora demasiado tempo, na informação que fica presa numa pessoa.
A IA pode reduzir essa desvantagem. Pode ajudar uma empresa pequena a responder mais depressa, analisar mais informação, preparar propostas, acompanhar clientes, controlar encomendas, gerir conhecimento interno e produzir relatórios com menos esforço. O ponto estratégico é este: a IA pode permitir que uma PME pareça maior sem se tornar pesada.
Mas isso só acontece se a adopção for prática. A vantagem não está em comprar a ferramenta mais sofisticada. Está em escolher três ou quatro usos concretos e testá-los depressa: propostas comerciais, análise de reclamações, planeamento de produção, resposta a clientes, controlo documental, compras, reporting, preparação de auditorias, gestão de conhecimento interno.
As PME que começarem agora podem obter uma vantagem temporária. Não porque tenham acesso a ferramentas exclusivas, mas porque muitas concorrentes ainda estão à espera, com receio, confusão ou excesso de conversa estratégica. A oportunidade está nos pequenos atritos diários, não na grande declaração de transformação digital.
No fundo, volto ao ponto de Maio: automatizar é o último passo.
Antes disso, é preciso observar, questionar, eliminar, simplificar e redesenhar. Só depois faz sentido usar IA. E talvez esteja aqui uma oportunidade muito concreta para as PME: pegar nos seus workflows reais, limpar o que está a mais, clarificar responsabilidades, estruturar informação e usar agentes onde eles podem mesmo reduzir a distância entre perceber, decidir e fazer.
Não é preciso esperar pela grande revolução. Muitas vezes, basta começar pelo processo que todos conhecem, todos sofrem e ninguém ainda teve tempo de arrumar.
É aí que a IA começa a pagar-se.
Em Setembro passado escrevi:
"Faz-me uma espécie ver políticos e militares tão entretidos em investir nas armas para combater a guerra anterior, enquanto a Ucrânia mostra como essas ideias estão obsoletas."
Interessante, no FT de ontem, "Rheinmetall 'shocked' by German decision to scrap warship project":
"Rheinmetall’s chief executive was blindsided."
Eu não sou isento quando penso na Rheinmetall e no seu CEO, recordo a sua arrogância acerca das "Ukrainian Housewives".
Já no dia 25, o The Telegraph publicou um artigo na linha do que escrevi, "Ukraine's successes make our defence plans irrelevant":
"the rapidly changing nature of the modern battlefield has raised concerns that many of the review's recommendations, such as buying more warships, warplanes and tanks, are more relevant for fighting previous wars than future ones."
Há uma certa ternura em ver os grandes executivos do complexo militar-industrial perplexos com a descoberta de que a guerra mudou sem que o comité de investimentos tivesse autorizado.
A Ucrânia, com drones baratos, adaptação rápida, software, sensores, munições em massa e uma desagradável lição: a guerra real não respeita PowerPoints.
Agora, alguns incumbentes descobrem que aumentar o orçamento da defesa não significa comprar automaticamente mais do mesmo. Significa perguntar se aquilo ainda serve.
É sempre duro quando o futuro chega sem ter sido previamente validado pelo departamento de desenvolvimento de negócio.
Claro que há alguns governos mais amigos do passado ...
"European carmakers haven't made a huge amount of headway in responding to their Chinese competitors.But now, Volkswagen has upped the ante: it is considering cutting up to 100,000 jobs and closing four German factories. That's not a definitive solution to the threat faced by the European auto industry, but it does improve the carmaker's odds."
A China não está apenas a fazer carros mais baratos. Está a aprender mais depressa, a integrar baterias, software, electrónica, escala produtiva e ciclos de desenvolvimento mais curtos. Está a tratar o automóvel como produto, plataforma e sistema industrial.
A Europa, pelo contrário, parece tentada a responder com despedimentos, protecção comercial e mais umas rondas de Excel. O preço conta, claro. Mas se o automóvel europeu quiser sobreviver apenas como commodity, então o artigo tem razão: ganha quem produzir mais barato.
O problema é que a indústria automóvel europeia nunca foi grande apenas por ser barata. Foi grande porque sabia transformar engenharia, design, processo, qualidade percebida e marca em desejo.
Quando se olha demasiado tempo para o custo, deixa-se de ver o carro.
O socialismo, vence culturalmente quando até aqueles que deveriam ser os seus adversários passam a usar a sua gramática.
Para que servem os governos? A frase sugere que o governo existe para produzir bem-estar e felicidade.
Lamento, devo ser muito tótó, mas para mim um governo existe para garantir segurança, justiça, Estado de direito, regras previsíveis, bens públicos essenciais e protecção dos mais vulneráveis. A felicidade, nessa visão, não é uma prestação do Estado; é algo que as pessoas, famílias, empresas, comunidades e instituições livres procuram construir.
Penso na frase da imagem e, juro, só me vem à cabeça o Smegol a pronunciar a frase "Sneaky little hobbitses"… Impressionante como o socialismo se entranha por todo o lado.
Não vejo o governo como o agente principal da melhoria da vida das pessoas. Vejo-o sobretudo como árbitro, enquadrador ou garante de condições, não como produtor directo de resultados humanos.
Naquela frase, o bem-estar é tratado como um objectivo político administrável. Isto parece generoso, mas abre uma porta perigosa: se o Estado promete felicidade, tende a querer medir, corrigir, orientar, subsidiar, regular e condicionar cada vez mais dimensões da vida.
Na mentalidade de quem profere aquela frase, as pessoas aparecem mais como destinatárias de políticas do que como protagonistas da sua própria vida. "Trazer-lhes bem-estar" é uma expressão reveladora: o bem-estar vem de cima para baixo. Uma tristeza, faz-me recuar a uma frase aqui do blogue: "tão novos e já tão velhos".
Como o objectivo é nobre, melhorar a vida, criar felicidade, produzir impacto, a discussão sobre custos, incentivos, dependência, efeitos perversos e liberdade individual tende a ficar em segundo plano.
Recordar que o inferno está cheio de boas intenções.
Quando um governo se apresenta como fornecedor de felicidade, a liberdade das pessoas transforma-se facilmente em matéria-prima da engenharia política.
Preferia um governo que pensasse que a sua função é criar condições para que as pessoas, as famílias, as empresas e as comunidades possam viver melhor, com liberdade, segurança, responsabilidade e oportunidades.
Como não recordar Michael Bloomberg, mayor de New York. Recuo a 2008:
"Por mim, prefiro a humildade de governantes como Bloomberg: "It's hard to be a mayor. You don't get to be in charge, really. You can help set the table, and then get out of the way and let the village/city function the best you can." (Acabaram de ler este texto sublinhado? Estão a ouvir um barulho? Sim? Moi aussi! É o Marquês de Pombal a dar voltas no caixão."
A HBR publicou "The End of Cheap Capital". Alguns sublinhados:
"As the era of cheap capital comes to an end, executives will need to relearn the discipline of rigorous capital allocation.
...
Between 2008 and 2020, the after-tax cost of borrowing for many large companies hovered at or below inflation—making debt, in real terms, effectively free.
...
As capital becomes more expensive, executives will need to relearn what earlier generations understood well: rigorous capital allocation matters. So does the tight linkage between strategy, financial performance, and value creation.
...
Years of extraordinarily cheap capital changed managerial behavior. Companies became more tolerant of low-return investments, investors rewarded growth over profitability, and many executives relied heavily on performance measures that ignored the cost of capital altogether. Cheap capital often masked weak underlying economics. But with capital costs returning to more historically normal levels, leaders will need to start managing for value once again,
...
The relationship between economic profit and value points to an important truth: not all growth creates value. Only growth that generates returns above the cost of capital does that. Investments that merely earn the cost of capital are value-neutral, while investments that fail to cover their cost of capital destroy value—no matter how quickly revenues grow."
Durante anos, muitas empresas habituaram-se a viver com dívida como se fosse uma componente normal da paisagem: crédito bancário, linhas de apoio, renegociações, moratórias, tesouraria sempre no limite. Enquanto o capital era barato, a pergunta incómoda podia ser adiada: este investimento cria mesmo valor ou apenas aumenta o movimento?
Agora a pergunta voltou.
Não basta crescer. Não basta facturar mais. Não basta comprar máquinas, abrir mercados, aumentar capacidade ou lançar novos produtos. A questão decisiva é outra: o retorno gerado cobre o custo do capital usado para o obter?
Uma PME pode crescer e empobrecer ao mesmo tempo. Pode aumentar vendas e destruir margem. Pode ganhar encomendas e perder dinheiro no fundo de maneio. Pode investir para responder a clientes maiores e ficar mais vulnerável por causa de prazos, stocks, desperdício, retrabalho ou baixa produtividade.
O novo ciclo exige disciplina antiga: escolher melhor os projectos, medir o retorno, proteger a margem, reduzir o capital empatado, negociar preços com base em valor e não apenas em custo, e ligar a estratégia a números. Para muitas PME portuguesas, a gestão do futuro não passará por “vender mais”. Será aprender a distinguir o crescimento que cria valor do crescimento que apenas aumenta o risco.
"se queremos aceitar a chegada de tanta gente de fora, se precisamos de habitação acessível e se o solo urbano é escasso e caro, então não podemos esperar que edifícios baixos resolvam o problema."
Ontem, o El Economista na capa trazia "Madrid eleva los edificios para construir más vivienda barata".
Só a fazer o que foi feito no Porto no tempo de Fontes Pereira de Melo. Nas ruas da Baixa ainda hoje é possível reconhecer a casa inicial, e um ou dois andares extra construídos à posteriori.
Por cá continuamos a engonhar.
"It is widely believed that restructuring has boosted productivity by displacing low-skilled workers and creating jobs for the high skilled."Mas, e como isto é profundo:"In essence, creative destruction means that low productivity plants are displaced by high productivity plants." Por favor voltar a trás e reler esta última afirmação.
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"Lovaglia’s Law: The more important the outcome of a decision, the more people will resist using evidence to make it."
"If an organisation is too stable it can ossify, but if it is too unstable it can disintegrate. Successful organisations work between these two conditions or states, in what Stacey called ‘the chaos zone’."
"If the customer doesn't care about the price, then the retailer shouldn't care about the cost,"
“It's not enough that we do our best; sometimes we have to do what's required”.
"Das Leben, das uns gegeben ist, ist uns nicht als etwas Fertiges gegeben, sondern wir müssen es uns gestalten, und zwar jeder sein eigenes."
"Eine Regierung, die nichts wert ist, kostet am meisten."
"Forget trying to persuade them; light their pants on fire."
"O futuro é o que importa. O futuro é a base do significado, é de onde vem o projecto que alguém tem para si próprio"
"The single biggest problem in communication is the illusion that it has taken place."
“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent; it is the one that is most adaptable to change.”
"o Marketing só existe a partir do pensamento estratégico, caso contrário "não resulta""
"It is difficult to get a man to understand something, when his salary depends upon his not understanding it"
"Perder diversidade é como arrancar páginas de um livro. Quantas páginas poderemos arrancar até deixar de compreender o enredo?"
The great enemy of the truth is very often not the lie – deliberate, contrived and dishonest – but the myth, persistent, persuasive, and unrealistic. Belief in myths allows the comfort of opinion without the discomfort of thought."
"By strategy, I mean a cohesive response to a challenge. A real strategy is neither a document nor a forecast but rather an overall approach based on a diagnosis of a challenge. The most important element of a strategy is a coherent viewpoint about the forces at work, not a plan."
"Un desastre està punt de succeir a Espanya. El malentès de la gravetat de la crisi costarà car als inversors, ja que tindrà profundes conseqüències per a tot el sistema bancari europeu", afirma.
Entre d'altres coses, Mauldin diu que "els inversors estan fumant crack si creuen que els bancs espanyols són entre els més forts d'Europa, ja que estan amagant les seves pèrdues".
“… there are no “sunset” industries condemned to disappear in high wage economies, although there are certainly sunset and condemned strategies, among them building a business on the advantages to be gained by cheap labor”
"o vencedor da vida, o optimista que vive em incesto com o próprio ego, é o traço mais frágil do líder"
"We shall not grow wiser before we learn that much
that we have done was very foolish."
You may not be able to change the world but can at least get some entertainment & make a living out of the epistemic arrogance of the human race.
"I wanted you to see what real courage is, instead of getting the idea that courage is a man with a gun in his hand. It's when you know you're licked before you begin but you begin anyway and you see it through no matter what. You rarely win, but sometimes you do."
“Trust your guts. But not too much!”
"Customers will try 'low-cost providers,' because the majors have not given them any clear reason not to." "
"Natal é quando as Crianças pedem e os Pais pagam. Défices é quando os Pais pedem e as Crianças pagam."
"A imprevidência dos povos é infinita, a dos governos é legal"
"What a man sees depends both upon what he looks at and also upon what his previous visual-conceptual experience has taught him to see"
“The leaders first task is to be the trumpet that sounds a clear sound”
"lamented the lack of any systematic data on the scale of unfunded IOUs that care-free politicians have handed out like confetti."
"Let them call me rebel and welcome, I feel no concern from it; but I should suffer the misery of devils, were I to make a whore of my soul..."
O problema não é o consumo. O problema é o consumo assente em endividamento."
"There are designations, like "economist", "prostitute", or "consultant" for which additional characterization doesn't add information."
When it becomes more difficult to suffer than change, you will change"
"Hope is not a strategy and a crisis is a terrible thing to waste"
The more you can see of the present, the more you can see of the future"
Yes, You can change the future, but only changing the present"
"Entrepreneurship is 'Having aspirations greater than your resources'"
“The single biggest reason companies fail is they overinvest in what is, as opposed to what might be."
"The first principle is that you must not fool yourself - and you are the easiest person to fool. So you have to be very careful about that"
"A estabilidade é uma ilusão"
"When we create the conditions of possibility, the universe becomes our co-conspirator"
Thinking about doing is not doing. Talking about doing is not doing. Doing is doing."
"'God has created me to do him some definite service. He has committed some work to me which he has not committed to another'.
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"Each of us has a mission, each of us is called to change the world, to work for a culture of life, a culture forged by love and respect for the dignity of each human person.
"As our Lord tells us in the Gospel we have just heard, our light must shine in the sight of all, so that, seeing our good works, they may give praise to our heavenly Father."
"The future is not there waiting for us. We create it by the power of imagination."
"confusing testosterone with strategy is a bad idea"
"Much consulting involves the application of models to a system, as opposed to getting involved in the system as a positive change agent""
"O Portugal que pára sem orçamento é precisamente aquele que vive dele e que há todo o interesse em parar."
"credibilidade da política financeira e dos seus executores está ao nível da credibilidade de uma barraca das farturas"
"The role of the manager is thought to be reduction of uncertainty rather than the capacity to live creatively in it"
"today an entrepreneur is closer to artists than managers"
"A business without a path to profit isn’t a business, it’s a hobby"
"If no one’s upset by what you’re saying, you’re probably not pushing hard enough. (And you’re probably boring, too.)"
"Storytelling isn’t just how we construct our identities, stories are our identities"
"'He who has a why to live can bear almost any how' "
"They can because they think they can"
"Se há coisa que não suporto é misturar catequese com negócios, é a incapacidade para calçar os sapatos do outro e só pensar na nossa posição de coitadinhos, pobres vítimas indefesas dos maus e que por isso precisamos do Estado todo poderoso para nos proteger e, nem percebem na volta, os juros que o Estado cobra por esse serviço mafioso de protecção que, ainda por cima não resolve nada."
"Empathy is like a universal solvent. Any problem immersed in empathy becomes soluble."
"In victory, do not brag; in defeat, do not weep"
"Value it's a feeling not a calculation"
"An economist is someone who has had a human being described to him, but has never actually seen one."
"Don't finish first--it's not about running a rat race. Start with a better ending in mind."
"If you sit in on a poker game and don’t see a sucker, get up. You’re the sucker.”
"The 'value added' for most any company, tiny or enormous, comes from the Quality of Experience provided."
"Crediting government with the success of entrepreneurs is like crediting the guy who built Bill Gates’ garage with the success of Microsoft."
"I have found that assuming social scientists understand the difference between correlation and causality is not generally a good one."
"Promising never to raise taxes, without reaching a deal on spending, really means a high and rising commitment to future taxes."
"Some things are so foolish that only an intellectual could believe them, for no ordinary man could be such a fool"
"os bancos não financiam a economia, a poupança sim"
"I do not know the key to success, but the key to failure is trying to please everybody"
"Never be afraid to try, remember... Amateurs built the ark. Professionals built the Titanic."
"terms such as 'experiment' and 'observation' cover complex processes containing many strands. 'Facts' come from negotiations between different parties and the final product - the published report - is influenced by physical events, dataprocessors, compromises, exhaustion, lack of money, national pride and so on."
"'science in the making' is 'the consequence of [a] settlement' of 'controversies'."
"If the state wishes to spend more, it can do so only by borrowing your savings or taxing you more. And it's no good thinking someone else will pay, that someone else is you."
"All failures of strategy are rooted in the assumption that outcomes are predictable."
"Doing things like your bigger competitors is how to get killed in the wars out there"
“Uma moeda boa e forte é como a saúde. Só lhe damos verdadeiramente valor quando não a temos.”
"Life’s tough. It’s tougher if you’re stupid"
"O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros"
"Change is a threat when done to me, but an opportunity when done by me."
"As elites foram deixando de falar das exportações à medida que se foi percebendo que o país consegue exportar sem elas"
"Your toughest competition is the little voice inside your head telling you to stop"
"Pain is just weakness leaving your body"
"Built to last" is bad economics. Built to do something great" is the better idea. Think: "Creative destruction."
"the world is an uncertain place no matter how many Greek letter equations you affix to a problem."
"You never change things by fighting existing reality. To change s.th., build a new model making the existing model obsolete"
“No, no, you're not thinking; you're just being logical.”
"Success is not a destination. It's the trail you leave behind you."
"Winners make a habit of manufacturing their own positive expectations in advance of the event."
“You’ve got to start with the customer experience and work back toward the technology – not the other way around”
"Strategy as the "smallest set of - intended or actual - choices and decisions sufficient to guide all other choices and decisions sufficient to guide all other choices and decisions."
"When something is commoditized, an adjacent market becomes valuable"
"nature evolves away from constraints, not toward goals"
"There aren't any textbooks on what to stop doing!"
"With great power comes great irresponsibility "
"Weird things happen when you take price out of the equation for consumers"
"‘It’s so damn complex. If you ever think you have the solution to this, you’re wrong and you’re dangerous.’"
"Saruman believes it is only great power that can hold evil in check, but that is not what I have found. I found it is the small everyday deeds of ordinary folk that keep the darkness at bay. Small acts of kindness and love."
"Increasing stuff that doesn't add value dilutes existing value."
"O federalismo não é a alternativa à troika, é a troika para sempre."
"Never underestimate the difficulty of changing false beliefs by facts"
"Stressors are information"
“If you hear a “prominent” economist using the word ‘equilibrium,’ or ‘normal distribution,’ do not argue with him; just ignore him, or try to put a rat down his shirt.”
"The advantage of experiences over things for most of us is that we can make them seem unique, which = scarce, which = value"
"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo"
"Without risk, faith is an impossibility."
"Não posso com quem vive a achar que os outros lhe devem sempre alguma coisa."
"In a world of increasing automation, our ability to perform tasks is not nearly as important as our ability to dream. The questions we need to ask are not ones of action, but ones of meaning"
"Me arrancam tudo a força e depois me chamam de contribuinte."
"Letting people vote for expensive programs that “somebody else” will finance is a good recipe for getting people to vote irresponsibly"
"what's fairness gotta do with pricing based in value?"
"The epic battle of our generation is between the status quo of mass and the never-ceasing tide of weird."
“Price is emotional”
"There will always be a reason why you can't pursue it, until competitors create a reason why you must."
"The most important thing to study is opening theory"
"The greater the contrast, the greater the potential"
“Customers don't care about your solution, they care about their problems.”
"Todos querem conhecer a verdade, mas o que desejam é que lhes contem uma mentira em que não sejam protagonistas."
"Execution efficiency strangles innovation in the crib, but not with malice, by default.”
"Our obsession with scalability is getting in the way of unleashing the potential of the 21st century."
"The system is optimized to mitigate risk, not create value"
"Champions are made when no one is looking"
"Don't bargain on value. Half as expensive is often twice as cheap."
"Customers care about outcomes, not effort, technology, or originality."
"
"You don't have to pick between 1) playing the game and 2) not playing the game. You can *change* the game."
""The first principle is that you must not fool yourself and you are the easiest person to fool." "