Ter memória é um castigo dos deuses.
Há um ano, podia ler-se "Exportações da indústria alimentar e das bebidas batem recorde".
O comunicado não se limitava a descrever os números friamente — fazia interpretações positivas, enfatizava conquistas (recordes, redução de défices, crescimento em vários mercados) e projectava confiança no futuro. Embora houvesse menções às tensões económicas e aos desafios, a narrativa geral centrava-se no sucesso alcançado e na resiliência do sector. Um discurso triunfante ou celebratório, apropriado para marcar um momento de desempenho acima da média e importante para o sector, ainda que não descartasse por completo os desafios vindouros.
Ou seja, há um ano o presidente da FIPA enfatizava que o sector quase tinha duplicado o valor das exportações na última década.
Agora, temos a mesma pessoa a fazer o que os portugueses mais gostam de fazer: externalizar responsabilidades. Em "Presidente da FIPA. Empresas "já não têm tempo" para esperar por decisões que são cruciais" e "Preços do azeite fazem cair exportações agroalimentares pela primeira vez em 10 anos".
Esta posição assume um locus de controlo externo acentuado: a ideia de que factores governamentais e de política pública são determinantes para a competitividade do sector, mais do que os dinamismos internos das empresas. Essa visão ressalta que, sem um ambiente macroeconómico mais favorável e incentivos consistentes, inclusive apoios financeiros comparáveis aos de parceiros europeus, as empresas exportadoras enfrentam limitações que ultrapassam a sua resiliência interna.
Este anónimo da província acredita que o futuro do sector deveria passar pelo trabalho das empresas a desenvolver marcas, a subir na escala de valor, a diferenciarem-se, a mudar de quadrante. O sector, na figura do seu presidente, acha que a responsabilidade é do governo e da AICEP, e ... dos outros.
Recordo:
- Azeite - Inovar é mudar de quadrante, não só de produto (parte II)
- Outra vez azeite, agora italiano - Inovar é mudar de quadrante, não só de produto (parte XII)
- Azeite e bacalhau - sonhos de produtividade
%2008.10.jpeg)




%2013.57.jpeg)

%2014.32.jpeg)
%2013.06.jpeg)
%2011.30.jpeg)
%2014.08.jpeg)
%2012.37.jpeg)
%2018.55.jpeg)
%2016.01.jpeg)
%2011.28.jpeg)


%2016.06.jpeg)
%2013.14.jpeg)



%2007.16.jpeg)
%2011.28.jpeg)

%2016.03.jpeg)

%2015.37.jpeg)




