"Resta saber, por outro lado, que destino é que os empresários vão dar a essas poupanças. Vão reinvesti-las?"
domingo, agosto 19, 2012
Aproveitar as oportunidades oferecidas pela heterogeneidade
Os economistas falam e discutem sobre a competição entre empresas com uma oferta homogénea para servir uma procura homogénea.
.
Por isso, quando pensam em aumentar a competitividade das empresas portuguesas, para que possam exportar mais, só pensam em medidas como a redução da TSU ou das alterações ao Código do Trabalho. O racional é, se reduzirmos estes custos de contexto, então, as empresas podem baixar os seus preços e tornarem-se mais competitivas.
.
Não percebo é como, uma vez aplicadas estas medidas, a preocupação seguinte é, o que é que as empresas vão fazer com o dinheiro que vão poupar? Esperem aí... com o dinheiro que vão poupar? Mas então o objectivo não era poder vender mais barato?
Algo na senda desta ideias mirabolantes.
.
Por mim, prefiro uma visão do mundo das empresas e dos clientes onde a heterogeneidade de parte a parte permite a criação de valor para uma rede de intervenientes.
.
"According to classical economics, the advantages that a business enjoys, unless it is protected by monopoly or stable oligopoly, will be eroded by competition until only normal profits sufficient to cover the costs of capital remain. "How then can we expect businesses to enjoy sustained competitive advantages that result in superior i.e. nonnormal profits that endure for considerable periods of time? The answer lies in the ability of the business to generate abnormal profits by extracting different types of economic rent from its activities that are sustainable.
...
In addition to monopoly and oligopoly rents, which have been very well worked by economists and will not be discussed here, other sources of rents available to businesses are Schumpeterian, Ricardian and opportunity rents.
...
Much prominence is given in economics to the first four categories of rent (monopoly, oligopoly, Schumpeterian, Ricardian), but it is probably the minority of businesses that can rely upon these rents as a source of sustained returns. Instead, the majority of businesses rely upon their ability to extract opportunity rents, and resulting opportunity profits from their activities. What are opportunity rents?
...
firms exist because they provide a more efficient way than markets to handle complex, customised transactions in situations of bounded knowledge and opportunism.
...
markets are often not capable of supplying customers precisely what they want when they want it in an efficient and effective way. Typically, business–customer exchange is deeply specific and idiosyncratic (on both sides), and this creates the opportunity to create value through exchange that is not zero-sum. Part of the value created accrues to the business as an opportunity rent for the specific, heterogeneous set of idiosyncratic resources deployed by the business, which enable the specific exchange to occur with the particular customer concerned. Businesses exist to extract these rents, not just to minimise the transactional costs of supply and optimise their production function (the focus of economists). If businesses extract opportunity rents successfully, they will earn superior returns.
...
Typically, economists describe price discrimination between customer groups that are internally homogeneous where the offered price of a homogeneous product is different between the groups of customers. Contrast idiosyncratic exchange, which takes place between heterogeneous customers who purchase idiosyncratic variants of a product through a non-uniform interface with businesses that are themselves heterogeneous in structure. Heterogeneity is the source of value in exchange, and the source of opportunity rents and profits.
...
What is not in doubt, however, is that successful businesses are able to capture opportunity rents from the customers within the confines of idiosyncratic win-win exchanges.
So long as businesses and individuals remain different, opportunities will exist for rents to be extracted. Only when all businesses and purchasers become the same, homogenous, will returns fall to the level of normal profits favoured in the discussions of economists."
.
Trechos retirados de "Astute Competition" de Peter Johnson.
Manipular a lei...
"How to manipulate the law of supply and demand…and make a lot more money"
.
Manipular a lei... soa a algo proibido?
.
A lei é a lei, todas as empresas devem seguir a lei...
.
Hei! Quem é que escreveu e publicou essa lei?
.
As universidades onde se estuda Economia.
.
Então, tolos são os que se submetem rigidamente a essa lei.
.
Por que é que a sua empresa não começa a trabalhar para "manipular essa lei" em seu favor?
.
Trabalhe a sério para a manipular em seu favor e, para os que lhe chamarem a atenção, para o perigo de fugir dela, grite:
.
- Apanhem-nos, se conseguirem!!!
.
Recordar:
.
Manipular a lei... soa a algo proibido?
.
A lei é a lei, todas as empresas devem seguir a lei...
.
Hei! Quem é que escreveu e publicou essa lei?
.
As universidades onde se estuda Economia.
.
Então, tolos são os que se submetem rigidamente a essa lei.
.
Por que é que a sua empresa não começa a trabalhar para "manipular essa lei" em seu favor?
.
Trabalhe a sério para a manipular em seu favor e, para os que lhe chamarem a atenção, para o perigo de fugir dela, grite:
.
- Apanhem-nos, se conseguirem!!!
.
Recordar:
sábado, agosto 18, 2012
Wag the Dog
A evolução das notícias veiculadas pelos media sobre Assange na embaixada do Equador, fazem-me lembrar que por detrás delas existem dois tipos a divertirem-se imenso:
- Stanley Motss; e
- Conrad Brean
Isto faz-me lembrar o caso Relvas (parte I)
Há tempos, o gerente de uma empresa que está certificada há mais de uma década, segundo o referencial ISO 9001, contactou-me porque tinha um problema.
.
Operando no B2B no mercado interno, a empresa estava a passar por um muito mau bocado, o gerente temia pela sobrevivência da sua empresa.
.
Qual era o seu problema?
.
Os seus principais quadros tinham saído da empresa e aproximava-se a passos largos a data da auditoria anual de acompanhamento a realizar pela entidade certificadora. Precisava de apoio para montar um cenário, preso por arames, que lhe permitisse manter a certificação da empresa.
.
Primeiro perguntei-lhe, qual o principal critério que os seus clientes actuais usam para seleccionar um fornecedor?
- O preço - respondeu-me.
Já perdeu algum negócio para concorrentes não certificados só porque tinham um preço mais baixo?
- Sim!!! Cada vez mais!!!
.
Repare, está certificado há mais de dez anos e, apesar de certificado, apesar de ter um sistema de gestão da qualidade que é auditado todos os anos por um auditor externo independente, a sua empresa está a passar um mau bocado. pelo que me disse até teme pela sua sobrevivência. Por que quer manter a certificação?
- É uma vergonha perder a certificação!
.
Não o ajudou a evitar o buraco onde se encontra, não o ajuda a ganhar negócio, ainda por cima custa-lhe dinheiro que lhe faz muita falta. Olhe, deixe cair a certificação e pense antes em repensar o seu negócio, em reflectir sobre o que tem de mudar para enfrentar estes tempos e os que aí vêm.
.
Pouco depois a reunião acabou, despedimos-nos e ainda tive alguma esperança que retomasse o contacto para fazer o que realmente a empresa precisa, repensar o negócio e preparar um futuro necessariamente diferente do que foi o passado que a trouxe até aqui.
.
Quem escreve isto não é alguém que está contra a certificação ISO 9001, até ganho parte da vida trabalhando com esse referencial junto de empresas, não é esse o ponto. O meu ponto é que as empresas levam até ao fim a sua visão sobre a ISO 9001... em vez de montarem sistemas de gestão que as ajudam a executar uma estratégia para o negócio, que as ajudam a monitorizar o desempenho e a tomar decisões, mantêm sistemas de gestão da qualidade só para poderem dizer que estão certificadas, para manter aparências.
.
Isto faz-me lembrar o caso Relvas.
.
Continua.
.
Operando no B2B no mercado interno, a empresa estava a passar por um muito mau bocado, o gerente temia pela sobrevivência da sua empresa.
.
Qual era o seu problema?
.
Os seus principais quadros tinham saído da empresa e aproximava-se a passos largos a data da auditoria anual de acompanhamento a realizar pela entidade certificadora. Precisava de apoio para montar um cenário, preso por arames, que lhe permitisse manter a certificação da empresa.
.
Primeiro perguntei-lhe, qual o principal critério que os seus clientes actuais usam para seleccionar um fornecedor?
- O preço - respondeu-me.
Já perdeu algum negócio para concorrentes não certificados só porque tinham um preço mais baixo?
- Sim!!! Cada vez mais!!!
.
Repare, está certificado há mais de dez anos e, apesar de certificado, apesar de ter um sistema de gestão da qualidade que é auditado todos os anos por um auditor externo independente, a sua empresa está a passar um mau bocado. pelo que me disse até teme pela sua sobrevivência. Por que quer manter a certificação?
- É uma vergonha perder a certificação!
.
Não o ajudou a evitar o buraco onde se encontra, não o ajuda a ganhar negócio, ainda por cima custa-lhe dinheiro que lhe faz muita falta. Olhe, deixe cair a certificação e pense antes em repensar o seu negócio, em reflectir sobre o que tem de mudar para enfrentar estes tempos e os que aí vêm.
.
Pouco depois a reunião acabou, despedimos-nos e ainda tive alguma esperança que retomasse o contacto para fazer o que realmente a empresa precisa, repensar o negócio e preparar um futuro necessariamente diferente do que foi o passado que a trouxe até aqui.
.
Quem escreve isto não é alguém que está contra a certificação ISO 9001, até ganho parte da vida trabalhando com esse referencial junto de empresas, não é esse o ponto. O meu ponto é que as empresas levam até ao fim a sua visão sobre a ISO 9001... em vez de montarem sistemas de gestão que as ajudam a executar uma estratégia para o negócio, que as ajudam a monitorizar o desempenho e a tomar decisões, mantêm sistemas de gestão da qualidade só para poderem dizer que estão certificadas, para manter aparências.
.
Isto faz-me lembrar o caso Relvas.
.
Continua.
Este futuro está escrito nas estrelas
Há dias escrevi neste postal:
.
Por isso, faz todo o sentido esta notícia "Torrestir abre 240 lojas em Portugal ", onde se pode ler:
"Aqui está um negócio que há mais de 1 ano me convence que vai ter um boom espectacular, o "home delivery"."Imaginem um mundo de prosumers, um mundo de artesãos, que desenvolvem as suas relações pela internet, e que precisam de enviar as suas criações para os consumidores. Não estamos a falar de cartas de correio normalizadas, estamos a falar de volumes de todos os tamanhos e feitios.
.
Por isso, faz todo o sentido esta notícia "Torrestir abre 240 lojas em Portugal ", onde se pode ler:
"O grupo Torrestir, que se dedica ao setor de transporte rodoviário de mercadorias nacional e internacional, distribuição e logística, acaba de reforçar a sua área de negócio ligada à recolha de encomendas. Esta empresa familiar com mais de 50 anos de existência no mercado, inaugurou, na Avenida de Madrid, no centro de Lisboa, a sua quarta loja a nível nacional de recolha de encomendas até 30 kg.
...
Depois de estar presente, com este tipo de lojas, em Barcelos, Guimarães e S. João da Madeira, o grupo lança-se agora na capital. Os novos pontos de entregas Torrestir estão disponíveis ao consumidor final, com entregas bidiárias e de dia seguinte e têm como objetivo proporcionar um serviço cómodo, acessível e de qualidade.
Para além do transporte rodoviário de mercadorias, o grupo Torrestir disponibiliza um vasto leque de serviços na área da logística e transportes, nomeadamente Distribuição porta a porta em 24 h; Transporte nacional; Transporte internacional rodoviário; Transitário de carga aérea e marítima; Logística e armazenagem; Mudanças, e tem-se afirmado como um parceiro de negócio para variados ramos: medicamentos; vestuário; alimentar; peças para automóveis; etc."
Este futuro está escrito nas estrelas.
sexta-feira, agosto 17, 2012
O regresso do socialismo científico
Esta é muito boa, não podia deixar passar a oportunidade:
.
Nem uma palavra sobre o impacte da China na sustentabilidade dos modelos de negócio assentes nos salários baixos e na produção pouco diferenciada que caracteriza(va) a periferia da ZE. Os outros são sempre os culpados, os responsáveis... estilo Merkel é que está a perseguir o Luisão.
.
Depois, num remate pleno de confiança na capacidade do Estado-papá saber o que é o futuro, um final socialista:
.
Como se apoiam sectores, sem escolher vencedores nem proteger indústrias em declínio?
Será que a EIP, por exemplo, pertence a uma indústria em declínio?
Será que, como defende Suzane Berger, não existem sectores em declínio mas antes estratégias obsoletas?
Quem é que no Estado tem conhecimentos para equacionar e conduzir uma "transformação da estrutura económica"? Onde aprenderam? Que experiência têm? O que devem privilegiar?
Será que têm um CyberSyn, apogeu do socialismo científico, capaz de ditar o que cada agente tem de fazer?
Como dizia há dias César das Neves, na TV, se um ministro da Economia soubesse quais são os "sectores estratégicos" para o futuro, demitia-se e aproveitava o conhecimento para ficar rico.
.
Lembro-me de na imprensa e televisão, os políticos e comentadores falarem abertamente, sem vergonha, sem noção do ridículo, em "socialismo científico". Agora têm vergonha, mas a treta é a mesma, travestida de Green Deal e outros slogans espertalhaços que tentam camuflar as reais intenções.
Trechos retirados de "Outra transformação estrutural"
"Se os CUT escalaram desde 2000 em certos países (não especialmente em Portugal), quem mais desestabilizou a ZE foi a Alemanha, que os reduziu fortemente."Ou seja, o autor acha que a Alemanha, em concorrência directa com os países da periferia da zona euro (ZE) fez batota, ao baixar os seus custos unitários do trabalho (CUT):
"A trama é conhecida: a periferia da ZE viu os custos unitários de trabalho (CUT) dispararem, aumentou o endividamento e perdeu competitividade, travando a convergência no interior da ZE."Qual a percentagem de empresas portuguesas, ou da periferia da ZE, que fecharam por perder em concorrência directa com empresas alemãs?
.
Nem uma palavra sobre o impacte da China na sustentabilidade dos modelos de negócio assentes nos salários baixos e na produção pouco diferenciada que caracteriza(va) a periferia da ZE. Os outros são sempre os culpados, os responsáveis... estilo Merkel é que está a perseguir o Luisão.
.
Depois, num remate pleno de confiança na capacidade do Estado-papá saber o que é o futuro, um final socialista:
"Sendo impossível concorrer com os salários pagos na China ou no Leste europeu, a prioridade é a transformação da estrutura económica. Aqui, uma política industrial europeia seria essencial, não para escolher vencedores nem proteger indústrias em declínio, mas para apoiar setores onde exista concorrência e inovação, e que sejam estratégicos para cumprir objetivos fundamentais: a Europa precisa de um Green Deal e Portugal devia estar na linha da frente."Ei, espera, agora aparece a China...
.
Como se apoiam sectores, sem escolher vencedores nem proteger indústrias em declínio?
Será que a EIP, por exemplo, pertence a uma indústria em declínio?
Será que, como defende Suzane Berger, não existem sectores em declínio mas antes estratégias obsoletas?
Quem é que no Estado tem conhecimentos para equacionar e conduzir uma "transformação da estrutura económica"? Onde aprenderam? Que experiência têm? O que devem privilegiar?
Será que têm um CyberSyn, apogeu do socialismo científico, capaz de ditar o que cada agente tem de fazer?
Como dizia há dias César das Neves, na TV, se um ministro da Economia soubesse quais são os "sectores estratégicos" para o futuro, demitia-se e aproveitava o conhecimento para ficar rico.
.
Lembro-me de na imprensa e televisão, os políticos e comentadores falarem abertamente, sem vergonha, sem noção do ridículo, em "socialismo científico". Agora têm vergonha, mas a treta é a mesma, travestida de Green Deal e outros slogans espertalhaços que tentam camuflar as reais intenções.
Trechos retirados de "Outra transformação estrutural"
Muito cuidado com a escolha dos clientes-alvo
O que as empresas produzem de forma controlada são atributos.
.
Ainda me recordo, nos meus tempos de trabalhador por conta de outrem, dos desafios do cliente VW por causa do controlo da cor, ou dos desafios do cliente Blaupunkt por causa do controlo da espessura de cobre depositada sobre fibra de vidro.
.
Contudo, o que os clientes compram, verdadeiramente, não são atributos, são resultados de experiências.
.
Como é que os atributos produzidos pelas empresas se transformam em resultados de experiências percepcionados e vividos por clientes e, que fazem emergir um sentimento de valor?
Os clientes querem mesmo é a percepção positiva que resulta de uma experiência. Porém, isso não se encontra à venda nas prateleiras. O que os clientes encontram à venda são recursos caracterizados por certos atributos.
.
O que os clientes têm de fazer é actuar sobre esses recursos comprados, para os transformar de alguma maneira e, dessa forma, transformarem-se a eles próprios e, assim, viverem a experiência da transformação e percepcionarem um resultado positivo dessa mudança de estado.
.
Por exemplo, como consultor, tenho a possibilidade de ir mais além do que um produto na prateleira, posso ajudar a influenciar a experiência de transformação (o que muitos fabricantes de produtos tentam fazer, quando formam, treinam, e publicam manuais e vídeos para ajudar operários a usarem uma máquina nova e desconhecida).
.
Contudo, há uma realidade de que não conseguimos escapar... o papel do cliente na produção do resultado da experiência.
.
Por melhores que sejam os atributos de um produto, se os clientes: não souberem usar o produto; não tiverem a disposição mental; não tiverem a capacidade física; não ... não adianta.
.
Os clientes têm de aceder aos seus próprios recursos para integrar os recursos adquiridos e criar a experiência que fará emergir uma percepção de valor.
.
Quando uma empresa trabalha com clientes sem os recursos adequados para, eles próprios, criarem um resultado positivo da experiência de integração de recursos, por mais que invista nos atributos, nunca terá o reconhecimento desses clientes, que a responsabilizarão pela percepção de experiência não plenamente conseguida.
.
Mais uma razão para ter a primeira palavra e escolher os clientes que interessam, os clientes-alvo, com muito mais cuidado.
.
Ainda me recordo, nos meus tempos de trabalhador por conta de outrem, dos desafios do cliente VW por causa do controlo da cor, ou dos desafios do cliente Blaupunkt por causa do controlo da espessura de cobre depositada sobre fibra de vidro.
.
Contudo, o que os clientes compram, verdadeiramente, não são atributos, são resultados de experiências.
.
Como é que os atributos produzidos pelas empresas se transformam em resultados de experiências percepcionados e vividos por clientes e, que fazem emergir um sentimento de valor?
Os clientes querem mesmo é a percepção positiva que resulta de uma experiência. Porém, isso não se encontra à venda nas prateleiras. O que os clientes encontram à venda são recursos caracterizados por certos atributos.
.
O que os clientes têm de fazer é actuar sobre esses recursos comprados, para os transformar de alguma maneira e, dessa forma, transformarem-se a eles próprios e, assim, viverem a experiência da transformação e percepcionarem um resultado positivo dessa mudança de estado.
.
Por exemplo, como consultor, tenho a possibilidade de ir mais além do que um produto na prateleira, posso ajudar a influenciar a experiência de transformação (o que muitos fabricantes de produtos tentam fazer, quando formam, treinam, e publicam manuais e vídeos para ajudar operários a usarem uma máquina nova e desconhecida).
.
Contudo, há uma realidade de que não conseguimos escapar... o papel do cliente na produção do resultado da experiência.
.
Por melhores que sejam os atributos de um produto, se os clientes: não souberem usar o produto; não tiverem a disposição mental; não tiverem a capacidade física; não ... não adianta.
.
Os clientes têm de aceder aos seus próprios recursos para integrar os recursos adquiridos e criar a experiência que fará emergir uma percepção de valor.
.
Quando uma empresa trabalha com clientes sem os recursos adequados para, eles próprios, criarem um resultado positivo da experiência de integração de recursos, por mais que invista nos atributos, nunca terá o reconhecimento desses clientes, que a responsabilizarão pela percepção de experiência não plenamente conseguida.
.
Mais uma razão para ter a primeira palavra e escolher os clientes que interessam, os clientes-alvo, com muito mais cuidado.
Macedónia de teorias da conspiração
- "Santos Pereira. Pequenos produtores de renováveis podem disponibilizar recursos na rede "sem onerar o sistema"". Claro que a medida é positiva . Contudo, não passa de "peanuts", é aplicar o princípio de Pareto. O Estado de certeza que pagava menos por n (com n a tender para muitos) pequenos produtores do que continua a pagar por um médio produtor.
- "UE estuda introdução de marcas brancas de tabaco". O que é que recomendo aqui no blogue às pequenas empresas? Diferenciação, diferenciação, diferenciação. Por exemplo, no mercado da cerveja, os grandes produtores mundiais levam cada vez mais tareia dos pequenos produtores, com marcas regionais, marcas para especialistas, marcas para consumos de nicho.Uma forma dos grandes produtores de tabaco se protegerem é impedir a diversificação, é mantendo o sucesso do negócio dependente da escala e do volume.
- "Num ano desapareceram 15,9% dos trabalhadores a recibos verdes". Olha-se para um número e procura-se uma explicação fácil e rápida porque os tempos não estão de feição para jornalismo de investigação. Porventura o jornalista conversou com alguns ex-trabalhadores a recibos verdes? Porventura descobriu que esta tendência começou a sério com a entrada em vigor do Código Contributivo? Porventura investigou quantos dos ex-trabalhadores a recibos verdes constituíram uma sociedade unipessoal para fugir ao saque do esquema Ponzi número um cá do burgo?
quinta-feira, agosto 16, 2012
Aprender a viver progressivamente independente dos bancos
Hoje, no Jornal de Negócios, em "É o investimento, estúpido!", Camilo Lourenço escreve sobre a dificuldade das empresas em obterem crédito:
"Em Portugal, um particular ou empresa que faça o mesmo bate com o nariz na porta. O banco não empresta ou, se o fizer, cobra juros proibitivos: há empresas viáveis que pagam taxas de 11% e particulares cujo crédito à habitação toca nos 7%."Depois, mais à frente faz uma ressalva:
"É verdade que parte deste trambolhão era inevitável: Portugal estava demasiado "alavancado" e tinha forçosamente que reduzir a dependência do crédito. O problema é que o ajustamento está a prejudicar muitas empresas viáveis: algumas delas estão mesmo a fechar portas."Entretanto, no The New York Times em "German Small Businesses Reflect Country's Strength" leio:
"In fact, the Germany economy sometimes resembles one big Mittelstand company: it is built for stability more than growth. Debt is bad, prudence a higher virtue than profit."Para mim, neto de agricultores que me ensinaram a fugir do endividamento como o diabo da cruz, esta linguagem das Mittelstand agrada-me.
"That characteristic often frustrates Germany’s neighbors, as well as some economists, who wish Germans would spend more to stimulate growth in the rest of the euro zone. But Germans argue that their approach has helped the country avoid downturns like those that have hit Spain and Italy and are threatening France. While Greece was racking up debt during the last decade, Mittelstand companies were resolutely cutting theirs, according to data from the Institute for Mittelstand Research in Bonn.Quando falo de agricultores recordo-me logo do cheiro a bosta, de gente que está habituada a pensar no futuro não como uma linha recta, mas como um circulo. Por isso, sabem o valor e o significado das palavras do Eclesiastes (Ecli 3, 1-8). Sabem que se não forem eles a pagar as consequências dos seus actos daqui a 10 anos será alguém da família. Por isso:
“They want to increase their independence from banks and external financing,” said Christoph Lamsfuss, an economist at the institute. “They want to make sure that the next generation inherits a solid company. In the final analysis that is good for the German economy.”...
“My machines are paid for,” said Ms. Bollin-Flade. “I have no bank credit. That’s what sets the Mittelstand apart. You set aside something for bad times.”Já agora, esta política:
"A few years ago, Ms. Bollin-Flade did something that may help explain why the German economy has been so resilient. She turned down orders from her biggest customer.E para acabar em beleza, algo que sintoniza bem a mensagem deste blogue:
.
Ms. Bollin-Flade was worried about becoming too dependent on any one source of revenue. So she and her husband and business partner, Bernd Flade, enforced a rule they still apply today: no customer may account for more than 10 percent of sales, even if that sometimes means turning away business.
.
“If 20 percent of your sales fall away, that’s difficult,” Ms. Bollin-Flade said. “If 10 percent falls away it’s not nice, but it’s not dramatic.”
.
In places like Silicon Valley or Shanghai, leaving money on the table like that would probably be enough to get an entrepreneur drummed out of the local chamber of commerce. But the risk aversion, and the preference for slow, steady growth rather than a quick euro, is typical of the Mittelstand."
"Bollin specializes in making parts to order and delivering them quickly — sometimes within hours, if need be. Customers will pay what they have to for a component that may be essential to keep a factory running, Ms. Bollin-Flade said. “The price is not the issue. Delivery time is the issue,” she said. “There aren’t too many companies that do what I do.”Sim, eu sei, vão dizer que as nossas PMEs não são Mittelstand... mas isso não invalida que não aprendam a viver de forma progressivamente independente dos bancos. Basta recordar como era há 30 anos.
É muito mais do que o confronto de um jogo de soma-nula
Como o mainstream do pensamento económico só conhece a variável preço e, como pensa que tudo se resume a uma competição pelo preço mais baixo a apresentar a um consumidor racional, que só olha para o preço como factor de diferenciação, é fácil perceber o raciocínio do jogo de soma nula: se não ganhamos nós ganham eles. Se ganham eles não temos espaço para nós, ficamos perdidos.
.
Deste raciocínio é fácil partir para uma atitude de confronto: ou eles ou nós. Temos de ocupar aquela posição, temos de chegar primeiro, ou temos de os expulsar de lá.
.
Peter Johnson em "Astute Competition: The Economics of Strategic Diversity" chama a atenção para esta maneira de ver o mundo:
.
Deste raciocínio é fácil partir para uma atitude de confronto: ou eles ou nós. Temos de ocupar aquela posição, temos de chegar primeiro, ou temos de os expulsar de lá.
.
Peter Johnson em "Astute Competition: The Economics of Strategic Diversity" chama a atenção para esta maneira de ver o mundo:
"the widespread assumption that greater relative experience conferred relative cost advantages led many businesses to pursue strategies that were hugely confrontational. In some industries (still comprising many distinct ecosystems) confrontation as a mode of competitive behaviour appeared to pay off (semiconductors for the most part, displays too), but in many others what resulted was a Pyrrhic blood bath (for example, steel, pulp and paper).Depois, Peter Johnson vai buscar uma imagem que já usei aqui e que costumo usar em acções de formação:
...
Before a business acquiesces in all-out confrontation, it needs to satisfy itself that two alternative modes of competition are played-out or unavailable. The first is avoidance — through uniqueness or innovation; the second is coexistence. Clearly, these two modes echo the parallels in economics of monopoly and oligopoly. We can use the choice of mode to define the competitive posture of a business.
...
Sometimes, unique business solutions arise because only a single business, as a matter of fact, has the knowledge or capability to satisfy demand, but unique circumstances may also arise for legal reasons, either relating to monopolies or patents etc. Here, the ground is well covered by traditional economics.
Uniqueness, however, may also arise in a more dynamic, transient fashion in markets that we consider to be well contested. A business may be unique in the sense that no competitor is at that very moment able to replicate the economic capability of that business in the eyes of customers. Perhaps, subsequently, a competitor will be able to develop a matching capability, but the starting business may have further enhanced its capability in the meantime.
...
In a coexistential mode, on the other hand, we can envisage non-collusive business model adaptation by competitors as a consequence of serendipity, relative strengths, timing or momentum in the pursuit of opportunity. Such adaptation permits coexistence by minimising confrontation."
"From a game-theoretic perspective, we can anticipate learned non-confrontational behaviour in a repeated non-zero sum environment. Like birds that live at different levels on a tree, businesses may site themselves in different parts of an ecosystem. Business development and rational expansion may favour the deepening of differentiated behaviour without the presumed backdrop of oligopoly. The birds that now thrive at the top of the tree may represent the survivors from a larger group, many of whom fed less well at other levels on the tree because they were less suited for that set of conditions. ... Typically, when the differentiation becomes acute, the existing strategic ecology evolves to create a new defensible ecosystem within which there is a pioneer: a new opportunity for a unique mode of competition rather like the splitting of an amoeba cell."E isto, conjuga-se perfeitamente com as ideias do meu guru sobre o sucesso das mittelstand alemãs, Hermann Simon. Recordo o capítulo 2 de "Manage For Profit Not For Market Share", ou seja, "Learn to Compete Peacefully":
"Peaceful competitors build an entire market strategy around preserving or increasing profits. They refuse to see themselves locked in a zero-sum competition for market share, which fosters a "kill or be killed" mentality. They would rather be different than be the ultimate "winner"."
Lembretes acerca da diversidade de estratégias
Para os que têm "a receita" para a economia, para os que pensam que os governos deviam prescrever "a estratégia" que os agentes económicos deviam seguir:
"When a business is confronted by a set of competitors in a given (strategic) ecosystem, one may ask whether there is one unique optimal strategy (and associated business model) available to the business in order to earn sustained economic rents that are sufficient to satisfy investors.Para os que são tentados a copiar o que o vizinho fez porque parece que está a dar resultado:
...
there are multiple routes to sustained competitive advantage, and multiple associated business models (rather like the existence of several competing organisms in the same ecosystem).
The possibility of a plurality of successful business models within a given strategic ecosystem arises from (i) the heterogeneous nature of the fine structure of the economic interface between businesses and customers, as well as (ii) the heterogeneous deployment of resources by businesses competing in the ecosystem resulting from earlier deliberate and emergent differences in the strategies of the businesses concerned.
...
It is wrong to think that there is a single optimal configuration of the business model solely determined by (i) the external characteristics of the ecosystem within which the business competes together with (ii) the salient descriptive characteristics of the customers who buy the products or services concerned. Those who would espouse such a view naively place too much confidence in the power of classical optimisation methods.
It follows, instead, that the choice of an effective business model (that is one which delivers sustained economic returns sufficient to satisfy investors) of competitor A is therefore not necessarily the same as the choice of an effective business model for a different competitor B in the same ecosystem. A and B have different histories, paths and destinies. ... given a set of resource constraints, an assessment of ecosystem structural attractiveness and an identified set of likely competitors, there is no single dominant choice of business model upon which success, in the form of sustained economic rents sufficient for investors, is predicated. Instead, there are nearly always several different routes to success for a business. Note that the existence of multiple routes does not of itself confer success: besides choosing a promising business model, a business has to implement it effectively."
"For both individuals and businesses, one very common source of failure to achieve satisfactory rents, human or economic, stems from the inability to pursue a consistent and coherent strategy on a sustained basis. Very often, individuals and businesses pursue contradictory or disconnected courses of action, with corresponding unsatisfactory results."Trechos retirados de "Astute Competition - The Economics of Strategic Diversity" de Peter Johnson.
quarta-feira, agosto 15, 2012
Imagino logo mais queima de dinheiro
A propósito dos números deste artigo "Desemprego atinge os 17,6% na região de Lisboa", para quem escreve há anos sobre a drenagem, surge uma ideia interessante: conjugar a evolução dos números do desemprego regional, com os números do PIB regional antes do começo da falência do modelo económico em que o país assentou na última década e meia, à base de estímulos governamentais.
.
E o que temos é isto:
.
Tirando o caso dos Açores, parece concluir-se que quanto mais rico se era em 2008, mais a taxa de desemprego cresceu entre o 1º trimestre de 2008 e o 2º trimestre de 2012.
.
Os números do desemprego são maus para qualquer governo, a tentação é injectar dinheiro para fazer baixar o número criando ou mantendo emprego artificial, emprego não sustentável, assim que se deixa de queimar fósforos não há chama, acaba a "festa". E foi isto que andamos a fazer sobretudo durante a primeira década do século XXI. Substituindo os empregos perdidos no "confronto" com a China e a Europa de Leste, por emprego suportado pelo Estado em sectores não-transaccionáveis.
.
Lembrem-se, até no nortenho Minho 20 a 30% do PIB dependia da construção.
.
Assim, quando leio que o PSD e o PS querem medidas para gerar emprego (aqui e aqui)... imagino logo mais queima de dinheiro, impostos futuros sobre as costas dos saxões do costume, para alimentar mais estímulos insustentáveis.
.
E o que temos é isto:
.
Tirando o caso dos Açores, parece concluir-se que quanto mais rico se era em 2008, mais a taxa de desemprego cresceu entre o 1º trimestre de 2008 e o 2º trimestre de 2012.
.
Os números do desemprego são maus para qualquer governo, a tentação é injectar dinheiro para fazer baixar o número criando ou mantendo emprego artificial, emprego não sustentável, assim que se deixa de queimar fósforos não há chama, acaba a "festa". E foi isto que andamos a fazer sobretudo durante a primeira década do século XXI. Substituindo os empregos perdidos no "confronto" com a China e a Europa de Leste, por emprego suportado pelo Estado em sectores não-transaccionáveis.
.
Lembrem-se, até no nortenho Minho 20 a 30% do PIB dependia da construção.
.
Assim, quando leio que o PSD e o PS querem medidas para gerar emprego (aqui e aqui)... imagino logo mais queima de dinheiro, impostos futuros sobre as costas dos saxões do costume, para alimentar mais estímulos insustentáveis.
A conversa da treta acerca da produtividade
Reparem nesta conversa:
"American manufacturing wages average $34 an hour, some 21 times the average in China at $1.60 an hour. But each U.S. worker adds $145,000 in value, far more than German, French, or Japanese employees, and more than 10 times that of the Chinese worker who contributes $13,700.Qual é a falácia desta narrativa?
The predominant explanation is U.S. manufacturers’ investment in automated equipment. Also, American labor is better trained than the Chinese. Similar productivity rankings can be seen in dollar value-added per hour: The U.S. worker is on top with $73 in value-added per hour worked; the Chinese worker adds only $7.19 of value per hour; Japanese, German, and French workers contribute up to $63."
.
.
A-Lembram-se dos portugueses que com a 4ª classe, ou menos, emigraram para a França e a Alemanha, durante a década de setenta e oitenta do século passado, e de como a sua produtividade disparava?
.
B-Lembram-se dos portugueses que com a 4ª classe, ou menos, ganharam a batalha da produtividade no sector têxtil aos franceses e alemães, durante a década de setenta e oitenta do século passado, e "arrumaram" com o grosso da produção nesses países?
.
Se olharmos para a produtividade como um indicador da capacidade de acrescentar valor potencial por unidade de tempo:
- A automatização da produção e a superior formação do operário americano fazem com que ele tenha uma produtividade muito superior à do operário chinês. Para mim, que fique muito claro, isto é treta!
- Outra justificação que se costuma ouvir ou ler é a de que a gestão do país X é superior à gestão do país Y e, por isso, os operários do país X são mais produtivos que os operários do país Y. Segundo esta justificação, a batalha da produtividade seria ganha com mais organização e método. Para mim, que fique muito claro, isto às vezes é treta!
Reparem numa das justificações do autor para o retorno de manufacturas da China para os EUA:
"Wages of the bottom half of American workers have significantly declined in real terms over the past decade, as well as in comparison with other nations, while those of U.S. manufacturing rivals, including China and Japan, have risen.Vejamos o caso A acima mencionado:
.
American workers are working longer, faster, and with greater anxiety, than ever before. Because of greater automation, flexibility, domestic U.S. outsourcing, and the fear of being laid off, surviving U.S. manufacturing workers have seen little or no increases in wages in the past eight years, and their output has increased with productivity in output per employee at an all-time high."
- Como é que um português com a 4ª classe mal amanhada consegue dar um salto espectacular na sua produtividade ao passar de uma fábrica no vale do Ave para uma fábrica no vale do Reno, no espaço de um mês?
Alguns respondem: por causa da superior qualidade da gestão e da organização alemã!
.
Bom, se essa for a resposta certa, como explicar o caso B acima mencionado:
- Como é que as fábricas têxteis do vale do Ave liquidaram as fábricas concorrentes no vale do Reno e do Loire?
O problema destas análises da produtividade é que comparam alhos com bugalhos. Os trabalhadores americanos são mais produtivos que os chineses não porque, como o autor do artigo pensa e escreve, correm mais depressa, quais Charlots escravos do ritmo das máquinas e da automatização, mas porque produzem artigos diferentes dos chineses.
.
Acaso um trabalhador americano poderia ter um nível de produtividade tão superior ao do chinês se produzisse o mesmo tipo de artigos?
.
O erro destas análises é comparar valores da produtividade entre diferentes países assumindo que os que eles produzem é igual e que, portanto, é tudo uma questão de mais rapidez e mais eficiência (têm de perceber os gráficos de Hausman - "they talk about a big complex mess using very aggregate measures").
.
O operário que vai do Ave para o Reno passa a produzir bens de muito maior valor acrescentado.
.
A produzir o mesmo tipo de artigos, isto é, comparando alhos com alhos, quando a diferença salarial é muita e quando a mão-de-obra tem um peso forte nos custos, não há organização e capacidade de gestão que valha, o país com salários mais baixos ganha, daí o sucesso de B.
.
Reparem como o governo e o BCE partilham do pensamento do autor do artigo, daí a redução de salários e o fim dos feriados.
.
O retorno a que assistimos no têxtil e vestuário, no calçado, no mobiliário, ... em Portugal, não foi por causa da redução dos salários, não foi por causa de se produzir mais depressa, foi porque se passou a produzir artigos com maior valor acrescentado (recordar gráficos daqui).
.
Alguém ontem comentou aqui no blogue:
"O consumidor americano é uma lástima, "no se entera de nada". Na velha europa somos civilizados"Um pouco na linha do que escrevemos em "Sugestão para uma tese de doutoramento"... será que na América não existe massa crítica de consumidores exigentes que puxe pela subida das empresas americanas na escala de valor? E de considerar, também, no caso americano, a facilidade no acesso ao capital para suportar as deslocalizações, o que impediu criar uma massa crítica de gestores habituados a "fuçar", em vez de lutar mudando de campeonato, continuam na mesma arena e mudam de localização.
terça-feira, agosto 14, 2012
Recordar
A propósito deste artigo "Governo quer vender totalidade dos ENVC e privilegia manutenção dos trabalhadores" onde se pode ler:
"O Governo quer vender a totalidade dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), sendo uma parte reservada aos trabalhadores. O restante será para um accionista de referência que tem de cumprir um conjunto de condições, nomeadamente a maximização dos actuais postos de trabalho."Recordar os comentários deste postal.
Um pouco de optimismo
O que falta a Evans-Pritchard neste artigo "Five years on, the Great Recession is turning into a life sentence" é equacionar o refluxo de "So my candidate for chief cause is Asia’s `Savings Glut’, and indeed whole the structure of East-West trade under globalisation." e um pouco mais de optimismo (Hum! Estarei a ser vítima da Prozac leadership?)
.
Basta juntar estas peças:
.
Basta juntar estas peças:
- "The End of Chinese Manufacturing and Rebirth of U.S. Industry" (que já comentámos aqui)
- "Why I Believe That This Will Be The Most Innovative Decade In History"
- "Manufacturing in America"
- "Seven Reasons to Expect US Manufacturing Resurgence" (Isto merece um futuro artigo por causa da produtividade e do valor acrescentado por trabalhador)
- "Reasons to be cheerful, part five" onde se pode ler:
"the new industrial revolution consists of a number of different features making a simultaneous impact in both the rich world and the poor. He cites an increase in the technology component of modern business strategies; the ability to offer personalised products on a mass scale; the growing fragmentation of production with more interconnectedness of supply chains across different countries; the increasing niche orientation of many companies; a focus on environmental challenges and more efficient use of resources; and more regional concentration and specialisation.Para mim, até isto faz sentido "Euler Hermes: Insolvências de empresas vão aumentar 50% em Portugal" e se encaixa na mudança em curso. Uma revolução não é uma evolução pacífica, uma revolução perturba o status-quo.
.
The book is right to concede that few of these individual features are completely new. But it argues that they really started to interact from around 2005 and they will continue to do so until 2040 and beyond.
.
I’m not sure that the designation “revolution” for such disparate business trends is useful but let’s not argue about taxonomy. Whether the changes occurring in manufacturing constitute Revolution Number Five or are simply the after-effects of Revolution Number Four, they are having a big effect. Marsh is surely right to remind us that manufacturing is more exciting than most people imagine."
segunda-feira, agosto 13, 2012
Ser "amigo" é...
Só porque há excesso de oferta de um bem não se deve impedir que alguém tente a sua sorte e comece a produzir esse mesmo bem.
.
Se não vai fazer a diferença... como é que espera conseguir vender? A que preços? Que retorno terá?
.
Ser "amigo" é mostrar que há muitas alternativas para uma oferta agrícola não massificada e que tire partido das vantagens climáticas do país.
.
Trecho retirado de "Crise está a causar aumento de jovens agricultores"
.
Esse alguém pode começar a produzir o bem com características que ninguém tenha ainda oferecido, pode oferecer condições de embalamento, distribuição, pagamento, promoção que de alguma forma façam a diferença em na mente dos potenciais clientes heterogéneos que compõem um mercado.
.
Contudo, se esse alguém precisar de dinheiro para fazer a sua tentativa, o eventual financiador deverá ser muito mais exigente com a aplicação do seu dinheiro. Senão que garantias terá de que o seu dinheiro terá um retorno positivo?
.
Quem quer tentar a sua sorte com dinheiro alheio, terá de demonstrar que tem uma qualquer abordagem inovadora que lhe permitirá fazer a diferença junto de um nicho de potenciais clientes. Senão como conseguirá abrir espaço entre os incumbentes?
.
Se não houver diferenças, se não houver inovação, o dinheiro vai gastar-se e não vai haver retorno.
.
Assim, para mim, que escrevo há anos neste espaço sobre o excesso de produção leiteira, sobre o excesso de produção de vinho, sobre a bolha azeiteira, preocupa-me que dinheiro do Estado, dinheiro habitualmente mal gerido, habitualmente atirado para cima de problemas, esteja a ser utilizado desta forma:
""A hortofruticultura representa 16% dos projetos e 27% do investimento aprovado até final de 2011, enquanto as culturas permanentes, vinha e olival representam 53% dos projetos e 33% do investimento aprovado", indicou a fonte."Ser "amigo" não é dar dinheiro para uma aventura bem-intencionada. Ser "amigo" é ser exigente, é educar para a grande verdade, hoje em dia não basta produzir. Produzir é o mais fácil! Como seduzir clientes? Como se vai fazer a diferença?
.
Se não vai fazer a diferença... como é que espera conseguir vender? A que preços? Que retorno terá?
.
Ser "amigo" é mostrar que há muitas alternativas para uma oferta agrícola não massificada e que tire partido das vantagens climáticas do país.
.
Trecho retirado de "Crise está a causar aumento de jovens agricultores"
Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é burro ou não tem arte
"Parlamento. Reformas de deputados demoram menos de um mês a serem despachadas"
.
Na saúde, na educação, na justiça, na polícia, na ...
"Caixa Geral de Aposentações tem dois pesos e duas medidas. Enquanto há quem espere um ano, outros reformam-se logo"Quem acredita que é só aqui que há esquemas?
.
Na saúde, na educação, na justiça, na polícia, na ...
Aves
Há cerca de uma hora, na borda de uma estrada, passei por uma, e nem se moveu (tratando-se de uma descida em estrada de montanha, circulava a cerca de 30 km/h):
Perdix perdix.
.
Depois, 3 ou 4 curvas mais à frente, mais um imponente exemplar de Oriolus oriolus (papa-figos)
.
Ontem, ao fim da tarde, fui brindado por 6 exemplares de Gyps Fulvus (grifo) junto à barragem de Saucelle:
Perdix perdix.
.
Depois, 3 ou 4 curvas mais à frente, mais um imponente exemplar de Oriolus oriolus (papa-figos)
.
Ontem, ao fim da tarde, fui brindado por 6 exemplares de Gyps Fulvus (grifo) junto à barragem de Saucelle:
domingo, agosto 12, 2012
Small is beautiful!!!
Em sintonia com o nosso discurso sobre Mongo, em sintonia com a correcção que fizemos ao título do artigo que passou a ser "O Futuro é Local, Não a China", em sintonia com a crítica que fizemos aos que criticam os micro-empreendedores, em sintonia com a crítica à visão ultrapassada de MFL, um artigo:
Amanhã, vou passar pelos restos mortais centenários de uma fábrica que me impressionou da primeira vez que a vi em 1985, caminhava de mochila às costas entre Figueira de Castelo Rodrigo e Barca D'Alva, algures a seguir à localidade de Escalhão. Ao longo destes anos, tenho-a usado como exemplo, ainda na quinta-feira passada o fiz numa empresa, do impacte do comboio e da rede nacional de estradas.
.
As pequenas fábricas foram dizimadas pela redução do factor distância no mercado nacional. A China fez o mesmo com a redução do factor distância no mercado mundial.
.
O que é que é diferente agora?
.
Agora, we are all weird!!!
sábado, agosto 11, 2012
Sempre em busca de uma batota mais eficaz
"Within 10 years, retail as we know it will be unrecognizable, says Kevin Sterneckert, a Gartner analyst who follows retail technology. Big-box stores such as Office Depot, Old Navy and Best Buy will shrink to become test centers for online purchases. Retail stores will be there for a "touch and feel" experience only, with no actual sales. Stores won't stock any merchandise; it'll be shipped to you. This will help them stay competitive with online-only retailers, Sterneckert says."Que o retalho físico vai mudar, não há dúvidas.
.
Não sei é se vai ser descurando o efeito da gratificação imediata da compra.
"FedEx and UPS will delve deeper into refrigerated home delivery. Google trucks will deliver local services. Clothing — even pharmaceuticals — will be produced in the home via affordable 3-D printers."Aqui está um negócio que há mais de 1 ano me convence que vai ter um boom espectacular, o "home delivery".
"By the time you walk into a store in the near future, the employees there will probably know what you want to buy, based on information on your trusty phone or tablet. Merchants will know your gender, age, race and income, analyst Sterneckert and others say"E qual será a formação destes consultores de compra? Que competências tecnológicas terão de possuir? Como se lidará com a propriedade e confidencialidade da informação? Um consultor de compra poderá ter acesso a esta informação sobre um cliente e não ser assediado para a passar a outro empregador?
"There might be less merchandise inside, as bricks-and-mortar stores offer only special products that distinguish them from Web competitors."Fácil de prever, aliás, já está a acontecer, as lojas europeias pelam-se por artigos exclusivos, pedem para colocar a sua marca em artigos que não desenvolveram, tudo para criar diferenciação face ao online.
"Increasingly, where one shops will be irrelevant. Phones and bar codes will let consumers shop from their kitchens — a digital screen on a refrigerator, for example, will allow orders from home, with a delivery service dropping off the produce. "A screen is a screen is a screen," says Jill Puleri, of IBM's Global Business Services retail-consulting practice."E se pequenos produtores, em vez de transferirem margem para a distribuição, apostassem na captura destas encomendas caseiras, para clientes-alvo, e as despachassem via parceiros da "home-delivery". O meu fornecedor de ovos, feijão verde, cebola, batata, nabiças, nabos, kiwis, maracujás, pimentos, courgettes, abóboras, pepinos e... poderia ampliar a sua produção e ganhar uma boa maquia.
.
Não estou de acordo com tudo o que o artigo descreve ou prevê, contudo, parece-me uma boa matéria-prima para alimentar discussões sobre o futuro do retalho em vários sectores. O problema que a grande distribuição resolve é o da mediação entre o produtor e o consumidor... e o que impede que a internet, num futuro cada vez mais próximo, seja esse mediador?
.
Trechos retirados de "Why shopping will never be the same"
Calçado português - 2º trimestre de 2012
Números do sector do calçado, para reflectir, números retirado do "Boletim de Conjuntura 2012 1º (2º) trimestre" da APICCAPS.
Relativamente ao 1º (2º) trimestre de 2012 (em que as exportações cresceram 2,5%)
- 38% (23%) das empresas afirmam que a sua produção baixou
- 50% (46%) das empresas afirmam que a sua produção estabilizou
- 12% (31%) das empresas afirmam que a sua produção aumentou
- 35% (27%) das empresas afirmam que o seu nível de utilização da capacidade produtiva é inferior ao da mesma época no ano passado
- 60% (65%) das empresas afirmam que o seu nível de utilização da capacidade produtiva é igual ao da mesma época no ano passado
- 5% (8%) das empresas afirmam que o seu nível de utilização da capacidade produtiva é superior ao da mesma época no ano passado
- 39% (26%) das empresas afirmam que a sua carteira de encomendas do estrangeiro baixou
- 41% (42%) das empresas afirmam que a sua carteira de encomendas do estrangeiro estabilizou
- 20% (32%) das empresas afirmam que a sua carteira de encomendas do estrangeiro aumentou
- 9% (12%) das empresas diminuiram postos de trabalho
- 83% (79%) das empresas estabilizaram postos de trabalho
- 8% (9%) das empresas aumentaram postos de trabalho
Relativamente ao 2º(3º) trimestre de 2012, perspectivas:
- 14% (18%) das empresas perspectivam que a sua produção vai diminuir
- 47% (64%) das empresas perspectivam que a sua produção vai estabilizar
- 39% (18%) das empresas perspectivam que a sua produção vai aumentar
- 15% (24%) das empresas perspectivam que a sua carteira de encomendas do estrangeiro vai diminuir
- 43% (61%) das empresas perspectivam que a sua carteira de encomendas do estrangeiro vai estabilizar
- 42% (15%) das empresas perspectivam que a sua carteira de encomendas do estrangeiro vai aumentar
"A difícil situação económica, em Portugal e em grande parte dos países europeus, continua a penalizar o consumo privado, situação que não se deverá alterar a curto prazo. Neste contexto negativo, no segundo
trimestre de 2012, o calçado português reforçou a produção e aumentou os níveis de utilização da capacidade, conseguindo manter o nível de emprego na indústria. Os empresários continuam a considerar o estado dos negócios satisfatório, embora em degradação face ao passado recente."
Notável!!!
"No primeiro semestre deste ano, o volume de negócios da Imperial, detida pelo Grupo RAR, ‘engordou’ 18% face a Junho de 2011, para 13 milhões de euros. «O grande responsável por este crescimento foi o mercado interno, onde crescemos 17%. No mercado externo crescemos 19%»,"Um país que mexe...
.
"Para este ano, o objectivo é adicionar mais 10% ao volume de negócios de 2011, que rondou os 21,2 milhões de euros, com lucro de um milhão.Comparar com o discurso que satura os media portugueses, sobretudo as televisões.
.
«O ano 2012 vai ser, provavelmente, um dos melhores que a Imperial já teve», acredita a responsável. O negócio «pode vir a crescer este ano cerca de 25% no mercado externo», prevê."
.
Trechos retirados de "Regina e Pintarolas adoçam império"
Qual a taxa de sobrevivência?
O BCE recomenda isto "BCE pede a países em apuros para baixarem salários", na sequência disto.
.
Pelos vistos há empresas em Portugal que seguem essa recomendação há muitos anos:
.
Se o problema for da oferta tudo bem, só que o problema, quase sempre, está na procura.
.
Pelos vistos há empresas em Portugal que seguem essa recomendação há muitos anos:
"Dezasseis mil trabalhadores batem à porta da Segurança Social para reaverem salários em atraso"Será que o resultado é positivo? Qual a taxa de sobrevivência?
.
Se o problema for da oferta tudo bem, só que o problema, quase sempre, está na procura.
sexta-feira, agosto 10, 2012
Quem não querem como clientes?
Este artigo "Bad Service Can Be Good Business" conta a história de um jornalista, analista financeiro, recém ex-cliente do banco Wells Fargo.
.
O jornalista começa por relatar o péssimo nível de serviço do banco, continua com a descrição da sua desistência e opção por trabalhar, como cliente, com outro banco e, termina com a recomendação de compra de acções do Wells Fargo.
.
Quer o artigo original do jornalista, quer o artigo do blogue da HBR, acima referido, esquecem de referir um ponto de vista: quem são os clientes-alvo do Wells Fargo?
.
Vamos imaginar que o Wells Fargo identificou um conjunto de clientes-alvo com os quais pretende trabalhar. Será difícil supor que o jornalista pode não fazer parte desse segmento e, por isso, sentir que o banco não é o melhor para ele?
.
A Ryanair pode ser mal vista por um passageiro que quer viajar de avião e ter refeição a bordo... de quem é a culpa? Será que se pode dizer que a Ryanair presta um mau serviço? O que é que ela promete? O que é que ela entrega?
.
Frances Frei e Anne Morriss em "Uncommon Service" dão o exemplo do Commerce Bank:
.
"... rewrote the rules of an industry. And he did it by daring to be bad.
...
The bank achieved its success by deciding to be great at some dimensions of service and bad at others. Not casually bad, but bad in the service of great.
...
Aiming to be the best on hours, the bank chose to stay open seven days a week.
...
Commerce paid the lowest rates on deposits in every local market."
.
E no seu negócio, o que é que decidiram fazerem muito bem? E para quem? E o que é que decidiram fazer mal, deliberadamente mal? Quem não querem como clientes?
.
O jornalista começa por relatar o péssimo nível de serviço do banco, continua com a descrição da sua desistência e opção por trabalhar, como cliente, com outro banco e, termina com a recomendação de compra de acções do Wells Fargo.
.
Quer o artigo original do jornalista, quer o artigo do blogue da HBR, acima referido, esquecem de referir um ponto de vista: quem são os clientes-alvo do Wells Fargo?
.
Vamos imaginar que o Wells Fargo identificou um conjunto de clientes-alvo com os quais pretende trabalhar. Será difícil supor que o jornalista pode não fazer parte desse segmento e, por isso, sentir que o banco não é o melhor para ele?
.
A Ryanair pode ser mal vista por um passageiro que quer viajar de avião e ter refeição a bordo... de quem é a culpa? Será que se pode dizer que a Ryanair presta um mau serviço? O que é que ela promete? O que é que ela entrega?
.
Frances Frei e Anne Morriss em "Uncommon Service" dão o exemplo do Commerce Bank:
.
"... rewrote the rules of an industry. And he did it by daring to be bad.
...
The bank achieved its success by deciding to be great at some dimensions of service and bad at others. Not casually bad, but bad in the service of great.
...
Aiming to be the best on hours, the bank chose to stay open seven days a week.
...
Commerce paid the lowest rates on deposits in every local market."
.
E no seu negócio, o que é que decidiram fazerem muito bem? E para quem? E o que é que decidiram fazer mal, deliberadamente mal? Quem não querem como clientes?
Isto é que é resiliência!
"Têxtil resistiu bem no primeiro semestre"
"Exportações do setor têxtil aumentam no semestre"
.
Isto é que é ganhar quota de mercado!
.
Milagre?
.
Não!!!
.
Simplesmente a concretização das previsões... quanto mais incerteza, maior a necessidade, maior a vantagem em colocar a produção mais próxima do consumo. Pronto-moda, rapidez, flexibilidade, condições de pagamento, ... em tempo de incerteza, reduzir o risco, fazendo pequenas e variadas apostas em vez de grandes e concentradas apostas.
.
Pena não se ter feito isto, muito dinheiro está a ficar em cima da mesa.
"Exportações do setor têxtil aumentam no semestre"
.
Isto é que é ganhar quota de mercado!
.
Milagre?
.
Não!!!
.
Simplesmente a concretização das previsões... quanto mais incerteza, maior a necessidade, maior a vantagem em colocar a produção mais próxima do consumo. Pronto-moda, rapidez, flexibilidade, condições de pagamento, ... em tempo de incerteza, reduzir o risco, fazendo pequenas e variadas apostas em vez de grandes e concentradas apostas.
.
Pena não se ter feito isto, muito dinheiro está a ficar em cima da mesa.
Como é que Ghemawat interpretaria estes números?
Leio:
.
BTW, ontem, ao final da tarde estive numa PME de calçado que me começou a enumerar com orgulho, a lista de países para onde exporta... achei interessante as encomendas de reposição, sinal de que a encomenda inicial já foi vendida, do Japão e do Cazaquistão...
.
Trecho inicial retirado daqui.
"As exportações portuguesas de bens para a China cresceram 183,3% no primeiro semestre deste ano, transformando aquele país no décimo maior cliente de Portugal, à frente do Brasil."E recordo logo "World 3.0" de Pankaj Ghemawat...
" "gravity models to study bilateral interactions. Such models resemble Newton's law of gravitation in linking interactions between countries to the product of their sizes (usually their gross domestic products) divided by some composite measure of distance that incorporates some of the factors (Cultural distance, Administrative distance, Geographic distance, Economic distance). I tend to think of them as distance modelsComo é que Ghemawat interpretaria estes números?
...
To start with geographic or physical distance, a useful stylized fact is that a 1 percent increase in the geographic distance between two locations leads to about a 1 percent decrease in trade between them."
.
BTW, ontem, ao final da tarde estive numa PME de calçado que me começou a enumerar com orgulho, a lista de países para onde exporta... achei interessante as encomendas de reposição, sinal de que a encomenda inicial já foi vendida, do Japão e do Cazaquistão...
.
Trecho inicial retirado daqui.
quinta-feira, agosto 09, 2012
Entre Junho e Julho?
A propósito dos números das exportações portuguesas de bens:
.
Considerando o peso importante das viagens e turismo no universo dos serviços, e considerando a evolução de 2011 verificada na balança de serviços, se calhar tivemos o equilíbrio algures entre Junho e Julho.
Trecho inicial retirado daqui.
"As exportações portuguesas registaram um crescimento homólogo de 6,8% entre Abril e Junho deste ano"Considerando os valores de Junho de 2012 para as exportações e importações portuguesas de bens, com os dados de Maio de 2012 para as exportações e importações portuguesas de serviços, o défice cai para menos de 100 milhões de euros.
.
Considerando o peso importante das viagens e turismo no universo dos serviços, e considerando a evolução de 2011 verificada na balança de serviços, se calhar tivemos o equilíbrio algures entre Junho e Julho.
Trecho inicial retirado daqui.
Recuperar uma economia viciada há décadas em estímulos, sem aumento do desemprego, é lirismo
"O Banco Central Europeu (BCE) defende que os salários dos portugueses deveriam ter começado a cair mais cedo, de forma a evitar uma subida tão pronunciada da taxa de desemprego."Uns figurões importantes, sem conhecimento detalhado da realidade específica de um país, dedicam-se, de vez em quando, a lançar umas afirmações gerais para explicar uma qualquer estatística.
.
Se Portugal estivesse a atravessar uma recessão interna pontual, se Portugal estivesse a viver uma crise económica conjuntural, a afirmação do senhor Draghi até poderia ser compreendida e até podia fazer sentido. Contudo, o que estamos a atravessar não tem nada de conjuntural, o que estamos a assistir é a um violento e necessário ajuste estrutural de uma economia disfuncional, para se tornar numa realidade económica muito mais saudável.
.
Se os salários dos portugueses tivessem começado a cair mais cedo, quantas empresas, sem o mercado inflacionado pelo dinheiro do Estado e pelo crédito fácil e barato, conseguiriam resistir e não fechar? Quantas, das 29 empresas de construção que fecham por dia, por exemplo, escapariam se os custos salariais fossem mais baixos?
Quantos stands de automóveis evitariam o encerramento? Quantas lojas evitariam o despedimento? Quantas imobiliárias sobreviveriam?
.
Se os salários dos portugueses tivessem começado a cair mais cedo, quantos professores e recibos verdes do Estado seriam poupados?
.
Nada poderia ter evitado este salto no nível do desemprego, a menos que continuássemos alegremente, a "assar sardinhas com o lume dos fósforos" (parte 2010, parte 2011 e parte 2012). Recuperar uma economia viciada há décadas em estímulos não é a mesma coisa que curar uma constipação passageira.
.
Recordar o drill-down do desemprego.
.
Trecho retirado daqui.
Bem vindos ao Estranhistão
Em "O triunfo da heterogeneidade" salientamos o lado positivo da existência da heterogeneidade nos mercados reais, em vez das abstracções matematizáveis e irrealistas.
.
Contudo, há um lado negativo decorrente do triunfo comunicacional dos economistas com os seus mercados perfeitos:
.
Ainda ontem recebi um e-mail que ilustrava esta situação. A certa altura descrevem-me a situação que explica um deficit estratégico:
Planeamento central, rigor, funções claramente definidas, um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar. Não há desenrascanços, não há "primma donnas", não há democracia, há uma música invisível ao som da qual todos dançam alinhados, sintonizados em prol da eficiência, da rapidez na execução daquilo que foi planeado milhares de vezes.
.
Nós não temos cultura para trabalhar assim... não é, nós não temos gente para trabalhar assim, é mais, nós não temos empresários preparados para pensar assim, até porque para pensar assim, tem de se ter um arcaboiço comercial capaz de despachar o produto. Porque quem trabalha neste campeonato tem de produzir sempre o mais próximo possível dos 100% da capacidade (e, se possível, acima da capacidade nominal) e o dinheiro só se ganha quando se recebe o que se vendeu, não quando se produz.
.
Claro que esta cultura de crença exclusiva na escala, no volume e na eficiência é resultado das correntes económicas que se estudam nas universidades e que têm de ser matematizáveis, que têm de ter equações e modelos matemáticos capazes de rivalizar com os da malta da Física. Para isso, fazem-se simplificações e abstracções até que se chegam aos mercados perfeitos. Esta cultura ocupa o mainstream e abafa pensamentos alternativos.
.
Até parece que não conhecemos histórias de micro-produtores que triunfam... até parece que não existem histórias de empresas que apesar de pequenas, transpiram autenticidade, respiram diferenciação, são sinónimo de exclusividade.
.
Lembro-me do meu pai estudar à noite. De entre a sua bibliografia havia um livro, que herdei, que se intitulava "Small is beautiful" de um tal Schumacher, para mim, na altura, "Small is beautiful" não passava de um título, não passava de um slogan.
.
Hoje, percebo melhor do que nunca que small is beautiful é muito mais do que um soundbite. Small is beautiful é o caminho de Mongo.
.
E como somos todos cada vez mais weirds ... cada vez haverá mais procura pelo que é único, pelo que é diferente, pelo que é tribal... bem vindos ao "Estranhistão... weirdistão"
.
Contudo, há um lado negativo decorrente do triunfo comunicacional dos economistas com os seus mercados perfeitos:
"Very little attention is given to differentiated internal structures since this undermines the powerful underlying requirement that competing businesses are relevantly similar, permitting the application of ceteris paribus thinking.Esta corrente dominante ocupa os modelos mentais da maioria dos agentes económicos. Assim, tolhe a sua capacidade de actuação.
.It is easy to suspect that traditional economists cannot in fact explain how businesses make a sustained profit. In a world of perfect competition supernormal profits will be zero, and the suggestion of economics is that anything other than this outcome is either inefficient, transient or morally reprehensible. This failure to understand the source of sustained business profits probably arises from the focus of traditional economics on only three types of competition (monopoly, oligopoly and perfect competition — all of which are selected and investigated because they are susceptible to mathematical analysis) and associated rents.…Economists also tend to regard differentiation within a product or service as a variant of price, when in fact price may not be a criterion that determines purchase."
.
Ainda ontem recebi um e-mail que ilustrava esta situação. A certa altura descrevem-me a situação que explica um deficit estratégico:
"A desculpa que ouvimos mais frequentemente é que não temos "quantidades" e como tal preço para competir."Um excelente retrato de uma realidade que infelizmente conheço demasiado bem. A ideia de que só se pode competir pela produção de quantidades cada vez maiores, quantidades que dão escala, que dão vantagens de custo... e claro, como isso impõe uma cultura de negócio como a de um pit da Fórmula 1...
Planeamento central, rigor, funções claramente definidas, um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar. Não há desenrascanços, não há "primma donnas", não há democracia, há uma música invisível ao som da qual todos dançam alinhados, sintonizados em prol da eficiência, da rapidez na execução daquilo que foi planeado milhares de vezes.
.
Nós não temos cultura para trabalhar assim... não é, nós não temos gente para trabalhar assim, é mais, nós não temos empresários preparados para pensar assim, até porque para pensar assim, tem de se ter um arcaboiço comercial capaz de despachar o produto. Porque quem trabalha neste campeonato tem de produzir sempre o mais próximo possível dos 100% da capacidade (e, se possível, acima da capacidade nominal) e o dinheiro só se ganha quando se recebe o que se vendeu, não quando se produz.
.
Claro que esta cultura de crença exclusiva na escala, no volume e na eficiência é resultado das correntes económicas que se estudam nas universidades e que têm de ser matematizáveis, que têm de ter equações e modelos matemáticos capazes de rivalizar com os da malta da Física. Para isso, fazem-se simplificações e abstracções até que se chegam aos mercados perfeitos. Esta cultura ocupa o mainstream e abafa pensamentos alternativos.
.
Até parece que não conhecemos histórias de micro-produtores que triunfam... até parece que não existem histórias de empresas que apesar de pequenas, transpiram autenticidade, respiram diferenciação, são sinónimo de exclusividade.
.
Lembro-me do meu pai estudar à noite. De entre a sua bibliografia havia um livro, que herdei, que se intitulava "Small is beautiful" de um tal Schumacher, para mim, na altura, "Small is beautiful" não passava de um título, não passava de um slogan.
.
Hoje, percebo melhor do que nunca que small is beautiful é muito mais do que um soundbite. Small is beautiful é o caminho de Mongo.
.
E como somos todos cada vez mais weirds ... cada vez haverá mais procura pelo que é único, pelo que é diferente, pelo que é tribal... bem vindos ao "Estranhistão... weirdistão"
quarta-feira, agosto 08, 2012
Ecossistemas estratégicos
"Strategy describes competition between companies, businesses or individuals that are distinct, that is, heterogeneous. Strategy becomes observable when companies, businesses or individuals compete in a given arena. Put into practical terms, for businesses within a given strategic ecosystem, a strategy is a coherent and consistent pattern of action expressed through a business model leading to the appropriation of sustained economic rents."O exemplo que se segue ilustra bem o que se entende por heterogeneidade num sector económico.
.
"in the valve and pump industries, in spite of the fact that there are several hundred businesses in each of these industries in the United Kingdom, few of the businesses compete head-to-head. The products designed, manufactured and distributed by these companies vary significantly depending upon their engineering complexity and degree of customisation. In addition, valves and pumps have very different characteristics depending on the needs of industry end users. Finally, the nature of the installation, maintenance and replacement economics may differ very substantially.
Various combinations of these factors impinge upon the viability of different strategic and operational options for participants in the pump and valve industries that affect the nature of the manufacturing, supply, design and servicing capabilities of the business (as shown in Figure 1).
Overlaid on top of this power/cost dimension of strategic ecology is an end-use dimension, which determines the design and materials aspects of the pumps or valves. Over a period of time, the industry has evolved into approximately twenty different ecosystems characterised by complexity, value and end-user industry. Businesses typically participate in only one or two ecosystems, because different ecosystems require markedly different business models for a player to participate: a single business model, even if distinct from that of other players, is unlikely to confer advantages in different pump and valve ecosystems. A broad participant needs multiple model to compete in several different ecosystems, which splinters learning and is expensive. What an analysis of the pump and valve industries makes clear is how heterogeneous these industries in fact are, and how varied are the firms that compete in them — there is no single industry but instead many strategic ecosystems."
.
Leio "strategic ecosystems" e recordo as árvores cladísticas.
terça-feira, agosto 07, 2012
A erosão da certificação ISO 9001 ...
"Disseram-me ontem e já confirmei hoje.
Aquela empresa foi auditada pela entidade certificadora. Não "passou", obviamente, porque não tinha nem definidos nem muito menos implementados, e só para dar dois exemplos, a revisão pela gestão e a monitorização do desempenho do sistema (requisitos que obrigam a apresentar histórico de vários meses para serem credíveis - mas nem sequer estavam definidos, saliente-se).
A mesma entidade certificadora fez nova auditoria umas duas semanas depois e atribuiu o certificado..."
A mesma entidade certificadora fez nova auditoria umas duas semanas depois e atribuiu o certificado..."
.
É assim, que vai se erodindo o valor da certificação por 3ª parte. Nem vale a pena comentar mais...
.
Trecho retirado daqui.
O triunfo da heterogeneidade
Ontem, durante o meu jogging, ao reflectir sobre o que tinha lido no capítulo 1 ("The Economics of Strategic Diversity") de "Astute Competition - The Economics of Strategic Diversity" de Peter Johnson, interroguei-me sobre o impacte dos economistas na economia do país.
.
Que impacte terá uma classe educada, moldada, condicionada a pensar em termos de competição perfeita, monopólios, oligopólios, em suma, commodities... aqueles que conseguem, através do contacto com a realidade, partir o molde são uns heróis.
.
Agora, percebo melhor a ênfase nos custos e, sobretudo, a visão redutora de olhar para um sector económico como um bloco homogéneo onde todos competem da mesma maneira, ou seja, pelo preço.
.
Por isso, Daniel Bessa e os seus pares são incapazes de perceber o real, eles falam de mercado, e na realidade o que existem são seres vivos únicos, não matematizáveis, as empresas... e como prova da sociedade de vácuo e espuma em que vivemos, apesar de falharem uma e outra vez nas previsões, continuam a ser convidados para descrever a realidade e continuar a fazer previsões.
.
Por isso, o mainstream fica admirado com a resiliência da economia real e das empresas reais, e só concebe uma explicação o preço, neste caso a cotação do euro (aqui e aqui).
.
Por isso, a tríade, como lhes chamo há muito tempo, olha para um sector económico como um bloco homogéneo coerente, maciço... quando a realidade é saudavelmente heterogénea. Heterogeneidade entre empresas é o equivalente à biodiversidade na biologia, nos ecossistemas. O melhor seguro contra as catástrofes!!!
.
"Contemporary neoclassical economics does not provide an adequate account of the competition between diverse businesses.
.
Que impacte terá uma classe educada, moldada, condicionada a pensar em termos de competição perfeita, monopólios, oligopólios, em suma, commodities... aqueles que conseguem, através do contacto com a realidade, partir o molde são uns heróis.
.
Agora, percebo melhor a ênfase nos custos e, sobretudo, a visão redutora de olhar para um sector económico como um bloco homogéneo onde todos competem da mesma maneira, ou seja, pelo preço.
.
Por isso, Daniel Bessa e os seus pares são incapazes de perceber o real, eles falam de mercado, e na realidade o que existem são seres vivos únicos, não matematizáveis, as empresas... e como prova da sociedade de vácuo e espuma em que vivemos, apesar de falharem uma e outra vez nas previsões, continuam a ser convidados para descrever a realidade e continuar a fazer previsões.
.
Por isso, o mainstream fica admirado com a resiliência da economia real e das empresas reais, e só concebe uma explicação o preço, neste caso a cotação do euro (aqui e aqui).
.
Por isso, a tríade, como lhes chamo há muito tempo, olha para um sector económico como um bloco homogéneo coerente, maciço... quando a realidade é saudavelmente heterogénea. Heterogeneidade entre empresas é o equivalente à biodiversidade na biologia, nos ecossistemas. O melhor seguro contra as catástrofes!!!
.
"Contemporary neoclassical economics does not provide an adequate account of the competition between diverse businesses.
…
Nowhere though do we encounter a business as the object of
investigation in traditional economics. In other words, there is a huge gap in
the economics coverage of commercial activity. Why is this? Part of the reason
is that the focus of economists is on markets rather than on
businesses.
…
Management and strategy seem to have little importance: notionally at
least, we could optimise the production function with but a few hours of linear
programming.
…
Businesses get things done, facilitating intent and action in a way
that is fundamentally beyond the scope of the market mechanism. We can consider
businesses to be the vehicle to extract economic rents through the competitive
control of resources; they are the building blocks of heterogeneous
competition.
…
Like people, businesses are unique and the teams working in them
expect strategies to reflect the specifics of the business, not averages or
generalisations drawn across a large number of other businesses, which are each
in fact distinct. Furthermore, businesses like individuals learn and adapt, (Moi ici: Por isso, o pensamento newtoniano de causa-efeitos eternos e imutáveis não funciona) particularly in the light of generally held assumptions about how businesses
behave or conform to expectations. In talking to the key individuals in a
business, it soon becomes apparent that heterogeneity is the key to generating
returns different from those of competitors. Richard Rumelt got it right when he
said:
Similar firms facing similar strategic problems may respond differently.
Firms in the same industry compete with substantially different
bundles of resources using disparate approaches. These firms differ because of
different histories of strategic choice (Moi ici: A lição do espaço de Minkowsky, aqui também) and performance and because managements
appear to seek asymmetric competitive positions. (Foss 1997: 132)
.
Economics heads in the opposite direction since it is determined to
eliminate or render irrelevant the specifics of the individual situation. (Moi ici: Bem me parecia a mim, anónimo engenheiro de província, que era assim que os economistas viam a coisa, mas pensava que era defeito. Afinal é feitio) As a
result, markets are the antithesis of businesses — all the non-systematic,
business-specific information is washed away in the economists’ assumption of
efficient and deep product markets: this is what transactional cost economics
tells us happens when markets function well. The transactions are nominally the
same and as a result individual businesses are not relevant to the making of
purchasing decisions because they all offer whatever it is that the market
provides. But this emphasis on anonymity in economics goes beyond the
featureless neutrality of markets.
.
The entire approach of traditional economics is to try to introduce
homogeneous elements to make a situation tractable — essentially various forms
of everything else being assumed to be the same — in order to establish a
general conclusion of the form ‘whenever we have X, then Y follows’. More fully,
though, we should say that ‘whenever we have two situations that only differ in
so far as X occurs in one and does not in the other, then Y will occur in the
situation that X occurs’. This uniformity of background assumption is generally
known as the ceteris paribus assumption e.g. same product, same production
processes, same customer needs. In real business situations, it is extremely
rare for conditions to repeat themselves, in other words, for ceteris paribus to
hold.
In a similar fashion, the force of ceteris paribus thinking extends
to the way economists think about the businesses themselves. Traditional
economic analyses of business problems show little understanding of the
heterogeneous internal structure of businesses that result from their selection
of business model.
While Michael Porter and other industrial organisation theorists
perceive the existence of cost- and value based sources of competitive
advantage, they are not able to link in a specific way these advantages to the
configuration of the firm. The typical assumption is that the differences relate
either to economies of scale and scope, or to operational efficiency.
Very little attention is given to differentiated internal structures
since this undermines the powerful underlying requirement that competing
businesses are relevantly similar, permitting the application of ceteris paribus
thinking.
.
It is easy to suspect that traditional economists cannot in fact
explain how businesses make a sustained profit. In a world of perfect
competition supernormal profits will be zero, and the suggestion of economics is
that anything other than this outcome is either inefficient, transient or
morally reprehensible. This failure to understand the source of sustained
business profits probably arises from the focus of traditional economics on only
three types of competition (monopoly, oligopoly and perfect competition — all of
which are selected and investigated because they are susceptible to mathematical
analysis) and associated rents.
…
Economists also tend to regard differentiation within a product or
service as a variant of price, when in fact price may not be a criterion that
determines purchase.
…
We find that often a reasonable price, not necessarily the best
price, is a threshold requirement for a product or service to be bought;
however, the dominant criterion that triggers a purchase decision relates to
aesthetics, ease-of-use, name recognition or some other set of
considerations.
When we turn to the basis of competition between businesses,
economists usually assume that strategic positioning problems are essentially
pricing problems, and this single price variable entirely captures the decision
criteria of the purchaser."
Incomoda-me a crítica constante aos micro-empreendedores
Este discurso:
.
Incomoda-me a crítica constante aos micro-empreendedores, gente que opta por não ficar a depender da segurança social.
.
Esquecem-se sempre que um micro-empreendedor está a apostar o seu dinheiro, o seu tempo, os seus sonhos, sem pedir nada aos contribuintes.
.
O que as "elites" gostam mesmo é de "são necessários projectos com escala". Gostam mesmo é de Qimondas ou de RPPs.
.
O micro-empreendedorismo é muito mais saudável: tem mercado funciona, não tem mercado fecha.
.
Da minha parte, se algum micro-empreendedor precisar de apoio numa reflexão estratégica, no desenho de um modelo de negócio, na construção de cenários, contacte-me à vontade, tenho todo o gosto em ajudar de modo pro bono.
.
Trecho retirado "Empreendedores que estão fora das primeiras páginas dos jornais"
"Resolve o problema individual de alguém, mas não o desemprego estrutural. Para isso, são necessários projectos com escala e elementos de diferenciação sustentáveis. No final, é esse o empreendedorismo que marca o país". O professor teme ainda que o auto-emprego seja apenas uma fuga temporária: "Um micro café ou cabeleireiro são iniciativas focadas no consumo interno. Num clima recessivo, as pessoas gastam menos. É preciso pensar no mercado externo".Incomoda-me!
.
Incomoda-me a crítica constante aos micro-empreendedores, gente que opta por não ficar a depender da segurança social.
.
Esquecem-se sempre que um micro-empreendedor está a apostar o seu dinheiro, o seu tempo, os seus sonhos, sem pedir nada aos contribuintes.
.
O que as "elites" gostam mesmo é de "são necessários projectos com escala". Gostam mesmo é de Qimondas ou de RPPs.
.
O micro-empreendedorismo é muito mais saudável: tem mercado funciona, não tem mercado fecha.
.
Da minha parte, se algum micro-empreendedor precisar de apoio numa reflexão estratégica, no desenho de um modelo de negócio, na construção de cenários, contacte-me à vontade, tenho todo o gosto em ajudar de modo pro bono.
.
Trecho retirado "Empreendedores que estão fora das primeiras páginas dos jornais"
segunda-feira, agosto 06, 2012
Há sempre lugar para a diferenciação
Diferenciação, diferenciação, diferenciação.
.
Decommoditize, decommoditize, decommoditize.
.
"A Bike That Glows In The Dark, For Safer Night Rides"
.
Decommoditize, decommoditize, decommoditize.
.
"A Bike That Glows In The Dark, For Safer Night Rides"
O mundo da academia é fantástico...
Realmente... há cada coisa.
.Parte importante do meu trabalho passa por apoiar empresas a formularem e a implementarem estratégias que permitam aumentar a sua rentabilidade. Acredito que a adopção e a execução de uma estratégia, a par da sua monitorização e análise crítica, são fundamentais para a diferenciação que traz rentabilidades superiores.
.
O truque é fugir da comoditização e trabalhar para tornar a competição imperfeita, procurando criar um monopólio na mente do potencial cliente-alvo. Para mim isto é claro e transparente.
.
Interessante, preocupante, arrepiante, que em 1992, uma revista prestigiada como o "Strategic Management Journal" se pudesse escrever:
“Strategy can be viewed as a ‘continuing search for rent’ where rent is defined as return in excess of a resource owner’s opportunity costs.O mundo da academia é fantástico... suggests
…
The preponderance of empirical evidence suggests that firms’ strategies may influence their rent stream.”
.
Trechos retirados de "The Resource-Based View within the Conversation of Strategic Management" de Mahoney & Pandian.
Falar, escrever e pensar sobre o anti-Mongo
Milton Friedman em "Price Theory", no capítulo I (Introduction) a coisa até começa bem:
.
“Economics is the science of how a particular society solves its economic problems. An economic problem exists whenever scarce means are used to satisfy alternative ends. If the means are not scarce, there is no problem at all; there is Nirvana. (Moi ici: Tanta gente viveu os últimos anos com esta crença… Nos transportes públicos, por exemplo, traduziu-se na indefenição de quem pretendem servir, quem são os clientes-alvo) If the means are scarce but there is only a single end, the problem of how to use the means is a technological problem. No value judgments enter into its solution; only knowledge of physical and technical relationships. For example, suppose given amounts of iron, labor, ere. are available and are to be used to build an engine of maximum horsepower. This is a purely technical problem that requires knowledge solely of engineering and of physical science. Alternatively, let the objective be to build the "best" engine, where the concept of .”best" involves not only horsepower, but also weight, size, etc. There is no longer a single end. No amount of purely physical and technical knowledge can yield a solution, since such knowledge cannot tell you how much power it is "worth" sacrificing to save a certain amount of weight. This is an economic problem, involving value judgments. (Moi ici: E quanto mais Mongo se entranha na nossa vida diária, mais julgamentos de valor se entranham na vida económica, julgamentos que não podem ser desenvolvidos por folhas de cálculo)
.
Depois, no capítulo 2 (Theory of Demand) a coisa começa a descambar:
.
“A demand curve of a particular group for a particular commodity can be defined as a locus of points, each of which shows the maximum quantity of the commodity that will be purchased by the group per unit time at a particular price.”
.
“Economics is the science of how a particular society solves its economic problems. An economic problem exists whenever scarce means are used to satisfy alternative ends. If the means are not scarce, there is no problem at all; there is Nirvana. (Moi ici: Tanta gente viveu os últimos anos com esta crença… Nos transportes públicos, por exemplo, traduziu-se na indefenição de quem pretendem servir, quem são os clientes-alvo) If the means are scarce but there is only a single end, the problem of how to use the means is a technological problem. No value judgments enter into its solution; only knowledge of physical and technical relationships. For example, suppose given amounts of iron, labor, ere. are available and are to be used to build an engine of maximum horsepower. This is a purely technical problem that requires knowledge solely of engineering and of physical science. Alternatively, let the objective be to build the "best" engine, where the concept of .”best" involves not only horsepower, but also weight, size, etc. There is no longer a single end. No amount of purely physical and technical knowledge can yield a solution, since such knowledge cannot tell you how much power it is "worth" sacrificing to save a certain amount of weight. This is an economic problem, involving value judgments. (Moi ici: E quanto mais Mongo se entranha na nossa vida diária, mais julgamentos de valor se entranham na vida económica, julgamentos que não podem ser desenvolvidos por folhas de cálculo)
.
Depois, no capítulo 2 (Theory of Demand) a coisa começa a descambar:
.
“A demand curve of a particular group for a particular commodity can be defined as a locus of points, each of which shows the maximum quantity of the commodity that will be purchased by the group per unit time at a particular price.”
.
Commodity para a frente, commodity para trás.
.
Razão tem Peter Johnson em "Astute Competition - The Economics of Strategic Diversity":
.
"Contemporary neoclassical economics does not provide an adequate account of the competition between diverse businesses..
...
Nowhere though do we encounter a business as the object of investigation in traditional economics. In other words, there is a huge gap in the economics coverage of commercial activity. Why is this? Part of the reason is that the focus of economists is on markets rather than on businesses.
...
Management and strategy seem to have little importance: notionally at least, we could optimise the production function with but a few hours of linear programming.
...
Such approaches, however, do not do justice to the rich, competitive creativity of successful businesses. It is not an accurate reflection of the centrality of businesses to the economy to regard them as fundamentally a remedy for imperfections in markets, or the result of human limitations or self-interested behaviour. Businesses have a much more positive purpose. They provide a powerful mechanism to harness resources in a compelling and efficient fashion. Businesses get things done, facilitating intent and action in a way that is fundamentally beyond the scope of the market mechanism. We can consider businesses to be the vehicle to extract economic rents through the competitive control of resources; they are the building blocks of heterogeneous competition."
.
Os membros da tríade que costumo referir aqui no blogue, há já alguns anos, falam e escrevem sobre mercados perfeitos em que todos os agentes são seres racionais que aspiram a maximizar o lucro, a utilidade, o valor, sem terem problemas de julgamentos de valor porque para eles tudo é uma "commodity". Eles falam, escrevem e pensam sobre um mundo que é o anti-Mongo.
.
Continua.
Subscrever:
Comentários (Atom)


