quarta-feira, junho 21, 2023

A importância das "market frictions"



"the presence of firm-level heterogeneity implies the presence of various market frictions, like causal ambiguity and asset specificity/uniqueness.
...

These market frictions interact to create the need for cost minimization, or the opportunity for value creation and value capture.
...

We then apply the market-frictions logic to organizational boundary and economic rents questions to show how joining cost minimization, value creation, and value capture can be achieved through considering various market frictions. More generally, we maintain that it is useful to view market frictions as the fundamental building blocks of strategic management, and the analysis of new combinations of market frictions may provide new strategic insights."

As "market frictions" são o que cria as imperfeições de mercado, são o que gera a concorrência imperfeita. Sem imperfeições de mercado não há criação e captura de valor, só há lucros raquíticos e empobrecimento. Faz-me tanta impressão que estas coisas não sejam evidentes para a academia.

terça-feira, junho 20, 2023

A lente macro é tão ...

"When the world's business and political leaders gathered in 2018 at the annual economic forum in Davos, Switzerland, the mood was jubilant. Growth in every major country was on an upswing. The global economy, declared Christine Lagarde, then the managing director of the International Monetary Fund, "is in a very sweet spot." Five years later, the outlook has decidedly soured.

...

A lot has happened between then and now: A global pandemic hit; war erupted in Europe; tensions between the United States and China boiled. And inflation, thought to be safely stored away with disco album collections, returned with a vengeance. But as the dust has settled, it has suddenly seemed as if almost everything we thought we knew about the world economy was wrong. [Moi ici: Mas quem é que achava que estava tudo bem?]

The economic conventions that policymakers had relied on since the Berlin Wall fell more than 30 years ago - the unfailing superiority of open markets, liberalized trade and maximum efficiency look to be running off the rails. [Moi ici: Este blogue sempre achou errada a crença absoluta na maximização da eficiência, basta recordar os marcadores eficiência, eficientismo e denominador]

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Globalization, seen in recent decades as unstoppable a force as gravity, is clearly evolving in unpredictable ways.  [Moi ici: Outra tema caro a este blogue, há mais de 17 anos que escrevemos aqui sobre as forças a minar a globalização. Recordo O regresso dos clientesEspeculação - um epílogo?] The move away from an integrated world economy is accelerating. And the best way to respond is a subject of fierce debate.

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As the consulting firm EY concluded in its 2023 Geostrategic Outlook, the trends behind the shift away from ever-increasing globalization "were accelerated by the Covid-19 pandemic - and then they have been supercharged by the war in Ukraine."[Moi ici: Nunca esqueço de Maio de 2020 - El coronavirus actúa como acelerador de cambios que ya estaban en marcha]

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Associated economic theories about the ineluctable rise of worldwide free market capitalism took on a similar sheen of invincibility and inevitability. Open markets, hands-off government and the relentless pursuit of efficiency would offer the best route to prosperity. [Moi ici: Recordo aquilo a que chamo a doença anglo-saxónica, recordo as críticas que fazemos há anos à automatização - Especulação sobre mais um falhanço da automatização, recordo o que escrevo sobre Kevin O'Leary]

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The story of the international economy today, said Henry Farrell, a professor at the Johns Hopkins School of Advanced International Studies, is about "how geopolitics is gobbling up hyperglobalization. [Moi ici: O que me impressiona nestas análises é que me parecem demasiado macro. Há mais de uma década que a globalização está a recuar por causa de Mongo, por causa do fim do modelo do século XX, por causa de "We are all weird"]

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"Ignoring the economic dependencies that had built up over the decades of liberalization had become really perilous," Mr. Sullivan, the U.S. national security adviser, said. Adherence to "oversimplified market efficiency," he added, proved to be a mistake." [Moi ici: O que me impressiona nestas análises é a crença de que a economia é como a física newtoniana, quando a economia é a continuação da biologia"]


Trechos retirados do artigo, "Failures of Globalization Shatter Long-Held Beliefs", publicado no NYT do passado Domingo. 

segunda-feira, junho 19, 2023

O mundo não é mesmo linear

No WSJ do passado dia 14 encontrei uma estória interessante, "Sesame Allergy Sufferers Wanted Warning Labels. They Got More Sesame.":

"Congress passed legislation intended to make life better for people allergic to sesame seeds. Instead, it made things worse. The bill, passed with overwhelming bipartisan support and signed into law by President Biden in 2021, requires manufacturers to label sesame on their products starting this year.

In response, some companies began adding sesame to products that hadn't included it in the past-saying it was safer to add sesame and label it, rather than certify they had eliminated all traces of it.

People with sesame allergies say the result is fewer sesame-free food options, as well as new and unexpected risks in foods they used to eat without worry."

O mundo não é linear.

O inferno está cheio de boas-intenções.

Unintended consequences

domingo, junho 18, 2023

Não acreditem no Pai Natal!

Sexta-feira passada ao final do dia, acabei de ver o filme "The Martian" em folhetins de cerca de 20 minutos ao longo de 3 ou 4 dias.

Gostei muito. MUITO MESMO!

Comecei a gostar do filme logo ao final dos primeiros 20 minutos. Experimentei uma sensação positiva indefinida que se manteve e até se reforçou ao longo do filme.

No final do filme percebi o porquê. É uma ode ao locus de controlo interno. Engraçado, no almoço dessa mesma sexta-feira com o meu parceiro das conversas oxigenadoras tinha falado do locus de controlo interno, um tema que acompanha este blogue há anos (2007 - ver também o marcador). Na altura escrevi aqui:

"É arrepiante a situação... quem tem o seu Locus de Controlo no exterior, ao atribuir poder a forças exteriores, para ditar o destino, para mudar as coisas... quase não tem motivação para agir, para melhorar, para actuar... afinal de contas, sente-se, acredita que é uma espécie de Calimero jogado de um lado para o outro pelos deuses! Esta postura degenera em "the discovery that loss of control leads to learned helplessness, a state similar to depression."" 

O click no final do filme ocorreu-me quando Mark Watney (o marciano) diz:

"When I was up there, stranded by myself did think was going to die? [Moi ici: Estava sozinho e sem contacto com a Terra] Yes, absolutely. 

And that's what you need to know going in because it's going to happen to you. This is space. It does not cooperate. At some point everything is going to go south on you. Everything is going to go south and you’re going to say 'This is it. This is how I end.' Now you can either accept that or you can get to work. [Moi ici: "You", não o papá, não o governo, não o outro, mas eu] That’s all it is. You just begin. You do the math, you solve one problem. Then you solve the next one, and then the next and if you solve enough problems you get to come home."

E o que é a vida? Aqui recordo o Livro do Génesis no capítulo 3:

"17 E ao homem disse: «Já que deste ouvidos à tua mulher e comeste do fruto da árvore, do qual eu te tinha proibido de comer, a terra fica amaldiçoada por tua causa, e será com grande sofrimento que dela hás de tirar alimento, durante toda a tua vida.

18 Só produzirá espinhos e cardos e tu terás de comer a erva que cresce no campo.

19 Só à custa de muito suor conseguirás arranjar o necessário para comer, até que um dia te venhas a transformar de novo em terra, pois dela foste formado.

Na verdade, tu és pó e em pó te hás de transformar de novo."

A vida envolve inerentemente lutas que os indivíduos têm de enfrentar e superar obstáculos para encontrar significado e realização. E a responsabilidade de agir é de cada um, não podemos esperar que outros decidam por nós.

E esta mensagem sobre o locus de controlo interno não é só sobre uma pessoa abandonada e isolada num planeta deserto. É quando a tripulação da Hermes a caminho da Terra resolve "amotinar-se" para regressar a Marte e salvar Mark. É quando a tripulação da Hermes tem de tomar uma decisão sobre como agarrar Mark no espaço, começam por desligar o som, retirar Houston da tomada de decisão. A decisão é deles.

 

Vivo num país em que o locus de controlo mais comum está no exterior. Toda a gente quer ser ajudada, toda a gente sente-se coitadinha. Mais, toda a gente pensa que tem direito a essa ajuda.

Os partidos políticos, da direita socialista à esquerda socialista, até a Iniciativa Liberal vai aderindo ao catecismo (têm de conquistar mais e mais votos), passam a mensagem: Todos têm direito a um queijo diário!!!

Acreditem no Pai Natal.

BTW, a banda sonora final ... 


... é a continuação da mensagem.

sábado, junho 17, 2023

Mais do que dinheiro

Esta semana li "Diferença salarial entre jovens com ensino superior e secundário cai para metade numa década e está em «mínimos históricos".

Entretanto, ontem a almoçar com o meu parceiro das conversas oxigenadoras fiquei a saber que a filha começou a trabalhar numa empresa francesa ... 38 dias de férias por ano. O namorado dela, numa outra empresa francesa... 48 dias de férias por ano. Entretanto, perguntei à minha filha, numa empresa na Suíça... 32 dias por ano.

Como é que tantos jovens portugueses ainda ficam por cá neste país socialista?


sexta-feira, junho 16, 2023

Os extremistas

No último livro de Seth Godin, "The Song of Significance: A New Manifesto for Teams" encontrei um texto sobre um tema que me é muito caro: 

"49. Focusing on the Extreme User
Every organization has extremists: the employees, customers, or investors who demand more, pay more, use more, talk more, and share more. These extreme users have great needs and offer greater benefits. They are the heavy users, people with disabilities, the sneezers, and the professionals. They're the committed. The Stanford d.school has argued that focusing on these users teaches the organization lessons that will work for all users. This is contrary to the typical industrial organization, which is happy to lose the extremists if it helps them serve the masses more easily. Find the nerds, the motivated, and the overlooked, and figure out what they need to thrive. That exploration will reveal what others have needed as well but didn't care enough to speak up about."

Isto alinha bem com um texto que encontrei na net recentemente:



quinta-feira, junho 15, 2023

Evoluir na paisagem económica

Ontem no JdN em "Alemanha cola-se a Espanha nas vendas de componentes - As exportações de componentes para a indústria automóvel cresceram 26,9% em abril, o 12º mês consecutivo de subida homóloga." sublinhei:
"Após um máximo mensal histórico em março, quando as exportações de componentes automóveis ascenderam a 1.112 milhões de euros, as vendas destes produtos ao exterior cifraram-se em 899 milhões em abril, uma subida homóloga de 26,9%, indicou a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).
A associação destaca que este foi o 12º mês consceutivo de crescimento em termos homólogos.
...
Em termos de crescimento homólogo, as vendas para Espanha subiram 21% no acumulados dos primeiros quatro meses do ano.
Já o mercado alemão apresenta, para igual período, um aumento no valor das vendas na ordem dos 29,5%, o crescimento mais expressivo entre os cinco principais destinos das exportações do sector."

Recordo o que escrevi aqui há dias:

"Just why should the organization renew itself when there is no crisis? 

...

Nothing breeds complacency like success. The point for maximum strategic paranoia is when you are at the top of your game." 

Ao ler o artigo de ontem no JdN fiz logo a ligação para um artigo do passado dia 9 de Junho no Eurointelligence de Wolfgang Münchau, "How an industry declines":

"There is a lot of confusion about de-industrialisation. It does not necessarily mean less industry and fewer factories. It means less money - a falling share of industry in an economy's value-added. That has a lot of important consequences, but not necessarily the ones people expect, or discuss.

...

The most important impact of the slowly creeping de-industrialisation is a loss of profits, not necessarily a loss of activity. That translates into relatively lower wages

...

The diesel scandal was the last hooray of the German car industry. 

They will still make cars in Germany in the future. But the industry will be dominated by other plays, it will employ fewer people, it will feed fewer suppliers, and its role in society will diminish."

No final desta leitura recordo que procurei mentalmente fazer um paralelismo com a deslocalização do têxtil alemão para Portugal nos anos 60. 

A ser verdade o que escreve Wolfgang Münchau, a AFIA devia agora estar a promover a paranóia estratégica entre os seus membros ("The point for maximum strategic paranoia is when you are at the top of your game"). Quantos iriam ouvir esse apelo?

No livro que acabei de ler na passada segunda-feira, "Lead and disrupt: how to solve the innovator's dilemma" de Charles A O' Reilly III and Michael L. Tushman, os autores contam a estória da empresa Ball Corporation:
"Ball is recognized around the world for its high-quality metal and PET plastic food and beverage containers, and for its leading aerospace technology products and services." 
O livro começa o texto sobre a Ball da seguinte forma:
"The story began in 1880 when Frank Ball and his four brothers began making wood-jacketed tin cans to carry kerosene for lanterns. However, soon after their founding, glass jars became an economical alternative to wooden buckets, so the Ball brothers quickly converted their business to produce glass jars, including what would become their most successful offering, the screw-top Ball jar that generations of Americans have used for home canning."
Esta empresa ficou-me na memória pela sua capacidade de evoluir na paisagem económica do seu tempo.

quarta-feira, junho 14, 2023

Curiosidade do dia

O mundo a mudar

No FT de ontem matéria-prima para análises de contexto.

Por um lado "China is 'cancelled' for many foreign investors"  onde encontrei:

"Overseas investors are selling shares even in profitable internet companies such as Tencent and Alibaba, while becoming reluctant to back the country's most promising start-ups. Venture capital group Sequoia last week became the latest business to bow to rising tensions between Beijing and Washington, announcing a plan to split its China business into a separate entity. Adding to the flight of foreign capital is an unsteady economic recovery that has deflated Chinese tech stocks that had briefly jumped on hopes for the country's post-pandemic reopening. The downward trend has left employees and investors concerned that the depressed valuations for Chinese tech groups listed in New York and Hong Kong may be long-lasting.

"China is getting canceled and the economy is a dumpster fire," said a Hong Kong-based equity analyst." 

Por outro lado "Clients rush for Asia investment products that exclude China" onde encontrei:

"Global fund managers say they are rushing to meet client demand for new Asian investment products that exclude China as investor appetite for the region's largest economy is hit by slowing growth and mounting geopolitical risk.

...

They said demand had been stoked by worsening US-China tension and a rally for the rest of the region that had left Its biggest market behind.

"Investors are concerned about geopolitics," said Minyue Liu, Investment specialist at BNP Paribas Asset Management.

...

"On geopolitics, there are a lot of different opinions among clients but I think that anyone who thought the US-China tension was going to go away is now very aware that it will not," Lees said. "At the same time, clients are seeing that they can get a lot of exposure to China through other markets like Australia, Japan, and South Korea."

However, the main driver of the trend towards ex-China investment was "economic, not geopolitical","

O mundo a mudar.


Entretanto, no JdN de hoje, na última página pode ler-se "Xi prepara megaplano de estímulo económico"... faz-me lembrar os anos 90 e os dirigentes japoneses. Estímulos económicos são para salvar o sistema financeiro.


terça-feira, junho 13, 2023

A evolução da produtividade (parte VI)

 Parte VParte IVParte IIIParte II e Parte I.

"In crisis situations, you need to reinvent rapidly through a turnaround in which everything about an organization is open for reexamination. Strategic renewal, however, requires a new way of working a deliberate effort to enable the organization to lead change in its market. Since the goal of strategic renewal is to move ahead of a crisis, these change efforts are more difficult to motivate, fund, and lead. Just why should the organization renew itself when there is no crisis? These proactive change efforts are about learning more rapidly and shaping the future more competently than your competitors. There are countless examples of underfunded, underled proactive transformations.

...

Nothing breeds complacency like success. The point for maximum strategic paranoia is when you are at the top of your game."

Por isto é que são tão difícil saltos na produtividade agregada com os incumbentes. 

Trechos retirados de "Lead and disrupt: how to solve the innovator's dilemma" de Charles A O' Reilly III and Michael L. Tushman. 

segunda-feira, junho 12, 2023

A evolução da produtividade (parte V)

Parte IVParte IIIParte II e Parte I.

Ainda há dias citei aqui, na Parte I, o "famoso Zé Reis":

"As empresas "acantonam-se no lado fácil da economia."

Nas últimas semanas tenho lido/relido "Lead and disrupt: how to solve the innovator's dilemma" de Charles A O' Reilly III and Michael L. Tushman. Houve uma altura em que achei o livro deslocado da realidade portuguesa por causa dos casos utilizados (CIBA, CISCO, IBM, ...), e por causa dos recursos que essas organizações conseguem mobilizar. Agora, quase a chegar ao fim do livro começo a perceber que a dimensão das empresas é irrelevante. Se tantas e tantas empresas grandes, com vastos recursos financeiros à disposição, e com gente carregada de cursos, por norma não conseguem dar a volta e valorizar a exploration, porque a explotation seca tudo à volta, porque seria mais fácil para uma PME com escassez de recursos financeiros e escassez de quadros?

"CEOs or business unit leaders are often reluctant to challenge the established business. But failing to confront this directly legitimates resistance within the organization and allows warring tribes to emerge within the ranks. Business units defend their turf at the expense of broader organizational goals. The senior team must both understand and own the tension between its historically anchored business and its more future-oriented explorations. If, as we saw at Havas, the tension between tribes is not managed, it will be only "resolved" when the innovation is killed or sidelined."

Por isso, faz ainda mais sentido pensar nos mastins dos Baskerville e na receita irlandesa. Que condições criar para que outras empresas, de outros escalões de valor acrescentado e sectores apareçam?

domingo, junho 11, 2023

A evolução da produtividade (parte IV)

Parte IIIParte II e Parte I.

Em Acerca do Evangelho do Valor uso esta equação:

A maioria das empresas trabalha para reduzir os custos, trabalha o denominador. Uma minoria valoriza acima de tudo o trabalhar o numerador. 

Quem mete todas as fichas no denominador acaba quase sempre na chamada race to the bottom (ver parte III):

No último livro de Seth Godin, "The Song of Significance: A New Manifesto for Teams" pode ler-se:
"The truth is simple: Widget production [Moi ici: Trabalhar o denominador] is fairly straightforward to measure and increase. But those metrics (and methods) don't work for human interactions, insight, or innovation. [Moi ici: Trabalhar o numerador]
...
When we consider the four kinds of work, we can lay them out in a two-by two grid with stakes and trust as the two axes.
High-stakes, low-trust work is the work assigned by the industrialist. [Moi ici: Trabalhar o denominador até mais não, solução para lidar com commodities] This is meeting spec. Test and measure. Surveillance. Traditional management lives in this quadrant. This is how you successfully run a fast-food franchise. Every customer is important, and every output needs to be identical.
Low-stakes, low-trust work is similar, except it's easily outsourced. This isn't work your organization needs to take seriously or personally.
...
The next quadrant is for work that is low stakes but high trust. This is the work of culture creation, of community, of people we care about showing up each day to contribute a bit to the whole. The work is consistent, but it's human, not industrial. The shifts caused by pandemic disruptions, outsourcing, work from home, and AI have disrupted this quadrant.
And the final quadrant, the most important one, is the work with high stakes and high trust. This is significant work, important work, work on the edge. This is the work that creates human value as we connect with and respect the individuals who create it.
It doesn't pay to industrialize this work or to create it under duress. Because then it becomes industrialized and once again joins the race to the bottom.
...
This is a race you don't want to run. Because you might win. Or worse, come in second.
This is the industrialist's race, the race of productivity. [Moi ici: Não esquecer esta frase "the race of productivity", voltaremos a ela numa próxima parte. Recordar Reinert e o Uganda. Por que não associamos produtividade a high trust? Talvez por causa da doença dos engenheiros] This is the challenge of more for less, of mass-market quality at scale.
The race to the bottom also offers low prices, average quality, and plenty of room for excuses about our lack of humanity and a focus on the short term. The race to the bottom is filled with shortcuts and with competitors who are willing to sacrifice integrity for a slight edge.
At first, heading to the bottom is thrilling, because a small head start feels like an extraordinary boon. The sales and profits quickly arrive.
But inevitably, when a competitor shows up, it becomes a race. And to win that race, all the elements that attracted you to the work quickly disappear."

Continua.

sábado, junho 10, 2023

Curiosidade do dia

A pontaria:

Evolução das exportações em 2023

O meu habitual painel de controlo sobre as exportações com base nos dados do INE para os quatro primeiros meses do ano:


Alguns sectores com desempenho muito positivo, a crescer a dois dígitos (um com um crescimento verdadeiramente pornográfico - o dos produtos farmacêuticos - no ano passado o salto deu-se em Maio)

Vários com desempenho negativo, algo que não se viu no ano passado (vestuário, cerâmica, plásticos).

Crescimento marginal do sector do calçado - a minha experiência pessoal é um bom exemplo da heterogeneidade de um sector. Em simultâneo estórias de falta de trabalho e de excesso de trabalho, julgo que decorrentes do tipo de clientes servidos.

Mobiliário a crescer muito mais do que em anos anteriores.

Fabrico de máquinas teve o melhor mês de sempre. BTW, ontem no Twitter @kamilkazani publicou esta imagem:

O engraçado é andar há dias a pensar no que seria repetir-se aquela transição dos anos 60-70 com a deslocalização de produção na Alemanha para outros países europeus (não esquecendo o efeito do banhista gordo).






sexta-feira, junho 09, 2023

Curiosidade do dia

Este tweet:

Faz-me lembrar um episódio do "Yes Minister" - Series 2, Episode 1 - The Compassionate Society.

"há edifícios e pessoal onde não há julgamentos" - um hospital carregado de funcionários mas sem doentes porque não há verba para os médicos.


A evolução da produtividade (parte III)

Parte II e Parte I.

 

Vamos mais uma vez adiar as participações de Seth Godin e Porter nesta série, porque entretanto apareceu-me este artigo “Indústria do vidro na Marinha Grande sem mão-de-obra: "Não conseguimos contratar um único português, nem sequer temos candidaturas"”.

 

Há dias numa rede social alguém publicava uma série de fotos de árvores em contexto urbano mutiladas por podas exageradas, e depois referia que um jardineiro em Portugal ganha uma miséria à hora, mas que no Luxemburgo é bem remunerado. Veio-me logo à mente aquela frase “It takes a village” transfigurada em “It takes the whole country”.

 

Aqui no blogue e no Twitter costumo referir o que aprendi com Reinert exemplificando com os motoristas e com os barbeiros:

·     Existem tarefas que podem ser transferidas para o exterior da zona onde vivemos, por exemplo, produzir peças de vidro na Marinha Grande. E existem tarefas que não podem ser transferidas para o exterior da zona onde vivemos, por exemplo, cortar o cabelo, transportar pessoas, arranjar o jardim da nossa cidade.

No caso das tarefas que podem ser transferidas para o exterior da zona onde vivemos os salários são limitados por três factores:

  • A capacidade de criar valor percepcionado pelo cliente; 
  • Os preços praticados por quem produz no exterior da zona onde vivemos;  
  • O poder de compra da generalidade dos consumidores na zona onde vivemos e no exterior

No caso das tarefas que não podem ser transferidas para o exterior da zona onde vivemos os salários são limitados por três factores:

  • A capacidade de criar valor percepcionado pelo cliente; 
  • Os preços praticados por outros produtores da zona onde vivemos; 
  • O poder de compra da generalidade dos consumidores na zona onde vivemos;

Vamos analisar o que acontece com os produtos ou serviços que não criam um grande valor percepcionado pelos clientes, (commodities, portanto) admitindo que existe competição entre os fabricantes de produtos ou prestadores de serviço.

 

No caso dos produtos ou serviços transaccionáveis com forte competição externa e sem marca forte, ou alguma distinção: 

  • O preço de venda ditado por quem consegue produzir mais baixo limita o numerador da equação da produtividade, por isso as empresas neste contexto fixam-se no eficientismo.

No caso dos produtos ou serviços não-transaccionáveis com forte competição e sem marca forte, ou alguma distinção:

  • O preço de venda é limitado pelo poder de compra da generalidade dos consumidores na zona onde vivemos, o que limita o numerador da equação da produtividade, por isso as empresas neste contexto fixam-se no eficientismo.

No modelo seguido no Japão e outros países asiáticos, no caso dos produtos ou serviços transaccionáveis com forte competição externa funciona o tal modelo dos Flying Geese. Este modelo obriga a que as actividades com cada vez menos valor acrescentado sejam abandonadas e os recursos transferidos para outras actividades com mais valor acrescentado, o que permite pagar melhores salários e aumenta a produtividade.

 

No modelo que estamos a seguir em Portugal as actividades com cada vez menos valor acrescentado em vez de serem fechadas, recorrem a estratégias de abaixamento dos custos da mão de obra (actuação no numerador da equação da produtividade). Por isso, estas empresas crescem pouco ou não crescem mesmo, geram pouco valor acrescentado e pagam baixos salários. Assim, a sua contribuição para a melhoria dos salários das outras profissões é negativa, porque estes assalariados contribuem para o poder de compra dos consumidores na zona onde vivemos.

 

A contribuição para o aumento da produtividade ou é negativa ou é muito baixa, porque se concentra mais na redução dos custos do que na criação de valor. Nunca esquecer Marn e Rosiello e o Evangelho do Valor “It takes the whole country” para aumentar o poder de compra,

Os salários praticados são limitados pela capacidade de criar valor para o cliente. Quanto mais valor for acrescentado pelo fabricante às matérias-primas e componentes, mais elevado pode ser o preço praticado e mais elevado pode ser o salário oferecido. Tudo o que não passe por trabalhar o numerador é insuficiente para a revolução necessária na produtividade agregada.

O que os jornalistas relatam com candura e ingenuidade é a chamada ...


... e nem se apercebem disso.

quinta-feira, junho 08, 2023

Are you prepared to walk the talk? (parte II)

No Verão de 2019 escrevi aqui no blogue sobre a ironia da Inditex querer apostar na sustentabilidade. Recordo Are you prepared to walk the talk?

Em Março passado "Presidente da Inditex e dona da Zara, Marta Ortega, defende que não produz fast fashion". Parece um político vestido de amarelo a dizer-nos que não está vestido de amarelo. 

No entanto, toda a gente vê o amarelo, "How Zara's strategy made her the queen of fast fashion"

"Europe's policy makers have called to "end fast fashion" as they push to toughen oversight of the industry.
On Thursday, the EU parliament voted strongly in favour of a suite of recommendations designed to force the fashion industry to operate more sustainably and help consumers to make more responsible and ethical choices, pushing to bolster the scope and ambition of a regulatory roadmap laid out by the European Commission last year.
Parliamentarians called for a clear definition of fast fashion focused on low cost, low quality, high volume production and tougher measures to fight excessive production and consumption of textiles."

E já agora, "Chile’s Atacama Desert: Where Fast Fashion Goes to Die" e "The fashion industry's dirtiest secret":

"The fast-fashion brand Zara produces 450 million garments, with 20,000 new styles each year, which remain in fashion for a limited amount of time until they're replaced by new styles the following year."

Recordar: Para macro-economistas, políticos e comentadores de coisas económicas acerca do modelo de negócio da Zara.

quarta-feira, junho 07, 2023

A evolução da produtividade (parte II)


Parte I.

Originalmente a parte II metia Seth Godin e Porter, mas vamos ter de fazer uma alteração.

No passado dia 5 o WSJ publicou um artigo intitulado "Productivity Drop Blurs Economic Picture" de onde sublinho:

"You would think from May's blowout jobs report the economy was booming.

Here's the puzzle: Other recent data suggest it is in recession.

The dichotomy emerges from the divergent behavior of employment and output, two key indicators of economic activity.

...

The economy has gone through periods where output has expanded faster than employment, but seldom the other way around,

...

What explains these dissonant signals is productivity, or output per hour worked: It is cratering. That raises questions about whether the much-hyped technology adoption during the pandemic and, more recently, artificial intelligence are making a difference.

...

Labor productivity fell 2.1% in the first quarter from the fourth at an annual rate, and was down 0.8% in the first quarter from a vear earlier, the Labor Department said Thursday. That is the fifth-straight quarter of negative vear-over-year productivity growth-the longest such run since records began in 1948.

...

Usually, employment plummets during recessions because as factories, offices and restaurants produce less, they need fewer workers. That clearly isn’t happening.

...

One reason could be labor hoarding. [Moi ici: LOL. Acho esta explicação tão inverosímil] After struggling to hire and train workers during the pandemic-induced labor crunch, employers are now balking at letting them go, even as sales slip, given the labor market's unusual tightness.

...

It's "not that technology got worse in the last year, but that businesses were selling less stuff and they're nervous about their ability to attract employees, so they're holding on to their employees,"

...

A more imminent concern is that when workers produce more, companies can raise wages without increasing prices. When productivity falls, it is harder to keep inflation in check."

Ontem durante caminhada matinal li este artigo e tweetei:

Qual é a receita que proponho para o aumento agregado da baixa produtividade portuguesa? Aplicar a receita irlandesa e seduzir empresas de elevado valor acrescentado a estabelecerem-se em Portugal (ver Parte I por exemplo).

Ora o que andam os americanos a fazer? O Financial Times de ontem dá uma ajuda, Gideon Rachman escreveu uma crónica do tempo que passa com o título "How America is reshaping the world economy". Antes de irmos à crónica pensemos por um momento nos fanáticos do Excel quando chegam ao comando das empresas. O que costumam fazer? 

Cortar! Despedir e subcontratar! 

Quanto mais a empresa subcontrata mais a sua produtividade cresce.

Agora voltemos a Gideon:

"An unheralded revolution has taken place in America's approach to international economics. As the new thinking emerges, it is reshaping the global economy and the western alliance.

...

The US intends to use a new strategic industrial policy to simultaneously revitalise the American middle-class and US democracy, while combating climate change and establishing a lasting technological lead over China.

...

Many of America's allies fear that the bit that slipped off the table was the interests of foreigners. They worry, in particular, that subsidies worth hundreds of billions of dollars to American industry and clean technology, set out in the Inflation Reduction Act, will come at the expense of producers and workers in Europe and Asia."

Volto agora ao tema do artigo no WSJ, o abaixamento da produtividade. A minha tese é que na base desta evolução estará o regresso aos Estados Unidos de produção anteriormente fabricada na Ásia. Produtos de valor acrescentado mais baixo, mas protegidos do mercado do preço pelo mesmo fenómeno que salvou o calçado português,  mas protegidos do mercado do preço pelo medo de uma China que pode invadir Taiwan, mas protegidos do mercado do preço pelos "hundreds of billions of dollars" que subsidiam produções que de outra forma seriam incapazes de competir. Esta produção vem diluir a produtividade anteriormente atingida pela economia americana.

Continua.

terça-feira, junho 06, 2023

Curiosidade do dia

"Chama-se empréstimo, mas sabíamos que o dinheiro não seria devolvido."

"Não há mais nenhum governo e não há mais nenhum ministro que se possa gabar de ter deixado a TAP e a CP com lucro"

Um artista português!




A evolução da produtividade

Comecemos por um artigo publicado ontem pelo JN, "Salários de mil euros perderam 42% de poder de compra":

"Nestes vinte anos, os salários pouco subiram e muitos congelaram, principalmente no periodo da troika. A grande exceção foi o salário mínimo nacional, que duplicou. Em 2022, 56% dos trabalhadores recebiam um salário inferior a mil euros. Nos mais jovens, a percentagem era de 65%.

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O professor da Universidade do Minho [Moi ici: João Cerejeira?] lembra que o número de alunos do Ensino Superior registou um crescimento exponencial e o efeito foi o aumento da oferta no mercado de trabalho dos mais qualificados. [Moi ici: Eheheheh esperar que, por artes mágicas, mais formação académica se traduza em mais produtividade. A tal caridadezinha que menciono aqui desde 2008]

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No cerne, temos "o fraco crescimento da economia portuguesa desde 2000 até à pandemia", diz. São 20 anos "de crescimento muito lento" ) em que "o emprego aumenta, mas o valor gerado por trabalhador sobe muito pouco. [Moi ici: Muito bem, sem aumento do valor gerado não aumenta a produtividade e, por isso, não podem aumentar salários. Elementar! Vamos tomar nota deste ponto e chamar-lhe ponto 1] E isso está associado a um crescimento muito lento dos salários".

O crescimento quase anémico da economia deve-se ao seu padrão de especialização, que se caracteriza pela "presença muito forte no conjunto da atividade económica de ramos com baixa produtividade", aponta o economista José Reis.  [Moi ici: Será que este José Reis é o famoso Zé Reis da Universidade de Coimbra? Uma zona do país conhecida pela pujança da sua economia industrial ...] A realidade é que "75% do emprego está em ramos com produtividade igual ou inferior a 90% da produtivida de média, alguns até bastante inferior". A consequência é a emigração. José Reis lembra que, desde 2011 para cá, a média anual de emigrantes aproxima-se dos 100 mil. As empresas "acantonam-se no lado fácil da economia. [Moi ici: Olha, o "experiente" Zé Reis acha que a vida das empresas é fácil. Extraordinário]

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José Reis defende "a óbvia necessidade de industrialização em setores de criação de valor e de uma terciarização qualificada" [Moi ici: UAU! Finalmente Zé Reis diz algo com que concordo. Não sei é se Zé Reis concorda com a receita irlandesa que proponho, desconfio que não, desconfio que vai contra o seu modelo ideológico. Vamos chamar a este tema o ponto 2 ]."

Ponto 1 

Para aumentar salários há que aumentar a produtividade a sério. Para aumentar a produtividade a sério há que aumentar a sério o valor gerado por trabalhador. Como é que isso pode acontecer?

Recorro agora a um artigo assinado por uma das pessoas que mais respeito quando o tema é "produtividade", Mika Maliranta. O artigo em causa é, "Firm lifecycles and evolution of industry productivity". Nele pode ler-se:

"Our analysis shows that the average productivity growth of firms (the within component) is unsurprisingly the most important component of industry productivity growth." 

O maior contribuinte para o aumento da produtividade na Finlândia são as empresas existentes com o seu esforço interno de aumento da produtividade. Em 2010 a Produtividade do trabalho, por hora de trabalho na Finlândia era de 114,9, quanto que em Portugal era de 70,1 (UE27=100).

Por muito esforço de melhoria da produtividade que seja feito pelas empresas portuguesas, empresas que não competem pelo volume, ele vai sempre embater na capacidade de aumentar preços de venda. Por exemplo, o calçado em 2012 exportava sapatos a um preço médio de 22,7€ por par, em 2021 esse preço médio era de 24,6€. Recordo o que aprendi sobre o calçado em St. Louis.

Ponto 2

Se as empresas que temos estão concentradas em sectores de baixo valor acrescentado, o aumento agregado desejado terá de vir de empresas novas de outros sectores de actividade.

Continua.

segunda-feira, junho 05, 2023

"What do humans need?"

"For a century, consistent industrial work was a straightforward path to create value. Productivity was simply the measure of how much better we did today than yesterday, always faster and cheaper.

Computers and outsourcing changed this metric.

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Now industrial work often becomes a race to the bottom. The first thing any scaling company does is outsource its industrial activities (including assemblyline manufacturing and frontline customer service) to cheaper options, automating them as much as possible. If it's all created to spec, with a stopwatch, why bother paying extra?

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Real value is no longer created by traditional measures of productivity. It's created by personal interactions, innovation, creative solutions, resilience, and the power of speed.

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An organization of any size can effectively move forward by asking, "What do humans need?" What will create significance for those who interact with us?

This certainly isn't what industrialists have traditionally been asking. It isn't even what internet entrepreneurs have been asking. Going forward, the questions we have to ask aren't about feeding the stock market, the local retailer, or the cloud of internet servers. We're not here to fill self-storage units or simply gain market share. Instead, we're asking what our people need."

Trechos retirados de "The Song of Significance: A New Manifesto for Teams" de Seth Godin.

domingo, junho 04, 2023

Curiosidade do dia

 

"It takes three to tango in employment"

"Over the past few decades, a large number of empirical studies have been conducted to examine how the increasing supply of educated workers affects the economic growth of the nation or the returns on educational investments reaped by the individual and the whole society 

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This paper aims to contribute to this body of literature by using an extensive set of linked register data on students, educational organisations and their institutions as well as companies. These data offer a unique opportunity to study empirically how various quantitative and qualitative aspects of the resources used in the educational organisations (and in their institutions/establishments) affect the probability of a student entering into employment or further studies rather than into non-employment upon graduation from initial vocational education.

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Our study departs from the prevalent main strand of the literature in two important respects. Firstly, the educational outcome is here gauged on the basis of employability (or further education ability) rather than test scores. Measures that describe students' post-school performance are probably more relevant in the context of vocational education, which is primarily aimed at producing skilled labour (and pushing students into further studies).

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Our main findings are the following. Teaching expenditures do not seem to matter but teachers' skills do. The student's characteristics and performance in comprehensive school play an important role in directing his or her choices. Parental background has strong effects even after careful control for the other factors. Local business conditions affect the outcomes of boys but little of girls. The official quality evaluations implemented by the Finnish Ministry of Education seem to pay attention especially to those aspects of initial vocational education production that are important for providing the students with capabilities for further education but less so for their employability. Finally, the performance indicator ("tulosrahoitusmittari") currently used in Finland as one of the decision-making tools for distributing funds to initial vocational education organisations does not predict well the students' propensity of employment or further studies."

Trechos retirados de "It takes three to tango in employment: Matching vocational education organisations, students and companies in labour market" de Mika Maliranta, Satu Nurmi e Hanna Virtanen.

sábado, junho 03, 2023

Coincidências

Quinta-feira, durante a minha caminhada matinal li em "Lead and disrupt: how to solve the innovator's dilemma" de Charles A O' Reilly III and Michael L. Tushman:
"Amazon lost a quarter of its annual profits to turnover in 2021. According to internal documents reported by Engadget, in 2021 Amazon lost more than eight billion dollars to attrition. Only one out of three new hires stayed for more than three months. The turnover problem is so urgent that the company is beginning to worry about running out of new people to hire"

Entretanto; ontem, no WSJ do passado dia 1 de Junho li em "AI Tapped to Weed Out Products That Are Damaged":

"Amazon.com is rolling out artificial inteligence across a dozen of its largest warehouses ...

Amazon so far has implemented the AI at two fulfillment centers and plans to roll out the system at 10 more sites in North America and Europe."

sexta-feira, junho 02, 2023

Mais uma vez, biologia e economia

"Interestingly, recent research in evolutionary biology has direct relevance for understanding how some organizations survive over time and others fail. [Moi ici: O nosso velho "a economia é a continuação da biologia"] At its heart, evolution refers to change or transformation over time. Natural selection refers to the process where, over time, favorable traits (traits useful for survival) become more common and unfavorable traits become less prevalent. In commenting on this, David Sloan Wilson, an evolutionary biologist, noted that "natural selection is based on the relationship between an organism and its environment, regardless of its taxonomic identity."  Thus, it can readily apply to organizations as well as birds, insects, slime mold, and humans.

The three major underpinnings of evolutionary theory are variation (organisms or organizations differ on traits), selection (these differences sometimes make a difference in the organisms ability to survive), and retention (these useful characteristics can be passed from one generation to another). As environments change over time, the variation in traits can make organisms more or less fit, such that the former are more likely to survive. [Moi ici: A tal paisagem competitiva enrugada que se mexe] As organizations compete and struggle for existence, they clearly vary in ways that make some more competitive than others. Fitness in this case is not the reproductive success of biology but the ability to attract resources (physical, financial, and intellectual). [Moi ici: Recordo "What was the best strategy in the end?"] Less fit organisms die. Thus, survival at the organizational level is a function of the process of variation and selection occurring across business units and the ability of senior management to regulate this process in a way that maintains the ecological fitness of the organization with its environment. [Moi ici: Por isto, o team da caridadezinha, os trabalhadores não tomam este tipo de decisões] This process does not imply random variation but a deliberate approach to variation, selection, and retention that uses existing firm assets and capabilities and reconfigures them to address new opportunities."

Trecho retirado de "Lead and disrupt: how to solve the innovator's dilemma" de Charles A O' Reilly III and Michael L. Tushman.  

quinta-feira, junho 01, 2023

"Significance is inconvenient"

Volta e meia leio, ou presencio situações que me fazem recuar a 2015:


Cuidado com o eficientismo, essa doença anglo-saxónica.

Ontem, comecei a ler o último livro de Seth Godin, "The Song of Significance: A New Manifesto for Teams" onde sublinhei:
"to find the magic that happens when we are lucky enough to cocreate with people who care.
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The choices have never been as clear as they are now:
Industrial capitalism (industrialism) seeks to use power to create profits.
Market capitalism seeks to solve problems to make a profit.
Industrial capitalism was built on the extraordinary productivity of the machine age. Feed the machine first, turn everything (including workers and customers) into machines, and scale up the enterprise. It evolved to incorporate the network effect and natural (or unnatural) monopolies to gain more power. It then used that power to capture the efforts of government to create even more power. [Moi ici: Cenas relacionadas com biombos e carpetes, aka cronyism - Cronyism e Two types of cronyism]
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Market capitalism, meanwhile, continues to create most of the jobs and value worldwide. This is the never-ending work of finding problems and solving them. Market capitalists have no power over customers (or even, in most cases, their employees). Instead, they work to bring effort and insight to a rapidly changing marketplace in service of their customers.
The fork is right here, right now. Perhaps it's time to notice it and to choose a path.
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the essence of productive consumer-focused industrialism. To create convenience.
To be fair, industrial capitalism works. It creates leverage and productivity then delivers expected results, all while lowering prices and increasing access to goods and services.
The modern world wouldn't exist without the progress that industry allowed, and for many, the safety these jobs offer is a lifeline and a useful way to live.
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But late-stage industrial capitalism is different. It doesn't know where to stop. [Moi ici: Algo a que chamamos estratégias cancerosas] It not only captures those seeking safety, but also shackles those seeking significance.

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But the stopwatch comes for all of us.

If we are going to compete with those who seek the perfection of industrial capitalism, we should know that they will out-measure, out standardize, and outmanage us. It's a race to the bottom.


The work of significance embraces the very things that industrialism seeks to stamp out.

Significance is inconvenient.

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The answer begins simply with: we need to choose."

Esta manhã na capa do JdN leio, "Portugal é o quarto país na Europa com mais hotéis a caminho" ... um exemplo do que é uma estratégia cancerosa que não sabe quando parar, a isto chama-se a Tragédia dos Baldios!

quarta-feira, maio 31, 2023

Quando faz sentido propor acções...

Quando comecei a minha vida profissional no mundo da qualidade foi antes de conhecer a ISO 9001. Estávamos no final dos anos 80 e ainda por cima numa empresa com capital maioritariamente japonês. O meu trabalho focava-se sobretudo na redução da variabilidade dos processos e na investigação das causas das reclamações. Por isso, falar em qualidade significava falar em melhoria, significava conhecer toda uma série de nomes japoneses ligados à melhoria da qualidade, significava conhecer Deming e Juran (Crosby nunca me disse nada, falha minha certamente).

Faz-me impressão encontrar sistemas de gestão da qualidade chefiados por gente voluntariosa, gente trabalhadora, gente que procura seguir os requisitos da ISO 9001, mas que não sabe o que é a melhoria contínua, nem conhece as suas ferramentas.

Se uma empresa tem um objectivo SMART para:

  • Reduzir as não conformidades em produção; a acção proposta não deve ser “Sensibilizar os operadores para executarem as tarefas com maior atenção e brio profissional, dar formação para operar com os equipamentos e executarem corretamente as atividades”
  • Reduzir a taxa de atrasos nas entregas; a acção proposta não deve ser “Melhorar planeamento, sensibilizar responsáveis do planeamento para melhoria, dar formação ao planeamento, dar informação às secções para melhorarem desempenho”

Por exemplo, acerca das não conformidades em produção:

  • Quais os motivos mais comuns de não conformidade?
  • Quais os produtos mais afectados pelas não conformidades?
  • Em que operação se geram as não conformidades mais comuns?
  • Há alguma relação entre a frequência de não conformidades e o dia da semana ou do mês?

Por exemplo, acerca da taxa de atrasos nas entregas:

  • Quais os motivos mais comuns de atraso nas entregas?
  • Alguma relação com o tipo de produto, ou de cliente?
  • Alguma relação com a carga de encomendas e a taxa de ocupação da capacidade?
Agora admitamos que os operadores não têm a formação adequada para operar os equipamentos, ou que quem planeia também precisa de formação. Como é que estes trabalhadores são colocados a desempenhar funções sem terem a competência adequada? O que é que falhou, e falha, no sistema para que isto possa acontecer? É uma falha na admissão ou uma falha na descrição de funções?

Não faz sentido propor acções sem primeiro perceber o que se passa, para depois investigar e procurar as causas raiz. Só depois de saber quais são as causas raiz é que faz sentido pensar em propor acções.


terça-feira, maio 30, 2023

Curiosidade do dia


 "PSOE lidera sondagens a caminho das municipais, PP aposta numa coligação anti-Sánchez

O Partido Socialista espanhol parte em vantagem na última semana de campanha para as eleições municipais e autonómicas do próximo domingo, mas viu a sua liderança baixar em mais de dois pontos percentuais em apenas dez dias: segundo as previsões do Centro de Investigações Sociológicas (CIS), o partido do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, venceria em percentagem total de votos, com 30,2%, enquanto o Partido Popular teria 27,9%. O CIS projecta ainda um empate entre o Unidos Podemos (que inclui o Podemos, a Esquerda Unida e movimentos locais de cidadãos) e o partido de extrema-direita Vox, com 8% de apoios."

Fonte.


"Porque não crescemos mais?"

"Há um grande mistério na economia portuguesa. Nas últimas décadas temos vindo a recuperar muito em termos do nível de formação da população. A força de trabalho está cada vez mais bem formada e com mais capacidades de produção. O que tem acontecido é que também se passou a notar um fenómeno que antes não existia: cada vez há mais gente a desempenhar papéis que estão abaixo da sua formação. [Moi ici: Como não recuar a 2008 e à caridadezinha. De que serve a formação se não há onde a aplicar? O que as pessoas fazem tem o seu papel, mas é muito pequeno. Aumentos a sério da produtividade dependem de acções ao nível do numerador da equação da produtividade. Ora isso não depende dos trabalhadores mas dos gestores. E toda a gente sabe que escolaridade e empreendedorismo não costumam rimar] Esse fenómeno não existia nos anos 90. Por outro lado, a economia tem gerado cada vez mais patentes, por exemplo. Mas há uma dificuldade muito grande em passar dessa criação de patentes para mais inovação. Temos mais formação, mas acabamos por não a utilizar plenamente, porque temos trabalhadores a trabalhar abaixo da sua formação. E temos muitas patentes que acabam por não se transformar em inovação. Estamos muito aquém do potencial.

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Onde se devem procurar explicações é no facto de haver uma diversidade muito grande de produtividade entre empresas, até no mesmo setor. [Moi ici: Parece retirado aqui do blogue"o tema da distribuição de produtividades, o tema de se encontrar mais variabilidade no desempenho entre empresas do mesmo sector económico do que entre empresas de diferentes sectores económicos. A variabilidade intersectorial é menor que a variabilidade intrasectorial."] Empresas mais exportadoras e de maior dimensão têm produtividade muito maior do que outras empresas no mesmo setor, que são mais pequenas e não são exportadoras. Pergunta-se, então, porque não vão as empresas maiores buscar os recursos às mais pequenas e coloca-os a produzir mais? Porque há barreiras à transferência de recursos, porque algumas empresas têm dificuldade em morrer, [Moi ici: Como dizemos aqui no blogue, "Deixem as empresas morrer!" e cuidado com os zombies] as outras têm dificuldade em crescer e isso tem muito a ver com a concorrência que existe. Há uma postura muito defensiva de proteger os setores e que é pouco agressiva a tentar fazer crescer as empresas e tornar os setores mais dinâmicos.

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Porque há uma boa parte da população que, no fundo, vota para garantir um nível de segurança na sua vida e tem uma preocupação maior com isso do que em fazer crescer o seu bolo. [Moi ici: Risk averse mentality e o aumento do risco, o aumento da fagilização] Está mais preocupada em proteger-se das oscilações do ciclo económico do que em realizar o seu potencial máximo e ambicionar um nível de riqueza superior.

Trechos retirados de "Porque não crescemos mais? "O Estado dificulta", mas "há uma mentalidade corporativa nos bancos e nas empresas que permite prolongar situações menos produtivas""