"Tax receipts from the sales of beer, wine and spirit have fallen sharply since the decision to raise alcohol duty.The sum since April is down £220 million compared with the same period last year, HMRC figures show. Wine had the steepest decline, with revenues down 6 per cent year on year. Revenue from spirits and beer were down 5 per cent and 2.5 per cent respectively. Cider bucked the trend, rising 10 per cent."
quarta-feira, setembro 24, 2025
Curiosidade do dia
Estratégia industrial ... mais socialismo
"Industrial strategies are all the rage around the world. The prompt for this newfound passion has been the combination of lacklustre growth in many western economies and the apparent success of such strategies in stimulating growth in much of Asia, from South Korea to Singapore.The resulting plans come in many flavours. But one feature common to them all is their focus on a set of "superstar" sectors. Strategy is about making choices so that support can be provided at scale. In a tight fiscal environment, backing only those sectors with the greatest potential sounds like a prudent and purposive way to stimulate growth." [Moi ici: Lembro-me de Pedro Nuno Santos ter avançado algo deste tipo quando subiu a número um do PS]
Haldane chama a atenção para a chamada “everyday economy”: saúde, educação, retalho, hotelaria, distribuição, construção. É aí que trabalha a maioria dos britânicos, mas é aí que a política industrial raramente olha. Apostar apenas nas indústrias da moda não gera inclusão nem resolve problemas de bem-estar. Pior: mantém o vício do Estado em querer substituir o mercado na escolha de vencedores.
Escrevi várias vezes sobre este tema. Em Picking winners (2017) critiquei a tentação recorrente dos governos de tentar proteger empresas ou sectores “estratégicos”. A história mostra que quase sempre sai caro: congela a inovação, atrasa a renovação natural do tecido empresarial e deixa recursos presos em modelos ultrapassados.
Em Big Man economy (2007) recordava como a ideia de salvar empresas decadentes impede a entrada de novos actores mais ágeis e inovadores. A economia precisa de destruição criativa — de deixar morrer os que não se adaptam para que novos surjam. Nunca esquecer Daniel bessa e aquele tenebroso aviso:
"faltou sempre o dinheiro que o "Portugal profundo" preferiu gastar na "ajuda" a "empresas em situação económica difícil"
Ontem, quase que escrevi que aquela notícia:
"German conglomerate Thyssenkrupp has announced that it has received a non-binding offer to acquire its steel division, Thyssenkrupp Steel Europe (TKSE), from Indian group Jindal Steel International, part of the Naveen Jindal Group."
Seria motivo para manifestações, debates na assembleia, jantares emotivos, tudo para salvar mais um campeão nacional.
Em In a stagnant economy (2021) sublinhava que, quando os governos se dedicam a sustentar campeões escolhidos, o resultado é estagnação. O mercado é um mecanismo de descoberta. Não há planos quinquenais nem gabinetes ministeriais capazes de antecipar que empresas vão ser bem-sucedidas daqui a dez anos.
O que Haldane mostra — a ilusão de que os sectores “superstar” vão sustentar tudo — é, no fundo, a mesma lógica do socialismo económico: substituir a selecção natural do mercado por escolhas políticas. Os resultados estão à vista: recursos mal alocados, produtividade baixa, crescimento anémico.
A alternativa não é não fazer nada. O papel do Estado deve ser outro: proteger as pessoas, não as empresas. Em 2008 em "Como eu olho para a crise" escrevi:
"Eu, que não tenho a informação que têm os governos, e que não tenho medo de eleições que não disputo, proporia uma receita diferente.
Apoio mínimo às empresas de qualquer sector, os consumidores que decidam quem tem direito a sobreviver como empresa.
Em contrapartida, apoio máximo às pessoas e sobretudo aos desempregados."
Garantir um “chão seguro” e, sobretudo, reconstruir escadas de oportunidade, de progressão — oportunidades de requalificação, mobilidade social, infraestruturas locais que permitam às pessoas reinventar-se quando as empresas desaparecem. É aqui que o investimento público faz sentido: não para escolher vencedores, mas para permitir que o mercado faça a selecção natural, sabendo que os trabalhadores não ficam presos sem saída.
terça-feira, setembro 23, 2025
Curiosidade do dia
"German conglomerate Thyssenkrupp has announced that it has received a non-binding offer to acquire its steel division, Thyssenkrupp Steel Europe (TKSE), from Indian group Jindal Steel International, part of the Naveen Jindal Group. This marks a new stage in years of attempts to spin off the steel business, which remains Germany's largest steel producer with annual sales of €10.7 billion, Reuters reports." (Fonte aqui e mais aqui)
Thyssenkrupp. Décadas como gigante estável do aço na Alemanha, e agora a venda da sua divisão siderúrgica já não é apenas uma hipótese — tornou-se inevitável.
No fundo, nada de novo. O Eclesiastes já o dizia há milhares de anos: “Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu.”
E nos anos 60, os Byrds cantaram-no em "Turn, Turn, Turn".
A lição? Estratégia não é desenhar equilíbrios eternos. É reconhecer quando chegou o tempo de mudar.
Uma caldeirada
- Importar alimentos de todo o Mundo custa 750 milhões por mês
- Do bacalhau aos insetos: os produtos que chegam de várias origens
"Produzir para substituir importações consumidas no país é quase sempre um erro, como relato no caso das conservas. Portugueses são pobres, importam sapatos baratos. Portugueses exportam sapatos caros. É quase impossível sustentar empresas portuguesas a produzir artigos para portugueses porque os portugueses não os poderiam pagar. Mas mesmo na substituição das importações também há que ter prudência, recordo o caso das fundições e a Autoeuropa."
Por outro lado, o secretário-geral da CAP faz afirmações contraditórias. Primeiro, faz uma afirmação que me surpreende porque faz todo o sentido:
"É comercialmente vantajoso exportar os nossos produtos, a preços altos, colocando-nos inclusive abaixo da procura interna"
Ou seja, para quem vende, é mais lucrativo exportar certos produtos agrícolas portugueses (porque os preços internacionais são mais altos). Como consequência, esses produtos ficam em falta no mercado interno ou ficam a preços mais elevados. Resultado: a procura interna não é satisfeita, porque as empresas preferem vender para fora em vez de abastecer o mercado português.
Recordo o que costumo escrever aqui com frequência:
"a função do agricultor não é alimentar a sociedade, a função do agricultor é ganhar dinheiro através da prática da agricultura. A sociedade não quer saber dos agricultores, quer produtos agrícolas baratos nem que venham da Ucrânia (escrevi isto em 2019). Por isso, o agricultor não deve ser trouxa e deve trabalhar para quem valoriza o fruto da sua actividade."
Mas o secretário-geral da CAP também mostra o lado de agricultor funcionário-público encapotado:
"refere Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). "Portugal não sabe o que fazer da agricultura."
Luís Mira acha que "Portugal não sabe o que fazer da agricultura", como se Portugal fosse um agricultor distraído que não estudou o manual de instruções. Como se a agricultura fosse um jogo de tabuleiro em que o governo segura as peças todas e a CAP estivesse sentada a ver, impotente, sem agência nem voz. Talvez tenha razão: se o papel da CAP se resume a disputar o campeonato dos subsídios da PAC, então é natural que não saiba o que fazer da agricultura - saberá apenas o que fazer das candidaturas. O problema é confundir o país com um agricultor e a estratégia agrícola com a tabela de ajudas de Bruxelas. O Portugal agricultor deveria ser o somatório de decisões de agentes individuais e não o resultado de um decisor num gabinete ministerial que nunca borrou as botas na lama.
Por fim, o artigo termina com uma mensagem críptica para não afectar a mente dos leitores habituados à mensagem habitual do jornal:
"Luís Goulão, professor no Instituto Superior de Agronomia, alerta que outra lacuna na política agrícola, que terá efeitos na produção, está na "retirada de substâncias ativas de proteção de culturas sem alternativa a curto prazo", [Moi ici: Eu traduzo, refere-se a pesticidas, fungicidas e herbicidas]", com perdas na ordem dos 500 milhões de euros, como na vinha ou no tomate industrial."
No fim, o artigo mais parece uma caldeirada: mistura dados alarmistas sobre importações, afirmações contraditórias de dirigentes da CAP, ironias sobre estratégia nacional e queixas técnicas sobre pesticidas. Tanta contradição junta não é inocente - serve, talvez, para confundir o leitor e disfarçar a verdadeira mensagem de fundo. E esta, especulo eu, é simples: preparar o terreno da opinião pública para a velha exigência de sempre, garantir água barata, paga pelos contribuintes, para sustentar as culturas intensivas que alimentam o negócio de alguns.
Eu não sou comunista, mas sei que produção apaparicada pelo estado com dinheiro dos contribuintes é um erro económico, ponto.
Lembra-me o Hélder d'O Insurgente e os últimos homens independentes de Portugal. Um abraço.
segunda-feira, setembro 22, 2025
Curiosidade do dia
Pequenas e ágeis
"For the last 150 years, big companies who have been able to afford big factories were the only ones able to deliver it. Not any more, not in this global, digital, connected economy.O mundo económico é cada vez menos um mundo onde todos competem pelo memo pico, e cada vez mais um mundo de muitos e variados picos. Um mundo de nichos. O que chamo de Mongo. Mongo não é para gigantes.New global small teams can also deliver high quality at a lower cost in many niches. Small teams can source products and ideas faster and more cheaply over the internet than big businesses can. The success of Uber and Airbnb has shown that owning an asset isn't required anymore. Being the person or company that coordinates a tribe of people is more valuable.Small enterprise can access big factories when they need to, but don't have the overhead when they aren't using them. Smaller is lean but powerful in this economy. Small and lean is faster, more dynamic, cheaper and more flexible. Small is more fun. Small can look very big now. Best of all, small cares.Small, lean enterprises give the feeling that they are making things for a special type of person rather than a market. Rather than buying things that everyone has, you can have unique things that were made for people just like you."
Uma das dificuldades para os incumbentes transitarem da mentalidade do século XX para Mongo é a dimensão. Servir nichos não requer uma dimensão tão grande e encolher é visto como sinal de fracasso.
Recordar:
- "Giants invariably descend into suckiness" (parte XV)
- Mas claro, eu só sou um anónimo engenheiro da província
Trecho retirado de "Key Person of Influence: The Five-Step Method to become one of the most highly valued and highly paid people in your industry" de Daniel Priestley.
domingo, setembro 21, 2025
O poder do pensamento positivo
"Levy has found that people’s cortisol levels [Moi ici: Já escrevi e escrevi sobre o perigo do cortisol gerado pelo comentáriado] rise by roughly 40 per cent from their 50th to 80th birthdays if they have negative attitudes to ageing....Someone with a rosier view of ageing lived for around 7.5 more years than those who were more pessimistic."
"Your attitude towards ageing can reduce the toll time takes on your brain and body. It’s a statement that sounds ridiculous, but the science backs it up....Extraordinary claims require extraordinary evidence, though, and few are as extraordinary as this. But many scientists from across the world are coming to the same conclusion: your mindset can shape your biology."
sábado, setembro 20, 2025
Curiosidade do dia
A alternativa ao turismo canceroso
“The 70-year-old duke’s ambition meets his sense of caution, based on duty to hand over the estate in good shape to his heir Charlie March.” [Moi ici: A fazer lembrar os espalhadores de bosta de Estarreja]
“The amazing thing is, they all feel they are part of it, they are in the movie.”
sexta-feira, setembro 19, 2025
Curiosidade do dia
Sinal dos tempos: "China ultrapassa Alemanha no ranking da inovação. Portugal mantém 31.° lugar"
A Suíça continua a liderar o Global Innovation Index (GII), seguida pela Suécia e pelos Estados Unidos. A China entrou pela primeira vez no top 10 do ranking e ultrapassou a Alemanha. Portugal mantém-se no 31.º lugar entre 139 economias analisadas pela World Intellectual Property Organization (WIPO).
O artigo menciona que, embora Portugal esteja estável na posição, há sinais de travagem no investimento em Investigação & Desenvolvimento (I&D).
Interessante, há dias li:
"O país é também um dos países que oferece mais incentivos fiscais às empresas, nomeadamente pequenas e médias empresas, para investigação e desenvolvimento (I&D), de acordo com o relatório, ao lado de França e da Polónia."
Perguntas sem resposta
Encontrei a política da qualidade que se segue na internet. É de uma empresa certificada.
"A XXXXX está empenhada em disponibilizar produtos e serviços aos seus clientes, que não se restrinjam à satisfação das necessidades, mas superem as expectativas, enquadrados por uma rápida evolução tecnológica, exigências de mercado cada vez maiores e uma elevada competitividade.
Todos os requisitos legais, regulamentares e a melhoria contínua da eficácia do Sistema de Gestão de Qualidade são assegurados de acordo com a norma NP EN ISO 9001:2015.
Desta forma, destacamos alguns dos princípios da nossa Política da Qualidade:
• Existir uma interação permanente com o cliente e partes interessadas, de forma a antecipar e adequar as suas necessidades e expectativas mas também conhecer a sua opinião sobre a qualidade dos produtos e serviços fornecidos;
Assegurar junto dos nossos parceiros de negócio, relações de benefício mútuo no sentido de proporcionar um crescimento conjunto;
Existirem mecanismos de gestão adequados para garantir o funcionamento de um Sistema de Gestão de Qualidade e a sua contínua melhoria; e procurar sempre novas soluções que possibilitem reforçar a empresa, tanto ao nível organizacional como pessoal, com vista a cumprir os objetivos estratégicos traçados;
• Promover junto dos colaboradores a motivação e participação ativa nos processos, estímulo da capacidade de iniciativa, trabalho em equipa, responsabilização pelo fazer bem, a formação profissional e a elevada competência técnica e humana;
• Fomentar o desenvolvimento de atividades que permitam concretizar a política da qualidade e melhorar continuamente a eficácia do Sistema de Gestão de Qualidade."
Pergunto com sinceridade:
- Cumpre os requisitos da ISO 9001:2015?
- Qual a orientação estratégica desta organização?
- Quais as escolhas difíceis que esta organização faz para servir os seus clientes?
quinta-feira, setembro 18, 2025
Curiosidade do dia
Esta semana no LinkedIn encontrei esta lista:
E fiquei-me logo pela primeira afirmação da lista:
"Um líder torna os problemas visíveis!"
E lembrei-me do ilusionista-mor, do mestre em esconder problemas: o ex-primeiro-ministro António Costa.
Como é que o sistema político português e europeu o premiou? Vocês sabem. Os portugueses até lhe deram uma maioria absoluta. Podem limpar as mãos à parede.
Os líderes a sério tornam os problemas visíveis.
Os alemães, por estes dias, estão constantemente a falar do problema da sustentabilidade das pensões e reformas. Interessante, o tema por cá não existe, os gurus acham que as paletes de imigrantes com salários baixos vão pagar as reformas e pensões da geração do Maio de 68, as que se seguem não interessam, são uma minoria eleitoral. Mas interessante mesmo porque li há anos:
"O Eurostat publicou ontem um relatório que faz soar o alarme. Por este andar, em 2050 nenhum outro país da União Europeia (UE) terá uma população tão envelhecida como Portugal. Um dos maiores desafios é segurá-la no mercado de trabalho."
Hoje no The Times, "Reform welfare state or face ruin, Germany warned."
O artigo descreve a crise iminente do sistema de pensões alemão.
O governo enfrenta uma despesa pública insustentável, já acima dos 400 mil milhões de euros por ano, que ameaça crescer muito mais na próxima década. As previsões indicam que em 2030 haverá apenas um trabalhador ativo por cada pensionista, o que pressiona o sistema.
Economistas e políticos discutem medidas dolorosas: mais impostos, idade de reforma mais elevada, cortes nas prestações. O debate é intenso e urgente, com propostas como um "imposto de solidariedade boomer" ou a imposição de obrigações de serviço social aos reformados mais saudáveis.
"profound and urgent need for reform to ensure that the country could afford its pensions.
...
They include a 'boomer solidarity tax' under which the richest 20 per cent of baby boomer households would pay an additional levy... [Moi ici: Por cá apoplexias em 3, 2, 1...]
An obligatory spell of caring for the elderly, minding small children or similar work immediately after retirement would, Fratzscher suggested, be a 'small step to bring a bit more balance back to the solidarity in our society!"
Desconfio que nós por cá, em vez de projectar o futuro, preferimos confiar que “a Europa há de mandar uns fundos” para tapar os buracos. Em Portugal seria suicídio político falar em aumentar a idade da reforma ou cortar pensões. O mais fácil é fingir que o problema não existe. Em resumo: Portugal não discute porque prefere manter o mito da “sustentabilidade assegurada até 2060” que se escreve em relatórios oficiais, e assim todos dormem descansados — até ao dia em que a realidade, como sempre, bater à porta.
Não são elas que precisam de Portugal, é Portugal que precisa delas (Parte VII)
quarta-feira, setembro 17, 2025
ISO 9001:2015 vs. ISO DIS 9001:2025 - Main differences
🚀 Novo artigo publicado: ISO 9001:2015 vs. ISO DIS 9001:2025 — Principais Diferenças
Para quem trabalha com Sistemas de Gestão da Qualidade, este artigo pode ser útil. Destaco as diferenças mais relevantes que se esperam na próxima revisão da ISO 9001, comparando a versão de 2015 com a actual Draft International Standard (DIS):
✅ Maior ênfase na liderança, cultura, ética e comportamento organizacional
✅ Gestão de riscos e oportunidades mais robusta — não apenas determinar, mas também avaliar (embora praticamente todas as empresas já fizessem a avaliação)
✅ Requisitos alargados sobre sensibilização, conhecimento organizacional e comunicação com clientes
⚠️ Naturalmente, até à fase FDIS estas diferenças ainda podem evoluir. Não é preciso agir de imediato — mas analisar o que aí vem não fará mal nenhum e só poderá deixar alguém melhor preparado.
Curiosidade do dia
Retirado do FT do passado dia 15 de Setembro:
Portugal e Panasonic - as semelhanças
"Rivals Hitachi, Sony and NEC have been rewarded for executing painful transformations, each surging six times in value over a decade, while Toshiba was sold in 2023 for $15bn to Japan Industrial Partners. In contrast, the market value of Panasonic has languished for the past 10 years at about ¥3.75tn ($25bn)."
Falta visão e estratégia clara:
"We’ve talked with them but they don’t make any decisions. They’re siloed,” said a private equity executive in Japan. “We don’t have a clear picture of how that company will transform itself. It’s drifting."
Ontem à hora do almoço fui buscar uns livros entregues num ponto de recolha, enquanto regressava a pé ao escritório, folheei um deles e li um subcapítulo "Your best thinking five years ago is your baggage today." Encaixa bem com:
"Yet the legacy of successes in the 1980s and founder Konosuke Matsushita’s ingrained ‘water tap’ philosophy — to make products as abundant as water to capture a large share of the market — has made it hard for the company to evolve. Ogawa added: ‘Making that mindset shift is extremely difficult.’
...
Atul Goyal, analyst at Jefferies, said Panasonic's "real transformation begins when they decide what businesses they're good at" and prioritise allocating capital to areas of high-tech manufacturing competence.
One big decision shaping Panasonic's future will be the extent to which it offloads or halts the low-margin consumer electronics that made it a household name. Panasonic was attempting a "China cost, China speed and Japanese quality" revival, said Ogawa. [Moi ici: Como cá se faz com a importação de paletes de mão de obra barata e se adia a subida na escala de valor]
Neil Newman, head of strategy at Astris Advisory, has no doubt that Panasonic can push into new areas such as AI but he said the issue was "they always bring their baggage with them". [Moi ici: Vêem a ligação ao subcapítulo do livro. Weird!!! Não há coincidências, todos os acasos são significativos]
"Either they risk everything on a real restructuring and get rid of the consumer electronics," said Newman. "Or they just don't... and never set the world alight but risk gradual decline towards vulnerability and obscurity." [Moi ici: Conseguem a ver a ligação à "DVD leadership team", tão clara que até dói fisicamente]
terça-feira, setembro 16, 2025
Curiosidade do dia
"É preciso ser muito míope para não perceber que está a crescer na nossa sociedade, nas nossas cidades, um sentimento larvar contra o turismo, os turistas e os agentes (privados, mas também públicos) que o promovem.E não é preciso ser muito inteligente para perceber que esse sentimento cedo ou tarde, tal como aconteceu noutras paragens, vai acabar por se transformar em ação social e por consequência desta em ação política. Não sei se essa explosão súbita do descontentamento se dará já nestas autárquicas, mas sei que é uma questão de tempo....Infelizmente para os próprios, os agentes do setor parecem caminhar sonâmbulos.Ou muito me engano ou vão arrepender-se mais cedo do que imaginam de não estarem a liderar esta agenda. O descontentamento existe e está aí para quem queira estar minimamente atento. Em muitos outros temas, as forças políticas extremistas já deram mais do que prova da sua capacidade de cavalgar frustrações, irritações e anseios com soluções ilusórias e contraproducentes. O setor do turismo não ficará imune para sempre a essa tentação.Como em qualquer outro setor da economia, a autorregulação é quase sempre uma resposta melhor e mais inteligente (porque gerida por quem conhece os problemas a fundo) do que a regulação exógena, sobretudo quando pensada à pressa e para resolver problemas que se acumularam por miopia ou desleixo ao ponto da insustentabilidade.Talvez esteja na altura de alguém acordar."
Come on, Pedro Norton acha que o o agente típico do setor do turismo é como os espalhadores de bosta de Estarreja. Think again.
Penso que muitos serão como os gafanhotos da Big Agro: quando deixar de dar "deitam abaixo o pau do circo e levam a tenda para outro lado, como gafanhotos."
O aviso de Pedro Norton não deixa de ser um convite à lucidez: ou o sector desperta e lidera o caminho, com medidas próprias e inteligentes, ou arrisca-se a ser surpreendido por uma regulação externa e reactiva, que virá num clima de conflito e ressentimento.
A questão central não é se o debate vai acontecer, mas quem o vai conduzir. E se os agentes do turismo continuarem a “caminhar sonâmbulos”, dificilmente escaparão às consequências.
Um OVNI
No livro "Through the Looking-Glass, and What Alice Found There" Lewis Carroll, no Capítulo 2 - "The Garden of Live Flowers", Alice encontra a Rainha Vermelha (Red Queen).
- A Rainha pega na mão de Alice e começam a correr lado a lado.
- Depois de correrem intensamente, Alice percebe que continuam no mesmo lugar.
- É aí que a Rainha explica a famosa ideia: "Now, here, you see, it takes all the running you can do, to keep in the same place. If you want to get somewhere else, you must run at least twice as fast as that!"
Na biologia, o biólogo Leigh Van Valen (1973) usou a metáfora para formular a Red Queen Hypothesis:
- As espécies precisam de evoluir continuamente, não para ganhar vantagem, mas simplesmente para sobreviver num ambiente em que todas as outras também evoluem.
- Exemplo clássico: a corrida evolutiva entre predadores e presas (a gazela corre mais depressa para escapar, o leão precisa correr mais depressa para caçar).
Na economia a "corrida da Red Queen" tornou-se uma metáfora para situações em que o esforço é constante, mas o ganho líquido é nulo — porque todos estão a mover-se ao mesmo tempo.
- Concorrência internacional: países investem continuamente em inovação só para não perderem quota de mercado.
- Empresas em mercados maduros: precisam de melhorar produtividade, reduzir custos e lançar novos produtos só para manter a posição.
- Trabalhadores: têm de se qualificar continuamente apenas para não ficarem para trás.
É uma descrição viva daquilo a que chamamos "correr para ficar no mesmo sítio".
Estão a ver onde isto nos leva ... podia escrever sobre os produtores de uva no Douro, mas vou fixar-me no sector automóvel e no têxtil e calçado.
Primeiro o sector automóvel, em Março passado citei aqui num postal:
"São diferenças "impossíveis de cobrir por via do aumento da produtividade" [Moi ici: Aqui produtividade como aumento de eficiência, como redução de custos, como redução do denominador da produtividade. O que se segue é um exemplo ao vivo e a cores daquilo a que chamo há muito tempo o jogo do gato e do rato.], assume a administração, depois de comparar o salário bruto médio mensal nas suas fábricas nestes países e a respetiva evolução desde 2019. Em Ovar, o valor passou de €808 para €1303, enquanto a Roménia apresenta valores de €464 em 2019 e de €821 em 2025. Na Bulgária, o salário subiu de €361 para €583, em Marrocos saltou dos €284 para os €362, e na Tunísia aumentou dos €163 para os €284. No Egito, onde só há dados do atual exercício, o valor é de €136.""
No Domingo à noite no LinkedIn mão amiga tinha-me enviado isto:
O que é isto senão outro exemplo ao vivo e a cores da teoria dos Flying Geese:O país A deixa de ser competitivo (e aqui uso a palavra competitividade com toda propriedade) e o grosso da produção [escrever aqui ou têxtil, ou calçado, ou automóvel, ou ...] passa para o país B porque é mais barato. Mas o país A, ao evoluir na horizontal, da esquerda para a direita, ganha produtividade. E produtividade à custa do numerador e não do denominador, ou seja, ganhos muito superiores que ultrapassam as migalhas da melhoria da eficiência, como aprendi com Marn e Rosiello.
Começou na Alemanha (A), passou para Portugal (B) e está a passar para Marrocos et al (C). Recordar os relatos em primeira mão de Abril passado. Só não acontece mais depressa por causa do, peço desculpa pela palavra que vou usar, mas é para impressionar com a caricatura, suborno que os governos, com benesses fiscais e fundos comunitários, fazem para que a Autoeuropa atrase a decisão de sair.
Passemos ao calçado e têxtil.
Ontem na capa do JN, "Calçado e têxtil despedem mil trabalhadores numa semana"
BTW, o calçado tem tudo a ganhar em afastar-se da colagem que lhe querem fazer ao têxtil. O têxtil é muito Caím, o problema nunca é dele, é sempre dos outros, dos chineses, dos paquistaneses, dos trabalhadores, dos políticos, em suma dos maus.
BTW, com um título destes "Calçado e têxtil despedem mil trabalhadores numa semana" como conseguem seduzir jovens atentos para o sector? Lembram-se do que escrevi aqui a propósito de:
"A industria é forte, mas precisamos de começar pela educação e formação. E fundamental tornar este setor atrativo para as camadas mais jovens...
"Portugal tem um problema crónico de recursos humanos. A pirâmide etária está invertida e sem jovens a renovação torna-se difícil."
"O grande problema é não conseguir que os funcionários atuais, cada vez mais próximos da reforma, tenham seguidores na empresa, porque os admitidos não estão disponíveis para aprender o ofício."
Também podemos recuar a Novembro de 2016 e a "É verdade, não é impunemente que se diz mal".
Não tenho analisado aqui os números mensais das exportações, mas tive curiosidade em ver como vão as exportações do têxtil e do calçado (primeiros sete meses de 2025 versus primeiros sete meses de 2024) e fiquei admirado. As exportações em 2025 são cerca de 99,8% das de 2024. Ou seja, não foi o mercado externo que colapsou. O problema estará nas margens: os custos sobem (energia, matérias-primas, salários), mas as empresas não conseguem aumentar preços. Resultado: o sistema implode por dentro.
Recordar de Fevereiro passado:
"Portugal exportou 68 milhões de pares de calçado para 170 países em 2024, um crescimento de 3,9% em volume, mas uma quebra de 5,4% em valor face a 2023, para 1.724 milhões de euros, segundo o INE."
Recordar de Abril passado, "Competitivos, mas frágeis: o custo invisível de competir sem diferenciação"
Um OVNI, foi o que chamei a um candidato autárquico que conheço pessoalmente e que vi na RTP com um discurso diferente de todos os outros candidatos.
Conhece mais alguém que fale de produtividade como aqui neste blogue? Pois, outro OVNI... só ganho inimigos.
segunda-feira, setembro 15, 2025
Curiosidade do dia
Esta manhã junto à estação de caminho de ferro de Valadares.
Ao longe ainda pensei que eram os cidadãos que estavam a portar-se mal, mas de perto percebi que os contentores já estão cheios.
Esta fotografia, tirada hoje de manhã em Vila Nova de Gaia, mostra um problema que não é apenas estético: ecopontos rodeados de cartão, embalagens e sacos cheios, resíduos com elevado potencial de reciclagem que acabam amontoados no espaço público.
Se a recolha selectiva não funciona - seja por falta de frequência, insuficiência de capacidade ou falha de coordenação entre entidades - a confiança dos cidadãos esgota-se rapidamente. Para quê separar, se depois os resíduos ficam abandonados junto ao contentor?
A gestão de resíduos urbanos não é apenas um serviço de higiene. É um teste à credibilidade das políticas ambientais e ao compromisso com as metas de reciclagem que o país assumiu perante a União Europeia. Cada ecoponto cheio demais, cada recolha em atraso é uma oportunidade perdida de recuperar materiais e de reforçar a confiança pública.
O problema que esta imagem revela não é local, é sistémico: se queremos aumentar as taxas de reciclagem, não basta apelar ao comportamento dos cidadãos. É preciso garantir que a logística da recolha acompanha o esforço de separação. Caso contrário, transformamos uma boa intenção num gesto inútil.
Faz-me lembrar um desenho do Quino.
No primeiro boneco está alguém, em frente a algo semelhante ao que havia na estação dos correios na Praça do Município no Porto há muitos anos, indeciso sobre que ranhura escolher para colocar a carta que tem nas mãos.
No segundo boneco vêmos as traseiras daquela parede com as ranhuras e verificamos que todas elas encaminham as cartas para o mesmo sítio.
Cuidado com esta gente à frente de empresas (parte II)
“It should be possible for someone working in a call center to earn six figures quite easily.”
domingo, setembro 14, 2025
Curiosidade do dia
"What do Theresa May and Andy Burnham have in common with Michel Barnier, François Bayrou and Emmanuel Macron? All five were admirably honest with the public about the trade-offs inherent in financing an ageing society, and all five were duly punished for their candour by the public, the press, opposition politicians or all three.The past two decades of French and British politics are a graveyard of proposals to slow the upward ratchet of spending on growing elderly populations....Not only do French pensioners get larger cheques from the government than their counterparts anywhere else in the west, they start getting them several years earlier. The result is a situation in which over-65s now have higher average incomes than the working age population - unique both internationally and in France's own history. Even the rumour of threats to this arrangement is met with mass public outrage and opposition from left and right....In a particularly stunning statistic highlighted by French political analyst François Valentin, pensions play such an outsized role in the country's public finances that they accounted for one-sixth of the ministry of defence budget last year, and without them France would not meet Nato's 2 per cent target for military spending. [Moi ici: Isto tem o seu lado caricato]...Voters often accuse politicians of fiscal sleight of hand, but here they are complicit in presuming ever larger pension cheques can be conjured like rabbits from a hat. At some point, both groups must confront mathematical reality."
Anichar, ao vivo e a cores
- Portugal . 80 milhões de pares
- Reino Unido - 5 milhoes de pares
""We make around 100,000 pairs of Goodyear welted shoes at our factory every year," says James Fox, head of marketing and ecommerce at Crockett & Jones. "Currently, we get between 8,000 and 10,000 pairs of shoes back for repair from our customers annually."..."Just under half the people who buy from us send shoes back for refurbishment," says Little. "They do it five or six times. Then we have a range called Back on the Road where we take battered shoes that might be 20 years old, patch them up and add a new sole. When we've got 100 pairs, we have an online sale. They sell out within the hour.""
sábado, setembro 13, 2025
Curiosidade do dia
- Que problemas sociais existem hoje que o Estado não consegue resolver bem?
- Que papel único podemos assumir que faça sentido neste novo contexto?
- Acompanhamento de proximidade (solidão, sentido de pertença) - algo que apoios financeiros não resolvem.
- Resposta rápida e flexível a situações onde a burocracia estatal é lenta.
- Criação de comunidades de cuidado mútuo, não apenas de prestação de apoios.
What you see is all there is.[The eyes cannot see what the mind does not know.We only see what our mind allows us to see.The eye sees only what the mind is prepared to comprehend.]What the mind is prepared to comprehend is all there is.
Música para os meus ouvidos e os outros
"Os 544,65 milhões de euros em vinho de Portugal enviados para o estrangeiro nos primeiros sete meses deste ano ficaram 0,5% abaixo do registo homólogo. Até se compraram mais litros (+2,7%), mas a um valor médio inferior. Caiu de 2,73 para 2,65 euros no espaço de um ano (-3,16%), com a "forte redução do preço médio nos EUA a contribuir decisivamente para a descida do preço médio global das exportações portuguesas de vinho", enquadra Falcão.Até 2030, a meta fixada pela ViniPortugal passa por alcançar 1,2 mil milhões de euros em exportações e aumentar o preço médio para 3.19 euros por litro. O líder da organização diz ao ECO que mantém esses objetivos, embora "naturalmente [esteja] a rever e a ajustar a estratégia de promoção para dar resposta aos novos desafios e circunstâncias de mercado"."
sexta-feira, setembro 12, 2025
Curiosidade do dia
"Gone is the era of counting down the days until you turn 65 and can enjoy a quiet retirement in the pub or on the golf course.A growing cohort of people are instead working well into their seventies and eighties, a report by Bupa has found, driven by a desire to stave off dementia and loneliness in old age.One in four over-55s believe working past retirement age will help them to live longer and workplaces are being encouraged to do more to retain these older staff....A survey of 8,000 adults found that half of over-55s believed working past retirement age would help to keep their brains active and one in four believed it could help them to live longer.Some 13 per cent of over-50s have already returned to work after retirement and one in five said they would consider doing so. These people report a stronger sense of purpose and improved mental and physical health. John Shipton, 94, works three mornings a week on the checkouts at Waitrose's Exeter branch. He retired from full-time work as a maintenance controller at 65 but applied for his job at Waitrose at the age of 80.Shipton told The Times that the "pleasure of working" kept him going, adding: "Interactions with other people are so important in your life. It stops you going completely bananas.""
Eu que nunca pensei em reformar-me e me sinto um marciano ao lado de tanta gente com menos de 60 anos que aspira, que sonha com a reforma, agradeço a solidariedade destes ingleses.
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