sábado, agosto 16, 2025
A senhora gorda e a revisão pela gestão
sexta-feira, agosto 15, 2025
Curiosidade do dia
- Novembro de 2018 - Ver para lá do que se conhece (Parte I)
- Agosto de 2019 - Ver para lá do que se conhece (Parte II)
- Outubro de 2019 - Ver para lá do que se conhece (Parte II)
- Março de 2015 - No caminho da "magia"
"Technology with the ability to decode a person's inner thoughts and translate them into speech in real time has moved a step closer after the testing of a new brain implant, scientists have claimed.Researchers at Stanford University in California said that their device was able, with 74 per cent accuracy, to detect a person's "inner speech" — where they imagined saying a specified set of words in their mind without any effort to physically utter them - and decipher which words they were thinking about."
Lembrei-me logo que as cenas de arranque de unhas com o Liam Neeson vão ficar obsoletas:
"This could prompt fears of systems being able to read a person’s thoughts against their wishes, so researchers also tested whether the users could activate the system by imagining a password and found that it worked with 98 per cent accuracy."
Também poderão ser usadas por televisões-tablóides enquanto entrevistam políticos que não pertencem ao clube.
Melhorar o retorno da certificação ISO 9001 (parte VIII)
Parte I, Parte II, Parte III, Parte IV, Parte V, Parte VI e Parte VII.
- O estabelecimento dos objectivos da qualidade; ou
- A criação do modelo de funcionamento da organização com base na abordagem por processos.
"Conjunto de elementos interrelacionados ou interatuantes de uma organização para o estabelecimento de políticas e objectivos e de processos para atingir esses objectivos."
O meu "amor" pela definição de sistema de gestão e sua importância nasceu na versão da ISO 9000:2000 que era ainda mais simples:
"Sistema para estabelecer política e objetivos e para atingir esses objectivos."
- Primeiro, quem são os clientes-alvo?
- Segundo, quem nos ajuda a servir e a satisfazer esses clientes-alvo?
- Terceiro, quem nos pode restringir ou influenciar na nossa capacidade de servir e satisfazer esses clientes-alvo?
"The object of strategy is an integrated set of choices that compels desired customer action. But companies do not control customers: they will do whatever they wish."
Vejo estas escolhas como as peças para criar um ecossistema em que:
- os clientes têm tudo a ganhar em trabalhar com a organização;
- os fornecedores e outros parceiros têm tudo a ganhar em trabalhar com a organização;
- as restrições criadas por algumas partes interessadas ou são usadas em nosso favor, ou os seus efeitos são minimizados.
"What would have to be true for this strategy to work?"
Porque a verdade é que a situação actual não está a funcionar, daí a necessidade de reformular a estratégia para aumentar o retorno da certificação.
Em vez de perguntar se uma estratégia “está certa ou errada?” ou “vai funcionar ou não?”, Roger Martin propõe uma abordagem mais hipotética e criativa: importa menos julgar antecipadamente e mais explorar o que terá de ser verdade para que uma determinada escolha estratégica possa funcionar.
Este modo de pensar permite suspender o julgamento e manter a mente aberta, evita discussões estéreis entre defensores de estratégias concorrentes, ajuda a clarificar suposições escondidas por trás das escolhas e permite identificar as incertezas críticas que devem ser testadas antes de assumir compromissos.
Por exemplo, se uma empresa pretende lançar um produto premium num novo mercado, a pergunta não é se essa escolha é boa ou má, mas sim: “What would have to be true for us to succeed com um produto premium neste mercado?”
A resposta poderá passar por verificar se os consumidores valorizam mais a qualidade do que o preço, se existem canais dispostos a vender produtos mais caros, e se a marca pode ser percepcionada como premium. Estas condições tornam-se hipóteses de trabalho, que podem — e devem — ser testadas antes de avançar.
Este tipo de raciocínio transforma a formulação de estratégia num processo de criação de hipóteses, de escolha consciente e de aprendizagem prática. Evita-se assim cair no erro de confundir desejos com realidade, adoptar estratégias apenas porque são populares ou avançar sem testar os pressupostos mais críticos.
O que faço é levar a gestão de topo da organização a pensar por que é que cada parte interessada relevante do ecossistema aceitaria de livre vontade fazer o seu papel?
Por exemplo:
Para os arquitectos:Ampliam a minha liberdade criativa - consigo materializar visões arquitectónicas ambiciosas sem limitações técnicas ou estéticas, porque conto com um parceiro que entende as minhas necessidades e domina a tecnologia.
Ajudam a reforçar a minha reputação profissional - consigo ganhar/reforçar a minha reputação entre pares e clientes por introduzir soluções técnicas inovadoras e esteticamente refinadas, que se destacam no mercado.
Colaboram no processo criativo - participam no processo criativo de forma colaborativa agregando valor estratégico, inovador e normativo, não são um simples "recebedor" de encomendas.
Reduzem os meus riscos e frustrações - com sistemas construídos com rigor técnico e atenção ao detalhe, diminuem os imprevistos em obra e asseguram a fiabilidade dos resultados.
Para os empreiteiros:
Obras mais previsíveis e eficientes - recebo produtos claramente especificados, tecnicamente consistentes e montáveis com elevada fiabilidade, reduzindo retrabalho e atrasos.
Dão-me apoio técnico e formação eficazes - beneficío de assistência directa na instalação, formação e garantia, o que agiliza o processo e dá confiança para executar projectos exigentes.
Valorizo o meu portfolio - ao participar em projectos de alto valor estético e técnico, ganho reputação e posso alavancar novos contratos com base na qualidade entregue.
Para os donos de obra (a Vitrumo não interage directamente com os donos de obra, mas o que os donos de obra procuram e valorizam contribui para que os arquitectos seleccionem a Vitrumo, porque os ajuda a satisfazer os seus clientes):
Obra diferenciada e de prestígio alto - fico com uma solução arquitectónica que alia forma e função, funcionando como “um extra de magia” no resultado final.
Prazo cumprido e orçamento controlado - beneficío da maior previsibilidade e qualidade logística proporcionada pelo alinhamento entre arquitecto, fabricante e empreiteiro.
Menos ansiedade e custos pós-entrega - com sistemas fiáveis e apoio eficiente, evitam problemas após a obra, reduzindo encargos com assistência e surpresas desagradáveis.
Isto está a ficar demasiado longo. Na Parte IX vamos construir um mapa da estratégia, com base neste esquema, e daí chegar aos objectivos da qualidade alinhados com a política e a estratégia.quinta-feira, agosto 14, 2025
Curiosidade do dia
"Nicolas, a thirtysomething professional, sits in his tiny Paris flat with his head in his hands. Despite a degree and a job with a big brand company, he and his wife Julie are barely managing after the state takes its huge cut from their pay.More than 500,000 people have tweeted sympathy with the young manager since his plight went public. Ministers and MPs have offered support and he is worrying President Macron's staff. All of which is remarkable given that Nicolas does not exist.He is the fictional embodiment, a viral meme, of the frustration of a generation of white urban middle-class millennials who feel they are being milked to pay for the French benefits system and for boomers living it up on state pensions. His name is one that peaked in popularity with middleclass parents in 1980.The slogan "C'est Nicolas qui paie" (Nicolas foots the bill), which emerged in 2020, has taken off this year, channelling anger in a section of the electorate that was the heart of initial support for Macron's centrist En Marche party, now called Renaissance.
Targets for Nicolas's ire include Bernard and Chantal, generational names for 70-year-olds who are depicted sailing the oceans on cruises, thanks to pensions that this year gave retired recipients higher incomes than average full-time workers.
Also in his sights is Karim, the Muslim-African immigrant whose life is supposedly financed by Nicolas."
Trecho retirado de "'We are Nicolas: middle-class rebels rattle French elite" publicado no The Times de hoje.
Olhar para a frente
O meu querido pai, que perdi há mais de 20 anos, um dia perguntou-me:
- Quando é que tens férias?
Sorri, e respondi:
- Um empreendedor nunca tem férias.
Isto é eu a ser eu ... perdido nas minhas tangentes.
Bom, esta semana estive em Inglaterra e no Domingo passado tive oportunidade de participar numa missa na igreja de São José e Santa Teresa em Wells (condado de Somerset). O pároco, (natural do estado de Kerala na India, católico não por causa dos portugueses (isso é mais a norte em Goa) mas por causa da acção missionária e martírio de São Tomé... outra tangente), durante a homilia reflectiu sobre a segunda leitura, um trecho do capítulo 11 da Carta aos Hebreus:
"A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados.
...
Foi pela fé que Abraão obedeceu ao apelo divino, partiu para uma terra que devia receber em herança. E partiu não sabendo para onde ia. Foi pela fé que ele habitou na terra prometida, como em terra estrangeira, habitando aí em tendas, com Isaac e Jacob, co-herdeiros da mesma promessa. Porque tinha a esperança fixa na cidade assentada sobre os fundamentos (eternos), cujo arquitecto e construtor é Deus.
Foi pela fé que a própria Sara cobrou o vigor de conceber, apesar de sua idade avançada, porque acreditou na fidelidade daquele que lhe havia prometido. Assim de um só homem quase morto nasceu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu, e inumerável como os grãos de areia na praia do mar."
A fé não é acreditar em algo que vem do passado ... a fé é como ter a certeza em algo que ainda não aconteceu e confiar no que não se vê.
Abraão tinha 75 anos quando ouviu o chamamento de Deus, podia ter ficado na sua comodidade, na boa vida da casa dos pais, mas não, partiu para a aventura, partiu para o desconhecido.
Enquanto ouvia a homilia, realizei que se calhar nunca tinha percebido a fé assim. Ter fé, segundo Hebreus 11, é acreditar e agir confiando em Deus, mesmo quando não se tem todas as respostas ou provas visíveis. Não é "esperar sentado" - é andar para a frente como se o que Deus prometeu já fosse real.
Isto casa bem com uma das minhas selecções do Novo Testamento: A Parábola dos Talentos.
E como podemos descobrir o chamamento de Deus?
Recordo a história do profeta Elias (1 Reis 19:9-13), no Antigo Testamento. Perseguido e desanimado, ele refugia-se no monte Horeb, onde um anjo(?) lhe diz que Deus vai passar diante dele. Primeiro veio um vento fortíssimo, mas Deus não estava no vento. Depois, um terramoto, mas Deus não estava no terramoto. Em seguida, um fogo, mas Deus também não estava no fogo. Por fim, ouviu-se uma brisa suave - e foi aí, no murmúrio silencioso, que Elias reconheceu a presença de Deus.
Talvez o chamamento de Deus não se descubra sempre nos grandes sinais, mas no silêncio e na atenção ao que parece pequeno.
Eu, que sou muito visual, ainda a ouvir a homilia imaginei como a ilustraria: fé não é ser empurrado pelo passado, mas puxado pelo futuro. Acabei a desenhar este "jogo da corda" entre o passado conhecido e o futuro desconhecido.
sábado, agosto 09, 2025
Milei e as consequências
Estou a torcer pelo sucesso das ideias de Milei.
O que vou escrever aqui já partilhei em pelo menos duas conversas este ano.
Julgo que foi no final do ano passado que ouvi um discurso de Milei nas Nações Unidas. O discurso não tinha nenhuma novidade. No entanto, ao ouvir de forma clara e crua as ideias sobre liberdade de comércio internacional que ele preconizava e preconiza para a Argentina pensei para comigo: espero que estejas preparado para as consequências.
Encerramento de empresas sem vantagem competitiva. Sectores que só sobrevivem devido a barreiras alfandegárias ou subsídios tenderão a desaparecer rapidamente.
Reorientação da estrutura produtiva do país. A economia terá de concentrar recursos nos sectores onde possa competir globalmente com base em custo, qualidade, inovação ou especialização.
Aumento das importações. Os produtos estrangeiros mais baratos e de melhor qualidade ocuparão espaço no mercado interno, pressionando ainda mais as empresas locais.
Pressão para ganhos de produtividade. As empresas sobreviventes terão de inovar, adoptar tecnologia e melhorar processos para se manterem no mercado.
Ao nível dos trabalhadores teremos um aumento do desemprego nos sectores não competitivos. Haverá pressão para migrar para sectores competitivos ou não transaccionáveis (como serviços locais)(como aconteceu em Portugal com o choque chinês). As regiões dependentes de indústrias protegidas podem sofrer colapsos económicos e sociais mais acentuados. Por fim, o que também tem acontecido na Europa: nos sectores expostos à concorrência internacional, a pressão para reduzir custos poderá afectar salários e condições laborais.
Escrevo tudo isto porque ontem o FT trazia um editorial, "Lessons and limits from Milei's shock therapy" onde se podia ler:
"Milei swiftly proved his critics wrong, slashing spending to achieve one of the most dramatic budget turnarounds in emerging market history. Inflation plunged and confidence in the peso - famously described by the new president as "worth less than excrement" - was restored.
...
Yet as he approaches the halfway point of his four-year term in December; the economic and political limits of Milei's shock therapy are becoming clearer. The government has relied too much to fight inflation on an overvalued exchange rate, which is draining reserves, sucking in imports and hurting domestic industry.
...
There has been little consideration, too, of measures the state could usefully take to mitigate the damage of spending cuts and to help the real economy.
...
Important reforms, such as an overhaul of the country's hidebound labour laws and major privatisations, have not happened because there is no congressional majority for them."
O último parágrafo é fatal. Milei só salva a Argentina se conseguir tornar mais fácil o aparecimento das novas empresas que constituirão a nova economia baseada nas vantagens competitivas do país.
sexta-feira, agosto 08, 2025
Curiosidade do dia
"The civil service is losing more than four million working days a year to staff sickness and absence rates have risen by at least 10 per cent in some departments. Latest figures suggest Whitehall is on track to report its highest staff sickness level yet, surpassing a peak of 8.3 days a year lost per employee in 2023....Figures published by the Office for National Statistics this summer showed that, on average, public sector sickness rates were almost 50 per cent higher than those in the private sector."
Trechos retirados de "Whitehall on track for record sick days" publicados no The Times de 06 de Agosto último..
Um sinal
"Clash of Trades" uses sports-style competitions, big financial prizes, and an addiction to reality TV to boost the appeal of the skilled trades...She wanted a 'Top Chef'-style competition for manufacturing" [Moi ici: Usar o formato de reality shows competitivos para tornar atractivas profissões técnicas subvalorizadas]...Winning first place on 'Clash of Trades'... helped Southwestern Illinois College... increase enrollment......Everett Community College... had a waiting list... since its team placed fourth…."
quinta-feira, agosto 07, 2025
Curiosidade do dia
Esta manhã no Twitter encontrei a imagem abaixo:
"As pessoas têm de ter salários que sirvam para ter casa, comer e viver com dignidade, e têm de cumprir o trabalho."
Quem é que está contra estes lugares-comuns?
Por isto é que aqui no blogue há muito tempo defendemos o "deixem as empresas evoluir ou morrer, ponto!!!"
Muitas empresas não podem pagar "salários que sirvam para ter casa, comer e viver com dignidade" porque não podem, porque não libertam margem suficiente para tal. Não devemos promover a sua morte, mas não devemos mantê-las vivas artificialmente como zombies, devemos simplesmente deixá-las morrer. No entanto, o que os governos fazem é precisamente o contrário, porque têm medo do que pode acontecer durante a transição. Nunca criticam a exibição durante a festa de Natal e continuam a chamar a equipa dos DVD's para as reuniões sobre o futuro. Boa sorte!
A melhor forma de garantir melhores salários é aprender a lição dos flying geese e atrair quem os possa pagar.
Acerca do eficientismo
"It's worth noting that many people in procurement or finance are quick to claim credit for cost savings — but they rarely get blamed for lost sales.Why? Because costs are easy to quantify, while opportunity costs aren’t.That creates a massive asymmetry in how we evaluate decisions.I've been noticing this more and more: everyone’s trying to drive sales through a single, highly efficient channel — but that often comes at the expense of missed opportunities elsewhere."
Esta assimetria é um exemplo clássico do que os economistas comportamentais chamam 'availability bias' - recompensamos o que é visível e mensurável (as poupanças), e ignoramos o que é invisível (as oportunidades perdidas).
Reduzir custos é visto como uma gestão racional. Mas quando isso sufoca a diversidade de abordagens ou a flexibilidade no relacionamento com o cliente, transforma-se em miopia estratégica. Os custos de oportunidade são custos estratégicos — apenas não temos folhas de cálculo para os calcular.
Se as pessoas só são recompensadas por ganhos quantificáveis de curto prazo, vão naturalmente privilegiar essas acções — mesmo que comprometam o valor a longo prazo. As organizações precisam de papéis com responsabilidade pelo futuro, e não apenas pelo presente mensurável.
A eficiência é adorada porque parece lógica. Mas a natureza não optimiza - adapta-se. Quando se eliminam todas as ‘ineficiências’, elimina-se também a opcionalidade, o jogo, a descoberta. No fim, a organização transforma-se numa máquina sem margem de manobra.
quarta-feira, agosto 06, 2025
Curiosidade do dia
Há bocado vi este artigo "Três praias no Algarve interditas a banhos devido a contaminação das águas":
"A bandeira vermelha foi içada nas praias Verde, do Verde Lago e da Alagoa-Altura devido à detecção de bactérias que costumam residir nos intestinos. Autoridades procuram origem exacta do problema.
...
Afonso Martins referiu ainda que foram contactadas as "entidades que detêm [a competência] das descargas, que são a Câmara Municipal de Castro Marim e as Águas do Algarve". "Aguardamos agora os novos resultados", , informou o comandante local, acrescentando que as três praias correspondem a uma extensão de cerca de três quilómetros.
Ainda não se sabe o motivo exacto para a contaminação das águas. Por agora, técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da autarquia estão a procurar a origem. Uma das probabilidades é um "problema nas descargas de esgotos", indica Ana Cristina Guerreiro."
Há dias foi na Nazaré e em Matosinhos
Sabem o que me veio à cabeça? O cabeçalho que vi na internet de um jornal:
"Serviços públicos colapsam com aumento de imigrantes
- Número de alunos estrangeiros passou de 42 mil para 172 mil em todos os níveis de ensino
- Consultas de imigrantes no SNS aumentaram de 326 mil para 1 milhão e 400 mil"
Eu versus os maus
"A company’s strategy is what it does. Its strategy is the set of choices that it has put into action over time. Like the expression “you are what you eat;” you are your choices — regardless of how or why they were made. That is the case even if those choices are not written down anywhere."
A "estratégia" de uma organização não é o que está num documento ou numa apresentação. Roger Martin defende uma visão pragmática e profundamente verdadeira da estratégia como conjunto de escolhas reais, traduzidas em acções concretas, com impacto visível. Mesmo que uma empresa tenha elaborado uma "estratégia" com palavras bonitas e gráficos coloridos, se na prática as suas decisões do dia-a-dia seguem outro rumo, então a verdadeira estratégia é essa — a que se vive, não a que se diz. E no outro extremo, mesmo que uma organização diga que não tem uma estratégia. Sorry, isso é mentira.
Agora voltemos ao artigo da passada segunda-feira:
"When your strategy is weak, the actors in your world aren’t particularly generous with you. If your offering is mediocre, customers won’t be loyal, competitors will attack you, and investors will shy away from you and/or badger you. But that is not meanness, it is fairness. However, if you have a weak strategy for a long period, you will come to believe that actors around you are mean and unfair. [Moi ici: Por favor, voltar atrás, reler o texto com calma e deixar que as palavras mergulhem no consciente com cuidado e reflexão]But if you treat your customers well and your employees well, and your suppliers well, etc., they will reward you with their business, their loyalty, their support. Are there exceptions? Certainly. But the mean and unfair people prove the rule — that most actors in your economic system are good and fair."
Agora pensem produtores de uvas, nos produtores de leite, nos produtores de carros, nos produtores de componentes, nos produtores de vestuário, nos produtores de ... quantos assumem que o seu problema de fraco desempenho financeiro é consequência da sua estratégia, e não de uns maus que jogam com armas desiguais e fazem batota?
terça-feira, agosto 05, 2025
Curiosidade do dia
"Let me set out how we got to a situation in which one fifth of all new car sales in Britain are Motability cars... The mobility allowance that was introduced in 1976 started at £5 per week (more than £40 at today's prices) and has crept up to the present rate for "enhanced" impairment to mobility: £77.5.""TikTok influencers boast about how you can get a new car virtually free; online critics mock a scheme to benefit "bed-wetting boy-racers"; the benefit is available for acquiring even BMWs and Ford Mustangs..."
"The scheme now has set about allowing people with anxiety, dyslexia, severe acne and a Manchesterian syndrome to claim. Hundreds of thousands of people receive the enhanced mobility award on PIP (personal independence payment) for mental health conditions, learning difficulties and skin conditions to get around."Inicialmente pensado para quem tinha dificuldades de mobilidade severas, o programa agora abrange condições psicológicas comuns como ansiedade e dislexia. O termo "mobilidade reduzida" foi estendido a ponto de perder clareza e critério.
A lógica do sistema perdeu-se. Os beneficiários continuam a receber apoios mesmo quando usam esses recursos para outros fins (ex. carros potentes para jovens com "problemas de mobilidade")."Motability cars' use for the purposes beyond transporting the disabled...""Online critics mock a scheme to benefit "bed-wetting boy-racers"; the benefit is available for acquiring even BMWs and Ford Mustangs..."
CyberSyn parte dois
- Não dorme.
- Não tem ego.
- Não esquece dados.
- Não sofre de fadiga de decisão.
- Reage, mas não percebe a motivação humana. Sandy assume que qualquer violação de segurança é real, um CEO-IA poderia interpretar dados de forma crítica e errada, sem entender intenções por trás de sinais.
- Não tolera erro ou ambiguidade. Sandy não concede margem de manobra nem julgamento humano. O CEO-IA pode visar eficiência extrema, mas fracassa onde a flexibilidade e a improvisação são necessárias. O “our edge” de MacGyver.
- Centraliza decisões, reduz liberdade. Tal como Sandy elimina guardas humanos, um CEO-IA pode reduzir autonomia humana e restringir a criatividade organizacional.
- Sem "skin in the game". Sandy não vive as consequências das suas decisões; o CEO-IA estaria igualmente imune a riscos, tornando difícil responsabilizá-lo e sem aprender com as falhas reais.
- Confunde processamento com descoberta. Sandy opera com lógica rígida: da mesma forma, um CEO-IA pode interpretar padrões históricos mas falhar em prever movimentos disruptivos ou culturais.
segunda-feira, agosto 04, 2025
Curiosidade do dia
Lia-se no aviso à população que garantia que estavam “reunidas as condições de segurança para levar a cabo esse espectáculo”.Acontece que, afinal, não estavam reunidas as ditas "condições de segurança". Foram registados cinco focos de incêndio no perímetro do lançamento do fogo de artificio em Marinhais, ontem às 23h30.
China, Europa e tarifas
Europe always had more bureaucracy, regulation and higher energy prices. What's changed is Europe's industry now competes directly across a growing range of products with giant China, as it moved up the value chain on the back of a hugely unbalanced mercantilist growth model. https://t.co/9FVJPdAdRL pic.twitter.com/QW58lcfA1D
— Daniel Kral (@DanielKral1) July 31, 2025
Quanto mais se sobe na escala das ordenadas:
- Mais alto o número, maior o grau de sobreposição entre os sectores de exportação com vantagem comparativa entre a China e o país europeu. As variações entre 2000 e 2023 mostram como mudou a competição directa com a China ao longo do tempo, ou seja, em quantos sectores os países europeus enfrentam concorrência chinesa mais directa.
Eu digo que os europeus estão demasiado focados na competitividade e quando isso acontece é preciso ter cuidado com a 1ª Lei da Teoria dos Jogos: "Lesson #1: Do not play a strictly dominated strategy". Vai lhes acontecer o mesmo que a nós, Portugal, a seguir à entrada da China na OMC.
Não é a competitividade que nos salva, é a subida na escala de valor, é o aumento da produtividade. Como isso não acontece de um dia para o outro, ainda vamos ver a União Europeia a fazer o mesmo que Trump, propor a aplicação de tarifas aos produtos chineses.
No seu livro "How Rich Countries Got Rich... and Why Poor Countries Stay Poor", Reinert mostra que quase todos os países que hoje são desenvolvidos usaram tarifas alfandegárias para proteger as suas indústrias - incluindo o Reino Unido, os EUA, a Alemanha e o Japão.
Escrevi isto acima. Depois, pesquisei na internet e cheguei a este artigo do BCE, "Why competition with China is getting tougher than ever" de onde sublinho:
"Euro area manufacturers must adapt to this evolving landscape, not least because the sector employs over 20 million people and makes up 15 percent of euro area GDP. Embracing innovation, investing in sustainable and energy-efficient technologies, and enhancing supply chain resilience [Moi ici: este foi o grande truque português, não foi infelizmente através de marcas mas sobretudo rapidez, flexibilidade] are steps that can help bolster competitiveness. Additionally, strategic market diversification and closer collaboration within the euro area could help mitigate the risks posed by the external challenges. Furthermore, policymakers should aim at developing a fair and level playing field [Moi ici: ou seja, tarifas. Talvez com outro nome, para salvar a face] for the trade links with China."
domingo, agosto 03, 2025
Curiosidade do dia
Por cá só vamos acordar quando a "Tragedy of the Commons" nos atingir em cheio:
Imagem retirada do The Times do passado dia 1 de Agosto.Melhorar o retorno da certificação ISO 9001 (parte VII)
Quando não se é claro sobre quem são os clientes-alvo corre-se o risco de os ver como um substantivo colectivo vago, como a "miudagem" no recreio. É preciso olhar os clientes olhos nos olhos. OLHOS NOS OLHOS!
"you must think of your customer or potential customer in the singular - as one living and breathing person. That person you can get to konow, and you can develop a close relationship with him or her.Knowing your customer - fully understanding his or her needs, preferences, and prejudices - is vital to creating a robust and effective growth strategy for your business. Quite simply, you'll have a much better chance of selling your product or service to someone you know and understand....When you get well beyond the customer's demographics, you'll understand her or his habits, needs, and goals. Then and only then, you can define your target customer in human terms and determine how best to grow your business with him or her....I've found it quite helpful to form a mental picture of the customer I'm trying to sell to, wheter or not I can actually sit across the table from the person....I always look (metaphorically) into my customer's eyes and formulate virtual questions."
É preciso evitar o que Seth Godin chama tratar os clientes como as baleias "saboreiam" o plancton.
A clareza sobre quem se pretende servir e com que proposta de valor é essencial. Clientes não são todos iguais — nem sequer vagamente parecidos. Alguns querem o símbolo de prestígio e exclusividade de um Rolex (Parte VI). Outros querem a fiabilidade acessível de um Casio. Tentar agradar a ambos com o mesmo sistema de gestão da qualidade é o caminho certo para não agradar verdadeiramente a nenhum.
Hoje, o contexto é ainda mais exigente. Já não basta servir bem um cliente. A criação de valor é cada vez mais uma construção colectiva, uma orquestra em que colaboram fornecedores, distribuidores, parceiros logísticos, reguladores, financiadores, e até concorrentes. Chamar a isto cadeia de valor é já insuficiente. É uma rede de valor, onde as relações são cada vez menos lineares e cada vez mais interdependentes. É um verdadeiro ecossistema.
Estamos em pleno passo 2, ou seja, "Inocular orientação estratégica através da política", reparem como para trabalhar a cláusula 5.2 da ISO 9001 temos de olhar para as cláusulas 4.1, 4.2, 5.1.2, 9.1.2, tudo em interacção.
Por isso, quando quero ajudar uma empresa a formular uma política da qualidade com verdadeira orientação estratégica, faço perguntas simples, mas que raramente têm respostas consensuais e claras. E é aí que começa o trabalho:
- Quem somos e o que fazemos? (Identidade e missão operacional — deve ser mais do que um slogan genérico, deve dar resposta à primeira parte da cláusula 5.2.1 a) "is appropriate to the purpose and context of the organization and supports its strategic direction;". Temos de passar no "teste do corrector")
- Quem servimos? (Quem são os clientes-alvo. Não todos os que aparecem, mas os que escolhemos servir. Nunca esquecer quais são as encomendas mais importantes.)
- O que procuram e valorizam esses clientes? (Qual é a proposta de valor? Velocidade? Prestígio? Baixo custo? Personalização? Simplicidade? Consistência? Eu tenho dificuldades aqui porque o verdadeiramente difícil é ter foco. Facilmente caímos no erro de seleccionar 9 ou 10 ou 12 "features", o difícil é focar em 3 ou 4)
- Quem nos ajuda a servir? (Que partes interessadas precisamos que colaborem connosco para maximizarmos o valor a co-criar no ecossistema em favor dos clientes-alvo? E por que quererão colaborar connosco? Estamos a falar de fornecedores, técnicos, parceiros, etc.)
- Quem nos limita ou pode restringir o serviço? (Que entidades reguladoras, que restrições contratuais, limitações técnicas ou legais. Podemos transformar a limitação ou restrição em algo a nosso favor, ou em favor do nosso ecossistema?)
- Em que temos de ser mesmo bons para cumprir essa promessa de valor e assegurar essa colaboração? (Estas são as nossas prioridades de desempenho, os nossos critérios de sucesso. Servem de matéria-prima para dar resposta à cláusula 5.2.1 b) "provides a framework for setting quality objectives;"
- Um sistema de gestão que começa no negócio (Novembro de 2015)
- A mensagem de quem sabe quem são os seus alvos (Setembro de 2016)
- É nestes momentos de mudança... (parte V) (Janeiro de 2019)
Na Vitrumo, desenvolvemos e fabricamos sistemas de caixilharia e janelas minimalistas com elevada exigência técnica e estética. A nossa identidade está ancorada na capacidade de transformar conceitos arquitectónicos ambiciosos em soluções construtivas fiáveis, belas e precisas.Servimos principalmente arquitectos e clientes exigentes no segmento da construção premium internacional. Estes valorizam a sofisticação técnica, a liberdade criativa e a fiabilidade na execução — e é esse o desafio que orienta o nosso sistema de gestão da qualidade.Trabalhamos em estreita colaboração com fornecedores especializados, equipas de montagem, parceiros de engenharia e agentes reguladores, e valorizamos especialmente o contributo dos arquitectos enquanto motores de inovação estética e funcional.Para garantir a confiança de todas as partes interessadas relevantes e cumprir a promessa que fazemos aos nossos clientes, comprometemo-nos a:
- Dominar os materiais, as tecnologias e os processos com rigor e flexibilidade, assegurando que cada projecto é tratado como único.
- Desenvolver soluções inovadoras que respeitam os requisitos normativos e técnicos, sem comprometer a liberdade artística dos projectistas.
- Montar cada sistema com a mesma atenção ao detalhe com que foi concebido.
- Melhorar continuamente o nosso sistema de gestão da qualidade como ferramenta para alinhar os nossos métodos com a nossa visão estratégica: sermos líderes em sofisticada personalização técnica.
Esta política é o espelho do nosso compromisso com a qualidade — não como fim burocrático, mas como expressão coerente da forma como escolhemos competir.
Olhemos agora para a cláusula 5.2.1 da ISO 9001:2015. Damos resposta a todos os requisitos?
- orientar os trabalhadores nas decisões a tomar no dia-a-dia;
- explicitar aos decisores quais as prioridades a seguir.
sábado, agosto 02, 2025
Curiosidade do dia
"England's biggest winemaker has reported sparkling double-digit sales growth for the first half of the year, boosted by new international partnerships and strong off-trade performance."
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