sábado, setembro 27, 2025
Calçado e têxtil - uma directiva transformacional!!!
- Responsabilidade alargada do produtor obrigatória: terá de financiar recolha, triagem, reutilização e reciclagem dos produtos colocados no mercado.
"(22) Em conformidade com o princípio do poluidor-pagador, referido no artigo 191.°, n.° 2, do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE), é essencial que os produtores que disponibilizem pela primeira vez no mercado no território de um Estado-Membro determinados produtos têxteis, relacionados com os têxteis e de calçado assumam a responsabilidade pela gestão dos mesmos na fase de fim de vida,...(34) Os produtores deverão ser responsáveis pela criação de sistemas de recolha de todos os produtos têxteis, relacionados com os têxteis e de calçado usados e em fase de resíduo, bem como pela garantia de que os mesmos são posteriormente sujeitos a triagem para reutilização, preparação para reutilização e reciclagem,"
- Taxas moduladas: pagam mais se os produtos não forem concebidos para circularidade; pagam menos se incluírem fibras recicladas, forem reparáveis e duráveis.
"(39) Além do mais, a modulação de taxas de responsabilidade alargada do produtor é um instrumento económico eficaz para incentivar uma conceção de têxteis mais sustentável que, por seu lado, conduzirá a uma melhor conceção, que esteja em consonância com os princípios da circularidade. A fim de proporcionar um forte incentivo à conceção ecológica, tendo simultaneamente em conta os objetivos do mercado interno e a composição do setor têxtil, onde predominam as PME, é necessário harmonizar os critérios para a modulação das taxas de responsabilidade alargada do produtor com base nos parâmetros de conceção ecológica mais pertinentes,"
- Proibição do fast/fashion como modelo dominante: pressão regulatória contra ciclos curtos de produção/consumo.
"(40) As práticas industriais e comerciais, como a moda rápida e ultrarrápida, influenciam a duração da utilização do produto e a probabilidade de um produto se tornar um resíduo devido a aspetos não necessariamente relacionados com a sua conceção, e baseiam-se frequentemente na segmentação do mercado. Tais práticas poderão fazer com que o produto seja descartado prematuramente, antes mesmo de chegar ao fim da sua vida útil potencial, o que resulta num consumo excessivo de produtos têxteis e, consequentemente, numa produção excessiva de têxteis em fase de resíduo. A fim de identificar melhor essas práticas e permitir a ecomodulação das taxas de responsabilidade alargada do produtor, os Estados-Membros poderão considerar critérios como a largura da gama de produtos, entendida como o número de referências de produtos oferecidas para venda por um produtor, com limiares definidos por segmento de mercado, a frequência das ofertas, entendida como o número de referências de produtos por segmento de mercado oferecido para venda por um produtor num determinado período, ou os incentivos à reparação, entendidos como a probabilidade de o produto ser reparado com base no seu rácio de custos de reparação ou na prestação de um serviço de reparação pelo produtor."
- Necessidade de redesenhar processos: inclusão de fibras recicladas, maior transparência na cadeia de fornecimento.
"(30) Além disso, a atual gestão de têxteis em fase de resíduo é ineficiente em termos de recursos, está desalinhada da hierarquia dos resíduos e conduz a danos ambientais,...A responsabilidade alargada do produtor relativamente a produtos têxteis, relacionados com os têxteis e de calçado tem como finalidade assegurar um elevado nível de proteção do ambiente e da saúde na União, criar uma economia de recolha, triagem, reutilização, preparação para reutilização e reciclagem, em especial a reciclagem de fibras em novas fibras, bem como dar incentivos para que os produtores assegurem que os seus produtos sejam concebidos de acordo com os princípios da circularidade....(31) e o apoio à investigação e ao desenvolvimento para a conceção ecológica de têxteis que não contenham substâncias que suscitam preocupação."
- Risco para PMEs: encargos administrativos e financeiros elevados, mitigados se se associarem a organizações coletivas de RAP.
"(25) Tais regras deverão ainda ser mais pormenorizadas e harmonizadas para evitar a criação de um mercado fragmentado suscetível de ter um impacto negativo no setor, em especial nas microempresas e nas PME,...(43) Uma vez que as PME compõem 99% do setor têxtil, é conveniente procurar reduzir, tanto quanto possível, os encargos administrativos decorrentes da aplicação de um regime de responsabilidade alargada do produtor"
- Durabilidade: fabricar peças que resistam mais tempo ao uso, evitando descartes prematuros.
- Reparabilidade: facilitar a substituição de componentes (fechos, botões, solas, palmilhas) e disponibilizar peças de reposição ou serviços de reparação.
- Uso de materiais reciclados: integrar fibras recicladas de qualidade, promovendo uma economia de ciclo fechado.
- Criando linhas de produtos "eco-premium" com selo de sustentabilidade.
- Firmando parcerias com marcas que valorizam durabilidade e reparabilidade.
- Explorando novos modelos de negócio (aluguer, retoma, revenda em segunda mão).
sexta-feira, setembro 26, 2025
Curiosidade do dia
Há dias vi este tweet:
Estamos f@did@s e não sabemos ( ou sabemos e assobiamos…
— urso_de_shorts (@urso_de_shorts) September 16, 2025
E aparentemente a CS , nada diz…
Tem mais de 3 parágrafos, mas vale a pena ler… 🤣😂
📊 Despedimentos anunciados (últimos 12 meses / últimas semanas na Alemanha)
Automóvel & Fornecedores
•Volkswagen: 35.000… https://t.co/GsGHOh6aaN
Hoje, lembrei-me dele ao ler "Bosch Plans to Slash 13,000 Jobs in AI Push":
"Germany's Robert Bosch said it plans to slash 13,000 jobs over the next five years, as one of the world's largest car-parts suppliers leans into artificial intelligence to maximize productivity.
Bosch said Thursday that it planned to reduce its workforce by thousands of workers, particularly at its Bosch Mobility arm, in various stages by the end of 2030. The cuts come in addition to 9,000 jobs that were part of a 2024 workforce reduction plan the multinational carparts and technology company had put forward, of which 4,500 have already been eliminated."
E quais as consequências para Portugal?
Convém não esquecer que a Alemanha é um dos maiores importadores da nossa produção industrial e agrícola, além de ser o grande benemérito de um país habituado a andar de mão estendida em Bruxelas.
Se o motor industrial alemão abranda ou se reconverte de forma dolorosa, isso não só trava encomendas às nossas empresas, como pode reduzir a capacidade política da Alemanha para manter o papel de financiador da coesão europeia. Para um país como Portugal, sempre demasiado dependente de apoios externos em vez de fortalecer o seu próprio modelo de crescimento, este tipo de anúncios deveria soar como um alarme muito mais alto do que qualquer sirene em Lisboa.
Arbitrage: o segredo dos que ousam ver o que os outros não vêem
"My father ran a small business. The great thing about growing up in a small business—whether it’s a shop, a café, or a restaurant—is that if you’ve got a family business, it’s like getting a free MBA. You automatically start to notice things.The entrepreneurial mindset is very different from the bureaucratic mindset. The bureaucratic mindset hates outliers and surprising information because it disrupts their mental model. They tend to react with hostility to what you might call counterintuitive information—just like the original behavioral economists were shunned by mainstream economists for messing with the neatness of their artificial models.The entrepreneurial mindset is the complete opposite. When it notices something weird, it immediately starts looking for an arbitrage opportunity. In contrast, the governmental or bureaucratic mindset says, “I must maintain consistency so I can avoid blame for my decisions. I must preserve fidelity to the model I use to justify my activities, to create a spurious veneer of rationality around everything I do—all with the ultimate aim of avoiding blame and responsibility.”The entrepreneurial mindset says: “What the hell is going on there? Wait a second... If I know this and nobody else does, there's a market opportunity here.”"
- E se o cliente não quiser o que sempre quis?
- E se este desvio for sinal de mudança de comportamento, não de erro?
quinta-feira, setembro 25, 2025
Curiosidade do dia
"China's biggest electric-truck maker says it is targeting growth overseas in a fresh challenge to the global auto industry as Chinese production of high-tech, low-cost, battery-powered heavy goods vehicles booms.Liang Linhe, who leads the electric trucking division of Sany Group, a construction and mining equipment behemoth, expects about half the group's sales to come from overseas markets by 2030 - up from about 10 per cent this year."We are already seeing the rapid development of the overseas market," he told the Financial Times in an interview, adding that the "biggest challenge" was that many countries' electricity infrastructure lagged behind that of China.The Chinese group launched its electric truck business in 2021 and has won a market share of about 16 per cent domestically.The group expects annual sales of about 30,000 electric trucks for this year, mostly in China.It has opened an electric-truck factory in South Africa this year, is scouting for land in Brazil for a second overseas operation and has begun selling its vehicles in Europe....Industry executives predicted that electric trucks will have a 50 per cent market share within three years in China....Sany, Liang added, invested about 8 per cent of its revenues into research and development for Changsha's battery production, solar-powered battery swapping and charging networks across China, as well as driverless technology."
O contexto é fundamental
"O meu conselho inicial era para situar o preço das trutas fumadas em lata junto do salmão fumado a 3,5€ as 100 ou 150g em vez das latas de sardinhas a 0,60€. Esse conselho motivado pela percepção de que o preço é contextual, aqui é reforçado por uma outra percepção, o JTBD da truta fumada se calhar está mais próximo do JTBD do salmão fumado do que o JTBD das conservas de sardinha ou cavala."
quarta-feira, setembro 24, 2025
Curiosidade do dia
"Tax receipts from the sales of beer, wine and spirit have fallen sharply since the decision to raise alcohol duty.The sum since April is down £220 million compared with the same period last year, HMRC figures show. Wine had the steepest decline, with revenues down 6 per cent year on year. Revenue from spirits and beer were down 5 per cent and 2.5 per cent respectively. Cider bucked the trend, rising 10 per cent."
Estratégia industrial ... mais socialismo
"Industrial strategies are all the rage around the world. The prompt for this newfound passion has been the combination of lacklustre growth in many western economies and the apparent success of such strategies in stimulating growth in much of Asia, from South Korea to Singapore.The resulting plans come in many flavours. But one feature common to them all is their focus on a set of "superstar" sectors. Strategy is about making choices so that support can be provided at scale. In a tight fiscal environment, backing only those sectors with the greatest potential sounds like a prudent and purposive way to stimulate growth." [Moi ici: Lembro-me de Pedro Nuno Santos ter avançado algo deste tipo quando subiu a número um do PS]
Haldane chama a atenção para a chamada “everyday economy”: saúde, educação, retalho, hotelaria, distribuição, construção. É aí que trabalha a maioria dos britânicos, mas é aí que a política industrial raramente olha. Apostar apenas nas indústrias da moda não gera inclusão nem resolve problemas de bem-estar. Pior: mantém o vício do Estado em querer substituir o mercado na escolha de vencedores.
Escrevi várias vezes sobre este tema. Em Picking winners (2017) critiquei a tentação recorrente dos governos de tentar proteger empresas ou sectores “estratégicos”. A história mostra que quase sempre sai caro: congela a inovação, atrasa a renovação natural do tecido empresarial e deixa recursos presos em modelos ultrapassados.
Em Big Man economy (2007) recordava como a ideia de salvar empresas decadentes impede a entrada de novos actores mais ágeis e inovadores. A economia precisa de destruição criativa — de deixar morrer os que não se adaptam para que novos surjam. Nunca esquecer Daniel bessa e aquele tenebroso aviso:
"faltou sempre o dinheiro que o "Portugal profundo" preferiu gastar na "ajuda" a "empresas em situação económica difícil"
Ontem, quase que escrevi que aquela notícia:
"German conglomerate Thyssenkrupp has announced that it has received a non-binding offer to acquire its steel division, Thyssenkrupp Steel Europe (TKSE), from Indian group Jindal Steel International, part of the Naveen Jindal Group."
Seria motivo para manifestações, debates na assembleia, jantares emotivos, tudo para salvar mais um campeão nacional.
Em In a stagnant economy (2021) sublinhava que, quando os governos se dedicam a sustentar campeões escolhidos, o resultado é estagnação. O mercado é um mecanismo de descoberta. Não há planos quinquenais nem gabinetes ministeriais capazes de antecipar que empresas vão ser bem-sucedidas daqui a dez anos.
O que Haldane mostra — a ilusão de que os sectores “superstar” vão sustentar tudo — é, no fundo, a mesma lógica do socialismo económico: substituir a selecção natural do mercado por escolhas políticas. Os resultados estão à vista: recursos mal alocados, produtividade baixa, crescimento anémico.
A alternativa não é não fazer nada. O papel do Estado deve ser outro: proteger as pessoas, não as empresas. Em 2008 em "Como eu olho para a crise" escrevi:
"Eu, que não tenho a informação que têm os governos, e que não tenho medo de eleições que não disputo, proporia uma receita diferente.
Apoio mínimo às empresas de qualquer sector, os consumidores que decidam quem tem direito a sobreviver como empresa.
Em contrapartida, apoio máximo às pessoas e sobretudo aos desempregados."
Garantir um “chão seguro” e, sobretudo, reconstruir escadas de oportunidade, de progressão — oportunidades de requalificação, mobilidade social, infraestruturas locais que permitam às pessoas reinventar-se quando as empresas desaparecem. É aqui que o investimento público faz sentido: não para escolher vencedores, mas para permitir que o mercado faça a selecção natural, sabendo que os trabalhadores não ficam presos sem saída.
terça-feira, setembro 23, 2025
Curiosidade do dia
"German conglomerate Thyssenkrupp has announced that it has received a non-binding offer to acquire its steel division, Thyssenkrupp Steel Europe (TKSE), from Indian group Jindal Steel International, part of the Naveen Jindal Group. This marks a new stage in years of attempts to spin off the steel business, which remains Germany's largest steel producer with annual sales of €10.7 billion, Reuters reports." (Fonte aqui e mais aqui)
Thyssenkrupp. Décadas como gigante estável do aço na Alemanha, e agora a venda da sua divisão siderúrgica já não é apenas uma hipótese — tornou-se inevitável.
No fundo, nada de novo. O Eclesiastes já o dizia há milhares de anos: “Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu.”
E nos anos 60, os Byrds cantaram-no em "Turn, Turn, Turn".
A lição? Estratégia não é desenhar equilíbrios eternos. É reconhecer quando chegou o tempo de mudar.
Uma caldeirada
- Importar alimentos de todo o Mundo custa 750 milhões por mês
- Do bacalhau aos insetos: os produtos que chegam de várias origens
"Produzir para substituir importações consumidas no país é quase sempre um erro, como relato no caso das conservas. Portugueses são pobres, importam sapatos baratos. Portugueses exportam sapatos caros. É quase impossível sustentar empresas portuguesas a produzir artigos para portugueses porque os portugueses não os poderiam pagar. Mas mesmo na substituição das importações também há que ter prudência, recordo o caso das fundições e a Autoeuropa."
Por outro lado, o secretário-geral da CAP faz afirmações contraditórias. Primeiro, faz uma afirmação que me surpreende porque faz todo o sentido:
"É comercialmente vantajoso exportar os nossos produtos, a preços altos, colocando-nos inclusive abaixo da procura interna"
Ou seja, para quem vende, é mais lucrativo exportar certos produtos agrícolas portugueses (porque os preços internacionais são mais altos). Como consequência, esses produtos ficam em falta no mercado interno ou ficam a preços mais elevados. Resultado: a procura interna não é satisfeita, porque as empresas preferem vender para fora em vez de abastecer o mercado português.
Recordo o que costumo escrever aqui com frequência:
"a função do agricultor não é alimentar a sociedade, a função do agricultor é ganhar dinheiro através da prática da agricultura. A sociedade não quer saber dos agricultores, quer produtos agrícolas baratos nem que venham da Ucrânia (escrevi isto em 2019). Por isso, o agricultor não deve ser trouxa e deve trabalhar para quem valoriza o fruto da sua actividade."
Mas o secretário-geral da CAP também mostra o lado de agricultor funcionário-público encapotado:
"refere Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). "Portugal não sabe o que fazer da agricultura."
Luís Mira acha que "Portugal não sabe o que fazer da agricultura", como se Portugal fosse um agricultor distraído que não estudou o manual de instruções. Como se a agricultura fosse um jogo de tabuleiro em que o governo segura as peças todas e a CAP estivesse sentada a ver, impotente, sem agência nem voz. Talvez tenha razão: se o papel da CAP se resume a disputar o campeonato dos subsídios da PAC, então é natural que não saiba o que fazer da agricultura - saberá apenas o que fazer das candidaturas. O problema é confundir o país com um agricultor e a estratégia agrícola com a tabela de ajudas de Bruxelas. O Portugal agricultor deveria ser o somatório de decisões de agentes individuais e não o resultado de um decisor num gabinete ministerial que nunca borrou as botas na lama.
Por fim, o artigo termina com uma mensagem críptica para não afectar a mente dos leitores habituados à mensagem habitual do jornal:
"Luís Goulão, professor no Instituto Superior de Agronomia, alerta que outra lacuna na política agrícola, que terá efeitos na produção, está na "retirada de substâncias ativas de proteção de culturas sem alternativa a curto prazo", [Moi ici: Eu traduzo, refere-se a pesticidas, fungicidas e herbicidas]", com perdas na ordem dos 500 milhões de euros, como na vinha ou no tomate industrial."
No fim, o artigo mais parece uma caldeirada: mistura dados alarmistas sobre importações, afirmações contraditórias de dirigentes da CAP, ironias sobre estratégia nacional e queixas técnicas sobre pesticidas. Tanta contradição junta não é inocente - serve, talvez, para confundir o leitor e disfarçar a verdadeira mensagem de fundo. E esta, especulo eu, é simples: preparar o terreno da opinião pública para a velha exigência de sempre, garantir água barata, paga pelos contribuintes, para sustentar as culturas intensivas que alimentam o negócio de alguns.
Eu não sou comunista, mas sei que produção apaparicada pelo estado com dinheiro dos contribuintes é um erro económico, ponto.
Lembra-me o Hélder d'O Insurgente e os últimos homens independentes de Portugal. Um abraço.
segunda-feira, setembro 22, 2025
Curiosidade do dia
Pequenas e ágeis
"For the last 150 years, big companies who have been able to afford big factories were the only ones able to deliver it. Not any more, not in this global, digital, connected economy.O mundo económico é cada vez menos um mundo onde todos competem pelo memo pico, e cada vez mais um mundo de muitos e variados picos. Um mundo de nichos. O que chamo de Mongo. Mongo não é para gigantes.New global small teams can also deliver high quality at a lower cost in many niches. Small teams can source products and ideas faster and more cheaply over the internet than big businesses can. The success of Uber and Airbnb has shown that owning an asset isn't required anymore. Being the person or company that coordinates a tribe of people is more valuable.Small enterprise can access big factories when they need to, but don't have the overhead when they aren't using them. Smaller is lean but powerful in this economy. Small and lean is faster, more dynamic, cheaper and more flexible. Small is more fun. Small can look very big now. Best of all, small cares.Small, lean enterprises give the feeling that they are making things for a special type of person rather than a market. Rather than buying things that everyone has, you can have unique things that were made for people just like you."
Uma das dificuldades para os incumbentes transitarem da mentalidade do século XX para Mongo é a dimensão. Servir nichos não requer uma dimensão tão grande e encolher é visto como sinal de fracasso.
Recordar:
- "Giants invariably descend into suckiness" (parte XV)
- Mas claro, eu só sou um anónimo engenheiro da província
Trecho retirado de "Key Person of Influence: The Five-Step Method to become one of the most highly valued and highly paid people in your industry" de Daniel Priestley.
domingo, setembro 21, 2025
O poder do pensamento positivo
"Levy has found that people’s cortisol levels [Moi ici: Já escrevi e escrevi sobre o perigo do cortisol gerado pelo comentáriado] rise by roughly 40 per cent from their 50th to 80th birthdays if they have negative attitudes to ageing....Someone with a rosier view of ageing lived for around 7.5 more years than those who were more pessimistic."
"Your attitude towards ageing can reduce the toll time takes on your brain and body. It’s a statement that sounds ridiculous, but the science backs it up....Extraordinary claims require extraordinary evidence, though, and few are as extraordinary as this. But many scientists from across the world are coming to the same conclusion: your mindset can shape your biology."
sábado, setembro 20, 2025
Curiosidade do dia
A alternativa ao turismo canceroso
“The 70-year-old duke’s ambition meets his sense of caution, based on duty to hand over the estate in good shape to his heir Charlie March.” [Moi ici: A fazer lembrar os espalhadores de bosta de Estarreja]
“The amazing thing is, they all feel they are part of it, they are in the movie.”
sexta-feira, setembro 19, 2025
Curiosidade do dia
Sinal dos tempos: "China ultrapassa Alemanha no ranking da inovação. Portugal mantém 31.° lugar"
A Suíça continua a liderar o Global Innovation Index (GII), seguida pela Suécia e pelos Estados Unidos. A China entrou pela primeira vez no top 10 do ranking e ultrapassou a Alemanha. Portugal mantém-se no 31.º lugar entre 139 economias analisadas pela World Intellectual Property Organization (WIPO).
O artigo menciona que, embora Portugal esteja estável na posição, há sinais de travagem no investimento em Investigação & Desenvolvimento (I&D).
Interessante, há dias li:
"O país é também um dos países que oferece mais incentivos fiscais às empresas, nomeadamente pequenas e médias empresas, para investigação e desenvolvimento (I&D), de acordo com o relatório, ao lado de França e da Polónia."
Perguntas sem resposta
Encontrei a política da qualidade que se segue na internet. É de uma empresa certificada.
"A XXXXX está empenhada em disponibilizar produtos e serviços aos seus clientes, que não se restrinjam à satisfação das necessidades, mas superem as expectativas, enquadrados por uma rápida evolução tecnológica, exigências de mercado cada vez maiores e uma elevada competitividade.
Todos os requisitos legais, regulamentares e a melhoria contínua da eficácia do Sistema de Gestão de Qualidade são assegurados de acordo com a norma NP EN ISO 9001:2015.
Desta forma, destacamos alguns dos princípios da nossa Política da Qualidade:
• Existir uma interação permanente com o cliente e partes interessadas, de forma a antecipar e adequar as suas necessidades e expectativas mas também conhecer a sua opinião sobre a qualidade dos produtos e serviços fornecidos;
Assegurar junto dos nossos parceiros de negócio, relações de benefício mútuo no sentido de proporcionar um crescimento conjunto;
Existirem mecanismos de gestão adequados para garantir o funcionamento de um Sistema de Gestão de Qualidade e a sua contínua melhoria; e procurar sempre novas soluções que possibilitem reforçar a empresa, tanto ao nível organizacional como pessoal, com vista a cumprir os objetivos estratégicos traçados;
• Promover junto dos colaboradores a motivação e participação ativa nos processos, estímulo da capacidade de iniciativa, trabalho em equipa, responsabilização pelo fazer bem, a formação profissional e a elevada competência técnica e humana;
• Fomentar o desenvolvimento de atividades que permitam concretizar a política da qualidade e melhorar continuamente a eficácia do Sistema de Gestão de Qualidade."
Pergunto com sinceridade:
- Cumpre os requisitos da ISO 9001:2015?
- Qual a orientação estratégica desta organização?
- Quais as escolhas difíceis que esta organização faz para servir os seus clientes?
quinta-feira, setembro 18, 2025
Curiosidade do dia
Esta semana no LinkedIn encontrei esta lista:
E fiquei-me logo pela primeira afirmação da lista:
"Um líder torna os problemas visíveis!"
E lembrei-me do ilusionista-mor, do mestre em esconder problemas: o ex-primeiro-ministro António Costa.
Como é que o sistema político português e europeu o premiou? Vocês sabem. Os portugueses até lhe deram uma maioria absoluta. Podem limpar as mãos à parede.
Os líderes a sério tornam os problemas visíveis.
Os alemães, por estes dias, estão constantemente a falar do problema da sustentabilidade das pensões e reformas. Interessante, o tema por cá não existe, os gurus acham que as paletes de imigrantes com salários baixos vão pagar as reformas e pensões da geração do Maio de 68, as que se seguem não interessam, são uma minoria eleitoral. Mas interessante mesmo porque li há anos:
"O Eurostat publicou ontem um relatório que faz soar o alarme. Por este andar, em 2050 nenhum outro país da União Europeia (UE) terá uma população tão envelhecida como Portugal. Um dos maiores desafios é segurá-la no mercado de trabalho."
Hoje no The Times, "Reform welfare state or face ruin, Germany warned."
O artigo descreve a crise iminente do sistema de pensões alemão.
O governo enfrenta uma despesa pública insustentável, já acima dos 400 mil milhões de euros por ano, que ameaça crescer muito mais na próxima década. As previsões indicam que em 2030 haverá apenas um trabalhador ativo por cada pensionista, o que pressiona o sistema.
Economistas e políticos discutem medidas dolorosas: mais impostos, idade de reforma mais elevada, cortes nas prestações. O debate é intenso e urgente, com propostas como um "imposto de solidariedade boomer" ou a imposição de obrigações de serviço social aos reformados mais saudáveis.
"profound and urgent need for reform to ensure that the country could afford its pensions.
...
They include a 'boomer solidarity tax' under which the richest 20 per cent of baby boomer households would pay an additional levy... [Moi ici: Por cá apoplexias em 3, 2, 1...]
An obligatory spell of caring for the elderly, minding small children or similar work immediately after retirement would, Fratzscher suggested, be a 'small step to bring a bit more balance back to the solidarity in our society!"
Desconfio que nós por cá, em vez de projectar o futuro, preferimos confiar que “a Europa há de mandar uns fundos” para tapar os buracos. Em Portugal seria suicídio político falar em aumentar a idade da reforma ou cortar pensões. O mais fácil é fingir que o problema não existe. Em resumo: Portugal não discute porque prefere manter o mito da “sustentabilidade assegurada até 2060” que se escreve em relatórios oficiais, e assim todos dormem descansados — até ao dia em que a realidade, como sempre, bater à porta.
Não são elas que precisam de Portugal, é Portugal que precisa delas (Parte VII)
quarta-feira, setembro 17, 2025
ISO 9001:2015 vs. ISO DIS 9001:2025 - Main differences
🚀 Novo artigo publicado: ISO 9001:2015 vs. ISO DIS 9001:2025 — Principais Diferenças
Para quem trabalha com Sistemas de Gestão da Qualidade, este artigo pode ser útil. Destaco as diferenças mais relevantes que se esperam na próxima revisão da ISO 9001, comparando a versão de 2015 com a actual Draft International Standard (DIS):
✅ Maior ênfase na liderança, cultura, ética e comportamento organizacional
✅ Gestão de riscos e oportunidades mais robusta — não apenas determinar, mas também avaliar (embora praticamente todas as empresas já fizessem a avaliação)
✅ Requisitos alargados sobre sensibilização, conhecimento organizacional e comunicação com clientes
⚠️ Naturalmente, até à fase FDIS estas diferenças ainda podem evoluir. Não é preciso agir de imediato — mas analisar o que aí vem não fará mal nenhum e só poderá deixar alguém melhor preparado.


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