quarta-feira, dezembro 17, 2025
Curiosidade do dia
Sem produtividade, inovação e subida na escala de valor, não há política externa que salve uma economia — apenas tempo comprado
"Europe is often portrayed as the great underperformer of the global economy, undermined by economic rigidity, high wages and an expansive social welfare system."
"In an international trading system dominated by economies that intervene to manage their external balances, these same policies put Europe at a competitive disadvantage."
"Unless Europe is willing to dismantle its welfare system and force down wages relative to productivity... it has no choice but to intervene in its external accounts."
"The purpose of such intervention is not protectionism but rather to reverse the consequences of trade intervention abroad."
O argumento é intelectualmente sólido: salários elevados e um Estado social robusto não são, por si só, sinónimos de ineficiência. Pelo contrário, sustentam a procura interna, incentivam o investimento e contribuem para o crescimento global. Num mundo em que as grandes economias gerem activamente os seus desequilíbrios externos, quem não o faz acaba por absorver os custos.
Ainda assim, o texto deixa de fora um ponto decisivo. Competitividade sem produtividade é sempre transitória e acaba invariavelmente em empobrecimento.
É verdade que a Europa não pode — nem deve — competir pela compressão salarial (já no tempo da troika, e mesmo antes, eu estava contra essa solução). Mas também é verdade que salários elevados só são sustentáveis quando assentam numa trajectória contínua de ganhos de produtividade. E é aqui que reside a fragilidade europeia mais profunda: não tanto na política comercial, mas na dificuldade em subir sistematicamente na escala de valor.
Durante demasiado tempo, parte da indústria europeia permaneceu ancorada em segmentos maduros, intensivos em custo e facilmente replicáveis. Nesses sectores, qualquer vantagem competitiva é frágil, facilmente corroída por países dispostos a aceitar salários mais baixos, apoios estatais mais agressivos ou ganhos de escala imbatíveis. Intervir nos saldos externos pode mitigar os sintomas, mas não resolve a causa.
A história económica oferece um enquadramento útil para este dilema: a teoria dos Flying Geese. O desenvolvimento não é um estado; é um movimento. As economias avançam em formação, abandonando actividades de menor valor à medida que sobem para sectores mais sofisticados, intensivos em conhecimento, tecnologia e organização. Quem lidera o voo cria espaço para salários mais altos e para um modelo social exigente. Quem deixa de subir fica preso numa corrida para o fundo — ou depende de protecções cada vez mais artificiais.
A verdadeira questão não é se a Europa deve proteger o seu modelo social. Deve. A questão é se está a criar a base produtiva capaz de o sustentar no futuro. Sem inovação, sem escala tecnológica, sem capacidade de gerar valor acrescentado crescente, o modelo social torna-se vulnerável — não por ser excessivo, mas por lhe faltar suporte económico.
A história económica mostra que os países que prosperam não são os que defendem eternamente as suas vantagens passadas, mas os que se reposicionam continuamente. A Europa parece, muitas vezes, mais preocupada em preservar estruturas existentes do que em construir as próximas. O risco é claro: comprar tempo sem mudar de trajectória.
Intervir pode ser necessário. Mas sem uma estratégia consistente de transformação produtiva, essa intervenção é apenas isso — tempo comprado. E tempo comprado, sem mudança estrutural, raramente é bem utilizado.
Recordo o que escrevi sobre a Autoeuropa, aqui e aqui, o que era quando se instalou em Portugal e o que é agora. A perda de glamour reside no envelhecimento do produto, na sua incapacidade de gerar as margens de outros tempos, por causa da concorrência.
O retorno de uma actividade económica começa por crescer, até que se torna atractivo para chamar mais concorrência, e o retorno cai, basta ver a figura animada que se segue:
terça-feira, dezembro 16, 2025
Curiosidade do dia
"The size of the state is currently 45% and heading north. As Robert Colvile put it recently we have had “one-way Keynesianism” in which Chancellors are happy to run deficits when times are tough but don’t then pay them down when recovery comes. The overall tax burden is on track to reach 38% of GDP the highest level since the war and a full 11 percentage points higher than in 1993. And believe it or not Britain has the most progressive tax system in Europe, with high earners paying more relative to the average than anywhere else (the top 0.1% of earners pay more income tax than the bottom 50%).
...
The minimum wage is now two-thirds of median hourly earnings, the highest it has ever been, and one of the highest in Europe. Meanwhile, the regulatory burden on business has never been higher and the relative ease of hiring and firing established during the Thatcher era has been substantially reversed, even before the current employment legislation is enacted."
Os ingleses já nos ultrapassaram no socialismo:
"Average household income in Poland is on target to be higher than Britain by 2031. No wonder so many who moved here are going back."
"Why are so many Poles returning home?By the end of this year, Polish living standards are forecast to match those in Japan and Poles who were working across Europe are returning home. So how has the former communist country managed its economic miracle? And will it last?"
Quando o ritmo do mercado acelera ...
No Financial Times do passado dia 9 encontrei um artigo particularmente revelador: "Chinese rivals seize on Apple’s AI struggles". Não tanto pelo que diz sobre smartphones — isso é o pretexto — mas pelo que expõe sobre como vantagens históricas se transformam, silenciosamente, em fragilidades.
Durante anos, a maior força da Apple foi o seu ecossistema fechado. A integração quase perfeita entre hardware, software e serviços criou uma experiência difícil de igualar e, sobretudo, difícil de abandonar. Essa dificuldade de saída funcionou como uma poderosa barreira competitiva. Mas vantagens construídas para contextos estáveis raramente sobrevivem intactas quando o contexto muda.
Na China, essa mudança tornou-se visível. A Apple tem tido dificuldades para lançar funcionalidades de inteligência artificial no maior mercado mundial de smartphones. O artigo nota que a empresa:
"struggles to provide artificial intelligence features"
num ambiente em que o regulador chinês
"has delayed the approval of Apple’s planned introduction of AI features because of geopolitical tensions with the US."
O problema, portanto, não é apenas tecnológico. É político, regulatório e, acima de tudo, estrutural.
Esse atraso criou um espaço que os fabricantes chineses souberam ocupar com pragmatismo. Huawei, Honor, Oppo ou Xiaomi não tentaram "bater" a Apple no seu próprio jogo; atacaram o ponto onde a Apple sempre foi mais forte. Estão a promover activamente aplicações que reduzem o custo de abandonar o iPhone. Como descreve o artigo, os fabricantes chineses:
"Chinese phonemakers are promoting apps that help users switch from the iPhone in a race to gain market share as Apple struggles to provide artificial intelligence features in the world's largest smartphone market."
Quando o valor incremental do ecossistema diminui, a fricção da mudança deixa de ser um travão — passa a ser apenas um incómodo temporário.
Há aqui uma diferença fundamental de abordagem. Enquanto a Apple avança de forma cautelosa, dependente de aprovações e de um modelo mais fechado, os fabricantes chineses estão a mover-se mais depressa e com maior abertura na integração da IA. Um analista citado é claro:
"Chinese smartphone vendors are clearly moving faster and with greater openness in AI development."
Essa velocidade traduz-se em funcionalidades práticas, aplicadas ao quotidiano, que tornam a inovação menos abstracta e mais tangível.
Os efeitos começam a medir-se. No caso da Honor, 37% dos compradores online do seu mais recente modelo de topo tinham migrado de dispositivos Apple usando essas ferramentas.
"Li said that 37 per cent of online buyers of Honor's latest flagship phone, the Magic V5, had switched from Apple devices using these tools. "We've been effective in attracting high-end Apple users," he said."
Isto não é narrativa de marketing; é conversão real num mercado ferozmente competitivo. Não por acaso, a Apple já deixou de liderar o mercado chinês, tendo sido ultrapassada por concorrentes locais.
"The country's smartphone market is highly competitive, with no company holding a share greater than 20 per cent. Apple, previously a market leader, was dethroned last year by Vivo, which commanded 18.5 per cent as of the third quarter of this year, according to Counterpoint Research.
Apple, Honor, Oppo, Xiaomi and Huawei each held between 13.6 per cent and 16.4 per cent in the third quarter."
Curiosamente, esta ofensiva não nasce de uma rejeição da Apple, mas de aprendizagem estratégica. O fundador da Xiaomi resume bem essa atitude ao afirmar que a Apple é "a truly great company", uma referência que deve ser estudada, comparada — e ultrapassada. O aluno aplicou a lição e virou-a contra o mestre.
Fora da China, o impacto ainda é limitado. Os próprios analistas reconhecem que estas novas funcionalidades ainda não fizeram mossa significativa na posição da Apple no segmento premium noutros mercados. Mas o risco mais profundo já se materializou: a erosão daquilo que sempre protegeu a Apple. Como conclui o artigo, esta estratégia está a permitir aos fabricantes Android
"really break the barrier of Apple’s closed ecosystems."
A história não é nova. Vantagens consolidadas tendem a cristalizar-se. Ecossistemas fechados protegem, mas também atrasam. Quando o ritmo do mercado acelera, quem depende da perfeição perde terreno para quem entrega progresso suficiente — mais cedo. E é nesse momento que até os muros mais sólidos começam, inevitavelmente, a abrir brechas.
segunda-feira, dezembro 15, 2025
Curiosidade do dia
Vi na internet um artigo de jornal com este título, "Falta de animais e aumento do consumo explicam subida de preços da carne". O artigo começa assim:
"Secas, doenças, o custo das rações e as restrições à actividade pecuária ditaram a redução do número de animais e o aumento das importações de carne. Os preços dispararam e ameaçam piorar em 2026."
Como tenho acompanhado as exportações de animais vivos ao longo dos anos, tive curiosidade em ver os últimos números. Tenho desleixado a monitorização mensal das exportações. O desempenho até Outubro deste ano foi:
Já agora, comparei a evolução homóloga Janeiro-Maio com a de Janeiro-Outubro e a imagem é a de um 2025 com uma desaceleração das exportações na segunda metade do ano.
"Radical honesty"
Em Março de 2015 escrevi isto no Twitter:
A loja da Eureka em Sta Catarina ñ ganharia em mostrar a relação à fábrica?
— Carlos P da Cruz 🇺🇦🚜🇳🇱🇬🇪🇮🇱 (@ccz1) March 10, 2015
Num artigo no blogue, mais tarde escrevi em "Outra forma de David bater Golias":
"Para muitos turistas, a marca Eureka é desconhecida. Portanto, é mais uma marca "internacional", como as outras, só que menos conhecida. A ligação à fábrica, o reforçar a sua portugalidade, talve tivesse o efeito sugerido neste artigo.
Criar, reforçar, abusar da imperfeição dos mercados..."
Entretanto, no FT do dia 13 de Dezembro, encontrei "Can radical honesty' gain customers' trust?"
O artigo analisa como várias marcas de moda estão a usar uma nova forma de "transparência", não apenas focada na sustentabilidade, mas numa estratégia mais ampla de comunicação honesta, de narrativa da cadeia de valor e de envolvimento directo com os consumidores.
O texto defende que a tradicional promessa de qualidade já não basta, devido à opacidade da cadeia de produção e ao cansaço em relação aos discursos ambientais. Assim, algumas marcas começam a adoptar uma abordagem de "radical honesty": mostrar os custos reais, explicar as falhas, revelar os fornecedores, filmar os bastidores e dar voz aos fundadores.
Esta transparência emocional, imperfeita e humana torna-se uma ferramenta para recuperar confiança e criar uma ligação genuína com os consumidores, num mercado saturado de marketing tradicional.
"The fashion industry's supply chain is incredibly opaque... it has become harder and harder for consumers to truly know where clothes come from, how they are made and by whom.
...
Most brands are reluctant to disclose their suppliers.
...
Transparency used to be all about sustainability. Now, savvy brands are using the idea to show what's behind the label.
...
There's a [mental connection] between transparency and quality.
...
People want to know that they're getting a good product, especially in the premium bracket.
...
When you share that knowledge, you build trust and authenticity."
domingo, dezembro 14, 2025
Curiosidade do dia
"A fé não é acreditar em algo que vem do passado ... a fé é como ter a certeza em algo que ainda não aconteceu e confiar no que não se vê.Abraão tinha 75 anos quando ouviu o chamamento de Deus, podia ter ficado na sua comodidade, na boa vida da casa dos pais, mas não, partiu para a aventura, partiu para o desconhecido.Enquanto ouvia a homilia, realizei que se calhar nunca tinha percebido a fé assim. Ter fé, segundo Hebreus 11, é acreditar e agir confiando em Deus, mesmo quando não se tem todas as respostas ou provas visíveis. Não é "esperar sentado" - é andar para a frente como se o que Deus prometeu já fosse real."
Antigos e modernos usam a mesma palavra, fé, mas com significados completamente diferentes. Para os antigos, ter fé não significava acreditar que Deus existe; para os antigos, a existência de Deus era como respirar, um facto da vida. Ter fé significa confiar em Deus quando nos chama, daí a Igreja Católica dizer que a fé é um dom de Deus. É Deus que chama, cabe-nos a nós estar preparado para aceitar ou não o desafio.
Azeite, outra vez - Inovar é mudar de quadrante, não só de produto (parte IV)
Parte I, Parte II e Parte III.
Mais um exemplo de mudança de quadrante com azeite. No The Times de ontem li o artigo, "Growers rush to produce the UK's first extra virgin olive oil":
"Last year ValleRuan on the Roseland peninsula in Cornwall was the first to sell English olive oil with its Winter Press virgin product sold at £15 for 250ml.
...
But the trees had survived temperatures as low as minus 7C, which researchers say should have killed them. [Moi ici: E lembrei-me das oliveiras de Murça, por exemplo]
...
The English Olive Company, in small batches of 250ml bottles for £20 each. Each batch has sold out within 30 minutes.
...
Hoyles suggested the less ripe English olives had an unexpected advantage over their Mediterranean rivals - a high polyphenol content, which is believed to offer extensive health benefits."
A história deste azeite inglês mostra como se sobe na escala de valor sem infraestruturas gigantes nem tradição secular:
- microprodução ➡️ exclusividade
- origem inesperada ➡️ narrativa diferenciadora
- processamento artesanal ➡️ autenticidade percebida
- preço alto ➡️ posição premium
- cliente curioso ➡️ disposição para pagar mais
Ou seja: criação de valor pela diferenciação, não pela eficiência de custos. Relembro a história do suíço que produzia azeite no Alentejo.
sábado, dezembro 13, 2025
Curiosidade do dia
Neste postal de 2020, "Não é agradável escrever sobre fracassos (parte I)" recuo a 1993(?):
"Na altura, fabricavam-se autorádios de uma marca alemã em Braga. Esses autorádios incorporavam circuitos impressos fabricados na Alemanha. A certa altura, o fabricante alemão, que pertencia ao mesmo grupo da fábrica de Braga, teve de fechar a fábrica para uma série de investimentos e manutenções. À boa maneira alemã ambas as fábricas planearam a paragem com stocks para a fábrica portuguesa que continuaria a laborar. As empresas põem e os clientes dispõem. A Audi resolveu fazer uma actualização qualquer de emergência e a fábrica de Braga não tinha stock, nem possibilidade de receber da Alemanha o novo circuito impresso. Então, para não falhar com a Audi, descobrem a fábrica onde eu trabalhava e fazem uma encomenda. Aproveitam a onda e fazem mais uma e mais outra.
Para a fábrica de Braga foi uma experiência interessante, por uma vez eram eles que mandavam, por uma vez não tinham de aturar um fornecedor alemão que mandava neles (recordar os clientes prisioneiros nos ecossistemas).
Não sei se a coisa surgiu naturalmente ou se foi forçada por Braga. Numa visita do cliente Audi à fábrica de Braga ele refere que reparou que os autorádios estavam melhores em termos de desempenho, que tinham investigado e percebido que os circuitos impressos vinham de outro fornecedor. Um parêntesis, se olharem para um circuito impresso ele tem sempre a marca do fabricante. E a bomba! A Audi queria que, de agora em diante, os circuitos impressos para os seus autorádios viessem daquele fornecedor.
O certo é que passado algum tempo, por causa da Audi, por causa dos preços, por causa da relação de poder que Braga ganhava, a minha fábrica começou a trabalhar mais e mais para Braga. BTW, a fábrica alemã acabou por ser desmontada e vendida para a Malásia."
Lembrei-me disto ao ler "Samsung (Mobile) não consegue comprar chips à... Samsung". A Samsung Mobile (a divisão que faz os telemóveis Galaxy) está, neste momento, incapaz de comprar chips essenciais à sua própria divisão de semicondutores dentro do grupo Samsung. Por isso, tem de recorrer a outro fornecedor.
Imaginei um cenário em que a Samsung Mobile descobre que tem vantagens, pode não ser custo, em recorrer a um fornecedor exterior definitivamente.
O que destrói valor em organizações grandes raramente é a falta de tecnologia, ou a falta de dinheiro, ou a falta de talento. O que destrói valor é a falta de alinhamento, os silos que não falam, os incentivos que empurram cada equipa para direcções opostas, as decisões tomadas com informação parcial, as práticas políticas internas que sabotam a visão conjunta.
A certa altura há menos fricção em recorrer a um fornecedor externo do que a uma empresa do mesmo grupo.
Revisão pela gestão - elevar a qualidade da informação (parte V)
- O que aconteceu realmente?
- Por que aconteceu?
- O que aprendemos?
- O que vamos fazer diferente? É preciso fazer diferente?
- usar tabelas em vez de gráficos;
- mostrar apenas o último valor; e
- ignorar metas ou referenciais.
- tendência;
- sazonalidade;
- variação;
- estabilidade ou instabilidade do sistema; e
- relação entre indicadores.
- 12-24 meses de histórico.
- Limites, metas ou referencias.
- Linha de tendência.
- Relações com outros indicadores.
- Simplicidade visual: menos cor, mais sinal.
- Se a variação é aleatória ou estrutural.
- Se o processo está estável ou instável.
- Se vale a pena agir… ou se devemos deixar o sistema trabalhar.
- agir sobre o ruído destrói a estabilidade;
- agir sobre o sinal é a essência da melhoria.
sexta-feira, dezembro 12, 2025
Curiosidade do dia
O artigo "The fall of a prolific science journal exposes the billion-dollar profits of scientific publishing" expõe um sistema científico que, tal como na fábula da galinha dos ovos de ouro, começou por ter algo valioso — revistas credíveis, revisão científica por pares, reputação construída ao longo de décadas — e acabou por destruir a própria fonte do valor ao tentar multiplicar os “ovos” demasiado depressa.
A editora Elsevier, com margens de 38% e milhares de artigos publicados todos os anos, percebeu que quanto mais publicasse, mais lucrava. E ao transformar a ciência num negócio de volume, onde publicar vale mais do que validar — abriu a porta às irregularidades, peer reviews falsos, artigos medíocres e incentivos perversos. O resultado está descrito no próprio artigo: a queda de uma das revistas mais prolíficas do mundo, Science of the Total Environment, expulsa dos índices da qualidade por comprometer os seus critérios.
É aqui que entra o ditado “quem tudo quer, tudo perde”.
Ao tentar maximizar lucros e produtividade artificialmente, o sistema sacrificou aquilo que tornava a ciência valiosa: rigor, confiança, credibilidade. Como na fábula, o dono mata a galinha ao abri-la para tentar obter mais ouro — e descobre tarde demais que já não sobra nada.
Em Portugal, a conversa de café é a norma (parte V)
No passado dia 4 de Dezembro último, o FT publicou um artigo muito relevante para um certo tipo de conversas que costumamos ter aqui no blogue, "Traditional industries trail in Taiwan's AI boom".
O artigo descreve a profunda divergência económica dentro de Taiwan: enquanto o sector tecnológico — especialmente semicondutores e hardware ligados à inteligência artificial — impulsiona um crescimento económico impressionante e exportações recorde, as indústrias tradicionais enfrentam uma crise silenciosa.
"Taiwan is enjoying an artificial-intelligence-fuelled boom that pushed GDP growth above 8 per cent in the third quarter."
"Demand for Al hardware and electronics sent Taiwan's exports soaring 23 per cent year on year in the three months from July to September."
"But machinery and other traditional manufacturers have not been feeling much benefit."
Empresas de maquinaria, componentes mecânicos, têxteis, metalomecânica e outros sectores “não-tech” sofrem com três pressões simultâneas: custos em alta, encomendas em queda e competição feroz da China.
"All of our costs are going up. A lot of our customers have gone out of business."
"Higher input prices imposed by US president Donald Trump have eroded profitability."
"Some buyers of metal and electronics goods who previously showed strong demand... have paused forecasts."
"Traditional manufacturers... are suffering increasing competition from lower-cost rivals in China."
"Taiwanese manufacturers are facing rising competition from China."
Apesar de o PIB ter crescido mais de 8% no terceiro trimestre, muitos industriais afirmam que “a economia está má”porque não sentem qualquer benefício deste boom tecnológico. Os lucros concentram-se numa minoria de empresas de semicondutores, enquanto milhares de PME tradicionais atravessam um período de margens comprimidas, falta de investimento e deslocalização de clientes.
"The economy's pretty bad," Chung said recently in the packed, dusty aisles of his factory.
"We don't feel any benefit."
"Taiwan's economy grew... 8.21 per cent year on year... but many manufacturers say they are struggling."
Por um lado, o desempenho dos líderes da formação de Flying Geeses:
"Taiwan's tech industry has proved a global powerhouse... TSMC produces almost 90 per cent of the world's most advanced semiconductors."
"Profit margins for Taiwanese tech companies are usually quite high..."
Por outro, o desempenho dos sectores tradicionais:
"Profit margins for Taiwanese manufacturers are usually quite low," Kan said.
"Our customers have gone out of business."
"Manufacturers... are suffering increasing competition from lower-cost rivals in China."
"Some buyers... have paused forecasts, fearing that traditional manufacturers' difficulties... might weigh heavily."
"Taiwan's non-finance, non-technology business confidence index has fallen more than 53 per cent this year."
Há tantos ângulos para poder abordar este artigo e sobre o que ele significa. Por exemplo:
- A divergência entre sectores de baixa e alta produtividade (Parte I)
- A importância dos sectores estrangeiros e o efeito de spillover (Parte II)
- A mudança da composição dos sectores e o papel do IDE (Parte III)
- Os riscos de “zombies”, proteccionismo e apoios que atrasam a economia (Parte IV)
- O papel do investimento estrangeiro transformacional - volto a 2022 ou a 2024.
quinta-feira, dezembro 11, 2025
Curiosidade do dia
Um dia também cá chegaremos a isto "Palantir says college is no longer a reliable training ground—so it hired 22 high school students instead: ‘Skip the debt. Skip the indoctrination.’"
O programa, chamado Meritocracy Fellowship, oferece aos finalistas do secundário quatro meses de formação e inserção directa em equipas que trabalham em projectos reais da empresa, com clientes em áreas como saúde, defesa ou governo.
Esses jovens começam a ganhar salário imediatamente — cerca de 5.400 USD/mês, segundo os termos iniciais — o que significa ganhar experiência real e rendimento, sem os custos e o tempo de um curso universitário.
Para talentos com perfil técnico e motivação, é uma via “hands-on” que os põe rapidamente em contacto com tecnologia de fronteira. Isso pode ser mais relevante e útil em determinadas áreas tecnológicas do que uma formação teórica genérica na universidade.
As limitações fazem parte da estratégia — não são obstáculos à estratégia
- gama média,
- estética distinta,
- comunidade jovem,
- design europeu,
- funcionalidades "visíveis".
- os consumidores não escolhem apenas specs, escolhem histórias, estética, tribo.
- as empresas pequenas podem dominar um segmento mesmo num mercado dominado por gigantes.
- menos dinheiro,
- menos recursos,
- menos talento disponível.
quarta-feira, dezembro 10, 2025
Curiosidade do dia
A decisão da Dinamarca de terminar a entrega de cartas, depois de uma queda de mais de 90% no seu volume, é mais do que uma nota curiosa sobre serviços postais. É uma lição de maturidade institucional.
Os dinamarqueses olharam para uma mudança estrutural, profunda e irreversível, e fizeram aquilo que sociedades confiantes costumam fazer: adaptaram-se. Não fingiram que a realidade pode ser revertida por decreto. Não tentaram proteger modelos esgotados. Simplesmente aceitaram que o mundo mudou e alinharam o serviço público com o presente, para não hipotecarem o futuro.
Em Portugal, continuamos atolados no movimento contrário.
O caso recente da Vasp, que pondera abandonar a distribuição diária de jornais em vários distritos por causa da quebra de vendas e do aumento dos custos operacionais, é um exemplo cristalino dessa diferença cultural. A reacção da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) foi imediata: apelo ao Estado. Apelo a mecanismos. Apelo a meios. Tudo menos encarar a realidade. A associação alerta para o risco de "colocar em causa o direito à informação" e pede ao Governo que garanta a distribuição em todo o território, como se o problema fosse conjuntural e não o resultado de uma transformação profunda no consumo de notícias e na demografia.
Nem uma reflexão sobre alternativas digitais. Nem uma palavra sobre novos modelos de negócio. Nem um incentivo à inovação. Apenas a exigência de que o Estado mantenha, a qualquer custo, uma estrutura que a própria economia já abandonou.
É aqui que o contraste com a Dinamarca ganha força: enquanto uns remodelam o futuro, outros tentam conservar o passado através de subsídios, obrigações e protecção administrativa. Até órgãos como a Rádio Observador, que se posicionam como liberais e pró-mercado, cedem, muitas vezes, a esta narrativa confortável: "se algo está a desaparecer, o Estado que resolva". É um socialismo suave, afectivo, que não se assume como tal, mas que protege práticas antigas por receio, nostalgia ou falta de imaginação.
O que está verdadeiramente em causa não é a Vasp, nem os municípios, nem os jornais. É a nossa incapacidade colectiva de aceitar que certos modelos deixaram de ser sustentáveis. A defesa do "direito à informação" não exige que se distribuam jornais impressos porta a porta em todo o país; exige, isso sim, que se garantam formas eficazes, modernas e economicamente viáveis de acesso à informação.
Precisávamos, talvez, da mesma coragem institucional que vimos na Dinamarca: reconhecer a mudança, redesenhar o serviço com base no presente e aceitar que nem tudo pode ser preservado. O apego aos direitos adquiridos é compreensível — mas tem um custo. E esse custo é o de um país que fica parado, cristalizado em modelos que já não respondem ao mundo em que vivemos.
A questão é simples e desconfortável: queremos o futuro ou queremos manter relíquias vivas por meio de transfusões públicas eternas?
A Dinamarca respondeu. Nós continuamos a hesitar.
Revisão pela gestão - um espaço para decidir, não para apresentar (parte IV)
Parte I, parte II e parte III.
- Os responsáveis preparam todas as entradas da cláusula 9.3.2, com análise, síntese e tendências, e não apenas dados brutos. Não afoguemos a gestão de topo em dados. Temos de lhes dar significado, não números.
- Esta informação é enviada com antecedência suficiente (muito difícil em Portugal).
- É solicitado (e exigido) que todos os participantes a estudem cuidadosamente.
- A agenda é construída não com tópicos, mas com perguntas que exigem decisões.
- A reunião discute apenas o que precisa ser decidido.
- A documentação é distribuída antes; todos deveriam lê-la.
- Mas como alguns chegam “em branco”, a reunião começa com 15 minutos de silêncio absoluto.
- Cada pessoa lê a documentação final novamente, desta vez sem interrupções.
- Só depois se começa a discutir — e já em cima de informação partilhada.
- as reuniões que se tornam apresentações;
- e os participantes que opinam sem conhecer os dados.
terça-feira, dezembro 09, 2025
Curiosidade do dia
Portugal foi distinguido pela The Economist como “economia do ano”. É um reconhecimento claro de que o caminho de responsabilidade, estabilidade e confiança que temos defendido está a dar resultados.https://t.co/iRt32M4fl3
— Joaquim Miranda Sarmento (@JMirandSarmento) December 8, 2025
Apesar do mérito conjuntural, lamento não poder acompanhar o senhor ministro neste entusiasmo.
Os dados obrigam-nos a uma leitura mais prudente — e, sobretudo, mais estrutural.
Segundo a Conta Satélite do Turismo de 2024, o consumo turístico no território económico já representa 16,6% do PIB, e o contributo total do turismo atinge 11,9% do PIB. Nunca o turismo teve tanto peso na economia portuguesa, ultrapassando largamente o período pré-pandemia, quando rondava os 8% a 9%. Estamos agora entre os países europeus mais dependentes deste sector, ao lado da Grécia e da Croácia.
Este desempenho é extraordinário. Mas é precisamente isso que deve preocupar-nos.
O turismo é, por natureza, um sector altamente volátil. Depende do rendimento e da confiança dos nossos principais mercados emissores, das condições geopolíticas globais, do preço dos combustíveis, das alterações climáticas, da estabilidade das companhias aéreas, da imagem internacional do país — e, como aprendemos em 2020, pode colapsar quase da noite para o dia.
Quando uma economia cresce sobretudo graças ao turismo, o PIB sobe, as estatísticas sorriem e as manchetes multiplicam-se. Mas, por baixo dessa superfície brilhante, instala-se uma fragilidade estrutural: a economia fica dependente de um único motor, que trabalha com combustível instável.
O turismo cria emprego, sim. Mas continua a ser um sector predominantemente de baixos salários, baixa produtividade e forte sazonalidade. Não é daqui que virá a transformação estrutural de que Portugal precisa há décadas: mais conhecimento, mais tecnologia, mais indústria sofisticada, mais inovação. Não é daqui que virão empresas com capacidade de pagar salários significativamente superiores à média nacional.
O verdadeiro problema não é o turismo estar a crescer — é o que não está a crescer ao mesmo ritmo. Os meus mastins dos Baskerville. A indústria transformadora continua frágil, o investimento empresarial teima em não convergir com o europeu, a produtividade avança ao ritmo de caracol e sectores de maior valor acrescentado continuam a ser excepção, e não regra.
Portugal não pode confundir a euforia conjuntural com a solidez estrutural.
Celebrar um bom ano económico é legítimo; mas construir uma economia resiliente exige outra conversa.
O turismo, por melhor que esteja, não pode ser o nosso desígnio económico. Não há país desenvolvido cuja prosperidade assente maioritariamente num sector tão exposto a choques externos. E quanto mais Portugal subir no turismo, maior será a queda quando o ciclo virar — e ele irá virar.
O ministro celebra o dia de hoje.
Eu preocupo-me com o dia de amanhã.
Portugal merece ambição, não conformismo. Merece uma estratégia económica que reduza a dependência de um sector vulnerável e que aposte, de forma séria, consistente e contínua, em sectores capazes de aumentar a produtividade, gerar conhecimento e criar valor duradouro.
O turismo é importante.
Mas não pode ser — e muito menos deve ser celebrado como — a solução para todos os nossos problemas económicos.
Enquanto essa distinção não for acompanhada de um verdadeiro caminho de transformação estrutural, lamento: não posso acompanhar o senhor ministro no seu regozijo.
Como um mural num zoo explica o funcionamento de uma economia saudável
A economia é uma continuação da biologia — agora nas quatro paredes de um zoo.
Há dias, no Zoo de Basileia, parei diante de um mural que parecia ter sido desenhado para ilustrar aquilo que escrevo há anos aqui no blogue: a economia é uma continuação da biologia.
Centenas de pássaros de todas as cores, a voar em direcções diferentes, acompanhados por quatro frases simples:
- A evolução não tem objectivo.
- A evolução precisa de diferenças.
- A evolução baseia-se na selecção.
- A evolução cria diversidade.
Enquanto lia estas frases, dei por mim a sorrir: estavam ali, naquele corredor do Zoo, os alicerces de Mongo, a metáfora que uso para explicar o novo mundo económico em que vivemos.
Primeiro: A evolução não tem objectivo → O fim do século XX
O mural afirma: "EVOLUTION HAT KEIN ZIEL - L'ÉVOLUTION N'A PAS DE BUT."
E isso ecoa directamente no que descrevo em "Por que apareceu o BSC? (I)". O século XX acreditava que a economia tinha um caminho único. Um pico dominante. A escala, a eficiência, a standardização. O fordismo como destino final do progresso económico.
Mas a biologia ensina exactamente o contrário: a evolução não segue um plano pré-definido. A adaptação acontece ao sabor do contexto. Ou seja, "nature evolves away from constraints, not toward goals".
Quando o ambiente muda, a população muda com ele — ou desaparece.
Na economia, acontece o mesmo. O velho paradigma de um único pico foi substituído por uma paisagem enrugada, cheia de nichos, na qual empresas diferentes servem clientes distintos.
É aqui que nasce Mongo.
Segundo: A evolução precisa de diferenças → A explosão de variedade
Outra frase do mural: "EVOLUTION BRAUCHT UNTERSCHIEDE - L'ÉVOLUTION A BESOIN DE DIFFÉRENCES"
Isto é puro Mongo.
No século XX, variedade era sinónimo de ineficiência; no século XXI, é a fonte da vantagem competitiva.
Tal como no estudo das toutinegras de MacArthur — cinco espécies a viver na mesma árvore, sem competir directamente — também as empresas modernas só prosperam quando ocupam nichos distintos.
Hoje, a economia recompensa quem cria diferenças reais: novos atributos, novas experiências, novas linguagens, novas tribos. É uma verdadeira explosão câmbrica na área empresarial.
Terceiro: A evolução baseia-se na selecção → Deixar morrer para deixar nascer
O mural diz: "EVOLUTION BERUHT AUF AUSLESE - L'ÉVOLUTION REPOSE SUR LA SÉLECTION".
E aqui surge o ponto que tantos evitam discutir.
Se a economia é um ecossistema, a selecção é inevitável.
No blogue tenho escrito muito ao longo dos anos sobre este tema: se não deixamos as empresas morrer, impedimos a evolução. Por isso, enquanto alguns publicam isto no Twitter para criticar Milei, eu encontro motivos para o elogiar:
Recursos prisioneiros de zombies habituados a viver de apoios e benesses são libertados para que sejam utilizados pela economia do futuro.
Subsidia-se o zombie — e bloqueia-se o surgimento da nova espécie.
Mantém-se o incumbente ineficiente — e impede-se a subida da produtividade.
Confunde-se estabilidade com sobrevivência — quando a verdadeira lei biológica é adaptação.
Tal como na natureza, ecossistemas artificiais que evitam a selecção acabam por se tornar frágeis e improdutivos.
Quarto: A evolução cria diversidade → O futuro pertence aos muitos, não aos poucos
No mural lê-se: "EVOLUTION SCHAFFT VIELFALT - L'ÉVOLUTION CRÉE LA DIVERSITÉ"
E isto descreve exactamente o mundo económico contemporâneo.
Costumo escrever sobre a explosão de variedade, de múltiplos picos competitivos, de nichos que não existiam ontem e que surgem amanhã.
As empresas já não vivem todas na mesma serra; vivem numa cordilheira imensa, com picos separados por vales profundos. Cada pico simboliza uma proposta de valor distinta.
Tal como os pássaros do mural, cada empresa voa na sua direcção, criando padrões emergentes que nenhum planeador central conseguiria antecipar.
O mundo não regressa à homogeneidade — acelera rumo à diversidade.
O mural do Zoo é Mongo. E Mongo é o mural do Zoo.
Enquanto observava aqueles pássaros coloridos, percebi que o Zoo tinha conseguido numa imagem aquilo que tento explicar com palavras:
A economia muda sempre.
Não há objectivo final.
A diversidade é inevitável.
A selecção não perdoa.
A adaptação é a única constante.
E o novo mapa competitivo é uma paisagem viva, dinâmica, imprevisível.
A economia é biologia — por outros meios.
E a biologia está escrita naquela parede do zoo, à vista de todos.
segunda-feira, dezembro 08, 2025
Curiosidade do dia
Gestão do risco em saúde,
— Sá Peliteiro 🔬☣️ (@Peliteiro) December 4, 2025
a origem do risco está identificada, o risco até se concretizou,
mas a falha não é falha!, claro:
"Não podemos dizer que houve falhas, porque tudo ACONTECEU num momento em que há uma mudança de turno na enfermagem..." pic.twitter.com/8hDte51cIn
Esta frase: "Não podemos dizer que houve falhas, porque tudo ACONTECEU num momento em que há uma mudança de turno na enfermagem..." é tão absurda!!!
Estive no estrangeiro. O homem já se demitiu? Foi demitido?
Cheira-me a alguém a arranjar aliados para uma futura situação em que precise. Tipo: “You scratch my back, and I'll scratch yours.”
Dizer que “não podemos falar de falhas porque tudo aconteceu durante a mudança de turno” é inverter completamente a lógica da segurança. Justamente porque há mudanças de turno, os processos críticos têm de estar blindados, com redundâncias, verificações independentes e responsabilidades claras. A transição entre equipas é sempre um momento vulnerável — e, por isso mesmo, não pode ser usada como desculpa; deve ser tratada como um risco conhecido e controlado.
Isto faz-me lembrar o caso verídico de um hospital inglês onde o doente acamado numa certa cama, a um determinado dia da semana, morria sempre — até se descobrir que a funcionária da limpeza desligava o ventilador para ligar o aspirador. A solução não foi “culpar a hora da limpeza”, e sim repensar o sistema, os dispositivos, os procedimentos e a formação. BTW, quem foi ao tribunal foi quem não deu formação.
E qualquer pessoa que já tenha visitado uma fábrica da indústria química sabe isto bem: na mudança de turno, nada fica sem controlo. As rondas são feitas, os equipamentos críticos são verificados e a passagem de informação é tratada com rigor quase militar. Porquê? Porque se alguém disser "estávamos em mudança de turno", pode já não haver instalação… nem trabalhadores. A segurança não espera.
Quando a segurança depende de uma pessoa estar “no sítio certo à hora certa”, o problema não é a pessoa — é o sistema. E quando um sistema permite que um bebé desapareça num hospital, a única atitude séria é investigar o processo, não proteger a narrativa. A mudança de turno é um facto inevitável; a falta de controlo, essa sim, é falível e deve ser corrigida.
Revisão pela gestão - preparar tudo, rever só o necessário (parte III)
- Preparar toda a informação prevista na cláusula 9.3.2 num relatório para a revisão do sistema;
- Analisar, sintetizar, apresentar tendências e disponibilizar tudo à gestão de topo antes da reunião.
- O que precisa de mudar no sistema para continuar eficaz e adequado?
- Que riscos se tornaram críticos este ano?
- Que capacidades precisamos para o próximo ciclo?
- Que processos deixaram de servir o futuro?





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