quarta-feira, outubro 05, 2011

Impunidade

"A ribeira de Alcarrache ficou por desmatar, numa extensão de 1500 hectares ao longo da linha de água. As organizações de defesa do ambiente identificaram no território importantes nichos ecológicos e negociaram com a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA) a manutenção do montado de azinho, que acabou submerso.
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No entanto, na Ribeira de Alcarrache milhares de árvores continuam submersas sob 15 metros de água e os habitats que se pretendiam preservar estão irremediavelmente perdidos, quando o objectivo era não perturbar a fauna que ali vive, nem mexer na flora."
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"O sacrifício do montado de azinho na área inundada pela albufeira de Alqueva continua a ter lugar em território espanhol, decorrida quase uma década após o encerramento das comportas da grande barragem do sul, a 8 de Fevereiro de 2002. Razões de segurança para a navegação sustentam o corte de mais de 4000 azinheiras. A Confederação Hidrográfica do Guadiana, entidade que gere a bacia do rio ibérico no país vizinho, apresenta uma outra explicação: foram atingidas cotas de enchimento da barragem portuguesa que "não eram previsíveis"."
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A impunidade campeia... faz lembrar o que os árabes recordam dos cruzados na Terra Santa: gente que não respeitava acordos.
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Trecho retirado de "Alqueva: espanhóis retiram azinheiras submersas"
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É nestas alturas que sinto a falta de um A-Team e de um Hannibal Smith para apertar os calos a gente sem escrúpulos. 

Crendices e cargo cult (parte II)

Volto ao artigo de Miguel Lebre de Freitas ontem no JdN.
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O gráfico do artigo ilustra bem a diferença entre o mundo dos bens transaccionáveis (sujeitos a importações e exportações, sujeitos à concorrência internacional) e a loucura dos bens não-transaccionáveis... 

Nós funcionamos com base em estímulos e é muito difícil resistir-lhes:

Quem tinha capital para investir e quisesse retorno rápido... onde o faria?
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O gráfico ilustra bem quem é que vai sofrer a sério com o Período de Desalavancagem Em Curso (PDEC) ... e reparem, onde está situado esse poder? Qual a relação dos bancos com esse poder?

TGV, Beja, a loucura ainda foi maior do outro lado

A nossa sorte foi a crise internacional ter abortado os planos do governo para Portugal.
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Sem ela, continuaríamos com o embalo que queria desfazer uma serra para atapetar um lago de Inverno e construir um aeroporto servido por um TGV para fazer as vezes de metro (Jorge Coelho dixit em tempos).
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Com ela, 5 linhas de TGV e um novo aeroporto não avançaram.
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Apesar dela, o aeroporto de Beja avançou.
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Em Espanha, onde o cainesianismo era mais antigo e os cofres do país mais recheados não construiram um aeromoscas...
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"But of the 48 regional commercial airports built in the debt-ridden country in less than 20 years, only 11 make a profit."
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"Spain's white elephants – how country's airports lie empty"
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E isto não é crime?

terça-feira, outubro 04, 2011

Crendices e cargo cult

É essencial perceber que existem 3 economias no país.
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"Preços"
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"Por exemplo, ao longo do período 1995-2009, os preços dos bens "locais" aumentaram. Porquê? Porque durante todo aquele período, a procura interna aumentou mais do que a oferta interna e os bens locais não podem ser importados. A subida do preço dos bens "locais", por sua vez, motivou a reorientação da produção em seu favor e o desvio do consumo para as importações. O impacto na estrutura produtiva e no défice externo é bem conhecido."
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E o governo, numa demonstração de "cargo cult" utilizou dinheiro, em 2009, para apoiar a economia dos bens "locais".
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E que tal apoiar o abate de veículos para importar mais carros novos?
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Há que subsidiar as economias do centro da Europa com o dinheiro saqueado aos contribuintes portugueses.

Judean People's Front vs The People's Front of Judea? (parte II)

A melhor forma de resolver a contradição da "parte I" é olhar para os números:
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"Ocupação nos hotéis de 5 estrelas foi a que mais subiu em Julho"
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Acabo de ler no "A Origem das Marcas" de Al Ries e Laura Ries:
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"Nas palavras de Darwin, "a natureza favorece os extremos". (Assim é no branding, onde a natureza favorece os extremos)"
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O muito caro e muito barato!
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Triste é quando a preguiça mental toma conta dos primeiros.

O valor não se troca nem cria na transacção, emerge durante o uso

"Challengers win by pushing customers to think differently, using insight to create constructive tension in the sale. Relationship Builders, on the other hand, focus on relieving tension by giving in to the customer's every demand.
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Where Challengers push customers outside their comfort zone, Relationship Builders are focused on being accepted into it.
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They focus on building strong personal relationships across the customer organization, being likable and generous with their time. The Relationship Builder adopts a service mentality. While the Challenger is focused on customer value, the Relationship Builder is more concerned with convenience. At the end of the day, a conversation with a Relationship Builder is probably professional, even enjoyable, but it isn't as effective because it doesn't ultimately help customers make progress against their goals."
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Trecho retirado de "Selling Is Not About Relationships" de Matthew Dixon e Brent Adamson.
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Se o valor de uma oferta emerge durante o seu uso pelo cliente, então, mais do que tornar a transacção agradável, o que continua a ser importante, há que descobrir ou desenhar a melhor solução para cada valor. Como escrevem Irene Ng e Gerar Briscoe:
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"Overall, the firms came to the realisation that an asset was not a ‘sacred cow’ and that the better it was at absorbing contextual variety of use, the less it would depend on human capability and the easier it would be to scale and replicate across contracts. Furthermore, our study suggests that organisations structured around manufacturing require a re-evaluation of their operational elements and viability when they transform into a full-service organisation. We argue for a transformation in the customer relationship to help realise the value proposition that firms offer."
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Trecho retirado de "Value, variety and viability: designing for co-creation in a complex system of direct and indirect (goods) service value proposition" de Irene Ng and Gerard Briscoe

Um livro sobre o planeta Mongo

Al e Laura Ries escreveram "The Origin of Brands: How Product Evolution Creates Endless Possibilities for New Brands".
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Comecei a ler o livro e rapidamente percebi que era sobre o advento do planeta Mongo.
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"divergência, a menos compreendida e mais poderosa força na Terra.
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O fenómeno que se se registou na natureza também está a ocorrer nos produtos e serviços.
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Eventualmente, todas as categorias irão divergir e tornar-se em duas ou mais categorias, criando infinitas oportunidades para o brand building.
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A interligação entre a evolução e a divergência providencia um modelo capaz de nos fazer compreender o Universo e, em particular o universo das marcas.
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A evolução recebeu todos os louros. Porém, ela não pode ser a única responsável pelas imensas espécies tão diversas e originais. Se não fosse a divergência, a evolução, por si só, teria criado um mundo povoado por milhões de procariotas do tamanho de dinossauros."

Macedónia

segunda-feira, outubro 03, 2011

Umberto Eco tem uma história deste tipo (parte II)

Continuado daqui.
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E na sequência de "Uma economia em transformação", depois de ler "'Podemos ter de fechar lojas', avisa Miguel Mota Freitas da SONAE SR".
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Mesmo os auto-denominados líderes de mercado ... ponderam o encerramento de lojas. Embora o exemplo dado das lojas Vobis não faça sentido. Em minha opinião essas lojas fecharam por não se terem diferenciado o suficiente da concorrência das FNACs.

A minha evolução

No final dos anos 80 do século passado descobri o mundo da qualidade.
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Comecei pelo mundo da melhoria da qualidade com "Guide to Quality Control" de Kaoru Ishikawa, Juran, com o SPC e com os métodos Taguchi.
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Depois, com a ISO 9001, a empresa onde trabalhava certificou-se em... 1992.
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Dediquei os anos 90 do século passado ao mundo da garantia da qualidade e da ISO 9001, primeiro como responsável da qualidade nas empresas onde trabalhava, depois como consultor, formador e auditor.
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Trabalhar no mundo da garantia da qualidade ajudou-me a crescer, a conhecer as empresas, a apoiar empresas que não tinham planeamento da produção, que não tinham especificações, que não tinham controlo da qualidade, que não definiam objectivos, que não aprendiam com os erros.
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Tenho consciência que algumas empresas trabalhavam para ter uma bandeira, mas para muitas foi um trabalho útil porque as tornou mais eficientes, mais organizadas, dotadas de números sobre a produção e a qualidade.
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Hoje, dedico apenas uma pequena parte do meu tempo profissional à ISO 9001, não só porque se trata de um mundo commoditizado, qualquer recém-licenciado pode trabalhar como consultor, mas também porque só aceito participar em projectos que não violem a minha consciência.
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Durante esses anos 90 acreditava que a batalha da eficiência era suficiente para as empresas.
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Hoje, sei que a eficiência não é tudo. Hoje sei que em certos negócios a eficiência é um empecilho no caminho para o sucesso...
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O mundo da qualidade que tanto me ensinou, que tanto puxou por mim... parece que enquistou e ficou para trás... cristalizado em velhas fórmulas para combater em guerras que mudaram de cenário e de armas.
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O mundo da qualidade acha o Acordo Ortográfico o máximo, uma pedra no alicerce da normalização... eu... eu aprendi que a normalização em excesso pode ser um perigo, aprendi a gostar da destruição da Torre de Babel e do que ela simbolizava.
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Hoje, acredito sobretudo na variedade, nas pequenas séries, na novidade, na eficácia, no feito-à-medida...
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Hoje, acredito que montar um sistema da qualidade numa empresa privada sem arrasar o conteúdo da cláusula 7.2 da ISO 9001 é perigoso... quem são os clientes-alvo? Qual a proposta de valor? Que clientes vamos rejeitar? (Se olharem para o conteúdo dessa cláusula verão que ela é escrita na óptica do cliente que audita o fornecedor... nunca questiona se o cliente é o adequado para o fornecedor)
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Hoje, acredito que montar um sistema da qualidade numa empresa privada sem trocar política da qualidade por estratégia para o negócio e, objectivos da qualidade por objectivos para o negócio, é incorrecto e perigoso.
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Escrevo isto por causa deste artigo "Manufacturing Strategies: The latest dMASS newsletter":
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"“quality inherently involves delivering the most value with the fewest resources and environmental impacts.” He views environmental problems as deficiencies in the process of converting resources into manufactured products and suggest shifting the focus from managing the consequences of using resources to managing resources as inputs. This means delivering much more benefit to customers with fewer resources.
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Many management strategies aimed at improving manufacturing practices – successors of the quality management movement such as Poka Yoke, lean manufacturing, and Kaizen – promote efficiency and waste reduction and often result in reduced environmental impacts."
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O mundo da qualidade ficou preso neste paradigma da eficiência. E tudo isto é válido e faz sentido quando a proposta de valor assenta no preço mais baixo. No entanto, e quando a proposta de valor não tem a ver com o preço mais baixo? E quando a proposta de valor tem a ver com a moda, com a inovação, com a customização, com a rapidez?
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Olivier Boiral em "Managing with ISO Systems: Lessons from Practice" publicado pela Long Range Planning 44 (2011) 197-220 escreve:
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"Although the number of ISO management system certifications is rapidly increasing around the world, it is also stagnating, even declining, in some developed countries. This is notably the case for ISO 9001."
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Hoje acredito que o ciclo não é o PDCA mas o CAPD e a qualidade gosta muito de grandes planeamentos, gosta muito de começar por eles. Prefiro começar pelos resultados... os actuais reais e os do futuro desejado. Tudo o resto é feito em função disso.

É a vida

""Oeiras Valley" - uma "ilha" de crescimento"
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Tanto crescimento e afinal não é sustentado... afinal é à "madeirense".
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Ou seja, se se acabarem os fósforos não há brasas auto-suficientes para gerarem o calor necessário para assar as sardinhas...
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Como dizia ontem o João Miranda, cheira-me a estertor da economia que viveu baseada em endividamento fácil a taxas de juro baixas.
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É a vida!

Macedónia


The Better You Understand Economics, the More You Realize that Money Isn’t All that Matters (parte II)

O título era "The Better You Understand Economics, the More You Realize that Money Isn’t All that Matters"
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O que nos dizem os académicos?
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"Todos os sectores de bens transaccionáveis são beneficiados pela desvalorização. Uma desvalorização discrimina estes sectores positivamente. A desvalorização é importante para contrariar os efeitos negativos que decorreram de termos uma taxa de câmbio demasiadamente valorizada. Isso desincentivou o investimento na produção de bens transaccionáveis. Agora temos de reverter esse processo." (Trecho retirado daqui)
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Atentemos no exemplo do Brasil:

O real tem-se desvalorizado, quer face ao dólar, quer face ao yuan.
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E, no entanto:
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"A diferença entre o calçado brasileiro e o português"
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Gráfico retirado daqui.

Uma alternativa barata e flexível

Desde há muito que exponho aqui no blogue a minha opinião sobre o software que se encontra por aí para apresentar os resultados dos indicadores do balanced scorecard. Por exemplo, basta recordar "BSC e software" e os 3 erros mais comuns na apresentação de resultados.
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Pois bem, com o auxílio desta macro "Sparklines for Excel (R)" conseguem-se fazer pequenas maravilhas:

Muito mais interessante que as microcharts (sparklines) que vêm incorporadas com o Excel 2010.

domingo, outubro 02, 2011

Uma economia em transformação

"Processos de falência triplicaram desde 2007"
"Número de empresas «falidas» subiu 60%"
"Número de empresas 'falidas' triplicou desde a crise"
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Só é pena é a parte enorme da economia que é Estado, demorar muito mais tempo a, ela própria, também se  transformar... enquanto não o fizer é uma sobrecarga sobre o resto da economia.

Recordar Lawrence... nada está escrito (parte VIII)

Comecei esta série na parte I por causa de um feeling resultante da combinação do meu gosto pela via  "contrarian" com o que vou observando nas PMEs com que lido.
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Acabo de encontrar um texto que corrobora... corrobora não, que justifica o meu sentimento, "France faces a Dilemma" de Kaj Grichnik e Jerome Pellan:
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"The United States is not alone in its manufacturing malaise. In virtually every Western country, factory employment is disappearing and trade deficits are dangerously on the rise. Take France, for example. Between 1999 and 2009, the country moved from a positive trade balance of €17.8 billion (US$25.4 billion) to a deficit of €21.1 billion ($30.1 billion), a disturbing change in direction that took 30 percent of France’s manufacturing jobs with it.
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And although these numbers mirror trends in the U.S., one very big distinction hidden in these statistics provides important clues about whether France and other western European countries are more likely to enjoy a manufacturing recovery, (Moi ici: Qual o país da Europa Ocidental que mais se aproxima dos Estados Unidos?) or whether the U.S. is — and that distinction clearly favors the United States. Unlike U.S. losses, the lion’s share of France’s losses in manufacturing capacity are not due to China and other low-cost nations; instead, French production and jobs are moving primarily to Germany. (Moi ici: É como se a França estivesse no meio-termo, perde no topo para a Alemanha e na base para a China. Nós por cá perdemos quase tudo para a China...)
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In other words, the deterioration in France’s manufacturing capacity is the result of a shift within its region. Of the €38.9 billion ($55.5 billion) total decline in France’s trade balance, only about €7.2 billion ($10.3 billion) is directly attributable to the growth of its trade deficit with China. Yet between 1999 and 2009, France’s trade imbalance with Germany increased by a whopping €13 billion ($18.5 billion). By contrast, the United States’ trade imbalance with China grew more than threefold in that period while the U.S. trade deficit with Germany held steady.
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The implications of this for France and for the United States could not be more different. If manufacturing does, in fact, become more and more regional, the United States stands to gain from the movement back to North America of Chinese and other low-cost production facilities. France, though, doesn’t have that luxury. (Moi ici: É o que tenho pensado e escrito no último mês...)
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Moreover, France’s worsening trade deficit with China has been driven chiefly by manufacturing losses in lower-tech, lower-margin products, such as apparel, furniture, and office machines. France’s trade imbalance with western European nations has come at the expense of higher-value products such as automobiles, advanced chemicals, and industrial machinery. Consequently, for France, the regional manufacturing model could turn out to be a very expensive development.
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France’s inability to compete effectively against other countries in its backyard for factory capacity is linked to a set of labor and cost dynamics that are increasingly antiquated in a more globalized and malleable manufacturing environment. (Moi ici: Flexibilidade, para mim, pode ser mais importante que os custos)  For example, France’s 35-hour workweek, imposed in 2000 just as other countries were liberalizing production shift rules, increases the overall cost of labor. Further, because of France’s generous medical, unemployment, and pension benefits for residents, companies pay an amount equal to about 83 percent of net salaries in so-called social charges, compared with only 47 percent in Germany. And industrial labor relations in France are extremely adversarial.

By addressing these and other equally problematic issues adroitly, France could possibly dissuade some CEOs from closing French factories. But if France doesn’t address these issues in the next 10 years, the country stands to lose an additional 7 percent of its manufacturing workforce, or about 200,000 jobs.

There are some indications that improving the fortunes of manufacturing is increasingly important to French politicians of all stripes. One of the more audacious proposals calls for taxing sectors that are not exposed to international competition to help industries that are. (Moi ici: A maneira rápida, fácil e errada de resolver um problema é subsidiando o seu prolongamento e atrasando a inevitável transformação... uma espécie de TSU?) But it will take more than new fiscal measures for France to regain its former manufacturing glory; a 21st-century cultural and social transformation is needed for France to again resemble the country that spawned such legendary industrial figures as Peugeot, Eiffel, Citroen, Hussenot, Renault, and Schlumberger.

Para reflexão

Sem pôr em causa o título deste artigo do jornal i "PME. Sem financiamento muitas empresas morrerão até 2013" atrevo-me a perguntar:

  • quantas PMEs localizadas em Portugal vão conseguir sobreviver porque os seus clientes não têm financiamento para fazer importações?
  • quantas PMEs localizadas em Portugal vão conseguir sobreviver porque importadores europeus não vão ter financiamento para fazer importações da China?
  • quantas PMEs localizadas em Portugal vão conseguir sobreviver porque concorrentes habituados a viver com dinheiro fácil a taxas de juro baixas vão ter de mudar de estratégia ou fechar?

The Better You Understand Economics, the More You Realize that Money Isn’t All that Matters

O título deste postal foi roubado a Don Boudreaux no "Cafe Hayek".
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E foi roubado porque é uma grande verdade que muitos desconhecem:
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"The Better You Understand Economics, the More You Realize that Money Isn’t All that Matters"
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O dinheiro, o preço, não é tudo.
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E os empresários do futuro são os empresários que trabalham para aumentar os preços do seu serviço-produto.
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Como?
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Concentrando-se no que está para lá do dinheiro trocado na transacção... concentrando-se na experiência que os clientes vão viver.
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Os sinais estão por todo o lado, por exemplo em "Manufacturing’s Wake-Up Call":
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"debate over the future of U.S. manufacturing is intensifying. Optimists point to the relatively cheap dollar and the shrinking wage gap between China and the U.S. as reasons the manufacturing sector could come back to life, boosting U.S. competitiveness and reviving the fortunes of the American middle class.
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Instead, for the foreseeable future, manufacturing will largely be regional. (Moi ici: Há anos que o marcador "proximidade" marca presença neste blogue... recordar também Ghemawatt e a semi-globalização)
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But for many manufacturers, economics and market dynamics increasingly suggest that they locate factories close to their major markets, including the United States. This type of region-oriented footprint is a clear way to provide adequate scale and volume, minimize transportation and logistics costs, increase market responsiveness and innovation, and customize products for the unique preferences of different regions and cultures. If factory labor costs and currency rates were the sole enablers of manufacturing success, then the West could not compete with emerging nations or offshoring. More and more, though, these factors play a smaller part in manufacturing decisions. (Moi ici: Claro que os políticos e os académicos, longe da realidade, não percebem esta mudança estrutural) Four other considerations, all more complex, drive manufacturers’ choices about where to place and expand factories:
  1. The skill level and quality of factory employees, especially for high-tech facilities. 
  2. The presence of high-impact clusters, in which many companies can learn from one another and innovate more readily. 
  3. Access to nearby countries with emerging consumer markets and lower-cost labor (for the U.S., this means building a future with Mexico). 
  4. A reasonably competitive regulatory and tax environment (for the U.S., this means simplifying and streamlining the current tax and regulatory structure).
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With unit labor costs playing a smaller part in manufacturing decisions, (Moi ici: Entretidos com a TSU, com o ataque ao euro, com a impressão de bentos, não percebem como é que isto pode acontecer...other factors — including talent availability, market accessibility, innovation, regulations, intellectual property protections, barriers to entry and exit, and scale of operations — increasingly drive decisions about where to place and expand factories. Based on the relative economics for each segment, we charted which U.S. industries can compete as exporters, which can be dominant in the regional North American market, which can survive but are threatened by foreign competitors, and which are already mostly overseas but can still manufacture in the U.S. to serve niche markets. (Moi ici: A divisão é interessante e permite pensamento estratégico... ver as figuras)
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designing production systems that align employees’ activities with the company’s overall strategy (Moi ici: A mensagem deste blogue, do nosso trabalho, dos nossos livros... concentrar uma organização no que é essencial, alinhar recursos, vontades, motivações, ideias) and that empower employees to improve manufacturing processes can unlock the productivity and innovation potential of the well-educated U.S. workforce."

Os novatos também têm o seu lugar

A propósito de "Juíza que prendeu Isaltino estava só há um mês em Oeiras"
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Recentemente um familiar foi a uma urgência hospitalar porque estava há vários dias sem ir à casa de banho e sentia-se muito mal.
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Foi atendido por uma médica muito jovem e com pouca experiência.
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Azar!
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Dada a inexperiência da médica, ela fez o que poucos fazem, em vez de receitar comprimidos... seguiu o protocolo e... salvou a vida a esse meu familiar porque detectou um problema na aorta.
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Há anos em Tikrit, um outro familiar estava numa sessão de tribunal onde era réu, a juíza também era novata... .
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Durante a sessão onde a juíza acabou por concluir que a acusação não tinha pernas para andar, elementos das forças vivas da região quiseram ter uma conversa particular com a senhora.
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Sempre acreditei que, por ser nova na zona, não se deixou aprisionar por diplomacias e jogos políticos.
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Apesar do que diz Arroja, os novatos também têm o seu lugar.

Não culpem a caneta quando a culpa é de quem escreve (parte III)

Parte I e parte II.
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O "cargo cult" dá nisto!!!
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"The Six Sigma Blues"
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O 6 sigma é fantástico para aumentar a eficiência numa empresa. Recomendo-o! Já vi o seu efeito em empresas que precisavam de se tornar muito mais eficientes.
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Agora... a maioria das empresas antes de ser mais eficiente precisa de ser mais eficaz.
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Não interessa ser eficiente se a empresa não seduz clientes com o que produz.
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Acham que a Ferrari é uma empresa eficiente?
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Mas a culpa nunca é da ferramenta, é sempre do cérebro humano que a usa!