- O contraste entre o acumulado e Abril
- O comportamento dos produtos farmacêuticos
- Supresas que não passam nos media, sempre focados no "peditório dos coitadinhos"
- Dúvida
Em Juneau, no Alaska, sete casas antigas bloqueiam a construção de até 155 novas habitações. Na Suíça, quase metade dos eleitores aceitou a ideia de travar a população nos 10 milhões. São histórias diferentes, mas apontam para a mesma ferida.
Queremos ruas como eram, casas como eram, alturas como eram, impostos como eram. Depois queremos receber mais gente, atrair trabalhadores, manter serviços, encher escolas, cuidar dos idosos e pagar pensões.
A conta não fecha.
Uma cidade pode conservar muito e crescer pouco. Ou pode crescer muito e construir ainda mais. O que não pode fazer é tratar cada telhado antigo como património intocável, limitar os prédios a poucos pisos, manter idosos presos em casas grandes porque vender implica pagar mais-valias e, depois, fingir surpresa quando os jovens e os trabalhadores essenciais não encontram casa.
A verdadeira escolha não é entre passado e futuro. É entre um passado vivo, que aceita acrescentos, e um passado embalsamado, que expulsa discretamente quem ainda precisa começar a vida.
O Alaska mostra a casa concreta. A Suíça ilustra o dilema político.
Depois do episódio 7, sobre a cláusula 6.1.5 da ISO 14001:2026. Publiquei os episódios:
O Sunday Telegraph do passado dia 14 publicou o artigo "Swedish blueprint can save Britain from being sunk by debt".
O artigo recorda que a Suécia, no início dos anos 90, esteve numa situação económica muito grave — crise cambial, crise bancária, recessão profunda, desemprego elevado e dívida pública em forte subida.
Fiquei particularmente impressionado com o trecho que se segue:
"As the crisis unfolded in the 1990s, Sweden's finance minister Göran Person flew to New York to convince investors to keep buying Swedish debt.
"He had to debate with 25-year-old traders. That was his 'Liz Truss' moment," says Ingves. "He said this should never, ever happen again. If you are in debt, you are not free.
"The bottom line was that we either had to fix it or go to the International Monetary Fund (IMF)."
The shock forced economists and policymakers across all parties to rethink their approach to economic management, says Lars Jonung, who at the time was chief economic adviser to Carl Bildt, the then prime minister."
A resposta não foi apenas cortar um pouco aqui e ali. Foi redesenhar a forma como o Estado fazia orçamento, gastava, tributava e pensava o crescimento.
A Suécia passou de uma lógica orçamental “de baixo para cima”, em que as despesas se iam somando até formar o orçamento, para uma lógica “de cima para baixo”, em que primeiro se definia o limite global da despesa e só depois se distribuía esse envelope. Criou regras fiscais exigentes, reduziu subsídios, reformou o sistema de pensões, privatizou empresas públicas, baixou impostos marginais e eliminou impostos sobre heranças, património e propriedade.
""When I meet with British or American economists, they think Sweden is a welfare state. Yes, we are a welfare state, but we combine that by being a paradise for capitalists. That is the most important thing""
O que me choca neste artigo é a incapacidade dos políticos portugueses de chegarem a este consenso, e continuarem focados na redistribuição acima de tudo, incapazes de perceberem a importância de criar condições para libertar as forças da economia para criarem riqueza.
O problema começa quando a redistribuição deixa de ser consequência de uma economia que cria riqueza e passa a ser o centro da própria política económica. Quando tudo se discute a partir da pergunta "quem recebe?" e quase nada a partir da pergunta "quem cria?", o país começa a comer a sementeira.
A lição sueca parece-me brutalmente simples: não há Estado social forte sem economia forte. Não há bons salários por decreto se a produtividade não acompanhar. Não há serviços públicos robustos se a base fiscal for estreita, se o investimento fugir, se o capital for tratado como suspeito e se a ambição empresarial for vista como um incómodo moral. A Suécia percebeu, à beira do abismo, que a liberdade política exige disciplina financeira e que a justiça social precisa de um capitalismo vivo. Portugal continua, demasiadas vezes, a fingir que pode colher os frutos sem cuidar da árvore.
A inércia vai-se tornando vulnerabilidade, até ao dia em que o cliente acorda. A terceira consequência é a passagem do mundo da preferência para o mundo do preço.
Enquanto houver magia, o valor é sentido. Quando a magia desaparece, o valor passa a ser calculado. O cliente começa a comparar ingredientes, funcionalidades, pesos, metros, minutos, alternativas. Começa a perguntar: mas por que é que isto custa tanto?
Esse é um momento terrível para uma marca. A partir daí, já não está a defender uma diferença. Está a justificar um preço.
E quando uma marca tem de justificar o preço apenas com argumentos objectivos, fica muito mais perto da commodity do que gosta de admitir.
Foi por isso que, há anos, escrevi que os muggles não só não acreditam na magia como a destroem quando ela existe. O muggle olha para uma marca e vê custos. Olha para uma experiência e vê desperdício. Olha para os pormenores e vê gordura. Olha para a relação com o cliente e vê um centro de custo; depois, admira-se quando o cliente deixa de pagar o preço anterior.
A quarta consequência é a troca da ambição pela defesa. A mentalidade rentista muda as perguntas dentro da organização. Em vez de "o que podemos construir?", pergunta-se "o que podemos proteger?". Em vez de "que nova diferença podemos criar?", pergunta-se "como defendemos a margem?". Em vez de "como voltamos a encantar?", pergunta-se "como reduzimos o custo sem que o cliente perceba?"
Uma organização que vive sempre a defender o que tem acaba por se tornar menos capaz de conquistar aquilo que ainda não tem. Vai ficando mais prudente, mais lenta, mais administrativa, mais elegante, mais medrosa e merdosa.
A quinta consequência é a selecção interna dos muggles. As organizações também seleccionam pessoas de acordo com aquilo que valorizam. Quando o valor principal passa a ser cortar, controlar, espremer e optimizar, começam a subir as pessoas que sabem cortar, controlar, espremer e optimizar. As pessoas que sabem cuidar, imaginar, seduzir, criar diferença e construir relação começam a parecer românticas, pouco práticas, talvez caras.
E assim a organização vai ficando cada vez mais competente a destruir aquilo que já não entende.
No fim, fica o aristocrata arruinado, mantém o brasão, mas perdeu o rendimento produtivo. Mantém a pose, mas perdeu a energia. Mantém a sala bonita, mas a casa cheira a mofo. Mantém a marca, mas perdeu a magia.
A tragédia da mentalidade rentista é esta: durante muito tempo parece funcionar.
O passado ainda paga. A reputação ainda ajuda. A distribuição ainda empurra. A notoriedade ainda engana. Os clientes ainda aparecem. Os lugares ainda se conseguem. Os prémios ainda se mostram. Os eventos ainda dão conforto psicológico.
Mas uma coisa é conseguir um lugar, outra coisa é ter projecto.
Uma coisa é proteger o cofre, outra coisa é construir riqueza nova.
Uma coisa é ordenhar a vaca da marca, outra coisa é alimentá-la.
"Digital cameras are staging an unlikely sales revival for the first time since the advent of the iPhone as Generation Z consumers shun the ultra-processed perfection of smartphone photos....Yujiro Igarashi, who is responsible for the popular X-Series at Fujifilm, said its customers - 70 per cent of whom are in their thirties or younger - wanted to slow down in an era of technological overload and commoditisation of photography. Smartphone images sometimes looked "artificial", he said. "There's a tendency to try to counteract that — and this is part of it.""
Durante anos, a indústria correu atrás de mais resolução, mais nitidez, mais automatização, mais ... Mas o cliente pode cansar-se da perfeição sem alma. Estrategicamente, isto é importante: há mercados onde o valor já não está em remover toda a fricção, mas em devolver alguma fricção com significado.
Talvez por isso, ainda guardo esta foto tirada há mais de 45 anos com a minha low-cost Kodak ... talvez Ektra? Talvez Instamatic?
Uau! Até a máscara da I Guerra Mundial, comprada na Feira de Vandoma, lá está na prateleira superior.
As câmaras já não competem com o smartphone apenas para "tirar fotografias". Perderiam sempre. Competem por outra coisa: criar memória, identidade, ritual, diferenciação social e uma sensação de autenticidade. A estratégia não é vencer o smartphone no seu próprio terreno; é mudar o terreno de jogo.
"Já escrevi várias vezes sobre aquilo a que chamo radioclubização, ou hollowing. A marca continua a existir por fora, mas começa a ficar oca por dentro. Ainda tem nome, ainda tem logótipo, ainda tem publicidade, ainda ocupa espaço nas prateleiras, mas perdeu parte daquilo que a fazia especial. A magia foi sendo corroída por pequenas decisões aparentemente racionais: cortar custos, simplificar materiais, reduzir serviço, espremer fornecedores, eliminar detalhes, banalizar a experiência, substituir cuidado por eficiência."
Entretanto, ontem em "The Transformation Economy" de Joseph Pine li:
"customers are always beautifully, wonderfully dissatisfied, even when they report being happy and business is great. Even when they don’t yet know it, customers want something better, and your desire to delight customers will drive you to invent on their behalf. No customer ever asked Amazon to create the Prime membership program, but it sure turns out they wanted it, and I could give you many such examples."
A radioclubização começa quando a empresa confunde satisfação com lealdade, e lealdade com autorização para empobrecer a proposta. O cliente ainda compra, ainda reconhece a marca, ainda talvez diga que está satisfeito. Mas a satisfação pode ser apenas atraso na desilusão.
Pine cita Bezzos que também acrescenta:
"Good inventors and designers deeply understand their customer. They spend tremendous energy developing that intuition. They study and understand many anecdotes rather than only the averages you’ll find on surveys. They live with the design.
I’m not against beta testing or surveys. But you, the product or service owner, must understand the customer, have a vision, and love the offering. Then, beta testing and research can help you find your blind spots. A remarkable customer experience starts with heart, intuition, curiosity, play, guts, taste. You won’t find any of it in a survey."
Sozinhos perante o quê? Não ficarem sozinhos perante a necessidade de mudar?
Ninguém diz ao filho de 5 anos que a festa de Natal foi uma valente porcaria. Os pais batem palmas, sorriem, tiram fotografias, dizem que esteve tudo muito bonito. E talvez devam fazê-lo. A criança está a aprender.
Mas uma economia não tem 5 anos. Um sector económico não tem 5 anos. A agricultura portuguesa não pode ser tratada como uma criança que precisa de paninhos quentes, palmas e diplomas de participação.
Os agricultores merecem respeito. Precisamente por isso, merecem uma conversa adulta.
Ser agricultor é difícil? É.
Há intempéries, custos de energia, de fertilizantes e de combustível, pressão da distribuição, concorrência externa e regras europeias? Há.
Há produtores com tecnologia, capacidade empreendedora e produtos excelentes? Claro que há.
Mas nada disso elimina a pergunta essencial: que agricultura portuguesa consegue ter futuro sem viver pendurada na comparação permanente com os apoios dos outros?
Porque uma coisa é apoiar a transição. Outra coisa é subsidiar a ausência de transição.
Talvez a melhor forma dos agricultores não ficarem sozinhos seja esta: não os deixar sozinhos perante a verdade.
A verdade de que:
O país pode continuar a bater palmas à festa de Natal. Pode dizer que a qualidade é magnífica, que a resistência é admirável, que os agricultores são heróis, que não podem ficar sozinhos.
Ou pode começar a falar com eles como adultos.
Talvez a única pergunta que interessa: Que apoios ajudam os agricultores a mudar — e que apoios apenas os ajudam a adiar a mudança?
Na passada sexta-feira, escrevi "Sugestões para dar a volta" sobre a Burleigh Pottery em Stoke-on-Trent, uma cerâmica que pertencia a uma outra, a Denby Pottery.
Na sexta-feira passada, o The Times publicou um artigo muito interessante, “Labour and net zero didn’t help, but Denby crafted its own demise”.
A tese do artigo é simples e incómoda. Sim, o aumento dos custos do trabalho não ajuda. Sim, a transição energética penaliza os sectores intensivos em energia. Sim, os fornos são caros de operar. Sim, uma fábrica britânica de cerâmica compete num mundo em que há alternativas muito mais baratas produzidas na Ásia.
Mas isso não chega para explicar tudo.
Segundo o artigo, a Denby já vinha a perder dinheiro há muito tempo. Nos últimos quinze anos, só terá dado lucro em quatro. Os custos de energia agravaram o problema, mas não criaram o problema. Os impostos, a política energética e os custos laborais podem ter apertado o laço, mas o nó já lá estava.
A frase mais importante do artigo talvez seja esta: o problema fundamental da Denby não era vender um produto caro. Era vender um produto que não havia gente suficiente a querer comprar.
Esta distinção é essencial.
É aqui que a comparação entre a Denby e a Burleigh Pottery se torna interessante.
A Burleigh é mais pequena e mais “craft/luxury heritage”. A sua força está na técnica, nos padrões, na fábrica vitoriana de Middleport e numa narrativa muito clara de artesanato inglês. Produz earthenware desde 1851 e está ligada a Middleport desde 1889. É também conhecida por preservar a técnica tradicional de underglaze tissue printing, uma técnica lenta, manual, exigente, difícil de industrializar sem perder alma.
Isto não é apenas um detalhe histórico. É matéria-prima estratégica.
A Burleigh não tem de competir apenas como fabricante de loiça. Pode competir como guardiã de uma técnica, como expressão de uma tradição, como objecto de design, como experiência cultural, como peça de uma casa que quer contar uma história. O património, neste caso, não é só passado. Pode ser plataforma.
A Denby, pelo contrário, parece ter ficado presa numa posição mais difícil. Tinha património, escala, uma marca conhecida e uma longa história industrial. Mas talvez estivesse demasiado cara para competir com alternativas acessíveis e, ao mesmo tempo, talvez não fosse suficientemente rara, desejada ou narrativamente forte para justificar um preço premium em todos os casos.
Ficou no pior sítio possível: acima do barato, mas sem conseguir ocupar plenamente o território do desejável.
A Burleigh, ao ser comprada por Christopher Bailey e outros investidores, parece ter encontrado uma hipótese de se recentrar como marca de património, design e desejo — não apenas como fábrica de loiça. Essa é a oportunidade. Não salvar uma fábrica por nostalgia. Não pedir ao consumidor que compre por piedade. Não transformar a marca num museu com caixa registadora. Mas reconstruir uma proposta de valor suficientemente forte para que alguém, hoje, queira trazer aquela história para dentro de casa.
Porque nenhuma empresa sobrevive apenas por ter sobrevivido por muito tempo.
A longevidade pode ser uma vantagem, mas também uma armadilha. Pode criar confiança, reputação e densidade. Mas também pode criar complacência, repetição e a ilusão de que o passado dá direito ao futuro.
Não dá. O passado só dá matéria-prima. O futuro tem de ser desenhado.
Em termos estratégicos, eu resumiria assim: a Denby era uma grande marca industrial com património; a Burleigh é uma pequena marca artesanal em que o património ainda pode ser transformado numa plataforma de futuro.
E talvez seja essa a grande lição. O problema não é uma empresa ser antiga. O problema é comportar-se como se a antiguidade fosse, por si só, uma proposta de valor. Não é.
A tradição pode ser uma renda. Ou pode ser uma plataforma. Quando é renda, vive-se dela até se gastar. Quando é plataforma, constrói-se a partir dela algo que ainda interessa a alguém.
A diferença entre uma e outra talvez explique por que razão algumas empresas antigas desaparecem como fábricas cansadas, enquanto outras renascem como marcas com futuro.
Ontem, vários jornais ingleses publicaram esta história.
Um agricultor britânico ficou perplexo depois de ser contactado pela RSPCA (a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals) porque o seu cão-pastor, Tilly, foi visto a “preocupar” ovelhas. O inconveniente pormenor é que Tilly não estava a atacar o rebanho: estava a fazer aquilo que os cães-pastores fazem há séculos - reunir ovelhas que tinham escapado de um campo e ajudá-las a voltar para casa.
Alguém viu a cena, não percebeu o contexto, assumiu que era abuso animal e fez queixa. A RSPCA, cumprindo o ritual moderno da suspeita burocratizada, contactou o agricultor e enviou-lhe folhetos sobre o que um cão deve ou não deve fazer.
O episódio fala-nos menos sobre cães e ovelhas, e mais sobre uma cultura de fragilidade nervosa: uma sociedade de "amélias" administrativas, sempre pronta a comover-se, a escandalizar-se e a preencher uma queixa, mas cada vez menos capaz de olhar, perguntar, esperar e perceber.
"For a lens on this other economy, look to the consumer packaged goods industry. These companies sell goods we all need, from detergent to cereal, under strong brands and with sophisticated marketing. But they are growing at less than the rate of GDP. Data trom Adam Josephson of Sakonnet Research shows that average sales volumes at 15 of the largest US staples companies - CocaCola, Procter & Gamble, Hershey have been negative in 13 of the last 18 quarters. Including dividends, the S&P 500 household products and food products sectors have returned 2 and minus 6 per cent respectively over the past five years."
"But it is the rise of alternative brands that hurts the most. E-commerce and social media have lowered the barriers to entry for "disrupter" or "insurgent" brands. Much of the retail industry has consolidated behind huge companies such as Walmart and Costco, while the perception that store brands like Costco's Kirkland label are of low quality has faded.Nicolas Willemot, who leads the consumer products practice at Bain, argues that consumer spending in the US is growing, but store and insurgent brands capture 70 per cent of the growth. The big CPG players need to work harder at giving consumers what they want at the right price. But much of their attention in recent years has been taken up by cost-cutting and consolidation."
A economia cresce, mas não o faz de forma homogénea. O dinheiro, a atenção e a procura deslocam-se para pontos específicos do sistema. Uns ganham muito; outros ficam parados; outros perdem relevância enquanto continuam a parecer grandes.
No caso do artigo, as grandes marcas de bens de consumo foram construídas para um mundo de massas. Mongo é outra coisa.
Mongo é quando o mercado deixa de se comportar como uma média e passa a comportar-se como uma colecção de nichos, tribos, ocasiões, preferências, sensibilidades de preço e pequenas promessas de valor. O consumidor já não compra apenas "a marca". Compra conveniência, preço, identidade, saúde, autenticidade, origem, funcionalidade, estatuto, simplicidade, ou apenas "é suficientemente bom e custa menos".
É por isso que o artigo é interessante. O problema das grandes CPG não é apenas conjuntural. As marcas grandes ficam entaladas no meio. Demasiado caras para competir com a marca própria. Demasiado genéricas para competir com as marcas insurgentes. Demasiado grandes para ouvir sinais pequenos. Demasiado optimizadas para a eficiência para voltarem a aprender depressa.
Nos últimos dias tenho escrito sobre o rentismo, e este artigo também se ajusta bem a essa narrativa. As grandes CPG americanas parecem ter vivido durante anos da renda da marca. Acreditaram que o consumidor continuaria a pagar um prémio porque reconhecia o nome, confiava na embalagem, via o produto no supermercado e repetia o hábito. Mas Mongo, marcas próprias, redes sociais, e-commerce e novos comportamentos de consumo têm corroído essa renda.
Seth Godin em "None of it is important (and all of it is)" escreve:
"It’s all important. And none of it is."
Tudo é importante porque há sempre alguém para quem aquilo conta. Nada é importante em absoluto porque o mundo é maior do que a nossa experiência imediata.
Talvez viver bem seja isto: levar suficientemente a sério o que temos diante de nós, sem nos convencermos de que isso é o centro do universo.
Todos os dias, na minha oração principal, recordo alguém que supostamente terá posto termo à sua vida na adolescência. E, às vezes, sou desviado. E penso que o mundo é maior do que a nossa irritação, o nosso medo, a nossa urgência, a nossa pequena vitória ou a nossa pequena tragédia. Aquilo que hoje nos consome pode, daqui a dias, parecer menor. Aquilo que nos parece central pode ser apenas central porque está demasiado perto dos nossos olhos. A proximidade aumenta o tamanho aparente das coisas. Nem sempre aumenta a sua verdadeira importância.
Como evitar ser dominado pelo que nos acontece? Como evitar que se torne um absoluto?
Não podemos negar a importância do que nos acontece, mas temos de aprender a recusar que isso se torne absoluto. Cuidar do instante sem ficar prisioneiro dele...
"The former boss of Burberry has teamed up with a group of investors to rescue one of Britain's oldest pottery companies.Burleigh Pottery in Stoke-on-Trent, which was founded in 1851, has been acquired by Christopher Bailey and a small group of investors for an undisclosed sum. The deal included its grade II* listed Middleport Pottery site, which it has operated since 1889, and the transfer of all 62 employees."
Como dar a volta neste tempo de energia cara em Inglaterra?
Julgo que uma proposta estratégica tem necessariamente de passar por:
E isto devia interessar-nos em Portugal.
Entre nós, quando se fala de agricultura, cai-se, demasiadas vezes, no triângulo triste: seca, subsídios e preços baixos. Como se o agricultor estivesse condenado a aparecer em público apenas quando protesta, quando pede apoio, ou quando explica que não consegue competir com Espanha, Marrocos ou o supermercado.
Mas estes exemplos mostram outra coisa. Mostram que a quinta pode ser uma marca. Que o campo pode ser uma experiência. Que a produção agrícola pode ser explicada, encenada, visitada, provada, fotografada, comprada e partilhada. Mostram que há pessoas dispostas a percorrer quilómetros não apenas para comprar leite, carne, farinha, pão, queijo ou legumes, mas também para tocar numa história que lhes parece autêntica.
Portugal tem vinho, azeite, queijo, cortiça, arroz, sal, frutas, conservas, enchidos, floricultura, montado, serra, mar e ilhas. Tem território, produto e memória. O que muitas vezes não tem é ambição para transformar tudo isso em uma proposta de valor.
Claro que isto não substitui produtividade. Não substitui tecnologia, gestão, escala, logística, água, energia, solos, genética, formação ou canais de distribuição. A romantização do campo, sozinha, é apenas folclore com uma loja de recordações.
Mas o inverso também é verdade: produtividade sem narrativa fica invisível. Recordar o quadrante 2. Produz-se melhor, mas vende-se como mercadoria. Investe-se na exploração, mas não se constrói uma marca. Trabalha-se muito, mas continua-se prisioneiro do preço.
A lição da Ballerina Farm e de Clarkson não é que todos os agricultores portugueses devam virar influenciadores ou organizar festivais. A lição é mais funda: sectores tradicionais também precisam de aprender a criar desejo, confiança e diferenciação.
Talvez não seja preciso esperar por mais um plano estratégico, mais uma linha de apoio, mais uma queixa ao ministro. Talvez algumas explorações pudessem começar por uma pergunta mais simples: se alguém visitasse a nossa quinta, a nossa adega, o nosso lagar, a nossa queijaria ou a nossa conserveira, que história levaria consigo?
Porque, no futuro, uma parte da competitividade agrícola não estará apenas no que se produz. Estará no modo como se transforma a produção em significado.
Nos dois postais anteriores escrevi sobre a mentalidade rentista. Primeiro, aplicada aos países, sociedades e organizações. A ideia era simples: há um momento em que se deixa de construir futuro e se passa a administrar passado. A renda substitui a conquista. A preservação substitui a criação. A prudência passa a ser o nome bonito dado ao medo.
Depois, apliquei a mesma lógica às marcas. Uma marca também pode tornar-se rentista quando deixa de alimentar a diferença que a tornou valiosa e passa a explorá-la apenas. A marca ainda tem nome, logótipo, distribuição, clientes habituados, reputação acumulada. Ainda abre portas. Ainda gera margem. Ainda parece viva, mas começa a ficar oca por dentro.
Neste terceiro postal quero escrever sobre as consequências.
A primeira consequência é a perda de músculo. Quem vive da renda deixa de treinar. Deixa de aprender a vender, a conquistar, a experimentar, a ouvir, a falhar, a corrigir, a voltar a tentar. A organização ainda se mexe, ainda factura, ainda reúne, ainda faz apresentações, ainda produz relatórios. Mas vai perdendo músculo competitivo.
É como alguém que herdou uma casa grande e vive de arrendar quartos. Durante algum tempo, parece prudente. Entra dinheiro, as contas pagam-se, mas se nada for reparado, melhorado, renovado, aprendido ou reconstruído, a casa começa a degradar-se. Primeiro, uma infiltração; depois, uma janela; depois, o telhado; depois, o cheiro a fechado; depois, os bons inquilinos deixam de aparecer.
Com as marcas acontece o mesmo. Quando escrevi "A "decapitação", uma tese sobre o como", vieram-me à memória algumas experiências com empresas que resolveram tentar dar a volta, depois de anos de rentismo. Havia um traço comum a todas elas: salas vazias, espaços encerrados por falta de utilizadores, corredores sem vida, equipamentos parados e aquele cheiro a mofo que parece apenas físico, mas talvez seja sobretudo estratégico.
É o cheiro de quem passou anos a tirar renda da casa sem cuidar dela. O cheiro de uma organização que ainda tinha paredes, nome e memória, mas já tinha perdido a circulação, o uso e o futuro.
Muitas vezes, julgo perceber uma origem de sucesso baseada numa personalidade forte, empreendedora e com visão, mas que moldou a geração seguinte como bons executantes, sem pensamento estratégico próprio.
A segunda consequência é a erosão invisível. A marca rentista não se afunda de um dia para o outro. O problema é precisamente esse. Continua a haver vendas; continua a haver clientes; continua a haver margem; continua a haver uma certa respeitabilidade. Por isso, a decadência é fácil de negar.
Corta-se um detalhe. Nada acontece. Troca-se uma matéria-prima. Nada acontece. Aperta-se um fornecedor. Nada acontece. Banaliza-se a experiência. Nada acontece. Ou melhor, acontece. Só que acontece devagar. A confiança vai-se gastando. A preferência vai-se tornando hábito. O hábito vai-se tornando inércia. A inércia vai-se tornando vulnerabilidade.
Continua.
Em Bordéus, alguns produtores de vinho parecem ter percebido que o mundo mudou. As vendas de tintos fortes estão em queda, o consumo global de vinho desceu para níveis muito baixos e a procura deslocou-se para vinhos brancos mais leves, frescos e fáceis de beber.
Como arrancar vinhas antigas e plantar novas é caro e demora anos, alguns produtores encontraram uma solução mais rápida: fazer enxertos. Em vez de substituírem a vinha inteira, enxertam castas brancas, como chardonnay, em videiras que antes produziam uvas tintas, como merlot. A esperança é simples: em poucos anos, a mesma estrutura de vinha poderá produzir o vinho que o mercado agora procura.
Confesso que não percebo esta movimentação dos produtores franceses.
Para quê esta pressa em adaptar a produção ao consumidor? Para quê esta obsessão com a realidade? Para quê enxertar, experimentar, correr riscos, aprender e mudar?
Podiam fazer como em Portugal.
Primeiro, queixavam-se ao ministro da Agricultura. Depois explicavam que o problema não está no vinho, nem no mercado, nem nos hábitos dos consumidores. O problema estaria, naturalmente, na falta de apoios, na concorrência desleal, na distribuição, em Bruxelas, no clima, nos jovens que já não bebem como antigamente, e talvez até na falta de patriotismo de quem não compra o que sempre se produziu.
Por fim, à custa dos contribuintes, pedir-se-ia um programa de apoio para que ninguém precisasse de mudar. Apoios à vinha, apoios ao stock, apoios à destilação, apoios à promoção, apoios à manutenção do rendimento, apoios à transição que não transita.
É sempre mais cómodo pedir ajuda ao Estado para não ter de mudar.
O Telegraph de ontem publicou "Kyiv embarrasses Nato as workshops roll out daily list of weapons" de onde cito:
"IN TINY workshops scattered across Ukraine, a war machine is being built at a pace that has left Nato's most powerful members standing still."
Só em Maio, o Ministério da Defesa ucraniano terá certificado 175 novos sistemas de armas, quase todos concebidos e produzidos na Ucrânia. O contraste é forte: enquanto países como a Alemanha ou os EUA aprovam poucos sistemas por ano, a Ucrânia está a certificar vários por dia.
A guerra obrigou Kiev a eliminar a burocracia, aceitar a experimentação rápida e aproximar o desenvolvimento tecnológico do campo de batalha. Drones, robots terrestres, guerra electrónica e mísseis de longo alcance são desenvolvidos com ciclos curtos de aprendizagem: se funciona, avança; se não funciona, é abandonado ou corrigido.
O ponto central é este: a Ucrânia criou um ecossistema de inovação militar descentralizado, competitivo e orientado para resultados imediatos, enquanto grande parte da Nato continua presa a processos lentos, centralizados e burocráticos.
A Nato tem mais dinheiro, mais indústria e mais capacidade técnica. Mas a Ucrânia ganhou uma vantagem diferente: ciclos curtos de aprendizagem. Aprende depressa porque experimenta depressa. Isto vale para a defesa, mas também para empresas: quando o contexto muda rapidamente, a vantagem pode estar menos no plano perfeito e mais na capacidade de testar, corrigir e avançar.
O artigo mostra que as unidades no terreno não são apenas “clientes” do sistema. São também fontes de informação, teste e adaptação. Isto é uma lição poderosa para qualquer organização: quem está perto do problema deve estar perto da solução. Separar demasiado quem decide, quem desenvolve e quem executa cria lentidão e desperdício.
Os sistemas ocidentais de procurement foram desenhados para controlar risco, garantir conformidade e evitar desperdício. Tudo isso é importante. Mas, em contextos de ameaça rápida, esse mesmo sistema pode tornar-se parte do problema. A Ucrânia mostra uma lógica diferente: aceitar algum risco controlado para ganhar velocidade, aprendizagem e capacidade operacional. A questão estratégica para a Europa é se vai esperar pela pressão extrema da guerra para mudar, ou se consegue reformar os seus sistemas antes de precisar desesperadamente deles.
É aqui que John Boyd ajuda a perceber melhor o que está em causa. O famoso OODA loop, observar, orientar, decidir, agir, não é apenas uma curiosidade de teoria militar. É uma forma de pensar a competição em ambientes instáveis. Quem fecha o ciclo mais depressa obriga o adversário a reagir a uma realidade que já mudou. A Ucrânia observa o campo de batalha quase em tempo real, orienta-se com informação vinda das unidades no terreno, decide com pouca distância entre quem sente o problema e quem pode agir, e actua antes da solução perfeita existir. Depois, volta ao princípio. Observa de novo. Corrige. Adapta. Escala. Ou abandona.
A Europa Ocidental, pelo contrário, parece, muitas vezes, presa a um anti-OODA loop. Observa através de relatórios, orienta-se através de comités, decide através de procedimentos longos e actua através de contratos concebidos para sistemas caros, pesados e demorados. Quando finalmente chega ao terreno, o problema já mudou. A Ucrânia embaraça a Nato não apenas porque fabrica drones baratos ou porque improvisa melhor. Embaraça-a porque mostra que, na guerra que está a nascer, a vantagem não pertence necessariamente a quem tem mais orçamento, mais aço ou mais PowerPoints. Pertence a quem aprende mais depressa.
"Elon Musk's space company SpaceX will receive 920 million dollars from Google every month in the coming years. This is for rented computing power,...Incidentally, in a similar deal, the AI specialist Anthropic also obtains computing power from SpaceX through a multi-year contract (for $1.25 billion per month)."
Será que as empresas que estão a investir nesta corrida vão ter um retorno positivo?
Porque uma coisa é a promessa; outra é a conta de exploração. Os números são brutais. Centros de dados, energia, chips, arrefecimento, redes, talento, manutenção. A IA parece digital, mas assenta numa infraestrutura física gigantesca.
Quantos dólares de valor económico real consegue cada dólar de computação produzir?
"Há vários anos que escrevo aqui no blogue que a entrada na CEE decapitou a nata da indústria portuguesa. Nunca fui ao pormenor do como."
Vamos expor a nossa tese.
Quando escrevo que a adesão à CEE decapitou a nata da indústria portuguesa, não quero dizer que tenha havido um momento único, uma guilhotina visível, uma data inscrita na parede da fábrica. Foi mais subtil. Mais lento. E, por isso mesmo, talvez mais perigoso.
Antes da abertura das fronteiras, muitas empresas portuguesas que trabalhavam para o segmento alto do mercado nacional viviam num mundo relativamente protegido. Tinham marca própria, tinham notoriedade, tinham clientes, tinham margens interessantes e tinham capacidade produtiva ocupada pela sua própria marca.
A Figura 1 tenta representar esse mundo.
A força da marca própria gerava vendas. As vendas justificavam capacidade produtiva. A capacidade ocupada pela marca própria alimentava a aposta na marca. E a aposta na marca reforçava a sua notoriedade. Era um ciclo. Talvez não fosse um ciclo brilhante, talvez não fosse muito exigente, talvez já tivesse demasiada gordura acumulada por anos de protecção. Mas funcionava.
O problema é que funcionava dentro de um determinado mundo.
Quando esse mundo acabou, o ciclo começou a mudar de sinal.
Com a abertura das fronteiras ditada pela adesão à CEE, as empresas portuguesas do topo do mercado nacional passaram a competir, não com o vizinho do lado, mas com empresas europeias que vinham de mercados mais exigentes, com mais escala, melhor design, melhor distribuição, melhor capacidade comercial, melhor gestão de marca. Ao mesmo tempo, em muitos casos, os clientes das lojas nacionais, os lojistas que vendiam a marca própria, começaram a impor prazos de pagamento mais longos. A marca própria, que antes parecia sólida, começou a perder força. Lembremos-nos do arranque dos centros comerciais e de como vieram disrupcionar a loja tradicional.
E aqui começa a Figura 2.
A perda de força da marca própria reduz as vendas. A redução das vendas aumenta a pressão para encontrar receita alternativa. E é nessa altura que aparece a salvação: o private label.
De repente, há um cliente estrangeiro, uma marca conhecida, encomendas regulares, menos esforço comercial, menos investimento em marketing, menos incerteza. A empresa deixa de ter de conquistar o consumidor final. Basta produzir bem, entregar a tempo, cumprir especificações e manter o cliente satisfeito.
E, no curto prazo, é uma óptima solução.
O private label ocupa capacidade. Gera facturação. Melhora a tesouraria. Reduz a ansiedade. A gestão respira. Os trabalhadores têm trabalho. As máquinas não param. O banco não aperta tanto. O cliente paga em prazos melhores. As margens são aceitáveis. Tudo parece racional. Não esquecer a boleia extraordinária que os empresários portugueses recebiam com a desvalorização deslizante do escudo.
O problema é que muitas tragédias empresariais começam com decisões perfeitamente racionais.
Porque cada encomenda de private label que entra ocupa capacidade que deixa de estar disponível para a marca própria. Cada reunião dedicada ao cliente grande é uma reunião que não é dedicada ao consumidor final. Cada colecção feita para outro é uma colecção que não desenvolve a nossa identidade. Cada euro que entra confortavelmente reduz a urgência de fazer o trabalho difícil: subir na escala de valor, diferenciar, criar relação com o consumidor, acarinhar a marca. Meu Deus... quantas vezes vi isto, como anónimo consultor de implementação de sistemas de garantia da qualidade (na altura era garantia).
A ponte transforma-se em casa.
E a empresa que era uma empresa com marca começa, devagarinho, a transformar-se numa capacidade produtiva ao serviço da marca dos outros.
Durante algum tempo, isto até parece sucesso. Aliás, é precisamente esse o veneno. O private label corre bem. Como corre bem, recebe mais recursos. Como recebe mais recursos, cresce. Como cresce, torna-se indispensável. Como se torna indispensável, a marca própria passa a parecer uma distracção cara, lenta e incerta.
A empresa não abandona a marca própria num acto dramático. Vai-a abandonando por falta de comparência.
E depois chega a Figura 3.
Um dia, o cliente de private label olha para o mapa e descobre a Turquia. Na altura, em 1995, ou 1996. Ou qualquer outro sítio onde encontra melhor preço, maior escala. O cliente toma uma decisão racional do seu ponto de vista. Deslocaliza.
E a empresa portuguesa fica com a pior das combinações: perdeu o cliente grande e já não tem a marca própria forte.
Fica com capacidade instalada, custos fixos, pessoas, máquinas, rendas, compromissos, mas sem a procura que justificava tudo isso. Entra então no ciclo de correr atrás do prejuízo. A capacidade não ocupada aumenta a pressão financeira. A pressão financeira aumenta a pressa em arranjar novos clientes de private label. A pressa reduz o poder negocial. A empresa aceita condições piores, margens menores, exigências maiores. E, ao aceitar essas condições, aprofunda a dependência do mesmo modelo que a fragilizou.
É a armadilha perfeita: precisa de sair do buraco, mas a forma mais rápida de sair parece ser cavar mais fundo.
Ao mesmo tempo, recuperar a marca própria torna-se cada vez mais difícil. Para reconstruir uma marca é preciso tempo, dinheiro, atenção, canal, produto, narrativa, paciência. Ora, quando a empresa está financeiramente apertada, falta-lhe precisamente isso. Falta folga. Falta serenidade. Falta capacidade para investir no que não dá retorno amanhã de manhã.
Por isso, a decapitação não foi apenas a perda de vendas causada pela concorrência externa. Foi também a perda progressiva de autonomia estratégica. As empresas deixaram de ter mercado próprio, deixaram de falar com o consumidor, deixaram de construir marca, deixaram de comandar o seu destino comercial.
Ficaram boas a produzir. Mas deixaram de ser donas da procura.
E quando uma empresa deixa de ser dona da procura, passa a viver da procura dos outros. Pode correr bem durante dez ou quinze anos. Pode até parecer uma estratégia. Mas não é uma estratégia. É uma dependência com boa aparência.
Talvez seja essa a lição mais dura daqueles mandamentos que escrevi há tantos anos.
Subir na escala de valor não é uma frase bonita. Diferenciar não é uma palavra de consultor. Promover a relação com o consumidor não é uma moda. Acarinhar uma marca não é vaidade.
É sobrevivência.
🇫🇮🇸🇴🇮🇶 A Finnish study found a single Somali-born immigrant costs the state €974,000 over their lifetime.
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) May 7, 2026
That’s roughly equal to the lifetime net contributions of 280 working-age native Finns.
For a Middle Eastern asylum seeker, the figure drops to €730,000.
The amounts… pic.twitter.com/N3U9lLUi4v
Interessante, Portugal consegue captar os únicos imigrantes que são contribuintes líquidos para a Segurança Social. Qual o truque?
"It is widely believed that restructuring has boosted productivity by displacing low-skilled workers and creating jobs for the high skilled."Mas, e como isto é profundo:"In essence, creative destruction means that low productivity plants are displaced by high productivity plants." Por favor voltar a trás e reler esta última afirmação.
.
"Lovaglia’s Law: The more important the outcome of a decision, the more people will resist using evidence to make it."
"If an organisation is too stable it can ossify, but if it is too unstable it can disintegrate. Successful organisations work between these two conditions or states, in what Stacey called ‘the chaos zone’."
"If the customer doesn't care about the price, then the retailer shouldn't care about the cost,"
“It's not enough that we do our best; sometimes we have to do what's required”.
"Das Leben, das uns gegeben ist, ist uns nicht als etwas Fertiges gegeben, sondern wir müssen es uns gestalten, und zwar jeder sein eigenes."
"Eine Regierung, die nichts wert ist, kostet am meisten."
"Forget trying to persuade them; light their pants on fire."
"O futuro é o que importa. O futuro é a base do significado, é de onde vem o projecto que alguém tem para si próprio"
"The single biggest problem in communication is the illusion that it has taken place."
“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent; it is the one that is most adaptable to change.”
"o Marketing só existe a partir do pensamento estratégico, caso contrário "não resulta""
"It is difficult to get a man to understand something, when his salary depends upon his not understanding it"
"Perder diversidade é como arrancar páginas de um livro. Quantas páginas poderemos arrancar até deixar de compreender o enredo?"
The great enemy of the truth is very often not the lie – deliberate, contrived and dishonest – but the myth, persistent, persuasive, and unrealistic. Belief in myths allows the comfort of opinion without the discomfort of thought."
"By strategy, I mean a cohesive response to a challenge. A real strategy is neither a document nor a forecast but rather an overall approach based on a diagnosis of a challenge. The most important element of a strategy is a coherent viewpoint about the forces at work, not a plan."
"Un desastre està punt de succeir a Espanya. El malentès de la gravetat de la crisi costarà car als inversors, ja que tindrà profundes conseqüències per a tot el sistema bancari europeu", afirma.
Entre d'altres coses, Mauldin diu que "els inversors estan fumant crack si creuen que els bancs espanyols són entre els més forts d'Europa, ja que estan amagant les seves pèrdues".
“… there are no “sunset” industries condemned to disappear in high wage economies, although there are certainly sunset and condemned strategies, among them building a business on the advantages to be gained by cheap labor”
"o vencedor da vida, o optimista que vive em incesto com o próprio ego, é o traço mais frágil do líder"
"We shall not grow wiser before we learn that much
that we have done was very foolish."
You may not be able to change the world but can at least get some entertainment & make a living out of the epistemic arrogance of the human race.
"I wanted you to see what real courage is, instead of getting the idea that courage is a man with a gun in his hand. It's when you know you're licked before you begin but you begin anyway and you see it through no matter what. You rarely win, but sometimes you do."
“Trust your guts. But not too much!”
"Customers will try 'low-cost providers,' because the majors have not given them any clear reason not to." "
"Natal é quando as Crianças pedem e os Pais pagam. Défices é quando os Pais pedem e as Crianças pagam."
"A imprevidência dos povos é infinita, a dos governos é legal"
"What a man sees depends both upon what he looks at and also upon what his previous visual-conceptual experience has taught him to see"
“The leaders first task is to be the trumpet that sounds a clear sound”
"lamented the lack of any systematic data on the scale of unfunded IOUs that care-free politicians have handed out like confetti."
"Let them call me rebel and welcome, I feel no concern from it; but I should suffer the misery of devils, were I to make a whore of my soul..."
O problema não é o consumo. O problema é o consumo assente em endividamento."
"There are designations, like "economist", "prostitute", or "consultant" for which additional characterization doesn't add information."
When it becomes more difficult to suffer than change, you will change"
"Hope is not a strategy and a crisis is a terrible thing to waste"
The more you can see of the present, the more you can see of the future"
Yes, You can change the future, but only changing the present"
"Entrepreneurship is 'Having aspirations greater than your resources'"
“The single biggest reason companies fail is they overinvest in what is, as opposed to what might be."
"The first principle is that you must not fool yourself - and you are the easiest person to fool. So you have to be very careful about that"
"A estabilidade é uma ilusão"
"When we create the conditions of possibility, the universe becomes our co-conspirator"
Thinking about doing is not doing. Talking about doing is not doing. Doing is doing."
"'God has created me to do him some definite service. He has committed some work to me which he has not committed to another'.
...
"Each of us has a mission, each of us is called to change the world, to work for a culture of life, a culture forged by love and respect for the dignity of each human person.
"As our Lord tells us in the Gospel we have just heard, our light must shine in the sight of all, so that, seeing our good works, they may give praise to our heavenly Father."
"The future is not there waiting for us. We create it by the power of imagination."
"confusing testosterone with strategy is a bad idea"
"Much consulting involves the application of models to a system, as opposed to getting involved in the system as a positive change agent""
"O Portugal que pára sem orçamento é precisamente aquele que vive dele e que há todo o interesse em parar."
"credibilidade da política financeira e dos seus executores está ao nível da credibilidade de uma barraca das farturas"
"The role of the manager is thought to be reduction of uncertainty rather than the capacity to live creatively in it"
"today an entrepreneur is closer to artists than managers"
"A business without a path to profit isn’t a business, it’s a hobby"
"If no one’s upset by what you’re saying, you’re probably not pushing hard enough. (And you’re probably boring, too.)"
"Storytelling isn’t just how we construct our identities, stories are our identities"
"'He who has a why to live can bear almost any how' "
"They can because they think they can"
"Se há coisa que não suporto é misturar catequese com negócios, é a incapacidade para calçar os sapatos do outro e só pensar na nossa posição de coitadinhos, pobres vítimas indefesas dos maus e que por isso precisamos do Estado todo poderoso para nos proteger e, nem percebem na volta, os juros que o Estado cobra por esse serviço mafioso de protecção que, ainda por cima não resolve nada."
"Empathy is like a universal solvent. Any problem immersed in empathy becomes soluble."
"In victory, do not brag; in defeat, do not weep"
"Value it's a feeling not a calculation"
"An economist is someone who has had a human being described to him, but has never actually seen one."
"Don't finish first--it's not about running a rat race. Start with a better ending in mind."
"If you sit in on a poker game and don’t see a sucker, get up. You’re the sucker.”
"The 'value added' for most any company, tiny or enormous, comes from the Quality of Experience provided."
"Crediting government with the success of entrepreneurs is like crediting the guy who built Bill Gates’ garage with the success of Microsoft."
"I have found that assuming social scientists understand the difference between correlation and causality is not generally a good one."
"Promising never to raise taxes, without reaching a deal on spending, really means a high and rising commitment to future taxes."
"Some things are so foolish that only an intellectual could believe them, for no ordinary man could be such a fool"
"os bancos não financiam a economia, a poupança sim"
"I do not know the key to success, but the key to failure is trying to please everybody"
"Never be afraid to try, remember... Amateurs built the ark. Professionals built the Titanic."
"terms such as 'experiment' and 'observation' cover complex processes containing many strands. 'Facts' come from negotiations between different parties and the final product - the published report - is influenced by physical events, dataprocessors, compromises, exhaustion, lack of money, national pride and so on."
"'science in the making' is 'the consequence of [a] settlement' of 'controversies'."
"If the state wishes to spend more, it can do so only by borrowing your savings or taxing you more. And it's no good thinking someone else will pay, that someone else is you."
"All failures of strategy are rooted in the assumption that outcomes are predictable."
"Doing things like your bigger competitors is how to get killed in the wars out there"
“Uma moeda boa e forte é como a saúde. Só lhe damos verdadeiramente valor quando não a temos.”
"Life’s tough. It’s tougher if you’re stupid"
"O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros"
"Change is a threat when done to me, but an opportunity when done by me."
"As elites foram deixando de falar das exportações à medida que se foi percebendo que o país consegue exportar sem elas"
"Your toughest competition is the little voice inside your head telling you to stop"
"Pain is just weakness leaving your body"
"Built to last" is bad economics. Built to do something great" is the better idea. Think: "Creative destruction."
"the world is an uncertain place no matter how many Greek letter equations you affix to a problem."
"You never change things by fighting existing reality. To change s.th., build a new model making the existing model obsolete"
“No, no, you're not thinking; you're just being logical.”
"Success is not a destination. It's the trail you leave behind you."
"Winners make a habit of manufacturing their own positive expectations in advance of the event."
“You’ve got to start with the customer experience and work back toward the technology – not the other way around”
"Strategy as the "smallest set of - intended or actual - choices and decisions sufficient to guide all other choices and decisions sufficient to guide all other choices and decisions."
"When something is commoditized, an adjacent market becomes valuable"
"nature evolves away from constraints, not toward goals"
"There aren't any textbooks on what to stop doing!"
"With great power comes great irresponsibility "
"Weird things happen when you take price out of the equation for consumers"
"‘It’s so damn complex. If you ever think you have the solution to this, you’re wrong and you’re dangerous.’"
"Saruman believes it is only great power that can hold evil in check, but that is not what I have found. I found it is the small everyday deeds of ordinary folk that keep the darkness at bay. Small acts of kindness and love."
"Increasing stuff that doesn't add value dilutes existing value."
"O federalismo não é a alternativa à troika, é a troika para sempre."
"Never underestimate the difficulty of changing false beliefs by facts"
"Stressors are information"
“If you hear a “prominent” economist using the word ‘equilibrium,’ or ‘normal distribution,’ do not argue with him; just ignore him, or try to put a rat down his shirt.”
"The advantage of experiences over things for most of us is that we can make them seem unique, which = scarce, which = value"
"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo"
"Without risk, faith is an impossibility."
"Não posso com quem vive a achar que os outros lhe devem sempre alguma coisa."
"In a world of increasing automation, our ability to perform tasks is not nearly as important as our ability to dream. The questions we need to ask are not ones of action, but ones of meaning"
"Me arrancam tudo a força e depois me chamam de contribuinte."
"Letting people vote for expensive programs that “somebody else” will finance is a good recipe for getting people to vote irresponsibly"
"what's fairness gotta do with pricing based in value?"
"The epic battle of our generation is between the status quo of mass and the never-ceasing tide of weird."
“Price is emotional”
"There will always be a reason why you can't pursue it, until competitors create a reason why you must."
"The most important thing to study is opening theory"
"The greater the contrast, the greater the potential"
“Customers don't care about your solution, they care about their problems.”
"Todos querem conhecer a verdade, mas o que desejam é que lhes contem uma mentira em que não sejam protagonistas."
"Execution efficiency strangles innovation in the crib, but not with malice, by default.”
"Our obsession with scalability is getting in the way of unleashing the potential of the 21st century."
"The system is optimized to mitigate risk, not create value"
"Champions are made when no one is looking"
"Don't bargain on value. Half as expensive is often twice as cheap."
"Customers care about outcomes, not effort, technology, or originality."
"
"You don't have to pick between 1) playing the game and 2) not playing the game. You can *change* the game."
""The first principle is that you must not fool yourself and you are the easiest person to fool." "