segunda-feira, junho 15, 2026

Curiosidade do dia



Lembro-me de alguém dizer que preferia ouvir música nos seus discos de vinil por causa das imperfeições; eram os seus discos, eram as suas "versões".

Hoje no FT em "Retro cameras are back in the picture as Gen Z craves a less processed image" leio:
"Digital cameras are staging an unlikely sales revival for the first time since the advent of the iPhone as Generation Z consumers shun the ultra-processed perfection of smartphone photos.
...
Yujiro Igarashi, who is responsible for the popular X-Series at Fujifilm, said its customers - 70 per cent of whom are in their thirties or younger - wanted to slow down in an era of technological overload and commoditisation of photography. Smartphone images sometimes looked "artificial", he said. "There's a tendency to try to counteract that — and this is part of it.""

Durante anos, a indústria correu atrás de mais resolução, mais nitidez, mais automatização, mais ... Mas o cliente pode cansar-se da perfeição sem alma. Estrategicamente, isto é importante: há mercados onde o valor já não está em remover toda a fricção, mas em devolver alguma fricção com significado. 

Talvez por isso, ainda guardo esta foto tirada há mais de 45 anos com a minha low-cost Kodak ... talvez Ektra? Talvez Instamatic?

Uau! Até a máscara da I Guerra Mundial, comprada na Feira de Vandoma, lá está na prateleira superior.

As câmaras já não competem com o smartphone apenas para "tirar fotografias". Perderiam sempre. Competem por outra coisa: criar memória, identidade, ritual, diferenciação social e uma sensação de autenticidade. A estratégia não é vencer o smartphone no seu próprio terreno; é mudar o terreno de jogo.

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