Em Juneau, no Alaska, sete casas antigas bloqueiam a construção de até 155 novas habitações. Na Suíça, quase metade dos eleitores aceitou a ideia de travar a população nos 10 milhões. São histórias diferentes, mas apontam para a mesma ferida.
Queremos ruas como eram, casas como eram, alturas como eram, impostos como eram. Depois queremos receber mais gente, atrair trabalhadores, manter serviços, encher escolas, cuidar dos idosos e pagar pensões.
A conta não fecha.
Uma cidade pode conservar muito e crescer pouco. Ou pode crescer muito e construir ainda mais. O que não pode fazer é tratar cada telhado antigo como património intocável, limitar os prédios a poucos pisos, manter idosos presos em casas grandes porque vender implica pagar mais-valias e, depois, fingir surpresa quando os jovens e os trabalhadores essenciais não encontram casa.
A verdadeira escolha não é entre passado e futuro. É entre um passado vivo, que aceita acrescentos, e um passado embalsamado, que expulsa discretamente quem ainda precisa começar a vida.
O Alaska mostra a casa concreta. A Suíça ilustra o dilema político.
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