O Sunday Telegraph do passado dia 14 publicou o artigo "Swedish blueprint can save Britain from being sunk by debt".
O artigo recorda que a Suécia, no início dos anos 90, esteve numa situação económica muito grave — crise cambial, crise bancária, recessão profunda, desemprego elevado e dívida pública em forte subida.
Fiquei particularmente impressionado com o trecho que se segue:
"As the crisis unfolded in the 1990s, Sweden's finance minister Göran Person flew to New York to convince investors to keep buying Swedish debt.
"He had to debate with 25-year-old traders. That was his 'Liz Truss' moment," says Ingves. "He said this should never, ever happen again. If you are in debt, you are not free.
"The bottom line was that we either had to fix it or go to the International Monetary Fund (IMF)."
The shock forced economists and policymakers across all parties to rethink their approach to economic management, says Lars Jonung, who at the time was chief economic adviser to Carl Bildt, the then prime minister."
A resposta não foi apenas cortar um pouco aqui e ali. Foi redesenhar a forma como o Estado fazia orçamento, gastava, tributava e pensava o crescimento.
A Suécia passou de uma lógica orçamental “de baixo para cima”, em que as despesas se iam somando até formar o orçamento, para uma lógica “de cima para baixo”, em que primeiro se definia o limite global da despesa e só depois se distribuía esse envelope. Criou regras fiscais exigentes, reduziu subsídios, reformou o sistema de pensões, privatizou empresas públicas, baixou impostos marginais e eliminou impostos sobre heranças, património e propriedade.
""When I meet with British or American economists, they think Sweden is a welfare state. Yes, we are a welfare state, but we combine that by being a paradise for capitalists. That is the most important thing""
O que me choca neste artigo é a incapacidade dos políticos portugueses de chegarem a este consenso, e continuarem focados na redistribuição acima de tudo, incapazes de perceberem a importância de criar condições para libertar as forças da economia para criarem riqueza.
O problema começa quando a redistribuição deixa de ser consequência de uma economia que cria riqueza e passa a ser o centro da própria política económica. Quando tudo se discute a partir da pergunta "quem recebe?" e quase nada a partir da pergunta "quem cria?", o país começa a comer a sementeira.
A lição sueca parece-me brutalmente simples: não há Estado social forte sem economia forte. Não há bons salários por decreto se a produtividade não acompanhar. Não há serviços públicos robustos se a base fiscal for estreita, se o investimento fugir, se o capital for tratado como suspeito e se a ambição empresarial for vista como um incómodo moral. A Suécia percebeu, à beira do abismo, que a liberdade política exige disciplina financeira e que a justiça social precisa de um capitalismo vivo. Portugal continua, demasiadas vezes, a fingir que pode colher os frutos sem cuidar da árvore.
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