Ontem vi este tweet (do João Miranda) e não pude deixar de o considerar interessante:
— JoãoMiranda (@joaomiranda) February 2, 2026
Ontem vi este tweet (do João Miranda) e não pude deixar de o considerar interessante:
— JoãoMiranda (@joaomiranda) February 2, 2026
Há textos que dizem tanto sobre o tema que abordam como sobre a forma como as redacções pensam economia em Portugal.
Na passada sexta-feira, o Expresso publicou uma peça com o título: "Preços dos sapatos em Portugal estão a cair há 17 anos."
O artigo apresenta dados correctos. A interpretação é que é problemática.
O que diz o artigo?
"São 17 anos com os preços do calçado para os consumidores lusos a recuar. Em termos acumulados, entre 2025 e 2008 — último ano em que a variação do IPC relativo ao calçado foi positiva — a queda é de 34%. No mesmo período, o índice geral de preços no consumidor em Portugal acumula uma subida de 33%. "Isto significa que, em termos reais [tendo em conta o impacto da inflação], o preço do calçado caiu para metade",
...
As importações portuguesas de calçado dispararam, aumentando mais de 80% face a 2008. E muitas vêm da Ásia, de países como a China, a Índia, a Indonésia e o Vietname. Mesmo quando vêm de países da União Europeia, trata-se maioritariamente de calçado produzido na Asia, que vai para esses Estados-membros e é revendido.
...
"Portugal produz e vende para o mundo, não tanto para o consumidor português. E exporta no topo dos preços mundiais", destaca a APICCAPS. Em média, um par de sapatos portugueses sai da fábrica a 27,57 dólares (€23,29 ao câmbio atual), "
Onde está a novidade? O problema não está nos dados. Está na ausência total de surpresa e, sobretudo, de reflexão.
Nas conservas (2020):
"Porque não olham para os números? Os portugueses importam produtos baratos e exportam os produtos mais caros. Olhando para os dados de 2016, o kg de conserva importada era cerca de 73% do kg de conserva exportada.
Esta associação em vez de ajudar os seus associados a subir na escala de valor, está a querer que se enterrem com descontos para ganhar quota de mercado interno. PORRA!!!
Quando é que esta gente percebe que volume e quota de mercado não é o objectivo. O objectivo é o lucro!"
No mobiliário (2012):
"Parece que alguma indústria portuguesa de mobiliário, incapaz de concorrer no seu próprio mercado interno, contra os preços muito baixos da concorrência asiática, teve como salvação o virar-se para o mercado externo. Contudo, livre de barreiras alfandegárias, a concorrência asiática também estava presente nesses mesmos mercados.
Como se explica o insucesso no mercado interno e o sucesso no mercado externo?
No mercado interno não existe massa crítica de clientes capazes de suportarem empresas que se dediquem a produções em nichos e segmentos diferentes daqueles onde actuam as empresas asiáticas. No mercado externo as produções asiáticas dedicam-se a segmentos diferentes daqueles onde actuam as empresas portuguesas."
No calçado (2011) (aqui deixei uma parte inicial para ilustrar as baboseiras que pessoas em cargos de responsabilidade e que não resistiriam ao mais básico contraditório:
""Mais do que pôr a tónica nas exportações temos que ser fortes no mercado interno. Se não conseguirmos competir aqui dificilmente vamos competir noutros mercados", afirmou Carlos Tavares.
"As empresas portuguesas têm perdido quota no seu próprio mercado. Sem resolver esses problemas, dificilmente podem ter sucesso nos mercados externos", acrescentou o presidente da CMVM."
Esta abordagem é nova... qual o CV de Carlos Tavares? Qual a sua experiência de vida? O que o habilita a mandar estes bitaites sobre o que as PMEs exportadoras devem ou não fazer?
Aquilo que permite a estas PMEs serem suficientemente competitivas na exportação é, muitas vezes o que as impede de ser competitivas no mercado interno. Os consumidores do mercado interno têm um poder de compra muito diferente dos que consomem nos mercados externos. Por isso, escrevo e falo tantas vezes nas empresas que fazem by-pass ao país."
Acham pouca a ignorância de Carlos Tavares? Experimentem "Os loucos tomaram conta do jornal"
Ainda sobre o calçado: "Dedicado ao bicicletas".
Há um padrão que a imprensa insiste em não ver. O artigo do Expresso de 2025 não revela uma “realidade nova”. Revela a persistência de uma má leitura antiga:
Dedicado à redacção do Expresso, de 2015: "um atestado de desconhecimento da realidade" de onde retiro:
"As empresas nacionais têm de continuar a apostar nas exportações mas não por causa da baixa procura interna.
O nível de vida em Portugal não é alto. Por isso, os portugueses optam por comprar bens transaccionáveis baratos. Esses bens entram em Portugal, importados da Ásia a preços muito baixos, e levam a melhor sobre o "Made in Portugal". Por exemplo, Portugal exporta sapatos caros e importa sapatos asiáticos para consumo interno. Portugal exporta mobiliário caro e importa mobiliário asiático para consumo interno."
No WSJ do passado dia 1 de Fevereiro, "Gavin Newsom on Wealth and Taxes":
"Well, well. California Gov. Gavin W. Newsom is experiencing an epiphany of sorts, as his state's billionaires vamoose to avoid getting clobbered by a union-backed wealth tax. He now admits that taxes affect where people choose to live and invest. Glory be.
...
As Mr. Newsom explained, the result of this exodus will be less income-tax revenue. "The impact of a one-time tax does not solve an ongoing structural challenge," the Governor said Thursday. "You would have a windfall one time, and then over the years, you would see a significant reduction in taxes because taxpayers will move."
By "structural challenge," he means recurring budget gaps caused by excessive spending."
"Failing to consider second- and third-order consequences is the cause of a lot of painfully bad decisions, and it is especially deadly when the first inferior option confirms your own biases. Never seize on the first available option, no matter how good it seems, before you've asked questions and explored."
Falta a Mariana do Bloco et al.
Em 2021 escrevi aqui:
"Há muito que penso que os políticos começaram a falar cada vez mais do ambiente porque era algo que não lhes vinha cobrar. Por exemplo, um político pode propor políticas para reduzir défice, para reduzir filas de espera na Saúde, para aumentar salários, ... e todas essas políticas têm o inconveniente de, mais tarde ou mais cedo, virem cobrar através da comparação entre os resultados propostos versus os resultados obtidos. Já com o ambiente era diferente. Os políticos podiam falar do ambiente à boca cheia sem recear que ainda durante a mesma legislatura alguém lhes viesse pedir contas.
Julgo que a situação pode vir a alterar-se."
O WSJ da passada sexta-feira publicou "The Agonizing Decline of One of Europe's Core Industries" na sequência do que o FT tinha publicado na passada quarta-feira, "Chemicals sector calls for Europe to act after 80% fall in investment", sobre o mesmo tema.
O artigo começa assim:
"Cutting emissions can sometimes look like what economists call creative destruction, with green innovators supplanting polluters. It's painful when the destruction happens to you while somebody else (often in China) does the creating. [Moi ici: Destruição assimétrica, a destruição ocorre na Europa, enquanto a criação acontece noutros lugares, sobretudo na China.]
The auto sector is Exhibit A, but the anxiety doesn't end there. Take Europe's beleaguered chemicals industry. The sector employs well over a million people and provides the ingredients for all the stuff of modern life, from polyethylene packaging to phenol for painkillers. Its struggles offer a window onto Europe's predicament as it pursues environmental goals while adapting to a security-focused trade era."
E continua:
"Energy costs aren't the only problem. Global overcapacity, driven by the rapid expansion of the Chinese chemicals industry, exposed European producers to an influx of cheap imports, just as energy costs jumped and demand slowed. A U.S.-EU trade deal struck last year would also expand market access for U.S. producers with far lower costs.
Climate policies are the other gripe. For now, heavily polluting sectors are protected from Europe's carbon prices to stop crucial industries from leaving the bloc. That is set to change this year, and fees are supposed to ratchet up over time.
...
Meanwhile, incentives for the use of green chemicals, produced from low-carbon hydrogen instead of fossil fuels, haven't been enough to spur the massive investments needed to overhaul the industry.
China is moving faster on that front, even as it churns out plain old polluting chemicals too."
A combinação de custos energéticos elevados, excesso de capacidade global, concorrência chinesa subsidiada, políticas climáticas mal sincronizadas e fraca resposta política europeia está a levar ao encerramento de fábricas, à venda de activos estratégicos e à perda de capacidade produtiva. Entre 2020 e 2025, mais de 25 milhões de toneladas de capacidade química foram encerradas na UE e no Reino Unido, com taxas de utilização persistentemente abaixo do nível económico sustentável.
O texto sublinha que, embora existam incentivos para químicos “verdes”, estes são insuficientes para compensar a perda de competitividade estrutural, num contexto em que a China avança simultaneamente na química poluente tradicional e na química de baixo carbono, apoiada por uma política industrial agressiva.
Parece que é muita areia para a camioneta dos políticos europeus:
"I must admit that, as prime minister, I didn't always put growth first. Early on, I watered down planning changes to appease MPs worried about the reaction in their constituencies."
Há algo de refrescante no texto de Rishi Sunak: um ex-primeiro-ministro que olha para trás e diz, sem rodeios, “errei”.
Lembrei-me logo de outra coluna de opinião, esta de Armindo Monteiro, presidente da CIP, intitulada "Da crise de lideranças ao alheamento das elites" e publicada pelo Dinheiro Vivo na passada sexta-feira.
O contraste entre o artigo de Sunak e o de Armindo Monteiro é quase pedagógico. O presidente da CIP escreve longamente sobre a crise das lideranças, o alheamento das elites e a dependência dos fundos europeus… sempre na terceira pessoa. As elites são sempre "as outras". O problema está sempre "lá fora". O autor observa o fenómeno sempre a partir de fora, como se descrevesse um sistema no qual participa apenas como comentador atento.
A ironia maior é que a crítica à "soleira dos fundos europeus":
"Em Portugal, tardamos em definir uma estratégia que nos permita recuperar dos atrasos estruturais, melhorar a eficiência do Estado, reforçar a competitividade económica e aumentar a capacidade de inovação. Vivemos encostados à soleira dos fundos europeus, revelando a mesma incompetência política, a mesma pobreza de espírito, a mesma dependência do Estado que tanto encanitava Eça de Queirós."
soa estranhamente próxima daquilo que a própria Confederação Empresarial de Portugal promove diariamente no seu site e nos seus comunicados: mais avisos, mais programas, mais oportunidades, mais fundos.
Mais à frente pode ler-se:
"Aqui chegados, há que pedir responsabilidades às elites. … Precisamos de verdadeiros líderes, que façam escolhas firmes e corajosas, que não tenham medo de ser impopulares, que criem ruturas com os poderes fáticos, que desfaçam os falsos consensos e as verdades adquiridas."
Quem são exactamente essas elites alheadas?
E mais importante: quem ficou de fora dessa categoria?
O texto denuncia a dependência do Estado, a pobreza de espírito, a ausência de visão estratégica e a incapacidade de pensar o longo prazo. Tudo certo. Mas depois basta uma pesquisa simples no Google — “CIP fundos europeus” — para descobrirmos que o sistema criticado não é apenas observado de fora. É frequentado, negociado, cofinanciado e, em vários momentos, legitimado.
Não é um pecado original. É um problema de coerência.
Criticar o modelo enquanto se opera confortavelmente dentro dele, beneficiando dos seus incentivos e da sua lógica, não é coragem. É retórica segura. É crítica sem risco. É exactamente o tipo de comportamento que o texto diz condenar.
Quantas vezes ouvimos a CIP partir a loiça junto do poder político de turno?
Recordar "Sem água potável já em 2025"Portugal and Spain remain in a very precarious weather situation for the weeks to come.
— Weather Watcher (@WXWatcher07) January 30, 2026
An ongoing extreme weather pattern will keep a saga of Atlantic storms repeatedly impacting Iberia.
❗️I’m already watching our next risk of strong winds and particularly heavy rain,… pic.twitter.com/QvyZovS7sL
"Productivity growth has been in the doldrums for years....Economists differ on whether the latest data is promising or worrying because the main reason productivity has improved is low-paid jobs being cut.These job losses have been centred on hospitality and retail, sectors that were especially hard hit by last year's increases in national insurance and the minimum wage....Economists at the Resolution Foundation think-tank believe job losses at failing "zombie" companies could bode well for the future, if they "begin to make room for more and better jobs to be created". But, they admit: "We haven't seen it yet."Saunders remains sceptical. "If you kill off the zombies. it's not creative destruction. It's just destruction.""
Matam-se os zombies ... e apenas temos silêncio ... e o que é o silêncio? Um sinal, como no conto dos mastins dos Baskerville, um sinal de que esse silêncio é relevante.
Esse silêncio sinaliza que a jogada "criar condições para que empresas mais produtivas anónimas, sem necessidade de contactos com o poder, apareçam" está a falhar. Por isso, este título "Não são elas que precisam de Portugal, Portugal é que precisa delas" e o que escrevi em "Descida do IRC é injusta".
O argumento de que a descida é “injusta” porque muitas empresas não pagam IRC parte de uma obsessão com as empresas existentes. É o mesmo erro conceptual que atravessa toda a discussão sobre produtividade. O problema nunca foi ajudar quem está; o problema é não criar condições para que apareçam empresas que hoje não existem — empresas capazes de pagar salários mais altos porque criam mais valor, não porque foram protegidas ou subsidiadas.
"Se nós eliminarmos a empresa mais improdutiva, a produtividade do sector sobe muitíssimo"
Erik Reinert escreveu qualquer coisa como:
"As was so obvious to American economists around 1820, a nation - just as a person - still cannot break such vicious circles without changing professions."Um país não consegue sair de círculos viciosos de pobreza apenas fazendo melhor o que já faz; tem de mudar de actividades, de sectores, de “profissões” económicas.
"It's no longer about how you do it; it's about what you do."
A propósito de Calimeros.
Quando ter um Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil é um exercício administrativo.
Na Parte I e na Parte II argumentei que a cláusula 4.1 da ISO 9001:2015 não é um requisito burocrático, mas um convite a ler o contexto com intenção estratégica. O artigo de Gillian Tett ajuda precisamente nisso: mostra que uma falha das lideranças é tratar a incerteza como um ruído temporário, quando ela se tornou estrutural.
É aqui que a revisão pela gestão (cláusula 9.3 da ISO 9001) ganha importância. Não como reunião para “picar o ponto”, mas como o momento em que a gestão pára, levanta a cabeça do dia-a-dia, sobe à varanda, e pergunta se o mundo mudou — e o que isso implica para a empresa.
Uma revisão do sistema bem feita não começa por indicadores nem por procedimentos. Começa por perguntas certas. Por exemplo:
Sobre os pressupostos (a parte que quase nunca se discute, a água do aquário em que nós somos os peixes)Li o artigo do FT de ontem, "Chemicals sector calls for Europe to act after 80% fall in investment", e imaginei o cenário de uma empresa que fabrica e vende bombas centrífugas, aptas a operar em ambientes ATEX, para a indústria química europeia.
Pressupostos (a água do aquário que quase ninguém nomeia):
Normal assumido: base industrial química europeia estável. Será razoável?!
Pergunta incómoda: E se o “normal” já for a desindustrialização progressiva?
Contexto externo
Risco típico: tratar isto como um ciclo negativo, e não como uma ruptura estrutural.
Oportunidades (a parte esquecida da cláusula 4.1/6.1)
Quem ganha: quem reduz risco operacional e regulatório do cliente.
Foco, dependência e fragilidade
Fragilidade crítica se a base industrial continuar a encolher.
Será que estamos a gerir os riscos dentro de um modelo industrial europeu que pode estar a desaparecer?
Se a indústria química europeia investir menos durante a próxima década, como é que esta empresa continua a criar valor?
Não é de esperar respostas imediatas. Aliás, tenha medo delas. Discuta e deixe o tema marinar.
À hora do almoço li "Presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos pede socorro: concelho vive "um dos piores momentos da sua história"":
"Segundo o autarca, o concelho tem "um rasto de destruição por todo o território". O concelho "não tem comunicações, não tem energia", tem, neste momento, "água nas freguesias para mais cerca de 12 horas" e "grandes dificuldades em termos daquilo que é a manutenção dos lares" de idosos, alertou.
"Estamos completamente isolados. Figueiró dos Vinhos considera-se completamente isolado do resto do distrito, da região e do país". ", declarou o presidente do município, apelando para que o Governo "olhe para este território e também consiga, de alguma forma, equacionar a possibilidade de decretar o estado de calamidade"."
Fico com a ideia de que está perdido.
Pergunto: a Lei n.º 27/2006, que estabelece as bases da protecção civil, não atribui responsabilidades explícitas aos municípios?
Pergunto: as autarquias não são agentes de protecção civil com deveres de:
Não é verdade que cada município deve ter um Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil, aprovado, articulado com os níveis distrital e nacional e sujeito ao parecer da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil.
Esses planos destinam-se precisamente a situações como a descrita no artigo: eventos meteorológicos extremos, isolamento do concelho, falhas de comunicações, cortes prolongados de energia e água, e necessidade de realojamento.
Ou seja: o cenário de Figueiró dos Vinhos não é exótico nem inesperado do ponto de vista legal.
O artigo do Expresso não prova que não exista um plano, mas deixa-me com três hipóteses:
A cláusula 4.1 da ISO 9001:2015 pede que a organização determine as questões externas e internas relevantes (o seu contexto) para o seu propósito e a sua direcção estratégica.
O que o artigo da Gillian Tett faz é exatamente isso ao nível macro:
Isto é a cláusula 4.1 em estado puro.
Não há listas. Não há relatórios.
Não há bullets normativos.
Há interpretação do contexto para orientar decisões futuras. O artigo mostra que o contexto não é uma mera descrição do mundo. É uma leitura do mundo com intenção estratégica. É tentar perceber o mundo em que se opera e usar esse conhecimento para tomar melhores decisões.
Costumo dizer que as organizações não estão protegidas dentro de uma estufa; são cascas de noz lançadas no oceano turbulento, e sem perceber a direcção do vento e das correntes… nada feito.
Na prática, muitas organizações tratam a cláusula 4.1 como:
O artigo de Gillian Tett desmonta esta abordagem por contraste. O que o artigo faz (e as empresas raramente fazem):
O que muitas empresas fazem:
Isto cumpre o requisito, mas falha o propósito da cláusula 4.1.
O ponto mais importante do artigo é este:
“Ignoring upside risks is as dangerous as discounting downside ones.”
Traduzido para a ISO 9001, o contexto não serve apenas para identificar ameaças; também serve para detectar oportunidades que surgem quando o mundo muda.
A cláusula 4.1 não é uma cláusula de risco.
É uma cláusula de orientação estratégica do sistema.
Apetece escrever uma parte III sobre o artigo e a revisão pela gestão…
"The job cuts will primarily encompass positions at the company’s distribution centers in Mississippi and Tennessee. Nike has warehouses in those states that act as major hubs in the company’s supply chain. The distribution centers store the company’s inventory before shipping the products out to customers and retail partners....Under former Nike CEO John Donahoe, the company moved away from wholesale partners in favor of direct selling, which necessitated a buildup of employees at its distribution centers. But ultimately, Nike’s lackluster sales demand could not support the number of employees at the distribution centers. Nike’s new CEO Elliott Hill has flipped its sales playbook, embracing wholesale partners again, and focusing on cutting costs to increase margins."
O artigo do The Times sobre a Asda, “Asda's unhappy shoppers give boss food for thought”, publicado no passado dia 26 de Janeiro, não é apenas sobre o retalho alimentar no Reino Unido. É, se lido com alguma atenção, um estudo de caso involuntário sobre o que acontece quando as organizações tratam a satisfação do cliente como um “lagging indicator”, e não como um “leading indicator” da saúde do sistema.
A Asda não perdeu vendas de um dia para o outro. Primeiro, perdeu a qualidade percebida; depois, a confiança; depois, a preferência. Só no fim perdeu quota e crescimento. A satisfação caiu primeiro; as vendas seguiram-se. É exactamente o comportamento esperado de um “leading indicator” ignorado.
Quando as organizações tratam a satisfação como um “lagging indicator” — algo que “resulta” de boas vendas, bons preços ou boas campanhas — perdem a sua principal função: servir de sensor do sistema. Passa a ser um número simpático num dashboard, em vez de um mecanismo de aprendizagem.
Os dados apresentados mostram uma correlação clara entre desempenho comercial e satisfação dos clientes. Como escreve o artigo:
“The data shows correlation between sales performance and lower customer satisfaction.”
A leitura é simples, mas muitas vezes ignorada: as vendas não caem primeiro; cai primeiro a percepção do cliente. Quando o efeito chega à conta de resultados, o problema já está instalado.
A Asda é o exemplo mais visível. Apesar de manter uma estratégia agressiva de preços baixos, a cadeia registou uma degradação consistente da experiência do cliente. Prateleiras mais vazias (especulo logo na ligação entre fragilidade na cadeia de fornecimento e margens muito apertadas para o fornecedor) , disrupções operacionais e até um ciberataque que afectou dados de clientes contribuíram para uma queda da satisfação para 75,5 pontos em 100. O próprio artigo reconhece que:
“Asda’s heavy cost-cutting resulted in thinner shelves and the theft of customer data.”
Este ponto é crucial. O artigo desmonta a ilusão de que o preço, isoladamente, é suficiente para sustentar a satisfação. A própria Asda admite que está a tentar recuperar nas áreas “que mais importam aos clientes”, incluindo a disponibilidade de produto, afirmando que:
“we continue to make progress in the areas that matter most to customers including value (…) and improved product availability.”
O pormenor é revelador: valor não é apenas preço, é fiabilidade, previsibilidade, ausência de fricção. Recordo logo a lição japonesa para o low-cost: QCD.
Esta leitura encaixa quase de forma desconfortavelmente precisa na cláusula 9.1.2 da ISO 9001:2015. A norma exige que a organização:
“monitorize a percepção do cliente relativamente ao grau em que as suas necessidades e expectativas foram satisfeitas.”
Não fala em questionários anuais nem em indicadores decorativos. Fala em percepção — e em monitorização com significado.
O caso da Asda sugere que medir não é o mesmo que ouvir, e ouvir não é o mesmo que agir. A satisfação estava a deteriorar-se, mas a estratégia continuou centrada no preço, como se o resto do sistema fosse indiferente. A ISO 9001 nunca tratou a satisfação do cliente como um tema comercial; trata-a como um fenómeno sistémico. Logística, IT, segurança da informação, operações em loja e gestão de fornecedores influenciam directamente aquilo que o cliente vive, mesmo que nunca apareçam num anúncio.
Há ainda uma leitura mais subtil, mas mais importante. A satisfação do cliente funciona aqui como um verdadeiro indicador “leading”. O artigo pergunta:
“this performance has raised questions over whether Asda can generate enough cash to fund price cuts, investments and a recovery in market share.”
A sequência é clara: primeiro cai a satisfação, depois a quota, depois a capacidade de investir. Quando a gestão reage às vendas, já está atrasada.
É precisamente por isso que a cláusula 9.1.2 não pode ser lida isoladamente. Ela liga-se à gestão de riscos, à revisão pela gestão e, no limite, à compreensão do contexto da organização. A norma sugere, sem nunca o dizer explicitamente, que a satisfação do cliente é um sensor do sistema. Ignorá-la é desligar o painel de instrumentos porque o alarme incomoda.
O artigo do The Times mostra que o problema da Asda não foi ter clientes exigentes. Foi ter tratado a satisfação como uma consequência do preço, em vez de a reconhecer como um reflexo da qualidade do sistema. Os concorrentes que resistem melhor não são os que gritam “preços mais baixos”, mas os que constroem sistemas capazes de entregar valor de forma consistente.
No fim, a lição é simples e desconfortável: a satisfação do cliente não é um KPI simpático para relatórios. É um sinal antecipado da saúde do sistema, da fragilidade organizacional. A ISO 9001 disse-o há anos. O mercado limita-se a confirmar.
Quando me voltarem a perguntar porque não gosto de azeite de produção intensiva, ou porque prefiro as amêndoas que o amigo Paulo traz de Torre de Moncorvo, ou porque ... vou remete-los para este postal:
California's Central Valley produces 80% of the world's almonds. Each almond requires 3.2 gallons of actual irrigation water to grow. Not rainfall. Actual tap water pumped from aquifers.
— Sama Hoole (@SamaHoole) January 26, 2026
One gallon of almond milk requires 162 gallons of irrigation water. Compare that to dairy… pic.twitter.com/wA54U96qEB
Não sei se é tudo verdade, acredito que sim, e posso acrescentar mais duas coisas:
"Scientists at paint manufacturer PPG built a database containing the properties of all of their products, overlaid with the laws of chemistry. Then, about a year ago, they asked the system to create something new—a fast-drying clear coat that body shops could apply after repainting a car.
Within minutes, the system suggested a combination of chemicals PPG's scientists hadn't thought of. Real-world testing proved that it worked, and last spring the clear coat, which cuts drying time by more than half, went on sale."
No caso relatado, a PPG usa sistemas de IA para apoiar o desenvolvimento de produtos químicos — tintas automóveis, revestimentos, fórmulas complexas — num domínio onde a experimentação empírica, o erro e a aprendizagem acumulada sempre foram centrais. O sistema não "inventa" a partir do nada. Parte de bases de dados históricas, de fórmulas existentes, de restrições físicas e químicas bem conhecidas e propõe combinações iniciais que depois são testadas, validadas e afinadas no mundo real.
Ao ler isto, foi impossível não reconhecer o eco directo daquilo que vivi em Campelos no final dos anos 80.
O projecto que o director-geral me descreveu nessa entrevista era, na essência, uma tentativa artesanal de fazer exactamente o mesmo: criar um ponto de partida melhor do que a folha em branco, reduzir o espaço de procura e acelerar a aprendizagem.
Na altura, tudo era feito à mão: o conhecimento estava disperso em cadernos de laboratório, na memória dos técnicos mais experientes, em quadros com amostras coladas, em tabelas onde cruzávamos resultados físicos, visuais e tácteis. O "algoritmo" era a cabeça das pessoas. A base de dados era o arquivo e a experiência acumulada. A iteração fazia-se em semanas, não em horas.
O que a IA traz hoje — e é isso que o artigo do WSJ mostra com clareza — não é uma substituição desse processo, mas uma compressão brutal do tempo e do esforço necessários para chegar a uma boa primeira resposta. Aquilo que antes exigia centenas de horas de laboratório para explorar o espaço das possibilidades pode agora começar com sugestões que já incorporam padrões escondidos nos dados históricos, correlações não óbvias e combinações improváveis que um químico experiente talvez nunca tivesse testado por intuição.
Tal como no nosso trabalho na Têxtil Manuel Gonçalves, também na PPG a validação final continua a ser feita no mundo físico. As amostras têm de ser produzidas, os painéis pintados, os testes realizados, as falhas observadas. A IA acelera a fase de formulação inicial, mas não elimina a necessidade de experimentação, de julgamento técnico e de responsabilidade humana.
Talvez por isso o artigo seja mais interessante do que aparenta à primeira leitura. Não fala de "criatividade artificial" no sentido vago e quase místico que tantas vezes se usa. Fala de algo muito mais concreto e industrial: usar máquinas para explorar, mais depressa e de forma mais sistemática, um espaço de soluções que sempre existiu, mas que era demasiado vasto para ser percorrido apenas com intuição e tentativa-erro.
Visto assim, a IA não é uma ruptura radical com o passado. É a continuação lógica de um caminho antigo: transformar conhecimento tácito em conhecimento explícito, estruturar a experiência, reduzir desperdício experimental e libertar tempo humano para aquilo que realmente cria valor — decidir, interpretar, escolher.
O que a IA faz é:
"Um brasileiro é um português à solta"
Lembrei-me dela a propósito de: "Brazil: The heart of the 'zombie' economy in emerging markets":
"The results indicate that, on average, static ‘zombies’ account for 7.58% of firms and dynamic ‘zombies’ for 5.49% across emerging markets. Brazil consistently exhibits the highest shares, with 16.75% for static ‘zombies’ and 13.94% for dynamic ‘zombies’, approximately 2.3 times higher than the emerging market averages, confirming its status as the largest ‘zombieland’ in the group."
Sobre Portugal encontrei: "Revisitar as Empresas Zombie em Portugal (2008-2021)":
"em média anual entre 2008 e 2021, 4,8% dos recursos humanos e 5,8% do capital (ativos) estão aplicados em empresas zombie,"
O FT do passado Sábado publicou um artigo de Gillian Tett, "What business should be thinking about post-Davos", um artigo muito rico que merece mais do que um postal aqui no blogue.
Primeiro, sobre o que é o artigo. A autora argumenta que o principal erro das lideranças empresariais perante o actual contexto global é tratar a incerteza como um ruído temporário, em vez de a assumir como uma característica estrutural do sistema.
"Some historical eras are shaped by measurable risks; others are plagued by unfathomable uncertainty."
Partindo da distinção clássica de Frank Knight entre risco mensurável e incerteza radical, a autora defende que estamos a entrar num período marcado por:
"We face geopolitical "rupture". In practice, that means the three 'P's' of populism, protectionism and extreme patriotism have reappeared in ways reminiscent of the interwar years."
"We should brace for rising government intervention, framed as patriotic and populist capitalism."Tudo factores que não cabem nos modelos tradicionais de risco usados pelas empresas.
O artigo identifica quatro grandes lições para executivos e investidores após Davos: aceitar a ruptura geopolítica, reconhecer a ascensão de um capitalismo patriótico e intervencionista, evitar o confinamento em "echo chambers" intelectuais
"Nobody can afford to stay in a cosy echo chamber."
e, por fim, não cair num pessimismo paralisante que ignore oportunidades emergentes. A mensagem central é clara: ignorar riscos positivos ("upside risks") pode ser tão perigoso como ignorar riscos negativos.
"For executives or investors, ignoring upside risks is as dangerous as discounting downside ones."
A autora conclui que a reacção racional não é pânico nem imobilismo, mas abertura, imaginação e diversificação.
"The only rational response to the turmoil is to diversify madly, leave your echo chamber and embrace imagination about the future."
Duas linhas de reflexão que me ocorrem são, relacionar o artigo com:
Num mundo de incerteza, é importante ter flexibilidade, mas será que isso quer dizer menor "pureza" estratégica?
Focar é sempre escolher — e escolher é sempre excluir. Recordar de-caedere.
O artigo da Gillian Tett não contradiz isso. Pelo contrário, dá-lhe contexto macro; vivemos num mundo de incerteza knightiana, não de risco calculável; choques geopolíticos, políticos e regulatórios são estruturais, não excepcionais. Logo, qualquer foco aumenta a exposição a eventos que não controlamos.
Diversificar ou focar?
Focar nos clientes-alvo e aumentar o risco, ou focar nos clientes-alvo e diversificar a geografia — ou o quê? Diversificar clientes?
Há três tipos de foco que não devemos confundir
Quando estes três focos coincidem rigidamente, o risco explode.
Olhando para:
"Ignoring upside risks is as dangerous as discounting downside ones."
"The only rational response is to diversify madly."
Julgo que ela não está a advogar a dispersão estratégica, mas a defender a diversificação inteligente face à incerteza.
A pergunta não é: Foco ou diversifico?
A pergunta correcta é: Em que dimensão posso focar sem me tornar frágil noutras? Onde posso ser específico sem ficar dependente?
Dimensão 1 - Clientes-alvo/Proposta de valor: FOCO
Em mundos instáveis, quem não é distintivo é esmagado, competir por custo ou comoditização é um suicídio. Há que apostar num foco forte no:
Isto não se diversifica sem perder identidade.
Dimensão 2 - Geografia/mercado: DIVERSIFICAÇÃO CONTROLADA
A política e a geopolítica afectam os mercados de forma assimétrica, os choques são regionais antes de serem globais. Aqui, diversificar reduz risco:
Não é dispersão. É redundância estratégica.
Dimensão 3 - Configuração operacional: MODULARIDADE
Num mundo de incerteza, as estruturas rígidas quebram; já as estruturas modulares são capazes de adaptar-se.
O truque não é fazer tudo em todo o lado, mas replicar capacidades, manter opções abertas e evitar apostas irreversíveis.
O artigo no blogue referia: "Não há almoços grátis. Toda a escolha tem um custo."
O artigo acrescenta: "Num mundo de incerteza profunda, o custo de escolher mal aumenta brutalmente."
A convergência é esta:
"The country faces many challenges. [Moi ici: De que país estaremos a falar?] State-supported firms significantly drag down the economy's productivity, according to economists. [Moi ici: De repente ocorreu-me a entrevista do ministro da Economia ao JdN da passada quinta-feira... verdadeiramente deprimente, agora são os restaurantes, mas tivemos as EFACECs, as TAPs, ...]Pollution is worsening. [Moi ici: Lembrei-me das ETARs que já passaram o prazo de validade] Housing costs are rising in cities [Moi ici: De que país estaremos a falar?] while luxury developments on the outskirts are ghost towns, leading to fears of a property bust. Banking, environmental protection and airport immigration lines [Moi ici: De que país estaremos a falar?] still feel years behind for a country that wants to be seen as a peer to Asia's developed economies [Moi ici: Asia?]."
Trecho retirado de "To Hasten Economic Resurgence, Vietnam Gives Leader New Powers" publicado no NYT de ontem.
"A ANCRAS paga o litro de leite a um euro ao produtor, mas João Silva garante que o lucro é pouco. "Um carro vai fazer a recolha e percorre 500 quilómetros para apanhar 500 litros. Fica caro."
Se todo o queijo produzido tem venda assegurada e a ANCRAS ganha pouco, então o preço de venda do queijo está demasiado baixo.
"It is widely believed that restructuring has boosted productivity by displacing low-skilled workers and creating jobs for the high skilled."Mas, e como isto é profundo:"In essence, creative destruction means that low productivity plants are displaced by high productivity plants." Por favor voltar a trás e reler esta última afirmação.
.
"Lovaglia’s Law: The more important the outcome of a decision, the more people will resist using evidence to make it."
"If an organisation is too stable it can ossify, but if it is too unstable it can disintegrate. Successful organisations work between these two conditions or states, in what Stacey called ‘the chaos zone’."
"If the customer doesn't care about the price, then the retailer shouldn't care about the cost,"
“It's not enough that we do our best; sometimes we have to do what's required”.
"Das Leben, das uns gegeben ist, ist uns nicht als etwas Fertiges gegeben, sondern wir müssen es uns gestalten, und zwar jeder sein eigenes."
"Eine Regierung, die nichts wert ist, kostet am meisten."
"Forget trying to persuade them; light their pants on fire."
"O futuro é o que importa. O futuro é a base do significado, é de onde vem o projecto que alguém tem para si próprio"
"The single biggest problem in communication is the illusion that it has taken place."
“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent; it is the one that is most adaptable to change.”
"o Marketing só existe a partir do pensamento estratégico, caso contrário "não resulta""
"It is difficult to get a man to understand something, when his salary depends upon his not understanding it"
"Perder diversidade é como arrancar páginas de um livro. Quantas páginas poderemos arrancar até deixar de compreender o enredo?"
The great enemy of the truth is very often not the lie – deliberate, contrived and dishonest – but the myth, persistent, persuasive, and unrealistic. Belief in myths allows the comfort of opinion without the discomfort of thought."
"By strategy, I mean a cohesive response to a challenge. A real strategy is neither a document nor a forecast but rather an overall approach based on a diagnosis of a challenge. The most important element of a strategy is a coherent viewpoint about the forces at work, not a plan."
"Un desastre està punt de succeir a Espanya. El malentès de la gravetat de la crisi costarà car als inversors, ja que tindrà profundes conseqüències per a tot el sistema bancari europeu", afirma.
Entre d'altres coses, Mauldin diu que "els inversors estan fumant crack si creuen que els bancs espanyols són entre els més forts d'Europa, ja que estan amagant les seves pèrdues".
“… there are no “sunset” industries condemned to disappear in high wage economies, although there are certainly sunset and condemned strategies, among them building a business on the advantages to be gained by cheap labor”
"o vencedor da vida, o optimista que vive em incesto com o próprio ego, é o traço mais frágil do líder"
"We shall not grow wiser before we learn that much
that we have done was very foolish."
You may not be able to change the world but can at least get some entertainment & make a living out of the epistemic arrogance of the human race.
"I wanted you to see what real courage is, instead of getting the idea that courage is a man with a gun in his hand. It's when you know you're licked before you begin but you begin anyway and you see it through no matter what. You rarely win, but sometimes you do."
“Trust your guts. But not too much!”
"Customers will try 'low-cost providers,' because the majors have not given them any clear reason not to." "
"Natal é quando as Crianças pedem e os Pais pagam. Défices é quando os Pais pedem e as Crianças pagam."
"A imprevidência dos povos é infinita, a dos governos é legal"
"What a man sees depends both upon what he looks at and also upon what his previous visual-conceptual experience has taught him to see"
“The leaders first task is to be the trumpet that sounds a clear sound”
"lamented the lack of any systematic data on the scale of unfunded IOUs that care-free politicians have handed out like confetti."
"Let them call me rebel and welcome, I feel no concern from it; but I should suffer the misery of devils, were I to make a whore of my soul..."
O problema não é o consumo. O problema é o consumo assente em endividamento."
"There are designations, like "economist", "prostitute", or "consultant" for which additional characterization doesn't add information."
When it becomes more difficult to suffer than change, you will change"
"Hope is not a strategy and a crisis is a terrible thing to waste"
The more you can see of the present, the more you can see of the future"
Yes, You can change the future, but only changing the present"
"Entrepreneurship is 'Having aspirations greater than your resources'"
“The single biggest reason companies fail is they overinvest in what is, as opposed to what might be."
"The first principle is that you must not fool yourself - and you are the easiest person to fool. So you have to be very careful about that"
"A estabilidade é uma ilusão"
"When we create the conditions of possibility, the universe becomes our co-conspirator"
Thinking about doing is not doing. Talking about doing is not doing. Doing is doing."
"'God has created me to do him some definite service. He has committed some work to me which he has not committed to another'.
...
"Each of us has a mission, each of us is called to change the world, to work for a culture of life, a culture forged by love and respect for the dignity of each human person.
"As our Lord tells us in the Gospel we have just heard, our light must shine in the sight of all, so that, seeing our good works, they may give praise to our heavenly Father."
"The future is not there waiting for us. We create it by the power of imagination."
"confusing testosterone with strategy is a bad idea"
"Much consulting involves the application of models to a system, as opposed to getting involved in the system as a positive change agent""
"O Portugal que pára sem orçamento é precisamente aquele que vive dele e que há todo o interesse em parar."
"credibilidade da política financeira e dos seus executores está ao nível da credibilidade de uma barraca das farturas"
"The role of the manager is thought to be reduction of uncertainty rather than the capacity to live creatively in it"
"today an entrepreneur is closer to artists than managers"
"A business without a path to profit isn’t a business, it’s a hobby"
"If no one’s upset by what you’re saying, you’re probably not pushing hard enough. (And you’re probably boring, too.)"
"Storytelling isn’t just how we construct our identities, stories are our identities"
"'He who has a why to live can bear almost any how' "
"They can because they think they can"
"Se há coisa que não suporto é misturar catequese com negócios, é a incapacidade para calçar os sapatos do outro e só pensar na nossa posição de coitadinhos, pobres vítimas indefesas dos maus e que por isso precisamos do Estado todo poderoso para nos proteger e, nem percebem na volta, os juros que o Estado cobra por esse serviço mafioso de protecção que, ainda por cima não resolve nada."
"Empathy is like a universal solvent. Any problem immersed in empathy becomes soluble."
"In victory, do not brag; in defeat, do not weep"
"Value it's a feeling not a calculation"
"An economist is someone who has had a human being described to him, but has never actually seen one."
"Don't finish first--it's not about running a rat race. Start with a better ending in mind."
"If you sit in on a poker game and don’t see a sucker, get up. You’re the sucker.”
"The 'value added' for most any company, tiny or enormous, comes from the Quality of Experience provided."
"Crediting government with the success of entrepreneurs is like crediting the guy who built Bill Gates’ garage with the success of Microsoft."
"I have found that assuming social scientists understand the difference between correlation and causality is not generally a good one."
"Promising never to raise taxes, without reaching a deal on spending, really means a high and rising commitment to future taxes."
"Some things are so foolish that only an intellectual could believe them, for no ordinary man could be such a fool"
"os bancos não financiam a economia, a poupança sim"
"I do not know the key to success, but the key to failure is trying to please everybody"
"Never be afraid to try, remember... Amateurs built the ark. Professionals built the Titanic."
"terms such as 'experiment' and 'observation' cover complex processes containing many strands. 'Facts' come from negotiations between different parties and the final product - the published report - is influenced by physical events, dataprocessors, compromises, exhaustion, lack of money, national pride and so on."
"'science in the making' is 'the consequence of [a] settlement' of 'controversies'."
"If the state wishes to spend more, it can do so only by borrowing your savings or taxing you more. And it's no good thinking someone else will pay, that someone else is you."
"All failures of strategy are rooted in the assumption that outcomes are predictable."
"Doing things like your bigger competitors is how to get killed in the wars out there"
“Uma moeda boa e forte é como a saúde. Só lhe damos verdadeiramente valor quando não a temos.”
"Life’s tough. It’s tougher if you’re stupid"
"O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros"
"Change is a threat when done to me, but an opportunity when done by me."
"As elites foram deixando de falar das exportações à medida que se foi percebendo que o país consegue exportar sem elas"
"Your toughest competition is the little voice inside your head telling you to stop"
"Pain is just weakness leaving your body"
"Built to last" is bad economics. Built to do something great" is the better idea. Think: "Creative destruction."
"the world is an uncertain place no matter how many Greek letter equations you affix to a problem."
"You never change things by fighting existing reality. To change s.th., build a new model making the existing model obsolete"
“No, no, you're not thinking; you're just being logical.”
"Success is not a destination. It's the trail you leave behind you."
"Winners make a habit of manufacturing their own positive expectations in advance of the event."
“You’ve got to start with the customer experience and work back toward the technology – not the other way around”
"Strategy as the "smallest set of - intended or actual - choices and decisions sufficient to guide all other choices and decisions sufficient to guide all other choices and decisions."
"When something is commoditized, an adjacent market becomes valuable"
"nature evolves away from constraints, not toward goals"
"There aren't any textbooks on what to stop doing!"
"With great power comes great irresponsibility "
"Weird things happen when you take price out of the equation for consumers"
"‘It’s so damn complex. If you ever think you have the solution to this, you’re wrong and you’re dangerous.’"
"Saruman believes it is only great power that can hold evil in check, but that is not what I have found. I found it is the small everyday deeds of ordinary folk that keep the darkness at bay. Small acts of kindness and love."
"Increasing stuff that doesn't add value dilutes existing value."
"O federalismo não é a alternativa à troika, é a troika para sempre."
"Never underestimate the difficulty of changing false beliefs by facts"
"Stressors are information"
“If you hear a “prominent” economist using the word ‘equilibrium,’ or ‘normal distribution,’ do not argue with him; just ignore him, or try to put a rat down his shirt.”
"The advantage of experiences over things for most of us is that we can make them seem unique, which = scarce, which = value"
"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo"
"Without risk, faith is an impossibility."
"Não posso com quem vive a achar que os outros lhe devem sempre alguma coisa."
"In a world of increasing automation, our ability to perform tasks is not nearly as important as our ability to dream. The questions we need to ask are not ones of action, but ones of meaning"
"Me arrancam tudo a força e depois me chamam de contribuinte."
"Letting people vote for expensive programs that “somebody else” will finance is a good recipe for getting people to vote irresponsibly"
"what's fairness gotta do with pricing based in value?"
"The epic battle of our generation is between the status quo of mass and the never-ceasing tide of weird."
“Price is emotional”
"There will always be a reason why you can't pursue it, until competitors create a reason why you must."
"The most important thing to study is opening theory"
"The greater the contrast, the greater the potential"
“Customers don't care about your solution, they care about their problems.”
"Todos querem conhecer a verdade, mas o que desejam é que lhes contem uma mentira em que não sejam protagonistas."
"Execution efficiency strangles innovation in the crib, but not with malice, by default.”
"Our obsession with scalability is getting in the way of unleashing the potential of the 21st century."
"The system is optimized to mitigate risk, not create value"
"Champions are made when no one is looking"
"Don't bargain on value. Half as expensive is often twice as cheap."
"Customers care about outcomes, not effort, technology, or originality."
"
"You don't have to pick between 1) playing the game and 2) not playing the game. You can *change* the game."
""The first principle is that you must not fool yourself and you are the easiest person to fool." "