quinta-feira, janeiro 29, 2026

Curiosidade do dia

 À hora do almoço li "Presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos pede socorro: concelho vive "um dos piores momentos da sua história"":

"Segundo o autarca, o concelho tem "um rasto de destruição por todo o território". O concelho "não tem comunicações, não tem energia", tem, neste momento, "água nas freguesias para mais cerca de 12 horas" e "grandes dificuldades em termos daquilo que é a manutenção dos lares" de idosos, alertou.

"Estamos completamente isolados. Figueiró dos Vinhos considera-se completamente isolado do resto do distrito, da região e do país". ", declarou o presidente do município, apelando para que o Governo "olhe para este território e também consiga, de alguma forma, equacionar a possibilidade de decretar o estado de calamidade"."

Fico com a ideia de que está perdido.

Pergunto: a  Lei n.º 27/2006, que estabelece as bases da protecção civil, não atribui responsabilidades explícitas aos municípios?

Pergunto: as autarquias não são agentes de protecção civil com deveres de:

  • prevenção de riscos, 
  • planeamento, 
  • preparação, 
  • resposta e recuperação?

Não é verdade que cada município deve ter um Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil, aprovado, articulado com os níveis distrital e nacional e sujeito ao parecer da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil.

Esses planos destinam-se precisamente a situações como a descrita no artigo: eventos meteorológicos extremos, isolamento do concelho, falhas de comunicações, cortes prolongados de energia e água,  e necessidade de realojamento.

Ou seja: o cenário de Figueiró dos Vinhos não é exótico nem inesperado do ponto de vista legal.

O artigo do Expresso não prova que não exista um plano, mas deixa-me com três hipóteses:

  • O plano existe, mas não foi desenhado para este tipo de evento combinado (meteorologia extrema + falha sistémica de comunicações + isolamento). 
  • O plano existe, mas não estava actualizado nem testado.
  • O plano existe "no papel", mas não orienta decisões reais. 
Cumpre o requisito legal, mas falha o propósito operacional.

Perguntas que nunca serão respondidas.



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