quinta-feira, outubro 06, 2011

Onde estava durante o deboche da orgia despesista?

""Acabaram os tempos de ilusões. Temos um longo e árduo caminho a percorrer, para o qual quero alertar os portugueses de uma forma muito directa: a disciplina orçamental será dura e inevitável, mas se não existirem, a curto prazo, sinais de recuperação económica, poder-se-á perder a oportunidade criada pelo programa de assistência financeira que subscrevemos", afirmou Cavaco Silva nas comemorações do 101.º aniversário da implantação da República, nos Paços do Concelho, em Lisboa." (Moi ici: O que se entenderá por "sinais de recuperação económica"? Basta a mais pura e básica matemática para ver qual a composição da economia portuguesa. Sinais de recuperação económica significa que 30% da economia teria de compensar a quebra dos outros 70%? Será razoável?)
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"Portugal e os portugueses devem assim redescobrir a “austeridade digna”: poupar, conter “gastos desmesurados”, consumir produtos nacionais e fazer turismo no país." (Moi ici: Poupar? Mas ainda há dias o presidente apoiou incondicionalmente um QE pelo BCE, uma das melhores formas de destruir poupança!!! Onde está a coerência?)
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"A crise que atravessamos é uma oportunidade para que os portugueses abandonem hábitos instalados de despesa supérflua, para que redescubram o valor republicano da austeridade digna, para que cultivem estilos de vida baseados na poupança", referiu o chefe de Estado, acrescentando: (Moi ici: E quem é que define o que é despesa supérflua? Será de proíbir a produção nacional de artigos considerados supérfluos? Existe uma regra para definir o que é supérfluo? Por exemplo, quando uma fábrica de Arrifana fabrica sapatos que vão ser vendidos a 2000 euros o par na Ginza, está a fabricar um artigo supérfluo? E quem os compra deve ser punido?) "Perdemos muitos anos na letargia do consumo fácil e na ilusão do despesismo público e privado." (Moi ici: Onde esteve estes anos todos enquanto o Estado esbanjava?)
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Trechos retirados de "Cavaco Silva: "Acabaram as ilusões e não bastam sacrifícios""

quarta-feira, outubro 05, 2011

Pena que os media ...

O JdN ontem dedicou duas páginas  ao tema do "Encerramento de empresas":
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"Oliveira do Conde, Carregal do Sal, 8 de Setembro: cerca de 100 operários da fábrica de confecções Integal regressam de férias. Com três meses de salários, subsídios e outras remunerações em atraso, ficam também agora sem trabalho. Nas portas da empresa, oportunamente encerradas, encontraram colado um singelo papel a informar de que a empresa tinha iniciado o há muito temido processo de insolvência. Alguns dos trabalhadores, na maioria mulheres, não aguentaram a angústia e tiveram que ser encaminhados para o hospital. Não foi fácil descobrir pequenas, médias e grandes empresas que usaram, bruscamente no último Verão, este expediente para atirar os seus trabalhadores para o desemprego.
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Rua Vilarinho de Freires, Leça do Balio, 13 de Setembro: vários trabalhadores da empresa têxtil Balisantos, que estavam de férias, são despedidos por carta.
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Esmoriz, 2 de Setembro: nove trabalhadores da empresa de tapeçarias AS Pereira regressam de férias. Mas mal entram na fábrica, as oito mulheres e um homem são informados pela administração de que a empresa iria encerrar, pois as dificuldades eram muitas e as encomendas estavam limitadas a um único cliente.
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Os 97 trabalhadores da Gamor, empresa têxtil de Santiago de Bougado, na Trofa, foram de férias com dois subsídios (Natal e férias) , o mês de Agosto e horas extraordinárias por receber. No dia 5 de Setembro, segunda-feira, quando regressaram do ao trabalho depararam-se com a luz cortada.
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Os 85 trabalhadores da Milopos, uma das últimas grandes unidades têxteis de Viana do Castelo, foram de férias com os salários de Julho e Agosto e o subsídio de férias em falta. No dia 19 de Setembro, regressaram ao trabalho, mas na empresa nada havia para fazer. Na prática, regressaram a uma fábrica entretanto encerrada."
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Olhando para este cenário o que pensar do futuro do têxtil no nosso país?
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Começam logo os impropérios contra os chineses e outros...
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"As exportações do têxtil estão de boa saúde. De acordo com a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), de Janeiro a Julho de 2011, a indústria portuguesa do têxtil e do vestuário exportou 2.454.802.000 euros, mais 258.292.000 euros do que no mesmo período de 2010, o que representa um crescimento de 11,8 por cento. Mesmo prevendo-se algum abrandamento no segundo semestre, dado que o nosso principal mercado de destino, a União Europeia, em que se destacam mercados de exportação como a Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Itália, evidencia sinais de retracção no consumo.
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O têxtil, o vestuário e a moda portugueses, no seu conjunto, são um bom exemplo de afirmação bem sucedida nos mercados interno e externo e depende cada vez mais dos modelos de negócio e das boas práticas de gestão e inovação, que garantam competitividade. Se a estes forem somados estratégia, planeamento, sustentabilidade e visão, numa lógica de mercado global, os produtos de sucesso são um resultado expectável. Não surpreende, pois, que num contexto de dificuldade e de desaceleração da economia mundial, as exportações do têxtil e do vestuário portugueses continuem a aumentar significativamente. Portugal exportou para 168 destinos, em diferentes regiões do globo, com 84 por cento do valor total a ficar-se pelos países da UE, ocupando a Espanha o primeiro lugar, com 29 por cento do cômputo geral.
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Neste intenso contexto de mudança, embora nas duas últimas décadas se tenha verificado o desaparecimento de um elevado número de empresas, a indústria do têxtil e do vestuário soube reinventar-se, inovando e crescendo, identificando actualmente três caminhos para empresas do sector: marca e distribuição de moda, têxteis técnicos e funcionais e private label sofisticado. Estas três opções estratégicas são referidas pelos responsáveis empresariais do sector como incontornáveis na ascensão na cadeia de valor do produto, de forma a continuarem competitivas em nichos de mercado de maior valor acrescentado.
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De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pelo Community Innovation Survey (CIS), 64 por cento das empresas portuguesas da indústria têxtil, vestuário e calçado adquiriram maquinaria, equipamento e software entre 2006-2008, com 37 por cento a realizarem actividades de I&D dentro da própria empresa e 14 por cento a adquirirem externamente I&D para aplicação na empresa. É um dado adquirido que ndústria Têxtil e Vestuário (ITV) continua a investir em I&D. A prova disso são os seus mais recentes produtos, com uma forte componente inovadora. Os números também falam por si. Na realidade, uma parte considerável do valor do sector têxtil português, que produz cerca de 6 mil milhões de euros – 61 por cento dos quais provêm da exportação – é classificada de têxteis técnicos, ou seja, são produtos tecnologicamente sofisticados, que inovam pelas técnicas de fabrico ou pela qualidade das matérias-primas."
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Afinal a culpa não é dos chineses... é a vida!
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Quando não há estratégia, quando não há inovação, quando não há re-invenção, quando se acredita que o queijo vai lá estar sempre amanhã, como mais um direito adquirido... nada feito! Porque, por vezes, mesmo com estratégia, mesmo com inovação, mesmo re-invenção e espírito de luta... nada está garantido à partida... é a vida! Mas é mesmo, no esplendor da sua amoralidade.
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Pena que os media dediquem muito mais tempo ao sangue do que às milhares de empresas anónimas que vão descobrindo caminhos de sucesso. Pena que os media  não enquadrem os casos negativos com o cenário global do sector para se perceber que destruição criativa é isto, que aumentar a produtividade é isto, que dar a voilta por cima é isto.
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Segundo conjunto de trechos retirados do número de Outubro da revista "Portugalglobal"

By-pass à banca

"Um dos aspectos notáveis, quando analisamos o conjunto da proposta de novos negócios é a capacidade de detectar oportunidades que antecipam as profundas modificações da procura que a actual crise vai desencadear. A flexibilidade, o aluguer em vez da compra, a redução do investimento inicial e as parcerias estiveram presentes na generalidade das propostas. Um exemplo concreto foi o de um carro de supermercado para pessoas que se deslocam em cadeiras de rodas, que foi desenvolvido em parceria com um fornecedor português de carrinhos de supermercado.
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Também as empresas em fases mais avançadas do seu ciclo de vida têm vindo a evidenciar uma capacidade de se reinventar que surpreende quem suspeitasse do seu imobilismo. O calçado português tem-se destacado pela inovação do "design" e capacidade de crescer em período recessivo. Outros sectores, do metalo-mecânico ao mobiliário, da agricultura ao turismo, evidenciam igualmente uma revolução que desafia ou cavalga a crise - balança comercial positiva no comércio do azeite ou o reconhecimento de Lisboa como oferecendo dos melhores "hostels" do Mundo confirmam essa tendência de adaptação às novas tendências do mercado, interno e externo, tendo a balança comercial vindo a bater recordes de redução do "deficit"."
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"No entanto, uma pesada nuvem paira sobre este esforço de renovação do tecido económico - a contracção do crédito bancário não cessa de se agravar, apesar do crescimento que os depósitos bancários têm registado. O desequilíbrio acumulado e a impossibilidade de renovação dos financiamentos levam a banca nacional a restringir cada vez mais o financiamento das empresas." (Moi ici: E para que serve o sistema bancário de um país? Se um sistema deixa de cumprir a sua função primordial, deixa de satisfazer a sua razão de ser... então, deixa de ter sentido a sua existência. Viable Systems Model - systems 1 de Stafford Beer. Claro que a Natureza tem horror ao vazio...)
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as empresas devem buscar financiadores internacionais, de preferência sob a forma de capitais próprios. Embora ainda escassas, são já várias as operações efectuadas junto do mercado para as PME alemão, de grandes empresas americanas como a Intel ou a Cisco, ou de empresas de "private equity". Finalmente, há ainda a considerar o crowd-funding, um modelo baseado nas redes sociais que permite o contributo de numerosos pequenos investidores para projectos de mérito reconhecido pela opinião pública. (Moi ici: Aquela velha proposta deste blogue de "fazer by-pass ao país" vai ainda mais longe... fazer by-pass ao sistema bancário do país, como a Douro Azul recentemente. A Martifer não o tentou, ou não o conseguiu fazer... e pressionada pelos bancos vendeu um investimento com pouco mais de 2 anos... )

Trecho retirado de "Financiar o crescimento" de José Paulo Esperança publicado ontem no JdN.
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ADENDA: A Martifer não o quis fazer... percebi agora ao recordar este documento de Fevereiro deste ano (diapositivo 28)
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ADENDA (6 de Outubro): Agora fiquei um bocado confuso ... "Martifer vende centrais fotovoltaicas a fundo do BNP Paribas"

Um velho carro cubano

Como no filme "Inception":
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"Maior maternidade do país em risco com recusa de anestesistas ao novo pagamento"
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Um velho sonho vai ruindo e desfazendo-se ...
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O título concentra-nos na atitude dos anestesistas. Pessoalmente destacaria os oito meses de salários em atraso.
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E anda a suposta nata deste país na escola, a tentar conseguir um lugar em Medicina para entrar neste mundo... graças a Deus resisti a essa tentação.

Ter memória

Comecei este blogue por 3 ou 4 motivos. Um deles era o de prolongar a minha memória, ter uma base de textos, impressões e reflexões, sobre o que vou encontrando e lendo na minha vida profissional, que fosse facilmente acessível e pesquisável.
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É bom ter memória... costumo dizer nas empresas, sem registos não há memória, sem memória não se aprende.
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Por falar em ter memória...
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"Ricardo Salgado - que já vinha com uns slides preparados - defendeu os projectos de construção da rede de TGV que ligará Portugal a Espanha e do Novo Aeroporto. Portugal, diz, respondendo às questões do jornalistas, Ricardo Salgado, "vai desenvolver-se através da aposta nos serviços e estes estarão inevitavelmente associados aos transportes". Alertou para o facto de só Madrid ter um PIB maior de que o português e de isso se agravar se não se construir a rede de TGV. Pelo que o Governo deve avançar com a realização, "tão cedo quanto possível", destas obras."
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1 semestre depois o país tinha o seu primeiro PEC e a apartir daí foi o que sabemos...
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O que diz isto sobre a capacidade de antecipação estratégica de um banqueiro?

Impunidade

"A ribeira de Alcarrache ficou por desmatar, numa extensão de 1500 hectares ao longo da linha de água. As organizações de defesa do ambiente identificaram no território importantes nichos ecológicos e negociaram com a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA) a manutenção do montado de azinho, que acabou submerso.
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No entanto, na Ribeira de Alcarrache milhares de árvores continuam submersas sob 15 metros de água e os habitats que se pretendiam preservar estão irremediavelmente perdidos, quando o objectivo era não perturbar a fauna que ali vive, nem mexer na flora."
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"O sacrifício do montado de azinho na área inundada pela albufeira de Alqueva continua a ter lugar em território espanhol, decorrida quase uma década após o encerramento das comportas da grande barragem do sul, a 8 de Fevereiro de 2002. Razões de segurança para a navegação sustentam o corte de mais de 4000 azinheiras. A Confederação Hidrográfica do Guadiana, entidade que gere a bacia do rio ibérico no país vizinho, apresenta uma outra explicação: foram atingidas cotas de enchimento da barragem portuguesa que "não eram previsíveis"."
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A impunidade campeia... faz lembrar o que os árabes recordam dos cruzados na Terra Santa: gente que não respeitava acordos.
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Trecho retirado de "Alqueva: espanhóis retiram azinheiras submersas"
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É nestas alturas que sinto a falta de um A-Team e de um Hannibal Smith para apertar os calos a gente sem escrúpulos. 

Crendices e cargo cult (parte II)

Volto ao artigo de Miguel Lebre de Freitas ontem no JdN.
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O gráfico do artigo ilustra bem a diferença entre o mundo dos bens transaccionáveis (sujeitos a importações e exportações, sujeitos à concorrência internacional) e a loucura dos bens não-transaccionáveis... 

Nós funcionamos com base em estímulos e é muito difícil resistir-lhes:

Quem tinha capital para investir e quisesse retorno rápido... onde o faria?
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O gráfico ilustra bem quem é que vai sofrer a sério com o Período de Desalavancagem Em Curso (PDEC) ... e reparem, onde está situado esse poder? Qual a relação dos bancos com esse poder?

TGV, Beja, a loucura ainda foi maior do outro lado

A nossa sorte foi a crise internacional ter abortado os planos do governo para Portugal.
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Sem ela, continuaríamos com o embalo que queria desfazer uma serra para atapetar um lago de Inverno e construir um aeroporto servido por um TGV para fazer as vezes de metro (Jorge Coelho dixit em tempos).
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Com ela, 5 linhas de TGV e um novo aeroporto não avançaram.
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Apesar dela, o aeroporto de Beja avançou.
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Em Espanha, onde o cainesianismo era mais antigo e os cofres do país mais recheados não construiram um aeromoscas...
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"But of the 48 regional commercial airports built in the debt-ridden country in less than 20 years, only 11 make a profit."
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"Spain's white elephants – how country's airports lie empty"
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E isto não é crime?

terça-feira, outubro 04, 2011

Crendices e cargo cult

É essencial perceber que existem 3 economias no país.
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"Preços"
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"Por exemplo, ao longo do período 1995-2009, os preços dos bens "locais" aumentaram. Porquê? Porque durante todo aquele período, a procura interna aumentou mais do que a oferta interna e os bens locais não podem ser importados. A subida do preço dos bens "locais", por sua vez, motivou a reorientação da produção em seu favor e o desvio do consumo para as importações. O impacto na estrutura produtiva e no défice externo é bem conhecido."
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E o governo, numa demonstração de "cargo cult" utilizou dinheiro, em 2009, para apoiar a economia dos bens "locais".
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E que tal apoiar o abate de veículos para importar mais carros novos?
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Há que subsidiar as economias do centro da Europa com o dinheiro saqueado aos contribuintes portugueses.

Judean People's Front vs The People's Front of Judea? (parte II)

A melhor forma de resolver a contradição da "parte I" é olhar para os números:
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"Ocupação nos hotéis de 5 estrelas foi a que mais subiu em Julho"
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Acabo de ler no "A Origem das Marcas" de Al Ries e Laura Ries:
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"Nas palavras de Darwin, "a natureza favorece os extremos". (Assim é no branding, onde a natureza favorece os extremos)"
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O muito caro e muito barato!
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Triste é quando a preguiça mental toma conta dos primeiros.

O valor não se troca nem cria na transacção, emerge durante o uso

"Challengers win by pushing customers to think differently, using insight to create constructive tension in the sale. Relationship Builders, on the other hand, focus on relieving tension by giving in to the customer's every demand.
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Where Challengers push customers outside their comfort zone, Relationship Builders are focused on being accepted into it.
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They focus on building strong personal relationships across the customer organization, being likable and generous with their time. The Relationship Builder adopts a service mentality. While the Challenger is focused on customer value, the Relationship Builder is more concerned with convenience. At the end of the day, a conversation with a Relationship Builder is probably professional, even enjoyable, but it isn't as effective because it doesn't ultimately help customers make progress against their goals."
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Trecho retirado de "Selling Is Not About Relationships" de Matthew Dixon e Brent Adamson.
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Se o valor de uma oferta emerge durante o seu uso pelo cliente, então, mais do que tornar a transacção agradável, o que continua a ser importante, há que descobrir ou desenhar a melhor solução para cada valor. Como escrevem Irene Ng e Gerar Briscoe:
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"Overall, the firms came to the realisation that an asset was not a ‘sacred cow’ and that the better it was at absorbing contextual variety of use, the less it would depend on human capability and the easier it would be to scale and replicate across contracts. Furthermore, our study suggests that organisations structured around manufacturing require a re-evaluation of their operational elements and viability when they transform into a full-service organisation. We argue for a transformation in the customer relationship to help realise the value proposition that firms offer."
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Trecho retirado de "Value, variety and viability: designing for co-creation in a complex system of direct and indirect (goods) service value proposition" de Irene Ng and Gerard Briscoe

Um livro sobre o planeta Mongo

Al e Laura Ries escreveram "The Origin of Brands: How Product Evolution Creates Endless Possibilities for New Brands".
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Comecei a ler o livro e rapidamente percebi que era sobre o advento do planeta Mongo.
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"divergência, a menos compreendida e mais poderosa força na Terra.
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O fenómeno que se se registou na natureza também está a ocorrer nos produtos e serviços.
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Eventualmente, todas as categorias irão divergir e tornar-se em duas ou mais categorias, criando infinitas oportunidades para o brand building.
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A interligação entre a evolução e a divergência providencia um modelo capaz de nos fazer compreender o Universo e, em particular o universo das marcas.
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A evolução recebeu todos os louros. Porém, ela não pode ser a única responsável pelas imensas espécies tão diversas e originais. Se não fosse a divergência, a evolução, por si só, teria criado um mundo povoado por milhões de procariotas do tamanho de dinossauros."

Macedónia

segunda-feira, outubro 03, 2011

Umberto Eco tem uma história deste tipo (parte II)

Continuado daqui.
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E na sequência de "Uma economia em transformação", depois de ler "'Podemos ter de fechar lojas', avisa Miguel Mota Freitas da SONAE SR".
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Mesmo os auto-denominados líderes de mercado ... ponderam o encerramento de lojas. Embora o exemplo dado das lojas Vobis não faça sentido. Em minha opinião essas lojas fecharam por não se terem diferenciado o suficiente da concorrência das FNACs.

A minha evolução

No final dos anos 80 do século passado descobri o mundo da qualidade.
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Comecei pelo mundo da melhoria da qualidade com "Guide to Quality Control" de Kaoru Ishikawa, Juran, com o SPC e com os métodos Taguchi.
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Depois, com a ISO 9001, a empresa onde trabalhava certificou-se em... 1992.
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Dediquei os anos 90 do século passado ao mundo da garantia da qualidade e da ISO 9001, primeiro como responsável da qualidade nas empresas onde trabalhava, depois como consultor, formador e auditor.
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Trabalhar no mundo da garantia da qualidade ajudou-me a crescer, a conhecer as empresas, a apoiar empresas que não tinham planeamento da produção, que não tinham especificações, que não tinham controlo da qualidade, que não definiam objectivos, que não aprendiam com os erros.
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Tenho consciência que algumas empresas trabalhavam para ter uma bandeira, mas para muitas foi um trabalho útil porque as tornou mais eficientes, mais organizadas, dotadas de números sobre a produção e a qualidade.
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Hoje, dedico apenas uma pequena parte do meu tempo profissional à ISO 9001, não só porque se trata de um mundo commoditizado, qualquer recém-licenciado pode trabalhar como consultor, mas também porque só aceito participar em projectos que não violem a minha consciência.
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Durante esses anos 90 acreditava que a batalha da eficiência era suficiente para as empresas.
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Hoje, sei que a eficiência não é tudo. Hoje sei que em certos negócios a eficiência é um empecilho no caminho para o sucesso...
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O mundo da qualidade que tanto me ensinou, que tanto puxou por mim... parece que enquistou e ficou para trás... cristalizado em velhas fórmulas para combater em guerras que mudaram de cenário e de armas.
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O mundo da qualidade acha o Acordo Ortográfico o máximo, uma pedra no alicerce da normalização... eu... eu aprendi que a normalização em excesso pode ser um perigo, aprendi a gostar da destruição da Torre de Babel e do que ela simbolizava.
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Hoje, acredito sobretudo na variedade, nas pequenas séries, na novidade, na eficácia, no feito-à-medida...
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Hoje, acredito que montar um sistema da qualidade numa empresa privada sem arrasar o conteúdo da cláusula 7.2 da ISO 9001 é perigoso... quem são os clientes-alvo? Qual a proposta de valor? Que clientes vamos rejeitar? (Se olharem para o conteúdo dessa cláusula verão que ela é escrita na óptica do cliente que audita o fornecedor... nunca questiona se o cliente é o adequado para o fornecedor)
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Hoje, acredito que montar um sistema da qualidade numa empresa privada sem trocar política da qualidade por estratégia para o negócio e, objectivos da qualidade por objectivos para o negócio, é incorrecto e perigoso.
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Escrevo isto por causa deste artigo "Manufacturing Strategies: The latest dMASS newsletter":
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"“quality inherently involves delivering the most value with the fewest resources and environmental impacts.” He views environmental problems as deficiencies in the process of converting resources into manufactured products and suggest shifting the focus from managing the consequences of using resources to managing resources as inputs. This means delivering much more benefit to customers with fewer resources.
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Many management strategies aimed at improving manufacturing practices – successors of the quality management movement such as Poka Yoke, lean manufacturing, and Kaizen – promote efficiency and waste reduction and often result in reduced environmental impacts."
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O mundo da qualidade ficou preso neste paradigma da eficiência. E tudo isto é válido e faz sentido quando a proposta de valor assenta no preço mais baixo. No entanto, e quando a proposta de valor não tem a ver com o preço mais baixo? E quando a proposta de valor tem a ver com a moda, com a inovação, com a customização, com a rapidez?
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Olivier Boiral em "Managing with ISO Systems: Lessons from Practice" publicado pela Long Range Planning 44 (2011) 197-220 escreve:
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"Although the number of ISO management system certifications is rapidly increasing around the world, it is also stagnating, even declining, in some developed countries. This is notably the case for ISO 9001."
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Hoje acredito que o ciclo não é o PDCA mas o CAPD e a qualidade gosta muito de grandes planeamentos, gosta muito de começar por eles. Prefiro começar pelos resultados... os actuais reais e os do futuro desejado. Tudo o resto é feito em função disso.

É a vida

""Oeiras Valley" - uma "ilha" de crescimento"
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Tanto crescimento e afinal não é sustentado... afinal é à "madeirense".
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Ou seja, se se acabarem os fósforos não há brasas auto-suficientes para gerarem o calor necessário para assar as sardinhas...
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Como dizia ontem o João Miranda, cheira-me a estertor da economia que viveu baseada em endividamento fácil a taxas de juro baixas.
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É a vida!

Macedónia


The Better You Understand Economics, the More You Realize that Money Isn’t All that Matters (parte II)

O título era "The Better You Understand Economics, the More You Realize that Money Isn’t All that Matters"
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O que nos dizem os académicos?
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"Todos os sectores de bens transaccionáveis são beneficiados pela desvalorização. Uma desvalorização discrimina estes sectores positivamente. A desvalorização é importante para contrariar os efeitos negativos que decorreram de termos uma taxa de câmbio demasiadamente valorizada. Isso desincentivou o investimento na produção de bens transaccionáveis. Agora temos de reverter esse processo." (Trecho retirado daqui)
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Atentemos no exemplo do Brasil:

O real tem-se desvalorizado, quer face ao dólar, quer face ao yuan.
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E, no entanto:
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"A diferença entre o calçado brasileiro e o português"
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Gráfico retirado daqui.

Uma alternativa barata e flexível

Desde há muito que exponho aqui no blogue a minha opinião sobre o software que se encontra por aí para apresentar os resultados dos indicadores do balanced scorecard. Por exemplo, basta recordar "BSC e software" e os 3 erros mais comuns na apresentação de resultados.
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Pois bem, com o auxílio desta macro "Sparklines for Excel (R)" conseguem-se fazer pequenas maravilhas:

Muito mais interessante que as microcharts (sparklines) que vêm incorporadas com o Excel 2010.

domingo, outubro 02, 2011

Uma economia em transformação

"Processos de falência triplicaram desde 2007"
"Número de empresas «falidas» subiu 60%"
"Número de empresas 'falidas' triplicou desde a crise"
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Só é pena é a parte enorme da economia que é Estado, demorar muito mais tempo a, ela própria, também se  transformar... enquanto não o fizer é uma sobrecarga sobre o resto da economia.