sexta-feira, outubro 15, 2010

CV e os sinais dos tempos + Diferenciação (parte II)

A propósito destas reflexões sobre os CV ("Do You Need a Résumé?") este artigo no jornal i "Criatividade. O avant-garde dos currículos - para usar com moderação"

Também esta é uma "race-to-the-bottom" acarretada por um modelo falido

No DE de hoje Daniel Amaral escreve o artigo "O massacre" onde se pode ler:
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"Mas o problema não acaba aqui. Admitamos que, em 2012 e 2013, o PIB vai decrescer em volume o que subir em preço, mantendo-se nominalmente idêntico ao de 2011. Para atingirmos os défices de 3% e 2% do PIB previstos, precisamos de mais €4,4 mil milhões. E o esforço de consolidação terá de ser ainda maior do que os anteriores. Que fazer? Vendemos os submarinos? Absorvemos mais fundos? Passamos a protectorado espanhol?
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Até agora só falámos de défices. Mas há também uma dívida para gerir. No final de 2013, ela deverá rondar os 85% do PIB, €150 mil milhões, uma tragédia só em juros. Seria prudente ir alertando as pessoas para a inevitabilidade de mais PEC - os que forem necessários para trazer aquela dívida até aos 60%. O que nos espera tem um nome: massacre. Não me surpreenderia se, findo o processo, o país tivesse recuado 20 anos. Nos gastos e no resto..."
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É recordar o postal recente "Fixes that fail..."
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Também esta é uma "race-to-the-bottom" e, como Daniel Amaral remata o artigo: "Este modelo faliu."
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Como é que estavam muitos países no final dos anos 70 do século passado? Como é que deram a volta? Não, não foi com mais impostos... foi com mais liberdade económica.

Que saudades do tempo dos Faraós...

No DE de hoje pode ler-se "Agravamento do IRS ultrapassa os 26% em 2012".
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Aquele número, 26% de agravamento, fez-me recordar um pormaior... o Estado português já me imposta mais que os Faraós aos seus súbditos.
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A retenção do meu IRS já vai em 21,5%... o Faraó taxava os seus súbditos em... 20%:
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"José impôs à terra do Egipto esta contribuição de um quinto, para o faraó, a qual subsiste ainda."
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Que saudades do tempo dos Faraós...
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Trecho retirado de Gen 47, 26.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Faz lembrar o presidente do Forum para a Competitividade

É o próprio presidente da CIP que está mentalmente acorrentado a um modelo de race-to-the-bottom...

basta recordar que ainda hoje Seth Godin nos chamou a atenção para isto "Precisamos de races-to-the-top".
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Ferraz da Costa, outro presidente mas do Forum para a Competitividade, também é useiro e vezeiro nesta receita... martelam tanto nesta tecla que duvido que lhes sobre tempo para pensar em competitividade e produtividade a sério... apostar no numerador e não no denominador. Presidentes destes não defendem estas coisas por que são más pessoas, defendem estas coisas por que a sua mente está aprisionado num jogo do gato e do rato que não lhes permite sair do atoleiro mental para onde vão resvalando... pântano que implicará, ano após ano mais redução de salários por que estarão presos numa race-to-the-bottom.

Para reflexão

"Too Young to Know It Can’t be Done"
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When you’re young anything seems possible.
And at times it is.

Diferentes clientes precisam de diferentes abordagens e diferentes pessoas

Mais uma defesa da tese, não misturar propostas de valor na mesma unidade de negócio.
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Não misturar diferentes clientes-alvo a serem servidos pelas mesmas pessoas... vai dar problemas.
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"Many accounts of similar patterns in corporate life suggest that what Blockbuster should have done was taken out a corporate insurance policy. Rather than trying to bridge the divide, Blockbuster should have set up a new division that ignored the past and focused only on the future. Of course, in this case, it would be doing no more than its newcomer competitors. Furthermore, where are the future profits in such head-to-head competition? Indeed, do it well and you improve the new product generation in a way that accelerates the decline in the old. That seems like all cost to the corporate bottom line with no gain."
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Trecho retirado de "When Your Customers Leave Your Business Model Behind"

Precisamos de races-to-the-top

Este postal de Seth Godin "What does 'pro-business' mean?" aborda de certa forma o problema da ATP e da sua posição acerca do Paquistão abordado aqui.
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Precisamos de races-to-the-top e não de races-to-the-bottom:
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"The race to the top will belong to communities that figure out how to avoid being the dumping ground "

quarta-feira, outubro 13, 2010

Fruta da época

Depois das chuvadas da semana passada... o calor dos últimos dias tem potenciado o aparecimento das saprófitas.

Em vez de uma estimativa pontual, compreender os factores que podem influenciar o futuro

"Competence in forecasting does not mean being able to predict the future with certainty. It means accepting the role that uncertainty plays in the world, engaging in a continuous improvement process of building your firm’s forecasting capability, and paving the way for corporate success. A good forecast leads, through either direct recommendations or informal conversation, to robust actions — actions that will be worth taking, no matter how the realities of the future unfold. In many cases, good forecasting involves recognizing, and sometimes shouting from the rooftops about, the inherent uncertainty of the estimates, and the fact that things can go very bad very quickly. Such shouts should not invoke the paranoia of Chicken Little’s falling sky; instead, they should promote the development of contingency plans to both manage risks and rapidly take advantage of unexpected opportunities."
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"Simply focusing on the output of the model (the projected sales figures) rather than the input (such as unemployment and consumer confidence) can actually do more harm than good. Whirlpool’s planners use their industry forecast models to focus executive attention, not replace it. The planners present the model for the upcoming year or quarter, describing the logic that has led them to choose these particular levels of demand and the reason the outcomes are meaningful. Executives can set plans that disagree with the forecasters’ predictions, but everyone has to agree on which input variables reflect an overly optimistic or pessimistic future. Even more important, managers can begin influencing some of the driving forces: For example, they can work with retail partners to encourage remodeling-driven demand to offset a drop in housing starts."
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Como nesta folha, 1 de 8, desenvolvida por uma empresa para equacionar as relações de causa-efeito que podem influenciar o futuro:
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"No model is objective, reflecting some universal truth. Instead, business models represent highly subjective views of an uncertain world. Rather than seeking the ultimate model or expert, managers should adopt the axiom cited by General Dwight D. Eisenhower regarding the successful but highly uncertain D-day invasion in World War II. He asserted that “plans are nothing; planning is everything.” A good forecast informs decisions today, but equally important, forces us to consider and plan for other possibilities."
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Trechos retirados de "Cleaning the Crystal Ball"

Um mundo de oportunidades

Este blogue procura trazer exemplos de que aposta no valor acrescentado, de quem foge do negócio do preço mais baixo, ainda que essa seja uma proposta de valor legítima.
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"Pomarfin, a smallish family-owned shoe maker based in Pomarkku, Finland. Even though the company manufactured its shoes in nearby Estonia, where costs are lower, Pomarfin found itself competing with Asian companies with a manufacturing cost base around one-fifth that of Estonia. Squeezed for profits, Pomarfin had a decision to make: it could outsource the manufacturing of its shoes to Asia and simply become a brand, or it could find a new way to differentiate the business while keeping its production in Europe."
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"Not wanting to walk away from its manufacturing roots, Pomarfin decided to compete in the emerging world of mass customization by making made-to-measure shoes for well-off men who hate shopping for shoes and want a perfect fit. Pomarfin envisioned installing a foot scanner in retail stores that sold its shoes. Clerks would scan the customer’s foot, and the image would be uploaded to a server in Pomarfin’s manufacturing plant, which would create and ship the customer a pair of shoes for his unique feet."
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A história completa pode ser encontrada aqui: "Finnish shoe firm pays lifetime royalties"
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Apostar no valor acrescentado, apostar na flexibilidade, apostar na personalização, apostar no nicho... conjugar produção industrial com internet, com novos modelos de comercialização... e não é preciso ser grande ou ser multinacional, basta estar atento e encontrar um nicho adequado.

terça-feira, outubro 12, 2010

Sintonizar ambiente e negócio

Um exemplo sobre como sistematizar a relação entre ambiente e estratégia para o negócio.
Tabela retirada do artigo "Green Shareholder Value, Hype or Hit?" de Donald Reed.

A versão chinesa da polarização do mercado

Em 2005 este artigo "The vanishing middle market" deliciou-me, passou a ser um referencial para mim.
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Hoje o The McKinsey Quarterly lança mais uma acha com uma versão da polarização na China com "China’s new pragmatic consumers" onde se pode ler:
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"They spend more in categories they highly value, and they generally trade down in less compelling ones.
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Increasingly, Chinese consumers are behaving like their counterparts in the developed world. They are more demanding and pragmatic than ever as their horizons expand beyond basic concerns about product features. Also, they are willing to pay for better value and quality and are spending more time researching and are exploring product nuances.
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Chinese consumers remain brand conscious but, unlike shoppers elsewhere, they focus on value so intensely that brand loyalty is often secondary.
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Most intriguingly, though, China’s consumers prioritize purchases across different product categories by trading off among them: the Chinese maximize their buying power by spending more in the categories they care about most and less in others.
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Chinese shoppers are also moving in the direction of consumers elsewhere in that emotional considerations increasingly influence purchase decisions. ... Another fast-growing key buying factor is the “what fits me” (or “what’s good for me”) category emerging in China’s younger (and more affluent) mass-market demographic. These shoppers are less concerned about following the crowd or the way what they buy defines them in the eyes of others than about how specific products fit their real-life needs. This factor is the main reason consumers trade up when their circumstances change and also explains why they tend to be more satisfied with better products."
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A polarização é essencial para eliminar o mercado do meio-termo e obrigar a abandonar estratégias híbridas, e obrigar as empresas a fazerem opções, e permitir estratégias viradas para nichos, para o elevado valor acrescentado associado ao pertencer a uma tribo.

O poder das histórias

"The purpose of leadership isn’t to increase shareholder value or the productivity of work teams, though effective leadership does these things. Rather, the purpose of leadership is to change the world around you in the name of your values, so you can live those values more fully and use them to make life better for others. The process of leadership is to turn your values into a compelling cause for others."
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"Revealing your moment of truth"

segunda-feira, outubro 11, 2010

Um corno de Amaltéia ...

"Someone born in 1960 has watched something like 50,000 hours of television already. Fifty thousand hours—more than five and a half solid years. (Moi ici: BTW, eu lembro-me de ver "A Família Partridge")
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Somehow, watching television became a part-time job for every citizen in the developed world. But once we stop thinking of all that time as individual minutes to be whiled away and start thinking of it as a social asset that can be harnessed, it all looks very different. The buildup of this free time among the world’s educated population—maybe a trillion hours per year—is a new resource. It’s what I refer to as the cognitive surplus.
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A surplus that post-TV media—blogs, wikis, and Twitter—can tap for other, often more valuable, uses.
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Any sense of how much of that giant block of free time is being redirected?
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Shirky: We’re still in the very early days. So far, it’s largely young people who are exploring the alternatives, but already they are having a huge impact. We can do a back-of-the-envelope calculation, for example, using Wikipedia, to see how far we still have to go. All the articles, edits, and arguments about articles and edits represent around 100 million hours of human labor. That’s a lot of time. But remember: Americans watch about 200 billion hours of TV every year."
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Uma perspectiva interessante sobre a ocupação do tempo livre, do tempo que podemos usar como muito bem entendemos. Uma galáxia de surpresas, de novidades, tudo sem o controlo do Estado ou de um patrão, sem horários, sem salário...
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Trechos retirados de "Cognitive Surplus: The Great Spare-Time Revolution"

O sensemaking que se vai impor!!!

Nas últimas semanas muita gente que vivia num mundo à parte começou a sentir o embate da realidade. A comunicação de 29 de Setembro representa o primeiro estalar de um modelo insustentável.
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Assim, muita gente vai ser despertada pela crua realidade, do sono hipnótico das sereias que prometem carne ao almoço e jantar, amanhãs que cantam e um carrossel de festivais e eventos.
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Vão ser obrigadas a fazer um corte epistemológico e assimilar uma nova compreensão da realidade, vão ter de fazer sentido dessa nova realidade. Karl Weick, Kathleen Sutcliffe e David Obstfeld dão pistas sobre o fenómeno neste poético artigo "Organizing and the Process of Sensemaking":
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“Sensemaking involves the ongoing retrospective development of plausible images that rationalize what people are doing.

Explicit efforts at sensemaking tend to occur when the current state of the world is perceived to be different from the expected state of the world, or when there is no obvious way to engage the world. In such circumstances there is a shift from the experience of immersion in projects to a sense that the flow of action has become unintelligible in some way. To make sense of the disruption, people look first for reasons that will enable them to resume the interrupted activity and stay in action.

To focus on sensemaking is to portray organizing as the experience of being thrown into an ongoing, unknowable, unpredictable streaming of experience in search of answers to the question, “what’s the story?”

Sensemaking Organizes Flux. Sensemaking starts with chaos.

Sensemaking Starts with Noticing and Bracketing (Moi ici: Os modelos mentais que têm guiado muita gente vão ter de ser suspensos, postos entre parêntesis)

Sensemaking is about labeling and categorizing to stabilize the streaming of experience.

Sensemaking Is Retrospective

Sensemaking Is About Presumption. To make sense is to connect the abstract with the concrete.

Sensemaking Is About Action.
If the first question of sensemaking is “what’s going on here?,” the second, equally important question is “what do I do next?”

Sensemaking Is About Organizing Through. Communication. Communication is a central component of sensemaking and organizing: “We see communication as an ongoing process of making sense of the circumstances in which people collectively find ourselves and of the events that affect them.”"
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E para as empresas que continuam a ver a sua competitividade e rentabilidade a esvair-se, que tal olhar para as empresas do mesmo sector que brilham e evidenciam sucesso?
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Por que é que têm mais rentabilidade? Por que é que são mais competitivas?
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Em que é que diferem?
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Trabalham para os mesmos tipos de clientes?

Focalização, focalização, focalização

"It's Diapers.com's focus that makes it dangerous. The same focus allowed Zappos.com to dominate the shoe business on the Internet, a success that led to Amazon's $1 billion-plus purchase of the company in November 2009. "An intense focus on a category enables efficiencies that even Amazon would have trouble replicating," says Rohan. "You can optimize your business. I think specialization with scale is going to be the central theme for e-commerce for this decade."
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Specialization works for companies like Quidsi and Zappos because they build relationships with recurring customers, and because they can get their product out quickly."
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Trecho retirado de "What Amazon Fears Most: Diapers".
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Todos os dias os pequenos e focalizados põem os grandes mastodontes em guarda...

Análises simplistas

Ricardo Reis no i de Sábado no artigo "É só contabilidade" escreve:
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"Nos últimos dias li outras notícias referindo um estudo segundo o qual a produtividade dos funcionários públicos é baixa, puxando a produtividade média do país para baixo. Não consegui encontrar o estudo, mas, como noticiada, esta afirmação é difícil de entender. A maioria dos trabalhadores do Estado são professores, militares, funcionários da administração central, enfermeiros e médicos. Uma característica dos bens que eles produzem é não terem um mercado ou preço que nos permita contabilizar as suas receitas (para efeitos de contabilidade nacional, ainda se trata o produto de uma escola pública como diferente do de uma escola privada).
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Ora sem haver um registo de vendas não é possível medir o produto destes trabalhadores. A convenção contabilística é que o produto seja apenas igual aos custos. Por outras palavras, convencionou-se (por conservadorismo) assumir que o valor acrescentado por estas actividades públicas é zero. (Moi ici: Basta recordar a equação da produtividade) Logo, por definição contabilística, a produtividade destes trabalhadores é zero. É zero hoje, é zero amanhã, e o seu crescimento é zero sempre. Não porque estes portugueses não prestem um serviço útil ou não criem riqueza e bem-estar bem reais. É só contabilidade."
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Este texto veio ao encontro de alguma incomodidade que senti na leitura de "Banco central culpa função pública por fraca produtividade do país".
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É uma análise muito simplista, sobretudo recordando este clássico "Making Portugal competitive"

domingo, outubro 10, 2010

Qual é o recurso mais escasso?

Creio que o recurso mais escasso numa organização é o tempo!
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Este momento que acabou de passar não volta. Assim, o tempo que dedicamos a fazer uma coisa não pode ser recuperado para fazer outra. Ou seja, também... ou sobretudo, o nosso tempo deve ser usado estrategicamente. Como o tempo não é elástico, o tempo que decidimos dedicar a uma coisa é o tempo que  decidimos não dedicar a muitas outras coisas.
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E se algumas dessas coisas a que dedicamos o nosso tempo for menos importante, menos prioritária do que as coisas que na prática desprezamos?
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Então, devíamos o medir o retorno do investimento que fazemos com as escolhas de "atenção" que fazemos. Já no ano passado escrevi algo sobre o Retorno-da-Atenção de Robert Simons aqui no blogue.
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E voltando a Simons e a um artigo publicado em 1998 na HBR "How High is Your Return on Management?":
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"Managerial energy is an organization's most important and most scarce resource"
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Por isso, os autores do artigo propõem a adopção do Return-on-Management (ROM):
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Em que o ROM "measures the payback from the investment of a company's scarcest resource: managers' time and attention".
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Tudo isto que escrevi foi motivado pelo desalento em perceber que a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal continua a lutar instintivamente... ainda não percebeu que é má ideia confundir estratégia com testosterona.
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"Têxteis exigem estudo do impacto do Paquistão":
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"A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal vai exigir de Bruxelas um estudo de impacto económico sobre cada um dos países da União Europeia, devido à eliminação temporária das taxas alfandegárias sobre os produtos paquistaneses. O objectivo, disse ao DN João Costa, presidente da ATP, "é perceber quem vai pagar a factura" desta decisão, já que dos 81 produtos que serão isentados de taxas, 65 são artigos têxteis e de vestuário.
Conscientes da irreversibilidade da decisão comunitária, apesar de esta ainda ter de passar pelo crivo do Parlamento Europeu, os industriais reclamam também a substituiçãodos produtos têxteis por artigos de outros sectores ou, ainda, por têxteis diferentes dos considerados, entre outras medidas."
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E para cúmulo o artigo termina com:
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"Por outro lado, entre os 46 produtores mundiais de têxteis, só o Bangladesh tem custos laborais inferiores."
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Pois, por isso é que o Bangladesh é uma potência nas exportações têxteis...
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Pobre indústria têxtil ... acorrentada a uma associação que ainda não viu a luz, que ainda não percebeu que as empresas portuguesas não podem competir com o Paquistão, não por causa do Paquistão, mas por causa da qualidade de vida dos operários portugueses na indústria têxtil e por causa da saúde económica das empresas têxteis portuguesas.
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Enquanto não virem a luz vão continuar a comportar-se como um animal acossado a um canto, entretido a defender-se de um tsunami e a desperdiçar a oportunidade de mergulhar num mundo diferente, no mundo da moda, do speed-to-market, da flexibilidade, da diferenciação, do alto valor acrescentado...
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E depois o BdP vem dizer que a culpa da baixa produtividade do país é devida ao peso da Função Pública... e o peso das empresas que continuam a lutar ombro a ombro, corpo a corpo com as empresas chinesas, indianas, paquistanesas, marroquinas?
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A ATP precisa de mergulhar a fundo nos conceitos de produtividade, valor, originação de valor, precisa de estudar as contas de Rosiello e de Baker, precisa de aprender a ser como as empresas alemãs, precisa de fugir ao jogo do gato e do rato e perceber como se enfrenta a China num país com moeda forte.

Estímulos e conversa da treta

Excelente postal de Seth Godin "Beware the Nile perch".
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É impossível não deixar de pensar nos estímulos (TGVs, SCUTS e os chamados investimentos públicos) e considerá-los como autênticas percas do Nilo que tudo secam à sua volta.
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Os U2 em Coimbra foram outra perca do Nilo que custou pelo menos 200 mil euros.

sábado, outubro 09, 2010

Viva o visual

É triste descobrir esta evolução "Picture Books No Longer a Staple for Children".
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Pessoalmente reconheço cada vez mais a importância da visualização secundando esta afirmação de David Sibbet: no seu recente livro "Visual Meetings: How Graphics, Sticky Notes & Idea Mapping Can Transform Group Productivity":
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"I am conviced from my own experience that it is impossible to do what is called "systems thinking" without visualization.
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When you want to understand anything you can't experience all in one moment, ... then you need to be able to connect different pieces of information experienced at different times. If you want to think about how things connect and are related you will have to make some kind of display."