domingo, novembro 01, 2009

E depois a culpa é de Medina Carreira

"Década vazia..."
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"País a definhar..."
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"não enganar as pessoas, não há a força interior honesta..."
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I told you so...

So predictble!
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Cash carry trade! Australia, down under, the land of opportunities!
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"Arguably, the monetary strategy adopted by Stevens has compounded Australia's lack of international competitiveness for our manufacturing and service industries, especially tourism. Since the end of 2008 our dollar has appreciated 27 per cent (as of last week). This means that financial institutions that invested money at the beginning of January are enjoying an annual rate of return on their investments of 35 per cent.

US and British commercial banks can borrow from their central banks at a rate less than 1 per cent. The equivalent RBA rate is 3.25 per cent and many pundits are forecasting the rate could go to 3.75 per cent before the end of 2009. This will increase the differential between Australian and British and US interest rates and make the scope for speculative profits even higher.

Since the beginning of the year, $64 billion has poured into Australia in the form of direct and portfolio (share) investment and foreign lenders have switched $80 billion of foreign debt payable in foreign currencies to Australian currency. Most of the portfolio investment ($41 billion) has gone into bank shares. Banks now represent 40 per cent of the value of shares traded on the stock exchange, and while shares in the big four bank shares have increased by about 80 per cent (as measured by CBA shares), the Australian Stock Exchange Index has risen by only 30 per cent."

Pensamento estratégico para crescer e para cortar

"According to a recent McKinsey Quarterly survey, 79 percent of all companies have cut costs in response to the global economic crisis—but only 53 percent of executives think that doing so has helped their companies weather it. Yet organizations continue to cut. Cost reductions often go wrong, we believe, and our experience suggests that they can be done in a better way." (Moi ici: Para começar, don't get me wrong, se acredito, como acredito, que estamos a viver uma verdadeira recalibração, e que na maioria dos sectores não se voltará tão cedo ao mesmo nível de consumo que existia, antes do fim do deboche consumista internacional que acabou em 2007, há que fazer algo, por que com a redução do consumo vem a redução na venda de unidades, e com a deflação vem a redução na facturação por unidade vendida. Assim, se se reduzem as entradas de dinheiro e se o fenómeno vai durar, há que ser realista e reduzir as saídas de dinheiro. Logo, há que reduzir custos. Mas que custos?)
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"Here’s an example of how things can go wrong. An international energy company that needed to save money fast started by simply defining the amount of savings it needed and then required each department to cut costs by a similar amount, primarily through head count reductions, which varied from 17 to 22 percent. The reality, however, was that the company needed to invest more in certain technological areas that were changing quickly, as well as in operations, where performance was far below industry benchmarks. What’s more, the HR and IT departments substantially duplicated certain activities because different layers in the organization were doing similar things. Much deeper cuts could therefore be made in these functions, with little strategic risk. But the company cut costs across the board, and just six months later, technology and operations were lobbying hard to bring in new staff to take on an “uncontrollable workload,” while substantial duplication remained in HR and IT." (Moi ici: o corte nos custos realizado sem pensamento estratégico, procurando ser justo e equitativo. Pero todavia, já deviamos ter aprendido com o Rei Lear que a vida não é justa nem injusta, a vida é a vida. Cortar nos custos não pode ser guiado pela justiça! Uau, como esta última frase pode ser mal interpretada!!! Cortar nos custos tem de ser uma questão de estratégia!)
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"We suggest a better way: companies should start any cost-cutting initiative by thinking through whether they could restructure the business to take advantage of current and projected marketplace trends (for instance, by exiting relatively low-profit or low-growth businesses) or to mitigate threats, such as consolidating competitors. An important part of the analysis is to understand a company’s financial situation and the range of potential outcomes under a number of different external economic scenarios. Second, within the resulting strategy, take time to understand which activities drive value—in the public and nonprofit sectors, a good proxy might be mandated outcomes, such as the number of workers, health metrics, or school performance—and which activities do or could make the organization competitively distinctive. Organizations should invest in value-creating activities and cut costs in others while meeting clear financial goals in a set time frame." (Moi ici: This is the answer, estratégia de criação de valor, realizar os cortes nos custos orientado pela estratégia de criação de valor. Quais são as áreas onde podemos e queremos fazer a diferença? Nessas temos de continuar a investir, parar é definhar e iniciar o processo de corrosão da imagem da empresa na mente dos clientes-alvo. Nas outras áreas, naqueles processos que não são críticos para a execução estratégica, aí sim, realizar os cortes nos custos. Exactamente, estava em Vouzela quando, há anos, escrevi este texto no carro sobre os processos críticos e os de contexto (parte I, parte II e parte III)
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Trecho retirado de "A better way to cut costs".
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Da direita á esquerda...

"Politicians force taxpayers to pony it up -- just as the services rendered for a pimp's customers are rendered not by that pimp personally, but by the ladies under his charge. The pimp pockets the bulk of each payment; he's pleased with the transaction. His customer gets serviced well in return; he's pleased with the transaction. The only loser is the prostitute forced to share her precious assets with strangers whom she doesn't particularly care for and who care nothing for her.
Also like the ladies under pimps' power, taxpayers who resist being exploited risk serious consequences to their persons and pocketbooks. Uncle Sam doesn't treat kindly taxpayers who try to avoid the obligations that he assigns to them. Government is a great deal more powerful, and often nastier, than is the typical taxpayer. Practically speaking, the taxpayer has little choice but to perform as government demands.

So to call politicians "whores" is to unduly insult women who either choose or who are forced into the profession of prostitution. These women aggress against no one; like all other respectable human beings, they do their best to get by as well as they can without violating other people's rights.

The real villains in the prostitution arena are those pimps who coerce women into satisfying the lusts of strangers. Such pimps pocket most of the gains earned by the toil and risks involuntarily imposed upon the prostitutes they control. No one thinks this arrangement is fair or justified. No one gives pimps the title of "Honorable." Decent people don't care what pimps think or suppose that pimps have any special insights into what is good or bad for the women under their command. Decent people don't pretend that pimps act chiefly for the benefit of their prostitutes. Decent people believe that pimps should be in prison.

Yet Americans continue to imagine that the typical representative or senator is an upstanding citizen, a human being worthy of being feted and listened to as if he or she possesses some unusually high moral or intellectual stature.

It's closer to the truth to see politicians as pimps who force ordinary men and women to pony up freedoms and assets for the benefit of clients we call "special-interest groups.""
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Vou-me lembrar deste postal muitas vezes, infelizmente. Como os contribuintes líquidos (os que entregam mais em impostos do que recebem em salários, pensões e subsídios) já estão em minoria, e como os políticos procuram a maioria dos votos...
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Retirado daqui

sábado, outubro 31, 2009

O exemplo finlandês

Edward Hugh neste dois postais publicados no "A Fistful of euros" chama a atenção para a situação na Finlândia e para o euro. A Finlândia é o país da Europa do euro onde a queda do PIB em 2009 foi mais pronunciada. É interessante reconhecer o perigo de uma dependência esmagadora da exportação, é interessante comparar a evolução económica sueca e finlandesa e intuir que a corrosão competitiva sofrida pela Finlândia tem um culpado... o euro!
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Quem se mete no euro, leva!!!
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Todos os defeitos que a nossa economia tem a Finlândia não tem and yet...
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Não há estratégias que durem para sempre, a economia finlandesa, ao cair assim tanto, estará, porventura, em rápida reconversão para uma nova fase.
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Por cá, os lay-offs cozinhados vão adiando o inevitável, vão diluindo o "sense of urgency".

Fazer crescer o PIB

"Ernâni Lopes defende que o PIB tem de crescer de forma consistente"
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Há uma forma de o conseguir... fazendo com que o Estado gaste dinheiro. Todo esse dinheiro, gasto nem que seja a fazer pirâmides do Egipto, entra para as contas do PIB!!!
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A triste realidade...

Neste postal "Equipas de alto rendimento? - Formação" encontro um discurso com o qual podemos concordar.
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Agora o que achei delicioso foi este relato do comentário assinado:
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"Boas

Vim aqui dar por acaso, mas... não posso resistir a deixar este comentário: um dos maiores desperdícios actuais, que vem de há muitos anos e que está aí para durar mais uns quantos, é o dinheiro, as fortunas gastas em formação.
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O Luis tem toda a razão, contudo. O problema está no que diz a "M": a formação tornou-se um objecto de apropriação de dinheiro, e não de criação de valor (via melhoria ou construção de competências).
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Chega a ser impressionante, não estão de acordo? Agora mesmo, nesta "crise", é incrível aquilo que se passa! Exemplos? Aqui vai um, para começar: Uma empresa multinacional que vai parar a produção durante um mês na sua unidade em Portugal. Vai aproveitar para dar formação ao seu pessoal (60 pessoas). O Estado vai financiar. A empresa contacta um intermediário (serviços de formação profissional). O intermediário contrata um formador às 18h da sexta-feira anterior à segunda-feira em que, às 8h da manhã, começa a formação. O formador não sabe quais os assuntos concretos, só sabe que foi escolhido porque confiam muito nele. Vai haver uma reunião na 2ª-feira a meio da manhã para definir que conteúdos deve ter a formação (que já terá começado às 8h).
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Ou seja: a empresa recebe ajudas do Estado + o intermediário recebe da empresa, via Estado + o formador recebe do intermediário, e...
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Pergunto: aquelas 60 pessoas, nas 25 horas de formação sobre algo que nem a empresa nem o intermediário nem o formador ainda sabem sobre o que é, vão melhorar que competências?
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Enfim...

P.S.: desculpem a invasão do blog para este desabafo tão negro, mas... assim não dá, assim a formação é apenas retórica, por muito conscientes que possamos estar do seu verdadeiro papel."

sexta-feira, outubro 30, 2009

OK, parece justo!

Enquanto o noticiário da manhã da Antena 1 (08h00) abre com um tema deveras importante que se impõe na agenda... a crise no PSD.
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Enquanto o noticiário do meio dia da TSF abre e é quase dedicado em exclusivo a dois temas deveras importantes que se impõem na agenda... a crise no PSD e a adopção de crianças por casais do mesmo género.
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"Acha que existe o risco (alto ou moderado) de nos próximos 12 meses não conseguir pagar as contas normais e a alimentação? Um em cada três portugueses acredita que sim. Um em cada dez considera até que é de algum modo possível ter de abandonar a casa onde vive. E 20 por cento confessam que não estão muito confiantes na manutenção do emprego que têm. Quase seis por cento vão mais longe: não estão nada confiantes; acham mesmo que vão deixar de ter trabalho no próximo ano."
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Entretanto, o aumento dos funcionários públicos, a crise no PSD e a adopção por casais do mesmo género são os temas que ocupam o tempo de antena do mainstream... OK, parece justo!
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Solução? 5 linhas de TGV, uma nova ponte em Lisboa, ...

Um revés!!!

Hoje tive um revés!!!
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Hoje fiquei triste!!!
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Uma empresa com a qual tive a oportunidade de fazer uma reflexão estratégica, uma empresa com potencial para dar o salto, para deixar de ser um private label manufacturer para passar a ser um brand manufacturer, optou por não apostar nos factores intangíveis do negócio... optou por não investir no marketing, na marca associada ao seu produto-novidade que está a ser um relativo sucesso.
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Fico triste porque se fosse para investir o dobro do dinheiro numa máquina, em hardware tinha havido OK!!!
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Daniel Bessa, na reunião da COTEC afirma:
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""As PME praticamente não beneficiam destes programas. Nós estivemos a trabalhar esse problema, fizemos inquéritos à nossa rede, e vamos sair de Madrid com uma proposta conjunta, que vai ser apresentada aos três governos e à União Europeia. Sem falsas modéstias, acho que temos contributos a dar nestas matérias, e, se conseguirmos convencer a Comissão, e melhorarmos o acesso das PME a estes financiamentos, vamo-nos todos sentir muito orgulhosos"" (Trecho retirado deste artigo do Público "Cotec Portugal concebe plano para aumentar acesso das PME a fundos comunitários")
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E ainda,
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"Um estudo ontem apresentado por Daniel Bessa no quinto encontro da Cotec Europa, que reúne as organizações de Portugal, da Itália e da Espanha, deixou claro que as pequenas e médias empresas destes países apresentam muitos projectos aos programas europeus de financiamento da investigação e desenvolvimento, mas só muito poucos são aprovados e os que o são resultam quase sempre em investimentos de pouco vulto." (Trecho retirado deste artigo do Público "Um rei e dois presidentes juntos pela inovação")
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E quantidade será sinónimo de qualidade? Será que esses projectos se referem a investimentos tangíveis, do género mais máquinas, ou a investimentos intangíveis, do género mais conhecimento, mais formação, mais design, mais marketing, mais marca???
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Receio que esta argumentação numérica seja perigosa, os projectos podem ser rejeitados porque simplesmente são mais do mesmo... só estou a especular.
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Verdade seja dita que a gestão da empresa até queria apostar... mas o homem que assina os cheques, que não esteve envolvido no projecto, não esteve disponível para tal.
NOTA: O revés não foi para a minha carteira, não sou especialista em marketing, sou só um curioso, a acção de marketing era para ser desenvolvida por quem sabe e tem experiência. É um revés pessoal (meu e de quem lê este blogue em Portugal) por que significa que é mais uma empresa do meu país que ainda não está emocionalmente preparada para o salto, tem muito potencial, tem um bom produto, mas só a funcionalidade não chega.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Mais uma opção...

Edward Hugh chama a atenção para mais uma opção que se abre para a realização desse interessante fenómeno chamado cash carry trade:
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"Carry trade enthusiasts must be whetting their lips at the prospect of what is going on in Norway. The Norges Bank said its main rate should remain between 1.25 and 2.25 per cent until next March and should be “raised gradually” thereafter."
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Portanto, quem quiser transferir dinheiro, remunerado ao preço da chuva no seu país, para outro sistema bancário que proporcione melhores remunerações já tem mais uma opção, depois da Austrália.
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"Norway becomes first European country to raise interest rates"

Devo ser masoquista...

... pois não consigo deixar de ver esta decisão "Moody's revê em baixa avaliação da dívida portuguesa" como uma decisão positiva para os contribuintes portugueses.
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Tem os seus custos? Tem!
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Mas evita ou reduz muitos outros!!!
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Assim, talvez ponha algum travão ao deboche despesista!

Saturn: A Wealth of Lessons from Failure

"Saturn: A Wealth of Lessons from Failure"

It takes a village

"It takes a village to raise a child" é a versão inglesa de um provérbio africano que Hillary Clinton me deu a conhecer há uns anos.
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Para criar e educar uma criança não basta a família é precisa toda uma comunidade.
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Neste blogue escrevemos regularmente sobre o conceito de estratégia, para iniciar a sua operacionalização, a sua tradução em acções concretas a desenvolver por pessoas concretas numa janela temporal concreta, parto dos conceitos de clientes-alvo e de proposta de valor.
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Para simplificar a abordagem à definição de uma proposta de valor, parto de 3 extremos "puros":
  • proposta de valor assente na oferta do preço mais baixo;
  • proposta de valor assente na oferta de um serviço feito à medida; e
  • proposta de valor assente na oferta de um produto líder em inovação.
Muitas empresas, demasiadas até, apostam inconscientemente na oferta do preço mais baixo. Contudo, só uma é que pode ter o preço mais baixo. Assim, a proposta de valor do preço mais baixo não é para quem quer mas para quem pode.
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Por isto, e apesar de realçar que a proposta de valor do preço mais baixo é uma proposta honesta e legítima, normalmente procuro missionar no sentido de despertar mais e mais empresas para apostarem nas outras duas propostas de valor: serviço à medida ou inovação.
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Ontem de manhã, a caminho de Felgueiras, ouvi no rádio que estava reunida em Madrid a COTEC Europa, e ouvi um breve discurso do presidente Cavaco Silva sobre a importância de apostar na inovação.
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Quem conhece este blogue sabe o quanto o seu autor desconfia de estratégias únicas definidas pelo Estado, decididamente não confio na capacidade do Grande Planeador ou Geometra.
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É fácil dizer, apostem na inovação!
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Só que para criar empresas inovadoras e fomentar uma nova cultura empresarial é preciso mais do que palavras, é preciso também a contribuição do Estado naquilo que só a ele compete.
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I takes a village to raise uma massa crítica de empresas que apostam na inovação. É preciso toda uma arquitectura, todo um ecossistema que suporte, apoie, respalde a aposta na inovação.
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Quando Portugal era um país que não apostava na inovação, era também um país que apostava na cópia, por isso a legislação que protegia a propriedade industrial era muito básica... não fazia sentido ter legislação portuguesa que prejudicava só as empresas portuguesas.
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Entretanto, a legislação alterou-se e hoje em dia, sobretudo por causa da má fama internacional, o crime de contrafacção é muito combatido. Por isso, é comum vermos as imagens na televisão das brigadas da ASAE a recolherem produto contrafeito.
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Agora, uma empresa investe, aposta na inovação, gasta e gasta dinheiro a conseguir um design, ou uma fórmula, ou ... na esperança de que quando acertar será recompensada pelo mercado, exactamente o mesmo que fazem as farmacêuticas que desenvolvem medicamentos inovadores e esperam que durante a vigência da patente possam obter o retorno desse investimento.
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Por exemplo, desenvolvem um produto com um design e registam a propriedade intelectual.
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Algum tempo depois descobrem que o seu design foi copiado por uma outra empresa e comercializado com a marca dessa empresa. Não se trata, portanto, de contrafacção.
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A empresa inovadora recolhe provas e faz uma queixa à ASAE.
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E espera, e espera, e espera, e espera, e espera, e espera, e espera, e espera, e espera, e espera, e espera, e espera, .....
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Quando finalmente a ASAE actua... já a empresa copiadora vendeu o que tinha a vender e se a coisa chegar a tribunal há-de demorar uns anos a resolver.
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Numa empresa onde estive ontem, só ela tem uns 8/9 processos em curso e desespera com a lentidão com que se actua. Por vezes, o empresário, em momentos de maior desânimo, chega mesmo a equacionar a possibilidade de fechar a empresa por que só quer trabalhar com produtos inovadores, tem a estrutura montada, descobriu o truque para ter sucesso na inovação, tem uma boa equipa, mas os piratas são protegidos, de facto, pela legislação.
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Assim, em vez de discursos e convites que podem ser considerados "envenenados" era bom que os políticos começassem por fazer o seu papel e tratassem dos alicerces de uma sociedade que promove, alimenta e protege a inovação, agilizando a actuação das brigadas da ASAE.
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Lembro-me agora deste caso "Não vai dar em nada..."

"merely kicking the can down the road"

Este postal "The choice is between increasing or decreasing aggregate demand" chama a atenção para o excesso de capacidade instalada:
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"Patrões defendem manutenção de apoios estatais “pelo menos até 2011”"

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"De acordo com o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) - que falava aos jornalistas em nome de todas as confederações patronais hoje ouvidas por Sócrates no âmbito do encontro europeu - o planeamento do fim da crise e a substituição dos apoios estatais pela iniciativa privada estarão em cima da mesa nas reuniões em Bruxelas.

“A situação está estabilizada. Os maiores perigos estão ultrapassados (Moi ici: ultrapassados!?) e é natural que os líderes europeus precisem de discutir, nesta altura, o fim dos apoios do Estado, sobretudo por causa do défice orçamental”, defendeu Francisco Van Zeller.

No entanto, advertiu, é “impensável” retirar os apoios sectoriais “pelo menos até 2011”. "
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O que é que estes apoios têm feito? Têm promovido a urgência de mudar?
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"to the degree that government deficit spending is used as a vehicle for channeling funds to so-called systemically important businesses to prevent them from failing, we are merely kicking the can down the road. With the deleveraging, malinvestment must be purged for the economy to right itself on a sustainable growth path."

quarta-feira, outubro 28, 2009

Deitar dinheiros nos problemas e esperar que a tormenta passe...


Ontem ao final da tarde, sentado num banco da estação de Coimbra-B, enquanto aguardava pelo Intercidades, descobri este artigo no Público “Sarkozy anuncia plano “sem precedente” para a agricultura francesa” onde se pode ler:
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““Vim propor-lhes um plano sem precedente de apoio excepcional para a nossa agricultura que inclui mil milhões de empréstimos bancários e 650 milhões de euros de apoio excepcional do Estado”, disse o Presidente francês.”.
Enquanto lia o artigo recordei logo este outro que li na noite de segunda-feira passada no Financial Times “Living strategy and death of the five-year plan” onde sublinho:
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“This hedgehog-style approach – roll up into a ball and wait until things are less scary – may keep a company alive temporarily, but does little to prepare it for the future.
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Analysis by Boston Consulting Group suggests that corporate hibernation only works if
recessions are short, if the outside world goes back to the way it was before, and if all your competitors are equally inactive, tucked up for the economic winter. In 2009, not one of these conditions applies.”
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Há uma série de sessões que realizo em empresas e que começam com esta imagem:
O mundo está em mudança acelerada, tudo está a mudar, podemos ficar parados à espera que passe? Ou temos de nos transformar?
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Existe um universo alternativo num estado futuro desejado em que a agricultura francesa possa ser competitiva e proporcione aos seus trabalhadores um bom nível de vida?
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É possível descrever esse universo? O que o separa da situação actual? Que acções, que transformações temos de promover para lá chegar?
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Deitar dinheiros nos problemas e esperar que a tormenta passe é uma actuação perigosa... tipicamente portuguesa.

Segundas intenções

Aconselha-se Avilez Figueiredo a estudar melhor o perfil das economias europeias, neste artigo "Menos impostos à alemã" no jornal i escreve:
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"O problema de Portugal não é igual ao alemão. Lá as grandes empresas estão em maioria - e é nelas que trabalham grande parte dos alemães. E essas empresas fazem da Alemanha o maior exportador do mundo. Leu bem: do mundo - o país, portanto, não tem défice externo."
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Errado! A grande maioria dos alemães, como em toda a Europa da União Europeia, trabalha em pequenas e médias empresas. Só na Rússia, herança do regime soviético, é que impera a ditadura das grandes empresas.
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Assim, aconselha-se Avilez Figueiredo a ler Hermann Simon, pode começar pelo livro Hidden Champions:
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"Perhaps when Hermann Simon’s book The Hidden Champions became a bestseller in the 1990s, this was a big boost for a lot of so-called niche players in Germany. The majority of the small and medium-sized German companies featured in the book were among the 20 percent of such companies that are scale leaders in small markets. It follows that 80 percent of small and medium-sized German companies are niche players that are in more or less strong competitive situations against their sector’s leaders. Given that this group accounts for 49 percent of Germany’s GDP and 70 percent of all jobs, the subject of niche businesses is a central topic for German macroeconomics, even though researchers have not actually acknowledged it as such."
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Trecho retirado de "BEATING THE GLOBAL CONSOLIDATION ENDGAME - Nine Strategies for Winning in Niches" de Fritz Kroeger, Andrej Vizjak e Michael Moriarty."
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Avilez Figueiredo trabalha para quem? Pois! "Construtoras portuguesas entre as que mais cresceram na União Europeia" É mesmo neste contexto que se vão reformular e preparar para o futuro... fiem-se na Virgem ...

Duas perguntas

A propósito deste artigo no Diário Económico "TGV não é apenas TGV":
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"3. Vamos de comboio para onde? Para o centro da Europa não, mas para Espanha tudo indica que sim. A ferrovia - mostram os números franceses - é quase imbatível em viagens abaixo das 2h30 pela facilidade de uso, rapidez "centro de cidade a centro de cidade" e, no futuro, menor peso de emissões de CO2. E é esta a diferença: alguns países da Europa podem querer ou não ter comboios mais rápidos. Mas para os dois países ibéricos joga-se a questão da compatibilidade ferroviária de passageiros e mercadorias entre si e com a UE."
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Duas perguntas:
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  • Onde estão localizadas a grande maioria das empresas exportadoras portuguesas? Estão situadas a quantos km de Lisboa? Fazem 350 km de camião para depois seguirem para Espanha? Acham isto razoável?
  • E as mercadorias nos estudos franceses referidos circulam a que velocidade? Qual o custo m3/km em função da velocidade?

terça-feira, outubro 27, 2009

Comandar o destino

Agora que Jaime Silva deixou de ser ministro da Agricultura e que até o seu sucessor fez declarações no mínimo dúbias quanto ao seu consulado, aproveito para saudar o ex-ministro a 50%.
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Saúdo o Jaime Silva que foi ridicularizado pelos funcionários públicos encapotados da CAP, da fileira do leite e pelos media quando defendeu que o futuro da nossa agricultura estava no kiwi e no diospiro.
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Saúdo o Jaime Silva que teve coragem de dizer alguma da verdade que os agricultores precisam de ouvir.
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Não saúdo o Jaime Silva que pactuou com as políticas que vão adiando o inevitável, o dia em que os contribuintes europeus vão dizer basta.
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Enquanto os agricultores por cá continuam o seu choradinho de coitadinhos, de gente que não etende como o mundo mudou podemos ler isto num jornal inglês:
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"Food will never be so cheap again" (Ao ler este título não posso deixar de recordar que a Rússia tem uma área de terra arável inculta, boa para cereais, seis vezes superior à área arável inglesa, mas adiante).
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Os coitadinhos, perante um mundo em mudança pedem mais apoios e mais subsídios e mais isto e mais aquilo.
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Gente previdente olha para as mudanças em curso e identifica oportunidades e ameaças, desenha cenários e faz opções com base nos seus pontos fortes e minimizando a importância ou influência dos seus pontos fracos, e transforma a sua realidade, comanda o seu destino.

Experiências

"Consumers prefer to buy at a store where they pay a fair price every time: a price that is as low as possible and does not go up and down frequently. Retailers that continually mark down their products and sell nearly all of their merchandise at promotional prices lose part of their credibility. Consumers will no longer be prepared to buy at regular price, but will count on the fact that the product will soon be marked down, so they just wait for the next sale."
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Este ano descobri nos centros comerciais umas interessantes lojas de calçado, as Loop (julgo que pertencem ao grupo Sonae mas não tenho a certeza). As lojas têm uma gama de produtos de marca que dificilmente encontramos noutros locais, tudo reunido num único espaço. Fiquei surpreendido com o abaixamento de preços na época de saldos, em certos casos ultrapassou os 50%.
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Mentalmente pensei, por que comprar por 80€ aquilo que no final da época custa 30€?
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Já agora, Ko Floor chama a atenção para o facto de a loja de moda típica vender 50% do que comprou para a estação na época dos saldos. A Zara, com a sua política de rapidez, apenas vende 15% do stock na época de saldos.
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Trecho retirado de Branding a Store de Ko Floor.

Produtividade

O tema da produtividade é um tema que costumamos abordar neste espaço (basta seguir os marcadores).
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É um tema que muitas vezes aparece associado a mitos e conversas da treta.
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Este postal "Productividad 2.0" ilustra alguns desses mitos e tretas.