Penso que há empresas a olhar para a inteligência artificial como quem compra uma máquina nova para a fábrica: serve para produzir o mesmo com menos gente.
É uma visão compreensível, mas talvez demasiado redutora para o que está realmente em cima da mesa.
Na prática, quem usa IA no trabalho com frequência percebe algo diferente. O efeito mais interessante não é apenas a compressão do tempo. É a expansão do possível. Não se trata só de fazer o que já se fazia em menos tempo. Trata-se de fazer coisas que antes nem chegavam a acontecer: testar mais ideias, explorar mais ângulos, preparar mais versões, ligar temas distantes, abrir frentes novas.
E isso torna a discussão sobre os despedimentos um pouco mais complicada.
Quando uma empresa corta pessoas porque acredita que a IA substitui o trabalho, talvez esteja a partir de uma premissa industrial numa altura em que já não é industrial. Talvez esteja a pensar na IA como uma tesoura, quando também poderia pensar nela como uma alavanca. Como quase sempre acontece, a ferramenta não dita a estratégia, mas revela-a. Esta semana li algures um ditado que desconhecia: uma ferramenta pode ser uma boa serva, mas uma péssima mestra.
O que está em causa pode não ser apenas o número de pessoas que passam a ser "dispensáveis" para manter a operação. Pode ser quantas pessoas, munidas destas ferramentas, seriam capazes de alargar o campo de jogo da empresa. Não apenas executar melhor, mas também descobrir melhor. Não apenas responder mais depressa, mas também ver mais cedo. Não apenas cortar custos, mas criar possibilidades.
Há aqui uma ironia possível. Ao despedirem pessoas em nome da eficiência trazida pela IA, algumas empresas podem estar a livrar-se precisamente daqueles que lhes permitiriam tirar o maior partido dela. Não porque façam o mesmo mais rápido, mas porque poderiam fazer o extra. E, por vezes, é no extra que começa a verdadeira diferença competitiva.
Talvez a pergunta certa não seja: "quantas pessoas consigo retirar daqui?"
Talvez seja: "com estas ferramentas, que novo trabalho passa agora a caber dentro da empresa?"
Porque uma coisa é usar a inteligência artificial para emagrecer. Outra, muito diferente, é usá-la para crescer de maneira que antes nem parecia viável.
%2016.01.jpeg)

%2011.57.jpeg)



%2013.57.jpeg)

%2014.48.jpeg)
%2011.30.jpeg)
%2014.15.jpeg)

%2013.56.jpeg)

%2017.50.jpeg)
%2018.55.jpeg)
%2011.25.jpeg)



%2011.32.jpeg)

%2013.42.jpeg)

%2011.28.jpeg)
%2007.16.jpeg)
%2016.58.jpeg)
%2017.14.jpeg)
%2016.30.jpeg)

