Congratulations, you taxed the rich. Now half a million people have to pay more so you can feel good. pic.twitter.com/3PFIRZepXw
— Konstantin Kisin (@KonstantinKisin) July 23, 2026
sábado, julho 25, 2026
Curiosidade do dia
Da promessa ao resultado: começa a série BlueRiver
Publiquei o primeiro episódio de uma nova série: “BlueRiver — ISO 9001:2026 in Real Life”.
sexta-feira, julho 24, 2026
Curiosidade do dia
Hoje é mais uma espécie de oração do dia.
Que Deus me dê a sabedoria para evitar o destino de Clark. Alguém que prefere habitar uma versão conveniente das suas memórias a enfrentar a realidade e assumir responsabilidade. Por que esse refúgio acaba por se transformar numa prisão e, finalmente, num predador.
Três preços... como resolver sem ser "comido" pelos oportunistas?
O FT da passada Quarta-feira publicou um artigo, "EU's industrial base in fight for survival against Chinese threat", relacionável com o tema deste postal publicado na passada Terça-feira, "Um tema interessante para o pensamento liberal".
"In the Flemish market town of Tienen in Belgium, Citribel's fermentation vats have produced citric acid for Europe's food, pharmaceutical and cleaning industries since 1929.
Nearly 8,000km away in China's eastern province of Shandong, a cluster of newer producers has helped turn the same commodity into a test of whether Europe can still defend its basic industrial base.
...
'The Chinese are selling at around €1,000 per tonne, which is 40 to 50 per cent below my cost price'
...
Sylvie Lemoine, deputy director-general of the European Chemical Industry Council (Cefic), said Europe had been wrestling with a toxic combination of higher energy prices, green taxes and soft demand at home [Moi ici: E processos necessariamente menos eficientes e escaláveis, unidades com 100 anos a competir com unidades com menos de 20 anos] - all at a time when Chinese production had surged."
Pode uma commodity escapar à competição pelo preço? Se o produto for efectivamente indiferenciado, cumprir as mesmas especificações e o cliente valorizar exclusivamente o preço, a resposta honesta é: não. Nesse segmento, a empresa só pode competir através do custo, da escala e da eficiência. Não existe uma narrativa comercial capaz de sustentar permanentemente uma diferença de 40% ou 50%.
O mercado não remunera a capacidade de que a sociedade poderá vir a precisar. Assim, cada comprador europeu toma uma decisão racional ao adquirir ácido cítrico chinês mais barato. Poupa dinheiro e melhora os seus próprios resultados, mas a soma dessas decisões pode conduzir ao encerramento dos produtores europeus, à dispersão das equipas e à perda de conhecimento industrial, como Fernandes sublinha no artigo citado no postal de Terça-feira.
Surge aqui uma diferença entre a racionalidade privada e a racionalidade colectiva. O comprador paga pelo ácido cítrico que recebe hoje; não paga pela possibilidade de haver uma fábrica europeia disponível amanhã, caso a China limite as exportações. A resiliência funciona como uma apólice de seguro: parece um custo inútil enquanto nada acontece e torna-se indispensável quando surge a crise.
Não conheço o assunto o suficiente, mas intuitivamente penso em algo parecido com o que há nos mercados da electricidade e remunerar capacidade que pode ser necessária em situações de escassez através de um leilão. Já uma nacionalização seria um passaporte para transformar importância estratégica em ineficiências acumuladas.
Também pensei na solução da Dow com o uso da sua marca Xiameter. No entanto, dificilmente poderia compensar uma diferença de custo 40 a 50%.
Temos 3 ingredientes, três preços que hoje estão confundidos: o preço do produto, o preço da resiliência e o preço de preservar uma capacidade industrial. Como lidar com o segundo e o terceiro e, ao mesmo tempo, conseguir concorrência e produtividade para evitar premiar a ineficiência?
Quem se lembra de um guarda-chuva num dia de sol?
quinta-feira, julho 23, 2026
Curiosidade do dia
Quem fica com o risco do inventário?
"Large fashion groups including LVMH, Prada, Chanel and Inditex will be banned from destroying unsold clothes and footwear in the EU from this week, forcing the industry to overhaul the way it handles excess stock and customer returns....Between 4 per cent and 9 per cent of textile products offered for sale in Europe - equivalent to an estimated 264,000 to 594,000 tonnes a year - are destroyed before use, according to the European Environment Agency....From July 19, large companies will be prohibited from incinerating or sending to landfill unsold clothes, accessories and footwear, including products returned by customers.The rules encourage donation, repair and reuse as more environmentally sustainable alternatives, with destruction to be permitted only under certain circumstances such as where goods pose health or safety risks, are irreparably damaged or are counterfeit."
- Marcas decidem produzir menos e pressionar preços, o que leva à perda de volume, de margens e de empresas.
- Marcas decidem empurrar o risco para montante da cadeia. Os fornecedores têm de suportar os stocks e os cancelamentos, o que leva a maiores necessidades financeiras e a maior vulnerabilidade das PME.
- Marcas apostam na resposta rápida, apostam nas pequenas encomendas, na reposição frequente e produção próxima do consumo, o que leva a um reforço do nearshoring para Portugal.
- Marcas apostam na economia circular, na reparação, no recondicionamento, na reutilização e na recuperação de materiais, o que pode levar a novas actividades de maior valor acrescentado.
quarta-feira, julho 22, 2026
Curiosidade do dia
Depois desta Curiosidade do dia percebo que a coisa é ainda mais short-term. Ontem o WSJ publicou o artigo "Can We Kill You for Your Organs, Please?"
O artigo critica uma proposta publicada no New England Journal of Medicine por três académicos, segundo a qual a crescente aceitação da eutanásia voluntária justificaria reconsiderar a chamada “dead donor rule” — a regra que determina que a extracção de órgãos vitais só pode ocorrer depois da morte do dador.
Segundo a autora, a proposta permitiria que pessoas que tivessem escolhido o suicídio assistido fossem anestesiadas e tivessem os órgãos removidos enquanto estes ainda estivessem a funcionar, sendo a própria extracção a provocar a morte. Embora os proponentes defendam que isso aumentaria a disponibilidade e a qualidade dos órgãos para transplante, a autora considera a prática eticamente macabra e susceptível de aumentar a pressão sobre pessoas vulneráveis para que ponham termo à vida.
É um "admirável" mundo novo:
“Patients would receive an anesthetic . . . and under anesthesia, the organs would be removed . . . while they’re still functioning.”
O aspecto mais weird não é apenas a extracção de órgãos ainda funcionais. É a inversão da lógica da transplantação: em vez da morte tornar possível a doação, seria a doação a produzir a morte.
Ainda neste passado sábado vi um filme na televisão em que um louco escolhia vítimas para que elas, ao morrerem, doassem o coração a um detetive (Clint Eastwood) com um perfil de compatibilidade muito raro.
"É meter código nisso"
Na passada Segunda-feira, o WSJ publicou o artigo "Lego Strikes Back Against Screens":
"Lego is hailing Smart Play, launched in March, as the biggest upgrade of the Danish toy maker's vaunted "system of play" since 1978. That marked the debut of minifigures,
...
Lego plans to introduce hundreds of sets using the interactive technology.
At the heart of the new system are rechargeable smart bricks and microprocessors that can read digital tags inscribed inside other Smart Play pieces.
...
The smart bricks also detect motion, light up, produce sound effects that change based on play and, in some cases, sense and communicate with other smart bricks."
Ao longo dos anos, tenho usado a expressão “É meter código nisso” (começou em 2014) como metáfora para uma alternativa à competição pelo preço: incorporar inteligência, dados e software num produto tradicional para aumentar o valor que este permite ao cliente criar.
O Smart Play da Lego parece ser mais um exemplo dessa tendência. A empresa não meteu código nas peças para substituir o brinquedo físico por um ecrã, mas sim para ampliar aquilo que sempre tornou a Lego especial. A criança continua a construir e a inventar a história; o código acrescenta movimento, luz, som e capacidade de resposta. Não elimina a actividade do cliente: enriquece-a.
É a passagem para o campeonato do numerador. O mesmo conjunto de peças deixa de ser apenas um objecto e transforma-se numa experiência interactiva, mais diferenciada e potencialmente vendida a um preço superior. Mas o artigo contém também um aviso importante: “meter código nisso” não é acrescentar tecnologia porque é possível. É incorporá-la de forma a aumentar o valor sem destruir a simplicidade, a identidade e a razão pela qual o cliente escolhe o produto.
terça-feira, julho 21, 2026
Curiosidade do dia
Ontem encontrei isto:
Depois, à noite, enquanto preparava o jantar ouvi isto:Um tema interessante para o pensamento liberal
Neste artigo no LinkedIn, "Antibiotic Sovereignty Requires Economic Viability", Manuel Fernandes escreve sobre a soberania na produção de antibióticos: o acesso a um produto crítico não equivale à capacidade de o produzir, nem garante que ele continuará disponível quando o contexto geopolítico mudar.
Pois bem, o artigo "Chinese helium ban threatens industrial supplies to Europe" publicado no FT de ontem funciona quase como uma demonstração prática do argumento sobre os antibióticos.
"Europe is facing an even tighter squeeze on helium supplies as China cuts off exports of the industrial gas that is vital for manufacturing microchips and the functioning of medical devices including MRI scanners.
Beijing last week announced export controls on the natural gas byproduct, which has been in scarcer supply since the conflict in the Middle East cut off exports from the Gulf."
A Europa não deixou de precisar de hélio; perdeu foi o controlo sobre as condições em que lhe pode aceder. É precisamente este o risco identificado por Manuel Fernandes no caso dos antibióticos. A Europa pode continuar a comprar antibióticos no mercado mundial, mas essa disponibilidade esconde a perda gradual de instalações, competências de fermentação, equipas experientes, conhecimento acumulado e fornecedores especializados.
Como argumenta Fernandes, soberania farmacêutica não significa produzir tudo na Europa, nem procurar uma autarcia impossível. Significa preservar as capacidades cuja perda deixaria o continente perigosamente exposto. O problema é que a produção europeia de antibióticos não desaparece por decisão formal. Desaparece silenciosamente, à medida que deixa de ser economicamente viável competir com produtores de menor custo, enquanto compradores e sistemas públicos de saúde continuam a privilegiar o preço imediato.
Cada decisão de compra pode parecer racional quando considerada isoladamente. O resultado acumulado pode, porém, ser estrategicamente desastroso: encerram-se instalações, dispersam-se equipas e perde-se um conhecimento industrial que demora anos a reconstruir, se ainda for possível fazê-lo.
No hélio, a Europa está agora a pagar um preço muito mais elevado no mercado imediato porque não dispõe de alternativas suficientes. Nos antibióticos, Fernandes alerta para a necessidade de agir antes de a mesma escassez tornar visível aquilo que os preços baixos ocultavam: a erosão da base produtiva.
Um tema interessante para o pensamento liberal.
segunda-feira, julho 20, 2026
Curiosidade do dia
Mão amiga mandou-me esta imagem:
Serve para contextualizar "Praias com má qualidade da água em Portugal aumentam para 12. Veja onde não deve mergulhar".
Tenho visto pouca televisão, mas no ano passado havia mais alarido com estas cenas: "Praia da Luz interdita a banhos"; "Poluição interdita Praia de Santo Amaro de Oeiras"; "Praia do Areinho em Ovar interditada a banhos".
Neste podcast a certa altura o meu interlocutor diz qualquer coisa como:
"Uma fábrica pode apresentar um EBITDA positivo e, ainda assim, ser economicamente frágil. Porquê? Porque, na produção farmacêutica regulamentada, os resultados financeiros visíveis podem estar assentes em problemas que foram sendo adiados: acções de correcção por executar, falta de investimento nas infra-estruturas de apoio, validações em atraso, fragilidades no cumprimento das Boas Práticas de Fabrico, equipamentos envelhecidos, necessidades de manutenção que ainda não se tornaram evidentes, práticas de documentação deficientes e investimentos que serão necessários, mas que ainda não foram reconhecidos nas contas."
Geringonças everywhere...
Mongo, cerveja e IA
- pesquisar tendências de consumo;
- seleccionar o tipo de cerveja;
- apoiar o desenvolvimento da receita;
- controlar temperatura e tempo durante a produção;
- acompanhar as diferentes fases do processo;
- criar o nome, logótipo, rótulo, página electrónica e loja;
- gerir existências;
- calcular automaticamente os ingredientes utilizados; e
- preparar encomendas de reposição aos fornecedores.
domingo, julho 19, 2026
Curiosidade do dia
"Researchers for the annual Post Office Travel Money Family Holiday report, which ranked 22 of the most popular European holiday destinations using on-the-ground price research conducted by Tui, found prices in the Algarve this month were 2.7 per cent lower than at this time last year. Those in most other destinations went up. The report compared prices for items including a cup of coffee, a glass of wine, sunscreen and a three-course family meal with drinks. It did not include the cost of getting to the destination or staying there. The report found it was cheaper to eat out in the Algarve this year, the average cost of a three-course meal coming in at £77.76, down from £83.67 last year."
Ideias erradas sobre a produtividade (parte II)
O artigo, ver Parte I, abre com:
"Em Portugal trabalha-se mais horas do que na UE."
A maior parte dos artigos e comentários sobre produtividade centra-se na quantidade de horas e sublinha a baixa produtividade associada a um elevado número de horas. Há até uns "cromos" que profetizam:
"Baixem as horas trabalhadas e a produtividade subirá."
A produtividade não nasce apenas no posto de trabalho. Começa antes, nas escolhas estratégicas:
- O que vende a empresa?
- A quem vende?
- Em que mercado compete?
- Com que diferenciação?
- Com que marca?
- Com que poder para estabelecer preços?
- Em que posição da cadeia de valor se encontra?
Uma empresa pode ser muito eficiente a fabricar um produto banal e continuar a apresentar baixo valor acrescentado por hora. O artigo fala de capital, tecnologia e organização, mas quase ignora a proposta de valor, o posicionamento estratégico, a diferenciação e a concorrência imperfeita.
No final há um trecho que revela um paradoxo, não sei se é a melhor classificação. Vamos a ele:
""Baixa produtividade da hora trabalhada e salários mais baixos são duas faces da mesma moeda", vinca Miguel St. Aubyn. "Se se podem pagar salários baixos, a produtividade não precisa de aumentar. E se a produtividade é baixa, não se podem pagar salários mais altos. Tem de se romper com este ciclo", evidencia."
Miguel St. Aubyn tem toda a razão: salários baixos retiram às empresas a pressão para investir e aumentar a produtividade; a baixa produtividade oferece, depois, a justificação perfeita para continuar a pagar salários baixos. A ironia está em ouvir este diagnóstico de alguém próximo do espaço político socialista, depois de anos em que os governos do PS fizeram tudo para reforçar o tal ciclo que ele diz querer romper.
O artigo termina com esta frase:
""O maior número de horas de trabalho compensa, em parte, o grande diferencial de produtividade entre Portugal e a UE", conclui João Cerejeira."
É verdade que mais horas de trabalho podem compensar parte do diferencial de produção ou de rendimento por trabalhador. Mas não compensam o diferencial de produtividade por hora: apenas o escondem através de uma maior quantidade de trabalho. O verdadeiro desafio não é trabalhar mais tempo a produzir eficientemente bens baratos, mas deslocar recursos para actividades com maior conhecimento, diferenciação, rendimentos crescentes e capacidade de praticar preços superiores. Erik Reinert ilustrou esta diferença comparando as bolas de basebol cosidas manualmente no Haiti, uma actividade presa a salários baixos e reduzido potencial tecnológico, com produtos mais sofisticados fabricados nos países ricos.
Compensar baixa produtividade com mais horas é administrar o atraso; desenvolver-se exige subir na escala de valor.
A frase confunde a produtividade por hora com a produção ou o rendimento anual por trabalhador. Mais horas não corrigem a baixa produtividade: permitem viver com ela por algum tempo. É uma compensação quantitativa que pode até adiar a transformação qualitativa de que a economia necessita.
sábado, julho 18, 2026
Curiosidade do dia
Há, no discurso de posse de Andy Burnham, uma curiosa tentativa de regressar ao mundo anterior a Margaret Thatcher, esquecendo por que razão Thatcher chegou ao poder. Vem aí a reversão das privatizações, entre outras ideias.
O problema é que várias das ideias que propõe reproduzem precisamente o modelo económico que precedeu Thatcher: empresas públicas protegidas da concorrência, preços politicamente determinados, investimento condicionado pelas finanças do Estado, sindicatos com capacidade para bloquear a economia e governos empenhados em escolher e sustentar sectores industriais. Oh! What can go wrong?
O resultado foi inflação elevada, baixa produtividade, conflitos laborais, subinvestimento e empresas que transferiam repetidamente seus prejuízos aos contribuintes. Burnham apresenta como futuro uma parte importante do passado, sem ainda explicar como evitará que regressem também as razões pelas quais esse passado foi abandonado.
O que pode correr mal ...
- aumentar salários;
- automatizar;
- reorganizar processos;
- investir em tecnologia;
- melhorar as condições de trabalho;
- abandonar segmentos sem futuro;
- ou fechar, pura e simplesmente.
sexta-feira, julho 17, 2026
Curiosidade do dia
França abre caminho à eutanásia. Os deputados aprovaram a morte medicamente assistida para adultos com doenças incuráveis, em risco de vida e com sofrimento físico constante ou psicológico, desde que possam expressar uma decisão livre e informada. pic.twitter.com/7C3dmV4k9x
— CNN Portugal (@cnnportugal) July 15, 2026
Tão distante do mainstream mediático português... até dói
O NYT da passada quarta-feira publicou um artigo intitulado "Productivity in U.S. Is on a Major Roll. Is It A.I.? Not Really." Um artigo alinhado com as ideias deste blogue e distante do mainstream mediático.
Primeiro a introdução:
"For years now, "labor productivity" - an economic measure of how much each worker produces - has been climbing at its fastest pace in at least two decades. Artificial intelligence is merely a fresh ingredient in the gumbo of forces propelling the trend, not the central one, at least for now. Tight labor markets, digitization and remote work are among other parts of the mix.
"I never thought I'd see this many years of really high productivity and, by the way, expect it to continue," Jerome H. Powell told reporters in March, before he stepped down as Federal Reserve chair. "And we haven't really started to see the effects of generative A.I.""
Agora vamos ao sumo:
""I believe the productivity gains began coming out of Covid with the digitization of work, remote work and the implementation of machine learning - and we're just scratching the surface on A.I." Mr. McVey said.
...
Another driver of sunnier productivity numbers has been low unemployment, which has stayed at or below 4.5 percent since October 2021 - the longest streak since the 1960s. When nearly everyone who wants a job has one, employers have to pay more to attract workers [Moi ici: Daí a metáfora dos Figos] , which pushes them to find efficiencies elsewhere.
...
Mr. McVey pointed to another, more solemn reason productivity is up: job cuts."
O artigo defende que a produtividade nos EUA está a melhorar de forma significativa, mas que é prematuro atribuir esse salto sobretudo à inteligência artificial. A IA aparece como uma parte da explicação, mas não como o motor principal.
A tese central é que a produtividade tem sido impulsionada por um conjunto de factores: digitalização acumulada desde a pandemia, trabalho remoto, melhor uso de dados, pressão dos mercados de trabalho apertados, redução de efectivos em alguns sectores, tecnologia operacional mais eficiente e reorganização das empresas.
Portanto, a IA pode vir a ter impacto, mas o artigo sugere que ainda estamos numa fase inicial. Muitos ganhos actuais parecem resultar da digitalização, da reorganização, da melhoria da tecnologia operacional e da maior pressão para fazer mais com menos.
Esta é a tese deste blogue dum engenheiro anónimo da província: Quando o trabalho é caro ou difícil de encontrar, as empresas tornam-se mais disciplinadas. Automatizam, simplificam, despedem, reorganizam processos, usam dados e procuram eliminar desperdício. A escassez obriga a aumentar a produtividade; claro que os "experts" não estão de acordo.
A produtividade não nasce de proclamações, subsídios, planos estratégicos ou da adopção superficial de tecnologia. Nasce da pressão competitiva, da reorganização do trabalho e das exigências sobre os processos.
Portugal tem demasiadas actividades em que a escassez é evitada, em vez de ser usada como motor de transformação. Quando há falta de pessoas, a resposta frequente é procurar mão-de-obra mais barata, adiar investimento, proteger sectores existentes ou baixar exigências. Isso reduz a pressão para subir na escala de valor.
O artigo sugere outra leitura: quando o trabalho se torna escasso e caro, as empresas são obrigadas a escolher melhor, automatizar melhor, formar melhor, medir melhor e gerir melhor. A produtividade surge quando a empresa deixa de poder sobreviver apenas com mais horas, mais gente ou salários comprimidos.
Se queremos produtividade, temos de deixar de tratar a baixa produtividade como um problema externo às empresas. Ela vive nos processos, na gestão, na tecnologia realmente usada, na qualidade das decisões e na capacidade de fazer escolhas duras.A IA pode ajudar, mas não substitui essa disciplina. Sem processos claros, dados fiáveis, liderança exigente e capacidade de reorganizar trabalho, a IA será apenas mais uma camada de verniz tecnológico sobre empresas que continuam a funcionar da mesma forma.
quinta-feira, julho 16, 2026
Curiosidade do dia
Tratados como Figos (parte IV)
Em Outubro passado, numa série de textos intitulados "Tratados como Figos", descrevi algo que à partida parece estranho: a existência de empresas centenárias no Japão que operam no sector ... têxtil.
Segundo a teoria dos Flying Geese, o sector têxtil é um sector com margens pequenas que um país quando sobe na escala de valor, tem de abandonar:
Tem de abandonar, a menos que possa importar paletes de mão de obra barata, que aceitem trabalhar por um salário que já não garante uma vida digna como cidadão, apenas sobrevivência como "Deltas".Os produtores japoneses não competem através do volume, de salários baixos ou de capacidade instalada. Competem combinando o saber artesanal acumulado, a engenharia de materiais e a criatividade no tratamento das superfícies.
O Japão surge apenas no 17.º lugar mundial e exportou cerca de 6,2 mil milhões de dólares em têxteis em 2025, muito longe da escala da China, do Bangladesh ou do Vietname. A sua posição é, portanto, a de fornecedor de tecidos especializados e de elevado valor, não a de produtor de volume.
É uma excelente ilustração da concorrência imperfeita: não vender "tecido", mas um efeito visual, uma textura, um desempenho técnico ou uma história de origem que poucos concorrentes conseguem reproduzir.
O artigo não se limita ao romantismo do artesão. Reconhece que as marcas internacionais exigem garantias relativas à rastreabilidade, aos impactes ambientais, às certificações, às substâncias químicas e às condições sociais. Ou seja, o fornecedor não ganha apenas por saber produzir um tecido excepcional. Ganha porque consegue transformar esse saber numa oferta consistente, documentada, auditável e integrável numa cadeia internacional.
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