quinta-feira, julho 23, 2026

Curiosidade do dia


Numa outra vida, fui fundador da Quercus, o meu nome está lá na escritura assinada na Rua Álvares Cabral.

Hoje, não confio na Quercus nem em outras associações do mesmo tipo.

Se não houvesse tantos rabos presos, se não houvesse tantos apoios e subsídios em risco por causa de uma opinião, as associações ambientais em Portugal já deviam ter percebido que o maior risco para o ambiente no país, neste momento, é a febre dos centros de dados: "Embaixador dos EUA alerta Portugal para segurança dos cabos submarinos".

A Start Campus anuncia uma capacidade de 1,2 GW. Em plena utilização, poderia consumir cerca de 10,5 TWh por ano — uma ordem de grandeza equivalente a um quinto do consumo eléctrico actual português. E já existem mais de 2,6 GW em desenvolvimento no país.

Isto significa mais centrais, linhas eléctricas, subestações, baterias e ocupação do território. Significa pressão sobre a água e os ecossistemas marinhos, produção de calor, ruído, geradores de emergência e grandes quantidades de equipamentos com ciclos de vida curtos.

Dizer que funcionarão com energia renovável não resolve o problema. A energia consumida pelos centros de dados deixa de estar disponível para descarbonizar fábricas, transportes e habitações. E quando não houver sol, vento ou água nas barragens, alguém terá de garantir a electricidade exigida pelos servidores, 24 horas por dia.

No futuro, os portugueses poderão pagar redes mais caras, enfrentar maior pressão sobre a electricidade e aceitar restrições ambientais para sustentar infraestruturas que criam relativamente poucos empregos permanentes e cujo principal valor económico fica no estrangeiro.

Noutros países, as populações já exigem limites, moratórias e transparência. Em Portugal, o Governo e a oposição parecem deslumbrados com os milhares de milhões anunciados, enquanto as associações ambientais permanecem estranhamente discretas.


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