O FT da passada Segunda-feira publicou o artigo, "Fashion houses face inventory glut as Europe bans destroying unsold stock".
"Large fashion groups including LVMH, Prada, Chanel and Inditex will be banned from destroying unsold clothes and footwear in the EU from this week, forcing the industry to overhaul the way it handles excess stock and customer returns.
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Between 4 per cent and 9 per cent of textile products offered for sale in Europe - equivalent to an estimated 264,000 to 594,000 tonnes a year - are destroyed before use, according to the European Environment Agency.
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From July 19, large companies will be prohibited from incinerating or sending to landfill unsold clothes, accessories and footwear, including products returned by customers.
The rules encourage donation, repair and reuse as more environmentally sustainable alternatives, with destruction to be permitted only under certain circumstances such as where goods pose health or safety risks, are irreparably damaged or are counterfeit."
As marcas terão de escolher entre produzir menos, suportar custos de armazenamento mais elevados ou desenvolver canais controlados de desconto, doação, reparação, reutilização, revenda e reciclagem.
A questão é particularmente delicada para as marcas de luxo, que dependem da escassez e do controlo da distribuição para proteger o valor dos seus produtos.
Quais as consequências para o ITV e o calçado português? Que cenários são possíveis?
- Marcas decidem produzir menos e pressionar preços, o que leva à perda de volume, de margens e de empresas.
- Marcas decidem empurrar o risco para montante da cadeia. Os fornecedores têm de suportar os stocks e os cancelamentos, o que leva a maiores necessidades financeiras e a maior vulnerabilidade das PME.
- Marcas apostam na resposta rápida, apostam nas pequenas encomendas, na reposição frequente e produção próxima do consumo, o que leva a um reforço do nearshoring para Portugal.
- Marcas apostam na economia circular, na reparação, no recondicionamento, na reutilização e na recuperação de materiais, o que pode levar a novas actividades de maior valor acrescentado.
A proibição não favorece automaticamente Portugal. Favorece um determinado tipo de capacidade: produzir perto, depressa, em pequenas quantidades, com rastreabilidade, capacidade de reposição e soluções para o produto após a primeira venda.
O risco é as empresas portuguesas aceitarem todas estas novas exigências como simples condições adicionais impostas pelos clientes, sem rever preços e modelos contratuais. Nesse caso, Portugal ficará com a complexidade e o inventário, enquanto as marcas conservam a margem.
O verdadeiro sinal a acompanhar não é apenas a redução das encomendas. É perceber quem assume o risco do inventário. Essa variável determinará se a nova regulamentação cria valor para as PME portuguesas ou apenas lhes transfere custos.
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