O NYT da passada quarta-feira publicou um artigo intitulado "Productivity in U.S. Is on a Major Roll. Is It A.I.? Not Really." Um artigo alinhado com as ideias deste blogue e distante do mainstream mediático.
Primeiro a introdução:
"For years now, "labor productivity" - an economic measure of how much each worker produces - has been climbing at its fastest pace in at least two decades. Artificial intelligence is merely a fresh ingredient in the gumbo of forces propelling the trend, not the central one, at least for now. Tight labor markets, digitization and remote work are among other parts of the mix.
"I never thought I'd see this many years of really high productivity and, by the way, expect it to continue," Jerome H. Powell told reporters in March, before he stepped down as Federal Reserve chair. "And we haven't really started to see the effects of generative A.I.""
Agora vamos ao sumo:
""I believe the productivity gains began coming out of Covid with the digitization of work, remote work and the implementation of machine learning - and we're just scratching the surface on A.I." Mr. McVey said.
...
Another driver of sunnier productivity numbers has been low unemployment, which has stayed at or below 4.5 percent since October 2021 - the longest streak since the 1960s. When nearly everyone who wants a job has one, employers have to pay more to attract workers [Moi ici: Daí a metáfora dos Figos] , which pushes them to find efficiencies elsewhere.
...
Mr. McVey pointed to another, more solemn reason productivity is up: job cuts."
O artigo defende que a produtividade nos EUA está a melhorar de forma significativa, mas que é prematuro atribuir esse salto sobretudo à inteligência artificial. A IA aparece como uma parte da explicação, mas não como o motor principal.
A tese central é que a produtividade tem sido impulsionada por um conjunto de factores: digitalização acumulada desde a pandemia, trabalho remoto, melhor uso de dados, pressão dos mercados de trabalho apertados, redução de efectivos em alguns sectores, tecnologia operacional mais eficiente e reorganização das empresas.
Portanto, a IA pode vir a ter impacto, mas o artigo sugere que ainda estamos numa fase inicial. Muitos ganhos actuais parecem resultar da digitalização, da reorganização, da melhoria da tecnologia operacional e da maior pressão para fazer mais com menos.
Esta é a tese deste blogue dum engenheiro anónimo da província: Quando o trabalho é caro ou difícil de encontrar, as empresas tornam-se mais disciplinadas. Automatizam, simplificam, despedem, reorganizam processos, usam dados e procuram eliminar desperdício. A escassez obriga a aumentar a produtividade; claro que os "experts" não estão de acordo.
A produtividade não nasce de proclamações, subsídios, planos estratégicos ou da adopção superficial de tecnologia. Nasce da pressão competitiva, da reorganização do trabalho e das exigências sobre os processos.
Portugal tem demasiadas actividades em que a escassez é evitada, em vez de ser usada como motor de transformação. Quando há falta de pessoas, a resposta frequente é procurar mão-de-obra mais barata, adiar investimento, proteger sectores existentes ou baixar exigências. Isso reduz a pressão para subir na escala de valor.
O artigo sugere outra leitura: quando o trabalho se torna escasso e caro, as empresas são obrigadas a escolher melhor, automatizar melhor, formar melhor, medir melhor e gerir melhor. A produtividade surge quando a empresa deixa de poder sobreviver apenas com mais horas, mais gente ou salários comprimidos.
Se queremos produtividade, temos de deixar de tratar a baixa produtividade como um problema externo às empresas. Ela vive nos processos, na gestão, na tecnologia realmente usada, na qualidade das decisões e na capacidade de fazer escolhas duras.A IA pode ajudar, mas não substitui essa disciplina. Sem processos claros, dados fiáveis, liderança exigente e capacidade de reorganizar trabalho, a IA será apenas mais uma camada de verniz tecnológico sobre empresas que continuam a funcionar da mesma forma.
%2017.57.jpeg)

Sem comentários:
Enviar um comentário