Depois desta Curiosidade do dia percebo que a coisa é ainda mais short-term. Ontem o WSJ publicou o artigo "Can We Kill You for Your Organs, Please?"
O artigo critica uma proposta publicada no New England Journal of Medicine por três académicos, segundo a qual a crescente aceitação da eutanásia voluntária justificaria reconsiderar a chamada “dead donor rule” — a regra que determina que a extracção de órgãos vitais só pode ocorrer depois da morte do dador.
Segundo a autora, a proposta permitiria que pessoas que tivessem escolhido o suicídio assistido fossem anestesiadas e tivessem os órgãos removidos enquanto estes ainda estivessem a funcionar, sendo a própria extracção a provocar a morte. Embora os proponentes defendam que isso aumentaria a disponibilidade e a qualidade dos órgãos para transplante, a autora considera a prática eticamente macabra e susceptível de aumentar a pressão sobre pessoas vulneráveis para que ponham termo à vida.
É um "admirável" mundo novo:
“Patients would receive an anesthetic . . . and under anesthesia, the organs would be removed . . . while they’re still functioning.”
O aspecto mais weird não é apenas a extracção de órgãos ainda funcionais. É a inversão da lógica da transplantação: em vez da morte tornar possível a doação, seria a doação a produzir a morte.
Ainda neste passado sábado vi um filme na televisão em que um louco escolhia vítimas para que elas, ao morrerem, doassem o coração a um detetive (Clint Eastwood) com um perfil de compatibilidade muito raro.


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