- aumentar salários;
- automatizar;
- reorganizar processos;
- investir em tecnologia;
- melhorar as condições de trabalho;
- abandonar segmentos sem futuro;
- ou fechar, pura e simplesmente.
sábado, julho 18, 2026
O que pode correr mal ...
Quer salários europeus, mas pensa em aumentar a produção através de mais trabalhadores. Os salários não convergem com os europeus apenas porque Portugal produz mais. Convergem quando aumenta o valor produzido por trabalhador e, sobretudo, quando as empresas conseguem vender ofertas menos comoditizadas, com melhores margens.
Se a resposta à falta de trabalhadores for importar mão-de-obra para manter as mesmas actividades, os mesmos processos e os mesmos modelos de negócio, a economia cresce por volume, não por valor.
O Patriarca pretende o resultado das economias mais produtivas, mas admite uma prática que pode conservar a estrutura económica que explica o atraso salarial.
Lamenta que os portugueses emigrem por causa dos baixos salários, mas defende a integração de imigrantes nas actividades que os portugueses abandonam. Se os jovens portugueses deixam certas actividades porque estas pagam pouco e oferecem poucas perspectivas, trazer trabalhadores mais pobres para ocupar esses lugares resolve o problema das empresas, não o problema do país.
Permite que sobrevivam actividades que talvez tivessem de:
A imigração pode, assim, substituir a estratégia. Os portugueses qualificados saem e entram trabalhadores dispostos a aceitar postos que sustentam o equilíbrio de baixos salários. A economia continua a funcionar, mas não se transforma.
E a ideia peregrina de reconhecer que Portugal tem problemas estruturais, para, logo a seguir, transferir a solução para a União Europeia? Esta doença de ver na Europa a solução para os problemas criados pelas nossas regras é doentia... é um subterfúgio para sacar riqueza criada por outros europeus e manter a nossa incapacidade de criar riqueza.
As palavras do Patriarca ilustram bastante bem uma crítica que Joaquim Aguiar fazia recorrentemente: o debate português concentra-se na distribuição dos resultados e muito menos nos mecanismos que os permitem produzir.
Nunca aparece a pergunta: que economia será capaz de criar a riqueza necessária para sustentar, de forma sustentável, a nossa comunidade? Procura-se resolver politicamente, através da distribuição, aquilo que só pode ser sustentado economicamente pela criação de riqueza. O Estado redistribui, protege e compensa; mas não pode distribuir indefinidamente uma riqueza que a economia não gera.
Reconhecer a necessidade de criar riqueza obrigaria a escolher, a aceitar custos e a abandonar actividades sem futuro. Exigiria admitir que algumas empresas não podem continuar, que determinados modelos dependentes de salários baixos devem desaparecer e que certos recursos precisam ser transferidos para actividades mais produtivas. Como essas decisões têm destinatários concretos e custos imediatamente perceptíveis, a política prefere falar de direitos, intenções e redistribuição.
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