quinta-feira, julho 16, 2026

Curiosidade do dia


A convocatória identifica problemas reais: custos a subir, preços estagnados e dificuldades de venda. Mas a linguagem sugere que são sempre os outros que têm de mudar - o Estado, os importadores, a regulação ou o mercado. Os viticultores surgem como vítimas, não como agentes que também podem ter de rever o que produzem, quanto produzem e para quem produzem.

Num contexto em que se bebe cada vez menos vinho, não basta cobrar preços mais altos pela mesma oferta. É preciso discutir o excesso de produção, a diferenciação, o posicionamento e a criação de valor.

A expressão «escoar a produção» é especialmente reveladora. Não se fala em conquistar clientes ou criar preferência, mas em retirar produto de um depósito. Assim, o próprio sector acaba por tratar o vinho como uma mercadoria indiferenciada.

Um plenário seria mais útil se incluísse a pergunta decisiva: o que podemos mudar nós? Sem isso, corre-se o risco de tentar preservar o passado num mercado que já mudou.




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