domingo, fevereiro 01, 2026

Dedicado aos candidatos socialistas à presidência da República Portuguesa


Não sei alemão, mas o Google Tradutor deu-me uma ajuda. 

O editorial do Handelsblatt da passada sexta-feira, 30 de Janeiro, é dedicado aos candidatos socialistas à presidência da República Portuguesa. 

O título do editorial é "Das Arbeitsrecht gefährdet Deutschlands Zukunft", ou seja, "A lei laboral põe em risco o futuro da Alemanha".

O editorial argumenta que o direito do trabalho alemão, concebido para garantir segurança num contexto económico estável, tornou-se hoje um travão à adaptação, à inovação e à produtividade. Num mundo em que os ciclos tecnológicos são curtos e a criação de valor exige mudanças rápidas, a rigidez associada ao despedimento, à reestruturação e à mobilidade laboral encarece a mudança e desincentiva o investimento.

O autor sustenta que esta rigidez não afecta apenas empresas individuais, mas também enfraquece a capacidade de renovação da economia como um todo, levando as empresas a optar por optimizações marginais dos produtos existentes em vez de apostar em novos modelos de negócio. O artigo contrapõe o modelo alemão ao modelo dinamarquês, no qual a segurança não resulta da protecção do posto de trabalho, mas da capacidade do trabalhador de encontrar rapidamente um novo emprego, apoiada por políticas activas de requalificação.

A conclusão é clara: a questão central já não é preservar empregos existentes, mas capacitar pessoas a se reinventarem continuamente, sob pena de comprometer o futuro económico do país.

Algumas ideias do artigo são:
  • O direito do trabalho alemão foi criado com boas intenções, num contexto histórico de estabilidade e crescimento previsível, mas transformou-se numa garantia contra o futuro, e não contra o risco. A rigidez laboral favorece uma economia de pequenos ajustes incrementais, quando o contexto actual exige grandes saltos tecnológicos e organizacionais.
  • Os processos de reestruturação que, noutros países, demoram semanas ou meses podem arrastar-se durante anos na Alemanha, consumindo tempo, capital e energia de gestão.
  • O elevado custo de despedir e reestruturar desincentiva o investimento em novas tecnologias, pois o risco de falhar é demasiado elevado.
  • Start-ups em países com legislação laboral rígida são avaliadas com desconto, pois os investidores antecipam custos elevados de ajustamento caso haja uma mudança de estratégia.
  • Quanto mais caro é falhar, menores são as experiências, o que reduz a inovação e, em última instância, a produtividade.
  • Este não é apenas um problema alemão; exemplos como a Austrália mostram que endurecer o direito do trabalho pode conduzir a menor produtividade e a um crescimento mais fraco dos salários. O modelo dinamarquês é apresentado como alternativa: segurança baseada na empregabilidade, não na preservação do posto de trabalho.
  • A verdadeira segurança económica resulta da capacidade de adaptação das pessoas, apoiada por políticas activas de emprego, formação contínua e rápida reintegração no mercado de trabalho. A pergunta decisiva não é "como proteger empregos", mas "como permitir que pessoas se reinventem repetidamente ao longo da vida profissional".
Apetece perguntar: o que é que os alemães sabem disto?