Olhando apenas para a tabela e comparando-a com a comparação homóloga anterior, a leitura que se impõe é a de uma desaceleração clara na segunda metade do ano, com polarização sectorial ainda mais acentuada — algo que, aliás, já tínhamos antecipado em "Curiosidade do dia".
Há três sinais positivos — mas todos eles concentrados:
Produtos farmacêuticos (+45,2%)
Continua a ser o grande motor estrutural. O crescimento acelera face às leituras anteriores e o acumulado passa de 3 200 para 4 646, confirmando que não é efeito de base fraca, mas sim mudança de patamar.
Aeronaves (+28,7%)
Mantém volatilidade, mas reforça a trajectória positiva.
Animais vivos (+21,2%) e Frutas (+14,3%)
Quanto ao mais negativo. Aqui o quadro é mais amplo e mais preocupante:
Combustíveis (-26,9%)
A maior queda individual e um forte contributo negativo para o total. Sai de 5 174 (2024) para 3 782 (2025). Volatilidade esperada, mas o impacto é pesado.
Plásticos (-3,2%), Cortiça (-3,4%), Borracha (-1,8%), Vestuário (-1,1%)
Sectores tradicionais, intensivos em trabalho e energia, sem recuperação na segunda metade do ano. Aqui a desaceleração é estrutural, não cíclica.
Mobiliário (-5,7%) e Óptica (-8,7%)
Confirmam perda de fôlego.
Em síntese
Mais positivo: a consolidação do eixo farmacêutico e de alguns nichos exportadores específicos.
Mais negativo: a confirmação de uma desaceleração estrutural na segunda metade do ano, com impacte transversal na indústria tradicional e no agregado exportador.



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