quarta-feira, fevereiro 25, 2026
Curiosidade do dia
No Japão, há quem pague cerca de 2.000 ienes por 30 minutos dentro de um caixão. Não é humor negro. É uma experiência desenhada para "acalmar os nervos", ouvir música, meditar e, paradoxalmente, sair de lá com mais vontade de viver.
O artigo de hoje do The Times, "Stressed? Now you can rest in peace, descreve como a empresa Grave Tokyo transforma o que, noutras culturas, seria tabu absoluto numa experiência estética e quase terapêutica. Caixões decorados com flores, manga, caveiras estilizadas. Sessões em centros comerciais. Uma morte ensaiada para aliviar a ansiedade da vida moderna.
O choque cultural é inevitável. No Ocidente, escondemos a morte. No Japão, ela pode ser enquadrada, desenhada e consumida com sofisticação visual e controlo emocional. Não é apenas excentricidade. É design aplicado ao medo.
E talvez haja aqui algo mais profundo. Tal como no filme recente "Rental Family" (que, por acaso, começa com um morto dentro de um caixão durante os elogios fúnebres; depois, percebemos que o morto afinal está vivo e tudo não passa de um serviço), onde se alugam relações humanas para preencher vazios emocionais, também aqui se “aluga” a própria morte por meia hora. Não para morrer, mas para sentir.
Isto não é apenas uma curiosidade cultural. É mais um sinal da economia das experiências a avançar para territórios cada vez mais íntimos. Quando tudo é abundante, até o confronto simbólico com o fim se torna um serviço premium.
O Japão continua a lembrar-nos: onde vemos desconforto, alguém pode ver valor.
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