sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Curiosidade do dia


A propósito de "Portugueses estão a pagar mais 52,2% de impostos do que em 2016" há qualquer coisa de comovente no espírito nacional.

Todos os sectores pedem apoios. Todas as empresas exigem "medidas excepcionais".

Todos os empresários defendem o mercado; até ao dia em que precisam de socializar os prejuízos. E depois há os socialistas de direita e os socialistas de esquerda. Uns inventam subsídios estratégicos, outros cortam portagens. No fim, todos contribuem para a mesma obra-prima: mais despesa, mais redistribuição, mais engenharia fiscal.

E eis que surge a surpresa colectiva, em 2025: 
"cada cidadão paga, em média, 6.728,73 euros em impostos"

Mas talvez seja apenas coincidência. Também nos diz que estamos a pagar "mais 52,2% do que em 2016". Provavelmente culpa do Passos.

Persistência é uma virtude. 

No meio disto tudo, há um consenso admirável: ninguém quer pagar mais impostos. Só que todos querem que o Estado pague mais coisas.

Queremos energia subsidiada, indústria protegida, empresas resgatadas, salários defendidos, serviços públicos reforçados — mas sem o pequeno incómodo da factura. É quase poético.

Nacionalizam-se prejuízos, privatizam-se lucros, multiplicam-se programas, linhas de apoio, fundos europeus, incentivos verdes, incentivos digitais, incentivos estratégicos — e depois ficamos espantados quando a carga fiscal bate recordes.

Talvez um dia descubramos esta inovação disruptiva: não é possível ter mais despesas estruturais com menos receita estrutural.

Até lá, continuaremos a pedir apoios… e a pagar a conta com surpresa genuína.

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