segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Curiosidade do dia

Um exemplo ao vivo e a cores do que é a teoria dos Flying Geese:

Perguntei ao ChatGPT qual era o salário mínimo na Lituânia e em Portugal em 2005 e em 2025 (numa base de 12 meses) e obtive:


Ou seja, entre 2005 e 2025, o salário mínimo na Lituânia cresceu 616% enquanto em Portugal cresceu 132%. No entanto, ainda mais interessante é que em 2025 o salário mínimo lituano representa cerca de 47% do salário médio bruto do país, já o salário mínimo português representa cerca de 60% do salário médio bruto do país.

Uma das razões para o crescimento mais rápido dos salários lituanos foi... a emigração.

Quando a economia cresce, mas, apesar disso, há emigração (sobretudo de jovens) e não há uma política de portas abertas para receber imigrantes, o poder negocial dos trabalhadores aumenta. O salário mínimo torna-se um instrumento de retenção. Portugal compensa o envelhecimento com imigração crescente, o que reduz essa pressão.

E volto à alegria dos jornais com o roubo de um fabricante de meias à Lituânia. Percebem como isto é deprimente?

Entretanto, hoje no The Times, "Lithuania defeats baby blues despite a plunging birthrate". O artigo descreve o paradoxo demográfico da Lituânia: apesar de enfrentar uma das mais baixas taxas de natalidade da União Europeia e uma forte perda populacional desde o fim da Guerra Fria, o país revela sinais inesperados de recuperação social e económica. Depois de décadas marcadas por emigração em massa, sobretudo após a adesão à UE em 2004, a saída de cidadãos abrandou e o fluxo de regresso tem aumentado. A economia ganhou dinamismo, impulsionada por sectores como a tecnologia e a indústria, e o país regista níveis elevados de satisfação e optimismo entre a população jovem.
"Despite all this, an EU poll published a fortnight ago put the Lithuanians near the top of every table measuring optimism about the future of the world, their country and their own families. According to another survey, a record 88 per cent of the population say they are broadly content with their lot. Meanwhile, in 2024 the country's under-30s were found to have the highest life satisfaction levels on the planet."

Já agora, o que é a teoria dos Flying Geese?

A teoria dos Flying Geese é uma forma simples de explicar como os países se desenvolvem ao longo do tempo. A imagem é a de um grupo de gansos a voar em "V": há um na frente e os outros seguem atrás, em fila. Na economia acontece algo semelhante. Um país começa por produzir bens mais simples e intensivos em mão-de-obra. À medida que ganha experiência, tecnologia e riqueza, os salários sobem. Quando isso acontece, deixa de ser competitivo nesses produtos básicos e passa para actividades mais sofisticadas, com maior valor acrescentado. As actividades mais simples “voam” então para países que estão numa fase anterior de desenvolvimento, onde os custos ainda são mais baixos.

A lógica económica por trás desta teoria é directa: quando os salários aumentam, as empresas precisam de produzir bens e serviços mais complexos para justificar esses custos. Se não o fizerem, perdem competitividade. Por isso, o desenvolvimento é visto como uma sequência de etapas, em que cada país sobe gradualmente na escala de valor enquanto outros ocupam o espaço deixado para trás. Esta ideia é importante porque mostra que o crescimento sustentável depende da capacidade de evoluir. Não basta crescer; é preciso transformar a estrutura económica. Caso contrário, um país pode ficar preso num ponto intermédio, com salários mais altos, mas sem a sofisticação produtiva necessária para os sustentar.


O problema é que alguns países estão mais preocupados com a redistribuição do que com a criação de riqueza. 

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