sábado, fevereiro 21, 2026

Curiosidade do dia

Encontrei este texto no Twitter: "Insistir em políticas erradas é estupidez!"

É esquisito, mesmo!

O estado quer que as empresas invistam mais em ciência e inovação. Por isso, atribui benefícios fiscais ao investimento em I&D.

Até aqui, parece uma boa ideia.

Agora vem a parte mais weird, se é que percebi o texto. Segundo um relatório da OCDE, Portugal é o país que mais gasta em benefícios fiscais para incentivar I&D (em percentagem do PIB) e é um dos países onde as empresas menos investem realmente em I&D (e a falta que ela faz para a subida na escala de valor e aumento da produtividade).

Ou seja, Portugal está em primeiro lugar na ajuda… mas muito atrás no resultado.

O texto diz que as empresas portuguesas investem cerca de 1,06% do PIB em I&D (ou seja, um pouco mais de metade da média da OCDE), mas o Estado português gasta o dobro da média da OCDE em incentivos fiscais.

E compara com Israel. Portugal gasta cinco vezes mais em apoios, mas as empresas israelitas investem cinco vezes mais do que as portuguesas.

Se um sistema custa muito dinheiro público e, mesmo assim, não produz resultados, algo não está bem concebido.

O texto sugere que:

  • Ou os incentivos não estão a funcionar como deveriam,

  • Ou estão a ser mal utilizados,

  • Ou o problema não é falta de incentivos, mas algo mais profundo (como burocracia, falta de estratégia, cultura empresarial, dimensão das empresas, etc.).

Não sei porquê isto faz-me lembrar uma frase que vi há tempos num balneário do Estádio do Dragão:

"Se treinas mal e te preparaste mal, estás preparado para falhar." 

O autor do texto diz que “a racionalidade está ausente” desta estória, parece que estamos a gastar muito dinheiro sem pensar bem se está a produzir o efeito desejado.

Portugal está a dar muitos “descontos nos impostos” para incentivar a inovação, mas as empresas continuam a inovar pouco. É como dar prémios a quem promete treinar… mas depois ninguém melhora a performance.

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