
Se cruzarmos esta tabela com aquilo que escrevi em “
Curiosidade do dia” há cerca de 1 mês, a conclusão é quase a mesma: a desaceleração na segunda metade do ano confirmou-se e a polarização sectorial acentuou-se.
Os sinais positivos continuam lá, mas continuam concentrados. O farmacêutico mantém-se como grande motor estrutural, não por efeito de base, mas por mudança de patamar. As aeronaves preservam uma dinâmica positiva dentro da sua volatilidade natural. Animais vivos e frutas reforçam trajectórias já favoráveis. Isto encaixa exatamente na leitura que fiz:
"Mais positivo: a consolidação do eixo farmacêutico e de alguns nichos exportadores específicos."
Não é crescimento difuso. É crescimento concentrado.
Do outro lado, os sectores tradicionais continuam a revelar fragilidade. Plásticos, cortiça, borracha, vestuário, mobiliário, óptica, não há sinais claros de recuperação sustentada. E aqui volto ao ponto essencial que sublinhei:
"Sectores tradicionais, intensivos em trabalho e energia, sem recuperação na segunda metade do ano. Aqui, a desaceleração é estrutural, não cíclica."
Os combustíveis continuam a pesar negativamente no agregado, tal como já tinha destacado ao referir:
"a maior queda individual e um forte contributo negativo para o total."
Mesmo admitindo volatilidade expectável, o impacto é significativo.
O agregado confirma a síntese que então deixei:
"Confirmação de uma desaceleração estrutural na segunda metade do ano, com impacte transversal na indústria tradicional e no agregado exportador."
O que me parece mais relevante não é a variação de um mês ou de um trimestre. É o desenho que começa a emergir: estamos fortes onde subimos na escala de valor e vulneráveis onde competimos por custo. A economia exportadora está a concentrar-se em poucos polos dinâmicos enquanto o "miolo industrial" tradicional perde tracção.
A questão deixa de ser estatística e passa a ser estratégica: estamos a assistir a uma transição de modelo exportador, ou a uma compressão progressiva da base industrial? É essa resposta que importa para a próxima década.
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