Às vezes tenho a sensação de que estou a ver o filme ao contrário.
O Chega apresenta-se como liberal nas palavras e estatista nas propostas. Quem proclama menos Estado enquanto defende empresas públicas estratégicas. Quem fala em baixar impostos e portagens, mas ao mesmo tempo promete novas despesas, como se o orçamento fosse elástico. Quem invoque a disciplina das contas e, no parágrafo seguinte, descubra uma nova utilização "criativa" de fundos que supostamente têm destino próprio.
E depois, há o momento alto: citar um antigo governante como referência, Passos, ao mesmo tempo em que se combate precisamente aquilo que esse governante defende hoje, mais rapidez nas reformas estruturais.
Talvez não seja incoerência. Talvez seja apenas política em modo "colagem selectiva": aproveita-se a frase, ignora-se o contexto, recicla-se a imagem.
Ou talvez o problema seja meu. Talvez eu ainda esteja à procura de coerência num guião escrito para o curto prazo, com aplauso fácil e imediato, e não de consistência de longo prazo.
Afinal, pode ser que o filme não tenha sido trocado. Pode ser que o argumento seja mesmo esse.
P.S.: Comecei a ler um livro que talvez seja útil para a Iniciativa Liberal
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