iPod.
Durante o meu jogging gosto de ouvir podcasts. Há muito que deixei de os ouvir no Youtube, saturado de publicidade; ainda os vou ouvindo no Spotify, mas confesso que já pensei em voltar aos velhos leitores de mp3.
Quando pesquisava leitores de mp3, fui surpreendido por algo fora do meu radar: o regresso do iPod.
Mais de três anos após a Apple o ter descontinuado, as pesquisas por "iPod" voltaram a subir e as vendas de modelos recondicionados crescem a dois dígitos ao ano.
Há iPods "vintage" a esgotar a centenas de dólares e comunidades inteiras dedicadas a restaurar, modificar e aumentar a capacidade destes pequenos leitores de mp3.
Porquê este regresso?
Tal como o vinil, o iPod representa uma reacção ao excesso. Excesso de notificações, de algoritmos, de escolha infinita. Num mundo em que o streaming nos oferece "toda a música do mundo", muitos começam a preferir "a sua própria biblioteca de música".
Um dispositivo sem Wi-Fi, sem anúncios, sem feed infinito, que faz uma coisa — e faz-la bem: tocar música.
Há aqui um padrão interessante. O vinil obriga-nos a ouvir um álbum do princípio ao fim. O iPod obriga-nos a escolher, a sincronizar, a decidir o que merece ocupar aqueles gigabytes finitos. Em ambos os casos, há fricção. E essa fricção devolve valor à experiência.
Num tempo de subscrições em que quase nada é verdadeiramente "nosso", possuir os ficheiros, organizar a própria biblioteca e carregar um objecto dedicado à música torna-se quase um acto de rebeldia.
Não é apenas nostalgia. É uma procura de controlo, intenção e foco.
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