terça-feira, abril 09, 2013

Faz todo o sentido este pensamento

Ainda no Domingo ironizei, nesta "Curiosidade do dia", que os quase 23% de jovens norte-americanos com menos de 25 anos que estão desempregados são vítimas da moeda forte do seu país, o euro.
.
Como os Estados Unidos não têm o euro como moeda e, apesar disso, também exibem elevados níveis de desemprego jovem, independentemente dos dólares atrás de dólares que continuam a ser atirados para estimular a sua economia, talvez a origem do fenómeno não seja a moeda mas algo comum a ambos os blocos económicos.
.
Em Novembro passado escrevi aqui "Sobre a paranóia da eficiência e do eficientismo" com base num artigo de Clayton Christensen publicado num jornal.
.
Hoje, descubro uma interessante reflexão provocada pelo mesmo artigo e que relaciona aquilo que o mainstream valoriza, na monitorização do desempenho, com os níveis de desemprego. Para mim, faz todo o sentido esta via de pensamento "The Present Jobless Innovation Era We Face" (muito bom mesmo!!!).
.
Um exemplo, entre tantos outros aqui, "As employers push efficiency, the daily grind wears down workers":
"“If you're a highly skilled employee with highly marketable talents, they're going to pay dearly for you. But if you're a relatively fungible person, with nothing that separates you from anybody else, the risks and costs have been shifted to you at a dramatic rate,” said Rita Gunther McGrath, a management professor at Columbia University's business school."
E a pressão começa sobre as empresas: se elas produzem algo de distintivo com vantagem, OK, podem jogar no campeonato da eficácia; caso contrário, estão no campeonato da eficiência e são pressionadas e pressionadas e pressionadas... e têm de aliviar a pressão passando-a para alguém, ou automatizam ou ...
.
Só a aposta na subida na escala de valor, no numerador da equação da produtividade, permite aspirar a um mundo com empregos.

Subir na escala de valor!

Sempre a aparecerem em notícias sobre novas propostas inovadoras... depois de "Exportações com inovação", mais um exemplo da abertura da Amorim à inovação e à experimentação com "A moda da cortiça já não é só rolhas".
.
Subir na escala de valor!
.
BTW

Comparações enganadoras (parte IV)

Parte I e parte II e parte III.
.
Esqueçamos então a fungibilidade das várias modalidades de calçado e analisemos a evolução dos preços de 2010 para 2011, para cada categoria:

Confesso que não esperava chegar a esta conclusão, os preços do calçado de couro português são os que mais crescem, apesar de se deixar tanto dinheiro em cima da mesa, a indústria portuguesa de calçado consegue ser a que mais aumenta os seus preços em todas as categorias onde está presente.
.
Cuidado, da próxima vez que se disser que Portugal pratica preços mais altos que Espanha, recordar estes números e a fungibilidade.

segunda-feira, abril 08, 2013

Curiosidade do dia

"Os serviços de “streaming” geraram 1,2 mil milhões de dólares (923 milhões de euros) em “royalties” e taxas de licenciamento, em 2012, depois de no ano anterior terem conseguido 700 milhões de dólares, segundo o Financial Times. Este segmento registou o mais rápido crescimento de receitas de toda a indústria musical.
 .
No total, serviços como o iTunes, loja digital da Apple, o Spotify ou a rede social Youtube contribuíram em 20% para os 5,8 mil milhões de dólares gerados através de receitas digitais, que incluem os "downloads", em 2012. Em 2011, este segmento representou 13% das receitas digitais que somaram 5,4 mil milhões de euros."
 Uma autêntica revolução nos modelos de negócio.
.
Trecho retirado de "Serviços de "streaming" de música online são os que crescem mais rápido na indústria musical"

"There is no such thing as public money, there is taxpayers' money"



Via @carlosgpinto


Terão aprendido com Paulo Campos et al?

"Its always hard to tell but on balance I think the Chinese government is aware of this, yet is willing to lose money on its capital investments in order to provide jobs for people moving to the city."
Trecho retirado de "China, Destroyer-of-Worlds"

The big, fat middle is decaying

"When I began my career as a retail marketer in the early 1990s, pricing just about any product or service was a cinch as long as you followed one simple formula. The "good, better, best" pricing convention that most retail marketers had used for the last 6o years was a surefire model for pricing just about anything from TVs to tennis rackets. Anywhere you shopped, you would have likely seen this simple three-tier pricing model in action. It was ironclad! "Good" was the entry-level line in a category. It was engineered, as one might guess, to be just good enough so as to be passable from a quality standpoint, but not so good as to deliver outstanding performance.
...
There are a few reasons why this model worked so well. First of all, three choices are manageable from an analytical perspective—a choice of three doesn't confuse our brains the way more choices would. Second, the system allays two of the shopper's greatest fears: spending too little and getting crap, or spending too much and getting ripped off. But there's another overarching reason why good, better, best worked. Most customers felt that they belonged to the middle. They felt that their lifestyles, their economic states and therefore their product needs were no better or worse than average. The average choice was the most popular choice because most people ate, played, stayed, wore, drove, and wanted to be in the middle. The middle was what they aspired to. The middle was where they lived! (Moi ici: O Normalistão era o oposto de Mongo, ou seja o Estranhistão)
...
The hard truth is that the big, fat middle is decaying - and has been for more than 30 years. More people are leaving the middle class each year than are joining it. A small percentage of the wealthy are accounting for greater and greater proportions of consumer outlays, and the rest of us are barely matching that small, elite percentage's spending power. In this landscape, being "good" just won't cut it anymore. My parents were satisfied to settle for average - today's consumer will not. So if you're still shooting for the middle, I'm afraid you'll miss every time, because the middle, as we knew it, is gone for good."
Em sintonia com os relatos sobre a polarização dos mercados.

Trechos retirados de "The Retail Revival: Reimagining Business for the New Age of Consumerism" de Doug Stephens.

Comparações enganadoras (parte III)

Parte I e parte II.
.
O calçado é todo igual?
.
Se consultarmos o "World Footwear - 2012 Yearbook" (excelente publicação da APICCAPS)  podemos considerar 5 categorias de calçado:

  • waterproof;
  • rubber & plastic;
  • leather;
  • textile;
  • other.
Estas diferentes categorias podem ser comparadas com as diferentes modalidades desportivas referidas nas partes I e II desta série.
.
E qual é o nível de preços (de golos) em cada categoria?
Se um país tiver uma indústria de calçado muito competitiva e rentável baseada na produção de calçado da categoria "textile" praticará sempre preços mais baixos que os de um outro país que tenha uma indústria de calçado pouco competitiva e pouco rentável baseada na produção de calçado da categoria "leather".
.
A panorâmica global é:
Estão a ver o que a fungibilidade permite esconder?
.
Continua.

domingo, abril 07, 2013

Curiosidade do dia

"Number of the Week: Youth Unemployment at 22.9%?"
"22.9%: The unemployment rate for Americans under age 25, adjusting for the decline in the labor force since the start of the recession.
.
Perhaps no group has been hit harder by the recession and grinding recovery than the young. The official unemployment rate for those under age 25 is 16.2%, more than double the rate for the population as a whole. In percentage terms, unemployment has fallen far more slowly for young people than for the wider population."

Será que a culpa é toda do euro?
.
Oh, wait... mas eles têm outra moeda...

Totems


Série interessante aqui.

we can make ourselves miserable seeing only what we think we are supposed to see

"What confuses the brain delights the brain. What confounds the brain enlivens the brain. What mixes up categories energizes the brain. Or to sum it all up, as we have seen, what surprises the brain is what allows for learning. Incongruity, disruption, and disorientation may well turn out to be the most inspiring, creative, and productive forces one can add to the workplace.
...
“surprise is an adaptive strategy for the brain, indicating a gap in our knowledge of the world. Things are surprising only if we failed to predict them. Surprise gives us an opportunity to improve our brain’s predictive system.”
...
Whatever you see means there is something you do not see.  (Moi ici: Lembro-me logo do truque para fugir da atracção para o abismo dos feedback-loops daqui) And then you are startled or distracted, lost or simply out for an adventure, and you see something else. If you are lucky, everything changes, in a good way. But the key factor here is that “everything changes” has more to do with the way you see than with what exists.
...
IF I WERE TO DISTILL one simple lesson from all the science and all the stories in this book, it would be that with the right practice and the right tools, we can begin to see what we’ve been missing. With the right tools and the right people to share them with, we have new options. From infancy on, we are learning what to pay attention to, what to value, what is important, what counts. Whether on the largest level of our institutions or the most immediate level of concentrating on the task before us, whether in the classroom or at work or in our sense of ourselves as human beings, what we value and what we pay attention to can blind us to everything else we could be seeing. The fact that we don’t see it doesn’t mean it’s not there. Why is this important? Because sometimes we can make ourselves miserable seeing only what we think we are supposed to see." (Moi ici: aplicável a isto)
Trechos retirados de "Now you see it : how the brain science of attention will transform the way we live, work and learn" de Cathy N. Davidson.

they don’t sell physical goods so much as the notions that the goods are supposed to represent

Julgo que se trata de uma boa sequência para estes postais "Uma minoria com potencial para fazer a diferença":
"Moleskine’s operating margin, its profit as a percentage of revenue, was 41.7% last year. That compares favorably—indeed, very favorably—to the luxury brands the company considers to be peers, like luggage-maker Tumi (19.7%), fashion firm Prada (27.2%), and beauty-product boutique L’Occitane (16.7%). It’s not hard to see why. The raw goods of Moleskine’s paper products, which represent 93% of the company’s revenue, are cheap compared to most luxury wares, so there’s more room to mark up the price.
.
The higher margins are being used by Moleskine’s bankers to justify a valuation between 22 and 29.1 times the company’s earnings last year, which is higher than brands like Burberry and Richemont. But is Moleskine best compared to all these luxury brands, which sell clothing and accessories, or companies that actually make, you know, paper? An illuminating chart from the company’s IPO prospectus makes the case that Moleskine is actually the opposite of a stationery company:
 Wrap your head around that for a second. Here is the company acknowledging that it doesn’t so much sell notebooks as it does a sense of identity and culture. But that’s the essence of luxury brands: they don’t sell physical goods so much as the notions that the goods are supposed to represent. These intangibles - ”culture, design, imagination, memory, and travel,” according to the company’s bankers - are a better business to be in than paper."
Quais são os intangíveis que oferece? Em que acontecimentos na vida dos clientes é que entra a oferta da sua empresa?

Trechos retirados de "Everything you need to know about Moleskine ahead of its IPO"

sábado, abril 06, 2013

Curiosidade do dia

A propósito da bomba relógio que é a França, 57% do PIB já é capturado pelo Estado, em "The nature of French austerity" cheguei a este texto:
"French young people must face the "embarrassing truth" that they lived in a "sclerotic gerontocracy that is collapsing a little more every day".
...
The "Barrez-vous" trio said this was not about "tax evasion, but escape plain and simple" that applied as much to "apprentice restaurateurs, hairdressers and chauffeurs as to bankers".
...
 "We're not going to tell young people to be masochists and stay put in a country that clearly doesn't like them," she said.
.
Critics of the campaign were quick to brand the trio unpatriotic and lacking moral fibre."
Trecho retirado de "'Get out of decaying France while you can', campaign warns"

Perigosa propaganda liberal que quer promover a precariedade (parte IV)

"As one executive told me, ‘We can teach new hires the content, and we will have to because it continues to change, but we can’t teach them how to think - to ask the right questions - and to take initiative.’ ” (Moi ici: Recordo o desabafo de um empresário-gestor, esta semana, desanimado por reconhecer que as entrevistas de recrutamento que fazia não cumprem a finalidade. Contrata altos CVs com, descobre depois, deficiente espírito de iniciativa)
.
 My generation had it easy. We got to “find” a job. But, more than ever, our kids will have to “invent” a job. (Fortunately, in today’s world, that’s easier and cheaper than ever before.) Sure, the lucky ones will find their first job, but, given the pace of change today, even they will have to reinvent, re-engineer and reimagine that job much more often than their parents if they want to advance in it. If that’s true, I asked Wagner, what do young people need to know today?
.
Every young person will continue to need basic knowledge, of course,” he said. “But they will need skills and motivation even more. Of these three education goals, motivation is the most critical. Young people who are intrinsically motivated - curious, persistent, and willing to take risks - will learn new knowledge and skills continuously. They will be able to find new opportunities or create their own - a disposition that will be increasingly important as many traditional careers disappear.”
E, relaciono isto com:
" Technical knowledge is like the recipes in a cookbook. It is formulas telling you roughly what is to be done. It is reducible to rules and directions. It’s the sort of knowledge that can be captured in lectures and bullet points and memorized by rote.
.
Right now, online and hybrid offerings seem to be as good as standard lectures at transmitting this kind of knowledge, and, in the years ahead, they are bound to get better — more imaginatively curated, more interactive and with better assessments.
.
The problem is that as online education becomes more pervasive, universities can no longer primarily be in the business of transmitting technical knowledge.
...
Practical knowledge is not about what you do, but how you do it. It is the wisdom a great chef possesses that cannot be found in recipe books. Practical knowledge is not the sort of knowledge that can be taught and memorized; it can only be imparted and absorbed. It is not reducible to rules; it only exists in practice. (Moi ici: Este parágrafo devia ser lido por tantos e tantos empresários que só sabem competir pelo preço, ou que são incapazes de competir no mercado onde o preço reina. O low-cost lida com o matematizável, lida com o que aparece numa receita, lida com o objectivo... uma forma de fugir do low-cost é apostar no que é subjectivo, no que não se reduz a um algoritmo, é apostar no mistério, na arte, na experiência)
...
So far, most of the talk about online education has been on technology and lectures, but the important challenge is technology and seminars. So far, the discussion is mostly about technical knowledge, but the future of the universities is in practical knowledge." (Moi ici: Se ler isto, quem se vai passar com isto de contente é a Sandra Alves, alguém que pensa nestes moldes há muito tempo e que já me ensinou a visualizar uma nova realidade para a escola e para a formação do futuro. Como ela disse, conjugar a Kahn Academy com a escola: O TPC é estudar a matéria, as aulas são para praticar e tirar dúvidas)
Trecho inicial retirado de "Need a Job? Invent It" e trechos seguintes retirados de "The Practical University".
.
.
.
BTW, por que é que eterno candidato à presidência da república é muito mais popular que os catedráticos nos cursos de pós graduação de algumas universidades? Os alunos gostam das aulas dele porque o homem transpira casos práticos, os catedráticos não têm esse conhecimento... do que eu me fui lembrar. Eheheh e falam da escola que temos para massificar a educação de adultos.

Muita gente devia meditar sobre isto

"Robert Schaffer has identified “seven deadly sins” of demand making, all of which are motivated by the desire to avoid confrontations with subordinates. As you read the following descriptions, ask yourself whether you recognize any of them in your own work.
.
No. 1: Backing away from expectations so that a goal really becomes a wish that people can choose to ignore.
.
No. 2: Engaging in charades, which conveys that the goal is just an exercise that you have to do for appearances’ sake, but you know it’s not really going to happen.
.
No. 3: Accepting seesaw trades so that if your people take on one goal, they’ll get relief on another.
.
No. 4: Setting vague or distant goals by putting the time frame far out into the future.
.
No. 5: Not establishing consequences, so it’s impossible to differentiate between those who successfully achieve goals and those who do not.
.
No. 6: Setting too many goals, which allows subordinates to pick and choose the goals they either want or find easiest to meet, but not necessarily the ones that are most important.
.
No. 7: Allowing deflection to preparations and studies, which delays the moment of commitment to a real goal." 
Trechos retirados de "The Seven Deadly Sins of Making Demands"

Uma minoria com potencial para fazer a diferença.

Começando por este postal "Curiosidade do dia" e a sua figura inicial:
E, por este comentário:
"Se é difícil aceitar esta simples ilusão imagino como deve ser no "campo de batalha", convencer clientes, administradores, gerentes, etc... desta questão do valor.
Como é que se desbloqueia o Paint cerebral para comparar as cores do valor?
Tens de saber que existe um Paint cerebral.
Tens de saber que existe uma ferramenta "borracha".
Tens de querer apagar todos os quadrados menos aqueles que te interessam.
Tens de te sentar e encostar bem à cadeira quando aceitares que os quadrados são exactamente iguais."
Esta semana trabalhei com uma empresa num projecto para lançamento de uma nova marca no mercado. A reunião começou com a referência a micro-marcas, marcas para nichos, que se vendem a 700 euros o par e, terminou, já à porta da empresa a falar da invasão literal que Felgueiras está a ter de representantes de importadores que querem fazer sapatos em Portugal a 12 euros a unidade à saída da fábrica.
.
Neste sítio, eu tento focar-me nos quadrados A e B e abstrair-me de tudo o resto para conseguir convencer o meu cérebro de que A e B são iguais, perante a imagem completa... às vezes parece que consigo... por breves instantes.
.
Voltando ao projecto da nova marca, o exercício de convencimento passa por perceber o que outros estão a fazer, para mostrar que não é impossível. Passa por auto-disciplinar a mente, não estamos a falar de uma marca para acudir a uma necessidade, estamos a falar de uma marca para participar num sonho, para alimentar uma paixão (a conversa do almoço da última terça-feira). Daí, passamos a concentrar-mo-nos na "persona" que vai usar o artigo: Quem é? Que paixão é essa? Quem a influencia? Que locais frequenta? Em que circunstâncias usa o produto? O que sente e experiencia ao usar o produto? Não é para calçar os pés, para isso, pode ir à feira de Estarreja ao Sábado e comprar uns sapatos muito baratos nos ciganos.
.
Como dizia alguém, julgo que no tal almoço de terça-feira, o problema é que a maior parte dos decisores não tem a paciência estratégica para fazer o caminho, quer logo "dar o golpe" e passar para a frente da fila... e como se constrói a autenticidade?
.
Apelar à tradição com um "since 2013"?
.
Sistematicamente, em velocidade de cruzeiro, a mente da maior parte das pessoas nas empresas está formatada para pensar que satisfaz necessidades, que compete num mercado homogéneo onde tudo é fungível (ganhei o gosto pela palavra) e, quando encontro um gestor ou um empresário que, por vontade própria, quer ver-se a produzir para servir mais do a satisfação de necessidades, o meu coração bate de uma forma diferente porque sei que essa pessoa pertence a uma minoria com potencial para fazer a diferença.

sexta-feira, abril 05, 2013

Curiosidade do dia

"Vendas do comércio a retalho crescem em Portugal em fevereiro"

"Portugal com a segunda maior queda nas vendas a retalho da UE"


Outra vez a fungibilidade, agora com paineleiros e salário mínimo

Já sabem o que penso sobre salários e custos laborais versus exportações.
.
Este blogue há anos e anos que defende que não temos futuro a competir no mercado internacional pelo preço mais baixo, pelo custo mais baixo, ou seja com salários baixos.
.
Este blogue brinca, às vezes se calhar até estupidamente, responsabilidade do seu autor que com quase 49 anos não tem, infelizmente, a capacidade de ser mais diplomata e educado, com os economistas, políticos e comentadores de painel - os famosos paineleiros da tríade - que há anos nos martelam a cabeça nos media a dizer que é preciso reduzir os custos unitários do trabalho para exportarmos mais.
.
Por tudo isso, comecei a leitura do artigo com este título "Redução dos custos salariais “não é o factor chave de competitividade”" com um sentimento de concordância.
.
Contudo, bastou-me ler o texto para perceber que estava em total desacordo com o autor:
"Economista Manuel Caldeira Cabral recusa que a redução de custos seja o principal factor para as empresas portuguesas ganharem competitividade. E reconhece que a proposta da UGT para subida do salário mínimo é “equilibrada”."
É outra vez a história da fungibilidade!!!!!!!!
.
.
.
Faz sentido olhar para a economia portuguesa como um todo fungível?
.
Não, por isso escrevo sobre 3 economias e não uma!
.
Não, por isso escrevi e escrevo que baixar a TSU para ajudar os exportadores é treta! Mas, e segue-se algo que nunca nenhum político da oposição ou situação disse, baixar a TSU para ajudar as empresas que vivem do mercado interno faz todo o sentido.
.
Agora imaginem o que é numa conferência intitulada “A Competitividade das Empresas e do Estado - Os Imperativos da Internacionalização e Eficiência” misturar-se:
  • salário mínimo e internacionalização;
  • salário mínimo e competitividade;
  • UGT e e economia transaccionável;
E, falar e falar de salário mínimo e exportações. E, esquecer que a maioria das empresas não exporta e vive do mercado interno...
.
Há 3 economias
  • a do estado, protegida por ayatollahs e que paira como uma carraça sobre as outras duas; (lá vou ter o Mário Cortes à perna)
  • a economia dos bens não-transaccionáveis; e
  • a  economia dos bens transaccionáveis.
A economia de bens transaccionáveis nunca esteve isolada da competição internacional, já passou as passas do Algarve, já deu a volta e está muito bem (ontem mais três empresas - juro - que visitei ou falei que estão com problemas de falta de capacidade para as encomendas que têm).
.
Agora, falar do salário mínimo e dizer que pode aumentar porque não é relevante para as exportações (e acredito que sim, para a grande maioria das empresas exportadoras) e não mencionar o impacte que terá para as empresas que vivem do mercado interno... é uma homogeneização enganadora... 
.
Por muitos jogos que as exportadoras portuguesas ganhem a jogar andebol, isso significa pouco para a maioria que vive do mercado nacional e joga futebol.


    BTW, aquela "eficiência" em “A Competitividade das Empresas e do Estado - Os Imperativos da Internacionalização e Eficiência” encerra toda uma visão do mundo competitivo à la século XX.

    Gente que faz pela vida

    "Mobiliário português senta-se na mesa grande em Milão"
    .
    "Exportações estão sólidas como rochas"
    "O sector das rochas ornamentais foi responsável em 2012 por um volume de exportações que chegou aos 324 milhões de euros, uma subida de 5% face ao ano transacto, de acordo com indicadores preliminares do INE."

    Fungibilidade e anátemas

    Depois de terminar a redacção deste postal "Comparações enganadoras (parte II)" li este artigo "Presidente da República sublinha necessidade de "produzir mais para exportar mais"" onde tropecei nisto:
    ""Portugal no ano que terminou importou cerca de 7100 milhões de euros de produtos alimentares de origem agrícola, exportou 4200 milhões de euros de exportações de origem agrícola. Portanto, nós temos de conseguir produzir mais para exportar mais e importar menos", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, durante a apresentação da nova plataforma Peço Português."
    A minha mente de não-economista foi ao arquivo mental e desencantou uma palavra:
    FUNGIBILIDADE 
    Até parece que faz sentido no campo agrícola produzir para substituir importações... por que havemos de destruir os nossos pobres solos a produzir mais cereais e oleaginosas, que podem ser comprados a preços sempre mais baixos no mercado internacional, e não devemos antes produzir mais daquilo em que somos bons ou podemos fazer a diferença?
    .
    Temos de produzir mais vinho para importar menos "água escocesa"?
    Temos produzir mais pêras para importar menos mangas?
    Será que são fungíveis? Será que se podem comparar e meter no mesmo saco golos numa partida de andebol e de futebol? Temos de jogar muito melhor para que a média de golos nas partidas de futebol se aproxime da média de golos nas partidas de andebol... pois!
    .
    Por que é que os políticos, e não só, são capazes de, na mesma frase, anatemizar as importações e abençoar as exportações?
    .
    As exportações que esse político A abençoa são importações de outro país B... o que diria esse político A de um político B no país B que fizesse uma campanha violenta anatemizando as importações feitas do país A? Será que gostava?