quinta-feira, abril 13, 2017

Como é que a sua empresa aborda a estratégia?

Um esquema:

E 4 alternativas para formular uma estratégia.

O ponto principal que retiro de "The Different Approaches Firms Use to Set Strategy" é:
"we offer a typology of four approaches. Our results can’t say that any single approach to strategy is always best, but we do offer some evidence that one of the approaches is often flawed.
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Each of these archetypes has benefits and risks, which invites a question: Where should a firm sit in the matrix? Our interview data shows tremendous variation in archetype within each industry and across firms of similar size, which suggests that the right archetype for a given firm depends on subtle features of the company and its context. Our current research does not include enough data on context and firm performance to pinpoint the conditions in which one archetype would be the winner.
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That said, our early data does make us skeptical about the Unilateral archetype."

Antecipar a próxima jogada

Em Julho de 2008 desenhei este diagrama:
Diagrama que pode ser conjugado com estes dois títulos:

Basta ir ao diagrama e responder à pergunta: como é que o aumento das taxas de juro vai afectar o equilíbrio de forças no diagrama?

As necessidades de rentabilidade vão aumentar.

Modelos de negócio que actualmente subsistem deixarão de ser viáveis.

A pressão para receber mais cedo e pagar mais tarde vai agravar-se.

Muitas empresas terão de reinventar-se para poderem continuar a existir.

Empresas menos dependentes de capital externo poderão agarrar novas oportunidades.

E a sua empresa?

"the primary role of the store will not be to sell product"

Um texto excelente em "The Store Is Media And Media Is The Store" a merecer a reflexão por quem é responsável por uma loja física:
"There’s a dramatic and strangely under-editorialized reality taking shape in retail.  One that seems to be eluding even some of the industry’s most sophisticated retailers and brands.
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It’s that until very recently the primary function, form and purpose of retail stores was to distribute products. Stores were the principle and in many cases the only means of availing distribution of products to a given market.
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Consequently, the entire retail industry framework has been based on product sales from the store to the consumer, and the revenue it generates.
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It’s all about the sale of product.
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In a post-Internet, post-mobile world of one click access, the distribution of products has all but ceased to be the issue. When one of something can be efficiently shipped to anyone, anywhere, the question of where the sale takes place is rapidly becoming moot.  In other words, in the long-term, sales of product simply can’t be the primary strategic purpose or metric for the store.
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Some of the world’s largest retailers are struggling with this jarring reality already. “Stack it high and watch it fly” has abruptly turned into “stack it low and hope it goes” as big box stores scramble to lower inventories in the face of flat or declining sales.  The knee-jerk reaction among some is to simply downsize and marginalize the role of the store.  Others are adopting the buzzword of omni-channel – resigning to the idea that all channels now act as one – which I would argue risks oversimplifying what’s really happening.
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What used to be a distribution channel is becoming a media channel and likewise, media channels (television, magazines, radio, print advertising, social media etc.) are increasingly becoming the “store”.  Virtual storefronts are cropping up in all forms of media.
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So increasingly, the primary role of the store will not be to sell product but rather to deliver the most powerful, and emotionally galvanizing experience possible, to create an essential level brand affinity, trust and allegiance – none of which necessarily results in immediate, or location-specific revenue recognition.
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Of course, many will.  But unlike today, where retail is a product-first, experience-second business, the reverse will increasingly be true.  Product sales will simply ride on the back of remarkable experiences.  Consequently, sales in general will steadily become a less meaningful or accurate measure of true store contribution and productivity."

IMHO, parece-me que a Farfetch está a apontar ao lado "Farfetch: da compra à sua porta em 90 minutos" ao concentrar-se demasiado na tecnologia como a salvação da loja física.

Um resumo sobre Mongo

"The defining characteristic of post-industrial economic spaces is the increased, non-algorithmic, variety of behaviors that is available. It is not necessarily about common goals or even shared purposes any more."
Isto é um resumo daquilo a que chamo Mongo. A explosão de variedade, o fim da uniformidade.

Trecho retirado de "Business Game Design"

quarta-feira, abril 12, 2017

Curiosidade do dia

"A oligarquia, muito assustada durante o ajustamento, vive em lua de mel. Admira a solidez da coligação, sem perceber o desespero que a explica: a derrota de Costa e a perda de influência do PCP e do BE. Elogia o crescimento da economia em 2016, sem querer notar que é inferior ao de 2015, apesar dos juros baixos e do petróleo barato. Está embasbacada com o défice, sem querer saber da dívida.
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Peguemos no défice, por exemplo. É construído em negociação com a Comissão Europeia. Como notou Daniel Bessa há umas semanas, o nível dessa “construção” pode ser medido pelo facto de, em 2016, o défice ter sido de 3807 milhões de euros, mas a dívida ter aumentado em 9590 milhões. Ou seja: por decisão política, “3807 milhões contaram para o défice, e 5783 milhões não contaram”. Mas para a dívida, contou tudo. Por isso, cresceu 4,1%, mais do que a economia e mais do que o previsto pelo governo. O seu peso, que diminuíra de 2014 para 2015, voltou a agravar-se, para 130% do PIB. O défice mais pequeno da democracia esconde a maior dívida da democracia, [Moi ici: Calma Nuno!]
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Neste momento, em Portugal, só a dívida pública diz a verdade.
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Entretanto, o efeito do endividamento transparece em pequenos pormenores, como no sarcasmo com que o célebre Djisselbloem comentava ontem: “Esperava que Portugal pedisse a minha demissão, mas não o fez”. Pois não. Os leões de Lisboa são hamsters em Bruxelas. Porque em Bruxelas, valem o que vale a total dependência financeira de uma economia sem reformas."
Trechos retirados de "A espiral da euforia"

Mesmo em Portugal

Quando um estudante de hoje faz experiências de fenómenos de transferência de massa ou de energia num laboratório pode usar as mesmas equações que eu aprendi nos anos 80 do século passado no meu Foust ou no meu Sherwood.

Quando um investigador das ciências sociais estuda um fenómeno ocorrido uns anos antes corre o forte risco de estar a referir-se a uma realidade que já desapareceu, que já se alterou. E o que era verdade então deixou de o ser.

Recordando o filme referido aqui:
 Investigador tenta descrever e explicar o que aconteceu uns anos antes. Quando publica os resultados provavelmente a situação já se alterou:
Escrevo isto por causa deste estudo "FMI. Trabalho perde terreno por causa do progresso tecnológico". O reshoring e Mongo, a demografia e a escola desenhada para produzir funcionários, mesmo em Portugal, já estão a gerar estas situações "Operários, precisam-se. Qualificados".

BTW, IMHO em países como Portugal acredito que a causa tenha sido mais o avanço da globalização do que a automatização.


Muito para aprender

Quando li este texto, "Menos produção e azeite mais caro desagrada a produtores transmontanos",
 fiquei a matutar. Produtor fica preocupado porque a procura supera a oferta e, por isso, pode fazer um preço mais alto? Será que percebi bem?

Hoje, em "LVMH: that’s the spirit" uma lição que estes produtores precisam de aprender.
"Cognac quaffers, reserve that bottle of Paradis Impérial now. Louis Vuitton Moët Hennessy, maker of the $3,000 tipple, warned on Tuesday of a potential shortage of cognac this year amid strong demand. The obvious response would be to raise prices — and the time to do so may soon be approaching."
Nuno, há aqui trabalho por fazer.

"Smart contracts substitute boundaries"

"Smart contracts substitute boundaries. The architecture of a firm is a live social graph of networked interdependence and accountability."
Este trecho que li ontem ficou-me na memória porque, de certa forma, relaciona-se com conversa que tive durante a manhã numa reunião em Gaia. Conversa em que discutíamos o quanto a tecnologia está a baixar as barreiras à entrada (a democratizar a produção) e a permitir arranjos empresariais novos e exóticos.

O que antes existia sob o tecto de uma empresa caminha cada vez mais para ser realizado por uma orquestra de entidades independentes.

As ideias de Coase e o papel da tecnologia na redução da fricção.

Consigo recuar a Michael Hammer (Junho de 2007) e a uma previsão: a extensão da reengenharia do interior das empresas para os fluxos inter-empresas.
"No fundo trata-se de uma vertente de aplicação do conceito que Michael Hammer promoveu no seu livro "The agenda", publicado em 2001(?). Depois de aplicar a re-engenharia internamente (e ainda há muito por fazer a este nível nas empresas e sobretudo na Administração Pública - basta recordar que a aplicação de metodologias de gestão na Administração Pública norte-americana, levou ao corte do número de funcionários públicos nos Estados Unidos em cerca de 15-20% durante a administração Clinton), pode e deve-se replicar o conceito na relação com os clientes e com os fornecedores. Se deitarmos abaixo as paredes que nos separam dos clientes, porque é que o cliente há-de ter armazém de matéria-prima? Porque é que o cliente há-de ter dinheiro enterrado em inventário e instalações? Porque é que o cliente há-de ter pessoal que não gera valor, a pastorear inventário? Porque é que o fornecedor não entrega directamente à produção do cliente? Idêntico pensamento pode ser feito a montante, em relação aos fornecedores."
Só que aqui a realidade está a seguir um percurso que não conseguia prever em 2007. Não é a reengenharia entre as entidades do passado (a empresa e os seus fornecedores e clientes) é a explosão da empresa clássica em entidades mais pequenas.

Trecho retirado de "Business game design"


Super importante

Para quem quer seduzir clientes, para quem quer identificar os clientes-alvo, cuidado com a segmentação "Netflix says Geography, Age, and Gender are “Garbage” for Predicting Taste":
"Netflix uses one predictive algorithm worldwide, and it treats demographic data as almost irrelevant.
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“Geography, age, and gender? We put that in the garbage heap,” VP of product Todd Yellin said. Instead, viewers are grouped into “clusters” almost exclusively by common taste, and their Netflix homepages highlight the relatively small slice of content that matches their taste profile.
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Netflix (nflx) seems to have discovered (or built on) a powerful insight from sociology and psychology: That in general, the variation within any population group is much wider than the collective difference between any two groups.
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There’s a huge, crucial lesson here for other businesses—and perhaps a slightly scary reality for consumers. In the era of big data, consumer profiling can’t rely on broad categories like race or location. To target the customers who want what you’re offering, you have to get past the surface and see what really makes them tick."

terça-feira, abril 11, 2017

Curiosidade do dia

"Sociedades que merecem sobreviver arranjarão uma resposta, mudarão comportamentos e regras e adaptar-se-ão a uma nova realidade. Sociedades que teimarem em não se adaptar irão parar ao baú de obsoletos e darão lugar a outras. Nada se perde nada se cria tudo se transforma."(daqui)
E pur
"Temos o Governo constitucional menos reformista de que há memória e isso pagar-se-á caro." (daqui
E pur
"A crise terminal de um regime político inicia-se quando as entidades que integram esse sistema político perdem o seu poder de regeneração e conservam apenas o seu poder de reprodução das suas relações de dominação. O poder político reproduz-se, mas não se regenera, não tem vitalidade. O regime político conserva o poder, mas não identifica, nem neutraliza, os factores de crise que gerou no seu interior, no seu processo de decisão e no regular funcionamento das suas instituições. O regime pode continuar por um período indeterminado, mas o poder não é exercido, limita-se a repetir o que já fez e sem resultados que confirmem o que foi prometido nos programas dos partidos e nos fundamentos do regime." (daqui)

"But there is a third way" (parte II)

Parte I.

E em "If You're in a Dogfight, Become a Cat!: Strategies for Long-Term Growth" encontro um tema clássico neste blogue, pelo menos desde Maio de 2010:
"the variance in business performance within a given industry is considerably higher than the variance in the average performance across industries. In other words, there are individual star performers in every industry, regardless of the performance level of an industry as a whole."

"Complements are not substitutes"

"Business models and competitive advantages are complex systems. This means that they consist of multiple elements – some of them tangible; some intangible – which interact with one another, meaning that it is their combination that makes it work. In many markets, digital will just add one new factor to the mix or replace one element, but not often all of them. This means that in many businesses, digital technology will complement and alter the incumbents’ existing resources and capabilities, but it certainly won’t always entirely replace them altogether. Therefore, when making strategy, the focus should be on identifying complements, rather than assuming complete substitution."
Um trecho que faz pensar no impacte do online no retalho físico. Ontem numa empresa um empresário usou o termo: "lojas cansadas". Entretanto, outro empresário recordava que a Amazon está a entrar no retalho físico.

Quando os centros comerciais chegaram não trouxeram necessariamente o fim do comércio de rua. Obrigaram o comércio de rua a renovar-se... ou não.

Trecho retirado de "What So Many Strategists Get Wrong About Digital Disruption"

Começar pelo fim (parte II)

Depois de ter escrito "Começar pelo fim", ontem à tarde em "Guided Change" sublinhei:
"Over the past many years I have worked with some powerful teams help clients with change. In every interaction, the clients that were the most successful had a clear picture of what change would look like and feel like. By creating what they wanted to become and mapping it out, could individuals, teams or whole organizations understand the path that they needed to take and the obstacles to overcome. Most importantly, they knew they had a guide to help them when they faltered or got off course."
Recordar Ortega Y Gasset em "O meu presente não existe senão graças ao meu futuro"

Portugal faz bem. Não esquecer!

Em "Espanha, França e Itália têm quase três quartos da área de vinha da UE" pode ler-se:
"Espanha sozinha tem quase um milhão de hectares de vinha: são 941 mil hectares, o equivalente a 30% da área total da União Europeia. Castilla-La Mancha é a sua maior região, com 46,1% do total da vinha espanhola. O facto de ser o país com mais área dedicada à produção de uva para vinha não o impede de estar também no topo dos que dedicam mais espaço à produção de vinho de qualidade: quase 900 mil hectares, 95,6% do total da sua vinha, está afeta a esta produção mais exigente.
...
Em Portugal, por exemplo, dos 198,6 mil hectares ocupados com vinha, 87,8% estão dedicados ao vinho de qualidade.
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Os dados do Eurostat mostram ainda que Portugal está entre os países com maior número de proprietários e vinhas mais pequenas."
Uma coisa são as estatísticas. Nunca esquecer como Aznar enganava os burocratas agrícolas de Bruxelas como fotografias aéreas manipuladas.

Outra coisa é a realidade. Recordar "Portugal faz bem"

segunda-feira, abril 10, 2017

Curiosidade do dia

"Sociedades que merecem sobreviver arranjarão uma resposta, mudarão comportamentos e regras e adaptar-se-ão a uma nova realidade. Sociedades que teimarem em não se adaptar irão parar ao baú de obsoletos e darão lugar a outras. Nada se perde nada se cria tudo se transforma."(daqui)


E "Prestações sociais absorveram 93% dos recursos da Segurança Social"

Começar pelo fim

The secret of achievement is to hold a picture of a successful outcome in the mind
Henry David Thoreau

Uma forma de "Começar pelo fim"

"But there is a third way" (parte I)

"If the choice is either to enter a poorly performing industry, playing by the same rules as incumbent market leaders, or to stay out of the business entirely.
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But there is a third way, and that is to recognize that the industry as a whole may be missing an attractive opportunity to address an unserved market that can be tapped only by playing by a very different set of rules."
Trecho retirado de  "If You're in a Dogfight, Become a Cat!: Strategies for Long-Term Growth"

"economy is ever-evolving"

Um texto, "Old economics is based on false ‘laws of physics’ – new economics can save us", conotado politicamente mas em linha com uma das mensagens deste blogue: a analogia entre biologia e economia.

Claro que sublinho e concordo com:
"So how can economic policymakers be more like gardeners in their approach? They should think of policy as an adapting portfolio of experiments, says Eric Beinhocker, a leading thinker in the field of evolutionary economics. We should mimic nature’s process of natural selection, which can be summed up as diversify-select-amplify: set up small-scale policy experiments to test out a variety of interventions, put a stop to the ones that don’t work and scale-up those that do.[Moi ici: Isto é tão o meu Verão de 2008]
...
No one knows for sure what will work, so it is important to build a system that can evolve and adapt rapidly.”
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Realising that the economy is ever-evolving is an empowering insight. If complex systems evolve through their innovations and deviations, then this gives added importance to novel initiatives – from complementary currencies to open-source design – that are at the leading edge of new economic design."
Não sei é se o mesmo jornal que publica isto percebe as implicações. Aquilo que resultava num dado contexto pode deixar de resultar quando o contexto muda: cuidado com os direitos adquiridos alicerçados em sociedades que também elas evoluem.

Calçado e estratégia

Empresário de calçado enviou-me tese escrita em 2007 "Opções estratégicas em sectores tradicionais: o caso do sector do calçado" (pelo código do ficheiro terá sido apresentada na Universidade Fernando Pessoa) de autor que não consigo identificar.

Agora em 2017, ou 2013, é fácil escrever o que se encontra nesta tese. Difícil e meritório é tê-lo escrito em 2007, ter-se revelado correcto e ainda continuar a ser correcto.

Recordo que em 2005 e 2008 o mainstream veiculado pelos jornais económicos era este:

Mas mais do que aquilo que se escreve sobre o calçado e sobre as diferentes alternativas estratégias possíveis, sublinho este trecho:
"Não há escolhas certas ou erradas, nem soluções padrão para a totalidade da indústria do calçado portuguesa. Deve, isso sim, haver uma adequação entre o perfil da organização e a sua escolha estratégica.
É um erro definir estratégias em abstracto: é fundamental analisar de forma rigorosa a organização e os recursos disponíveis, escolher uma estratégica em conformidade e de forma racional, definir objectivos claros, monitorizar, controlar e perspectivar a evolução da organização a médio prazo.
O sucesso só poderá ser conseguido através de melhorias contínuas na execução das actividades em que a organização é ou poderá ser especialista, ou seja, na criação de valor pela excelência em actividades-chave.
Em contraponto com a ambição de tudo fazer ou de tentar alargar as suas actividades para outras áreas onde manifestamente não possui competências, pela ilusão de potenciais margens comerciais mais alargadas, as organizações poderão optar por especializar-se nas actividades industriais, na prestação de serviços ou na criação de marcas, com a opção complementar de iniciar actividades de retalho."

domingo, abril 09, 2017

Mensagem do dia



Estes cristãos coptas no Egipto têm de ter uma fibra.