sábado, setembro 22, 2007
Capital intelectual, a teoria e a prática.
Esta manhã, dirigi-me a uma pequena oficina independente em Estarreja, para recolher o meu carro, após a reparação de uma avaria na caixa de velocidades.
Quando chegou a altura de pagar disseram-me que não tinha de pagar nada. Tratava-se de um defeito de fabrico de uma peça que eles tinham colocado no carro há menos de um ano. Por isso, fizeram uma reclamação ao fabricante, exigindo uma peça nova e o pagamento da mão-de-obra!
Durante a última década, começou a dar-se uma pequena revolução na eficiência e na gestão das oficinas de marca, com o consequente despedimento de muita gente com cabelos brancos e com muita experiência.
Quando comprei o meu carro, e durante 5/6 anos seguidos, sempre que precisava de uma intervenção ia à oficina da marca. Era mais cara, mas eu acreditava no know-how e na seriedade da marca.
Um dia, por causa de uns arreliantes sintomas, levei o carro à oficina, para que diagnosticassem o problema... o carro esteve lá a tarde toda, mas o mecânico (sem cabelos brancos) foi incapaz de descortinar o que se passava. De regresso a casa, passei por esta oficina independente e resolvi arriscar... mal o mecânico pôs as mãos no carro e ouviu as sons que vinham da zona do motor do carro, disse logo na hora: "É um problema nas velas do motor!". Bingo!!! Acertou à primeira. Num minuto, descobriu o que na outra oficina, a da marca, não tinham descoberto em quase quatro horas.
Cliente perdido para uns, cliente ganho para outros. Ganhei serviço mais personalizado, maior know-how, maior flexibilidade, maior seriedade (essa é uma outra estória, por causa de uns pneus), mais barato e maior proximidade.
A oficina da marca, continua a enviar-me religiosamente, um postal a felicitar-me pelo meu aniversário, contudo, nunca ninguém olhou para a base de dados e constatou que um cliente assíduo foi perdido, nunca ninguém perguntou porquê!
Esta conversa toda, vem a propósito da leitura, no semanário Vida Económica do artigo "Capital intelectual representa 80% do valor das empresas".
Se o capital intelectual é assim tão importante, como é que tantas empresas o tratam como uma "commodity"?
Os antigos diziam que quando morria um velho, era uma biblioteca que ardia. E quando um trabalhador experiente é despedido? É que ás vezes as contas correctas, não são bem as que fazemos, como aqui.
Quando chegou a altura de pagar disseram-me que não tinha de pagar nada. Tratava-se de um defeito de fabrico de uma peça que eles tinham colocado no carro há menos de um ano. Por isso, fizeram uma reclamação ao fabricante, exigindo uma peça nova e o pagamento da mão-de-obra!
Durante a última década, começou a dar-se uma pequena revolução na eficiência e na gestão das oficinas de marca, com o consequente despedimento de muita gente com cabelos brancos e com muita experiência.
Quando comprei o meu carro, e durante 5/6 anos seguidos, sempre que precisava de uma intervenção ia à oficina da marca. Era mais cara, mas eu acreditava no know-how e na seriedade da marca.
Um dia, por causa de uns arreliantes sintomas, levei o carro à oficina, para que diagnosticassem o problema... o carro esteve lá a tarde toda, mas o mecânico (sem cabelos brancos) foi incapaz de descortinar o que se passava. De regresso a casa, passei por esta oficina independente e resolvi arriscar... mal o mecânico pôs as mãos no carro e ouviu as sons que vinham da zona do motor do carro, disse logo na hora: "É um problema nas velas do motor!". Bingo!!! Acertou à primeira. Num minuto, descobriu o que na outra oficina, a da marca, não tinham descoberto em quase quatro horas.
Cliente perdido para uns, cliente ganho para outros. Ganhei serviço mais personalizado, maior know-how, maior flexibilidade, maior seriedade (essa é uma outra estória, por causa de uns pneus), mais barato e maior proximidade.
A oficina da marca, continua a enviar-me religiosamente, um postal a felicitar-me pelo meu aniversário, contudo, nunca ninguém olhou para a base de dados e constatou que um cliente assíduo foi perdido, nunca ninguém perguntou porquê!
Esta conversa toda, vem a propósito da leitura, no semanário Vida Económica do artigo "Capital intelectual representa 80% do valor das empresas".
Se o capital intelectual é assim tão importante, como é que tantas empresas o tratam como uma "commodity"?
Os antigos diziam que quando morria um velho, era uma biblioteca que ardia. E quando um trabalhador experiente é despedido? É que ás vezes as contas correctas, não são bem as que fazemos, como aqui.
sexta-feira, setembro 21, 2007
Um interrogação que José Mourinho me lança
Esta manhã, ouvi no noticiário das 7h, na rádio, alguns desenvolvimentos da notícia da saída de José Mourinho do Chelsea.
Algo que me fez pensar, foi a notícia de que alguns jogadores, Lampard e Drogba entre outros, estariam a liderar um grupo de jogadores que queria sair do clube.
Quando um gestor quer guiar uma organização, para novos níveis de desempenho, para níveis muito mais exigentes, não chega a razão, não chega o lado racional da questão, é preciso muito mais do que isso, é precisa uma energia que vem da emoção, que vem do coração, que vem do lado criativo do cérebro.
Sou um admirador, quem não o é, das capacidades de gestão de José Mourinho, da capacidade que tem de energizar os seus jogadores e de obter resultados.
Contudo, fica-me algo atravessado na garganta... queremos o sucesso da nossa organização hoje, porque estamos cá. Mas, não deveríam os gestores ser um pouco esquizofrénicos e, enquanto preparam a organização para o sucesso hoje e amanhã, para o qual precisam de cultivar a relação, a emoção, os laços de união, o espírito de equipa (ao leme deste navio sou mais do que eu, sou todo um povo..., diz-se) em simultâneo, deveriam cultivar o distanciamento, pensar, planear e preparar a organização, para o depois de mim... senão, depois de mim é o dilúvio.
Ou será que no caso particular do futebol, para o ritmo e nível de competição de Mourinho, tal não é possível?
Se um consultor trabalhar assim... nunca deixaria a empresa cliente tornar-se independente, se um gestor trabalhar assim... a sua administração será sempre uma refém.
Há qualquer coisa aqui que me merece mais reflexão!
Algo que me fez pensar, foi a notícia de que alguns jogadores, Lampard e Drogba entre outros, estariam a liderar um grupo de jogadores que queria sair do clube.
Quando um gestor quer guiar uma organização, para novos níveis de desempenho, para níveis muito mais exigentes, não chega a razão, não chega o lado racional da questão, é preciso muito mais do que isso, é precisa uma energia que vem da emoção, que vem do coração, que vem do lado criativo do cérebro.
Sou um admirador, quem não o é, das capacidades de gestão de José Mourinho, da capacidade que tem de energizar os seus jogadores e de obter resultados.
Contudo, fica-me algo atravessado na garganta... queremos o sucesso da nossa organização hoje, porque estamos cá. Mas, não deveríam os gestores ser um pouco esquizofrénicos e, enquanto preparam a organização para o sucesso hoje e amanhã, para o qual precisam de cultivar a relação, a emoção, os laços de união, o espírito de equipa (ao leme deste navio sou mais do que eu, sou todo um povo..., diz-se) em simultâneo, deveriam cultivar o distanciamento, pensar, planear e preparar a organização, para o depois de mim... senão, depois de mim é o dilúvio.
Ou será que no caso particular do futebol, para o ritmo e nível de competição de Mourinho, tal não é possível?
Se um consultor trabalhar assim... nunca deixaria a empresa cliente tornar-se independente, se um gestor trabalhar assim... a sua administração será sempre uma refém.
Há qualquer coisa aqui que me merece mais reflexão!
Ás vezes...
Quanto mais se defendem, mais se enterram!
O título desta pequena notícia "Escuteiros cortaram árvores" despertou a minha curiosidade.
Um grupo de jovens escuteiros foi apanhado a cortar árvores numa mata da Serra da Estrela. Como é que o chefe do agrupamento defendeu os jovens?
""O acto em si pode ser reprovável, mas são jovens de que gostamos muito", acrescentou, sem determinar o número de escuteiros envolvidos na situação e recusando-se a prestar mais esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso. "Pensamos que, tratando-se de menores de idade, o assunto não devia vir a público", salientou. "
Se eu fosse pai de um dos jovens envolvidos interrogar-me-ia "Mas então não havia nenhum adulto a acompanhar os miúdos?"
Já agora, o jornalista poderia ter averiguado que tipo de árvores é que os escuteiros estavam a cortar. Se se tratasse de acácias mimosas ou austrálias, ou eucaliptos... só se perderam as que eles não conseguiram cortar.
O título desta pequena notícia "Escuteiros cortaram árvores" despertou a minha curiosidade.
Um grupo de jovens escuteiros foi apanhado a cortar árvores numa mata da Serra da Estrela. Como é que o chefe do agrupamento defendeu os jovens?
""O acto em si pode ser reprovável, mas são jovens de que gostamos muito", acrescentou, sem determinar o número de escuteiros envolvidos na situação e recusando-se a prestar mais esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso. "Pensamos que, tratando-se de menores de idade, o assunto não devia vir a público", salientou. "
Se eu fosse pai de um dos jovens envolvidos interrogar-me-ia "Mas então não havia nenhum adulto a acompanhar os miúdos?"
Já agora, o jornalista poderia ter averiguado que tipo de árvores é que os escuteiros estavam a cortar. Se se tratasse de acácias mimosas ou austrálias, ou eucaliptos... só se perderam as que eles não conseguiram cortar.
O posicionamento, segundo Ram Charan
"O posicionamento é a ideia central do seu negócio e a fundação pela qual está a "fazer dinheiro" ou não. O verdadeiro teste para o seu posicionamento é o mundo real. Se os consumidores gostarem daquilo que tem para oferecer e se o puder vender com lucro, irá "fazer dinheiro". Por outras palavras, se os cães não gostam da comida para cão, você perde.
Mas mesmo que o seu posicionamento esteja a dar lucro hoje, existem fortes possibilidades de isso não acontecer amanhã. O posicionamento não é algo eterno. A frequência, a profundidade e a rapidez da mudança no mundo actual implicam que esteja frequentemente a formular e a reformular o seu negócio, para que se adapte a um panorama de mudança constante, para cumprir o seu desejo de lucro." *
" ... o know-how de posicionamento é o primeiro entre iguais. Se não acertar, a função do negócio irá acabar por se desmoronar" *
E quantas empresas interiorizam este conceito e as suas repercussões?
Mais uma vez voltamos a um tema recorrente neste espaço: quem são os clientes-alvo?
* trechos retirados de "Know-how" de Ram Charan
Mas mesmo que o seu posicionamento esteja a dar lucro hoje, existem fortes possibilidades de isso não acontecer amanhã. O posicionamento não é algo eterno. A frequência, a profundidade e a rapidez da mudança no mundo actual implicam que esteja frequentemente a formular e a reformular o seu negócio, para que se adapte a um panorama de mudança constante, para cumprir o seu desejo de lucro." *
" ... o know-how de posicionamento é o primeiro entre iguais. Se não acertar, a função do negócio irá acabar por se desmoronar" *
E quantas empresas interiorizam este conceito e as suas repercussões?
Mais uma vez voltamos a um tema recorrente neste espaço: quem são os clientes-alvo?
* trechos retirados de "Know-how" de Ram Charan
quinta-feira, setembro 20, 2007
Máquinas de interpretação
"Por que razão é que a GSD&M grava os seus valores no solo? "Parece um sentimentalismo, mas não é", explica Spence. "Todos compreendem que estes valores não são temporários. Eles estão literalmente gravados no cimento da rotunda. Esses valores são a força motriz do nosso objectivo. As pessoas querem trabalhar em empresas que sabem aquilo que defendem. Todos nesta empresa sabem aquilo que defendemos"." *
Esta justificação dá-me que pensar.
Nós, humanos, somos máquinas interpretativas. Permanentemente, e de forma consciente, ou não, recolhemos, filtramos e processamos sinais, para nos situarmos no mundo.
Realmente, quando uma organização publica, de forma "manhosa", os seus valores, os seus fundamentais estratégicos, está já a dar uma mensagem subliminar aos seus colaboradores e partes interessadas. E depois as pessoas são acusadas de deturparem a mensagem... será mesmo deturpação?
* trecho retirado do livro "Mavericks at work" de William Taylor e Polly LaBarre
Esta justificação dá-me que pensar.
Nós, humanos, somos máquinas interpretativas. Permanentemente, e de forma consciente, ou não, recolhemos, filtramos e processamos sinais, para nos situarmos no mundo.
Realmente, quando uma organização publica, de forma "manhosa", os seus valores, os seus fundamentais estratégicos, está já a dar uma mensagem subliminar aos seus colaboradores e partes interessadas. E depois as pessoas são acusadas de deturparem a mensagem... será mesmo deturpação?
* trecho retirado do livro "Mavericks at work" de William Taylor e Polly LaBarre
quarta-feira, setembro 19, 2007
Fazer a diferença
“Poucas empresas decidiram, de forma consciente, ser apenas mais um interveniente indiferenciado no mercado, com mais um modelo de negócios rotineiro, seguindo uma fórmula pouco estimulante e difícil de se distinguir de outra. No entanto, é exactamente dessa forma que as empresas acabam por concorrer em todas as indústrias, por isso é que a concorrência parece tão implacável.” *
Quem são os clientes-alvo?
Qual a proposta de valor a propor?
Qual a estratégia a seguir?
Como ajudar a comprar, em vez de como vender, como impingir?
Se não temos respostas claras, como podemos fazer a diferença?
Se não somos coerentes, como podemos fazer a diferença?
"Está preparado para rejeitar oportunidades que proporcionam benefícios de curto prazo mas que desviam a sua organização da sua missão de longo prazo?" *
Ainda ontem tive conhecimento de uma empresa que apesar de ter uma estratégia bem definida, clara, com clientes-alvo identificados, com tudo isso... mas que não conseguiu resistir à tentação do curto-prazo. Como é que os clientes vão interpretar esta incoerência? Como é que os colaboradores vão interpretar esta incoerência?
Não há acasos!!!
O cínismo nasce assim... e corrói a moral de uma organização
"Se a sua empresa fechasse portas amanhã, quem é que iria realmente sentir a sua falta e porquê?" *
* trechos retirado do livro "Mavericks at work" de William Taylor e Polly LaBarre
Quem são os clientes-alvo?
Qual a proposta de valor a propor?
Qual a estratégia a seguir?
Como ajudar a comprar, em vez de como vender, como impingir?
Se não temos respostas claras, como podemos fazer a diferença?
Se não somos coerentes, como podemos fazer a diferença?
"Está preparado para rejeitar oportunidades que proporcionam benefícios de curto prazo mas que desviam a sua organização da sua missão de longo prazo?" *
Ainda ontem tive conhecimento de uma empresa que apesar de ter uma estratégia bem definida, clara, com clientes-alvo identificados, com tudo isso... mas que não conseguiu resistir à tentação do curto-prazo. Como é que os clientes vão interpretar esta incoerência? Como é que os colaboradores vão interpretar esta incoerência?
Não há acasos!!!
O cínismo nasce assim... e corrói a moral de uma organização
"Se a sua empresa fechasse portas amanhã, quem é que iria realmente sentir a sua falta e porquê?" *
* trechos retirado do livro "Mavericks at work" de William Taylor e Polly LaBarre
Controllers e balanced scorecard
O título deste artigo “The Business controller, non-Financial Measurement and Tacit knowledge”, atraiu a minha curiosidade por dois motives. Por um lado, por mencionar a função de “controller”, e por outro, por referir os indicadores não-financeiros.
Isto porque quando se implementa um sistema de gestão, com o auxílio do balanced scorecard, aprende-se a conciliar o uso dos indicadores financeiros com o uso de indicadores não-financeiros e, porque já mais de uma vez, durante projectos de implementação de um sistema de gestão, procurei convencer, quase sempre sem êxito, o controller das empresas a assumir a liderança operacional dos projectos.
O autor começa por referir a posição, ou imagem tradicional do controller, “Traditionally, accountants and controllers have been stereotyped as prudent, historically oriented ”bean-counters” or constraining organizational ”watchdogs”. instead of looking at the future and casting different projections on it, the professional profile of the controller has emphasized cost-consciousness and a detailed, factual analysis of the past.”
Para depois, perspectivar um possível papel diferente “From being a ”historian” or ”watchdog”, the business controller should now develop new competencies. The business controller moves towards being more like an adviser, internal consultant, bridge-builder or change-agent, taking organizational initiative and being more innovative. It has to be underlined, however, that such a progression is not likely to be a straightforward and unproblematic process.”
O uso de indicadores-não financeiros, abre toda uma gama de áreas de investigação: "Non-financial measures do not provide neutral information that can be agreed about. Instead, different interpretations can be given to what these measurements really signify in terms of organizational achievement, and to what problems they really point at. The measurements can be explained in ways that contradict each other, and they do not suggest unidirectional actions. They can highlight competing urgencies."
Isto porque quando se implementa um sistema de gestão, com o auxílio do balanced scorecard, aprende-se a conciliar o uso dos indicadores financeiros com o uso de indicadores não-financeiros e, porque já mais de uma vez, durante projectos de implementação de um sistema de gestão, procurei convencer, quase sempre sem êxito, o controller das empresas a assumir a liderança operacional dos projectos.
O autor começa por referir a posição, ou imagem tradicional do controller, “Traditionally, accountants and controllers have been stereotyped as prudent, historically oriented ”bean-counters” or constraining organizational ”watchdogs”. instead of looking at the future and casting different projections on it, the professional profile of the controller has emphasized cost-consciousness and a detailed, factual analysis of the past.”
Para depois, perspectivar um possível papel diferente “From being a ”historian” or ”watchdog”, the business controller should now develop new competencies. The business controller moves towards being more like an adviser, internal consultant, bridge-builder or change-agent, taking organizational initiative and being more innovative. It has to be underlined, however, that such a progression is not likely to be a straightforward and unproblematic process.”
O uso de indicadores-não financeiros, abre toda uma gama de áreas de investigação: "Non-financial measures do not provide neutral information that can be agreed about. Instead, different interpretations can be given to what these measurements really signify in terms of organizational achievement, and to what problems they really point at. The measurements can be explained in ways that contradict each other, and they do not suggest unidirectional actions. They can highlight competing urgencies."
terça-feira, setembro 18, 2007
O poder, o momentum da inércia
O Diário Económico de ontem, trazia um artigo do Executive Financial Times, assinado por Peter Marsh, que me fez lembrar uma história do livro “Scenarios – The Art of Strategic Conversation” de van der Heijden.
Do artigo, com o título em português “Produtores mundiais mantêm confiança apesar da crise financeira”, sublinho os seguintes trechos optimistas:
“Crisis? What crisis? That sums up the opinion of many manufacturers around the world - and in fields from consumer goods to machine tools - about the fallout they are likely to experience as a result of the credit crunch that has shocked financial markets in recent weeks.”
“For Jack Yeung, chief executive of Ace Mold, a 2,000-person company making plastic parts and tooling in China, talk of the financial problems causing mayhem for the real economy is a little overblown. "We have noticed no changes in ordering patterns as a result of the recent financial crisis,"”
“Exhibiting almost as much composure is Alberto Alessi, general manager of Alessi, an Italian company that makes upmarket kitchenware, who says: "In the light of the financial market turbulence, we have seen no reason to change our current projections for what we think will be a reasonable - roughly 15 per cent - sales and profits growth this year.”
Do artigo, com o título em português “Produtores mundiais mantêm confiança apesar da crise financeira”, sublinho os seguintes trechos optimistas:
“Crisis? What crisis? That sums up the opinion of many manufacturers around the world - and in fields from consumer goods to machine tools - about the fallout they are likely to experience as a result of the credit crunch that has shocked financial markets in recent weeks.”
“For Jack Yeung, chief executive of Ace Mold, a 2,000-person company making plastic parts and tooling in China, talk of the financial problems causing mayhem for the real economy is a little overblown. "We have noticed no changes in ordering patterns as a result of the recent financial crisis,"”
“Exhibiting almost as much composure is Alberto Alessi, general manager of Alessi, an Italian company that makes upmarket kitchenware, who says: "In the light of the financial market turbulence, we have seen no reason to change our current projections for what we think will be a reasonable - roughly 15 per cent - sales and profits growth this year.”
A figura retrata a evolução do consumo de petróleo, e a evolução da capacidade de refinação, a nível mundial.
A figura, retirada do livro de van der Heijden, mostra um imponente exemplo da inércia, e do proverbial optimismo que pode afectar as organizações. Em 1973 dá-se o primeiro choque petrolífero, com a consequente queda no consumo de petróleo, no entanto, durante 8 anos a indústria, e estamos a falar de empresas repletas de consultores e que movimentam milhões, continuou, “alegremente”, a aumentar a capacidade produtiva. A indústria precisou de 8 anos, para perceber o que estava a acontecer.
segunda-feira, setembro 17, 2007
Hoje em dia a única coisa estável é a instabilidade.
“Vivemos um tempo em que a estabilidade da economia só é possível à custa da instabilidade dos trabalhadores,”
Boaventura Sousa Santos, Visão (2 de Agosto de 2007).
Uma empresa que vive à custa da instabilidade dos trabalhadores é uma empresa condenada ao fracasso e à pobreza. Porque as pessoas fazem, ou podem realmente fazer a diferença! E a exploração dos trabalhadores não é uma vantagem competitiva.
Em economia devíamos promover a eutanásia, empresas fracassadas deviam ter um final rápido, e não uma vida estatalmente assistida, que nos empobrece a todos.
Assim, as mensagens do mercado circulariam muito mais rapidamente e, melhores decisões de investimento e desinvestimento seriam tomadas.
Mas será que vivemos um tempo de estabilidade da economia? Mas será que vivemos um tempo de estabilidade das empresas?
Desde o fim do condicionamento industrial, desde o fim das barreiras alfandegárias, desde o fim da desvalorização contínua do escudo, desde a queda do Muro de Berlim, desde a adesão da China à Organização Mundial do Comércio, desde a adesão dos países da Europa de Leste à EU, desde… nunca mais vivemos tempos de estabilidade. E tudo leva a crer que a instabilidade é cada vez mais a rotina.
Boaventura Sousa Santos, Visão (2 de Agosto de 2007).
Uma empresa que vive à custa da instabilidade dos trabalhadores é uma empresa condenada ao fracasso e à pobreza. Porque as pessoas fazem, ou podem realmente fazer a diferença! E a exploração dos trabalhadores não é uma vantagem competitiva.
Em economia devíamos promover a eutanásia, empresas fracassadas deviam ter um final rápido, e não uma vida estatalmente assistida, que nos empobrece a todos.
Assim, as mensagens do mercado circulariam muito mais rapidamente e, melhores decisões de investimento e desinvestimento seriam tomadas.
Mas será que vivemos um tempo de estabilidade da economia? Mas será que vivemos um tempo de estabilidade das empresas?
Desde o fim do condicionamento industrial, desde o fim das barreiras alfandegárias, desde o fim da desvalorização contínua do escudo, desde a queda do Muro de Berlim, desde a adesão da China à Organização Mundial do Comércio, desde a adesão dos países da Europa de Leste à EU, desde… nunca mais vivemos tempos de estabilidade. E tudo leva a crer que a instabilidade é cada vez mais a rotina.
Dark Blogs
Imaginem um blog colectivo: um grupo de pessoas usa uma plataforma comum, as pessoas podem colocar informação, opiniões e comentários, podem discutir, podem …
Agora imaginem aplicar essa ferramenta a um projecto, a um departamento, a uma empresa.
Foi isso que descobri, quando comecei a pesquisar o que significava a expressão “dark blog”, encontrei um relatório interessante sobre a aplicação do conceito aqui.
Agora imaginem aplicar essa ferramenta a um projecto, a um departamento, a uma empresa.
Foi isso que descobri, quando comecei a pesquisar o que significava a expressão “dark blog”, encontrei um relatório interessante sobre a aplicação do conceito aqui.
domingo, setembro 16, 2007
As árvores não crescem até ao céu.
Esta citação de F. Hayek retirada de "Constitution of Liberty", para quem trabalha em PME's que operam no mercado de bens transaccionáveis:
"Never will a man penetrate deeper into error than when he is continuing on a road that has led him to great success."
As estratégias são sempre transientes, são sempre situacionais. Ou seja, o que é verdade hoje... amanhã é mentira!
"Never will a man penetrate deeper into error than when he is continuing on a road that has led him to great success."
As estratégias são sempre transientes, são sempre situacionais. Ou seja, o que é verdade hoje... amanhã é mentira!
sábado, setembro 15, 2007
Como é que uma empresa sincera pode usar estes fora?
Na sequência de uma pesquisa no Google, sobre a evolução do mercado de pneus, fui encaminhado para este forum sobre pneus "Marcas de pneus fatelas".
Comecei a ler a sequência de mensagens com um misto de curiosidade e de superioridade intelectual (tem algum jeito discutir marcas de pneus fatelas!!!).
Confesso que a conversa me cativou o suficiente, para ver toda a primeira página, e concluir que estava perante algo de útil... dezenas e dezenas de experiências, contadas em primeira mão ou quase.
Como é que uma empresa sincera e honesta pode usar uma ferramenta como esta?
Com discurso publicitário não, nem pensar, os participantes descobririam, mais tarde ou mais cedo e seria pior a emenda que o soneto.
Com discurso factual informativo? Talvez. Como aquele interveniente que explica que todos os pneus recauchutados fazem ruído acima dos 100 km/h (não sei se é verdade, só repito o que li).
Identificando-se ou mantendo o anonimato?
De certeza que já alguém escreveu algures sobre estes dilemas, mas não conheço.
Mas está aqui um veículo de comunicação interessante.
Comecei a ler a sequência de mensagens com um misto de curiosidade e de superioridade intelectual (tem algum jeito discutir marcas de pneus fatelas!!!).
Confesso que a conversa me cativou o suficiente, para ver toda a primeira página, e concluir que estava perante algo de útil... dezenas e dezenas de experiências, contadas em primeira mão ou quase.
Como é que uma empresa sincera e honesta pode usar uma ferramenta como esta?
Com discurso publicitário não, nem pensar, os participantes descobririam, mais tarde ou mais cedo e seria pior a emenda que o soneto.
Com discurso factual informativo? Talvez. Como aquele interveniente que explica que todos os pneus recauchutados fazem ruído acima dos 100 km/h (não sei se é verdade, só repito o que li).
Identificando-se ou mantendo o anonimato?
De certeza que já alguém escreveu algures sobre estes dilemas, mas não conheço.
Mas está aqui um veículo de comunicação interessante.
Há que mexer onde dói mais...
Como cínico que sou, relativamente às certificações, fui logo atraído por esta notícia no JN de hoje: "Portucel volta a sujar Cacia".
"A Portucel voltou a inundar Cacia com cinzas."
...
"levando a Associação de Defesa do Ambiente de Cacia e Esgueira (ADACE) a insurgir-se contra o atentado ambiental"
...
"A ADACE "lamenta que estas descargas continuem a ser cada vez mais frequentes, dado que são provenientes de uma empresa com certificação ambiental e vistoriada com alguma regularidade","
...
"continua à espera de uma resposta do Ministério do Ambiente sobre a anterior denúncia da chuva de cinzas negras" e avisa que nova denuncia seguirá sobre o atentado desta semana."
Não adianta fazer denúncias ao Ministério do Ambiente, se este algum dia entender fazer algo, será a um ritmo de caracol, e se o fizer o ministro Pinho, qual Liedson, resolve.
Se alguém conhecer um membro da ADACE comunique-lhe este pequeno segredo, reclamem antes junto da entidade que certificou a Portucel, e não fiquem por aí, reclamem também junto da entidade que acreditou a entidade que certificou. É muito mais rápido... e se calhar mais eficaz.
E não se fiquem por aí, já que a empresa está inscrita, e faz gala disso, no WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), no BCSD Portugal (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável) e na RSE Portugal (Associação Portuguesa para a Responsabilidade Social das Empresas), enviem umas cartinhas simpáticas a pedir esclarecimentos e acção.
"A Portucel voltou a inundar Cacia com cinzas."
...
"levando a Associação de Defesa do Ambiente de Cacia e Esgueira (ADACE) a insurgir-se contra o atentado ambiental"
...
"A ADACE "lamenta que estas descargas continuem a ser cada vez mais frequentes, dado que são provenientes de uma empresa com certificação ambiental e vistoriada com alguma regularidade","
...
"continua à espera de uma resposta do Ministério do Ambiente sobre a anterior denúncia da chuva de cinzas negras" e avisa que nova denuncia seguirá sobre o atentado desta semana."
Não adianta fazer denúncias ao Ministério do Ambiente, se este algum dia entender fazer algo, será a um ritmo de caracol, e se o fizer o ministro Pinho, qual Liedson, resolve.
Se alguém conhecer um membro da ADACE comunique-lhe este pequeno segredo, reclamem antes junto da entidade que certificou a Portucel, e não fiquem por aí, reclamem também junto da entidade que acreditou a entidade que certificou. É muito mais rápido... e se calhar mais eficaz.
E não se fiquem por aí, já que a empresa está inscrita, e faz gala disso, no WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), no BCSD Portugal (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável) e na RSE Portugal (Associação Portuguesa para a Responsabilidade Social das Empresas), enviem umas cartinhas simpáticas a pedir esclarecimentos e acção.
sexta-feira, setembro 14, 2007
Momento cínico
Esta manhã, bem cedo, li este artigo no JN de hoje: "Separar lixo para reciclar já é comum", e lembrei-me de uma estória que me contavam quando eu era pequenino e ía à "aldeia":
"Se apanhares um pirilampo vivo, e o meteres dentro de um copo virado ao contrário, com um bocado de sal. De manhã, quando te levantares, ele ter-se-á transformado numa moeda de "tostão"."
Confesso que só me dei conta da estória, por volta dos 10 anos. Porque fiz tudo direito mas não contei a ninguém...
Ao ler este artigo do JN começou a nascer um sentimento cínico... "OK, a gente separa os resíduos... e depois?"
Esta manhã, 8h49 junto à Escola Secundária de Estarreja.

Esta manhã, 8h50 junto às instalações antigas da Segurança Social em Estarreja.
Esta manhã, 8h56 nas traseiras das instalações da Associação de Moradores da Urbanização da Póvoa de Baixo"
Esta manhã, 8h57 na Rua das Tílias na Urbanização da Póvoa de Baixo.

Já agora, se uma "auditoria" deste tipo fosse calendarizada e responsabilizada, muitos outros serviços e resultados poderiam ser acompanhados, quer a nível de uma câmara municipal, quer a nível de uma empresa.
Valorizar o potencial humano?!!! Are you kidding?!
"Na base da mudança parece estar o elevado custo que o Estado suporta com o Ministério da Educação e os seus mais de 200 mil funcionários. Face à diminuição do número de jovens, em resultado da evolução demográfica, o Ministério da Educação tem pessoal excedentário e instalações que se tornaram desnecessárias."
Em vez de pensar na missão, no propósito, na razão de ser, inverte-se a ordem dos factores.
Existimos! O que é preciso fazer, para nos manter ocupados e justificar a manutenção da estrutura?
Um delicioso artigo, para cínicos, no Vida Económica de hoje "Governo estatiza a formação profissional", assinado por João Luís de Sousa.
Houve um tempo em que me interrogava sobre os motivos que levavam as universidades a não investir mais na formação contínua de adultos, não estou a falar de formação financiada, estou a falar de formação que os profissionais, ou as empresas estariam dispostos a pagar por reconhecerem valor acrecentado.
Se tinham os produtores de conhecimento (os professores universitários e os investigadores), se tinham as instalações (as escolas, as salas de aula), quase que poderíamos dizer que tudo o que facturassem seria lucro.
Até que um dia, indirectamente, os formandos de uma pós-graduação e, explicitamente, o organizador de uma outra pós-graduação, me deram as pistas:
Os professores, universitários ou não, não têm de captar clientes. Por isso, quando são colocados num mercado da formação, onde os clientes podem votar com os pés, primeiro surgem os conflitos com os formandos, depois, nos anos seguintes, os cursos ficam às moscas.
Há tempos escrevi aqui sobre a andragogia vs a pedagogia.
Mas como diz o artigo, o propósito não é a valorização do potencial humano, o propósito são as estatísticas e a protecção da estrutura do ministério da educação.
Em vez de pensar na missão, no propósito, na razão de ser, inverte-se a ordem dos factores.
Existimos! O que é preciso fazer, para nos manter ocupados e justificar a manutenção da estrutura?
Um delicioso artigo, para cínicos, no Vida Económica de hoje "Governo estatiza a formação profissional", assinado por João Luís de Sousa.
Houve um tempo em que me interrogava sobre os motivos que levavam as universidades a não investir mais na formação contínua de adultos, não estou a falar de formação financiada, estou a falar de formação que os profissionais, ou as empresas estariam dispostos a pagar por reconhecerem valor acrecentado.
Se tinham os produtores de conhecimento (os professores universitários e os investigadores), se tinham as instalações (as escolas, as salas de aula), quase que poderíamos dizer que tudo o que facturassem seria lucro.
Até que um dia, indirectamente, os formandos de uma pós-graduação e, explicitamente, o organizador de uma outra pós-graduação, me deram as pistas:
Os professores, universitários ou não, não têm de captar clientes. Por isso, quando são colocados num mercado da formação, onde os clientes podem votar com os pés, primeiro surgem os conflitos com os formandos, depois, nos anos seguintes, os cursos ficam às moscas.
Há tempos escrevi aqui sobre a andragogia vs a pedagogia.
Mas como diz o artigo, o propósito não é a valorização do potencial humano, o propósito são as estatísticas e a protecção da estrutura do ministério da educação.
quinta-feira, setembro 13, 2007
Olá, então vão à China ...
- Olá, então vão à Feira a Dusseldorf?
- É verdade, vamos!
- Então, o que esperam ganhar com a ida à Feira?
- Como assim? Vamos à Feira!
- Mas vão à Feira em serviço, em trabalho? Ou em turismo?
- Turismo?!!! Lá está você com as suas coisas!!! É claro que vamos em trabalho!
- Desculpem-me lá, sei que estou a ser aborrecido, mas o que é que esperam ganhar com a ida à Feira? Querem visitar potenciais fornecedores de matérias-primas? Querem falar com potenciais clientes? Querem falar com fornecedores de equipamentos? Em suma, para que passado um mês, ou dois, após a Feira, possam olhar para trás e dizer "A nossa ida à Feira este ano valeu a pena, foi um sucesso!", o que planeiam fazer na Feira? Já combinaram as reuniões? Não estão à espera de lá ir e depois vê-se o que dá, pois não?
Imaginei este pequeno diálogo com dois técnicos de uma pequena empresa portuguesa, porque estas situações, a esse nível, infelizmente acontecem.
Este tipo de planeamento em cima do joelho, tão nosso, é associado às PME's e empresas de vão de escada. Trata-se de uma associação injusta, como me chamou a atenção a jornalista Helena Matos, no blog Blasfémias, para este artigo no DN de ontem.
"Empresas portuguesas chegaram tarde às obras da Expo de Xangai Maior parte das infra-estruturas já está adjudicada.
As empresas portuguesas de construção civil já não terão oportunidade de obter encomendas no quadro da Expo de Xangai 2010, uma das maiores obras públicas em curso na China"
"É um pouco tarde para as empresas portuguesas entrarem na Expo", disse Huang Jianzhi, quando questionado sobre como poderiam as construtoras nacionais ter informação sobre eventuais concursos ou encomendas. As grandes obras já foram entregues ao nível do projecto e engenharia "
E agora:
"Embora o sector portuário seja o principal foco desta delegação - com contratos e acordos já garantidos - seguem na comitiva representantes de algumas construtoras nacionais - Grupo Mota-Engil (via Tertir), Somague, Edifer, Bento Pedroso e Irmãos Cavaco, com o objectivo de estabelecer contactos exploratórios"
Resultado:
"Ana Paula Vitorino desdramatizou, em declarações aos jornalistas, a recepção aparentemente pouco entusiasta em relação ao interesse dos chineses no investimento português nesta área, considerando que foram deixadas pistas de oportunidades para as empresas nacionais que estas podem aproveitar, para além da Expo 2010"
Apetece escrever:
- Olá, então vão à China com a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino?
- É verdade, vamos!
- Então, o que esperam ganhar com a ida à China?
- ...
- É verdade, vamos!
- Então, o que esperam ganhar com a ida à Feira?
- Como assim? Vamos à Feira!
- Mas vão à Feira em serviço, em trabalho? Ou em turismo?
- Turismo?!!! Lá está você com as suas coisas!!! É claro que vamos em trabalho!
- Desculpem-me lá, sei que estou a ser aborrecido, mas o que é que esperam ganhar com a ida à Feira? Querem visitar potenciais fornecedores de matérias-primas? Querem falar com potenciais clientes? Querem falar com fornecedores de equipamentos? Em suma, para que passado um mês, ou dois, após a Feira, possam olhar para trás e dizer "A nossa ida à Feira este ano valeu a pena, foi um sucesso!", o que planeiam fazer na Feira? Já combinaram as reuniões? Não estão à espera de lá ir e depois vê-se o que dá, pois não?
Imaginei este pequeno diálogo com dois técnicos de uma pequena empresa portuguesa, porque estas situações, a esse nível, infelizmente acontecem.
Este tipo de planeamento em cima do joelho, tão nosso, é associado às PME's e empresas de vão de escada. Trata-se de uma associação injusta, como me chamou a atenção a jornalista Helena Matos, no blog Blasfémias, para este artigo no DN de ontem.
"Empresas portuguesas chegaram tarde às obras da Expo de Xangai Maior parte das infra-estruturas já está adjudicada.
As empresas portuguesas de construção civil já não terão oportunidade de obter encomendas no quadro da Expo de Xangai 2010, uma das maiores obras públicas em curso na China"
"É um pouco tarde para as empresas portuguesas entrarem na Expo", disse Huang Jianzhi, quando questionado sobre como poderiam as construtoras nacionais ter informação sobre eventuais concursos ou encomendas. As grandes obras já foram entregues ao nível do projecto e engenharia "
E agora:
"Embora o sector portuário seja o principal foco desta delegação - com contratos e acordos já garantidos - seguem na comitiva representantes de algumas construtoras nacionais - Grupo Mota-Engil (via Tertir), Somague, Edifer, Bento Pedroso e Irmãos Cavaco, com o objectivo de estabelecer contactos exploratórios"
Resultado:
"Ana Paula Vitorino desdramatizou, em declarações aos jornalistas, a recepção aparentemente pouco entusiasta em relação ao interesse dos chineses no investimento português nesta área, considerando que foram deixadas pistas de oportunidades para as empresas nacionais que estas podem aproveitar, para além da Expo 2010"
Apetece escrever:
- Olá, então vão à China com a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino?
- É verdade, vamos!
- Então, o que esperam ganhar com a ida à China?
- ...
Performing a Project Premortem
A revista Harvard Business Review deste mês de Setembro traz um pequeno artigo assinado por Gary Klein e intitulado "Performing a Project Premorten".
O artigo é de acesso livre aqui. Dele retirei este trecho:
"A typical premortem begins after the team has been briefed on the plan. The leader starts the exercise by informing everyone that the project has failed spectacularly. Over the next few minutes those in the room independently write down every reason they can think of for the failure—especially the kinds of things they ordinarily wouldn’t mention as potential problems, for fear of being impolitic. For example, in a session held at one Fortune 50–size company, an executive suggested that a billion-dollar environmental sustainability project had “failed” because interest waned when the CEO retired. Another pinned the failure on a dilution of the business case after a government agency revised its policies.
Next the leader asks each team member, starting with the project manager, to read one reason from his or her list; everyone states a different reason until all have been recorded. After the session is over, the project manager reviews the list, looking for ways to strengthen the plan."
Ou seja, o autor propõe a incorporação de uma acção preventiva antes de ser dado o "GO!" de um projecto. Assim, perante este exemplo de projecto, retirado daqui:
O que é que pode correr mal?
O que é que pode contribuir para um falhanço na execução do projecto?
E actuar antes de começar a pôr a nossa reputação em jogo. Parece uma ideia muito útil.
O artigo é de acesso livre aqui. Dele retirei este trecho:
"A typical premortem begins after the team has been briefed on the plan. The leader starts the exercise by informing everyone that the project has failed spectacularly. Over the next few minutes those in the room independently write down every reason they can think of for the failure—especially the kinds of things they ordinarily wouldn’t mention as potential problems, for fear of being impolitic. For example, in a session held at one Fortune 50–size company, an executive suggested that a billion-dollar environmental sustainability project had “failed” because interest waned when the CEO retired. Another pinned the failure on a dilution of the business case after a government agency revised its policies.
Next the leader asks each team member, starting with the project manager, to read one reason from his or her list; everyone states a different reason until all have been recorded. After the session is over, the project manager reviews the list, looking for ways to strengthen the plan."
Ou seja, o autor propõe a incorporação de uma acção preventiva antes de ser dado o "GO!" de um projecto. Assim, perante este exemplo de projecto, retirado daqui:
O que é que pode correr mal?
O que é que pode contribuir para um falhanço na execução do projecto?
E actuar antes de começar a pôr a nossa reputação em jogo. Parece uma ideia muito útil.
"Europeus rejeitam reforma do vinho" - Consumidores rejeitam cada vez mais o vinho europeu
"Faltam 95 milhões de novos consumidores para que a UE possa vender os 26 milhões de hectolitros de vinho que tem a mais,"
E quem é que tem de os arranjar? A UE? Mas esta, ainda na semana passada tinha em cima da mesa uma proposta, para colocar nas garrafas de vinho rótulos semelhantes aos do tabaco!!!
Como refere o título do artigo de Teresa Costa no JN de hoje "Europeus rejeitam reforma do vinho", o que esses "europeus" têm de perceber é que na realidade os consumidores rejeitam cada vez mais o vinho europeu, as importações de vinho estão a crescer a 10% ao ano!!!
O que esses "europeus" querem, é mais apoios, mais subsídios, mais barreiras alfandegárias, mais...
Prefiro a abordagem da microeconomia, é mais saudável, defende a minha carteira como contribuinte e a minha capacidade de escolha como consumidor.
Adenda de 14 de Setembro: "Itália, Espanha e França são referidos como países onde muita da produção de vinho se destina a obter excedentes e, com eles, o apoio à destilação. Situação que os estados não produtores recusam sustentar mais."
E quem é que tem de os arranjar? A UE? Mas esta, ainda na semana passada tinha em cima da mesa uma proposta, para colocar nas garrafas de vinho rótulos semelhantes aos do tabaco!!!
Como refere o título do artigo de Teresa Costa no JN de hoje "Europeus rejeitam reforma do vinho", o que esses "europeus" têm de perceber é que na realidade os consumidores rejeitam cada vez mais o vinho europeu, as importações de vinho estão a crescer a 10% ao ano!!!
O que esses "europeus" querem, é mais apoios, mais subsídios, mais barreiras alfandegárias, mais...
Prefiro a abordagem da microeconomia, é mais saudável, defende a minha carteira como contribuinte e a minha capacidade de escolha como consumidor.
Adenda de 14 de Setembro: "Itália, Espanha e França são referidos como países onde muita da produção de vinho se destina a obter excedentes e, com eles, o apoio à destilação. Situação que os estados não produtores recusam sustentar mais."
quarta-feira, setembro 12, 2007
"Os pequenos passos"
Nuno Sampaio, no Diário Económico de ontem, num artigo intitulado "Os pequenos passos" chama a atenção para a importância de se usarem objectivos:
"Seria realmente bom que os resultados desportivos servissem como exemplo para outras organizações (empresariais, sociais, políticas) em Portugal, não só pelo estímulo, mas também pelo método. Que objectivos têm traçados para os próximos desafios? As grandes vitórias constroem-se, todos os dias, com pequenos passos. "
"Seria realmente bom que os resultados desportivos servissem como exemplo para outras organizações (empresariais, sociais, políticas) em Portugal, não só pelo estímulo, mas também pelo método. Que objectivos têm traçados para os próximos desafios? As grandes vitórias constroem-se, todos os dias, com pequenos passos. "
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