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terça-feira, janeiro 14, 2020

Ter ou não ter fogo no rabo

Muitas vezes... demasiadas vezes, desanimo com aquilo a que chamo falta de fogo no rabo nas empresas (uma expressão que escrevi pela primeira vez aqui no blogue em Janeirto de 2008, mas que recordo ter começado a usar nas empresas por volta de 2003). Por exemplo, recordar "A falta de fogo no rabo".

Ou porque se formulam iniciativas para implementar estratégias para criar um futuro melhor, ou porque se desenham projectos para ultrapassar problemas operacionais, desafios críticos, desafios importantes, desafios que gritam por atenção e que vão progredindo a velocidade de caracol, e que vão repousando nos congeladores empresariais. Desafios sem atenção da gestão de topo, desafios sem chefe de projecto, sem equipa, sem compromisso de datas, sem especificações de saída, sem recursos, sem ...

Depois, apanha-se algo deste calibre:


Como é que isto pode medrar neste ambiente?

domingo, abril 14, 2019

A falta de fogo no rabo

"Wthout focus a company cannot achieve an execution culture. As mentioned previously, unfocused companies pursue too many objectives and have too many initiative. During the workshops conducted with senior managers, I asked them to list their company's top three objectives. There was never unanimous agreement. If top management is not dear about the initiatives on which to focus the company's efforts, then staff will never know where to invest their time. ... the greater the number of strategic objectives and priorities, the more unfocused are the employee. Alternatively, the more focused is top management, the clearer employees and departments are about what they need to do on a daily basis. When priorities cascade down the organization, the result is often a distorted focus — and frequently a significant distortion.
...
Another significant consequence is that lack of focus leads to lack of discipline in executing organizational objective. Focus imposes discipline because staff at any level know what to do at any point.
...
A final sign related to lack of focus and execution culture is when companies brainstorm the same ideas again and again."
Um dos temas que há muitos anos me apoquenta, ao lidar com as iniciativas estratégicas... a falta de foco, a falta de fogo no rabo, iniciativas que se arrastam no tempo, iniciativas que não têm qualquer prioridade sobre a gestão corrente do dia-a-dia:


Trechos retirados de "The Focused Organization: How Concentrating on a Few Key Initiatives Can Dramatically Improve Strategy Execution". 

quarta-feira, dezembro 21, 2016

"Fogo no rabo"

Em 2008, em "Schwerpunkt", usei um termo que uso nas empresas desde 2002: fogo no rabo.

Por vezes lido com empresas, empresas que não são grandes, empresas que deviam ser ágeis mas que têm um ritmo muito lento. Digo-lhes que lhes falta "fogo no rabo" para correrem a sério.

Em "Why CEOs Should Commit to Many Small Battles Instead of a Single Big One", aplicado às empresas grandes, apresenta-se um conselho sobre como fugir ao ritmo de mudança lenta das organizações grandes.
"As CEO, you can fight back by sponsoring micro battles — discrete, narrowly defined, customer-focused initiatives pursued by small cross-functional teams. Micro battles force everyone to behave like insurgents, focusing only on what’s essential to meet a narrow goal.
...
How? Consider a typical corporate goal: Grow sales of electric hand tools in Western Europe by 4%. That might encourage people to work harder, but it doesn’t require that anyone work differently or think outside their own department. A micro battle, by contrast, has a tightly drawn goal: “Let’s win 50% share in Western Europe of the do-it-yourself store business for mid-priced circular saws by displacing our main competitor.”
.
To win such a battle, you need a team made up of people who are closest to each market.
...
The team also needs people who provide crucial support—a supply chain expert, who can help drive down the cost of mid-priced saws, and a consumer insight expert, who understands consumer preferences for hand tools."
Claro que estas micro-batalhas têm de partir da orientação estratégica senão resultam em "much ado about nothing"

sexta-feira, novembro 03, 2023

Análise do contexto (parte VIII)

(Parte VII)


Há tempos li What Fast-Moving Companies Do Differently:

"The Two Dimensions of Speed

When we talk about speed, we consider the two key dimensions that determine how fast a company can move:

  • Speed of insights is a company's ability to quickly sense an emerging market need that it can meet. This includes both 1) identifying the external indicators most relevant to the firm's industry and business to spot trends that suggest latent or emerging demand for a particular type of offering, and 2) being able to quickly see impending developments that could challenge the business in some way.
  • Speed of action is the ability to equally quickly marshal a company's operations to capitalize on the identified trend or need. This means digesting the insights generated, deciding what the company should do in response, and setting the organization in motion to implement those decisions."

Recordo de 2020 - Ter ou não ter fogo no rabo.

Recordo de 2019 - A falta de fogo no rabo.

Interessante ter conversado com pelo menos duas PME nos últimos 30 dias que posso incluir no pequeno grupo de empresas que apostam na velocidade. Acumularam capital, têm graus de liberdade, têm gente que está atenta ao contexto e age!

segunda-feira, setembro 02, 2019

Avaliar projectos (parte II)

Parte I.

Há dias fui recordado que podia usar a palavra desassossego muito mais vezes. As PME deviam ser mais desassossegadas, deviam estar mais atentas ao contexto para se anteciparem e, depois, terem fogo no rabo e avançarem para a execução, para a transformação da organização em algo muito mais adaptado a um contexto em transição cada vez mais acelerada.

O texto de Nieto-Rodriguez (na Parte I) chama a atenção para um conjunto de perguntas-teste que devem ser feitas para avaliar do potencial de sucesso de um projecto.

Recordo esta provocação "Provocação para empresas certificadas"  complementada com a parte II e com "Tenho de testar isto ...":
"A ideia de fazer de cada ano um espécie de projecto, algo único e irrepetível, em vez de uma continuação da rotina de sempre, é capaz de ser útil para mudar mentalidades em muitas empresas.
...
Pensem nisto a sério, pensem em fazer de 2018 um projecto. Pensem em quais serão os entregáveis que pretendem ter no final do ano (esqueçam a norma e pensem nos resultados fundamentais da organização). Pensem no contexto em que 2018 vai decorrer. Que gargalos, que riscos, que oportunidades conseguem equacionar?
...
E que tal pegar num sistema de gestão da qualidade implementado e considerar 2018 como um projecto. Que mudanças teríamos de implementar para conduzir o sistema de gestão de forma a atingir os objetivos para o projecto?
.
O que me atrai é o potencial para criar algo de muito mais palpável e interessante para o dono de uma PME. Transformar um sistema de gestão da qualidade que ele não domina, que ele vê como algo à parte, numa ferramenta para atingir algo que ele valoriza, que ele deseja, que ele procura.
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Quais são os objectivos para 2018? Que resultados quer, precisa de atingir em 2018? O que fará de 2018 um bom ano? Acha muito abstracto? Estamos no final de 2017: foi um bom ano porquê? Como poderia ter sido melhor? Foi uma mau ano? Como poderia ter sido menos mau? Não quer fazer batota e chegar a 2019 com a sensação de ter segurado no volante e ter mandado na caixa de velocidades?"
Assim, se virmos a revisão do sistema da ISO 9001 como um momento Janus, como um momento de transição entre o que fomos no ciclo de gestão que está a acabar e, o que queremos ou temos de ser no próximo ciclo de gestão, podemos transformar o próximo ciclo de gestão num projecto... na verdade num programa (um conjunto de projectos alinhados). Então, o conjunto de perguntas-teste de Nieto-Rodriguez funcionarão como uma espécie de último teste antes do kick-off formal do novo ciclo de gestão

terça-feira, abril 14, 2026

"China-speed", outra vez

Foi no Natal de 2007 que comecei a ler sobre Boyd e o seu OODA Loop, um ciclo mental e operacional para actuar em contextos de mudança, incerteza e competição.


Não vence necessariamente quem tem o melhor plano inicial. Vence, muitas vezes, quem aprende e se ajusta mais depressa.

Há cerca de duas semanas em “Uma tristeza...” apareceu-me a expressão “China-speed”:
"Contrary to widespread belief, China's cost advantage is only partially due to lower wages. The analysis by Roland Berger shows that approximately 60 percent of the cost advantage arises from design and system decisions, such as consistent standardization, reduced variety, and "fit-for-purpose" engineering, which focuses on market-relevant performance. Other drivers include competitive supplier structures and operational efficiency, rather than primarily personnel costs."
Agora, volto a encontrá-la no Handelsblatt do passado dia 7 de Abril em “China-Speed setzt Maschinenbau unter Druck”. O artigo descreve a pressão crescente que os fabricantes chineses estão a exercer sobre a indústria alemã de máquinas e equipamentos. A ameaça já não vem apenas de preços mais baixos: os concorrentes chineses combinam custos inferiores com capacidade técnica crescente, ciclos de desenvolvimento mais curtos e maior rapidez a colocar soluções no mercado.

Durante muitos anos, muitas empresas europeias habituaram-se a pensar que a vantagem competitiva residia sobretudo em três coisas: melhor engenharia, maior robustez técnica e mais qualidade. Tudo isso continua a contar. Mas já não chega. Quando um concorrente consegue desenvolver mais depressa, adaptar-se mais cedo ao cliente e colocar uma solução no mercado antes dos outros, ganha uma vantagem que não é apenas operacional. É estratégica.
A velocidade passou a ser uma variável estratégica porque altera o jogo em vários níveis simultaneamente.

Primeiro, quem chega mais depressa aprende mais cedo. Uma PME que lança uma solução seis meses antes da concorrência começa mais cedo a receber reacções dos clientes, a corrigir erros, a perceber o que o mercado realmente valoriza e a melhorar a oferta. Isto significa que a velocidade não é apenas “andar depressa”. É acelerar a aprendizagem.

Segundo, quem responde mais depressa torna-se mais relevante para o cliente. Em muitos mercados, o cliente não escolhe apenas a melhor solução teórica. Escolhe, muitas vezes, a empresa que conseguiu perceber o problema rapidamente, adaptar a proposta sem burocracia e entregar uma resposta utilizável num prazo que faça sentido para a realidade do negócio. A empresa lenta pode até ter uma solução tecnicamente superior, mas chega tarde.

Terceiro, a velocidade reduz o risco de ficar preso a decisões passadas. Muitas PME investem demasiado tempo a tentar lançar uma solução “quase perfeita”. O problema é que, entretanto, o mercado, o cliente, a tecnologia e o concorrente já mudaram. Em certos contextos, uma boa solução hoje vale mais do que uma excelente daqui a um ano.

Para uma PME, isto tem consequências muito concretas.

Uma delas é que o tempo de desenvolvimento deve ser visto como um indicador de competitividade, e não apenas como um detalhe técnico. Se uma empresa demora demasiado tempo a transformar uma ideia em proposta, uma proposta em encomenda ou uma encomenda numa solução ajustada ao cliente, está a perder terreno mesmo sem se aperceber.

Outra consequência é que a complexidade interna passa a ser um inimigo estratégico. Muitas PME perdem velocidade não por falta de competência, mas porque têm aprovações a mais, decisões pouco claras, prioridades em conflito, retrabalho entre departamentos, excesso de personalização mal controlada ou dificuldade em fechar versões suficientemente boas para avançar.

Por isso, quando se fala em velocidade, não se trata de pedir às pessoas que corram mais. Trata-se de redesenhar a forma de trabalhar para que a empresa consiga decidir, adaptar e entregar com menos atrito.

Numa PME, isto pode significar coisas como:
  • reduzir o número de decisões que sobem sempre à direcção;
  • clarificar quem pode decidir o quê, e até que limite;
  • encurtar o tempo entre contacto com o cliente e proposta;
  • trabalhar com soluções modulares, em vez de reinventar tudo em cada caso;
  • lançar uma versão intermédia ou piloto funcional, em vez de esperar pela solução “final”;
  • envolver produção, comercial e técnica mais cedo, para evitar idas e voltas;
  • usar feedback real do cliente para corrigir trajectória rapidamente.
Há aqui também uma mudança mental importante. Muitas PME foram educadas a pensar em estabilidade, controlo e minimização de erros. Isso é compreensível, mas hoje precisam de juntar outra capacidade: experimentar, ajustar e avançar mais depressa. Não é trocar rigor por improviso. É combinar rigor com cadência.

Diria mesmo que, para muitas PME, a pergunta deixou de ser apenas:
“Temos uma solução melhor?”
e passou a ser também: 
“Conseguimos aprender e adaptar-nos mais depressa do que os outros?”
Essa segunda pergunta pode ser decisiva.
Porque, no fim, a empresa mais rápida não é necessariamente a que trabalha à pressa. É a que consegue transformar conhecimento em acção com menos demora. É a que encurta a distância entre perceber, decidir e fazer.




quarta-feira, abril 17, 2024

"Estratégia para outros, a minha empresa não precisa"

"I frequently get challenged by leaders of companies in highly fragmented industries as to why I am I so obsessed about them winning. They argue that they don't need to think about winning over every other player. They just need to do a good job serving their customers."

Parei a leitura deste artigo, "Strategy in Highly Fragmented Industries" para recordar experiências com este tipo de lideranças:

Por falar em rabo, alguns leitores deste blogue hão-de lembrar-se da estória de um destes líderes dizer:
"Os clientes são como os peidos, uns vão e outros vêm"

Voltemos ao artigo: 

"That was the case because playing in my highly fragmented market taught me how to play at a level of competitiveness that was completely inadequate for the world outside my little market."

Tão verdade que até dói!!! 

Recordo outro tema: Bruce Jenner - A sua empresa tem cada vez menos espaço para ser um Bruce Jenner

Um último recorte:

"But, if those inside the industry aren't making the investments that produce a better way of serving customers, somebody else outside the industry will. And the best targets are fragmented industries in which no single player thinks that it needs to invest to Play-to-Win."

Pois, gente que acha que pensar estratégia é para outros, não para a sua empresa. 



 

quinta-feira, maio 07, 2026

Musk, velocidade e vantagem competitiva

Ando a ouvir este podcast "How Elon Thinks" sobre a forma como Elon Musk pensa e trabalha. Confesso que uma coisa me ficou a martelar na cabeça: a obsessão com a velocidade. 

Falo da velocidade como convicção profunda de que o tempo é uma matéria-prima estratégica. Cada mês perdido é conhecimento que não foi adquirido, cliente que não foi servido, mercado que não foi ocupado, dinheiro que não entrou.

E, claro, voltei ao velho tema da falta de fogo no rabo. Muitas empresas, demasiadas empresas, tratam o tempo como se fosse gratuito. Uma decisão pode esperar. Uma proposta pode esperar. Um ensaio pode esperar. Uma reunião de alinhamento pode esperar. A produção ainda não respondeu? Normal. O fornecedor atrasou-se? Paciência. O cliente continua à espera? Faz parte. Faz parte de quê? Da lenta domesticação da empresa pela sua própria rotina e pela dos outros.

Musk é um caso extremo. Não é modelo de vida, não é cartilha de gestão, não é exemplo para copiar à letra. Mas seria uma pena usar esse argumento para fugir à pergunta incómoda: quantas empresas se habituaram a velocidades ridiculamente baixas e já nem reparam? O mais interessante não é ele trabalhar muito. Isso é o lado folclórico da história. O ponto importante é outro: ele desenha as organizações para reduzir a distância entre perceber, decidir e fazer. Quando há um gargalo, ataca-se o gargalo. Quando há uma regra estúpida, questiona-se a regra. Quando há uma peça que não devia existir, elimina-se essa peça. Quando há um processo que só serve para justificar o processo anterior, mata-se o processo.

É aqui que a coisa se torna interessante para as PME. Muitas PME não têm escala, não têm marca global, não têm departamentos de inovação, não têm exércitos de engenheiros, nem almofadas financeiras para errar durante anos, e o dinheiro está cada vez mais caro. Mas podem ter uma coisa que as grandes empresas muitas vezes perdem: velocidade de acção. Podem ouvir o cliente hoje e testar uma resposta amanhã. Podem juntar comercial, produção, técnica e compras numa mesa sem convocar um comité intercontinental. Podem decidir uma alteração de produto sem pedir autorização a uma torre de marfim. Podem transformar uma oportunidade num piloto, um piloto numa proposta, uma proposta numa encomenda e uma encomenda numa aprendizagem.

Podem. Mas, para isso, têm de desafiar as regras não escritas que as tornam lentas. A regra não escrita de que tudo tem de subir à direcção. A regra não escrita de que é melhor não decidir do que decidir e correr o risco de errar. A regra não escrita de que cada departamento deve proteger a sua capelinha. A regra não escrita de que só se mostra ao cliente uma solução quando ela está perfeita. A regra não escrita de que o fornecedor manda no ritmo. A regra não escrita de que “sempre fizemos assim” é um argumento. Não é. É só ferrugem com estatuto e galões.

Pensemos nas CDMO, como as conversas com o meu parceiro têm me ensinado. Para um cliente, cada mês de atraso até chegar ao mercado pode significar milhões perdidos. O cliente não compra apenas capacidade técnica. Compra tempo. Compra redução de incerteza. Compra alguém que o ajude a chegar mais cedo. Compra alguém que não transforme cada desvio num calvário administrativo. Neste tipo de mercado, velocidade não é simpatia operacional. É uma proposta de valor. Uma CDMO que responde depressa, transfere depressa, resolve depressa, aprende depressa e comunica depressa vale mais. Não porque trabalha à pressa, mas porque reduz o custo do tempo para o cliente.

E isto vale para muitos outros sectores. A PME que consegue encurtar o ciclo entre a necessidade e a resposta começa a jogar outro jogo. Aprende antes. Corrige antes. Ganha confiança antes. Entra na cabeça do cliente antes. Enquanto a concorrência ainda está a “analisar internamente”, ela já está no terreno a descobrir a realidade. A velocidade tem este efeito malandro: transforma pequenas vantagens em vantagens acumuladas. Quem lança primeiro aprende primeiro. Quem aprende primeiro melhora primeiro. Quem melhora primeiro ganha confiança primeiro. Quem ganha confiança primeiro recebe mais oportunidades. E quem recebe mais oportunidades aprende ainda mais depressa. Isto é o ciclo OODA de Boyd; por isso, Musk não patenteia: prefere a liderança da fronteira como "fosso", como vantagem competitiva.

O contrário também existe. É o efeito congelador. Projectos estratégicos que “estão em análise”. Iniciativas que “vão avançar no próximo trimestre”. Melhorias que “dependem de recursos”. Problemas conhecidos por todos, mas sem dono, sem data, sem equipa, sem entregável, sem vergonha. Depois chega alguém de fora, talvez com menos história, menos certificações na parede, menos reverência pelas regras do sector, e faz em seis meses o que os incumbentes explicavam que precisava de dois anos. E lá vêm as lamúrias: concorrência desleal, clientes ingratos, mercado imaturo, pressão sobre preços. Pois, talvez. Ou talvez o mercado tenha deixado de pagar pela lentidão dos incumbentes.

Velocidade não é imprudência. Não é confundir urgência com histeria. Não é atropelar requisitos legais, qualidade, segurança ou bom senso. Velocidade é disciplina. É foco. É clareza sobre o que interessa. É coragem para eliminar o que não acrescenta. É capacidade para decidir com informação suficiente, em vez de esperar pela ilusão da informação perfeita. É aceitar pequenos erros rápidos para evitar grandes erros tardios. O tal "Dá, dá. Não dá, não dá!". É transformar a empresa numa máquina de aprendizagem, não num museu de procedimentos.

Há PME que ainda pensam que a sua vantagem está apenas na flexibilidade. Mas flexibilidade sem velocidade é yoga empresarial: bonito, saudável, mas pouco competitivo. A flexibilidade só conta quando se transforma em acção. Talvez a empresa não precise de mais um plano estratégico de 80 páginas. Talvez precise de agarrar três batalhas críticas, pôr gente boa em cima delas, dar-lhes autoridade, datas, recursos e protecção política. Talvez precise de perguntar todas as semanas: o que nos está a atrasar, quem pode decidir isto, por que é que este passo existe, que versão suficientemente boa podemos testar já?

No fim, a empresa rápida não é a que faz tudo depressa. É a que demora menos tempo a aprender a fazer melhor. E isso, para muitas PME, pode ser uma vantagem competitiva muito mais poderosa do que parece.

P.S. Ainda há outro tema que o podcast me segredou.

sábado, janeiro 18, 2020

Acerca da rapidez (parte I)

No Le Figaro de hoje um artigo interessante "La montée en gamme des marques chinoises". Assim que o comecei a ler recordei o OODA loop de Boyd. Antes de mergulhar no artigo, convido a ler um excerto de "Parte II: OODA loops, a agilidade, o partir pedra e o xadrez," escrito em Janeiro de 2009:
"Procure o melhor jogador de xadrez que conseguir e ofereça-se para jogar com ele sob estas condições:
O seu adversário faz a primeira jogada;
Você faz duas jogadas por cada uma das que ele fizer.
.
De facto, até pode oferecer-se para abdicar de algumas peças, para que o jogo seja mais justo. Descobrirá que, a menos que esteja a jogar com alguém de nível muito elevado, pode desistir de praticamente tudo e ainda assim ganhar. Mantendo os cavalos e talvez uma torre.
.
Esta é uma ilustração expressiva de como o opositor materialmente mais fraco, usando a agilidade, pode ultrapassar uma grande desvantagem numérica.”
.
Please rewind and read again."
Percebem porque fico doente com a falta de fogo no rabo?

Voltemos ao artigo:
"Les marques chinoises ne font plus fuir le consommateur chinois. Au contraire. En à peine dix ans, l'étiquette « made in China », auparavant synonyme de mauvaise qualité et d' arnaque au consommateur, est devenue dans beaucoup de cas symbole de fierté nationale, et même recherchée par un public entièrement digitalisé, avisé, exigeant et difficile à fidéliser. Aujourd'hui le millennial chinois - cible phare des marques à la fois chinoises et internationales - s'attend à ce qu'une marque anticipe ses besoins et rende l'expérience d'achat la plus pratique possible. Véritable témoin de la montée en puissance de la Chine sur la scène internationale, il n'hésite pas à acheter chinois, contrairement à la génération précédente qui peine encore à sauter le pas.
...
Au-delà de la qualité qui est au rendez-vous, les marques chinoises connaissent leur marché et sont plus flexibles et rapides à s'adapter que leurs concurrents étrangers. Elles ont su ajuster leur management, valoriser le branding et segmenter leur offre. Mais surtout, la vraie valeur ajoutée est leur compréhension des enjeux de la digitalisation et de l'e-commerce. Ce sont avant tout des entreprises technologiques comme le sont par exemple Ofo (vélos connectés) ou VIP Kids (éducation en ligne). « Une marque chinoise peut sortir un produit en six mois contre deux ans pour une multinationale. En plus, beaucoup sont nées lors de l'ère digitale, ce qui leur donne un avantage pour innover, notamment dans la vente en ligne » , selon Chris Reitemann, directeur géné-ral Chine pour Ogilvy." 
Continua.

domingo, outubro 18, 2020

Um arrepio...


Ao longo dos anos tenho aqui relatado a minha experiência e preocupação com a lentidão da mudança nas empresas portuguesas. Por exemplo, falta de fogo no rabo.

Também por isso receio o efeito dos lay-off: uma pausa que não pressiona as empresas a reformarem-se. Na verdade: Não vai ser nenhum 'lay-off' que as vai preparar para essa transição.

Por isso, assim que ouvi este trecho até me arrepiei:

"The COVID-19 pandemic has changed many aspects of business, but one thing that hasn’t changed is the urgent need for companies to transform. In fact, the crisis has underscored that need. Most organizations have already launched rapid measures in response to the situation. The challenge now is to build on these measures and develop longer-term, comprehensive initiatives to reposition the company for the future—which may feel like a permanent state of emergency."

Daqui, "How Transformative CEOs Lead in a Crisis": 

"many companies across industries and geographic markets now need to stabilize revenue, unlock growth through new digital sales channels, and reduce costs. 

...

Because the pace of change in business has accelerated, companies can no longer spend six months plotting a transformation and then several years implementing it. Instead, companies need to take immediate steps to begin delivering results, send cash to the bottom line, and fund future initiatives.

Top-performing organizations don’t rely on just cost cuts to free up capital—instead, they also improve capital efficiency and deliver quick wins to boost revenue. 

...

To be clear, cost reductions are often a critical step, but they can never stand alone. Over the long term, revenue growth has a greater impact on transformation success—contributing, on average, nearly half of cumulative value creation after five years.[Moi ici: Ainda na sexta-feira passada tive conversa com empresa que passou pela redução dos custos. E debatemos várias alternativas para aprender com os 4/5 clientes novos que ganharam nos últimos dois anos para perceber como procurar ainda mais clientes para aumentar vendas]

...

[Moi ici: Outra tema abordado nessa mesma conversa. O meu velho exemplo de Zapatero] New CEOs perform better in transformations. In fact, a new CEO can boost the odds of a successful transformation by 7 percentage points, on average. Why do new CEOs perform better? Because they take an outsider’s view of the business, with no legacy bias, and they are willing to take bold steps to shake up established ways of thinking.

Incumbent CEOs and management teams, therefore, cannot afford to be complacent and maintain the status quo. Instead, they must be somewhat paranoid and continuously take a fresh look at the business. Or, as we say, “If it ain’t broke, fix it anyway.”"

 

domingo, setembro 01, 2019

Avaliar projectos (parte I)

Gosto de ler os artigos de Antonio Nieto-Rodriguez, sobretudo quando ele faz o que tento fazer aqui: pegar num caso da vida real e confrontá-lo com as suas ideias e, explicar porque correu bem ou mal,  aproveito sembre boas ideias.

Se calhar devíamos aplicar este questionário dele a alguns projectos em que temos dúvidas em entrar:
"Here are the six questions in the order we recommend asking them:
.
1. Is there a solid business case and a compelling rationale? (The Why).
There are two main reasons we invest resources (time and effort) in a project: either to solve a problem or to capture an opportunity. [Moi ici: É clara qual a razão de ser para avançar com o projecto? Problema? "Precisamos da certificação porque ela foi colocada numa candidatura para aumentar a pontuação na avaliação"]
...
2. Does the moon shot [project] have a committed and charismatic sponsor? (The Who).
Probably the single most important characteristic of a successful transformation project is having a strong, engaged, and charismatic sponsor. [Moi ici: Por favor ler esta pergunta outra vez. Recordo um projecto na indústria e outro no turismo que estão a marinar por causa desta falha]
...
3. Does the moon shot [project] have a clear scope? (The What).
The scope defines what the project will look like when delivered (not to be confused with the project objectives, the “why,” which we explored in question 1). The more you know about this at the beginning of the project, the better you can estimate the duration, cost, and skills needed to produce the desired outcome. The opposite also applies: The more uncertainty there is about the requirements, the more difficult it is to have an accurate plan. [Moi ici: Ler isto e recordar logo o relato que Nieto-Rodriguez faz da wicked mess que é o projecto do novo aeroporto de Berlim. Interessante, na semana passada numa formação sobre a ISO 9001 comecei exactamente pela pergunta: O que fazem? Qual é o vosso negócio? Para chegar à definição do âmbito do sistema]
...
4. Is there buy-in from key stakeholders? (The How).
The most successful projects occur when all, or at least most, of the key stakeholders (the people impacted by the project, with different degrees of influence) are in favor it. Even better is when they are driving it.
.
In project management there is a maxim: “There is always one stakeholder who will be happy if your project fails.” There are regulators, politicians, shareholders, or simply employees who can be obstacles to the success of the endeavor. [Moi ici: O que é que cada parte interessada pode ganhar com o projecto... Aquele: "What's in it for me?"]
...
5. Does the moon shot [project] have a precise finish line? (The When).
Projects that start with an ambitious and undisputed deadline have a higher chance of success. Starting without a finish line can make a project drag on for months and even years. [Moi ici: Por favor ler esta pergunta outra vez. Recordo o "fogo no rabo" ou antes, a sua falta]
...
6. Is the moon shot [project] a true priority? (The Where).
The “Where” domain covers the external elements that can have a positive or negative impact on the project. These areas are often outside the control of the project leader — such as the priority of the project in relation to all the other projects being carried out, or the overall project implementation competencies in the organization — yet there are ways that the leader can influence the project favorably. The executive sponsor plays an important role in influencing the organization too.
...
Take time to discuss, clarify, and solidify your answers to these questions. Despite the natural excitement and urgency to start working on them, projects that spend more time in the definition phase tend to have a smoother implementation."
Trechos retirados de "6 Questions to Ask Before Launching a Moon Shot Project".

Continua com a aplicação a um sistema de gestão da qualidade já implementado.

segunda-feira, junho 15, 2020

Porque falham as transformações

"The Four Most Common Failure Modes for Transformative Innovations in Large Organizations
.
Too late.  Leaders recognize the need for new growth but don’t commit to it until their competitors have already seized the opportunity.
Too few resources.  Leaders appropriately organize and adopt long-term growth initiatives but fail to allocate sufficient dollars, the right people, and enough of their own mindshare to sustain them.
Impatience for growth.  Many transformative ventures are slow to bloom. Perhaps an early business experiment fails or has slower than expected results. Instead of redesigning the experiment to learn more, senior leadership pulls the plug. Or maybe it experiences some early-stage success and senior leadership demands that it be scaled up before all of its premises have been thoroughly tested, causing the venture to make a fatal stumble.
Competition from the core.  A challenge with growth in the core may cause resources to be diverted away from a promising new venture. Or, in a misguided attempt to restore organizational efficiencies, leadership might “cram” a successful new venture back into the core prematurely, causing it to lose the unique attributes that were responsible for its success."
Eu acrescentaria um quinto factor: a falta de foco, a falta de instinto de matador. Até se indentifica a necessidade de mudança, mas não se muda, mas não se tem fogo no rabo.
Trecho retirado de “Lead from the Future” de Josh Suskewicz.

segunda-feira, maio 05, 2014

Unstoppable

Um resumo de "Unstoppable" de Chris Zook
"1. Develop a point of view on impending turbulence in your industry and the speed at which change will happen. The key indicator is the current and expected distribution of profitability across markets, business models, substitutes, and steps in the value chain in your industry. [Moi ici: Ainda na sexta-feira passada, numa sessão de divulgação da estratégia, para os colaboradores de uma PME, usei este esquema para ilustrar o desenvolvimento do ambente competitivo. Verdade que começa ele próprio a ficar desactualizado]
...
2. Evaluate the "state of the core" in your business, focusing particularly on what might happen to your source of competitive differentiation in serving your core customers [Moi ici: E a sua empresa sabe quais são?] in light of the trends identified.
...
3. Identify a first set of options for a new point of arrival given the point of departure that you have just characterized. Strategy under turbulence usually presents a business with a set of discrete, distinct options (versus incremental variations of the same thing).
.
4. X-ray your organization for hidden assets that might create new options, [Moi ici: Esta é a fase em que a minha motivação num projecto dispara e passo-me com a passividade nas empresas, não há tempo a perder. Recordar "Schwerpunkt" e o fogo-no-rabo] refine current options, or improve your ability to implement on those options.
...
5. Refine your set of options based on what you've learned about hidden assets and continue to iterate between steps 3, 4, and 5 until you believe you've fully developed and understood the strategic choices that you face with regard to redefining your core strategy.
.
6. Evaluate the options with clear, agreed-upon criteria: The most important ingredients to such evaluation, we find, are the ability to be truly differentiated in a set of core customers and to protect that position competitively, the ability to add the new capabilities that are required for the redefined strategy, and the organization's ability to implement. Our research shows that companies embarking on a new strategy often need to go through a period of operational restructuring to tighten up the organization and to render it "battle ready" for the pace of change, and the resources required.
.
7. Enter the mobilization phase with full force. ...  Three areas to focus on in particular are: (1) maintaining intensely high levels of clear communication and building consensus all the way to the front lines; (2) establishing a mechanism to measure progress in real time, to learn and to make course corrections; and (3) creating a program office at the center to monitor progress, provide help, and work on problems."

segunda-feira, outubro 04, 2021

Aprender e voltar a aprender, rapidamente

Outro legado do meu ano de 2008, a descoberta dos textos de John Boyd.

Ontem li "Why Do Strategy, Anyway?" de onde retirei:

"For me, the case for strategy centers on learning. I believe that doing strategy thoroughly and religiously is the key to gaining a learning advantage over competition.

The way to maximize learning in strategy is to use all your current knowledge to develop a hypothesis as to the most compelling strategy choice, then enact it, and then observe the degree to which things turn out the way you expected, then, based on those observations, develop a next generation hypothesis, which you put into action, and then observe and learn again. And so on. If you repeatedly go through that learning loop rigorously and, importantly, faster than your competitors, you will maximize your chance of ending up on top.

This is, must assuredly, not my idea. It is borrowed from what most insiders would consider the greatest air combat theoretician in history, the late Air Force Colonel John Boyd, creator of the OODA (observe, orient, decide, act) Loop. Boyd argued that if a fighter pilot rigorously goes through the OODA Loop faster than his enemy, he will maximize the probability of beating the enemy in air combat. The key is the combination — rigor in each step; and getting through more cycles of the OODA Loop faster than the enemy.

If instead, while your competition is engaging in that learning activity, you wait to see what emerges in order to fast-follow, you will always be playing catch-up on the knowledge necessary to compete, and in due course, per Boyd, you will be shot down."

E volto ao cockpit do avião com uma avaria importante e à sua relação com uma empresa.

E volto à falta de fogo no rabo


segunda-feira, novembro 14, 2016

Acerca da destruição criativa

Na passada quinta-feira circulava na cidade de Bragança quando deparei com este cartaz:

Não sei se influenciado pela capa do jornal i do dia:

A primeira coisa que me veio à mente ao ver o cartaz foi:
"Cartaz da campanha de Trump em plena cidade de Bragança."
Porque recordo isto?
.
É a primeira coisa que recordo ao ler "Creative Destruction". Afinal Trump e o PCP estão tão próximos em tanta coisa. Escrevo aqui muitas vezes sobre o veneno dos subsídios para salvar empresas ou modelos de negócio obsoletos. Esse activismo, esse fragilismo, destrói os stressors, destrói a informação, corrompe os sinais que deveriam obrigar as organizações a mudarem, a evoluírem.
"Over time, societies that allow creative destruction to operate grow more productive and richer; their citizens see the benefits of new and better products, shorter work weeks, better jobs, and higher living standards.
.
Herein lies the paradox of progress. A society cannot reap the rewards of creative destruction without accepting that some individuals might be worse off, not just in the short term, but perhaps forever. At the same time, attempts to soften the harsher aspects of creative destruction by trying to preserve jobs or protect industries will lead to stagnation and decline, short-circuiting the march of progress. Schumpeter’s enduring term reminds us that capitalism’s pain and gain are inextricably linked. The process of creating new industries does not go forward without sweeping away the preexisting order.
...
Through this constant roiling of the status quo, creative destruction provides a powerful force for making societies wealthier. It does so by making scarce resources more productive.
...
Attempts to save jobs almost always backfire. Instead of going out of business, inefficient producers hang on, at a high cost to consumers or taxpayers. The tinkering shortcircuits market signals that shift resources to emerging industries. It saps the incentives to introduce new products and production methods, leading to stagnation, layoffs, and bankruptcies. The ironic point of Schumpeter’s iconic phrase is this: societies that try to reap the gain of creative destruction without the pain find themselves enduring the pain but not the gain."
Interessante este exemplo "Oreo Plant Moves to Mexico… Federal Subsidies to Blame?"
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Depois, podemos pensar na multidão de exemplos destes subsídios-comporta:

Comporta porque tentam comprar tempo que não é usado para mais nada senão comprar tempo, em vez de pôr fogo no rabo dos empresários para mudarem e partirem em busca do próximo nível do jogo.

sábado, janeiro 12, 2008

Schwerpunkt

Umas ideias interessantes de Boyd (retiradas de "Patterns of Conflict") sobre o que está por detrás do blitzkrieg: a guerra relâmpago.

"Mission assigned. Schwerpunkt (focus of main effort)- established before and shifted during combat operations to bypass adversary strength and strike at weakness.


Blitz operating philosophy

Key point Each level from simple to complex (platoon to theater) has their own observation-orientation-decision-action time cycle (OODA loop) that increases as we try to control more levels and details of command at the higher levels. Put simply, as the number of events we must consider increase, the longer it takes to observe-orient-decide-act.
Idea This brings out the idea that faster tempo, or rhythm, at lower levels should work within the slower rhythm but larger pattern at higher levels so that overall system does not lose its cohesion or coherency. (concatenação, cumplicidade, harmonia)
Raises question
How do blitzers harmonize these differing tempos/rhythms so that they can exploit the faster rhythm/smaller pattern (of the lower-level units) yet maintain the coherency of the rhythm/pattern for the larger effort?
Response
Give lower-level commanders wide freedom, within an overall mind-time-space scheme, to shape/direct their own activities so that they can exploit faster tempo/rhythm at tactical levels yet be in harmony with the larger pattern/slower rhythm associated with the more general aim and larger effort at the strategic level.
Shaping agents
Shape overall scheme by using mission concept or sense of mission to fix responsibility and shape commitment at all levels and through all parts of the organism. Likewise, use Schwerpunkt concept through all levels to link differing rhythms/patterns so that each part or level of the organic whole can operate at its own natural rhythm—without pulling organism apart—instead of the slower pace associated with a rigid centralized control.
Point Without a common outlook superiors cannot give subordinates freedom-of-action and maintain coherency of ongoing action.
Implication A common outlook possessed by “a body of officers” represents a unifying theme that can be used to simultaneously encourage subordinate initiative yet realize superior intent.

Mission
Message 
The German concept of mission can be thought of as a contract, hence an agreement, between superior and subordinate. The subordinate agrees to make his actions serve his superior’s intent in terms of what is to be accomplished, while the superior agrees to give his subordinate wide freedom to exercise his imagination and initiative in terms of how intent is to be realized.As part of this concept, the subordinate is given the right to challenge or question the feasibility of mission if he feels his superior’s ideas on what can be achieved are not in accord with the existing situation or if he feels his superior has not given him adequate resources to carry it out. Likewise, the superior has every right to expect his subordinate to carry-out the mission contract when agreement is reached on what can be achieved consistent with the existing situation and resources provided.

LimitationWhile this concept of mission gives form and expression to what is expected between an individual superior and subordinate, it does not suggest ways to coordinate or harmonize activities among many superiors and subordinates as a collective group.
? Raises question ?
With this limitation in mind how does Schwerpunkt play into or add to this concept?

Schwerpunkt (focus of main effort)
Message
Schwerpunkt acts as a center or axis or harmonizing agent
that is used to help shape commitment and convey or carry-out intent, at all levels from theater to platoon, hence an image around which: Maneuver of all arms and supporting elements are focused to exploit opportunities and maintain tempo of operations, and
Initiative of many subordinates is harmonized with superior intent.
In this sense Schwerpunkt can be thought of as:
A focusing agent that naturally produces an unequal distribution of effort as a basis to generate superiority in some sectors by thinning-out others,
as well as
A medium to realize superior intent without impeding initiative of many subordinates, hence a medium through which subordinate initiative is implicitly connected to superior intent.
Implication
Schwerpunkt represents a unifying concept that provides a way to rapidly shape focus and direction of effort as well as harmonize support activities with combat operations, thereby permit a true decentralization of tactical command within centralized strategic guidance—without losing cohesion of overall effort.
or put another way
Schwerpunkt represents a unifying medium that provides a directed way to tie initiative of many subordinate actions with superior intent as a basis to diminish friction and compress time in order to generate a favorable mismatch in time/ability to shape and adapt to unfolding circumstances.
German operational philosophy
Impression
The German operational philosophy based upon a common outlook and freedom-of-action, and realized through their concepts of mission and Schwerpunkt, emphasized implicit over explicit communication.which suggests
The secret of the German command and control system lies in what’s unstated or not communicated to one another—to exploit lower-level initiative yet realize higher-level intent, thereby diminish friction and reduce time, hence gain both quickness and security.

ResultThe Germans were able to repeatedly operate inside their adversary’s observation-orientation-decision-action loops.
or as stated by General Blumentritt,
“The entire operational and tactical leadership method hinged upon … rapid, concise assessment of situations … quick decision and quick execution, on the principle: ‘each minute ahead of the enemy is an advantage.’”

E uma empresa, não precisa disto?
Gente que se movimenta como se tivesse "fogo no rabo" que comunga de uma visão, de uma orientação estratégica. Que em cada momento sabe o que contribui e o que dificulta a execução estratégica. A rapidez, a cumplicidade, o implicito, ...