sábado, setembro 05, 2009

Mais um exemplo positivo

Realismo!
Locus de controlo no interior!
Reflexão estratégica!
Posicionamento!
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O semanário Vida Económica publicou um artigo onde se reporta o caso da Fepsa "Chapéus de luxo são "made in Portugal"" ... imaginem uma empresa como a Fepsa a agir como os agricultores que protestam por causa do leite dito "importado".
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"… aquando da queda do Muro de Berlim, quando os concorrentes de Leste invadiram o mercado", conta o presidente da Fepsa. Nessa altura, assume, tentaram concorrer "baixando o preço" mas rapidamente perceberem que o trilho não seria esse "porque o preço deles não é calculado com base em coisa nenhuma, já que eles vendem a qualquer preço".

Por esta altura, e uma vez que disputavam os mesmo mercados, nomeadamente Itália, Grã-Bretanha e Alemanhã, a empresa decidiu conquistar o mercado americano e dedicar-se à gama alta.

Há cerca de dois anos, e constatando que o rumo económico da América estava a alterar-se e a perder força, a Fepsa decide voltar a apostar na Europa. Ricardo Figueiredo avança à "Vida Económica" que, nessa altura, a empresa investiu "um milhão e meio de euros em novos sistemas de informação, tinturaria e sistemas de poupança energética". A explicação para este gasto é facilmente explicada pelo responsável da empresa: "quando demos conta, cerca de dois terços das nossas encomendas iam para a América e, perante as dificuldades que cedo fomos sentindo naquele mercado, optámos, de forma pacífica e estruturada, por começar a trabalhar de novo com a Europa. Mas para isso, tínhamos de implementar sistemas de custos mais controlados e preparados para fazer pequenas quantidades e num regime mais flexível".

Ricardo Figueiredo salienta que, enquanto "o mercado americano pede grandes quantidades e quase sempre nos mesmos tons, na Europa há mais modelos, com mais cores e com quantidades substancialmente diferentes e tivemos que nos preparar para isso".
Do trabalho que sai das mãos dos trabalhadores de São João da Madeira vê-se o produto final na cabeça de muitos famosos. Robert de Niro, Nicolas Cage e Clint Eastwood usam os chapéus com feltro feito pela Fepsa. Mas a fama não se fica por aqui. Direccionado ao fabrico de topos de gama, a empresa trabalha para casas de alta-costura como a Hermès.”
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Agarrem-me senão eu mato-me!!! (parte IX)

""Não excluo a hipótese de pôr brigadas na rua a controlar o leite importado""
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Ridículo, ridículo, ridículo!!!
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"Já quanto à análise ao leite importado realizada pela ASAE, Jaime Silva é peremptório: "Das amostras recolhidas até Julho concluiu-se que o leite importado tem características idênticas às do leite português" e da recolha das facturas de comercialização junto das grandes superfícies também "não se permite concluir que tenha havido venda abaixo do preço de custo", garantiu o ministro.
Jaime Silva faz, porém, um aviso: não se trata de "impedir as importações", o que é "ilegal", mas as atenções continuarão voltadas para o leite que chega do estrangeiro. Aliás, diz, "eu não excluo a hipótese de pôr brigadas na rua a mandar parar os camiões e controlar o leite importado"."
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O que escrevi acerca da Centromarca aplica-se à agricultura.
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Era preciso um adulto com linguagem de adulto para chamar as pessoas à realidade, algo do género Amanhem-se!. Enquanto não se tomar essa consciência... vamos adiar o inevitável, continuamos a cavar o buraco ainda mais fundo e nunca mais começamos a construir uma agricultura sustentável e que através do mercado crie riqueza e não rendas através dos subsídios

Acordar as moscas que estão a dormir (parte XXXVII)

Este título já vai no trigésimo sétimo episódio.
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O primeiro foi redigido em Fevereiro deste ano e era um grito de alma para o que já pressentia...
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Estou farto de cucos normandos que esbanjam e lapidam facilmente o saque impostado aos desgraçados saxões. E já em Fevereiro receava que durante a campanha eleitoral ninguém abordasse o tema dos impostos.
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Este sábado os jornais fazem prever um panorama futuro tenebroso para os saxões...
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"O consumo público marca a diferença: nunca nas últimas décadas as despesas do Estado cresceram tão acima do consumo privado" (Moi ici: como os estados não geram dinheiro, quanto mais gastam, mais têm de impostar aos saxões)
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"Nunca é de mais lembrar: quem vencer as eleições terá de aumentar os impostos. Isso: aumentar os impostos. Parece sacrilégio, mas são assim as verdades - assustam."
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(Moi ici: é com esta mentalidade que nos vamos enterrando cada vez mais. Por uma vez, em vez de esganar a produção de riqueza, sacando-lhe ainda mais, o que eu queria era ouvir alguém prometer reduzir a despesa, como isso não acontecerá tenho de esperar pelo pós-ponto de singularidade que Medina Carreira profetisa. Só depois desse ponto, perante o descalabro e destruição causada se poderá fazer um reset e recomeçar.)
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(Moi ici: Como são sempre os saxões que pagam os défices, e já havendo um excesso de capacidade produtiva, ainda vai haver menos consumo no futuro. Eu sei, vamos ter de mendigar, perdão confiar nas exportações. Mas para quem? Os nossos vizinhos também estão a fazer o mesmo.)
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Para reflexão

"“Solar Crisis Set to Hit in 2010
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"The solar industry is already suffering from significant overcapacity, yet incumbents are adding still more manufacturing to try to secure a cost competitive position after the shakeout."

Encaixar mensagens nos modelos mentais

Ando a ler o livro Multimedia Learning de Richard Mayer, um must para professores e sobretudo para formadores (BTW, por que é que estas matérias nunca fazem parte dos cursos de formação de formadores?).
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No livro, somos permanentemente confrontados com duas teorias sobre a aprendizagem: a information-acquisition view e a knowledge-construction view.
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Segundo Mayer a information-acquisition view assume que:
  • a aprendizagem é baseada na informação – uma entidade objectiva que pode ser movida de um local para outro;
  • o papel do aprendiz é o de receber a informação. Assim, o formando é um ser passivo que recebe a informação e a armazena na memória;
  • o papel do formador é o de apresentar a informação;
  • o objectivo das apresentações multimédia é o de “entregar” a informação o mais eficientemente possível.
Ainda segundo Mayer, a knowledge-construction view assume que:
  • a aprendizagem multimédia é uma actividade sense-making em que o formando procura construir uma representação mental coerente a partir do material apresentado;
  • o conhecimento é construído pessoalmente pelo aprendiz e não pode ser “entregue” exactamente da mesma forma de uma mente para outra;
  • o papel do formador é o de apoiar o formando no processo de sense-making, por isso, o formador é um guia cognitivo que suporta o processamento mental do formando;
  • o objectivo das apresentações multimédia não é só o de apresentar a informação, mas também o de proporcionar orientação sobre como processar a informação apresentada – ou seja, determinando o que merece atenção, indicando como a organizar mentalmente e, relacionando com conhecimento previamente existente.
Mayer suporta a sua teoria (knowledge-construction view) em abundantes resultados experimentais.
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Ontem, ao fazer o meu jogging matinal, ao ouvir uma mensagem de um político no rádio, dei comigo a seguir os passos referidos por Mayer.
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Primeiro, recebi a mensagem. Depois, tal como quando se monta um puzzle, procurei em que modelo, em que representação mental, a peça que tinha acabado de receber se podia encaixar. Para isso, recorri a duas ou três peças anteriores que mantinha na memória. Resultado, para mim, para o meu modelo mental, a sua mensagem não se enquadrava com o valor facial que tinha transmitido, o meu ‘click’ mental, no sentido de ajuste com as peças que já existiam, só foi possível interpretando o conteúdo de uma outra forma que não a prevista inicialmente pelo emissor.
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BTW, ao ler as ideias de Mayer e ao analisar os resultados experimentais, por várias vezes a minha mente acaba a pensar nas crianças que nas nossas escolas têm o seu futuro profissional ceifado tão cedo, com tudo o que isso implica para as outras perspectivas da vida, quando quem ensina, apenas se remete ao papel de mero transmissor de matéria e se exime do papel de ajudante de sense-making.
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sexta-feira, setembro 04, 2009

A via Espartana (parte II)

Continuado daqui.
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"“This was not a crisis of panic. It is crisis of massive deleveraging. The shadow banking system has disappeared.”
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The root problem is that the deficit spenders of the Anglosphere, Club Med, and Eastern Europe are being forced to retrench: yet the surplus exporters of Germany and Asia cannot — or will not — create enough demand to compensate. China is growing fast but it has a GDP of $3 trillion, far too small to lift the $40 trillion bloc of OECD economies (North America, Europe, Japan) out of the quagmire."
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"The great error is to think of this as a financial crisis. Bank failures are a symptom, not the cause. He said there was “a structural weakness in global demand” that has been building for a quarter century."
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E o grand finale:
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"Any attempt by the US to inflate its way out of this debt trap risks setting off a “disorderly collapse of the dollar”.
Washington will not opt for this deliberately. Unfortunately, it may drift into such an outcome as the path of least political resistance.
Yes, but I can see plenty of other candidates for this sort of beggar-thy-neighbour somnambulism.
Others may yet beat the US to currency debauchery"
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Trechos de Evans-Pritchard recortados de "Bears still growl at the Sanctum Sanctorum of the policy elites"

Agarrem-me senão eu mato-me!!! (parte VIII)

Continuado da parte I, parte II, parte III, parte IV, parte V, parte VI e parte VII.
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Para terminar esta série remato com alguns trechos retirados do último número da revista strategy+business, onde encontrei um artigo dos autores do livro "The Brand Bubble" com o sugestivo e apropriado título "The Trouble with Brands":
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"We found that most brands were not adding to the intangible value of their enterprises the way they used to. Instead, the majority of brands seemed to be stalled in the consumer marketplace.
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we discovered that, yes, there was an increasing expansion of the value that financial markets are attributing to brands, but this value growth is actually attributable to fewer and fewer brands.
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brand trustworthiness rankings had dropped more than 50 percent, perceptions of quality had fallen 24 percent, awareness of brands was down 20 percent, and esteem and regard for brands had fallen 12 percent. We saw thousands of well-respected brands that had, on average, lower scores on these metrics — results low enough that marketers would consider them indicative of “commoditized attitudinal patterns.”
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The first major problem with brands is excess capacity. Every marketer is up against this new reality: The world is overflowing with brands, and consumers are having a hard time assessing the differences among them.
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The second major problem is lack of creativity. ... consumers are continuously exposed to and able to share brilliant content. ... The result of this democratization of creativity is that it has raised the consumer’s “creativity quotient.” Consumers expect more big ideas from brands, and they expect to get them faster.
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The final major problem with brands is loss of trust. Our data shows that the amount of trust consumers place in a brand today is a ghost of what it was 10 years ago.
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Differentiation not only represents the brand’s point of difference, it also creates the meaning, margin, and competitive advantage in the brand. Differentiation is made up of the way consumers perceive three brand attributes: the offering, or the measure of the brand’s special characteristics in terms of products, services, and other content that the consumer experiences; uniqueness, the brand’s essence, positioning, and brand equity; and distinction, the reputation the brand has earned through existing communications and brand image created up to this point."
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Conclusão: não vale a pena chorar pelo fim de um tempo que não volta... faz lembrar as palavras que a mãe dirigiu ao seu filho, Boabdil, o último senhor mouro de Córdoba, quando abandonou a chorar a cidade, (algo do género, não chores como uma mulher aquilo que não foste capaz de defender como um homem). Em vez de chorar há que trabalhar. As private label são elas próprias marcas. As marcas que fazem parte da Centromarca concorrem com outras marcas, pois bem, olhem para as private labels como marcas também. Lembrem-se de que o negócio da distribuição não é vender produtos, é ganhar dinheiro. Assim, procurem ser diferentes, invistam no produto, criem diferenciação.

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ADENDA (11:55): "VE - Como é que se sensibiliza o consumidor para comprar marcas de fabricante?

AR - Eu acredito nas marcas e no valor das marcas. A diferenciação é uma e pode ser, em produtos como os nossos, de duas índoles: a organoléptica e a do ?apport? nutricional. É sempre possível, através desses dois parâmetros, criar diferenciação. Se quiser, temos ainda a qualidade percebida, embora seja uma coisa muito pouco perceptível. Depois há o aspecto emocional e a qualidade percebida. Além de que, hoje em dia, há também um cada vez maior ?screening? sobre quem está por trás das marcas." (extraído de "«A relação da Nestlé com a distribuição é tensa»")

Acordar as moscas que estão a dormir (parte XXXVI)

"Fitch diz que próximo orçamento tem de ser de contenção"
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"se o primeiro Orçamento do próximo Governo não incluir um plano de consolidação orçamental significativo, a classificação de risco atribuída ao país será reduzida."
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"Agência de ‘rating’ teme fraco crescimento em Portugal"
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"No centro desta alteração está a debilidade da economia portuguesa, que deverá ter uma fraca ‘performance' nos próximos anos, continuando inclusive a divergir da zona euro. Com um PIB per capita e uma tendência de crescimento de longo prazo significativamente mais baixos do que a mediana dos outros países com ‘rating' de ‘AA' ... a tendência é para que a dívida se torne um fardo progressivamente mais difícil de suportar."

Paralelismos (parte II)

Continuado daqui.
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Nos tempos que correm é comum ouvir pessoas que defendem nos meios de comunicação social a redução dos salários, para que possamos ficar, como país, mais competitivos.
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Pedro Ferraz da Costa e Vítor Bento são dois dos habitualmente citados:
Nem quero imaginar o efeito viciante que teria para a economia apanhar o dopping da redução dos salários. No ano seguinte seria outra vez necessário baixar os mesmos. Seria um pouco como no tempo do crawling peg... ao aumentar a competitividade das empresas através de factores que não dependem das próprias empresas dispensa-as de fazer o esforço de melhoria e acomodam-se.
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Mais uma vez chamamos a atenção para o artigo "The Focused Factory" publicado pela revista Harvard Business Review no primeiro de Maio de 1974 da autoria de Wickham Skinner.
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Skinner escreveu e reparem no paralelismo e na actualidade:
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"A vermelho a minha adaptação e logo a seguir, entre parêntesis azul, o texto original:

“The conventional wisdom of manufacturing management has been and continues to be that the measure of success is productivity. Now that Portuguese (U.S.) companies in many industries are getting beaten hands down by overseas competitors with lower unit costs from China and East Europe, we mistakenly cling to the old notion that “a good plant is a low-cost plant.” This is simply not so. A low-cost plant may be a disaster if the company has sacrificed too much in the way of quality, delivery, flexibility, and so forth, in order to get its costs down.
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Too many companies attempt to do too many things with one plant and one organization. In the name of low investment in facilities and spreading their overheads, they add products, markets, technologies, processes, quality levels, and supporting services which conflict and compete with each other and compound expense. They then hire more staff to regulate and control the unmanageable mixture of problems.
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In desperation, many companies are now “banging away” at anything to reduce the resulting high costs. But we can only regain competitive strength by stopping this process of increasing complexity and overstaffing.


In contrast, most of the manufacturing plants in my study attempted a complex, heterogeneous mixture of general and special-purpose equipment, long-and short-run operations, high and low tolerances, new and old products, off-the-shelf items and customer specials, stable and changing designs, markets with reliable forecasts and unpredictable ones, seasonal and non seasonal sales, short and long lead times, and high and low skills."
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Não precisamos de reduzir administrativamente os salários, precisamos de subir na escala de valor, precisamos de nos posicionar, precisamos de identificar os clientes-alvo, precisamos de desenvolver modelos de negócios assentes em outras propostas de valor além do preço mais baixo. 35 anos nos separam do artigo original mas a sua mensagem continua válida para nós.
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Continua.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Hummmm!

Interessante!
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Naqueles dois gráficos no final da coluna da direita deste blogue... o ouro a aproximar-se dos 1000 dólares a onça e o petróleo a cair para menos de 68 dólares!!!

Aconteceu em Tikrit

Telefonaram-me esta noite para contar esta estória que aconteceu hoje em Tikrit.
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Há dias, alguém levou um fio de ouro, com um elevado valor sentimental, a uma ourivesaria para fazer uma reparação.
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Hoje, ao chegar à ourivesaria para levantar o fio... dizem-lhe que o fio desapareceu!!!
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Quando a pessoa exige o fio de volta e ameaça chamar a GNR... a senhora da ourivesaria responde "Esteja à vontade, tenho lá dois primos, não vai conseguir nada."
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Só à bomba!!!

Copo meio-cheio ou meio-vazio

"Europe facing bumpy road out of recession, says European Central Bank president Jean-Claude Trichet"
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Versus
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"BCE espera crescimento ligeiro da economia em 2010"

The Spanish wicked mess!!!

After this "Reflexão Espanhola" as réplicas continuam "Spanish banks are hiding their losses - Round 2".
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E eu não consigo tirar da cabeça, espero estar enganado, que nós não havemos de estar muito diferentes dos espanhóis. Se temos meio milhão de casas por vender... e se os bancos apoiaram a Construção nessa tulipomania.
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E mais, há-de haver muitas empresas e muitos bancos, e muitos devedores, a torcerem para que a economia não retome. Se a economia retomar, as taxas de juro têm de subir... you know what I mean?
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ADENDA: Este retrato de Edward Hugh.

Campeões nacionais ... pois! (parte II)

Há dias neste postal transcrevemos estas palavras da revista The Economist:

"Policymakers should both resist an instinctive suspicion of big companies and avoid the old error of embracing national champions. It is bad enough that governments have diverted resources into propping up failing companies such as General Motors. It would be even more regrettable if they were to return to picking winners. The best use of their energies is to remove the burdens and barriers which prevent entrepreneurs from starting businesses and turning small companies into big ones."
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O homem que respondeu numa entrevista: "O fundamental, neste momento, é que haja investimento. Sob a forma de investimento público ou em articulação com o sector privado. Já nem interessa se esse investimento é rentável ou não." (Há na internet uma citação atribuída a Keynes, mas que é objecto de disputa quanto à sua veracidade, em que ele terá defendido a construção de pirâmides em períodos de crise.)
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Pois bem, Murteira Nabo volta ao ataque no jornal i, a sua crença no Grande Planeador permanece intocável "Estará o país disposto a afectar prioritariamente os recursos do QREN, de forma sustentada, nos Pólos de Competitividade e nos ‘clusters' já seleccionados pelo Governo (por se afigurarem ser aqueles em que o país tem mais vantagens comparativas) e que nos próximos três anos tenham sucesso efectivo, demonstrando acrescentar real valor na área dos bens transaccionáveis, criando ambiciosos grupos económicos nacionais de vocação internacional?"
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Se dependesse de pessoas como Murteira Nabo, Portugal estaria semeado de Quimondas, onde por cada 10€ exportados era preciso importar e meter em ajudas 15€.
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BTW, será que a FCC (espanhola) é uma das empresas dos sectores competitivos a promover.

Necessidade ou experiência

Li há dias, não recordo onde, alguém que sistematizava que nós compramos porque ou temos necessidades ou queremos experiências.
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Por exemplo, por que é que um consumidor compra mirtilhos? Por necessidade ou por experiência.
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E se se promover os mirtilhos como um medica-alimento:
Será que quem não os compra a 30€ o quilo, por que os vê como uma experiência demasiado cara, passará a vê-los como uma necessidade?

O betão do nosso descontentamento

Este artigo do jornal i “Governo acelera nas obras públicas e "lança" mais 320 km de novas estradas” faz recordar estas palavras de Álvaro Santos Pereira no livro “O Medo do Insucesso Nacional”:

“o que será melhor para combater a crise, mais estradas ou menos impostos? O que será mais indicado para aumentar a competitividade das nossas empresas, mais estradas ou menos impostos? O que será mais importante para atrair mais investimento estrangeiro, mais estradas ou menos impostos? Entre mais estradas e menos impostos a escolha é simples: menos impostos.”

“A verdade é que o futuro do país não depende nem do TGV, nem de mais estradas, nem sequer do novo aeroporto internacional. O futuro do país e da economia nacional dependem de um único factor: a competitividade das nossas empresas, isto é, de quão competitivos os nossos produtos forem em relação aos produtos dos nossos concorrentes.

E como é que conseguirão as nossas empresas competir nos mercados nacionais e internacionais? Tornando-se mais produtivas e produzindo bens e serviços com maior valor acrescentado. Para o conseguirem, não precisam nem de um comboio de alta velocidade, nem de infra-estruturas aeroportuárias adicionais. Precisam de maior inovação, de maior empreendedorismo e de maior produtividade. Para além da desburocratização do Estado, de um bom capital humano e de uma Justiça célere e eficiente, a melhor forma de aumentar a atractividade e a competitividade das nossas empresas é oferecendo-lhes maior margem de manobra financeira face aos seus concorrentes. Como? Baixando-lhes os seus impostos e contribuições sociais.”

Já agora convém tomar nota destes números: “Em 2005, o peso da construção no emprego era 50% superior à média da UE, antecipando a quase inevitabilidade de perda de muitos milhares de empregos nesse sector (como vinha a verificar-se, mesmo antes da crise financeira).”

Agarrem-me senão eu mato-me!!! (parte VII)

Continuado da parte I, parte II, parte III, parte IV, parte V e parte VI.

Private Labels Are Brands

“Brands give us meaning in our role as consumers. Consumers want brands for the quality assurance and the emotional satisfaction they provide. … However, brands do not necessarily have to be manufacturer brands. They can also be store brands. And this is what has happened over the last decade as retailers became bigger and more sophisticated and their private labels became more ubiquitous and successful – providing the necessary mass for investments in branding activities.”

(Moi ici: O que é a Quechua?) ("Decathlon, a 331-store sports equipment retailer that generates over $3.5 billion in sales. It has increased private label share from 33 percent to over 50 percent in a dozen years.”

(Moi ici: um dos meus clientes fez o mesmo trajecto que a Suleve, começou por ser uma empresa que produzia private label, e aproveitou a relação para aprender e investir na investigação e desenvolvimento. Hoje, tem a sua própria marca, cada vez mais forte, e é contratada pela grande distribuição já não pelo preço mais baixo mas pela inovação porque esta reconhece a capacidade inovadora da empresa. Uma outra empresa com que estou a trabalhar actualmente fez, no ano passado, a experiência de continuar a produzir private label e avançar com uma marca própria no calçado de caça. Está a ser um sucesso, porque têm um produto, enquanto que muitas marcas existentes vivem dos louros obtidos há muitos anos e entretanto amoleceram. )

Growing Consumer Acceptance of Private Labels

“In the past, private labels were primarily targeted to the poor. Today, while the poor still buy private labels more often than other consumers, one observes even wealthy consumers purchasing store brands. Increasingly, it is considered “smart” shopping to purchase private label products of (supposedly) comparable quality for a much lower price, rather than being “ripped off” by high-priced manufacturer brands.

Private Labels Are Not a Recessionary Phenomenon

“Part of private label growth in a recession is permanent, caused by consumer learning. As consumers learn about the improved quality of private labels in recessions, a significant proportion of them remain loyal to private labels, even after the necessity to economize on expenditures is over. … Growing consumer acceptance of store brands results in decreased loyalty to well-known manufacturer brands.”

“Are brands dead? And, we argue, no, brands are not dead. But, as many brand manufacturers are discovering, some of the leading and best-loved consumer brands are now store brands.”

The Consumer Is the Winner

“An overlooked story in the private label revolution has been the impact on consumer welfare. The mega retailers have used their negotiating power to push brand manufacturers to reduce their prices. Rather than pocket all these negotiating gains, retailers have ploughed a large part of them into price cuts for the consumer. … the only way for manufacturer brands to compete against private labels is by launching innovative products and constantly improving quality.”

Moi ici: Definitivamente, o problema não é português. Enquanto preparava este postal recebi um e-mail a chamar-me a atenção para um livro que desconhecia “Bubble Brands” onde o tema é mais uma vez apresentado. Será que o choradinho é a melhor estratégia que a Centromarca pode seguir?

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Recortes retirados do livro "Private Label Strategy - How to Meet the Store Brand Challenge" de Nirmalya Kumar e Jan-Benedict Steenkamp.