sábado, março 14, 2009

Piadas de mau gosto

No Diário Económico de hoje "Achar que a crise veio para ficar é contraproducente"
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Pelo título cheira logo a mambo-jambo...
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"Na questão da crise económica, a maior preocupação tem a ver sobretudo com o estado de espírito da classe empresarial. O que se verifica é um profundo pessimismo, uma descrença de que esta crise seja um mal passageiro e essa é a parte mais preocupante que retiro deste resultado, porque acredito que esta crise é de natureza comportamental."
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Como é que Maria Antonieta dizia quando lhe falavam dos protestos do povo por causa do pão? Por que é que não comem brioches?
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Como não tenho acesso ao jornal não sei quem proferiu a afirmação, nem sei qual o resto da conversa.
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No entanto, esta amostra, e sobretudo o trecho sublinhado, fazem-me accionar várias sinapses:
Em suma, piadas de mau gosto num jornal dito económico.

sexta-feira, março 13, 2009

Quebrar as regras do jogo

Um pouco de filosofia com estratégia em "Understanding and breaking the rules of business: Toward a systematic four-step process" de Dodo zu Knyphausen-Aufsess, Nils Bickhoff e Thomas Bieger publicado em Business Horizons (2006) 49, 369-377.
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Se queremos dar saltos, autênticos deltas de Dirac, na produtividade, temos de apostar na diferenciação, no posicionamento competitivo, na renovação estratégica. Ou seja, há que quebrar as regras do jogo existente e forjar novas regras antes dos outros.
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"Breaking rules creates opportunities, but also increases the risks."
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"Rules and laws are, in other words, only of a temporary nature. It follows, then, that we should see it almost as a sporting challenge to consider whether supposed rules and laws might not, in fact, be broken. The obvious consequence would be the creation of a new scientific status quo, against which still others would, in turn, test their mental agility."
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"Management activity, too, always derives from certain attitudes and mindsets that we often hold in common with the people with whom we work. To borrow a term from the realms of psychology, these attitudes are bcognitive mapsQ that give us direction, that we depend on to find our way in a complex world of infinitely varied information."
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"We live within paradigms, and it takes tremendous energy to break out of those paradigms and
redraw cognitive maps."
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""Rules" also have much in common with the economic doctrine of equilibrium, which teaches us to always bear in mind the possibility that competitive advantages can be eroded. Competitive advantages are nothing other than deviations from a state of perfect competition, and are the cause of dominant market positions that are associated with higher profits.
These higher profits, however, attract fresh competition such that initial advantages are quickly evened out."
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"The trouble with strategies and business models is that, in fast-moving markets, they have to be changed very frequently"
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"From the strategic process perspective, the crucial factor is to select and bundle the strategic
initiatives that emerge throughout the enterprise.
It is important to know the rules of the business; however, it is equally important to try out departures from these rules in order to set oneself apart from rivals and secure competitive advantages. As mentioned previously, such advantages can often only be exploited for a short period of time, as competitors inevitably catch up."
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"Rules are not normally broken "out of the blue." Indeed, finding the right rule-breaking strategy is a complex activity that will always be fraught with a measure of uncertainty. Precisely because the success (or failure) of a strategy may only become apparent in the long run, most risk-averse decision-makers try to avoid breaking the ground rules that prevail in their industry, preferring instead to toe the line."

quinta-feira, março 12, 2009

Pós-Graduação Gestão das Organizações e Desenvolvimento Sustentável

PGGODS.

Gestão Ambiental e Ecoeficiência.
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Não esquecer a palavra-chave.

Acetatos: parte V e parte VI.
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Trabalho final.

A agricultura com futuro

Há anos li um livro intitulado 'The Design of the Factory With a Future', sempre me ficou na memória esta particularidade 'a fábrica com futuro' não 'a fábrica do futuro'.
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Quando penso na agricultura competitiva com futuro em Portugal, penso na agricultura que não aposta nas grandes extensões e que não aposta em emular as produções cerealíferas da Europa Central, por agricultura com futuro entendo uma actividade económica rentável que não precisa de subsídios.
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Nessa agricultura com futuro, organizada como uma empresa, os comerciais venderão medicamentos naturais, venderão saúde e não comida. Argumentarão com o colesterol e com os antioxidantes "SPOONFULS OF STRAWBERRIES HELP THE CHOLESTEROL GO DOWN".
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Nessa agricultura com futuro, a produção não dependerá exclusivamente de São Pedro e de fazer figas com os dedos. A produção continuará a depender em parte de São Pedro, e essa é uma vantagem do nosso país, mas dependerá também de técnicos que em vez de apostarem nos instrumentos financeiros ou na imobiliária, escreverão e estudarão artigos deste calibre "Infuence of harvest date and light integral on the development of strawberry flavour compounds".
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Claro, quanto mais apoiada for a agricultura tradicional subsidiodependente, menos espaço haverá para que a agricultura com futuro floresça.

Retrato de um modelo económico que nos trouxe até aqui.

"Pela primeira vez, os bancos e as imobiliárias têm mais peso no PIB do que a indústria. Os economistas estão preocupados." (no Diário Económico de hoje)
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Quando nas acções de formação e aulas que animo apresento uma imagem de um mega-meteorito a atingir a Terra, no âmbito do tema 'Não há acasos', para ilustrar as pessoas que olham com estupor para os resultados do desempenho de uma organização como algo de perfeitamente inesperado ... estavam à espera de quê?
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Estava escrito nas estrelas, basta estar atento aos factores, perceber como se relacionam entre si e que estruturas sistémicas, que arquétipos, estão em jogo, para identificar meia-dúzia de resultados, de consequências prováveis.
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No entanto, não nos cansamos de encontrar nos media, vestais horrorizadas que não sabiam, que não conheciam, que não faziam ideia, que ...

Um bom tema para alimentar um grupo de reflexão sobre o futuro para a indústria

Este ensaio "The New Normal" de Ian Davis da McKinsey é uma boa base para iniciar uma reflexão sobre o que será a nova normalidade que vamos encontrar e descobrir quando a poeira desta turbulência finalmente assentar.
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"We are experiencing not merely another turn of the business cycle, but a restructuring of the economic order." (Assim, não faz sentido ficar à espera que tudo passe para receber de volta um mundo que acabou kaput ponto. Não adianta ficar debaixo de água com os dedos a apertar as narinas à espera que o pesadelo passe.)
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"The question is, “What will normal look like?” While no one can say how long the crisis will last, what we find on the other side will not look like the normal of recent years." (Assim, faz todo o sentido procurar antecipar cenários prováveis, para aproveitar a migração de valor que está a acontecer.)
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"there will be significantly less financial leverage in the system"
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"it is clear that the future will reveal significantly lower levels of leverage (and higher prices for risk) than we had come to expect." (Higher prices for risk vai implicar higher returns, higher returns vai implicar o recurso a mais estratégias puras e menos a estratégias híbridas. Um tema já avançado neste blogue.)
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"Companies that boost returns to equity the old fashioned way—through real productivity gains—will be rewarded." (Investir na indústria vai voltar a ser respeitável!!! Outro tema já avançado neste blogue.)
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"protectionist policies that make it harder for companies to move capital to the most productive places and that dampen economic growth"
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"less leverage and more government"
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"the world’s economic center of gravity will continue to shift eastward."
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"technological innovation will continue, and the value of increasing human knowledge will remain undiminished. For talented contrarians and technologists, the next few years may prove especially fruitful as investors looking for high-risk, high-reward opportunities shift their attention from financial engineering to genetic engineering, software, and clean energy"

Cá estão os 2 milhões de euros por hora

No Jornal de Negócios lê-se "Défice externo português salta para 10,6% do PIB":
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"No ano passado Portugal teve de obter cerca de 17,6 mil milhões de euros de financiamento externo, fundamentalmente via endividamento e investimento directo estrangeiro, um valor que representa 10,6% da riqueza total gerada na economia."
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1,76 x 10 elevado a 10 euros por ano a dividir por 365 dias por ano, e a dividir por 24 horas por dia é igual aos famosos 2 milhões de euros por hora que o país tem de pedir emprestado ao estrangeiro. Hum!!! Até quando é que vão emprestar?
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"O elevado défice externo é dos sinais mais preocupantes da fragilidade estrutural e competitiva da economia portuguesa, o qual é agudizado pela actual crise que está ditar custos crescentes de financiamento e de acesso ao mercados internacionais. "

quarta-feira, março 11, 2009

Gestão do Ambiente - aula 1

Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica.
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Acetatos (10,5 MB) (atenção à password)
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Texto do EMAS

Acordar as moscas que estão a dormir (parte X)

Quando escrevo sobre o acordar as moscas que estão a dormir, escrevo sobre a necessidade de um novo discurso chegar ao mainstream, o discurso de um estado sem dinheiro e sem grandes possibilidades de se endividar, por falta de crédito, ou de não mais ser possível sobrecarregar o jugo sobre os desgraçados dos saxões impostados, embora os normandos do costume consigam sempre surpreender neste campo.
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Como terá de mudar o discurso político para se ajustar a esse novo paradigma?
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Como é que políticos habituados a gastar dinheiro reagirão? Será o fim das rotundas autárquicas e das 'rotundas' governamentais?
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Este artigo na imprensa inglesa começa a abrir o panorama "Welcome to the inescapable era of no money":
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"For the next ten years British politics is going to be about living with the consequences of the State being flat broke
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We are insolvent. Out of money. Financially embarrassed. Strapped. Cleaned out. We are skint, borassic lint, Larry Flynt, lamb and mint. We are lamentably low on loot. We are maxed out. We are indebted, encumbered, in hock, in the hole. We are broke, hearts of oak, coals and coke. It doesn't matter whether money can buy us love, because we haven't got any.
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Welcome to the era of no money. The central fact of British politics in the next ten years, and perhaps longer, is not hard to spot. British politics isn't going to be dominated by interesting debates on the future of capitalism. It isn't going to be the stage for a revival of interest in democratic socialism. It isn't going to play host to the interplay of competing ambitious projects. No. We're in for a hard slog. Because what British politics is going to be about in the next ten years is living with the consequences of the State being broke, of the Government running out of money"

É muito mais do que a escolaridade básica.

Ontem, a propósito do postal Está difícil fazer passar para o mainstream português esta visão da produtividade centrada na eficácia e não só na eficiência , o José Silva do Norteamos comentou:
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"O problema é que não é só o MSM . O grave é que «blogues contemporaneos» encontram explicações esotéricas para o sub-desenvolvimento relativo nacional. A minha explicação é muito simples: Ignorância generalizada.No tempo de Napoleão quase toda a Europa tinha escolaridade básica. Os ibéricos não."
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O problema, caro José Silva, é que não é só um problema de escolaridade, vou abdicar de nomear os normandos do costume, vou apenas nomear pessoas que na última semana se manifestaram nos media a favor da redução de salários para aumentar a produtividade:
  • Ferraz da Costa (presidente do forum para a competitividade ... está tudo dito sobre a eficácia do dito forum);
  • Medina Carreira na entrevista a Mário Crespo;
  • Silva Lopes;
E, num dos primeitos postais deste blogue comentei o famoso artigo de Olivier Blanchard Adjustment within the euro. The difficult case of Portugal

O potencial da agricultura

No Público de hoje no artigo "Riqueza gerada pela agricultura caiu 23 por cento desde 1992" pode ler-se:
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"enquanto os agricultores em 1992 obtinham 76,3 por cento do seu rendimento pela venda de bens e serviços e o restante vinha dos apoios, actualmente a situação inverteu-se: 63,1 por cento tem origem nos subsídios e 36,9 por cento resulta da venda de produtos.Para esta situação contribui muito o aumento dos factores de produção (salários, rendas e juros), que subiram 22,3 por cento. E tem o efeito pernicioso "de fazer com que os produtores estejam cada vez mais dependentes das políticas públicas","
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Num outro artigo na mesma página "Sector agrícola pode responder melhor à crise que obras públicas, diz João Salgueiro" pode ler-se:
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"A agricultura tem mais potencial para criar emprego do que as obras públicas, além de ter capacidade exportadora. Quem o diz é o João Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, que ontem, num seminário na CAP, considerou arriscado que os planos contra a crise assentem numa política de betão, que não resolve os dois grandes problemas que agora se enfrentam: o desemprego e o desequilíbrio da balança comercial.
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"Deveria haver uma campanha nacional para explicar o potencial da agricultura", defendeu este responsável, que lamenta que o sector continue a ser tão desprezado. "Quando vemos o que os países mediterrânicos exportam para o resto da Europa vemos o que não fizemos em Portugal", acrescentou, considerando que seria possível desenvolver algumas fileiras, como as horto-frutícolas, algumas menos tradicionais, que podem oferecer importantes soluções para gerar mais emprego e garantir o equilíbrio do território."
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O primeiro artigo descreve o que decorre da aposta nas culturas tradicionais que competem com outros países para vender commodities.
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O segundo artigo refere-se ao potencial de um mundo novo, o mundo da nova agricultura como referido aqui Estratégia a sério na agricultura, ou make my day!
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Estou de acordo com João Salgueiro, mas uma campanha que abordasse não a agricultura tradicional condenada à subsidiação, mas a agricultura tipo 'boutique', a agricultura 'gourmet', a agricultura que aproveita aquilo em que podemos ser diferentes, em que podemos ter vantagens competitivas, a agricultura polvilhada com pensamento estratégico.

O choro dos normandos

Acabo de ouvir na TSF o choro de duas normandas por causa da Qimonda.
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De acordo com as homilias de Edite Estrela e Ilda Figueiredo, deputadas no parlamento europeu e profundas conhecedoras do sector (!), os contribuintes europeus (os saxões do costume) devem despejar mais uns milhões de euros para afagar o ego dos políticos e alimentar o monstro Qimonda.
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Ao ouvi-las lembrei-me do termo 'sunk costs'... segundo as deputadas uma das razões para apoiar a Qimonda é ... o dinheiro que já se gastou no passado.
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No Jornal de Negócios encontro uma afirmação de Belmiro de Azevedo que se ajusta perfeitamente a esta situação:
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"Belmiro de Azevedo, que evitou os jornalistas, disse ainda que se tem que “entrar em projectos que tenham sentido económico”. E “mais importante do que criar projectos é abortar um projecto em tempo útil”, para evitar maiores perdas de recursos."
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terça-feira, março 10, 2009

Paving the way?

Preparing the mind?
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No site do Fed: "Currency Crashes in Industrial Countries: Much Ado About Nothing?"
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"Many economic commentators appear to believe that currency crashes invariably have harmful effects. This paper shows that, for industrial countries, the evidence does not support this commonly held view."

Não me sai do ouvido

Está difícil fazer passar para o mainstream português esta visão da produtividade centrada na eficácia e não só na eficiência

Ontem descobri este interessante artigo sobre a produtividade "New Concepts of Productivity and its Improvement" de Arturo L. Tolentino.
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Ao longo dos anos tenho protestado aqui contra o discurso do mainstream sobre a produtividade. Um discurso concentrado na eficiência, na redução dos custos, no controlo dos salários, nos inputs, aquilo a que eu chamo a concentração no denominador da equação da produtividade.
Para mim é muito claro que a concentração tem de ser no numerador da equação:
Aprendi, fui despertado pelo artigo “Managing Price, Gaining Profit” de Michael V. Marn & Robert L. Rosiello, em Setembro-Outubro de 1992 para o efeito alavancador da criação de valor no numerador da equação da produtividade:
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Alguns trechos do artigo de Tolentino nesta onda:
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"Whereas traditionally, productivity is viewed mainly as an efficiency concept (amount of outputs in relation to efforts or resources used), productivity is now viewed increasingly as an efficiency and effectiveness concept, effectiveness being how the enterprise meets the dynamic needs and expectations of customers (buyers/users of products and services) i.e. how the enterprise creates and offers customer value. Productivity is now seen to depend on the value of the products and services (utility, uniqueness, quality, convenience, availability, etc) and the efficiency with which they are produced and delivered to the customers."
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"Productivity improvement must now focus on value creation rather than on minimization of inputs. Higher customer value is created when the products and services meet customer needs for utility, timeliness, esteem, service, etc. This is what customers buy and pay for. With the rapid advance of technology and greater access to information, customer expectations are constantly changing and becoming more demanding. For long term productivity and competitiveness therefore, enterprises must constantly innovate (come-up with new and better products and develop better ways of doing things), be flexible and agile, respond rapidly to the increasingly sophisticated customer needs which are constantly changing, and be able to anticipate and adjust to the very dynamic market conditions."
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Será que as empresas portuguesas de calçado e do têxtil podem competir no negócio do preço, no negócio do denominador com a China et al? Claro que não.
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Será que as empresas portuguesas de calçado e do têxtil podem competir no negócio do valor, no negócio do numerador? Claro que sim!
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Para isso, tal como refere o último trecho de Tolentino, há que apostar na flexibilidade, na inovação, no super-serviço, nas pequenas séries:
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"Desde 1990, as industrias de calçado e têxtil, viram desaparecer mais de uma centena de empresas de grande dimensão que operavam em Portugal. Segundo dados do Ministério do Trabalho, em 2006, existiam nestas industrias apenas 19 empresas com capacidade para empregar mais de 500 trabalhadores, enquanto as pequenas e micro ultrapassavam as nove mil.
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As microempresas cresceram 66% em quantidade até 2006, existindo quase 6000 que asseguram 11% do emprego nas industrias do calçado, têxtil e vestuário, percentagem que em 1990 era de 4%. Por outro lado, as empresas com mais de 500 trabalhadores passaram de uma percentagem de 22% para 6% em postos de trabalho. É o grupo de empresas com mais de 50 trabalhadores que tem a maior percentagem de empregos, 37%."
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"temos um crescente número de pequenas empresas a desenvolverem projectos inovadores centrados na diferenciação" (aqui)
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Está difícil fazer passar para o mainstream português esta visão da produtividade centrada na eficácia e não só na eficiência.




Medina Carreira na SIC

segunda-feira, março 09, 2009

An L of a recession – reform is the way out

By Wolfgang Münchau

"So it looks like it is going to be an L – not a V or a U. I mean an L-shaped recession, one that starts with a steep decline, followed by very low growth for many years.
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In a V-type recession, the recovery is instant. In a U-type, it comes eventually. My guess is that we are currently somewhere in the middle of the vertical bit of the L, but it is the horizontal bit that is the scariest. History never repeats itself exactly, but we know from economic history that financial crises are surprisingly similar.
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This looks like Japan all over. Without financial restructuring, the economy is not going to recover. And Japan was lucky. It was surrounded by a booming global economy."
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"An L-shaped recession will make the adjustment of balance sheets even more painful. Unemployment will continue to rise. House prices will keep on falling. US consumers and banks will spend the next five or more years deleveraging, getting their respective balance sheets back in order. In that period, the US current-account deficit will fall sharply, as will that of the UK, Spain and several central and eastern European countries. This process can take a long time, and in an L-shaped recession it takes longer.
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But the effect is also brutal on the rest of the world. The fall in current-account deficits will be partially compensated for by lower surpluses from oil and gas exporters, such as Middle Eastern countries and Russia. But the bulk of the adjustment would be borne by the world’s largest exporters: Germany, China and Japan. Globally, current-account deficits and surpluses add up to zero – minus some statistical reporting errors. You can do the maths. If the US stops buying German cars, Germany will eventually stop making them."
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"We are nowhere near a solution to the crisis. After committing errors of omission, global leaders are now producing errors of commission. The Americans dream about a return to a world of credit finance consumption while the Germans dream about assembly lines. In an L-shaped world, these are nightmares."

The Great American Ponzi

Just American?
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"Guest Post: More Debt Won't Rescue the Great American Ponzi"
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"At the end of the day, flushing more debt through the system is the only lever policy-makers know how to pull. Lower interest rates, quantitative easing, deficit spending, it's all the same. It's all borrowing against future income. Each time we bump up against recession, we borrow a bit more to keep the economy going. With garden variety recessions, this can work. Everyone wants the good times to continue, so no one demands debts be paid back. Creditors accept more IOUs and economic "growth" continues apace. If it sounds like Bernie Madoff's Ponzi scheme, that's because it is."
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"European economies face even more oppressive debt loads.
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The great Ponzi scheme that is the Western World's economy has grown so big there's simply no "fixing" it. Flushing more debt through the system would be like giving Madoff a few billion to tide him over. Or like adding another floor to the Tower of Babel. To what end?
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The collapse is already here. The question is: How much do we want it to hurt?
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Using the public's purse to finance "confidence" in a system that is already kaput may delay the Day of Reckoning, sure, but at the cost of multiplying our losses. Perhaps fantastically.Bottom line....We can bankrupt ourselves propping up a system that is collapsing anyway, or we can dig ourselves out of debt, if not with higher interest rates then certainly with fiscal austerity. That would be a hard sell to the American people, I know. But deep down, Summers and Geithner know it is the right thing to do. It is, after all, the prescription they wrote for emerging markets facing financial crises."

Algumas notas sobre o uso do BSC (parte I)

Neste endereço encontra-se o texto "MÓDULO V – EXEMPLO DA ADOPÇÃO DE UM SISTEMA DE GESTÃO ESTRATÉGICA (BSC) POR UMA ORGANIZAÇÃO DO SECTOR PÚBLICO"
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A análise do texto permitiu-me tomar várias notas:
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A figura 5.7 "iniciativas para cada perspectiva relativas ao BSC para 2006" lista uma série de iniciativas para cada perspectiva do BSC.
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Quero fazer dois reparos:
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Não recomendo que existam iniciativas associadas directamente às perspectivas financeira e de clientes:
  • Na base de um mapa da estratégia, na perspectiva de Recursos e Infraestruturas sistematizamos objectivos sobre os investimentos que temos de fazer. Depois, na perspectiva Interna listamos os objectivos que queremos atingir com o nosso trabalho, com o desempenho dos processos críticos da organização. A partir daí, proponho que nas perspectivas de Clientes e Financeira se utilizem apenas objectivos que meçam resultados, que avaliem as consequências do que fizemos nas duas perspectivas anteriores. Assim, as iniciativas actuam sobre os processos e infraestruturas para produzir os resultados desejados nos clientes e por tabela nos resultados financeiros.
O que é uma iniciativa? Para que serve uma iniciativa?
  • Interpreto as iniciativas estratégicas como projectos de transformação da realidade da organização (dos seus processos e infraestruturas) para poder gerar resultados futuros desejados diferentes de forma sustentada (na perspectiva Clientes primeira e, depois, por consequência directa resultados na perspectiva Financeira. Assim, pergunto, voltando à figura 5.7: Por que é que uma "Auditoria à Direcção da Regularização Extraordinária da Dívida" é uma iniciativa? O que é que a auditoria muda na realidade? Em que é que uma auditoria transforma a realidade? Uma auditoria não muda nada. Os resultados de uma auditoria podem servir para tomar decisões, logo, os resultados de uma auditoria podem ser incluídos como um indicador de desempenho ou controlo, não como um motor de transformação da realidade. Quando muito uma auditoria pode ser uma actividade intermédia de uma iniciativa mais vasta, em que a auditoria detecta pontos a precisar de melhoria. No entanto, para melhorar há que actuar sobre as rotinas, sobre os processos da organização, fazer as coisas de forma diferente.
No segunda parte espero abordar a temática do abuso dos indicadores de acção face aos indicadores de resultados na administração pública.
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domingo, março 08, 2009

Exemplo da polarização dos mercados

Ontem escrevi:
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De certeza que a esta migração de valor em curso vai, está a criar, está a destruir, está a reconfigurar os diferentes grupos de clientes-alvo... que novas oportunidades estarão à espera de ser descobertas?
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Depois, durante o meu jogging, dei comigo a fazer a analogia entre o fim dos dinossauros e a crise actual.
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Foi o fim dos dinossauros... mas o novo ambiente libertou espaço para que novas espécies, novas hipóteses experimentassem o palco que ficou livre.
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Escrevo tudo isto a propósito das prateleiras da distribuição; o que se passa nas prateleiras de um hipermercado a uma alta velocidade é um indicador avançado do que se vai passar mais tarde no resto da economia. Assim, podemos olhar para os hipermercados como cobaias de laboratório.
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Encontrei no Telegraph e no Guardian uns exemplos actuais da migração de valor em curso e sobretudo da polarização do mercado:
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"Waitrose brings out budget range for recession-hit middle classes": "However, next week it will launch its 'essential Waitrose' range in an attempt to win over customers that have abandoned the chain in favour of cheaper outlets such as Asda or even Lidl and Aldi."
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"Asda wins out as shoppers go in search of bargains": "The grocers viewed as the best for bargains are continuing to soar ahead of their rivals as shoppers search for ways to cut their weekly food bills."
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Em simultâneo temos "Net-a-Porter wears its success well": "Insiders said that sales at the upmarket fashion business in the year ending January 2009 rose by more than 50pc to around £85m. Margins also improved with a pre-tax profit rise in the region of 300pc to more than £9m. "