domingo, abril 24, 2016

Curiosidade do dia

"Neste dia em que centenas de milhares de funcionários públicos vão poder usufruir de mais uma reversão no corte de salários que lhe foi aplicado pelo anterior governo, eu gostava de prestar a minha homenagem pública a todos os professores, todos os médicos, todos os juízes, todos os polícias, todos os militares, todos os reformados que em Outubro votaram na coligação PSD-CDS, mesmo sabendo que a esquerda unida lhes prometia mais dinheiro caso vencesse as eleições. Todas essas pessoas, e foram muitas, votaram contra o seu interesse próprio em nome do interesse do país – são os meus heróis.
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Se todos aqueles 5,2 milhões de adultos que hoje usufruem de transferências directas do Estado tivessem ido às urnas em Outubro para colocar uma cruz nos quadradinhos do PS, do Bloco e do PCP eles teriam tomado uma decisão racional. ... Quando há partidos que prometem mais dinheiro no nosso bolso, e partidos que vêm de quatro anos a tirar-nos dinheiro do bolso, a escolha não parece difícil.
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ainda há pelo menos 1,2 milhões de funcionários públicos, de reformados, de desempregados que, após quatro anos de cortes violentos, preferiram abster-se ou votar na direita, mesmo que a promessa que lhes estava a ser feita fosse uma reversão muito mais lenta dos seus salários e das suas reformas. É por isso que esses homens e essas mulheres são os meus heróis. E é por isso que no dia em que o seu ordenado reaparece com mais uns euros que eles sabem que o país não sabe como pagar, eu lhes tiro o meu chapéu."


Trechos retirados de "O partido do Estado (e os meus heróis)"

Sintomas do que está a acontecer às barreiras à entrada.

Estes dois textos, "When you are your own customer, customer service becomes the essence of what you do" e "Can’t Find It at the Mall? Make It Yourself" são sintomas do quão rapidamente nos estamos a entranhar em Mongo, são sintomas do que está a acontecer às barreiras à entrada.
“There’s no better inventor than a frustrated consumer,” Ms. Blakely said. “You can be a frustrated consumer at any age and see an opportunity to make something better and fill a void.”
Imaginem que os fabricantes incumbentes afectados começavam a agir como os táxis, ou os suinicultores, ou os produtores de leite, ou os ...

Actualização de riscos e oportunidades

Num workshop da semana passada sobre a ISO 9001:2015 lançou-se uma questão que não tem parado de evoluir na minha mente: como operacionalizar as iterações seguintes da análise de riscos e oportunidades?
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Uma empresa determina uma primeira versão dos riscos e oportunidades associados a cada processo do seu sistema de gestão da qualidade. Classifica esses riscos e oportunidades e decide actuar sobre aqueles que considera mais relevantes no momento para melhorar o desempenho dos processos.
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OK!
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E a empresa actua. E depois?
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Quando e como é que vai actualizar o levantamento dos riscos e oportunidades?
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Quando e como é que vai avaliar a eficácia das acções realizadas sobre os riscos e oportunidades mais relevantes?
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Hipótese 1 - antes da revisão do sistema actualizar a determinação dos riscos e ao classificá-los avaliar a eficácia das acções definidas e implementadas anteriormente.
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Hipótese 2 - mensalmente, aquando da análise dos indicadores associados a cada processo, avaliar se a realidade vivida e o desempenho medido alertam para a necessidade de acrescentar novos riscos e oportunidades ou para a actualização da sua classificação. Mantendo a revisão da eficácia das acções na revisão anual extraordinária.
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Hipótese 3 - Lista de riscos e oportunidades de cada processo afixada em locais frequentados pelos participantes em cada processo. Estes têm liberdade para a qualquer momento acrescentar propostas de riscos e oportunidades e propostas de alteração da classificação, com base em relatos de situações que tenham vivido. Propostas revistas mensalmente e listas actualizadas e afixadas. Acções decididas nessa revisão mensal, Mantendo a revisão da eficácia das acções na revisão anual extraordinária.
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E na sua empresa como é ou como vai ser?
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Quer partilhar a sua hipótese?

Isto é Mongo! Código na agricultura mas bottom-bottom: a democratização do código

Quase que juro que devo ter escrito algo aqui no blogue em tempos sobre o assunto, a verdade é que já procurei e procurei mas não encontro.
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Há coisa de 1/2 anos li um artigo em que um técnico de uma empresa sueca líder no seu sector, a Permobil, discorria sobre as inovações que tinham em curso. Pensei o quão limitados e concentrados nas cadeiras de rodas estavam, na altura começava a ver os artigos sobre experiências com exoesqueletos, os artigos sobre drones controlados pelo pensamento, sobre os smartfones para os paralisados, sobre as aplicações para educar, treinar, ensinar, crianças especiais.
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Por que me lembrei disto? Por causa deste artigo "Farmers Reap New Tools From Their Own High-Tech Tinkering":
"The robot tractor isn’t a prototype or top-of-the-line showpiece. It’s an eight-year-old John Deere that the 30-year-old Mr. Reimer modified with drone parts, open-source software and a Microsoft Corp. tablet. All told, those items cost him around $8,000. He said that’s about how much he saved on wages for drivers helping with last year’s harvest.
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“Even if they release [autonomous tractors] next year, it’s probably going to be 15 years before that technology trickles down to every farm,” said Mr. Reimer, referring to the big farm-equipment companies. What’s more, his version would be “a lot cheaper than if somebody’s got five to 10 engineers working full-time on something like this,” he said. He added that his system doesn’t require altering Deere’s own software or coding.
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The engineering-school dropout says he picked up programming from online forums and coursework archived on the Massachusetts Institute of Technology’s website, though he said he didn’t complete that program either.
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“Poverty is the mother of invention,” said Jim Poyzer, 65, who returned to farming six years ago after a few decades in computer programming. During the winter months four years ago Mr. Poyzer began tinkering with a microprocessor, eventually developing a system to monitor and adjust how many seeds his planter places in his fields near Boone, Iowa. The system tailors the flow of seeds to the soil’s ability to produce healthy crops.
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He estimates the system’s cost at about $750, versus commercial versions that retail for around $5,000, and says it helped him save about $1,000 a year on seeds. “That’s not much, but farmers are trying to optimize everything,” he said.
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Now, Mr. Poyzer is working on other projects, like a solar-powered sensor to monitor soil temperature that he says could help him get a jump on planting.
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Some farmers-turned-techies aim to reap profits on their innovations. Dirt Tech, a startup run by two farmers and two software engineers, is developing a range of mobile applications that help map soil fertility across farmers’ fields, or mark rocks to avoid damage to machinery or allow for yanking them out. The Elbow Lake, Minn., company’s apps have been downloaded more than 4,500 times."

Isto é Mongo! Isto é meter código nisso.
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BTW este trecho:
"Some companies, including Deere, have taken steps to prevent anyone from modifying the software that runs their equipment, and also warn that altering a tractor’s systems could put farmers and workers at risk. Deere uses copyrights and other intellectual-property measures to protect its software.
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“We always have producers wanting to build on top of those solutions. I think it’s a great thing,” said Cory Reed, head of Deere’s intelligent solutions group. But when it comes to Deere’s software, Mr. Reed said, “there has to be a limit, both for regulatory safety and for proprietary reasons."
Fez-me lembrar o Steve Jobs no tempo em que queria manter o controlo de tudo e lutava contra os que dentro da Apple pediam outra abordagem.

Do contexto aos objectivos

Quem usa a ISO 9001:2015 sabe que a cláusula 4.1, acerca da compreensão da empresa e do seu contexto, prevê a determinação de factores internos e externos considerados relevantes e que podem influenciar o propósito, a orientação estratégica e a capacidade de cumprir os resultados esperados.
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Em mais um projecto, a empresa identificou 11 factores externos e 18 factores internos. Esses factores serviram de base para a elaboração deste mapa de relações de causa-efeito.
Com base nele, é possível determinar 3 vectores de actuação:
  • Formação interna;
  • Actividade comercial; e
  • Parceria.
Estando definida previamente a  orientação estratégica da empresa, os factores internos e externos puderam ser classificados como pontos fortes e fracos e, como oportunidades e ameaças. A partir da tabela SWOT criou-se uma SWOT dinâmica (TOWS) que permitiu encontrar 13 combinações específicas de acções a desenvolver para:
  • maximizar a interacção de oportunidades e pontos fortes;
  • actuar sobre pontos fracos que impedem o aproveitamento de oportunidades;
  • minimizar a interacção de ameaças e pontos fracos;
  • actuar sobre pontos fortes para minimizar o efeito potencial das ameaças.
Tudo isto foi usado para suportar a definição de projectos de apoio ao cumprimento dos objectivos da qualidade.
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E na sua empresa como é que fez?
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E na sua empresa como pensa fazer?

sábado, abril 23, 2016

Curiosidade do dia

"A ES Enterprises, uma companhia do Grupo Espírito Santo que funcionava como "saco azul" do grupo que controlava o BES, pagou avenças a mais de uma centena de pessoas, entre as quais se encontram políticos, autarcas, funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas."
Obrigado Passos Coelho, só pelo fim do BES valeu a pena.


Trecho retirado de "Expresso: GES pagava avenças a políticos e tinha 2 milhões em notas em cofres"

Cuidado com as ferramentas da indústria automóvel

Recentemente, num projecto em que uma das estratégias passa pelo preço, para enfatizar a importância de um projecto para lidar com o actual gargalo da produção, recordei um exemplo que ouvi da boca de Masaaki Imai num hotel no Porto em Fevereiro de 1999, quando veio apresentar o livro Gemba Kaizen.
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Quando cheguei ao escritório saquei o livro e procurei, e procurei, sem conseguir encontrar o exemplo que tinha citado. Entretanto, tomei consciência de algo que suspeitava e que tenho referido inúmeras vezes aqui no blogue e no meu contacto com os empresários: mais de 95% de todos os casos citados no livro têm algo em comum, são da indústria automóvel. Encontrei um que dizia respeito a um serviço público.
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Recordei logo este artigo recente "Alemã Olbo de Famalicão aumenta produtividade com filosofia japonesa". Exemplo que uns podem relacionar com "Acerca do Kaizen", "Não se pode ser bom a tudo e para todos (parte III)" e "Cuidado com as generalizações".
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BTW, aqui faz todo o sentido a Olbo ter ido buscar um gestor com a escola SONAE.
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Recordar daqui:
"BTW, foi por este tema que estranhei a escolha de alguém com a cultura SONAE (custo) para a Viriato."
Assim, se o negócio da sua empresa não é eficiência, custo, quantidades, ... cuidado com as ferramentas da indústria automóvel.

PME e código, já pensou nisso? (parte V)

Parte I, parte II, parte III e parte IV.
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Nem de propósito para se juntar à série sob este título "You Don’t Have to Be a Software Company to Think Like One":
"Every business is, willingly or unwillingly, a competitor on a software playing field, no matter which sector it’s in....In a world underpinned by ever more powerful, affordable, and public technology platforms, software is still king. And its importance as a source of value will only continue to grow..You may be thinking: but my company isn’t a software company. That may be the case, but the current business environment requires all leaders to view their companies as software businesses — and think like software executives. That doesn’t mean that you should stop delivering your current products or services. And it certainly doesn’t mean that you should suddenly start selling something labeled “software.” Rather, this approach recognizes a fundamental shift in the sources of value creation and competitive advantage toward software.... [Moi ici: Todas as semanas encontro situações em que um produto maduro, banal, poderia voltar a ser sexy com um pouco de código e IoT. Desde a empresa que se esqueceu de encomendar uma caixa de matéria-prima quando a última foi aberta, porque não um "dash" básico, simples para o B2B até ...Digital technologies aren’t just tools of production to improve existing processes; they are also instruments of coordination, making it easier to collaborate with partners. [Moi ici: Este é o mei ponto principal, fomentar interacção relevante no B2B e aprendizagem para ambas as partes] Adopting a software mentality should include rethinking your business model to include partnerships with others who can help form richer ecosystems, generate network effects, and improve your overall value proposition. But it also means evaluating whether you may be better served by bringing outsourced capabilities back in-house....It’s what companies can reimagine with software that creates the real opportunities (and, inevitably, threats). To succeed at digitization, executives must view their businesses as software companies."

Afinal quem é o herói?

A propósito de "How to #BeTheHero In Your Customer’s Story":
"Every good story needs a hero. In your customer’s story, that hero is you!"
Não consigo concordar com esta visão.
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Prefiro esta abordagem:
"O fornecedor deve procurar agir como Yoda, interagindo com o cliente, um Luke Skywalker, em busca de transformação."


Os agricultores não são pagos para salvar o mundo

A propósito de "To Feed 9 Billion People, Move Away From The Farmer's Market" recordo o que escrevi em "Alterar o modelo":
"os agricultores têm de deixar de se ver como os responsáveis por alimentar o mundo, têm sim de se ver como responsáveis pela alimentação dos seus clientes."
Os agricultores não podem esperar ganhar a vida a serem macro-salvadores do mundo. Não é essa a sua função, não é assim que podem ser competitivos, não é assim que podem prosperar. Tal como na indústria, devem procurar o nicho, o segmento que podem servir com vantagem e servi-lo.

sexta-feira, abril 22, 2016

Curiosidade do dia

Segundo o PORDATA:
Acredito, não é muito arriscado prever, que no final de 2016 o PIB português será, ainda, inferior ao de 2011. Contudo, os funcionários públicos terão o seu nível salarial reposto.
"Economies that are stagnant lead to conflict; if the pie isn’t getting bigger, after all, the only way to improve your lot is to grab someone else’s slice."

Outro momento Janus

Dois no mesmo dia... sintoma de algo mais profundo ou apenas a variabilidade a funcionar?
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Em linha com a previsão da democratização da produção, com o advento de Mongo e o seu impacte nos paradigmas do emprego, da produção e do comércio do século XX:
"It was, of course, a messy, often ugly, nonlinear process. The single hardest task was internal: Americans had to change how they thought about themselves. Not only did some of the iconic jobs of the 20th century not exist in the 19th century; they weren’t conceivable. There weren’t many large corporations, so there was less of a tradition of specialized jobs with narrow tasks. People had to learn to think of national markets, huge firms, accredited professions, new forms of urban identity.
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 Today, lots of people are finding ways to improve their own lot — and overall productivity — on their own. They sell crafts on Etsy, get funding on Kickstarter, build toys with 3-D printers. They learn through online classes and prove their skills on sites like Topcoder.
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Right now, the benefits of this digital, shared, distributed economy are accruing only to a tiny group of people and, even more, to the companies that serve them. But it’s at least conceivable that digital technology could help build new models of education, new ways for workers to collectively bargain, new tools to allow more people to identify and sell their skills and ideas to those who want them. There could be financial products that make it easier to withstand increasing volatility and insecurity. There could be an easier path to entrepreneurship, so more people with good ideas could present them to the market."
Isto por contraponto com:
"In the last century, the main way a person’s productivity rose was by going to work at a large company and doing what the boss said." 
Conseguem imaginar a litania, a ladainha, a procissão de coitadinhos, os bandos de incumbentes a protestar, a violentar, a reclamar contra o progresso porque lhes vai roubar o queijo?
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Por mim, começo logo a imaginar comunidades locais mais dinâmicas a permitirem trocas onde o IVA ou a SS não entra.

Trechos retirados de "Are We Doomed to Slow Growth?"

Um momento Janus

Recomendo vivamente a leitura deste texto "Remaking Make in India".
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Num curto espaço, um resumo interessante do que aconteceu com a globalização:
"It makes little sense today to play catch-up with a Chinese model that may have worked well in its own time and place, but one which the next wave of the digital technology looks set to steam-roll into oblivion."
O que conhecemos e resultou nos anos 60 e 80 em Portugal está morto e enterrado, o mundo muda, o contexto e as soluções têm de ser outras:
"The end of the last century heralded the third wave of industrialisation that led to the globalization of manufacturing. Rapid advances in information technology and global connectivity made for the seamless integration of design, the sourcing of raw materials, labour, capital and manufactured components across multiple locations. The rapidly evolving ecosystem created networked global supply chains located wherever comparative advantages made them most cost effective. The world shrank. Emerging economies betting on low labour costs became the world’s sweat shops, but prosperity also spread. So did entrepreneurship. Asia became the centrepiece of this boom and China the world’s factory. From a 5% share of the world’s manufacturing in 1995, by 2011 China’s share had climbed to 27%.[Moi ici: STOP! Voltar a ler este sublinhado e deixar assentar a ideia do impacte que isto terá tido nas PME de Portugal... esqueça o euro]
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In the forthcoming wave now, information technology is once again set to disrupt the way products are manufactured, shipped, and sold. Notably, this disruption is happening not just by way of moving manufacturing jobs back to the developed world.[Moi ici: O mainstream acredita que o futuro passa por automatizar a produção e remover o último humano das fábricas]
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As both manufacturing and services more and more integrate robotics, 3D printing, the internet of things comes into its own – the need to outsource to regions with low cost labour is off set by the far lower supply chain risks of local manufacturing. Economies of scale lose their relevance. Future manufacturing sees greater advantage in decentralization which places it closer to the consumer. Robotics aided additive manufacturing can customize products to individual needs at costs only marginally higher than mass produced batches, and the cost difference is shrinking. The smart manufacturing facility of the future provides flexible assembly lines that can be re-programmed. [Moi ici: "The smart manufacturing facility of the future" não vai ter linhas de montagem! Recordar a Canon há 10 anos] The age of mass production, yields to mass customization. In the new automated factory of the future the manufacturing itself becomes a service.[Moi ici: Até se remover o factor "mass" e a democratizção da produção fazer desaparecer o paradigma da fábrica do século XX e o paradigma do emprego do século XX]
Tudo coisas que já escrevemos por aqui há anos e que ainda não chegaram em toda a sua plenitude aos media porque isso seria reconhecer o fim do modelo que as suporta a elas ou aos seus financiadores.

O mundo da micro economia: uma beleza e surpresa que não passa pela mente da tríade

Ao longo dos anos aqui no blogue uso o rótulo de "tríade" para identificar o conjunto de académicos, políticos e comentadores que, estando nós no século XXI, estando nós a entranhar-nos em Mongo, estando a economia a evoluir para uma explosão de propostas de valor, canais e, sobretudo, uma explosão do lado da procura em termos de tribos, cada vez mais tribos e mais segmentadas e mais intransigentes no seu gosto e mais informadas, continuam a ver o mundo e a propor soluções que resultaram no século XX da produção e do consumo de massas.
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Recomendo a leitura desta excelente metáfora "Ye gods: an efficient orchestra!"
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Torna viva e materializa de forma fácil a treta que é a conversa da tríade:
"If this student had instead chosen a factory, nobody would be laughing, perhaps least of all the people in that factory."
Como já aqui escrevi muitas vezes e afirmei em muitas salas de reunião, o que salvou as PME exportadoras foi o não ligarem à tríade. Imaginem que um empresário do calçado em 2005, (quando o sector atingiu o ponto mais baixo e Daniel Bessa passava a certidão de óbito e André Macedo enterrava o caixão), ouvia as previsões de Ferreira do Amaral, ou as bocas dos gurus desta série e as levasse a sério... teria desistido certamente.
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Daí ter favoritado:



Por isso, a tríade não percebe este desempenho, aliás, aposto que nem o conhecem:
Uma empresa que compete no mercado pelo custo mais baixo compete de forma diferente e dirige-se a clientes diferentes dos de uma empresa que compete pela rapidez e flexibilidade, dos de uma empresa que compete pela autenticidade, dos de uma empresa que compete pela inovação, dos de uma empresa que compete pela marca, dos de uma empresa que compete pela ...
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Claro, a tríade acha que é tudo igual, recordar "Voltar ao Lugar do Senhor dos Perdões".
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BTW, foi por este tema que estranhei a escolha de alguém com a cultura SONAE (custo) para a Viriato.

O tal outro campeonato que o "bicicletas" ainda não aprendeu

Recordando "Outro campeonato, uma verdadeira curiosidade do dia" estes números de "É para a China que Portugal exporta os sapatos mais caros":
"Portugal duplicou as vendas de calçado para a China, onde vende a um preço médio de 42 euros o par, o mais alto de todos os 152 mercados de destino dos sapatos nacionais.
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"Acresce que o preço médio do calçado português comercializado no gigante asiático é o mais alto de todos os 152 mercados de destino das exportações nacionais e ascende a 42 euros", destaca a última edição do jornal da associação do sector (APICCAPS).
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Portugal exporta sapatos para a China 14 euros acima do preço médio, de 28 euros, a que vende para o exterior à saída da fábrica – um valor só ultrapassado pela Itália (44 euros)."
Enquanto a China (maior produtor mundial de calçado) exporta sapatos baratos e importa sapatos caros para os muitos milhões com um nível de vida mais alto, Portugal faz o contrário, exporta sapatos caros e importa sapatos baratos.
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Algo que o "bicicletas" ainda não prendeu (parte I, parte II, parte III)

quinta-feira, abril 21, 2016

Obrigado senhor ministro

A propósito de "Ministro apela à compra de carne de porco nacional para ajudar a resolver crise", eu consumidor saúdo a rotulagem com a indicação do país de origem. Porque eu consumidor, depois deste dia "Decoupling", e depois das imagens que vi dos desacatos de Alcobaça, tenho receio de que alguns produtores já estejam a fazer o que pediam, por sua conta e risco:
"a reutilização das proteínas animais nas rações"  
Sabendo qual é a carne produzida em Portugal posso optar por não a comprar, tenho medo.

Curiosidade do dia

Que bonito, sem ironia, Sócrates a citar Atticus Finch:
"mesmo quando se sabe que se vai perder não se pode desistir".
Trecho retirado de "Sócrates soma críticas ao PS de Costa. "Nunca seria PM sem ter ganho eleições""

Pricing e experiências

Um excelente texto sobre a arte de fazer preços, "The first rule of pricing is that you don’t talk about pricing." de onde sublinho:
"The third rule of pricing is that experiments are the only way to make sense of it all"
Para relacionar com "Why businesses don’t experiment":
"experiments require short-term losses for long-term gains. Companies (and people) are notoriously bad at making those trade-offs. Second, there’s the false sense of security that heeding experts provides. When we pay consultants, we get an answer from them and not a list of experiments to conduct. We tend to value answers over questions because answers allow us to take action, while questions mean that we need to keep thinking. Never mind that asking good questions and gathering evidence usually guides us to better answers.”"

Acerca da autenticidade

Andamos há uns tempos aqui no blogue a relacionar agricultura com autenticidade como uma enorme oportunidade estratégica de negócio:

Agora, encontro, num suplemento do Jornal de Negócios, o título "Consumidores querem mais autenticidade nos alimentos":
"O consumo está a mudar e o consumidor também. Em particular os "millennials" (geração Milénio), que estão a trazer novas tendências de consumo na alimentação. A qualidade só já não chega. Agora acrescenta-se a diferenciação. A investigação é, por isso, na agricultura, mas também na indústria agro-alimentar. crucial. "O mercado está mais desperto para inovações." Se no virar do século o que contava era o preço.agora "a vontade de experimentar coisas novas, as implicações que os alimentos têm na saúde, os produtos funcionais", são argumentos de compra.
...
Os consumidores procuram, em qualquer um desses segmentos, autenticidade."

"The essence of a relational marketing strategy"

Em "Experiential marketing : secrets, strategies, and success stories from the world’s greatest brands" de Kerry Smith e Dan Hanover pode ler-se:
"With the long‐term benefits a relationship provided to brands came a transfer of power from companies to their customers. Gone were the days of using one‐way marketing to stimulate sales. A relationship, by definition, requires two active and willing participants who show intent to each other. Without relationship intent, there can be no relationship consent. And while brands can’t create relationship intent for the customer, they can foster, accelerate, and influence it—with
experiences
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Successfully creating and using experiences to generate long‐term relationships requires an understanding of how an experience scientifically fosters a relationship.
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Experiences create emotions that drive people to respond to each other and “feel” a certain way. ... an emotion technically emerges as the brain connects neurotransmitters, neuroactive peptides, and hormones—resulting in the musculoskeletal system generating a mental and emotional response.
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Marketers use experiences to affect a target audience. No matter the audience or the company, there is always the intention to use an experience to distribute a message or content that incites an emotion or action (a behavioral response)."
Aquele sublinhado lá de cima joga bastante bem com:
"The essence of a relational marketing strategy is a tacit understanding that marketers and consumers are on equal footing. Anytime marketers employ a nudge to influence consumers, they are rejecting this status quo and claiming an informational or motivational superiority over their customers." 
E a sua empresa, como comunica com os seus clientes? Que tipo de relação desenvolve?
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Trecho retirado de "Why Nudging Your Customers Can Backfire"