"Without a war, crash or pandemic, voters and the markets soon notice when something isn't working. Far from crises being a risk, they can be a lifeline.Best is to arrange one yourself - especially if it helps distract from weak employment numbers or tariff- induced price rises. Unexpected events can work too, though....Every crisis is an opportunity. Far more damaging to the world, however, is when events stop decisions from colliding with reality, when they reframe failure so it never has to be owned and everyone suffers as a result....Companies are even quicker at dropping failed strategies due to unforeseen events. Every chief executive I've worked for has used them to reduce out-of-control headcount or close a business they should never have launched in the first place....Pity the leaders, therefore, who had to face the consequences of their actions - or inactions - because nothing came along to divert or inspire."
O artigo, escrito com alguma ironia, parte de uma observação simples: acontecimentos extraordinários, como guerras, pandemias, ataques terroristas ou choques financeiros, acabam, muitas vezes, por ser convenientes para líderes políticos e empresariais. Não porque sejam desejáveis, obviamente, mas porque deslocam o foco. De repente, problemas estruturais ou decisões erradas deixam de estar no centro da conversa. Por exemplo, com a tempestade Kristin nunca mais se falou dos problemas do SNS.
Em tempos normais, eleitores, mercados e outras partes interessadas conseguem perceber quando algo não está a funcionar. Os números aparecem. As comparações tornam-se evidentes. As perguntas começam a surgir. Mas quando ocorre um grande choque externo, essa leitura torna-se muito mais difícil. O que é consequência de más decisões internas e o que resulta do acontecimento extraordinário? A fronteira torna-se difusa - e isso cria um espaço confortável para atribuir resultados negativos a circunstâncias fora do controlo dos líderes.
No mundo empresarial isto acontece frequentemente. Resultados fracos são explicados por volatilidade cambial, crises geopolíticas, nuvens vulcânicas ou qualquer outro evento externo. E, claro, esses factores podem mesmo ter impacto. Mas, por vezes, escondem algo mais prosaico: expansões excessivas, apostas estratégicas mal avaliadas, erros financeiros ou simples problemas de gestão.
A conclusão irónica do autor é que as crises acabam por ser úteis para os líderes. Criam drama, concentram a atenção e, muitas vezes, diluem a responsabilidade. Sem esses acontecimentos, as fragilidades de liderança tornar-se-iam muito mais visíveis.
Mas há também uma leitura mais construtiva. Bons líderes sabem aproveitar esses momentos de ruptura para acelerar mudanças que já eram necessárias. Uma crise pode abrir espaço para decisões difíceis: fechar actividades que não funcionam, abandonar mercados pouco atractivos, rever a estratégia ou reposicionar a empresa. Em muitas PME, aliás, certas decisões só acabam por acontecer quando uma crise torna evidente aquilo que já devia ter sido reconhecido antes.
Trechos retirados de "Show me a leader who doesn't love a crisis", publicado no Financial Times de 14 de Março.

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