quarta-feira, março 11, 2026

Acerca da esperança e dos pedintes


Mão amiga enviou-me "Nothing is more dangerous for a company than long-lasting, great success"

O artigo é daqueles que me dá alguma esperança. 

É certo que fala das "desgraças" em que vive a Alemanha. O fim de uma época. O longo período de sucesso que gerou complacência e excesso de confiança e levou as empresas a perder dinamismo e espírito de inovação.
  "We are often called "hidden champions" and I always say that this iseye-wising. You have to be very confident and know the world market to believe that youare a champion. And actually, it doesn't help you if you think you're a champion. 

Because: Nothing is more dangerous for a company than long-lasting, great success. It makes companies tired and you have to control it hard to reverse the effects that result. So, to maintain openness to the new, to maintain aggressiveness, to maintain hunger. And that's why the term "hidden champion" is actually even dangerous."
Como escrevi em plena pandemia, ao ler o que tinha acontecido à Toyota no início dos anos 50, há sempre possibilidade de dar a volta, o que é preciso é ter gente pronta para isso. E o que eu gostei mesmo foi disto:
"Don't look at Berlin, don't look at Stuttgart at the state government, what they can do for us. We do not need subsidies in industry, we need less bureaucracy, but we can also start with ourselves.

Many Central European and German companies have emerged from the pandemic with a feeling that you have to get everything given and everything should be given. That's pretty uncreative.

We must be ready to take responsibility again. We must also have the courage to make the gap - if the gap can be estimated and the consequences when a problem occurs are not too great. We need to approach these issues with more flexibility and also pass this spirit on to our colleagues as owners or members of management."
Há aqui qualquer coisa de muito saudável. Não é um discurso de resignação. Não é um discurso de declínio. É um discurso de responsabilidade.

A ideia de que as empresas não podem esperar que alguém resolva os seus problemas. Nem Berlim, nem Bruxelas, nem o banco central, nem o próximo pacote de apoios.

A história económica mostra-nos isto repetidamente: quando as condições ficam mais difíceis, surgem também as oportunidades para quem está disposto a mudar. Muitas das empresas que hoje admiramos foram forjadas em períodos de enorme pressão.

Por cá ainda não chegámos lá. Aliás, em muitos aspectos estamos a piorar.
Basta ouvir o discurso dominante. As associações empresariais, o Chega, o PS. Todos sempre ou com a mão estendida, ou a apostar em caridade com o dinheiro dos outros.

Mas a esperança não está na política. Nunca esteve.

A esperança está sempre no mesmo sítio: nas pessoas que decidem fazer diferente quando as circunstâncias deixam de permitir continuar como antes.

E essas pessoas acabam sempre por aparecer.


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