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sábado, julho 04, 2026

Densificar a cadeia de valor

A propósito de "Subir na escala de valor é deixar de vender filetes" pesquisei a internet e encontrei "100% Fish movement gathering momentum, with projects underway in Alaska, Canada, and the Pacific".

A verdadeira oportunidade não está em pescar mais, mas em densificar a cadeia de valor. O salto estratégico não é aumentar capturas. É extrair mais valor de cada unidade de matéria-prima. Isto aproxima a pesca de sectores industriais mais sofisticados: materiais, cosmética, nutrição, biotecnologia, saúde e design.

O que de repente me veio à memória foram as ideias de Erik Reinert. A ideia central dele é que há uma diferença estrutural entre actividades baseadas em recursos naturais - agricultura, pesca, minas - e actividades industriais. As primeiras tendem a encontrar limites naturais: terra, mar, stocks, estações, clima, produtividade biológica. Por isso estão mais expostas a rendimentos decrescentes. Já a indústria permite rendimentos crescentes: aprendizagem, escala, especialização, divisão do trabalho, inovação, máquinas melhores, conhecimento acumulado e efeitos de rede. Reinert formula esta oposição entre actividades sujeitas a rendimentos decrescentes, ligadas à natureza, e actividades industriais com rendimentos crescentes. 

Aplicado ao peixe, isto é muito interessante. Enquanto o peixe é apenas “captura” ou “filete”, continuamos presos ao mundo do sector primário. O limite é a quantidade capturada, o preço internacional, a pressão sobre o recurso e a concorrência de outros produtores. Mas quando a pele, a espinha, o óleo, as vísceras, a cabeça e os subprodutos passam a alimentar cadeias de cosmética, biomateriais, nutracêuticos, alimentação animal, biomedicina ou design, o peixe deixa de ser apenas peixe. Passa a ser uma plataforma industrial.

É exactamente isso que aparece no movimento 100% Fish: usar mais de 90% do peixe, em vez de ficar apenas pelos 45% associados ao filete, criando produtos em sectores como alimentação, rações, cosmética, nutracêuticos, têxteis e biomedicina.

A diferença pode começar nas pessoas que estão no terreno: pescadores, processadores, técnicos, investigadores, empresários, designers, responsáveis da qualidade, gente que conhece o peixe, os desperdícios, os processos e os clientes. Não é preciso esperar por mais uma grande estratégia. É preciso olhar para aquilo que hoje sobra e perguntar: que produto, que aplicação, que cliente, que conhecimento e que margem podem nascer daqui? A verdadeira Economia do Mar começa quando alguém, no chão da fábrica, no laboratório, na lota ou numa pequena empresa, deixa de ver desperdício e passa a ver futuro.


sexta-feira, julho 03, 2026

Densificação ao vivo e a cores

Há cerca de 11 anos, escrevi aqui no blogue este postal, "Acerca de sectores estáveis e demasiado homogéneos na oferta (parte V)", onde contei a estória das habilidades do J. na criação de obras de arte sob a forma de aquários plantados.

Entretanto, há uns 2 anos - não tenho a certeza do tempo - na nossa tradicional francesinha no Feirense, seguida de caminhada nocturna, o J. contou-me sobre um novo hobby: aquilo a que os americanos chamam "car detailing". Com o pormenor habitual, explicou-me por que uma limpeza de carro pode custar 200 euros quando é feita por ele no seu carro.

Lembrei-me disto porque o WSJ da passada quarta-feira publicou "Gen 'Zers Ride Car Detailing to Big Bucks"

O artigo descreve como muitos jovens da Geração Z estão a transformar o car detailing - limpeza profunda, lavagem, polimento, protecção e acabamento automóvel - em pequenos negócios lucrativos. A actividade tem barreiras de entrada baixas: começa-se com baldes, mangueira, sabão, panos, aspirador e presença nas redes sociais.

O caso de Benjamin Scheets ilustra a tendência: deixou a universidade, trabalha a partir da garagem dos pais, cobra entre 180 e 2.000 dólares por serviço e já factura cerca de 5.000 dólares por mês em lucro. Outros jovens, como Erick Ortiz, em Miami, escalaram de lavagens a 20 dólares para uma operação com empregados, vans, localização física, serviços especializados e lucros mensais de cerca de 18.500 dólares.

O motor da tendência é uma combinação de factores: carros mais antigos que precisam de manutenção estética, vídeos hipnóticos nas redes sociais, desejo de independência profissional, baixos custos iniciais e clientes dispostos a pagar por limpeza e protecção detalhadas. 

"started detailing cars for spare cash in high school and now charges $180 on the low end to detail a sedan and as much as $2,000 to add full protective coating. He has booked out two months in advance and is looking to hire an assistant.

...

A December Intuit QuickBooks survey showed 43% of Gen Z workers say they are considering starting a business this year, more than any other generation and up from Gen Z's 27% survey in the year before."

Densificação, na linguagem de Richard Normann, é isto: lavar carros por 20 dólares é uma coisa; cobrar 150, 180, 500 ou 2.000 dólares exige serviços de maior valor: detalhe completo, correcção de pintura, revestimentos cerâmicos, protecção, formação, conteúdos digitais e coaching. A margem sobe quando o serviço deixa de ser "limpeza" e passa a ser "restauro, protecção e experiência".

Há uma narrativa dominante sobre IA, software e carreiras digitais. Este artigo lembra outra via: jovens a criar rendimento em actividades físicas, locais, manuais e difíceis de automatizar. O interessante é a mistura: trabalho manual, distribuição digital, marca pessoal e aprendizagem informal.

O caso permite concluir algo mais geral: a produtividade e o rendimento não dependem apenas de "sectores sofisticados"; dependem da capacidade de transformar uma actividade banal num serviço diferenciado, visível, confiável e escalável. Lavar carros é uma commodity. Fazer detailing, corrigir pintura, aplicar revestimentos cerâmicos, proteger acabamentos, criar uma experiência visual de "antes e depois" já é outro patamar. A lição geral é: muitas actividades tradicionais têm valor escondido quando se acrescentam especialização, processo, prova visual e confiança.

O artigo não é apenas sobre jovens a lavar carros. É sobre a redescoberta de uma velha verdade económica: há valor em actividades simples quando alguém lhes acrescenta método, diferenciação, visibilidade e ambição comercial. O futuro do trabalho não será apenas programar algoritmos; também será pegar em ofícios comuns e reconstruí-los como serviços premium, locais, intensivos em confiança e difíceis de automatizar.

quarta-feira, julho 01, 2026

Subir na escala de valor é deixar de vender filetes


Em 2018 escrevi um postal intitulado "Blahblah economia do mar blahblah". Um texto que atacava a "Economia do Mar" como retórica de gabinete: muita conferência, muito cluster desenhado em PowerPoint, muito fundo comunitário à vista.

 

O alvo era a ilusão de que a economia cresce porque o Estado baptiza sectores, convoca jornadas, distribui fundos e inventa clusters "em laboratório". O postal incluía um texto sobre a abordagem na Islândia, que mostrava o contraste: menos captura de bacalhau, mas mais valor exportado, porque se deixou de vender apenas o filete e passou-se a aproveitar a carne, a pele, o óleo, as espinhas e as vísceras.

 

Entretanto, no FT de ontem encontrei "Head to tail: business grapples with 100 per cent fish initiative", um texto que refere a experiência islandesa e a tentativa, na região do Midwest, nos Estados Unidos, de fazer algo semelhante.

"The modern "100 per cent fish" idea may have originated in Iceland, but it resonates with the US Midwest culture of thrift.

...

But the idea of commercialising fish waste has caught on in the Midwest, where companies representing over 90 per cent of the region's commercial fish production have signed the 100 per cent Great Lakes Fish Pledge.

...

Sceptics might say "100 per cent fish" - at least in the Great Lakessounds more green than it is. "It's not like we're taking 5mn cars off the road, but a lot of the development comes in impoverished rural areas where fishermen are working on insanely thin margins," Schmidt tells me. Iceland's Leeper says this is "an example of the circular economy in action". Still, she says, "it has to be done with a good business model in place in order for it to be successful"."

O interessante no artigo do FT é que a conversa não fica na "sustentabilidade" como um adorno moral. A lógica é muito mais dura: produtividade, margem, inovação e subida na escala de valor. O peixe deixa de ser apenas filete. Passa a ser matéria-prima para alimentos para animais, fertilizantes, couro de peixe, bebidas de colagénio, aplicações médicas e outros produtos de maior valor acrescentado.

É aqui que o artigo conversa com o meu postal de 2018. O problema da "Economia do Mar" portuguesa nunca foi falta de mar, de costa, de história ou de discursos inflamados. O problema é a facilidade com que confundimos a vocação geográfica com a capacidade industrial. Dizer que Portugal tem mar não gera produtividade. Criar produtividade é pegar num recurso e multiplicar os seus usos, as competências envolvidas, os clientes possíveis e a margem capturada. Em suma, densificar.

O postal de 2018 irritava-se com a economia baptizada por decreto, com clusters inventados em mesas de almoço e com a velha tentação portuguesa de transformar uma palavra bonita numa torneira de fundos públicos. O artigo do FT mostra o contrário: começa-se por desperdício real, empresas reais, compradores reais, subprodutos reais e modelos de negócio reais. Só depois vem o nome bonito.

Talvez esta seja a diferença entre "economia do mar" e "economia a sério". A primeira gosta de fóruns, painéis e fotografias de encasacados. A segunda pergunta: que parte do peixe ainda estamos a deitar fora? Quem sabe transformá-la? Quem compra? Que tecnologia falta? Que certificação é necessária? Que margem podemos capturar?

A produtividade portuguesa não subirá porque repetimos a palavra "mar" mais vezes. Subirá quando deixarmos de vender apenas o equivalente ao filete e começarmos a construir cadeias de valor à volta daquilo que hoje tratamos como sobra. O resto é blahblah, com cheiro a maresia, a PowerPoint e a fundos comunitários.

quarta-feira, abril 15, 2026

Acerca da densificação



Ainda recentemente recordei Richard Normann e a sua ideia da densificação.

Ontem, o FT publicou "Growth of David Lloyd gyms driven by suburban social scene" que tem tudo a ver com densificação.

"David Lloyd gyms" refere-se à David Lloyd Clubs, uma cadeia de clubes premium de saúde, fitness e bem-estar. Não são apenas ginásios no sentido tradicional: combinam normalmente ginásio, aulas, piscinas, spa e desportos de raquete como ténis e padel.

O artigo mostra que o crescimento da David Lloyd Leisure não assenta apenas em ginásios, máquinas ou aulas, mas numa proposta mais ampla: transformar clubes suburbanos em espaços de vida social, lazer, trabalho e bem-estar para famílias de classe média-alta.
"They are what Glenn Earlam, executive chair, calls "a reasonably affluent crowd". Not as wealthy as members of urban luxury gyms such as the Third Space chain in London, but definitely well-off: families living in three-or four-bedroom houses within a 10-15 minute drive of a club. "The crucial thing is density of wealth," he remarks.
...
The chain tries to inculcate loyalty by becoming harder to leave. It progressively adds facilities to provide more reasons to hang around: exercising, doing some work, then using the spa. While some urban gyms have suffered from the working from home trend, David Lloyd's suburban club locations enable members who live nearby to "work from gym" on Fridays.
The heart of the strategy is to become as much a social club as a leisure centre. "There are a hundred ways for you to find someone to play tennis or padel with, or meet in a gym or yoga class ... We desperately try to encourage the coftee alter [exercise]," Earlam says."
O ponto é este:
It has doubled the number of clubs, adding about 40 in continental Europe, but most of the rise in profitability has come from "premiumisation".
It invests in adding new courts, studios, equipment and spas to existing clubs, then raises prices."

A David Lloyd mostra que uma empresa pode melhorar significativamente a rentabilidade sem depender apenas de abrir mais unidades. Ao enriquecer a proposta de valor dos activos existentes, conseguiu cobrar mais e tornar cada clube mais relevante na vida do cliente. Para muitas empresas, o caminho não é apenas “mais mercado”, mas “mais densidade de valor por cliente”. 

Muitas PME pensam primeiro em vender a mais clientes, abrir novos mercados ou lançar novas ofertas, mas, por vezes, o ganho mais rápido está em aumentar o valor entregue aos clientes actuais.

Podem pensar em: O que mais podemos acrescentar à oferta actual? Como podemos tornar-nos mais úteis no dia-a-dia do cliente? Há serviços complementares que reforcem a proposta principal?

Uma PME industrial pode não vender apenas um produto, mas também rapidez de resposta, apoio técnico, personalização, formação ou maior fiabilidade de entrega. Ou seja, crescer não é só ganhar mais clientes; pode significar tornar cada cliente mais bem servido e mais valioso.

A David Lloyd não vende apenas “ginásio”. Vende uma combinação de exercício, convívio, rotina, bem-estar e conveniência. Uma PME também pode beneficiar desta lógica. Em vez de se definir pelo que fabrica ou pelo serviço que presta, pode perguntar: Que problema mais amplo resolvemos? Que papel temos na actividade do cliente? O que é que o cliente está realmente a comprar quando nos escolhe?

Por exemplo, uma empresa de embalagens pode pensar que vende caixas, mas talvez o cliente compre rapidez, segurança no transporte, imagem da marca e menos falhas logísticas. Quando uma PME percebe melhor o verdadeiro valor que entrega, consegue diferenciar-se e fugir à guerra de preços.

sexta-feira, fevereiro 23, 2024

"market-shaping devices"

Leitura de "Value propositions as market-shaping devices: A qualitative comparative analysis

"Both value propositions and markets have been conceptualized as configurations of interdependent elements. The complexity of the studied phenomenon is best captured by the configurational perspective, which is increasingly employed across business disciplines. Hence, the purpose of this paper is to identify the configurations of value proposition characteristics that are effective for focal firms engaging in market-shaping strategies.

...

Our principal contribution is to distinguish the VP's role as a key device for market-shaping; more specifically, we identify four characteristics of market-shaping VPs. We also show that even though VPs can shape markets without displaying all four of these characteristics, no single characteristic alone can create all the expected outcomes. Further, our study extends our understanding of the nature of the VP concept. Specifically, we identify that market-shaping VPs are complex configurations rather than unidimensional constructs aimed at differentiating the firm in the market. Practically, we distinguish distinct configurations of VP characteristics that are successful in either: (1) changing the elements comprising the market system, or (2) inducing an overall market change at the system-level.

Research is progressively recognizing markets as systems or ecosystems, suggesting a need to look beyond the seller-buyer dyad and to see the dyad as part of a larger system of actors. This transition from dyadic relational thinking to complex systems thinking reveals that nobody can fully predict or control the development of a market system.

Market systems do not obey simple laws of cause and effect. Furthermore, they have no center and no central control mechanism. Rather, they evolve from a mix of deliberately designed influence and random emergence."

Segundo o artigo:

  • As empresas podem moldar activamente os seus mercados criando e implementando propostas de valor fortes. Essas propostas envolvem a oferta de combinações únicas de produtos, serviços ou experiências que ressoem nos clientes e diferenciem a empresa dos seus concorrentes. Claro que quem aposta em dominar os biombos e carpetes do poder, perde a oportunidade de se especializar na moldagem do seu mercado.
  • Há quatro características essenciais que tornam as propostas de valor eficazes na modelação do mercado: integração acrescida de recursos, (a velha densificação de Normann), processo colaborativo de proposta de valor (customização, interacção), promessa de valor sistémica e verificada (é como fazer uma grande promessa de que se pode mudar o jogo para muitas partes interessadas, e depois provar que realmente se consegue fazer isso), e novas representações utilizadas na comunicação.
  • Há que empregar uma abordagem configuracional, sugerindo que estas características podem ser combinadas de várias maneiras para atingir os objetivos de formação do mercado. Nenhuma característica por si só é suficiente; a combinação e interacção entre eles são cruciais. Num sistema complexo como o mercado, os resultados resultam de uma combinação de factores que trabalham em conjunto e não apenas de uma causa. Diferentes combinações desses fatores interligados podem levar ao mesmo resultado, mostrando que múltiplos caminhos podem atingir um objetivo. 

domingo, maio 06, 2018

O papel das redes e as organizações de Mongo

Em Mongo, terra de tribos e de artesãos, as organizações vão ser diferentes das criadas para o Normalistão.
"network forms of organization - typified by reciprocal patterns of communication and exchange - represent a viable pattern of economic organization.

Pre-existing networks of relationships enable small firms to gain an established foothold almost overnight. These networks serve as conduits to provide small firms with the capacity to meet resource and functional needs.

I have a good deal of sympathy regarding the view the economic exchange is embedded in a particular social structural context. Yet it is also the case that certain forms of exchange are more social - this is, more dependent on relationships, mutual interest enter, and reputation - as well as less guided by a formal structure of authority. My aim is to identify a coherent set of factors the make it meaningful to talk about networks as a distinctive form of coordinating economic activity.

When the items exchanged between buyers and sellers processed qualities that are not easily measured, and the relations are so long-term and recurrent that it is difficult to speak of the parties as separate entities, can we still regard is as a market exchange? When the entangling of obligation  and reputation reaches a point that he actions of the parties are interdependent, but there is no common ownership or legal framework, do we not need a new conceptual toolkit to describe and analyze this relationship?

Network forms of exchange, however, entail indefinite, sequential transactions within the context of a general pattern of interaction. Sanctions are typically normative rather than legal.

In networks, the preferred option is often one of creating indebtedness and reliance over the long haul. Each approach does devalues the other: prosperous market traders would be viewed as petty and untrustworthy shysters in networks, while successful participants in networks who carried those practices into competitive markets would be viewed as naïve and foolish. Within hierarchies, communication and exchange is shaped by concerns with career mobility - in this sense, exchange is bound up with considerations of personal advancement.

Networks are “lighter on their feet” than hierarchies. In network modes of resource allocation, transactions occur neither through discrete exchanges nor by administrative fiat, but through networks of individuals engaged in reciprocal, preferential, mutually supportive actions. Networks can be complex: they involve neither the explicit criteria on the market, nor the familiar paternalism of the hierarchy, basic assumption of network relationships is that one party is dependent on the resources controlled by another, and that there are gains to be had by the pooling of resources. In essence, the parties to a network agreed to forego the right to pursue their own interests at the expense of others.
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In networks forms of resource allocation, individual units exist not by themselves, but in relation to other units. These relationships to establish and sustain, thus they constrain both parters ability to adapt to changing circumstances. As networks evolve, it becomes more economically sensible to exercise voice rather than exit. Benefits and burdens come to be shared. Expectations are not frozen, but change as circumstances dictate. A mutual orientation - knowledge which the parties assume each has about the other and upon which day draw in communication and problem solving - is established. In short, complementarity and accommodation are the cornerstones of successful production networks. … the “entangling strings” of reputation, friendship, interdependence, and altruism become integral parts of the relationship.
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Networks are particularly apt for circumstances in which there is a need for efficient, reliable information. The most useful information is rarely that which flows down the formal chain of command in an organization, or that which can be inferred from shifting price signals. Rather, it is that which is obtained from someone whom you have dealt with in the past found to be a reliable. You trust best information that comes from someone you know well. … information passed through networks is “thicker” [Moi ici: Como não associar este "thicker" ao densificar das relações em Normannthan information obtained in the market, and “freer” than communicated in a hierarchy. Networks, then, are especially useful for the exchange of commodities whose value is not easily measured. Such qualitative matters as know how, technological capability, a particular approach or style of production, a spirit of innovation or experimentation, or a philosophy of zero defects are very hard to place a price tag on. They are not easily traded in markets nor communicated through a corporate hierarchy. The open-ended, relational features of networks, with their relative absence of explicit quid pro quo behavior, greatly enhance the ability to transmit and learn new knowledge and skills."


"Neither Market Nor Hierarchy: Network Forms of Organization" de Walter Powell, publicado por Research in Organizational Behavior, Janeiro de 1990.

terça-feira, março 06, 2018

"the resourceness of resources" (parte II)

Parte I.
"the paper conceptualizes a resource not as a substance or thing, but rather as an abstraction that describes the function that a substance or idea contributes to achieve a desired end. Hence, to integrate resources, resource-integrating actors must first be able to recognize the resourceness of the potential resources available to him/her. Therefore, the process of affording potential resources their resourceness becomes a prerequisite for resource integration and value cocreation. For this reason, a deeper understanding of resources is critical for the further development of S- D logic and its service ecosystems perspective.
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The basic argument of the paper is that resourceness is not an intrinsic characteristic of a resource, but is a socially constructed and institutionalized phenomenon
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S-D logic’s systemic view on value creation posits that for value to emerge, resources from multiple sources must be integrated. Hence, value is cocreated among multiple actors who potentially possess institutional arrangements that differ in terms of the included practices, symbols, and organizing principles that enable and constrain resource integration. Resource integration, therefore, takes place in the complex, multidimensional, and dynamic context of service ecosystems composed of multiple institutional arrangements.
...
‘resourceness’ is inseparable from the complex institutional context in which it arises. When connected to this omnipresent process of potential resources gaining their ‘resourceness,’ the institutional approach demonstrates its applicability to a wide range of social phenomena. This conceptualization reveals the need for more holistic, systemic, and multidisciplinary perspectives on understanding the profound implications of the process of resources ‘becoming’ in value cocreation, innovation, and market evolution."



Trechos retirados de "The evolution of markets – A service ecosystems perspective" de Kaisa Koskela-Huotari

segunda-feira, março 05, 2018

"the resourceness of resources"

"the starting point of S-D logic is the idea that service is exchanged for service to cocreate value; that is, to increase the wellbeing and viability of an actor or system. Central to this view is the idea that value creation as a process emerges and unfolds over extended periods of time as a multi-actor effort of integrating resources through the exchange of service, either directly or indirectly. Value, as an emergent outcome of this process, is contingent on the integrated resources as well as contextually determined by each actor in a specific instance of the process, making value perception potentially quite unique and asymmetric.
...
An important part of the service-centered view is to understand that the nature of resources is contextual. In other words, resources are not, they become. This means that actors’ knowledge and skills - that is, other resources - determine the resourceness of resources."
Como não relacionar estes sublinhados com o salazarismo corporativista que sabe o que é que é melhor para o cliente

Trechos retirados de "The evolution of markets – A service ecosystems perspective" de Kaisa Koskela-Huotari

terça-feira, outubro 03, 2017

"um mosaico vai emergir para densificar as interacções"

"Porter, in his classical work on competitive strategy, built the concept of the 'value chain' according to which various economic actors working in a sequential, chain-like configuration 'add value' all the way until the customer is finally reached. Porter duly and clearly recognized that a company's position in this 'chain' may be challenged not only by its traditional competitors but also by actors representing substitute technology, by suppliers, and by customers themselves. And in his work on the competitiveness of nations Porter, with his 'cluster' theories, begins to develop notions of actor systems which can only fit the value chain model mom or less by forcing them to do so.
...
In fact, today's market game is much more about who can most creatively design frame breaking systemic solutions than about who can position himself in a 'chain'. The value chain was a stronger metaphor in a production- and materials-based economy than in a knowledge- and service-based one."
Relacionei logo estes trechos com um vídeo delicioso que o @icyView me fez chegar ontem à tarde:


Quando se monta um ecossistema acredita-se que vão surgir relações não lineares um pouco por todo o lado, e um mosaico vai emergir para densificar as interacções entre os seus actores.

Retirei estes trechos do capítulo 4 de "Reframing Business - When the Map Changes the Landscape" de Richard Normann. O capítulo 4 tem o sugestivo título de "Chained to the Value Chain?"

domingo, outubro 01, 2017

Apostar na densificação

Leio e sorrio...

Ainda ontem numa empresa enquadrei e sublinhei neste âmbito, uma estória que me tinham acabado de contar: cliente que tinha acabado de comprar máquina usada e, ligou a alguém da empresa para que lhe prestassem apoio para a colocar de acordo com o DL 50/2005 (questões de segurança).

Depois, à noite, li um bocadinho de Richard Normann e sublinhei:
"the 'principle of density'. The best combination of resources is mobilized for a particular situation — e.g. for a customer at a given time in a given place — independent of location, to create the optimum value/cost result. 'Density' expresses the degree to which such mobilization of resources for a 'time/space/actor' unit can take place. Offerings can be ever more individualized. [Moi ici: O destino é Mongo]"
Ao final da manhã dei um salto a uma loja iStore para pedir ajuda na aquisição de um acessório para poder trabalhar com um audio e microfone num MacBook Air (que só tem uma entrada para o audio). E a reacção foi: não temos, não vendemos, não é nada connosco.

Empresas que apostam na densificação não pensam só naquilo que se traduz numa venda imediata, pensam em tudo o que podem mobilizar para uma interacção.

terça-feira, agosto 22, 2017

Densidade e ecossistemas

Ao ler "Creating the competitive edge: A new relationship between operations management and industrial policy" publicado por Journal of Operations Management 49-51 (2017), encontro uma citação de uma velha conhecida minha, Suzanne Berger:
“rich and diverse set of complementary capabilities in the industrial ecosystem: suppliers, trade associations, industrial collective research consortia, industrial research centers, Fraunhofer Institutes, university-industry collaborative, technical advisory committees. It's impossible to understand the different fates of manufacturing in the United States and Germany without comparing the density and richness of the resources available in the industrial ecosystem across much of Germany to the thin and shrinking resources available to U.S. manufacturers across much of our country” 
Ao ver o termo ecossistema, (palavra usada com especial carinho neste blogue), ao ver o desfilar de actores que povoam os meus esquemas sobre ecossistemas da procura (Malta da ISO 9001:2015, estão a ver porque aprecio a cláusula 4.2 da norma? E como a aprecio!) associados à palavra densidade não pude deixar de imediatamente recordar dois nomes: Richard Normann e Rafael Martinez e o seu "Reframing Business: When the Map Changes the Landscape". Bastou uma pesquisa no Google para chegar a "Designing Interactive Strategy":
"In so volatile a competitive environment, strategy is no longer a matter of positioning a fixed set of activities along a value chain. Increasingly, successful companies do not just add value, they reinvent it. Their focus of strategic analysis is not the company or even the industry but the value-creating system itself, within which different economic actors—suppliers, business partners, allies, customers—work together to co-produce value. Their key strategic task is the reconfiguration of roles and relationships among this constellation of actors in order to mobilize the creation of value in new forms and by new players. And their underlying strategic goal is to create an ever-improving fit between competencies and customers.
...
The result is an integrated business system that invents value by matching the various capabilities of participants more efficiently and effectively than was ever the case in the past.
.
What is so different about this new kind of value? One useful way to describe it is that value has become more dense. Think of density as a measure of the amount of information, knowledge, and other resources that an economic actor has at hand at any moment in time to leverage his or her own value creation. Value has become more dense in that more and more opportunities for value creation are packed into any particular offering."
E as suas ideias acerca das constelações:
"IKEA is more than a link on a value chain. It is the center of a constellation of services, goods, and design.
.
The image of a value chain fails to capture the complexity of roles and relationships in the IKEA business system. IKEA did not position itself to add value at any one point in a predetermined sequence of activities. Rather, IKEA set out systematically to reinvent value and the business system that delivers it for an entire cast of economic actors. The work-sharing, co-productive arrangements the company offers to customers and suppliers alike force both to think about value in a new way—one in which customers are also suppliers (of time, labor, information, and transportation), suppliers are also customers (of IKEA’s business and technical services), and IKEA itself is not so much a retailer as the central star in a constellation of services, goods, design, management, support, and even entertainment. The result: IKEA has succeeded, arguably, in creating more value per person (customer, supplier, and employee) and in securing greater total profit from and for its financial and human resources than all but a handful of other companies in any consumer industry."

quinta-feira, outubro 08, 2015

Densificar e organizar a criação de valor

Nas empresas, muitas vezes, remeto a perspectiva para o ecossistema da procura e
para o desenvolvimento de relações ganhar-ganhar-ganhar. Por exemplo:


Ganhar-ganhar-ganhar porque passa por orquestrar uma relação que traga vantagens não só à clássica interacção diádica, cliente-fornecedor, mas também a outras combinações:

  • prescritor-fornecedor-cliente;
  • fornecedor-cliente-cliente do cliente;
  • fornecedor-parceiro-cliente-cliente do cliente;
"But since Pandora depends upon its inventory of musicians to keep listeners loyal to the service, the company has been working hard to provide other, non-monetary benefits to artists. One way to do that: become a service that’s as useful to musicians as it is to listeners.
...
Pandora snatched up Next Big Sound, a music analytics service
...
Even before it bought Next Big Sound, Pandora was already focused on building out its own artist-focused tools"

quarta-feira, julho 13, 2011

Dores de crescimento (parte II)

Acho que foi com Ortega Y Gasset que li que nós não começamos a viver, nós apercebemos-nos a viver, nós vamos tomando consciência de que somos, de que vamos sendo.
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Há coisas que leio que fazem-me pensar nesta reflexão... há coisas que desenvolvo com as empresas como uma tentativa, como o resultado de fuçar e mais fuçar em busca de uma oportunidade, à procura de uma alternativa. O que interessa é a acção e muitas vezes a acção é clara e está já teorizada e testada por alguém. Cada vez mais, vou encontrando a teorização à posteriori... engraçado o sentimento de deja vu, de confirmação, de pensar que "eheheh afinal aquilo era mesmo uma novidade" ou "eheh ainda andam às voltas com isto e nós já lá estivemos"
.
Quatro palavras para as próximas reflexões:

  • densificação 
  • performativity
  • marketness
  • market making
E pensava eu que não havia teoria sobre isto da "balanced centricity", há muita e boa... muito boa mesmo.