Mostrar mensagens com a etiqueta unintend consequences. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta unintend consequences. Mostrar todas as mensagens

domingo, agosto 09, 2026

Não, eu não sou um esquerdista woke


Estamos a começar a assistir a discussões no Twitter sobre a construção de centros de dados. Os que estão a favor dizem que quem está contra é um esquerdista woke. Já sabem a minha opinião e não creio que eu seja um esquerdista woke.

Deixo aqui para reflexão alguns trechos retirados de um artigo publicado ontem no El Economista, "Las promotoras alertan de que la falta de luz retrasa tres años la entrega de viviendas":
"La falta de capacidad de la red eléctrica se ha convertido en un nuevo cuello de botella para el desarrollo de vivienda en España. Las grandes promotoras alertan de que la escasez de potencia disponible y los retrasos en las infraestructuras de distribución ya están retrasando entre uno y tres años la tramitación de nuevos desarrollos urbanísticos y dificultando incluso la entrega de promociones ya terminadas. Todo ello en un momento en el que el país arrastra un histórico déficit de oferta residencial y necesita acelerar la construcción de viviendas.
...
Pérez de Leza señala que la creciente electrificación de los edificios está disparando las necesidades de potencia. "Los proyectos actualmente requieren más potencia que antaño. Los edificios de oficinas también requieren más potencia y, además, han aparecido nuevos consumidores, como los centros de datos, que son una gran aspiradora de esa capacidad", explica. Como consecuencia, "en varios ámbitos no hay potencia suficiente o no existe distribución de alta tensión para llegar y, por lo tanto, se nos va retrasado el planeamiento entre uno y tres años, en un momento en el que tenemos este drama de acceso a la vivienda".
...
El impacto no se limita a los nuevos desarrollos urbanísticos. Según los promotores la falta de capacidad eléctrica también está afectando a promociones que ya cuentan con suelo finalista e incluso han concluido las obras. "Cuando un suelo ya es finalista, asumes que la distribuidora ejecutará a tiempo el centro de transformación y todas las actuaciones necesarias para conectar la promoción. Sin embargo, lo que estamos viendo es que los plazos de ejecución de esas obras y de los trámites administrativos para poder conectarte se alargan cada vez más. No puedes entregar una casa sin electricidad y esto, en un momento de drama para el acceso a la vivienda, lo agudiza todavía más", afirma Pérez de Leza, quien reclama agilizar estos procedimientos."

Em Espanha, cerca de 80 mil habitações dependem da construção de novas infra-estruturas eléctricas. A falta de capacidade da rede já atrasa empreendimentos entre um e três anos. Há promotores que chegam ao fim da obra sem saber quando poderão entregar as casas, porque a ligação eléctrica continua por resolver.

A electrificação dos edifícios aumentou a potência necessária por habitação. Bombas de calor, climatização e carregamento de automóveis eléctricos exercem uma pressão que os planos antigos raramente previam. Entretanto, a indústria e os centros de dados disputam a mesma capacidade. Em muitos locais, as subestações e as redes de distribuição ficaram pequenas para a procura que agora recebem.

Construir uma urbanização demora menos do que reforçar uma rede eléctrica. Uma nova subestação exige estudos, licenças, terrenos, equipamentos e obras que se prolongam ao longo de vários anos. Quando os promotores pedem a ligação numa fase avançada, podem descobrir que a rede mais próxima já atingiu o seu limite. O edifício fica pronto antes da infra-estrutura que o torna habitável.

Poderá o mesmo acontecer em Portugal? Perguntei ao ChatGPT. Esta foi a resposta:

"O consumo de eletricidade em Portugal atingiu um máximo histórico em 2025. Nos próximos anos, o país quer eletrificar os edifícios e os transportes, enquanto procura atrair indústria eletrointensiva. A esta procura juntam-se os centros de dados, cujos projetos anunciados representam cargas enormes e concentradas em poucos locais.

Portugal tem produção de energia renovável e anuncia novos investimentos na rede elétrica. O problema pode surgir na capacidade disponível de cada subestação e no tempo necessário para reforçá-la. A eletricidade pode existir no sistema e permanecer inacessível no local onde uma urbanização precisa dela.

A situação de Sines já evidencia a dimensão desta pressão. Foram atribuídos quase 4 900 MVA de capacidade de ligação a grandes consumidores. Cada parcela da rede reservada a estes projectos condiciona as restantes escolhas e exige novos investimentos a montante. O planeamento de habitação passa, assim, a competir com decisões de política industrial e energética tomadas noutros gabinetes.

Em agosto de 2026, foi aprovado um investimento de cerca de 1,6 mil milhões de euros na rede de distribuição até 2030. O montante revela a escala da adaptação necessária. Também mostra quanto depende da execução das obras dentro dos prazos previstos.

O risco cresce quando o município aprova habitação com base num plano urbano antigo e a capacidade elétrica é verificada apenas perto do início da construção. Nessa altura, o solo já foi comprado, o projeto está licenciado e as casas já foram vendidas. O calendário da rede então começa a mandar para o calendário da habitação.

Portugal pode acabar com casas concluídas à espera de eletricidade. Para o evitar, cada nova área urbana terá de nascer com capacidade de rede identificada, financiamento previsto e responsabilidades atribuídas desde o primeiro momento."

Bom, Portugal tem uma vantagem relativamente a Espanha: ainda pode observar o problema espanhol e antecipá-lo, mas está a tentar promover simultaneamente:

  • construção de habitação;
  • electrificação dos transportes e dos edifícios;
  • centros de dados de grande escala (Portugal tem mais de 2,6 GW de projectos de centros de dados planeados);
  • nova indústria electrointensiva;
  • produção de hidrogénio;
  • reforço da produção renovável.

Todas estas opções podem ser defensáveis isoladamente. O problema surge quando são prometidas como se não competissem por capacidade de rede, equipamento, investimento e tempo de execução.

Por isso, considero provável que ocorram em Portugal bloqueios locais e atrasos em projectos específicos

Nos Países Baixos a situação é ainda pior do que em Espanha:

"In Utrecht, Gelderland and Flevoland, some 200,000 new homes could be under threat because of an impending freeze on new connections"

Vocês vêem algum político preocupado com isto? Rinocerontes cinzentos:

Como não recuar a 2007 e a “Nós não estudámos até ao fim todas as consequências das medidas que sugerimos”.

BTW, não fiquem por respostas superficiais sobre autoconsumo:

Portugal prepara-se para concentrar grandes consumos em poucos lugares enquanto tenta resolver uma crise habitacional. A infra-estrutura eléctrica terá de entrar na decisão antes de se aprovarem os projectos. 

sexta-feira, agosto 07, 2020

Como se pode ser tão burro e cometer sempre os mesmos erros???


Os gregos antigos diziam que ter memória era um castigo dos deuses.

Por vezes, deparo-me com situações tão parvas que não percebo como ninguém, a começar pelos so-called jornalistas, aponta o dedo e revela o como o rei vai nú.

Lembram-se do leite e do karma?

A APROLEP desenvolveu uma campanha para reduzir as importações de leite, esquecendo que Portugal exportava mais leite do que aquele que importava. E mais, exportava leite a um preço mais alto do que o praticado em Portugal. Na base dessa campanha estava a identificação clara do país de origem do leite nas embalagens. A campanha teve sucesso e... as exportações de leite cairam porque os consumidores nos países importadores deixaram de escolher leite português.

São os famosos jogadores de bilhar amador que só pensam na próxima jogada e esquecem as suas consequências.

Hoje, encontro outro terrorista. No Jornal Económico de hoje aparece o artigo "Conservas querem substituir 200 milhões de importações".

Como começa o artigo?
"O setor nacional das indústrias de conserva de pescado valeu no ano passado cerca de 323 milhões de euros, dos quais cerca de 70%, 226 milhões de euros, respeitaram a exportações, num total de 43 mil toneladas. “No último ano, as exportações tanto em quantidade, como em valor, diminuíram cerca de 5%,"
O que faz a Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe? Em vez de se concentrar no aumento das exportações, resolve concentrar os seus escassos recursos no ataque às importações. Como se pode ser tão burro e cometer sempre os mesmos erros???
"No entender deste responsável, “para a indústria nacional será muito fácil substituir as importações, uma vez que não é um problema de capacidade produtiva, mas sim de estratégia comercial, dos canais de distribuição”.
Se cada português, nas suas compras, substituir dez latas de conservas importadas por dez conservas nacionais por ano, a economia portuguesa tem um incremento de 60 milhões de euros, criando inúmeros postos de trabalho.""
Porque não olham para os números? Os portugueses importam produtos baratos e exportam os produtos mais caros. Olhando para os dados de 2016, o kg de conserva importada era cerca de 73% do kg de conserva exportada.

Esta associação em vez de ajudar os seus associados a subir na escala de valor, está a querer que se enterrem com descontos para ganhar quota de mercado interno. PORRA!!!
Quando é que esta gente percebe que volume e quota de mercado não é o objectivo. O objectivo é o lucro!

quarta-feira, julho 15, 2020

Cuidado com o que desejas, pode ser que o obtenhas. Ou, como Karma is a bitch



Este postal de Agosto de 2019, ""The Great Sparrow Campaign" - gente perigosa", faz um apanhado daquilo a que se pode chamar: Cuidado com o que desejas, pode ser que o obtenhas. 

Há dias, enquanto conduzia, ouvi e tomei consciência dum trecho dos Coldplay:
"when you get what you want but not what you need"
Ontem no JdN apanhei:
"César Araújo propõe que 60% dos artigos consumidos sejam fabricados na Europa
...
Tudo tem de partir da consciência dos nossos governantes em Bruxelas. Não vale a pena só injetar dinheiro. A Europa tem de fazer um Plano Marshall e dizer que 60% dos produtos consumidos têm de ser manufaturados na Europa."
Isto é tão a conversa da APROLEP que até dói ...

Atentemos no que César Araújo dizia há meses:
"Vocacionada para a produção de vestuário para marcas da gama média-alta e luxo, a Calvelex exporta as cerca de 800 mil peças que fabrica anualmente para os quatro cantos do mundo, com enfoque especial na Europa e nos EUA.
...
Quais vão ser os principais mercados da Calvelex em 2018?
.
Vão ser toda a Europa, que é o nosso mercado doméstico, os EUA, o Canadá, a Coreia do Sul e o Japão."
Como é que um dirigente associativo no século XXI ainda vê a economia como um jogo de soma nula?

E se os países extra-europeus para onde exporta resolverem aplicar a receita que ele propõe para a Europa?