Na passada quinta-feira 10 de Abril no Jornal de Negócios li com surpresa e cinismo o artigo "Cervejeiros querem mais cevada "made in" Portugal."
O artigo começa com este lead tão português:
"A cevada "made in" Portugal nunca foi suficiente para cobrir as necessidades de consumo da indústria cervejeira, mas o seu peso tem vindo a diminuir. Cervejeiros pedem políticas a longo prazo de estímulo à produção daquele que figura como o principal cereal usado no fabrico de cerveja."
O artigo pode ser resumido em:
- A indústria cervejeira portuguesa tem vindo a reduzir a incorporação da cevada nacional, que actualmente representa apenas 14,2% do total consumido.
- Os Cervejeiros de Portugal manifestam preocupação com esta diminuição e defendem a criação de políticas públicas de estímulo à produção nacional de cevada. Pode ler-se: "Preocupa-nos que, havendo condições em Portugal, a produção de cevada esteja a diminuir. Aliás, até nos custa compreender como é que tal acontece, havendo não vou dizer um cliente garantido, mas um escoamento praticamente assegurado caso a produção seja maior." Weird!!!
- A produção nacional nunca chegou para cobrir totalmente as necessidades da indústria, mas já houve anos em que chegava a cobrir entre 30% e 50% do consumo.
- A cevada continua a ser maioritariamente importada de Espanha e França.
- Esta queda não se deve apenas a más colheitas, mas também à redução da área cultivada com cevada, possivelmente por opção dos agricultores por outras culturas.
- Os cervejeiros apelam a um diálogo entre todos os agentes do sector e mostram-se disponíveis para assumir compromissos, caso exista um plano coerente e de longo prazo. Pode ler-se: "Assim, os Cervejeiros defendem a abertura de "um diálogo franco e transparente entre todos os agentes do setor para ver em que medida se podem definir políticas consistentes de estímulo, mas com uma lógica de médio e longo prazo para uma capacidade de maior autossuficiência"." Again, weird stuff!!!
- Poderiam estabelecer contratos de fornecimento a longo prazo com os agricultores nacionais, garantindo escoamento, preços minimamente compensadores e incentivo à produção.
- Poderiam pagar ligeiramente mais pela cevada nacional, compensando os agricultores pelo risco e pela menor escala, em vez de recorrer sistematicamente a importações (mais baratas).
- Em vez disso, pedem intervenção do papá-estado, o que sugere que preferem continuar a comprar no estrangeiro a preços competitivos, mas esperam que o papá-estado garanta a existência futura de produção nacional, para o caso de haver um problema nas importações.
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