Aqui o anónimo da província tem escrito ao longo dos tempos contra os subsídios que ajudam a manter o status-quo quando entretanto o contexto muda. Alguns exemplos:
- Julho de 2024 - O foco certo
- Julho de 2025 - E se começássemos a experimentar responsavelmente?
- Agosto de 2026 - Isto dá que pensar...
- Setembro de 2026 - Areia para os olhos
O artigo do Telegraph descreve como o receio do aquecimento global está a transformar a agricultura britânica. Enquanto culturas tradicionais, como a batata, a ervilha e alguns cereais, sofrem com o calor e a seca, os agricultores começam a experimentar produtos antes considerados exóticos no Reino Unido: chá, café, azeitona, abóbora-menina, tremoço, soja e novas variedades de uva.
Algumas destas experiências já apresentam resultados promissores. Produz-se chá na Cornualha, cultivam-se oliveiras no Lincolnshire e a abóbora-menina, anteriormente importada, começa a ser produzida localmente. Em paralelo, os investigadores procuram desenvolver, através de melhoramento genético, culturas mais resistentes ao calor e à seca.
"In the near future, British agriculture may look very different. Tea and coffee crops could do well, while potatoes and peas, this summer past, have struggled amid drought and heat.
On the 25,000 acre Tregothnan Estate, three miles south of Truro, there are around 15 miles of tea crops. Jonathan Jones, a botanist who oversees the plantation, says:
"200 bushes were planted in 2001 and we are up to 20,000* As well as our hotter summers, Tregothnan is covered in sea mists, which make commercial tea growing possible. These mists represent something of a microclimate but Jones is sure that all sorts of exotics are about to become possible across the country. He says: "Coffee trials have been going for not quite 20 years and we now have promising signs that there will be coflee in this country soon."" [Moi ici: Recordo as experiências de café na Catalunha]
Contudo, o artigo sublinha que a viabilidade agrícola não garante a viabilidade comercial. A procura por novos produtos é limitada, algumas alternativas britânicas são mais caras do que as importações e os consumidores continuam a preferir variedades tradicionais. Assim, a adaptação terá de conciliar três dimensões: novas condições climáticas, capacidade produtiva e procura efectiva do mercado.
O subsídio à produção excedentária compra tempo sem exigir aprendizagem; a experimentação responsável compra conhecimento e cria opções. A política pública útil poderia apoiar ensaios, investigação aplicada, transformação, acesso ao mercado e a transição dos produtores. Aquilo que não deveria fazer é pagar-lhes para continuarem a produzir o que o mercado deixou de querer.
O artigo mostra agricultores britânicos a fazerem aquilo que por cá continuamos a adiar. O clima/mercado mudou, algumas culturas deixaram de funcionar/ter procura e outras tornaram-se possíveis. Em vez de exigirem que alguém restitua o mundo antigo, experimentam chá, café, oliveiras, soja ou novas variedades de batata. Nem todas resultarão e nem todas encontrarão mercado. Mas é precisamente essa a função da experiência: descobrir, em pequena escala e enquanto ainda há tempo, onde poderá estar o próximo "queijo".
BTW, dizer que estas experiências, algumas com anos, são por causa do aquecimento global, parece-me um certo facilistismo de quem escreveu o artigo.
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