O livro conta a história de dois ratos e de dois seres humanos que vivem num labirinto à procura de queijo, símbolo daquilo que desejamos na vida. Quando o queijo desaparece, cada personagem reage de modo diferente: os ratos adaptam-se rapidamente e procuram novas oportunidades; os humanos resistem, queixam-se e esperam que a situação anterior seja reposta.
A moral é que a mudança é inevitável e que ignorá-la não faz regressar aquilo que desapareceu. Quem observa os sinais, aceita a perda e começa cedo a procurar novas possibilidades, adapta-se melhor do que quem permanece preso ao passado. Em vez de perguntar apenas "quem mexeu no meu queijo?", importa perguntar: "para onde devo avançar agora?"
Recordo o livro porque foi dele que me lembrei de pois de ler "Why America's Vineyards Are In Crisis-And How Growers Are Responding":
"This year was a bitter harvest for hundreds of American winegrape growers, as wineries cancelled contracts to purchase their grapes. Now, across the nation, thousands of acres of grapes went unsold this year and have been left to rot on the vine or on the ground, or the vines have been ripped out of the earth.
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Why are American vineyards in crisis now, and how will this impact the U.S. wine industry, valued at $325 billion?
The main reason U.S. vineyards are in crisis boils down to an oversupply of wine in the market and in winery inventories, caused by a variety of factors. These include a decline in alcohol consumption, changing consumer demographics, rising inflation pushing wine prices higher, an increase in anti-alcohol groups, tariff pressures, and an influx of new beverage choices on the market, such as hard tea and THC-infused drinks."
Perante a quebra da procura e a acumulação de uvas sem comprador, os viticultores norte-americanos estão a reduzir a oferta. Arrancam vinhas ou deixam-nas por vindimar; simultaneamente, procuram diversificar o uso da terra, substituindo a vinha por outras culturas. Algumas explorações e adegas ainda procuram novas fontes de receita, apostando mais no turismo, nos eventos e em experiências ligadas ao vinho, enquanto aguardam que a redução da área plantada reequilibre o mercado.
Por cá, como reagimos?
Por cá, as organizações representativas dos viticultores do Douro querem sobretudo que sejam os outros a mexer: que o Estado financie a destilação das uvas excedentárias e compre vinho armazenado, que imponha preços mínimos, que o vinho do Porto passe a utilizar aguardente produzida na região, que se restrinja a entrada de produtos vínicos e que o comércio continue a adquirir a produção. Em suma, perante o desaparecimento do "queijo", uma procura capaz de absorver a vinha instalada, a reacção dominante não é ainda procurar outro queijo, mas pedir que o poder político reponha, por decreto e com dinheiro público, as condições do mercado que deixou de existir. Ou seja, pedem ao Estado que os ajude a não terem de mudar.
Isto dá que pensar... os apoios e subsídios em vez de acelerarem a mudança, atrasam a mudança, aumentam a diferença entre o que a produção oferece, e o que o mercado quer.
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