"Para o especialista, outra das contribuições para os números acima da média europeia tem a ver com a organização e o perfil de especialização da economia. "Portugal aumentou muito significativamente a qualificação das gerações mais jovens, mas a estrutura produtiva não evoluiu à mesma velocidade. Continuamos excessivamente dependentes de atividades de relativamente baixa produtividade e valor acrescentado""
"especialista no mercado laboral, aponta que haverá setores de atividade que irão debater-se com mais problemas dada a menor possibilidade de recorrerem a estrangeiros. "A construção civil, o turismo, a agricultura e os serviços sociais, nomeadamente os relacionados com lares de idosos, serão os mais afetados", , enumera."
- Portugal conserva muitas actividades de baixa produtividade.
- Essas actividades têm margens reduzidas e oferecem salários baixos.
- Os jovens portugueses, cada vez mais qualificados, não encontram aí carreiras compatíveis com as suas expectativas.
- Alguns ficam temporariamente desempregados; outros emigram ou procuram outras actividades
- As empresas recorrem a trabalhadores estrangeiros para preencher os lugares.
- Passado algum tempo, uma parte desses trabalhadores também muda de emprego, passa a trabalhar por conta própria, emigra novamente ou regressa ao país de origem.
- As empresas voltam a declarar falta de mão-de-obra e pedem uma nova vaga de imigração.
O comportamento empresarial mais plausível é outro: algumas empresas aceitam uma rotação muito elevada e preferem procurar continuamente novos trabalhadores a alterar salários, horários, a organização do trabalho e as perspectivas de carreira. Enquanto houver novas entradas, esse modelo ainda funciona. Quando a torneira da imigração abranda, a fragilidade torna-se visível.
Do lado dos trabalhadores, é perfeitamente racional abandonar um emprego quando percebem que, com aquele salário, nunca conseguirão pagar uma casa digna, trazer a família, criar poupança ou melhorar de vida.
A formulação rigorosa não é, portanto, "faltam trabalhadores". É:
Faltam pessoas dispostas a aceitar e manter estes empregos, nestes locais, com estes horários, estas condições e estes salários.
Isso pode ser uma verdadeira dificuldade para as empresas, mas também é um sinal de mercado. Se uma actividade só é viável através da entrada incessante de pessoas sem alternativas imediatas, talvez o problema não esteja na quantidade de mão-de-obra. Talvez esteja no próprio modelo de negócio.


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